
Ontem, numa escola com Crato ao seu lado, o primeiro-ministro assumiu formalmente a pasta da educação e ciência. Fez o incumbente - aparentemente um adulto - passar pelo vexame da absoluta subordinação da sua vontade (quem quer sair não ameaça nem se coloca à "disposição" para sair: sai pura e simplesmente, sem avisos, sofismas ou temores reverenciais) à agora mais desenvolvida via evangélica a autoritária do dr. Passos. O sorriso aparvalhado de Crato diante das televisões valeu mais que qualquer palavrinha oca. Se já não existia, agora desapareceu por completo no bolso traseiro das calças do chefe dele. Mas o desconchavo prossegue noutras áreas. Quando coloquei o termo "Estado paralelo" no preâmbulo do programa do governo, tive de explicar ao actual secretário de Estado Bruno Maçães o que é que tal expressão significava. Ele vinha de "fora" (acho que intimamente nunca saiu de lá) e ignorava o "estado da arte". Pois bem. O governo, a avaliar por esta apreciação da UTAO, persiste em beneficiar o "Estado paralelo" e em apoucar os servidores públicos, v.g. os licenciados em direito persistentemente tratados como atrasados mentais. Por que é que se aumenta, para além de um "grau de razoabilidade", a previsão de despesa em serviços de consultadoria e parecerística? Para "ajudar" os escritórios de advogados onde os amigos exercem ou são "consultores" graças não ao direito que ignoram mas aos contactos que proporcionam? Constata a UTAO que, «como a despesa prevista para 2015 em estudos, pareceres e outros trabalhos especializados e com tecnologias de informação «é superior ao orçamentado para ano de 2014», os técnicos consideram «não [ser] possível a partir das dotações de despesa orçamentadas aferir do grau de razoabilidade dessas poupanças» que o governo estima por estimar em trezentos e tal milhões. Nas palavras do próprio dr. Passos, pelos vistos "é o que pode ser".
2 comentários:
Caríssimo João, não convém esquecer as mais recentes indignações cívicas do insigne semanário/seminário «Espesso» e do seu cronista Luís Marques (acho que também passou pela estatal RTP, S.A.) sobre as plúrimas acumulações do Dr. Daniel Proença de Carvalho, agora como ilustre mandatário da Altice, auto-proposta compradora da PT à Oi, bem como do recente e profícuo encontro que proporcionou aos seus mandantes franceses com S.Exa. o Sr. VPM Paulo Sacadura Cabral Portas? Terá a rapaziada de Paço D'Arcos olvidado que, pelos idos dos anos '80 do século XX, aqueles «ambos-os-dois» foram íntimos co-dirigentes executivos da campanha presidencial do Prof. Dr. Freitas do Amaral lá para as bandas do "Adamastor lisbonense", no que é hoje a sede da Associação Nacional de Farmácias e do Museu da Farmácia e do Medicamento?
Além dos advogados, são, há muito, ostensivamente subaproveitados os Engenheiros, Economistas, Arquitectos....para só referir casos que conheço "ao vivo". Já para não falar dos meus colegas professores do Secundário, que vejo arrastando-se pelas escolas, no início do primeiro período escolar, já com o cansaço característico dum fim de ano lectivo. Desânimo absoluto, desmotivação que seria total, não se desse o caso de todos lidarmos com jovens pessoas que tentamos ajudar a ser gente.
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