14.10.14

Ratinhos de laboratório

De há muito que os orçamentos de Estado se encontram desactualizados quando entram em vigor. O que anda a ser preparado, porém, prodigaliza a originalidade de se desactualizar hora a hora, minuto a minuto e de, por consequência, ameaçar constituir um tremendo disparate político. Pedirá, por certo, mais rectificativos do qualquer dos anteriores. E, pelos vistos, nem aos velhos e novos "amigos de Peniche" em Bruxelas agrada uma vez que até desconfiam do que está vigor. O comportamento politicamente medíocre e timorato em relação ao défice, exibido uniformemente nas reuniões do Conselho Europeu e no Ecofin, com uma dívida pública em percentagem do PIB como nós temos e com uma economia que nós não temos, faz dos portugueses autênticos ratinhos de laboratório de uma "Europa" falhada, trôpega e sem desígnio. Da periferia subserviente, Bruxelas só espera "medidas adicionais" sobre "medidas adicionais". As pessoas reais, insisto, não comem défices nem ao pequeno-almoço nem sequer para efeitos eleitorais. Um eventual "brilharete" nominal abaixo dos 3% do "pacto" imbecil é pura espuma como os tais "amigos de Peniche" já fizeram notar (não à França ou à Itália, evidentemente). Não chega para compensar o desastre que se avizinha.

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