15.6.14

Foi você que pediu jornais, revistas e uma estação de rádio?

«Aquele império com pés de barro [a Controlinveste] ruiu com a crise, mas os bancos injectaram lá milhões para manter o controle. A solução encontrada é política: a escolha para presidente da empresa de Proença de Carvalho — homem para todos os regimes do poder e do dinheiro (e advogado de Sócrates) —, e a escolha dum protegido do BES, familiar de Cavaco mas de facto com ligação ao PS socratista (como o revelaram as escutas da Face Oculta no CM) apontam para a mesma triste aliança obscura entre media e dinheiro e política dos poderosos. Agora despediram bons profissionais independentes ou de áreas políticas desafectas aos novos donos. Socratinistas e costistas ficaram lá todos. O mesmo em Espanha: os bancos, em conúbio com o governo Rajoy, tomam conta dos principais media. Sinal do século XXI: com a Internet e a fragmentação dos media, o poder mediático disseminou-se de tal forma que os poderes fácticos de sempre — o dinheiro e seus agentes políticos — precisaram de voltar em força ao controle férreo dos media e encontraram em alguns jornalistas bem pagos agentes sabujos para o exercer. Os poderosos servir-se-ão dos seus media, mas, mesmo que os cidadãos não os leiam, eles farão contas para ver se os negócios que ganharam pela porta do cavalo compensam os prejuízos com os seus media e as notícias ou "notícias" neles plantadas. Entretanto, como qualquer industrial do capitalismo selvagem, destroçam vidas, fazem concorrência desleal aos media honestos e enganam o povo.»


 


Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã

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