«Eram muitos os que, nas hostes costistas e socráticas, dificilmente deixariam A.J. Seguro chegar tranquilamente às legislativas, de cujas listas temiam desaparecer. Penso todavia que não corriam esse risco, dado o espírito aberto e federador que A.J. Seguro tem demonstrado. Mas a vida partidária é desgraçadamente cada vez mais feita destes pequenos cálculos e de insignificantes criaturas que não conhecem outro modo de vida (...). O que se tem passado com António Costa, cujas qualidades conheci bem ao trabalhar com ele no Governo e no Parlamento, lembra-me muitas vezes o que se passou nos finais da década de noventa com Durão Barroso. Ele também era, face ao domínio socialista de então, o líder predestinado do PSD, com mundo, culto, rodado, etc., um político perante o qual todos os rivais empalideciam mal se pronunciava o seu nome, divinizado pelos media até à idiotice mais absurda, ouvido como um oráculo por uma comunicação social que transformava cada banalidade sussurrada na expressão de uma qualquer genialidade. Essa aura chegou a assustar o então primeiro-ministro António Guterres. Lembro-me bem de ter sido convocado - como foram, individualmente, todos os ministros - para reuniões de emergência em São Bento, porque agora a coisa "ia ser a sério". Pois bem, entronizado como líder do PSD, viu-se: desde o primeiro debate parlamentar até à sua astuciosa fuga para Bruxelas, foi o contínuo desmoronar do mito. Ainda agora, vendo a entrevista da passada segunda-feira de António Costa à TVI, o que me pergunto é o que há para lá de uma espécie de aura sebástica que, com inegável talento comunicacional e de relações-públicas, se construiu à sua volta. Há um tom de voz mais grave, é certo, e isso conta. Mas quanto a ideias, não ouvi a Costa nada que o Seguro não ande a dizer há muito tempo: pugnar por outro modelo de desenvolvimento, apostar na qualificação, combater o retrocesso social, etc., etc. Como se sobrasse em protagonismo sebástico-mediático o que falta em diferença propositiva, ou ideológica (...). Seguro descobre agora que foi uma imprudência não ter clarificado logo no início do seu mandato a sua diferença face ao socratismo, que a generalidade dos portugueses e dos próprios socialistas sabe bem (e ele tem ajudado a recordá-lo, com aqueles "comentários" dominicais de doentia e mitómana autojustificação) que ele foi o principal responsável português - porque também os houve a nível internacional, nomeadamente europeu - pela situação a que chegámos em 2011. E aí, atenção, com António Costa sempre a espaldá-lo, cobrindo todos os erros do socratismo, de que nunca se demarcou um milímetro.»
1 comentário:
Por favor, assinem a seguinte petição pela integração dos jovens estagiários na Função Pública:
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2011N10915
Muito obrigado pela vossa colaboração!
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