12.6.14

Do ciclo da morte

«A devastação económica e social destes três anos tinha de ter tido um propósito de regeneração que não teve. Se tivesse tido, o discurso já seria outro. Isso é o imperdoável. Esse é o falhanço. Se ainda precisamos do que precisávamos ainda estamos como estávamos. Tirando estarmos mais pobres. E mais desiguais. E mais desempregados. “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”. Todos os dias são um dia na vida de alguém. Hoje foi naquela empresa, ontem foi noutra, e tudo seria compreensível se fizesse parte do ciclo da vida. Faz parte do ciclo da morte. O desemprego de longa duração, o desemprego de jovens e de velhos, a redução dos apoios sociais (flexisegurança sem segurança) não é sentido de justiça nem uma sociedade a funcionar. É uma nação que exclui. Quem perde sai. Às vezes até é notícia. Hoje foi. Um dia de cada vez. Um dia é de vez.»


 


Pedro Santos Guerreiro, Expresso diário

2 comentários:

Isabel de Deus disse...

O cronista tem toda a razão. Infelizmente.

Pedro disse...

Não se pode ver apenas as coisas más, e hoje, dia de Santo António, devemos elevar o espírito e olhar o que de bom este (ok, o "nosso") Governo tem feito: ainda há momentos vi na SICN dois jovens ministros muito contentes a inaugurarem uma grande e importante obra no Alentejo. Pareceu-me que diziam chamar-se Alqueva ou algo parecido. Estão os dois de parabéns.