19.6.14

A nuance fundamental


 


Não se forja um ministro adjunto, com as responsabilidades políticas inerentes, de um dia para o outro. Trabalhei com um e sempre lhe recomendei que vestisse mais o "fato" de ministro adjunto e menos o de Miguel Relvas. Miguel Poiares Maduro, que substituiu o citado, nem sequer o métier de Relvas possuía. Vinha de fora - mal acabou o curso de direito, saiu daqui e prosseguiu a sua carreira académica sobretudo noutras paragens -, desconhecia o Estado e a adminsitração pública sob as suas diversas formas e não estava nem partidaria nem politicamente calibrado para as funções que lhe atribuíram. Quando ontem  elaborou sobre o pagamento de subsídios e o Tribunal Constitucional. não percebeu que ninguém esperava dele um comentário de dissimulada cortesia jurídica mas, sim, político. E o comentário político seria sempre a conclusão a que aparentemente o governo chegou hoje. As pessoas não querem saber do dia 30 ou 31, do mês de Janeiro ou de Junho. Uma vez fixada a decisão jurídica, esperam do poder executivo uma resposta que denote sobretudo bom senso político e que garanta um módico de segurança e de certeza jurídico-económica às suas vidas. Poiares Maduro não entendeu esta nuance fundamental. Já não vai a tempo de aprender.

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