Cavaco lembra Sampaio em 2004. Parece que está à espera que o PS se "componha" - leia-se: que triunfe o golpe bonapartista de Costa - para "fazer" alguma coisa. Acontece que, em 2004, o então secretário-geral do PS se tinha demitido e concorreram à sucessão Sócrates, Alegre e João Soares. Agora ninguém se demitiu. O que está em curso é uma mera pega de um partido de cernelha depois de ter registado duas vitória eleitorais e na perspectiva de uma terceira, mais decisiva, para pôr termo àquilo que os nostálgios de Sócrates, e adeptos de Costa, entendem como uma espécie de "interregno". E também acontece que Passos, contrariamente a Santana Lopes, está legitimado não apenas pela maioria mas pelo sufrágio nacional. E apenas o sufrágio o deve manter ou remover. A posição presidencial, ao sugerir "consensos" que sabe serem inverosímeis antes de eleições o mais rapidamente possível, "beneficia" Costa e os seus que são tanto dele como de Sócrates. Cavaco pode assim estar para Costa como Sampaio esteve para Sócrates. Será isso que quer?
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