27.6.14

O futuro não se recomenda


 


«O governo de Sócrates, ajudando entusiasticamente à bancarrota, e o de Passos Coelho, que andou sempre a tropeçar em contradições, mudanças de estratégia, polémicas sem sentido e reformas falsas, tiraram ao executivo o vago prestígio com que saíra de um pequeno período de prosperidade, inteiramente devido aos subsídios da “Europa” e, a seguir, ao euro. Hoje ninguém confia em nenhum ministro, a começar pelo primeiro-ministro. Sofremos, por impotência e por desespero, uma anarquia mansa de que ninguém vê o fim e a que muita gente se resignou. O Presidente da República, ansioso por evitar sarilhos no último ano do seu mandato, prega docemente aos peixes, sem se importar que o ouçam ou não ouçam e, de facto, a generalidade dos políticos não o ouve. Quase não vale a pena falar da extrema-esquerda. O ódio fraternal entre os vários grupinhos, que em conjunto a formam, não tem diluição ou concerto, como se viu em 25 de Maio. Os chefes são personagens de comédia ou aventureiros sem vergonha. Para ajudar à história, o PS resolveu cometer em público um suicídio longo e degradante, que o deixará dividido por muito tempo. Nem Costa, nem Seguro devem pensar que, lavada a roupa suja (que aparentemente é inesgotável), as coisas voltarão à ordem e tranquilidade do passado. Não voltarão. Cada um se ilude a seu gosto. Mas também Coelho e Portas aceitam ainda o absurdo postulado de que o PSD e CDS resistirão a quatro anos de “austeridade”. Erro deles. Seja como for, a República está presa por arames. E o futuro não se recomenda.»


 


Vasco Pulido Valente, Público

2 comentários:

Faro Portugal disse...

Bom post! 

Nuno Ivo Cruz disse...

É ainda crível que algumas das pessoas sábias que escrevem blogs como este se disponham a fazer as coisas BEM. Pelas leis da democracia, será preciso que façam saber a sua disponibilidade para ocupar o lugar dos Vazios que nos têm desgovernado. Como fez, aparentemente, António Costa...há outros