21.6.14

A angústia da influência

Conta-se que o dr. Passos e a dra. M. L. Albuquerque recusaram dar a mão, por interposta CGD, a Ricardo Salgado, conhecido no "meio" pelo DDT, "o dono disto tudo". E que, por isso, o presidente do BES teve de recorrer a Luanda. Vem no Expresso onde, no 1º caderno, já vimos passar publicidade ao BCP, ao BES e, agora, ao BIC. Devem saber do que falam. Politicamente, o primeiro-ministro e a ministra da finanças "ficam bem" nesta versão. Porque se há coisa que caracteriza o regime é a promiscuidade com o sistema financeiro representado fundamentalmente por três ou quatro bancos. A transumância entre cargos governativos e cargos executivos e não executivos nos bancos é conhecida e é, famosamente, comum ao chamado "arco da governação". Da Caixa, nem se fala, pela natureza dela. Mas desde o famoso BPN a outra banca comercial mais ou menos conspícua, a tentação passou à acção. Os exemplos não faltam. Oliveira e Costa, Dias Loureiro, António Monteiro, Celeste Cardona, Norberto Rosa, Armando Vara, Mira Amaral, Paulo Macedo, Luís Amado, Jaime Gama ou Paulo Mota Pinto, agora no BES, são apenas alguns nomes que ocorrem do passado recente e do presente. Também ocorreu há pouco tempo o contrário com uma secretária de Estado recrutada ao BES (parece que vai para a nova administração) e um outro infeliz, o dos "swaps", que foi dissolvido rapidamente num briefing Lomba. E os Salgados, os dois primos desavindos, eram visitas assíduas do poder independentemente da cor. Apesar de tudo o que já aconteceu com a banca, é improvável que o "peso" de figuras como a família mencionada ou de outros desapareça, por obra e graça do supervisor, da influência regimental. As cumplicidades e as amizades transversais são mais que muitas e superam qualquer circunstancial angústia.

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