«O problema do PS não é António José Seguro. O problema do PS é outro, e podemos, para simplificar, dar-lhe um nome: José Sócrates. Basta reparar nisto: da apresentação do programa de António Costa, as primeiras páginas dos jornais só retiveram um pormenor: o elogio a Sócrates. Isso quer dizer alguma coisa (...). O Partido Democrata italiano propôs um programa reformista, formou uma maioria aberta à direita, e esmagou a concorrência nas eleições europeias. O socratismo, neste momento, simboliza a impossibilidade de tudo isso em Portugal. Basta espreitar a missa negra que Sócrates reza todos os domingos à noite na RTP. Segundo Sócrates, a perfeição reinou em Portugal entre 2005 e 2011. Por ele, é inútil reexaminar políticas, trazer mais gente. O que o PS precisa é apenas de vingar a queda de 2011, derrubando o Presidente da República e o Governo, e de restaurar o passado (...). Porque Sócrates, enquanto problema, não é apenas o homem e as suas clientelas. É tudo o que ele, por ressentimento, se dispôs a representar: o sectarismo, a negação da realidade, a indisponibilidade para evoluir. Todos os partidos têm esses pendores desagradáveis, sobretudo quando tocados pela arrogância do poder. O socratismo é apenas a forma aguda que a doença tomou no PS. Um PS incapaz de se distanciar de Sócrates, isto é, do pior de si próprio, está destinado a repelir as pessoas sensatas e a mobilizar a direita.»
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