25.6.14

Bate certo

A qualificação das pessoas e, por tabela, do território começa nos bancos da antiga escola primária. Crato vai fechar 311 escolas do chamado 1º ciclo. Os mais prejudicados por isto são os que estão mais afastados do litoral. O país cada vez mais se parece com um barco tombado. A "divisão" há muito que não passa pela diferença entre o norte e o sul. Sai-se de Lisboa, sobe-se ou desce-se um pouco e, depois, segue-se o deserto ou o "interior" como é conhecido nas estatísticas e na vulgata política. A boçalidade economicista não quer saber disto para nada. Metem-se as crianças num autocarro, andam de um lado para o outro, e a coisa fica "resolvida" mesmo que as excursões roubem tempo e disponibilidade para aprender. O resto está resolvido por natureza: pela natureza da chamada "evolução natural" e do "progresso". Onde não existe ninguém, ou tende a não existir, não é preciso qualificar. E é de pequenino que se começa a perceber a merda de país em que se nasceu. Bate certo como a matemática medíocre de Crato.

1 comentário:

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, é caso para dizer que «a montanha pariu um Crato», pois basta consultar para o efeito o artigo sobre Portugal inserto no n.º 23 da "Magazine Carto", com o respectivo mapa do país colorido em função das densidades populacionais estimadas em 2012 segundo os Censos de 2011: em suma, bem melhor do que falecer...