«Há por isso um ponto sobre o qual não pode haver dúvidas, para poder haver uma saída. Esse ponto é que dois anos e meio de impasses constituem a prova cabal que a crise do euro e da União Europeia decorre, mais do que do descontrolo financeiro grego, da impotência da própria governação europeia. Foi esta a grande evidência que a irresponsável crise grega revelou. Não podemos, por isso, continuar no círculo vicioso de cimeiras inúteis, a fingir que se ultrapassa esta situação com pequenos remendos, alguns biscates e muita laracha. Como se, quanto mais rápidos se revelam os mercados, mais lentamente se pudessem comportar os políticos. Realizaram-se 24 cimeiras desde o começo da crise, o que dá um bom filme da contumaz impotência europeia: todas elas foram, ou de conversa inconclusiva, ou de anúncio de decisões que, na maior parte dos casos, nunca passaram à prática. Como se todos soubessem o que há a fazer, mas ninguém soubesse como.»
Adenda: A França, fiel ao compromisso eleitoral de Hollande, mantém a intenção de renogociar o chamado "tratado orçamental". E a Irlanda está hoje a referendá-lo. Quanto mais a "Europa" for uma imposição burocrática mais perto andará da falácia política e económica. O seu desmesurado crescimento (quase 30 estados-membros) ameaça o outro crescimento, aquele de que tanto apenas se tem falado nas derradeiras semanas. Nas palavras de Carrilho, é de facto «como se todos soubessem o que há a fazer, mas ninguém soubesse como.»
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