15.5.12

Quem muito viu

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;


 


e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi


 


não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.


 


Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.


 


Jorge de Sena

3 comentários:

Isabel Metello disse...

Fantástico! A nossa Pátria É a nossa Alma!

PSC disse...

Tem toda a razão! E como andamos todos tão esquecidos do que realmente conta e pelo que vale a pena lutar! E até morrer se necessário fôr.
Obrigado João Gonçalves por nos dar a conhecer este soneto de Jorge de Sena. Há "Seres" e há os outros.

Anónimo disse...

Exactamente.