
O episódio Pingo Doce já enjoa. Até porque coloca as pessoas mais inesperadas a dizer as coisas mais inesperadas por brotarem delas. Da próxima vez que, por exemplo, uma "grande superfície" que venda roupa, preferencialmente íntima, anunciar cuecas, soutiens, calças e calções de borla ou a metade do preço para quem lá aparecer nu ou apenas com as cuequinhas ou os boxers, o que é as diversas patrulhas de serviço vão fazer? Ou quando as gasolineiras que vendem "marcas brancas" de combustíveis baixarem mais os preços do que as galps, as bps e as repsol estiveram cercadas por condutores enervados uns com os outros e que esperam horas a fio para atestar o depósito e poupar uns euritos? Chamar o ex-execrado dr. Nunes da ASAE, e novo herói das mencionadas patrulhas, para obrigar a cobrir as "vergonhas" ou ir encher o depósito a outro lado mais respeitável? Promover um colóquio internacional de sociologia no ISCTE patrocinado por algum concorrente da Jerónimo Martins ou pela galp? Rui Ramos escreve no Expresso que «o último argumento do socialismo foi sempre a polícia.» O que nem ele nem eu sabíamos é que há mais socialistas no céu e na terra do que nas nossas pobres "filosofias". A miséria humana é, também, miséria instintual. Os factos e as reacções a eles revelam muito mais esta do que a primeira.
Foto: Eu sou uma ilha
5 comentários:
A FOME QUE SE DESEJA
Sou do tempo em que bastava ouvir falar da falta de farinha para uma corrida ao açambarcamento nas padarias, e dois dias depois havia pão espalhado nos passeios.
Sou do tempo em que com medo que a gasolina esgotasse se faziam quilómetros de filas às bombas para encher as banheiras lá em casa.
Assim se vê a estupidez do Tugazito , com que só podemos aspirar a contar com amanhãs de cobardia e chafurdice.
A gente que somos é vincadamente formatado cívica e intelectualmente pelos valores que lhe são servidos diariamente em saldo contínuo por uma comunicação social afeiçoada ao regime, a todo os regimes e cores, de onde não é prudente esperar nem bom vento nem bom casamento.
Os que ajudaram a crucificar Jesus Cristo são os mesmos que agora se prestam por um rebuçado a assassinar o 1º de Maio que não deixam de ostentar na lapela.
A verdadeira fome não tem carteira nem estômago para figuras tão tristemente indecorosas.
Lá que foi um teste á nossa superficial coerência, falta de sentido de responsabilidade e frágil lastro de badaladas convicções, isso foi. Os contestados patrões, governo e adjacências ainda por cima num dia destes, agradecem embevecidos mais uma demonstração da nossa atávica pequenez.
Uma coisa tenho eu de concordar, foi simplesmente brilhante a acção de Marketing executada pelos altos responsáveis do Pingo Doce. Não sei, nem quero saber se venderam produtos com prejuízo, mas que a publicidade à volta do caso foi de tal ordem bombástica, que não tenho alguma dúvida que a mais valia gerada à volta do evento, trouxe à Jerónimo Martins aquilo que muitos não conseguem com publicidade paga.
E não me venham dizer que foi concorrência desleal, o chefão do Continente também vende artigos com 50% + 25% em cartão( !!!) diariamente.
Felizmente vai durar semanas e assim muitas intervenções nos vão fazer rir, é bom.
A ministra que pedia a Deus que chovesse agora deve estar a rezar para que um raio se abate sobre o dono do Hiper.
A propósito de 21 de Maio a 3 de Junho tenho 50% de desconto no Continente na compra de vinho da Adega da Cartuxa 2010, por favor não diga a ninguém especialmente à ministra.
Vou açambarcar.
É o "Portugal dos pequeninos" tout court.
Parabéns à Jerónimo Martins pela genial acção de marketing sem ter gasto um cêntimo!
Senhores evangelistas, do Bloco e da CGTP, confesso que pequei no último primeiro de Maio, trocando o consumo de bifanas e “mines” nas barraquinhas do relvado da Alameda – o verdadeiro “plus” da manif, nos tempos em que tudo o que era restaurante fechava nesse dia - por uma tarde de compras no Pingo Doce de Telheiras. É a vida. Não sendo propriamente um necessitado a quem sobre mês no fim do dinheiro (pelo menos neste momento), soube-me bem poder “stockar” algumas coisas, como cervejas, vinhos (normais e Porto’s), papel higiénico, detergentes, sabonetes, óleo, a metade do preço. A única coisa que me distinguiu de alguma turba, nomeadamente de “lelos”, foi o facto de ter mantido, no carrinho de compras, as embalagens vazias do que consumi no local, procedendo ao respectivo pagamento. Há que manter a dignidade moral, mesmo em situações de quase vale-tudo. Repito: Pequei mas não me arrependo, não peço perdão, nem faço de conta que não fui. E ainda mais: Se voltar a acontecer, seja nesta ou noutra cadeia de hipermercados, lá estarei. E só espero que isto atice a concorrência e possamos, em vez de 50%, obter, digamos, uma promoção do género, “compre 100€ e nós damos-lhe as compras, mais 20€”. A propósito disto o Ricardo Araújo Pereira, que, na minha modesta opinião, há muito perdeu a graça original dos anúncios do Montepio, criou uma rábula que circulou na “rede”. A parte a que achei mais piada foi a tirada genial do locutor: “Este espaço (de crítica humorística ao Pingo Doce) foi patrocinada pelo… Continente”. Como dizem os putos, lol.
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