31.5.12

Livros no Porto

Abre hoje no Porto a feira do livro. Dedicam-na à poesia e a Agustina. Foi há muitos anos que Agustina - que fui entrevistar à sua casa do Campo Alegre - me deu o número de telefone de Eugénio de Andrade. Liguei-lhe de uma cabine pública. Não havia telemóveis. Ninguém atendeu. E assim ficámos neste desencontro eterno que é, talvez, um termo possível para a poesia.


 


As palavras que te envio são interditas


até, meu amor, pelo halo das searas;


se alguma regressasse, nem já reconhecia


o teu nome nas suas curvas claras.


 


Dói-me esta água, este ar que se respira,


dói-me esta solidão de pedra escura,


estas mãos nocturnas onde aperto


os meus dias quebrados na cintura.


 


E a noite cresce apaixonadamente.


Nas suas margens nuas, desoladas,


cada homem tem apenas para dar


um horizonte de cidades bombardeadas.

2 comentários:

Genesius disse...

Era dificil encontar o Eugénio de Andrade. É dificil entranhar o que escreve. Poucos de nós terão essa visão.
Ficamos pelos circilos exteriores da pedrada no charco.

joshua disse...

Um grande abraço, João.