Abre hoje no Porto a feira do livro. Dedicam-na à poesia e a Agustina. Foi há muitos anos que Agustina - que fui entrevistar à sua casa do Campo Alegre - me deu o número de telefone de Eugénio de Andrade. Liguei-lhe de uma cabine pública. Não havia telemóveis. Ninguém atendeu. E assim ficámos neste desencontro eterno que é, talvez, um termo possível para a poesia.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
2 comentários:
Era dificil encontar o Eugénio de Andrade. É dificil entranhar o que escreve. Poucos de nós terão essa visão.
Ficamos pelos circilos exteriores da pedrada no charco.
Um grande abraço, João.
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