«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.»
Adélia Prado
18.5.12
Uma impressão
O Nuno, velho amigo - monárquico empedernido, crítico severo - foi jantar com Álvaro Santos Pereira. Fica a impressão de dois patriotas anti-patrioteiros, o Nuno e o ministro da economia.
E se fosse "devolvido" ao Canadá (rápido e em força) não continuava a ser patriota? Ora bolas. Cada vez entendo menos isto, esta coisa da "grandeza" e da ética ou lá o que é. CVidal
João, limitei-me a confirmar in loco aquilo que já pensava: o homem é válido, sério e frontal. Que bem faz aos portugueses passarem uns anos lá fora. Por outro lado, esta máquina trituradora em que se transformou a nação desde há uns 180 anos, deve ser passível de um emperro. Nem todos são "chulos, parasitas, aldrabões", etc.
É recorrente esta ideia da "devolução" do homem ao Canadá, como uma espécie de castigo, ou de nossa vingança, para com o que tomam como um incompetente iludido e desastrado com as palavras.
Por mim só não percebo que misterioso apelo à sua terra de origem o fez largar o Canadá e aceitar o presente envenenadíssimo que é a sua posição no governo.
Digo-vos, do pouco que conheço (e há tanto tempo foi já isso): meu rico Canadá! Embora para o português médio, receio, nada se compare ao seu T2 com marquise de alumínio, algures na Brandoa ou lugar semelhante e com vista para o T2 com marquise de alumínio, em frente; a TV Sport a "dar" futebol todo o dia; o assador na varanda - magistralmente manobrado por um especialista de barba de dois dias, camisola interior e chinelos -; o carro, devidamente protegido pela capa que o cobre quando não é dia da "volta dos tristes", estacionado sobre o passeio na rua esburacada, mar de poeira de Verão, lamaçal sem fim no Inverno.
E bastando-se com isso, assim sendo felizes, de facto mandar de volta alguém para o Canadá deve equivaler a sujeitar alguém a severíssimo castigo.
Pobres, incultos, pelintras. Mas muito convencidos, nós.
3 comentários:
E se fosse "devolvido" ao Canadá (rápido e em força) não continuava a ser patriota?
Ora bolas. Cada vez entendo menos isto, esta coisa da "grandeza" e da ética ou lá o que é.
CVidal
João, limitei-me a confirmar in loco aquilo que já pensava: o homem é válido, sério e frontal. Que bem faz aos portugueses passarem uns anos lá fora.
Por outro lado, esta máquina trituradora em que se transformou a nação desde há uns 180 anos, deve ser passível de um emperro. Nem todos são "chulos, parasitas, aldrabões", etc.
É recorrente esta ideia da "devolução" do homem ao Canadá, como uma espécie de castigo, ou de nossa vingança, para com o que tomam como um incompetente iludido e desastrado com as palavras.
Por mim só não percebo que misterioso apelo à sua terra de origem o fez largar o Canadá e aceitar o presente envenenadíssimo que é a sua posição no governo.
Digo-vos, do pouco que conheço (e há tanto tempo foi já isso): meu rico Canadá! Embora para o português médio, receio, nada se compare ao seu T2 com marquise de alumínio, algures na Brandoa ou lugar semelhante e com vista para o T2 com marquise de alumínio, em frente; a TV Sport a "dar" futebol todo o dia; o assador na varanda - magistralmente manobrado por um especialista de barba de dois dias, camisola interior e chinelos -; o carro, devidamente protegido pela capa que o cobre quando não é dia da "volta dos tristes", estacionado sobre o passeio na rua esburacada, mar de poeira de Verão, lamaçal sem fim no Inverno.
E bastando-se com isso, assim sendo felizes, de facto mandar de volta alguém para o Canadá deve equivaler a sujeitar alguém a severíssimo castigo.
Pobres, incultos, pelintras. Mas muito convencidos, nós.
Costa
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