No quiosque, em frente da igreja, comprei três jornais. Sentei-me sozinho no café a lê-los. Do que mais gostei, foi da capa do suplemento de um deles que serve de ilustração ao post. Depois pensei que este blogue caminha para o seu nono aniversário, algures perto do 10 de Junho. Dele saíram dois livros, um deles com título homónimo. Esporadicamente escreveram aqui outras pessoas. Mas o blogue foi sempre meu, com a minha assinatura por baixo. Nestes nove anos, o blogue conheceu cinco governos, dois deles sob a direcção da mesma pessoa. Chegou mesmo a merecer o melhor elogio com que podia ter sido presenteado por parte de um chefe de governo cuja superficialidade só lhe permitia conceber mundos partidos em duas partes incomunicáveis: «um dos meus maiores inimigos!» Não era. Era apenas directo nas críticas. Como foi, é e será nos apoios que não confunde com louvaminhices grotescas. Nunca houve, nem há, nem haverá neste blogue nenhum ghostwriter. Je suis mon ouvrage, como dizia a Madame de Mertreuil. Nâo recebo nem dou recados. A minha liberdade é a minha lealdade. Comigo próprio e com os outros. A defesa intransigente da liberdade de expressão está exposta no arquivo do blogue. Não aceito lições de ninguém nessa matéria, muito menos de canalha anónima e de prosélitos de ocasião. Não deve, aliás, ter sido por acaso que Manuela Moura Guedes escolheu o Portugal dos Pequeninos, no momento mais difícil da sua carreira jornalística, para, livremente, comentar a sua situação. É este o registo do Portugal dos Pequeninos passado, presente e futuro. De volta aos jornais, li-os num instante, no tempo de uma bica que é, em geral, o tempo deles. Felizmente conheci grandes jornalistas. Cunha Rego, Carlos Plantier, Margarida Viegas, Helena Sanches Osório, Francisco Sousa Tavares. Se escolho mortos, é para não ofender a sua memória citando alguns vivos. Foi o que fez, também, o Miguel Castelo-Branco no post do seu libérrimo Combustões que passo a citar: «Um dia, Vera Lagoa disse-me que evitasse escrever aquilo que as pessoas não querem ler. As pessoas gostam de banalidades, gostam de mentiras, pelam-se por insignificâncias. Vera Lagoa estaria já naquela fase da vida em que a sabedoria se instala e o conhecimento dos homens e das suas cobardias, inconsequências e pequenez aconselham à máxima precaução. A Vera Lagoa tinha razão.»
9 comentários:
É EXATAMENTE NO DIA 11 JUNHO O 9º ANIVERSÁRIO DO P.P...
Muito, muito bem.
Abraço Joâo Gonçalves.
Embora escreva pouco, o sentimento de estima e admiração é muito.
Não concordo totalmente. Devemos sempre dizer o que pensamos, mesmo que isso seja desagradável para os instalados habituais. Até há uma década e meia, era relativamente fácil apontar-se o dedo a este ou aquele, fazendo constar um alegado "fascismo", verdade é que hoje temos alguma defesa, sendo agora bastante difícil reconstruírem-nos o passado ao bel-prazer da cáfila. Aquilo que dissemos e escrevemos, fica registado e o demais, limita-se à prova factual, ou melhor, vale zero. Poucas hipóteses existem para "fotos retocadas" ao estilo da trupe de Estaline, embora no nosso país seja essa uma tentação obcecante. O "fotochópe" é detectável por mais perfeito que seja.
Ainda esta manhã, foi com perplexidade ter lido o mais vivo protesto vindo do Sr. Balsemão, queixando-se de "calúnias e talvez de perseguição". Passando sobre as alegações - e a personagem - que não me interessam minimamente, o pobre homem nem sequer terá uma vez só visto os telejornais da sua TV e raramente folheará o Expresso. Assédio, invenção de "notícias" ou manipulação descarada das mesmas com o fim do favorecer político e económicos, principalmente económico, de certos grupos, têm sido uma constante.
Não, João, pouco importa aquilo que queiram ou não queiram ouvir. Se temos liberdade de expressão, ela existe para ser usada, arcando nós com as responsabilidades que nos cabem. De resto, o que poderão fazer-nos? Atirar-nos para uma choça? Como ? Na situação em que andamos, seria um alívio, pois livravam-nos de impostos, rendas e obrigações.
Parabéns JG!
Conheci a Vera Lagoa tal como a Natália Correia.
Grandes mulheres.
Parabéns, Sr. Dr. João Gonçalves! É um Homem Recto, pelo que leio sempre que cá venho ( depois dos mal entendidos terem sido creio que esclarecidos e de eu perceber a causa estrutural dos mesmos...:) e É de Pessoas de Carácter que Portugal necessita, sejam de esquerda ou de direita, o que interessa é que se pautem por Princípios Que Obedeceçam ao Altíssimo ou à Ética (há ateus e agnósticos como Jean Paul-Sartre, que defendia que, apesar de não haver Deus (como já partiu para Lá há muito tempo, creio que já o Encontrou....:), nem tudo era permitido, havia a indispensável necesidade de haver uma Ética, Cujos Princípios são, by the way, Transversais A Qualquer Texto Sagrado. Vera Lagoa tinha razão, tinha e foi Uma Grande Mulher que aguentou bombas e ameaças de morte e várias tentativas de aniquilação (vá-se lá saber porquê...creio que ambos e muito mais gente sabemos e sabe o porquê estrutural...:) situações perante as quais muitos meninos/as jornalistas se borrariam todos! Falta-lhes A Experiência Colectiva Simbólica da Ponte Aérea, falta-lhes recruta! Pensei que o jornal que Essa Grande Mulher fundou tinha acabado, quando, no outro dia, fiquei tão feliz ao ainda o ver vendido nas bancas, pois muitos jornalistas gourmet que o consideravam um pasquim de extrema direita de uma reaccionária deveriam estar mas é bem caladinhos (engraçado, calaram-se tanto durante a era socretina, praticamente só havia dois resistentes- o Sol e o Correio da Manhã, este último que desprezam, pois, na sua lógica elitista, é para o povo e eles só gostam do povo quando lhes interessa, jornalistas gourmet que, não raro, gostavam muito de comitivas (se eu fosse jornalista nunca aceitaria que me pagassem nem uns amendoins no avião, quanto mais viagens e estadias- seria uma afronta a uma profissão que se deveria pautar pela isenção e pela investigação e não pelo papaguear de textos em regime copy paste de agências de comunicação...:). Estes meninos/as não teriam 1/8 da Coragem Daquela Senhora que lutou contra ventos e marés quando doía mesmo (quando não dói ou pode doer, é fácil fazerem-se queixinhas de insignificâncias até risíveis, dado que nunca viram a sua vida em risco ou arriscaram o pescocinho pela Verdade ou pela Defesa da Vida Alheia...:). Taditos, sempre tiveram uma boa vida, nunca souberam o porquê de uma resistente, Filha de Outro Grande Resistente ao regime salazarista, depois do 25/74 e do PREC, ter perscrutado e verbalizado com a sua equipa tantas Verdades inconvenientes, face ao que se instalou e ao que era previsível acontecer, com tantos saneamentos no Diário de Notícias pelo sacralizado Saramago (que atitude democrática, não haja dúvidas absolutamente algumas! Bem, depois de receber o Prémio Nobel, exilou-se em Lanzarote e era contra o turismo de massas (fonte: local:), que não alimentícias, naquela ilha, talvez porque incorporava aquele elitismo muito próprio de quem defende o povo na teoria, mas abomina-o na prática- aliás Marx tb assim o era, como muitos outros, nada de novo na costa...:). Até porque tantos casos de comunistas acérrimos (e não nos esqueçamos que o PCP sempre foi o partido comunista europeu mais stalinista-Cunhal gostava tanto do povo que cá queria instalar um regime hediondo, criminoso! A Sibéria estaria talvez planeada para a Serra da Estrela :) do nada se tornaram capitalistas num ápice, o que se não fosse trágico, seria cómico! (é a lógica de Putin, que espelha naqueles olhos frios siberianos a matriz KGBiana :)!
Parabéns e continue! Este comentário já vai longo, acabo-o com uma saudação Latina- "Ave Caesar, morituri Te salutant!"- e um provérbio tb Romano assim traduzido que bem espelha o que Vera Lagoa sempre fez: "quem não combate os maus faz mal aos Bons!". Que pena os Comandos que se recusaram a sair de Moçambique para defender populações indefesas já tenham partido ou já estejam na reserva, que pena que Pessoas Íntegras como o Sr. General Brigadeiro João de Deus Quintela já tenham partido! Era Um Senhor, assim como o Senhor Magalhães Monteiro, como tantos outros que conheci nas palestras na sede da
Quem é esta mulher lindíssima? Armanda Falcão na sua juventude, ou Helena Sanches Osório?
Já agora envio-lhe os meus parabéns pelo 10º aniversário do seu blogue, que leio regularmente, e onde venho buscar o comentário sensato e patriótico!
Um forte abraço!
Anónimo, não !
Você está a brincar, presumo!
Visito assiduamente este blog. Parabéns por mais este ano. Continue, e obrigada pela companhia que muito me apraz.
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