5.5.12

A irmã gémea

O dr. Azeredo Perdigão, um sage e um dos melhores advogados portugueses, gostava que o General Ramalho Eanes lhe tivesse sucedido na presidência da Gulbenkian. Não aconteceu. Depois dele, vieram Ferrer Correia, Sá Machado e Rui Vilar. Esta semana Vilar trocou de cadeira com Artur Santos Silva (o "Arturinho" da dra. Maria Barroso) que, entre as trezentas e quarenta e sete funções e cargos que detém, passou de administrador não executivo da Fundação a seu presidente enquanto Vilar passou de presidente a administrador não executivo. Ambos levam anos e anos de regime às costas e asseguram a sua respeitabilidade endogâmica. Vilar começou logo nos governos provisórios, passou pelos primeiros socialistas e redundou fatalmente em gestor de coisas públicas e aparentadas, de preferência bancos. Santos Silva, por parte do pai, vinha daquela oposição nortenha, liberal e burguesa ao Doutor Salazar, o que lhe garantiu para todo o sempre um "estatuto" regimental que ele exibiu em comissões patrióticas tais como a dos cem anos da República e na curta passagem pela Porto 2001 de onde se demitiu quando Manuel Maria Carrillho, à altura ministro da Cultura, o colocou no devido lugar. No essencial, foi, evidentemente, banqueiro. Dir-se-á que não há mais ninguém. Talvez. Jorge de Sena chamava a isto "mesmice". Era, porém, no tempo da "outra senhora". Só que então ninguém sabia que a referida "senhora" tinha uma irmã gémea que ainda hoje, pelos vistos, é viva.

1 comentário:

Monti disse...

Não tinha presente a hipótese do seu/nosso general.
Valia a pena transcrever esta pérola da Fundação:
"No 1º Conselho de Administração Plenário
presidido por Artur Santos Silva,
o Conselho deliberou,
por unanimidade,
cooptar o presidente cessante
como administrador não executivo"
PS: cooptar ou não cooptar, a bem do regime.
Para quando, o fim do financiamento da Fundação D. Corleonne Soares?
Cpts.