
Comecei há dois dias a ler o livro de Miguel Sousa Tavares editado pelo Clube do Autor. Alguns daqueles textos, previamente publicados no Expresso em português correcto - o que duplica o prazer de os reler em livro - eram meus conhecidos. Tudo junto, é um livro que "conta" a história do país, nos últimos seis anos, vista pelo autor. Nem sempre será forçoso concordar com ele mas o "retrato" geral é impressionante. Parece que, famosamente, o abismo atrai o abismo e o Portugal mais recente aí está para o demonstrar. Sousa Tavares romancista interessa-me relativamente pouco. Este interessa-me mais porque, na concordância ou no dissenso, me ajuda a pensar. E porque tem subjacente uma atitude intelectual indeclinável: «nada há de mais difícil e mais exigente do que ser-se livre» É verdade que «Portugal não acaba assim nem agora.» Sobretudo, como reza o título feliz, a história não acaba assim.
1 comentário:
Jean d'Ormesson ? Absolutamente de recomendar. E não só as entrevistas, também os roman-fleuve , como "À vontade de Deus" ou as excitantes análises muito próprias e agudas, em dois tomos, sobre os escritores que ele entendia fundamentais de 1800 ao final do século XX. E agora não resisto a uma pequena ironia, em jeito de mansa picardia: não é companhia por aí além o pequeno romancista MST , mediano cronista MST . Se o frequentar menos, prevejo que a dado ponto começará não só a ter acrescido gosto nos livros mas, muito provavelmente, também nas pessoas. É que há leituras que nos inibem a humanidade própria. Que são estomagantes como as chispalhadas e deletárias como os sulfuretos...e às tantas nos pervertem o senso crítico mais salutar.
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