6.5.12

Um presidente e a Europa


 


Se nada de extraordinário acontecer - como, por exemplo, alguns dos nossos comentadores, até dos mais lúcidos, conseguirem convencer o eleitorado francês que François Hollande vai devolver o seu país às "trevas" progressistas de 1789 e seguintes e, por consequência, a Europa vai sair do maravilhoso momento que a caracteriza com Sarkozy - o antigo colaborador de François Mitterrand será, a partir de logo à noite, o próximo chefe de Estado francês. Hollande tem a crédito a normalidade (fartei-me de escrever aqui que essa era a mais-valia de Passos Coelho nas legislativas de Junho passado) contra a adolescente crispação do incumbente. E, uma vez eleito, a fatal realidade acabará por se impor a qualquer veleidade "ideológica". Sarkozy, em 2007, parecia uma coisa nova nas direitas europeias e para futuro exemplo delas. Não foi nem uma coisa nem a outra. Conseguiu a proeza de virar o métier (que ele domina) contra si próprio e revelar-se um político frívolo, instável  e arrivista. O que acontece hoje em França é muito mais o reflexo da sua rejeição (é esse o sentido fundamental dos quase seis milhões e meio de votos em Marine Le Pen e da decisão solitária do prestigiado centrista Bayrou) que um desvelo inusitado por Hollande. A Europa das grandes figuras desapareceu de cena há muito tempo. Tal como ela mesma se arrisca a desaparecer se persistir nas tolices dos últimos anos, ensimesmada e impotente perante a crise. Por isso, vive-se com o que se tem e vota-se com o que há. François président.

3 comentários:

Anónimo disse...

Pela parte que me cabe, se ele ganhar cá estarei para me redimir, se após Hollande a Europa não tiver saudades envergonhadas de Sarkozy. Até agora só houve sonhos, patinagem artística e cheiro a plástico queimado. Uma coisa é certa: cerca de metade de nós está enganada.

fado alexandrino disse...

Os resultados já aí estão 51,9 contra 48,1.
Com apenas 20% de abstenção é preocupante ver um país completamente partido ao meio.

maria disse...

Diz bem assessor de Miterrand, Tonton que não era tonto mas um esperto da pior espécie, NUNCA propôs a esta luminária nem uma secretaria de estado!!!!!! Et bien pourquoi?