16.5.12

A visão curta e provinciana da Senhora

«Na Europa é instrutivo verificar que as facilidades do euro deslumbraram demais, sobretudo países passados quase directamente de longas ditaduras às liberdades e responsabilidades da democracia. Até nesses, porém, há tradições que tornam muito improvável o triunfo de populismos anti-democráticos. O problema não está aí, mas na Alemanha de Merkel cuja visão curta e provinciana não dá para a chefia que os outros, França à frente, lhe concedem numa espécie de sonambulismo colectivo. Tal parece começar a mudar – até na Alemanha - e é um alívio. O major David dos Santos que dava matemática no Valsassina dizia-nos às vezes: "Ó Senhor, é bom ser burro, mas não tanto!" Lembrei-me dele no rescaldo de alguns Conselhos Europeus do último par de anos.»




José Cutileiro, Jornal de Negócios

1 comentário:

Isabel Metello disse...

Aí está o busílis da questão- antes do 25/74, os cofres estavam plenos de barra de ouro. depois, foram-se vaporizando, por um milagre de Midas ao contrário; um país secularmente modelado pela falsa beatice e provincianismo (as mentalidades mudam nem por decreto nem por golpes de estado militares:), pelo analfabetismo funcional, pela desresponsabilização individual diluída, tantas vezes, no conceito diáfano da culpa expiada em bodes respiratórios (não digo expiatórios, para não me repetir, mas de facto, até a sua lógica- para uns respirarem, outros foram sendo abafados), sem criminalização subsequente, pela emergência socioeconómica de gente que adorava e adora o concreto (há vários historiadores e sociólogos que estudam o fenómeno como intemporal:), que andou anos a pensar no seu umbigo e nos das suas extensões reticulares sem algum sentido de Ética ou de Estado nem algum Amor pela Pátria ou tipo de responsabilidade social. Ora, a partir dos anos 90, como António Barreto diz viveram-se 50 anos em 5, com a instalação da sociedade de consumo, sem sustentáculos estruturais- eis a proliferação dos 3 F (ao menos no outro paradigma Estava Nossa Senhora, i.e., O Sagrado...:) em :) Fortuna e Fama Fáceis, Folia, Farra, Fraude, Futebol como opiáceo transformado em negócios que envolvem milhões (os tais 10 ou 12 estádios construídos para o Euro 2004, hoje, devolutos- uma megalomania que nos custou muito caro num país que se percorre, de automóvel, num dia, em vez de se investir em hospitais, na agricultura, na frota pesqueira, no desenvolvimento das PMEs, em infreaestruturas realmente indispensáveis, na recuperação do património urbano e até rural, que permitiria, a longo prazo maximizar divisas provindas do turismo segmentado como uma das actividades basilares à nossa economia- talvez daí a pressão inglesa para se ver globalmente o Algarve como uma zona perigosa, quando tantos britânicos são assassinados em tantos países, quando não assassinam como aquela mãe casada com um pedófilo que matou 3 Crianças.Há aqui qualquer coisa de retaliação. Para já não falar de tantos fundos da CEE (actual UE:) que foram gastos onde? Foram parar a quem? Eis a questão!
Depois o governo baudrillardiano de Sócrates, depois do golpe palaciano perante um Governo com maioria absoluta, que puxou o tapete a Santana Lopes (deve ser boa pessoa para ser alvo de tantos odiozinhos medíocres, só Pessoas de muito Carácter têm muitos inimigos, os crápulas, geralmente, sºão muito consensuais:). Aliás, deve-se a Santana Lopes a outrora tão controversa e hoje tão uníssona construção do túnel do Marquês, cuja providência cautelar do Sr Sá Fernandes teve como consequência custos avultadíssimos, mas que o seu amigo António Costa há pouco tempo celebrou (isto até tem a sua piada, se não resultasse em verdadeiras tragédias individuais e colectivas. Para além de ter sido a equipa de Santana Lopes quem propôs a candidatura do fado a património imaterial mundial que, quando o passou a ser, quem, de facto, recebeu os louros?
A impunidade dos colarinhos brancos que se instalou como pandemia neste país é tal que o Dr. Marinho Pinto deveria estar caladinho (o que é difícil, convenhamos, pois o que se constata na sua omnipresença mediática que lhe dará os seus frutos, pois não deixa de ser uma forma de marketing por storytelling, uma modelação subliminar (engraçado como a lógica, estruturalmente, é a mesma da das pessoas que aparecem nas revistas, reposicionando-se no mercado da Fama, indo a festas com cachet, de acordo com o seu brand equity:), pois o que a Ministra da Justiça está a enfrentar são interesses nefastos muito arreigados cujo fito não é a defesa de uma Justiça Justa, passo o pleonasmo, mas o seu contrário- uma justiçazinha de polichinelo oligárquica e um país em que há intocáveis não é uma democracia, longe disso! Interesses que deram cabo deste país em prol dos seus umbigos em todos os sectores e mais alguns, desprezando o bem-estar colectivo, condenando milhares à miséria, sem um pingo de arrependimento, muito pelo contrário! Já para não falar dos s