O dr. Jorge Coelho, o CEO da Mota-Engil, afirmou que a empresa estava a ser "pressionada" para acabar as obras em curso antes das eleições. As pressões estão, pois, na moda. Mas quem, melhor do que o dr. Jorge Coelho, para lidar com elas?
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
31.3.09
PRESSÕES
O dr. Jorge Coelho, o CEO da Mota-Engil, afirmou que a empresa estava a ser "pressionada" para acabar as obras em curso antes das eleições. As pressões estão, pois, na moda. Mas quem, melhor do que o dr. Jorge Coelho, para lidar com elas?
A EVIDÊNCIA
«Perceba-se: se o caso Freeport for, por qualquer razão jurídica, arquivado sem conclusões e por prazos de prescrição, passa a caso político sem horizonte à vista.»
José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro
A EVIDÊNCIA
«Perceba-se: se o caso Freeport for, por qualquer razão jurídica, arquivado sem conclusões e por prazos de prescrição, passa a caso político sem horizonte à vista.»
José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro
DESESPERADAS MAS BEM MENOS DO QUE NÓS
DESESPERADAS MAS BEM MENOS DO QUE NÓS
O FUNDO E A MARGEM
Santos Silva recomendou que fossem "tiradas consequências" da sugestão de que existiriam "pressões" sobre os investigadores do "dossiê flamingo". O PGR já "tirou" as dele. Pinto Monteiro "ameaça" os seus subordinados com processos disciplinares, nomeadamente aqueles que «intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação» do caso Freeport que, segundo o PGR, «continua com a análise de todos os fluxos e contas bancárias com relevância, bem como com o exame da documentação atinente, nacional e estrangeira.» Também são susceptíveis de procedimento disciplinar os magistrados suspeitos «de qualquer conduta ou intervenção (...) junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional», o que «está já a ser averiguado com vista à sua avaliação em sede disciplinar.» É, digamos assim, uma maneira de ver as coisas. Não temos, porém, a certeza se corresponde ao fundo delas ou apenas à sua margem. Aguarde-se pelo próximo comunicado e pelos processos sobre os processos sobre os processos.
O FUNDO E A MARGEM
Santos Silva recomendou que fossem "tiradas consequências" da sugestão de que existiriam "pressões" sobre os investigadores do "dossiê flamingo". O PGR já "tirou" as dele. Pinto Monteiro "ameaça" os seus subordinados com processos disciplinares, nomeadamente aqueles que «intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação» do caso Freeport que, segundo o PGR, «continua com a análise de todos os fluxos e contas bancárias com relevância, bem como com o exame da documentação atinente, nacional e estrangeira.» Também são susceptíveis de procedimento disciplinar os magistrados suspeitos «de qualquer conduta ou intervenção (...) junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional», o que «está já a ser averiguado com vista à sua avaliação em sede disciplinar.» É, digamos assim, uma maneira de ver as coisas. Não temos, porém, a certeza se corresponde ao fundo delas ou apenas à sua margem. Aguarde-se pelo próximo comunicado e pelos processos sobre os processos sobre os processos.
CÁ ESTAREMOS PARA VER

Sobre este post recebi este comentário de um "anónimo" - cheio daquela bravura ameaçadora típica dos cobardes - que reproduzo e deixo ao juízo dos leitores. «Não creio que o PGR tenha feito até agora qualquer comunicado sobre o caso que dá tanto "frisson" ao dr. Gonçalves, acompanhado pela Manuela das bocas, pelo sublime "Correio", etc. Más companhias, dr. Gonçalves, como lhe tenho dito. Mas se insiste, como já é maior e (aparentemente) vacinado, prossiga. Mas talvez venha a ver que as más companhias não levam a bom porto, como diriam os nossos avozinhos. Cá estaremos p'ra ver.» É isso mesmo. Cá estaremos para ver.
Adenda: Constato que o dr. Santos Silva, mesmo que involuntariamente, inspira muitos patrulheiros da blogosfera. Tal como ele, também eles pretendem "tirar consequências". Será este o mesmo partido fundado por Mário Soares, em 1973, na Alemanha ou já nos estamos a aproximar rapidamente de outra coisa inspirada em paragens mais latino-americanas ou numa Europa de leste anterior a 1989?
CÁ ESTAREMOS PARA VER

Sobre este post recebi este comentário de um "anónimo" - cheio daquela bravura ameaçadora típica dos cobardes - que reproduzo e deixo ao juízo dos leitores. «Não creio que o PGR tenha feito até agora qualquer comunicado sobre o caso que dá tanto "frisson" ao dr. Gonçalves, acompanhado pela Manuela das bocas, pelo sublime "Correio", etc. Más companhias, dr. Gonçalves, como lhe tenho dito. Mas se insiste, como já é maior e (aparentemente) vacinado, prossiga. Mas talvez venha a ver que as más companhias não levam a bom porto, como diriam os nossos avozinhos. Cá estaremos p'ra ver.» É isso mesmo. Cá estaremos para ver.
Adenda: Constato que o dr. Santos Silva, mesmo que involuntariamente, inspira muitos patrulheiros da blogosfera. Tal como ele, também eles pretendem "tirar consequências". Será este o mesmo partido fundado por Mário Soares, em 1973, na Alemanha ou já nos estamos a aproximar rapidamente de outra coisa inspirada em paragens mais latino-americanas ou numa Europa de leste anterior a 1989?
OUTRO LUGAR, OUTRAS GENTES

«O que queria deixar aqui escrito é que as pessoas que me vão enchendo estas páginas numa viagem que se iniciou em Lisboa e a esta voltará, são as pessoas que me interessam e que as mostro, pois então. Que se saiba da existência de homens e mulheres que trabalham como nenhum de nós sabe ou jamais saberá. É no duro, a doer, não é como estar aqui sentada a escrever e a cair na rima, sem grand ou petit souci, como se dirá tudo isto em dutch? A vida destas pessoas não é a vida que sei de cor e que leio por aqui, por exemplo, da empáfia, desse abrir a boca de tédio e estúpida melancolia mas nunca de espanto (...). O que quero mostrar, claro, preto no branco, a cores, de todas as formas e feitios é a importância de ser vivo, mas desta forma, com orgulho, sem empáfia. E enquanto assim penso e escrevo estas notas, recordo os que vieram ter comigo a pedir fotografia de pose. E a rir os fotografei, e a rir deixaram-se ir na brincadeira para uma posteridade qualquer, sabemos lá nós qual, dank u wel. São as pessoas de Antuérpia, os estivadores e uma estivadora, ali ao centro, onde estava.»
Fátima Rolo Duarte, texto e foto. Porto de Antuérpia. 2009
Fátima Rolo Duarte, texto e foto. Porto de Antuérpia. 2009
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sociedade,
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OUTRO LUGAR, OUTRAS GENTES

«O que queria deixar aqui escrito é que as pessoas que me vão enchendo estas páginas numa viagem que se iniciou em Lisboa e a esta voltará, são as pessoas que me interessam e que as mostro, pois então. Que se saiba da existência de homens e mulheres que trabalham como nenhum de nós sabe ou jamais saberá. É no duro, a doer, não é como estar aqui sentada a escrever e a cair na rima, sem grand ou petit souci, como se dirá tudo isto em dutch? A vida destas pessoas não é a vida que sei de cor e que leio por aqui, por exemplo, da empáfia, desse abrir a boca de tédio e estúpida melancolia mas nunca de espanto (...). O que quero mostrar, claro, preto no branco, a cores, de todas as formas e feitios é a importância de ser vivo, mas desta forma, com orgulho, sem empáfia. E enquanto assim penso e escrevo estas notas, recordo os que vieram ter comigo a pedir fotografia de pose. E a rir os fotografei, e a rir deixaram-se ir na brincadeira para uma posteridade qualquer, sabemos lá nós qual, dank u wel. São as pessoas de Antuérpia, os estivadores e uma estivadora, ali ao centro, onde estava.»
Fátima Rolo Duarte, texto e foto. Porto de Antuérpia. 2009
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30.3.09
O INFATIGÁVEL COMUNICADOR GERAL DA REPÚBLICA
O senhor conselheiro Pinto Monteiro anunciou para amanhã, terça-feira, um comunicado (mais um) sobre o "dossiê flamingo". Era, aliás, o que mais falta estava a fazer ao processo: outro comunicado. Quem diria que ainda ia ter saudades do dr. Cunha Rodrigues e do dr. Souto Moura. Nunca se deve cuspir para o ar.
O INFATIGÁVEL COMUNICADOR GERAL DA REPÚBLICA
O senhor conselheiro Pinto Monteiro anunciou para amanhã, terça-feira, um comunicado (mais um) sobre o "dossiê flamingo". Era, aliás, o que mais falta estava a fazer ao processo: outro comunicado. Quem diria que ainda ia ter saudades do dr. Cunha Rodrigues e do dr. Souto Moura. Nunca se deve cuspir para o ar.
GRANDES VOZES
Mario Sereni canta a ária "Morir, tremenda cosa" de La Forza del Destino de Verdi. Teatro San Carlo de Nápoles.1966. Sereni fez o papel do pai "Germont" na Traviata da Callas em Lisboa, em 1958. Belos tempos, bela gente, grandes vozes.
GRANDES VOZES
Mario Sereni canta a ária "Morir, tremenda cosa" de La Forza del Destino de Verdi. Teatro San Carlo de Nápoles.1966. Sereni fez o papel do pai "Germont" na Traviata da Callas em Lisboa, em 1958. Belos tempos, bela gente, grandes vozes.
ISALTINO, O INCONSCIENTE
Um povo - neste caso os munícipes e são muitos espalhados pelo país e pelas foleiras rotundas que os circundam e que aplaudem- que elege indivíduos desta estirpe dificilmente chega a algum lado. No fundo, ao declarar-se "inconsciente" em relação a um tema (uma conta bancária na Suiça alimentada a "sobras" de campanhas eleitorais) que releva de tudo menos da inconsciência, o referido indivíduo está a gozar com quem o escolheu e, muito adequadamente, com a justiça e a investigação criminal portuguesas. Uns e as outras merecem-no.
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descalabro ético,
Justiça,
Regime
ISALTINO, O INCONSCIENTE
Um povo - neste caso os munícipes e são muitos espalhados pelo país e pelas foleiras rotundas que os circundam e que aplaudem- que elege indivíduos desta estirpe dificilmente chega a algum lado. No fundo, ao declarar-se "inconsciente" em relação a um tema (uma conta bancária na Suiça alimentada a "sobras" de campanhas eleitorais) que releva de tudo menos da inconsciência, o referido indivíduo está a gozar com quem o escolheu e, muito adequadamente, com a justiça e a investigação criminal portuguesas. Uns e as outras merecem-no.
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LER
1. Esta deliciosa "procuração" do José Adelino Maltez.
2. A Helena Matos e a clonagem jurídico-palavrosa que não leva a lado algum.
3. Estas "perguntas" de Mário Crespo.
4. Este "requiem" do Carlos Abreu Amorim.
5. Estas pertinentes dúvidas de José Medeiros Ferreira acerca da bondade simplificadora das "novas tecnologias".
6. Este "apagão" democrático veiculado pela televisão pública praticamente todos os dias visto pelo José Pacheco Pereira.
2. A Helena Matos e a clonagem jurídico-palavrosa que não leva a lado algum.
3. Estas "perguntas" de Mário Crespo.
4. Este "requiem" do Carlos Abreu Amorim.
5. Estas pertinentes dúvidas de José Medeiros Ferreira acerca da bondade simplificadora das "novas tecnologias".
6. Este "apagão" democrático veiculado pela televisão pública praticamente todos os dias visto pelo José Pacheco Pereira.
LER
1. Esta deliciosa "procuração" do José Adelino Maltez.
2. A Helena Matos e a clonagem jurídico-palavrosa que não leva a lado algum.
3. Estas "perguntas" de Mário Crespo.
4. Este "requiem" do Carlos Abreu Amorim.
5. Estas pertinentes dúvidas de José Medeiros Ferreira acerca da bondade simplificadora das "novas tecnologias".
6. Este "apagão" democrático veiculado pela televisão pública praticamente todos os dias visto pelo José Pacheco Pereira.
2. A Helena Matos e a clonagem jurídico-palavrosa que não leva a lado algum.
3. Estas "perguntas" de Mário Crespo.
4. Este "requiem" do Carlos Abreu Amorim.
5. Estas pertinentes dúvidas de José Medeiros Ferreira acerca da bondade simplificadora das "novas tecnologias".
6. Este "apagão" democrático veiculado pela televisão pública praticamente todos os dias visto pelo José Pacheco Pereira.
29.3.09
QUEM BEBE PELO GARGALO COMPRA A GARRAFA

O dr. Portas pretende que a justiça vá até "ao fundo" no "caso Freeport". Jerónimo quer que a verdade "seja apurada". A dra. Manuela fala em "sucessão" de factos que torna "premente" o esclarecimento do tema. E Louçã também deve ter dito qualquer coisa. Isto significa que, à medida que o ano eleitoral avança, o "caso Freeport" também avança pelo ano eleitoral adentro na proporção inversa à velocidade com que avança na justiça. Não me parece avisado. O que a oposição deve fazer é julgar politicamente o governo e o seu chefe. Levar o "caso" para dentro da política é seguir o filão do congresso albanês do PS, ou seja, dar razões a Sócrates para se fazer de coitadinho, secundarizando o fracasso da primeira legislatura socialista em maioria absoluta. Acresce que, se no "caso Freeport" Sócrates é inocente até prova em contrário, já no seu desempenho como primeiro-ministro há muito que o deixou de ser. Ao centralizar na sua extraordinária pessoa o partido, o governo e a propaganda, Sócrates aceitou beber o cálice até ao fim. É isso que a oposição lhe tem de exigir perante um país mais devastado, mais deprimido e mais pobre do que há quatro anos. Quem bebe pelo gargalo compra a garrafa.
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governo,
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oposição,
PS,
Regime
QUEM BEBE PELO GARGALO COMPRA A GARRAFA

O dr. Portas pretende que a justiça vá até "ao fundo" no "caso Freeport". Jerónimo quer que a verdade "seja apurada". A dra. Manuela fala em "sucessão" de factos que torna "premente" o esclarecimento do tema. E Louçã também deve ter dito qualquer coisa. Isto significa que, à medida que o ano eleitoral avança, o "caso Freeport" também avança pelo ano eleitoral adentro na proporção inversa à velocidade com que avança na justiça. Não me parece avisado. O que a oposição deve fazer é julgar politicamente o governo e o seu chefe. Levar o "caso" para dentro da política é seguir o filão do congresso albanês do PS, ou seja, dar razões a Sócrates para se fazer de coitadinho, secundarizando o fracasso da primeira legislatura socialista em maioria absoluta. Acresce que, se no "caso Freeport" Sócrates é inocente até prova em contrário, já no seu desempenho como primeiro-ministro há muito que o deixou de ser. Ao centralizar na sua extraordinária pessoa o partido, o governo e a propaganda, Sócrates aceitou beber o cálice até ao fim. É isso que a oposição lhe tem de exigir perante um país mais devastado, mais deprimido e mais pobre do que há quatro anos. Quem bebe pelo gargalo compra a garrafa.
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MORTE DO ENSAIO?

«Conviria tentar perceber as razões mais fundas do declínio de um género [o ensaio] que, não estando tão moribundo como se apregoa, já conheceu realmente melhores dias. A infantilização do ensino não ajudou. A leitura como momento lúdico pode ter as suas vantagens e servir para entreter, mas ler também é um acto que exige determinação, vontade, por vezes esforço. A democratização do ensino superior, por seu lado, não foi acompanhada do grau de exigência necessário (por muitas razões que não vêm agora ao caso) e os conhecimentos de um recém-licenciado em termos de cultural geral, de «mundo literário» – à falta de melhor tradução para well read – e de capacidade de interpretação e análise de um texto deixam muito a desejar (haverá excepções, como é óbvio, e felizmente). Assim, embora haja mais títulos publicados e mais leitores, estes, por várias razões, estão menos receptivos ao ensaio ou à poesia. Por tudo isto – pela pouca exigência do ensino, pela simplificação dos programas, pelos baixos índices de leitura em bibliotecas, pela pouca visibilidade das obras de ensaio, pelo preço deste tipo de livro (com que o editor se tenta acautelar de um previsível fracasso), pelos hábitos de leitura que vão mudando – o panorama não é animador.»
Pedro Bernardo, Blogtailors
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ensaio,
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qualificação,
sociedade,
we are the world we are the children
MORTE DO ENSAIO?

«Conviria tentar perceber as razões mais fundas do declínio de um género [o ensaio] que, não estando tão moribundo como se apregoa, já conheceu realmente melhores dias. A infantilização do ensino não ajudou. A leitura como momento lúdico pode ter as suas vantagens e servir para entreter, mas ler também é um acto que exige determinação, vontade, por vezes esforço. A democratização do ensino superior, por seu lado, não foi acompanhada do grau de exigência necessário (por muitas razões que não vêm agora ao caso) e os conhecimentos de um recém-licenciado em termos de cultural geral, de «mundo literário» – à falta de melhor tradução para well read – e de capacidade de interpretação e análise de um texto deixam muito a desejar (haverá excepções, como é óbvio, e felizmente). Assim, embora haja mais títulos publicados e mais leitores, estes, por várias razões, estão menos receptivos ao ensaio ou à poesia. Por tudo isto – pela pouca exigência do ensino, pela simplificação dos programas, pelos baixos índices de leitura em bibliotecas, pela pouca visibilidade das obras de ensaio, pelo preço deste tipo de livro (com que o editor se tenta acautelar de um previsível fracasso), pelos hábitos de leitura que vão mudando – o panorama não é animador.»
Pedro Bernardo, Blogtailors
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SE ISTO NÃO É UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS...

Eduardo Dâmaso coloca o dedo na ferida quando pergunta "o que fazer ao Freeport". Como, presumo, os magistrados não costumam ser dados a subtilezas políticas com a derradeira excepção do dr. Cunha Rodrigues - sim, os magistrados "também" fazem política tal como a política faz magistrados, não vale a pena ter medo das palavras -, tudo se encaminha (à conta da tradicional "filigrana jurídica" de que fala o Eduardo e que costuma servir para tudo e para o seu contrário) no sentido de o processo morrer efectivamente na praia, no caso, no belíssimo estuário visto a partir de Alcochete. O tandem Pinto Monteiro/Cândida Almeida não esconde publicamente a atrapalhação cada vez que é confrontado com o assunto ou traz o assunto cá para fora em comentários avulsos e despropositados. Agora, parece, "estuda-se" (o verbo é meu porque o jornal fala em "pressões") a eventual prescrição. No fundo, o que é preciso é chegar às eleições com "isto" arquivado e não se fala mais nisso, não é verdade? Se "isto" não é um Portugal dos Pequeninos...
Adenda: «Tudo começa na justiça. Mas, saber isso, com a justiça que temos, é o mesmo que nada.»
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SE ISTO NÃO É UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS...

Eduardo Dâmaso coloca o dedo na ferida quando pergunta "o que fazer ao Freeport". Como, presumo, os magistrados não costumam ser dados a subtilezas políticas com a derradeira excepção do dr. Cunha Rodrigues - sim, os magistrados "também" fazem política tal como a política faz magistrados, não vale a pena ter medo das palavras -, tudo se encaminha (à conta da tradicional "filigrana jurídica" de que fala o Eduardo e que costuma servir para tudo e para o seu contrário) no sentido de o processo morrer efectivamente na praia, no caso, no belíssimo estuário visto a partir de Alcochete. O tandem Pinto Monteiro/Cândida Almeida não esconde publicamente a atrapalhação cada vez que é confrontado com o assunto ou traz o assunto cá para fora em comentários avulsos e despropositados. Agora, parece, "estuda-se" (o verbo é meu porque o jornal fala em "pressões") a eventual prescrição. No fundo, o que é preciso é chegar às eleições com "isto" arquivado e não se fala mais nisso, não é verdade? Se "isto" não é um Portugal dos Pequeninos...
Adenda: «Tudo começa na justiça. Mas, saber isso, com a justiça que temos, é o mesmo que nada.»
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O DOSSIÊ FLAMINGO NUNCA EXISTIU?
Apesar do dr. Marinho Pinto, do dr. Santos Silva, do sr. Smith, da Manuela Moura Guedes, da dra. Cândida Almeida, da dra. Ana Gomes e de campanhas pretas e brancas, entre outros, será que, afinal, «não houve alteração de legislação que viabilizasse o empreendimento, não houve aprovação do projecto, não há mesmo Freeport, ainda lá está a fábrica de pneus» e «podemos, pois, estar descansados» porque apenas existe «um Freeport ilusório e virtual»? Um "fenómeno do Entroncamento"?O DOSSIÊ FLAMINGO NUNCA EXISTIU?
Apesar do dr. Marinho Pinto, do dr. Santos Silva, do sr. Smith, da Manuela Moura Guedes, da dra. Cândida Almeida, da dra. Ana Gomes e de campanhas pretas e brancas, entre outros, será que, afinal, «não houve alteração de legislação que viabilizasse o empreendimento, não houve aprovação do projecto, não há mesmo Freeport, ainda lá está a fábrica de pneus» e «podemos, pois, estar descansados» porque apenas existe «um Freeport ilusório e virtual»? Um "fenómeno do Entroncamento"?28.3.09
O PORTA-VOZ

Para além de porta-voz do governo (e do admirável líder, em especial), o persistente dr. Santos Silva também será porta-voz do senhor conselheiro Pinto Monteiro ou de algum departamento de investigação nacional ou internacional que nós desconhecemos?
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O PORTA-VOZ

Para além de porta-voz do governo (e do admirável líder, em especial), o persistente dr. Santos Silva também será porta-voz do senhor conselheiro Pinto Monteiro ou de algum departamento de investigação nacional ou internacional que nós desconhecemos?
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"COISAS" QUE O INTERESSAM "IMENSO"

José António Pinto Ribeiro, um advogado de sucesso que o admirável líder, certamente por engano, fez ministro da cultura, concedeu uma entrevista ao Jornal de Negócios. Presumivelmente para se defender das observações de Manuel Maria Carrilho a quem acusa de ter "calendário e um projecto político pessoal". Em compensação, ele, Pinto Ribeiro, não tem nada a avaliar pelo tom das declarações. Nelas retoma as críticas feitas aos seus colegas do governo, em particular ao próprio chefe e ao ministro das finanças, já que foram estes que determinaram as "prioridades" em função da crise. Ele julga que acabou por fazer mais com menos - o seu lema - quando, na realidade, inexiste politicamente. Mostrou gráficos e mapas aos jornalistas, afirmou que «é por isso que ando aqui a fazer essas coisas do português e da língua que me interessam imenso» e exige "rigor e imaginação". Ou seja, para que aqueles que não o "compreendem" o possam seguir no desalinho de um "pensamento" que não se encontra nem sequer naquelas "coisas que o interessam imenso". Apesar do "projecto pessoal", é porém a Carrilho (o ministro) que o pobre foi buscar as melhores ideias "críticas". «Todos os anos o Estado dá grandes contribuições de 40 milhões só para três EPE [D.Maria, São Carlos e São João]. O que é que isto significa? Que talvez as EPE não devessem ser isso. Talvez devessem ser institutos públicos com grande autonomia administrativa e financeira. Talvez esta insensibilidade, ou esta necessidade de uma certa cegueira– “é para todos igual” –, levou a isto. Acho que na próxima legislatura será possível começar a fazer a adaptação de cada uma das leis orgânicas e da situação administrativa e financeira de cada entidade àquilo que são as suas reais necessidades.» Só que isto foi o que Carrilho fez entre 1995 e 2000 e que os seus sucessores, na ânsia de deixarem uma "marca", destruiram. Neste contexto, Ribeiro é apenas mais um ministro desfocado, ansioso por se ver livre do equívoco em que o meteram e por regressar ao glamour frívolo típico da esquerda chique que o promoveu. Ninguém terá saudades dele.
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José António Pinto Ribeiro
"COISAS" QUE O INTERESSAM "IMENSO"

José António Pinto Ribeiro, um advogado de sucesso que o admirável líder, certamente por engano, fez ministro da cultura, concedeu uma entrevista ao Jornal de Negócios. Presumivelmente para se defender das observações de Manuel Maria Carrilho a quem acusa de ter "calendário e um projecto político pessoal". Em compensação, ele, Pinto Ribeiro, não tem nada a avaliar pelo tom das declarações. Nelas retoma as críticas feitas aos seus colegas do governo, em particular ao próprio chefe e ao ministro das finanças, já que foram estes que determinaram as "prioridades" em função da crise. Ele julga que acabou por fazer mais com menos - o seu lema - quando, na realidade, inexiste politicamente. Mostrou gráficos e mapas aos jornalistas, afirmou que «é por isso que ando aqui a fazer essas coisas do português e da língua que me interessam imenso» e exige "rigor e imaginação". Ou seja, para que aqueles que não o "compreendem" o possam seguir no desalinho de um "pensamento" que não se encontra nem sequer naquelas "coisas que o interessam imenso". Apesar do "projecto pessoal", é porém a Carrilho (o ministro) que o pobre foi buscar as melhores ideias "críticas". «Todos os anos o Estado dá grandes contribuições de 40 milhões só para três EPE [D.Maria, São Carlos e São João]. O que é que isto significa? Que talvez as EPE não devessem ser isso. Talvez devessem ser institutos públicos com grande autonomia administrativa e financeira. Talvez esta insensibilidade, ou esta necessidade de uma certa cegueira– “é para todos igual” –, levou a isto. Acho que na próxima legislatura será possível começar a fazer a adaptação de cada uma das leis orgânicas e da situação administrativa e financeira de cada entidade àquilo que são as suas reais necessidades.» Só que isto foi o que Carrilho fez entre 1995 e 2000 e que os seus sucessores, na ânsia de deixarem uma "marca", destruiram. Neste contexto, Ribeiro é apenas mais um ministro desfocado, ansioso por se ver livre do equívoco em que o meteram e por regressar ao glamour frívolo típico da esquerda chique que o promoveu. Ninguém terá saudades dele.
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LIGUE
Adeptos do optimismo antropológico decretaram para a noite de sábado uma hora de poupança de electricidade sugerindo um apagão mundial. Uma das nossas fanáticas dizia de manhã, na Antena1, e na melhor tradição da "engenharia das almas" tão cara às nomenclaturas estalinistas, que as pessoas podiam aproveitar para um jantar romântico à luz das velas, para dar uma lição de ecologia ambiental aos filhos ou para desligar a televisão. A este folclore inútil respondo com Wagner. O Crepúsculo dos Deuses, a derradeira jornada do Anel do Nibelungo numa versão da Ópera de Estugarda, passa a partir das 19 h no Canal Mezzo. Ligue que vale a pena.
(Clip: Luana DeVol no papel de Brünnhilde. Richard Wagner, "Götterdämmerung". Ópera de Estugarda. 2003)
(Clip: Luana DeVol no papel de Brünnhilde. Richard Wagner, "Götterdämmerung". Ópera de Estugarda. 2003)
LIGUE
Adeptos do optimismo antropológico decretaram para a noite de sábado uma hora de poupança de electricidade sugerindo um apagão mundial. Uma das nossas fanáticas dizia de manhã, na Antena1, e na melhor tradição da "engenharia das almas" tão cara às nomenclaturas estalinistas, que as pessoas podiam aproveitar para um jantar romântico à luz das velas, para dar uma lição de ecologia ambiental aos filhos ou para desligar a televisão. A este folclore inútil respondo com Wagner. O Crepúsculo dos Deuses, a derradeira jornada do Anel do Nibelungo numa versão da Ópera de Estugarda, passa a partir das 19 h no Canal Mezzo. Ligue que vale a pena.
(Clip: Luana DeVol no papel de Brünnhilde. Richard Wagner, "Götterdämmerung". Ópera de Estugarda. 2003)
(Clip: Luana DeVol no papel de Brünnhilde. Richard Wagner, "Götterdämmerung". Ópera de Estugarda. 2003)
"HE"
O que deve ter enfurecido verdadeiramente o admirável líder não foi alguém ter insinuado "corrupção" naquele DVD apócrifo. É que, às tantas, ouve-se dizer "he was just being stupid", sendo o "he" o actual chefe do governo português. Isto, sim, mói qualquer homem por dentro.
"HE"
O que deve ter enfurecido verdadeiramente o admirável líder não foi alguém ter insinuado "corrupção" naquele DVD apócrifo. É que, às tantas, ouve-se dizer "he was just being stupid", sendo o "he" o actual chefe do governo português. Isto, sim, mói qualquer homem por dentro.
FARÁ PARTE DA CAMPANHA NEGRA?

Adendas:
«Não é o facto de a vaia ter existido que me impressiona. O que acho especial é o facto de a ópera ter sido atrasada meia hora não por questões técnicas, não porque um dos artistas se sentisse indisposto, mas sim porque o casal real estava atrasado.» (João Sousa)
«Não estou a ver isto acontecer na Reikjavik ou na Oslo que tanto inspira ( ambiente/tecnologia/ direitos dos gays/lésbicas/transexuais/cyborgs) as partículas que nos governam.» (Filipe Nunes Vicente)
FARÁ PARTE DA CAMPANHA NEGRA?

Adendas:
«Não é o facto de a vaia ter existido que me impressiona. O que acho especial é o facto de a ópera ter sido atrasada meia hora não por questões técnicas, não porque um dos artistas se sentisse indisposto, mas sim porque o casal real estava atrasado.» (João Sousa)
«Não estou a ver isto acontecer na Reikjavik ou na Oslo que tanto inspira ( ambiente/tecnologia/ direitos dos gays/lésbicas/transexuais/cyborgs) as partículas que nos governam.» (Filipe Nunes Vicente)
27.3.09
ÇA VA DE SOI
Ia escrever qualquer coisa sobre o bizarro artigo de Marinho Pinto colocado no Boletim da Ordem dos Advogados e não numa coluna de jornal. Todavia deparei-me com uma forma de vida inteligente no Jugular que se antecipou. Fora a parte em que o autor diz que aposta «na existência de uma campanha negra contra Sócrates», estamos de acordo. O que não me impede, como jurista, de considerar que o "som" de um "DVD" - em que alguém alegadamente imputa a outras pessoas determinados comportamentos - não vale, para já, nada. E que os visados têm pleno direito (quiçá o dever) de reagir a essa imputação sem "matar" o "mensageiro". Coisa diversa, naturalmente, é acreditar na justiça ou na política portuguesas. Ça va de soi.
ÇA VA DE SOI
Ia escrever qualquer coisa sobre o bizarro artigo de Marinho Pinto colocado no Boletim da Ordem dos Advogados e não numa coluna de jornal. Todavia deparei-me com uma forma de vida inteligente no Jugular que se antecipou. Fora a parte em que o autor diz que aposta «na existência de uma campanha negra contra Sócrates», estamos de acordo. O que não me impede, como jurista, de considerar que o "som" de um "DVD" - em que alguém alegadamente imputa a outras pessoas determinados comportamentos - não vale, para já, nada. E que os visados têm pleno direito (quiçá o dever) de reagir a essa imputação sem "matar" o "mensageiro". Coisa diversa, naturalmente, é acreditar na justiça ou na política portuguesas. Ça va de soi.
UM HOMEM COM UMA RELAÇÃO DIFÍCIL COM A VERDADE

«Não tenho culpa que o actual primeiro-ministro tenha um passado recheado de episódios que vale a pena investigar! Estão constantemente a aparecer... Não vou investigar porque é o primeiro-ministro?! Pelo contrário: ele tem de ser ainda mais escrutinado do que os outros.»
Manuela Moura Guedes, Público
Manuela Moura Guedes, Público
«Revi os JN6 de 13 de Fevereiro (que motivou queixas na ERC), e o de sexta passada. Há neles uma série de reportagens e notícias sobre Sócrates e o Governo. Ainda bem que assim é. Eles estão no poder, têm de ser escrutinados. As notícias são correctas. Estão fundamentadas. Procuram o contraditório. Não encontrei uma única notícia com erros factuais. Nem Sócrates, nem o Governo, nem o PS, desmentiram uma única das notícias. O JN6 não tem culpa, como não têm os portugueses, de o nome de Sócrates aparecer numa série de “casos”, alguns deles investigados pelas autoridades, até a nível internacional. O que se espera, sendo ele o primeiro-ministro de Portugal? Que o jornalismo se cale? Ou que seja calado? Não conheço os fundamentos das queixas à ERC, mas se os queixosos se indignam com jornalismo factualmente correcto que não teme o poder, apetecia apresentar queixa dos queixosos. Invertendo a ameaça de António Vitorino em 2005, bem podemos dizer-lhes para se habituarem à liberdade.»
E. Cintra Torres, idem
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UM HOMEM COM UMA RELAÇÃO DIFÍCIL COM A VERDADE

«Não tenho culpa que o actual primeiro-ministro tenha um passado recheado de episódios que vale a pena investigar! Estão constantemente a aparecer... Não vou investigar porque é o primeiro-ministro?! Pelo contrário: ele tem de ser ainda mais escrutinado do que os outros.»
Manuela Moura Guedes, Público
Manuela Moura Guedes, Público
«Revi os JN6 de 13 de Fevereiro (que motivou queixas na ERC), e o de sexta passada. Há neles uma série de reportagens e notícias sobre Sócrates e o Governo. Ainda bem que assim é. Eles estão no poder, têm de ser escrutinados. As notícias são correctas. Estão fundamentadas. Procuram o contraditório. Não encontrei uma única notícia com erros factuais. Nem Sócrates, nem o Governo, nem o PS, desmentiram uma única das notícias. O JN6 não tem culpa, como não têm os portugueses, de o nome de Sócrates aparecer numa série de “casos”, alguns deles investigados pelas autoridades, até a nível internacional. O que se espera, sendo ele o primeiro-ministro de Portugal? Que o jornalismo se cale? Ou que seja calado? Não conheço os fundamentos das queixas à ERC, mas se os queixosos se indignam com jornalismo factualmente correcto que não teme o poder, apetecia apresentar queixa dos queixosos. Invertendo a ameaça de António Vitorino em 2005, bem podemos dizer-lhes para se habituarem à liberdade.»
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QUESTÕES DE CARÁCTER
De acordo com o previsto, a ex-solta Ana Gomes é a candidata do PS "socrático" à Câmara de Sintra. Vamos ver se, à semelhança da camarada Elisa, do Porto, também é candidata nas eleições europeias. Na hora da verdade, a iconoclastia cede perante a necessidade da boa figura partidária, respeitadora, veneranda e obrigada. Questões de carácter, em suma.
QUESTÕES DE CARÁCTER
De acordo com o previsto, a ex-solta Ana Gomes é a candidata do PS "socrático" à Câmara de Sintra. Vamos ver se, à semelhança da camarada Elisa, do Porto, também é candidata nas eleições europeias. Na hora da verdade, a iconoclastia cede perante a necessidade da boa figura partidária, respeitadora, veneranda e obrigada. Questões de carácter, em suma.
UM GOVERNO SOCIALISTA
A maioria absolutista chumbou a proposta da oposição relativa à criação de um "fundo de emergência social público". Em compensação, o admirável chefe da referida maioria foi algures anunciar uma choruda maquia para "apoiar" as corticeiras. Por outro lado, a "nacionalização" do BPN já custou aos contribuintes uns bons milhões de euros. E é isto um governo socialista.
UM GOVERNO SOCIALISTA
A maioria absolutista chumbou a proposta da oposição relativa à criação de um "fundo de emergência social público". Em compensação, o admirável chefe da referida maioria foi algures anunciar uma choruda maquia para "apoiar" as corticeiras. Por outro lado, a "nacionalização" do BPN já custou aos contribuintes uns bons milhões de euros. E é isto um governo socialista.
RISÍVEL

Aquele castiço da SIC que é "especialista" em bola, o sr. Rui Santos, inventou uma petição a que deu o nome de "pela verdade desportiva", uma aparente contradição nos termos. Curiosamente a dita petição já foi subscrita por alguma gente boa e por uma data de pantomineiros. Faz lembrar o termo "transparência". Os que andam sempre com ela na boca são normalmente os menos transparentes. Mas o regime - o país, afinal - é mesmo assim. Risível.
RISÍVEL

Aquele castiço da SIC que é "especialista" em bola, o sr. Rui Santos, inventou uma petição a que deu o nome de "pela verdade desportiva", uma aparente contradição nos termos. Curiosamente a dita petição já foi subscrita por alguma gente boa e por uma data de pantomineiros. Faz lembrar o termo "transparência". Os que andam sempre com ela na boca são normalmente os menos transparentes. Mas o regime - o país, afinal - é mesmo assim. Risível.
26.3.09
AS DESVENTURAS DO "MAGALHÃES"
Na recente viagem a Cabo Verde, o famigerado "Magalhães" esteve no centro das atenções da propaganda oficial. Todavia, parece que a coisa não "pegou".«O computador Magalhães não tem sido um sucesso de venda no seio dos estudantes” em Cabo Verde, fez saber uma das maiores empresas do País que vende equipamentos informáticos, a SOPROINF, através de um comunicado divulgado. Por esta razão, diz aquela empresa, “vão parar definitivamente de o importar”(...) Os estudantes preferem gastar um pouco mais e ter um portátil melhor.» Que vergonha.
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AS DESVENTURAS DO "MAGALHÃES"
Na recente viagem a Cabo Verde, o famigerado "Magalhães" esteve no centro das atenções da propaganda oficial. Todavia, parece que a coisa não "pegou".«O computador Magalhães não tem sido um sucesso de venda no seio dos estudantes” em Cabo Verde, fez saber uma das maiores empresas do País que vende equipamentos informáticos, a SOPROINF, através de um comunicado divulgado. Por esta razão, diz aquela empresa, “vão parar definitivamente de o importar”(...) Os estudantes preferem gastar um pouco mais e ter um portátil melhor.» Que vergonha.
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A SALVAÇÃO DA PÁTRIA?
Afinal, e a avaliar por estes indicadores, não é daquela "medida" puramente demagógica - porque apenas destinada a cativar a esquerda "chique" e urbana - aprovada no congresso albanês de Espinho que depende a salvação da pátria.
A SALVAÇÃO DA PÁTRIA?
Afinal, e a avaliar por estes indicadores, não é daquela "medida" puramente demagógica - porque apenas destinada a cativar a esquerda "chique" e urbana - aprovada no congresso albanês de Espinho que depende a salvação da pátria.
MAIO, MADURA MAIO

«O anúncio da RTP à principal rádio do Estado, a Antena 1, tinha uma mensagem claramente política, sendo absolutamente evidente o seu ponto de partida contra manifestações antigoverno. Está tudo tão errado neste caso que é difícil resumir todos os erros. O horror começa na agência publicitária BBDO. Para criar um anúncio de promoção da rádio de “proximidade”, inventou um diálogo entre um imaginário ouvinte, o “Rui”, com uma nada imaginária Eduarda (Maio), subdirectora de Informação da Antena 1 e uma das principais vozes desta estação do Estado na qualidade de “jornalista”. O anúncio é político. O “Rui” está no carro, no meio do trânsito; Maio diz que a emissão passará dentro em pouco para o debate da tarde no parlamento. A cena passa-se às 11h23, o que torna o anúncio errado em termos da sua própria realidade (não tem havido manifestações de manhã). Maio dirige-se ao “Rui” dizendo-lhe para não seguir por certa rua, cortada por causa duma manifestação. O “Rui” não sabia. Subentenda-se: ele é o cidadão que não liga a “politiquices”, só quer ir trabalhar (enfim, às 11 e meia da manhã), é para quem o governo trabalha, enquanto a manifestação está “contra” o Rui, contra quem trabalha. O “Rui” pergunta: “E desta vez é contra quê?” Nota-se no texto um a priori contrário a manifestações de oposição ao poder instalado, pois não sendo obrigatório que as manifestações sejam “contra”, o texto posto na boca do “Rui” e de Maio aponta para aí. Isto é, autores e intérpretes assumem uma posição contra as manifestações e, por arrasto, a favor do governo, o alvo das manifestações “contra”. Mais grave é a resposta de Maio: “pelos vistos é contra si”. Acrescentando depois: “contra quem quer chegar a horas”. Isto é, a jornalista Eduarda Maio, subdirectora de Informação da Antena 1, declara que manifestações contra o governo são contra os cidadãos. O texto em off também é incrível, dado que, depois deste diálogo opinativo, fala dele como indicador de que a Antena 1 dá a “actualidade” informativa. A gravidade deste anúncio é enorme, residindo em especial no facto de o anunciante ser uma estação pública, paga pelos contribuintes e dependendo do governo. O anúncio é não só anticonstitucional no seu teor contra as manifestações, como disseram os provedores da rádio e TV da RTP, como, pior ainda, é a favor do governo. O anúncio é protagonizado por uma jornalista que é, para cúmulo, uma das responsáveis da estação. É gravíssimo que Eduarda Maio tenha dado voz a este anúncio, aceitando o seu teor. A sua desculpa posterior (limitou-se “à leitura em estúdio de alguns textos”!) é vergonhosa. O anúncio é eticamente inaceitável para qualquer jornalista e, em especial, duma estação pública. O reclame foi visto e aprovado pelos responsáveis da rádio e da TV, ninguém levantou qualquer problema ao conteúdo do anúncio, pelo contrário, todos aprovaram um anúncio claramente político, contra manifestações e de tom favorável ao governo. É inacreditável e inaceitável o comportamento da BBDO, de Eduarda Maio, da direcção de Informação, da direcção de Programas da RDP, da RTP no conjunto. Marina Ramos, ex-jornalista e agora porta-voz da RTP, limitou-se a dizer que o anúncio promovia um género de programas e que foi aprovado. Parece que estamos numa ditadura, em que as pessoas fingem que não pensam, engolem, e apresentam-se como não responsáveis pelos seus actos. Só depois de os provedores, Paquete de Oliveira e Adelino Gomes, proferirem um comentário devastador para o anúncio, a Administração da RTP o mandou retirar de antena. Segundo li, Eduarda Maio ainda veio acusar o Público de “manipulação” (!) por ter ilustrado uma notícia sobre o caso com uma foto do lançamento do seu livro panegírico de inesquecível título, “O Menino de Ouro do PS”. Como se fosse possível dissociar a Eduarda Maio que é responsável numa estação do Estado (e do Governo) da Eduarda Maio que faz um anúncio contra os adversários do governo e da Eduarda Maio que fez um livro de pura propaganda do chefe do governo. O mais grave de tudo? Isto ter sido possível num regime democrático e ter como protagonistas jornalistas, ex-jornalistas, publicitários que deveriam ser cuidadosos e dirigentes empresariais que costumam ter cuidado com as matérias políticas. E foi possível devido ao ambiente de sufoco das liberdades, de acção continuada e extensíssima de uma central de propaganda do governo, e à cumplicidade, anestesia, medo ou complacência da classe jornalística nos media dos Estado. Só após quatro anos de um governo inimigo da imprensa livre e fautor da mais massiva propaganda do pós 25 de Abril, um anúncio destes pôde chegar à TV do Estado. Uma coisa assim não acontecia desde 1975. É uma lição sobre o ponto a que pode chegar, numa democracia, a propaganda e a “engenharia das almas” do tipo fascista.»
Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios
Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios
Nota: Desta vez, Pedro, não tens razão. Aliás, é só reparares nos "blogues" (uso o plural majestático) que te citaram.
MAIO, MADURA MAIO

«O anúncio da RTP à principal rádio do Estado, a Antena 1, tinha uma mensagem claramente política, sendo absolutamente evidente o seu ponto de partida contra manifestações antigoverno. Está tudo tão errado neste caso que é difícil resumir todos os erros. O horror começa na agência publicitária BBDO. Para criar um anúncio de promoção da rádio de “proximidade”, inventou um diálogo entre um imaginário ouvinte, o “Rui”, com uma nada imaginária Eduarda (Maio), subdirectora de Informação da Antena 1 e uma das principais vozes desta estação do Estado na qualidade de “jornalista”. O anúncio é político. O “Rui” está no carro, no meio do trânsito; Maio diz que a emissão passará dentro em pouco para o debate da tarde no parlamento. A cena passa-se às 11h23, o que torna o anúncio errado em termos da sua própria realidade (não tem havido manifestações de manhã). Maio dirige-se ao “Rui” dizendo-lhe para não seguir por certa rua, cortada por causa duma manifestação. O “Rui” não sabia. Subentenda-se: ele é o cidadão que não liga a “politiquices”, só quer ir trabalhar (enfim, às 11 e meia da manhã), é para quem o governo trabalha, enquanto a manifestação está “contra” o Rui, contra quem trabalha. O “Rui” pergunta: “E desta vez é contra quê?” Nota-se no texto um a priori contrário a manifestações de oposição ao poder instalado, pois não sendo obrigatório que as manifestações sejam “contra”, o texto posto na boca do “Rui” e de Maio aponta para aí. Isto é, autores e intérpretes assumem uma posição contra as manifestações e, por arrasto, a favor do governo, o alvo das manifestações “contra”. Mais grave é a resposta de Maio: “pelos vistos é contra si”. Acrescentando depois: “contra quem quer chegar a horas”. Isto é, a jornalista Eduarda Maio, subdirectora de Informação da Antena 1, declara que manifestações contra o governo são contra os cidadãos. O texto em off também é incrível, dado que, depois deste diálogo opinativo, fala dele como indicador de que a Antena 1 dá a “actualidade” informativa. A gravidade deste anúncio é enorme, residindo em especial no facto de o anunciante ser uma estação pública, paga pelos contribuintes e dependendo do governo. O anúncio é não só anticonstitucional no seu teor contra as manifestações, como disseram os provedores da rádio e TV da RTP, como, pior ainda, é a favor do governo. O anúncio é protagonizado por uma jornalista que é, para cúmulo, uma das responsáveis da estação. É gravíssimo que Eduarda Maio tenha dado voz a este anúncio, aceitando o seu teor. A sua desculpa posterior (limitou-se “à leitura em estúdio de alguns textos”!) é vergonhosa. O anúncio é eticamente inaceitável para qualquer jornalista e, em especial, duma estação pública. O reclame foi visto e aprovado pelos responsáveis da rádio e da TV, ninguém levantou qualquer problema ao conteúdo do anúncio, pelo contrário, todos aprovaram um anúncio claramente político, contra manifestações e de tom favorável ao governo. É inacreditável e inaceitável o comportamento da BBDO, de Eduarda Maio, da direcção de Informação, da direcção de Programas da RDP, da RTP no conjunto. Marina Ramos, ex-jornalista e agora porta-voz da RTP, limitou-se a dizer que o anúncio promovia um género de programas e que foi aprovado. Parece que estamos numa ditadura, em que as pessoas fingem que não pensam, engolem, e apresentam-se como não responsáveis pelos seus actos. Só depois de os provedores, Paquete de Oliveira e Adelino Gomes, proferirem um comentário devastador para o anúncio, a Administração da RTP o mandou retirar de antena. Segundo li, Eduarda Maio ainda veio acusar o Público de “manipulação” (!) por ter ilustrado uma notícia sobre o caso com uma foto do lançamento do seu livro panegírico de inesquecível título, “O Menino de Ouro do PS”. Como se fosse possível dissociar a Eduarda Maio que é responsável numa estação do Estado (e do Governo) da Eduarda Maio que faz um anúncio contra os adversários do governo e da Eduarda Maio que fez um livro de pura propaganda do chefe do governo. O mais grave de tudo? Isto ter sido possível num regime democrático e ter como protagonistas jornalistas, ex-jornalistas, publicitários que deveriam ser cuidadosos e dirigentes empresariais que costumam ter cuidado com as matérias políticas. E foi possível devido ao ambiente de sufoco das liberdades, de acção continuada e extensíssima de uma central de propaganda do governo, e à cumplicidade, anestesia, medo ou complacência da classe jornalística nos media dos Estado. Só após quatro anos de um governo inimigo da imprensa livre e fautor da mais massiva propaganda do pós 25 de Abril, um anúncio destes pôde chegar à TV do Estado. Uma coisa assim não acontecia desde 1975. É uma lição sobre o ponto a que pode chegar, numa democracia, a propaganda e a “engenharia das almas” do tipo fascista.»
Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios
Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios
Nota: Desta vez, Pedro, não tens razão. Aliás, é só reparares nos "blogues" (uso o plural majestático) que te citaram.
VOGUE PARLAMENTAR
Abriu ontem, com direito a uma kleine Nacht Musik, a sala de sessões do antigo Convento de São Bento depois de um interregno para obras "tecnológicas". A casa ficou alegadamente mais moderna embora os utilizadores sejam os mesmos. Painéis gigantes onde se pode acompanhar o orador do momento, plasmas em frente da cara de cada deputado para evitar o portátil, púlpitos móveis, adaptáveis à altura e a deficientes físicos (os outros não contam, por natureza), uma nova luz, etc., etc., foram os resultados do esforço do contribuinte para que os seus lídimos representantes possam trabalhar com um módico de dignidade e de eficiência, pelo menos, "twitteiras". Os parlamentaristas devem ter apreciado o gesto. A "casa da democracia" acolheu o "plano tecnológico", em todo o seu esplendor, como as criancinhas do "básico" inglês. De tal forma que, em vez daquela pobre meia dúzia de trombetas barrocas, mais valia terem convidado a Madonna. O espaço adequa-se perfeitamente a um espectáculo da ex-like a virgin. Sempre era mais divertido.
(Clip: Madonna em Barcelona, 1 de Agosto de 1990)
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VOGUE PARLAMENTAR
Abriu ontem, com direito a uma kleine Nacht Musik, a sala de sessões do antigo Convento de São Bento depois de um interregno para obras "tecnológicas". A casa ficou alegadamente mais moderna embora os utilizadores sejam os mesmos. Painéis gigantes onde se pode acompanhar o orador do momento, plasmas em frente da cara de cada deputado para evitar o portátil, púlpitos móveis, adaptáveis à altura e a deficientes físicos (os outros não contam, por natureza), uma nova luz, etc., etc., foram os resultados do esforço do contribuinte para que os seus lídimos representantes possam trabalhar com um módico de dignidade e de eficiência, pelo menos, "twitteiras". Os parlamentaristas devem ter apreciado o gesto. A "casa da democracia" acolheu o "plano tecnológico", em todo o seu esplendor, como as criancinhas do "básico" inglês. De tal forma que, em vez daquela pobre meia dúzia de trombetas barrocas, mais valia terem convidado a Madonna. O espaço adequa-se perfeitamente a um espectáculo da ex-like a virgin. Sempre era mais divertido.
(Clip: Madonna em Barcelona, 1 de Agosto de 1990)
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CONTRA A FACILIDADE MENTIROSA
«A principal fragilidade de Portugal no actual contexto de crise mundial vem do enorme endividamento. O total da nossa dívida ao estrangeiro (posição de investimento internacional) é de 100% do produto nacional, tendo explodido dos 8% que tinha em 1996. O acréscimo este ano (balança corrente e de capitais) será de 7,9% segundo a previsão do Banco de Portugal. O caminho que nos trouxe aqui é curioso. A balança estava equilibrada quando Guterres tomou o poder em 1995 (défice de 0,7% do PIB). A enorme degradação que se seguiu atingiu 9% do PIB em 2000, um desequilíbrio pior que o causado pelo 25 de Abril. Esse fiasco fez cair o Governo. O novo executivo, com Manuela Ferreira Leite nas Finanças, entrou em Abril de 2002, recebendo o défice de 2001 de 8,6%. A política da «dama de ferro», como foi chamada, conseguiu reduzir para metade esse buraco (4,2%) em 2003. Mas a linha não teve continuidade. O Governo saiu em Julho de 2004 e no fim do ano o défice externo já subira para 6,1%. Desde que Sócrates está no poder tem flutuado entre os 8% e os 10%. A única pessoa que nos últimos 15 anos enfrentou este grave problema foi Manuela Ferreira Leite. Ela é o rosto da austeridade, dureza, solidez.»
João César das Neves, Destak
(Ler: "Promitente Impenitente", pelo Carlos A. Amorim.)
João César das Neves, Destak
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CONTRA A FACILIDADE MENTIROSA
«A principal fragilidade de Portugal no actual contexto de crise mundial vem do enorme endividamento. O total da nossa dívida ao estrangeiro (posição de investimento internacional) é de 100% do produto nacional, tendo explodido dos 8% que tinha em 1996. O acréscimo este ano (balança corrente e de capitais) será de 7,9% segundo a previsão do Banco de Portugal. O caminho que nos trouxe aqui é curioso. A balança estava equilibrada quando Guterres tomou o poder em 1995 (défice de 0,7% do PIB). A enorme degradação que se seguiu atingiu 9% do PIB em 2000, um desequilíbrio pior que o causado pelo 25 de Abril. Esse fiasco fez cair o Governo. O novo executivo, com Manuela Ferreira Leite nas Finanças, entrou em Abril de 2002, recebendo o défice de 2001 de 8,6%. A política da «dama de ferro», como foi chamada, conseguiu reduzir para metade esse buraco (4,2%) em 2003. Mas a linha não teve continuidade. O Governo saiu em Julho de 2004 e no fim do ano o défice externo já subira para 6,1%. Desde que Sócrates está no poder tem flutuado entre os 8% e os 10%. A única pessoa que nos últimos 15 anos enfrentou este grave problema foi Manuela Ferreira Leite. Ela é o rosto da austeridade, dureza, solidez.»
João César das Neves, Destak
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A MARCA DE ZORRINHO
Tanta tagarelice em torno do "plano tecnológico" e afinal...
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25.3.09
A DERROTA DO PENSAMENTO

Reparem que não se fala em livros. «Num país de analfabetos, o computador transformou-se numa varinha mágica capaz de transformar um bronco num génio», escreveu Filomena Mónica para o nosso "contexto". Como o admirável líder tem tendência a copiar tudo o que sirva para dourar o seu maravilhoso "plano tecnológico", é de esperar o pior. Razão tinha Manuel Maria Carrilho, no pré-pântano de 2001, cada vez mais parecido com o de agora: «o slogan do «acesso de todos à Net» pretende, no seu fervor militante, passar a ideia de uma nova igualdade, agora ao alcance do teclado, como se entre o analfabeto e o investigador, o rural e o urbano, o europeu cosmopolita e o habitante de África, as diferenças desaparecessem quando se «surfa» na Net.»
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A DERROTA DO PENSAMENTO

Reparem que não se fala em livros. «Num país de analfabetos, o computador transformou-se numa varinha mágica capaz de transformar um bronco num génio», escreveu Filomena Mónica para o nosso "contexto". Como o admirável líder tem tendência a copiar tudo o que sirva para dourar o seu maravilhoso "plano tecnológico", é de esperar o pior. Razão tinha Manuel Maria Carrilho, no pré-pântano de 2001, cada vez mais parecido com o de agora: «o slogan do «acesso de todos à Net» pretende, no seu fervor militante, passar a ideia de uma nova igualdade, agora ao alcance do teclado, como se entre o analfabeto e o investigador, o rural e o urbano, o europeu cosmopolita e o habitante de África, as diferenças desaparecessem quando se «surfa» na Net.»
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A OBSESSÃO E A REALIDADE
A oposição faz bem em questionar, permanentemente e sem desfalecimentos, o governo acerca do "investimento público". Sobretudo acerca do TGV, do novo aeroporto ou das auto-estradas, essas doentias obsessões betoneiras que transferem lá bem para diante (quando, espera-se, já ninguém se lembrar do admirável líder) a factura a pagar. Sócrates, cada vez que abre a boca para se "orgulhar" delas e tentar vendê-las como o Doutor Dulcamara vendia o "elixir de amor", está a contribuir para cavar mais fundo a profunda cova do défice externo. Admira-me que alguns basbaques ainda não tivessem percebido o engodo e defendam o admirável líder - e o não menos admirável Lino - com mapinhas, traçados, localizações e o raio que os parta tentando provar o improvável. Não adianta varrer o endémico alheamento nacional com a propaganda porque, infelizmente, a realidade vai acabar por se impor. Repito: não queiram é fazer de todos nós parvos.
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A OBSESSÃO E A REALIDADE
A oposição faz bem em questionar, permanentemente e sem desfalecimentos, o governo acerca do "investimento público". Sobretudo acerca do TGV, do novo aeroporto ou das auto-estradas, essas doentias obsessões betoneiras que transferem lá bem para diante (quando, espera-se, já ninguém se lembrar do admirável líder) a factura a pagar. Sócrates, cada vez que abre a boca para se "orgulhar" delas e tentar vendê-las como o Doutor Dulcamara vendia o "elixir de amor", está a contribuir para cavar mais fundo a profunda cova do défice externo. Admira-me que alguns basbaques ainda não tivessem percebido o engodo e defendam o admirável líder - e o não menos admirável Lino - com mapinhas, traçados, localizações e o raio que os parta tentando provar o improvável. Não adianta varrer o endémico alheamento nacional com a propaganda porque, infelizmente, a realidade vai acabar por se impor. Repito: não queiram é fazer de todos nós parvos.
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CONTRA A ABDICAÇÃO
Natália Correia recita "Defesa do Poeta", num serão de 1968 gravado em casa de Amália Rodrigues, com Vinicius de Moraes, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos. Esta açoriana da Fajã de Baixo, recordada pelo Alexandre Honrado, faz-nos falta nesta hora absurda de complacência e de abdicação.
CONTRA A ABDICAÇÃO
Natália Correia recita "Defesa do Poeta", num serão de 1968 gravado em casa de Amália Rodrigues, com Vinicius de Moraes, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos. Esta açoriana da Fajã de Baixo, recordada pelo Alexandre Honrado, faz-nos falta nesta hora absurda de complacência e de abdicação.
ESTA GENTE QUE NOS PASTOREIA - 2
Há mais coisas na terra e no céu que a senhora professora igualmente ignora. Só que, nestes tempos de forçada parcimónia, são demasiados euros para tão parco brio.
ESTA GENTE QUE NOS PASTOREIA - 2
Há mais coisas na terra e no céu que a senhora professora igualmente ignora. Só que, nestes tempos de forçada parcimónia, são demasiados euros para tão parco brio.
ESTA GENTE QUE NOS PASTOREIA
«Gerações que não passaram por provas de fogo não garantem nada a ninguém.»
José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro
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ESTA GENTE QUE NOS PASTOREIA
«Gerações que não passaram por provas de fogo não garantem nada a ninguém.»
José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro
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A "LEGISLATURA PERDIDA" OU UM REGIME QUE COMEÇA A PERDER A CABEÇA ?

Por falar em "assumir" e em "verdade", a TSF anunciou que o "forum" da manhã de quarta-feira seria dedicado a este texto de Manuel Maria Carrilho. O DN tinha referido a publicação na véspera. A TSF cancelou o "forum" sem mais. Os bloggers "Sócrates friendly" - já não falo dos blogues e dos "jornalistas" governamentais - ainda têm dúvidas sobre a proveniência directa destas "pressões"?
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