Uma vez, numa entrevista, Teresa Berganza - essa genial intérprete espanhola e mulher com uma alegria e uma inteligência interpretativa notáveis - disse que os três maiores fenómenos musicais do século passado eram, na sua opinião, Herbert von Karajan, Maria Callas e o seu compatriota Plácido Domingo. Passaram todos por cá, em momentos diversos. Karajan no Coliseu, a Callas e Domingo no São Carlos e este, também, no estádio do Belenenses. É uma boa notícia, no meio do deserto, o anúncio de um concerto de Domingo, em Abril, no Pavilhão Atlântico. Por mais "popularucho" que o concerto venha a ser, constituirá decerto uma derradeira oportunidade - para quem nunca teve esse privilégio - de ver e ouvir um dos grandes músicos dos nossos tempos. Espero que não seja exclusivo para múmias convidadas que não sabem distinguir Wagner de Schönberg ou Verdi de Donizetti.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
31.1.07
DOMINGO
Uma vez, numa entrevista, Teresa Berganza - essa genial intérprete espanhola e mulher com uma alegria e uma inteligência interpretativa notáveis - disse que os três maiores fenómenos musicais do século passado eram, na sua opinião, Herbert von Karajan, Maria Callas e o seu compatriota Plácido Domingo. Passaram todos por cá, em momentos diversos. Karajan no Coliseu, a Callas e Domingo no São Carlos e este, também, no estádio do Belenenses. É uma boa notícia, no meio do deserto, o anúncio de um concerto de Domingo, em Abril, no Pavilhão Atlântico. Por mais "popularucho" que o concerto venha a ser, constituirá decerto uma derradeira oportunidade - para quem nunca teve esse privilégio - de ver e ouvir um dos grandes músicos dos nossos tempos. Espero que não seja exclusivo para múmias convidadas que não sabem distinguir Wagner de Schönberg ou Verdi de Donizetti.
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UMA VERDADE INCONVENIENTE
O dr. Manuel Pinho já não devia ser ministro da Economia há muito tempo. Até agora, e tirando as apresentações informáticas de luxo em que participa, não se lhe conhece grande valia. Não lhe explicaram - e há tantos especialistas no governo que o podiam fazer- que, antes de "técnico", o seu lugar é político. Apenas e só isso. Ora até um cego consegue ver que, para além de inexistir politicamente, o dr. Pinho, quando tem acessos como o que teve na China, faz corar de vergonha o governo socialista que integra. Ao passar um breve e real atestado de "chinês" ao trabalhador tuga, o dr. Pinho, no entanto, falou verdade. Uma verdade inconveniente, porém uma verdade.
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UMA VERDADE INCONVENIENTE
O dr. Manuel Pinho já não devia ser ministro da Economia há muito tempo. Até agora, e tirando as apresentações informáticas de luxo em que participa, não se lhe conhece grande valia. Não lhe explicaram - e há tantos especialistas no governo que o podiam fazer- que, antes de "técnico", o seu lugar é político. Apenas e só isso. Ora até um cego consegue ver que, para além de inexistir politicamente, o dr. Pinho, quando tem acessos como o que teve na China, faz corar de vergonha o governo socialista que integra. Ao passar um breve e real atestado de "chinês" ao trabalhador tuga, o dr. Pinho, no entanto, falou verdade. Uma verdade inconveniente, porém uma verdade.
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A FANTASIA
Fora de horas, como de costume, a RTP exibiu o programa "Portugal de...", ontem de Vasco Pulido Valente. Recorrendo à história, Pulido Valente explicou por que é que nós raramente passamos do estado de fantasia. Para não ir mais longe, fico-me por agora. Decretou-se que este governo do aprumado e soturno Sócrates é reformista. Qualquer "entendimento administrativo" de um burocrata que leu umas coisas e a quem encomendaram um missal de ocasião, perpetra uma "reforma". Chatear este e aquele com duas ou três "medidas" destinadas a espevitar a inveja e o ódio ao próximo, é uma "reforma". Usar os media como quem usa uma panela para fazer caldeiradas, é "transmitir o espírito reformista do governo". Recorrer, dia sim, dia não, a grandes circos para fazer anúncios triviais, é "reformar". Acontece que não é nem nunca foi e, a seu tempo, o país pagará caro esta fantasia. Até lá, cá iremos cantando e rindo como mandava o doutor Salazar que, ao contrário de tantos "democratas", nunca foi dado a fantasias e sabia que não lhe interessava deixar isto ir muito longe. Todos os dias pagamos a factura de não podermos ser outra coisa apesar de esmerados copistas do alheio. Podem "puxar" à vontade que isto não dá mais. O resto, a fantasia, é, como sempre foi, o essencial.
A FANTASIA
Fora de horas, como de costume, a RTP exibiu o programa "Portugal de...", ontem de Vasco Pulido Valente. Recorrendo à história, Pulido Valente explicou por que é que nós raramente passamos do estado de fantasia. Para não ir mais longe, fico-me por agora. Decretou-se que este governo do aprumado e soturno Sócrates é reformista. Qualquer "entendimento administrativo" de um burocrata que leu umas coisas e a quem encomendaram um missal de ocasião, perpetra uma "reforma". Chatear este e aquele com duas ou três "medidas" destinadas a espevitar a inveja e o ódio ao próximo, é uma "reforma". Usar os media como quem usa uma panela para fazer caldeiradas, é "transmitir o espírito reformista do governo". Recorrer, dia sim, dia não, a grandes circos para fazer anúncios triviais, é "reformar". Acontece que não é nem nunca foi e, a seu tempo, o país pagará caro esta fantasia. Até lá, cá iremos cantando e rindo como mandava o doutor Salazar que, ao contrário de tantos "democratas", nunca foi dado a fantasias e sabia que não lhe interessava deixar isto ir muito longe. Todos os dias pagamos a factura de não podermos ser outra coisa apesar de esmerados copistas do alheio. Podem "puxar" à vontade que isto não dá mais. O resto, a fantasia, é, como sempre foi, o essencial.
30.1.07
TAMBÉM ACHO
"Acho obscena, assim mesmo: obscena, a utilização de crianças e adolescentes em programas como o Prós e Contras de ontem para falarem ou se manifestarem sobre o aborto. Tal me parece ser da mesma exacta natureza que o inquérito sobre os costumes sexuais dos pais, que tanta condenação suscitou e bem. Antigamente, no tempo em que os animais falavam, havia uma regra deontológica dos jornalistas que impedia entrevistas a menores sobre estes temas. Caducou?"
José Pacheco Pereira, in Abrupto
TAMBÉM ACHO
"Acho obscena, assim mesmo: obscena, a utilização de crianças e adolescentes em programas como o Prós e Contras de ontem para falarem ou se manifestarem sobre o aborto. Tal me parece ser da mesma exacta natureza que o inquérito sobre os costumes sexuais dos pais, que tanta condenação suscitou e bem. Antigamente, no tempo em que os animais falavam, havia uma regra deontológica dos jornalistas que impedia entrevistas a menores sobre estes temas. Caducou?"
José Pacheco Pereira, in Abrupto
DA CASTIDADE
Antes de prosseguir, fica estabelecido que sou católico. Frequento solitariamente a igreja quando me dá na gana e, de vez em quando, assisto à missa. Não o faço ao domingo nem em dia certo, não comungo e confessei-me duas vezes na vida, a última quais serviu praticamente para perguntar à voz que me ouvia do outro lado o que é que devia dizer. Vagamente, lá para o fim, mencionei os chamados "pecados da carne" como uma inevitabilidade. Tudo junto valeu-me, se bem me lembro, cinco "padres-nossos". Julgo que a Igreja não tem a mínima dúvida que as suas "ovelhas" pecam escandalosamente. Aliás, sentem-se mais aliviadas do que as desprovidas de fé já que sabem que serão presumivelmente perdoadas. Todavia, e ao arrepio da minha fé que concebo num plano completamente distinto, não creio que exista ou deva existir uma "moral sexual" e uma imposição normativa de comportamentos a esse nível. Por isso, quando D. José Policarpo defende a educação sexual orientada preferencialmente para a castidade, sabe que está a produzir um oxímoro. A sexualidade pressupõe, para ser saudável, o "outro". E nem sempre pressupõe procriação ou um "outro" de sexo diferente. Ou, muito menos, uma vida inteira de abstinência ou de apoteose da mão. É inerente à sexualidade o prazer - mais do que o "amor " ou a "paixão" - e não há que ter medo disso. Educação sexual significa esclarecimento, abertura, responsabilização, informação e protecção da saúde pública e privada. Orientá-la para a castidade, com o devido respeito, é contrariar a natureza das coisas. É o mesmo que pedir a alguém com sede que evite beber ou a alguém com fome que evite comer. Nestas matérias, para além de católico, sou sobretudo romano. Defender a vida também significa defendê-la plenamente e vivê-la com um módico de qualidade. Isso passa pelo "outro" por mais que o "outro" seja cruz ou salvação, uma vida inteira ou em apenas meia-hora.
DA CASTIDADE
Antes de prosseguir, fica estabelecido que sou católico. Frequento solitariamente a igreja quando me dá na gana e, de vez em quando, assisto à missa. Não o faço ao domingo nem em dia certo, não comungo e confessei-me duas vezes na vida, a última quais serviu praticamente para perguntar à voz que me ouvia do outro lado o que é que devia dizer. Vagamente, lá para o fim, mencionei os chamados "pecados da carne" como uma inevitabilidade. Tudo junto valeu-me, se bem me lembro, cinco "padres-nossos". Julgo que a Igreja não tem a mínima dúvida que as suas "ovelhas" pecam escandalosamente. Aliás, sentem-se mais aliviadas do que as desprovidas de fé já que sabem que serão presumivelmente perdoadas. Todavia, e ao arrepio da minha fé que concebo num plano completamente distinto, não creio que exista ou deva existir uma "moral sexual" e uma imposição normativa de comportamentos a esse nível. Por isso, quando D. José Policarpo defende a educação sexual orientada preferencialmente para a castidade, sabe que está a produzir um oxímoro. A sexualidade pressupõe, para ser saudável, o "outro". E nem sempre pressupõe procriação ou um "outro" de sexo diferente. Ou, muito menos, uma vida inteira de abstinência ou de apoteose da mão. É inerente à sexualidade o prazer - mais do que o "amor " ou a "paixão" - e não há que ter medo disso. Educação sexual significa esclarecimento, abertura, responsabilização, informação e protecção da saúde pública e privada. Orientá-la para a castidade, com o devido respeito, é contrariar a natureza das coisas. É o mesmo que pedir a alguém com sede que evite beber ou a alguém com fome que evite comer. Nestas matérias, para além de católico, sou sobretudo romano. Defender a vida também significa defendê-la plenamente e vivê-la com um módico de qualidade. Isso passa pelo "outro" por mais que o "outro" seja cruz ou salvação, uma vida inteira ou em apenas meia-hora.
OS VERDADEIRAMENTE DIFERENTES E MELHORES
"... vítima mais uma vez do ostracismo votado em Portugal aos verdadeiramente diferentes e melhores." Quem conheceu de perto A. H de Oliveira Marques, desaparecido a semana passada, sabe bem como isto é verdadeiro. Excelente in memoriam.
OS VERDADEIRAMENTE DIFERENTES E MELHORES
"... vítima mais uma vez do ostracismo votado em Portugal aos verdadeiramente diferentes e melhores." Quem conheceu de perto A. H de Oliveira Marques, desaparecido a semana passada, sabe bem como isto é verdadeiro. Excelente in memoriam.
CAMPANHAS SURDAS-MUDAS
Pelo menos um grunho anónimo apelidou-me de "fascista" num comentário. Ele que combine um encontro no meio da rua comigo que eu terei o maior gosto em lhe devolver o "fascista" em conformidade. Adiante. Estes dias de "campanha" anunciam o pior. Não vai debater-se nada porque ambas as campanhas são surdas-mudas. No final do "debate" na televisão, alguém disse que está em causa, no dia 11 de Fevereiro, acrescentar ou não acrescentar uma alínea ao art. º 142.º do Código Penal. É verdade, e a isto os defensores do "não" - só o dr. Aguiar Branco escapou - não souberam responder porque não estava lá ninguém que sustentasse a actual legislação. Quem ouvisse sobretudo os e as médicas do "não", pode ter ficado com a ideia de que, se dependesse deles, nem o art.º 142.º deveria ter sido alterado em 1984. E a inteligente retórica coimbrã do prof. Vital Moreira ajudou a que pairasse no ar o demagógico registo "prisional" que faz tanto sentido como recusar as excepções que despenalizam o crime de aborto em qualquer parte do "nosso" mundo. Uma campanha surda-muda deixa as pessoas legitimamente em casa no dia do referendo. É bem feito.
CAMPANHAS SURDAS-MUDAS
Pelo menos um grunho anónimo apelidou-me de "fascista" num comentário. Ele que combine um encontro no meio da rua comigo que eu terei o maior gosto em lhe devolver o "fascista" em conformidade. Adiante. Estes dias de "campanha" anunciam o pior. Não vai debater-se nada porque ambas as campanhas são surdas-mudas. No final do "debate" na televisão, alguém disse que está em causa, no dia 11 de Fevereiro, acrescentar ou não acrescentar uma alínea ao art. º 142.º do Código Penal. É verdade, e a isto os defensores do "não" - só o dr. Aguiar Branco escapou - não souberam responder porque não estava lá ninguém que sustentasse a actual legislação. Quem ouvisse sobretudo os e as médicas do "não", pode ter ficado com a ideia de que, se dependesse deles, nem o art.º 142.º deveria ter sido alterado em 1984. E a inteligente retórica coimbrã do prof. Vital Moreira ajudou a que pairasse no ar o demagógico registo "prisional" que faz tanto sentido como recusar as excepções que despenalizam o crime de aborto em qualquer parte do "nosso" mundo. Uma campanha surda-muda deixa as pessoas legitimamente em casa no dia do referendo. É bem feito.
SAFA - 5
A rapaziada do Blogue do Sim que está na plateia da D. Fátima, ainda não saiu mentalmente do mesmo bistrot da rive gauche parisiense dos anos sessenta. O Vasco Rato, aliás, anda a ler o mesmo poche em inglês há trinta e tal anos. Está desculpado.
SAFA - 5
A rapaziada do Blogue do Sim que está na plateia da D. Fátima, ainda não saiu mentalmente do mesmo bistrot da rive gauche parisiense dos anos sessenta. O Vasco Rato, aliás, anda a ler o mesmo poche em inglês há trinta e tal anos. Está desculpado.
SAFA - 4
A deputada do PS Ana Catarina Mendes explicou linearmente por que é que se deve votar "não". O partido que representa não quer resolver o problema. Quer apenas legalizá-lo.
SAFA - 4
A deputada do PS Ana Catarina Mendes explicou linearmente por que é que se deve votar "não". O partido que representa não quer resolver o problema. Quer apenas legalizá-lo.
SAFA - 3
"A namoradinha de Portugal", mais conhecida por Catarina Furtado, conseguiu dizer uma coisa acertada. Ganhe o "sim" ou o "não", o aborto clandestino continua. Depois asneirou. "O "não" está a interferir com a "razão" do "sim", disse a apresentadora. Importa-se de repetir?
SAFA - 3
"A namoradinha de Portugal", mais conhecida por Catarina Furtado, conseguiu dizer uma coisa acertada. Ganhe o "sim" ou o "não", o aborto clandestino continua. Depois asneirou. "O "não" está a interferir com a "razão" do "sim", disse a apresentadora. Importa-se de repetir?
29.1.07
SAFA - 2
Há escritores, como Lídia Jorge e outros, que não deviam praticar a oralidade. "Coisa humana", expressão vinda de quem escreveu "O dia dos prodígios" para qualificar o que se alberga no ventre materno até às dez semanas de gestação, é uma triste enormidade. Recorrer à mana da Beauvoir, ainda é pior. O ar constrangido da Helena Matos, atrás da escritora, é de uma eloquência extraordinária. Actualização desta previsão: aumento da abstenção, aumento das intenções de voto no "não".
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O dia dos prodígios,
Simone du Beauvoir
SAFA - 2
Há escritores, como Lídia Jorge e outros, que não deviam praticar a oralidade. "Coisa humana", expressão vinda de quem escreveu "O dia dos prodígios" para qualificar o que se alberga no ventre materno até às dez semanas de gestação, é uma triste enormidade. Recorrer à mana da Beauvoir, ainda é pior. O ar constrangido da Helena Matos, atrás da escritora, é de uma eloquência extraordinária. Actualização desta previsão: aumento da abstenção, aumento das intenções de voto no "não".
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O dia dos prodígios,
Simone du Beauvoir
SAFA
Dá-me ideia que, quando acabar o "Prós&Contras" da RTP, a abstenção no referendo do dia 11 de Fevereiro sobe. O regime, quando chama o regime para o palco e para a plateia, não une. Afugenta.
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RTP,
S.L.B,
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SAFA
Dá-me ideia que, quando acabar o "Prós&Contras" da RTP, a abstenção no referendo do dia 11 de Fevereiro sobe. O regime, quando chama o regime para o palco e para a plateia, não une. Afugenta.
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UM RABO É UM RABO QUE É UM RABO
A TVI, para garantir que os seus "Morangos" superam a "Floribella" do dr. Balsemão, trocou as habituais mamocas da meninas pelos rabos dos rapazes. Em alternativa, também podem ser vistos pela frente, em cuecas apertadas, estilo Calvin Klein. Como diria o Fernão Mendes Pinto, em mar de tempestade qualquer buraco é porto.
UM RABO É UM RABO QUE É UM RABO
A TVI, para garantir que os seus "Morangos" superam a "Floribella" do dr. Balsemão, trocou as habituais mamocas da meninas pelos rabos dos rapazes. Em alternativa, também podem ser vistos pela frente, em cuecas apertadas, estilo Calvin Klein. Como diria o Fernão Mendes Pinto, em mar de tempestade qualquer buraco é porto.
UMA IDEIA
Dá-me ideia que o governo quer fazer dos cidadãos uma espécie de "cornos mansos" ou "homens-banana". Explico. Brotou, à conta do ambiente, a ideia de taxar as entradas em Lisboa em carro próprio. Eu moro cá dentro e, por isso, estou à vontade. E sempre me irritou ter de deixar o meu carro à porta para que os de fora possam circular e estacionar livremente. Todavia acho um abuso como qualquer outro esta ideia. Quem compra um carro quer, muito naturalmente, andar com ele e o Estado não tem nada com isso. O condutor sabe que, cada vez que "mete" gasolina, está a dar o dízimo. Se o preço dos combustíveis já incorpora cerca de 70% de imposto, para quê mais?
UMA IDEIA
Dá-me ideia que o governo quer fazer dos cidadãos uma espécie de "cornos mansos" ou "homens-banana". Explico. Brotou, à conta do ambiente, a ideia de taxar as entradas em Lisboa em carro próprio. Eu moro cá dentro e, por isso, estou à vontade. E sempre me irritou ter de deixar o meu carro à porta para que os de fora possam circular e estacionar livremente. Todavia acho um abuso como qualquer outro esta ideia. Quem compra um carro quer, muito naturalmente, andar com ele e o Estado não tem nada com isso. O condutor sabe que, cada vez que "mete" gasolina, está a dar o dízimo. Se o preço dos combustíveis já incorpora cerca de 70% de imposto, para quê mais?
TÃO COISA NENHUMA
Há muitos anos, num livrinho da maior utilidade para percebermos com que raça lidamos, Jorge Dias definiu, tanto quanto pôde, "o carácter nacional português". Chamou à raça "contraditória e paradoxal", a querer sempre o mesmo e o seu contrário. Se ele cá voltasse, andaria por aí a rir-se, pelo menos, durante quinze dias. Vejam-se, por exemplo, as sondagens, as "honestas" e as outras, ou os "movimentos de opinião". O tuga quer o aborto liberalizado até às dez semanas de gestação, mas acha que as mulheres não devem ter a última palavra e que, a final, a coisa é mesmo crime. O tuga detesta o governo e as suas "medidas", mas acha sublimes o senhor engenheiro e o PS. O tuga abomina o antigo regime e o PC, mas está à beira de eleger Salazar e Cunhal como dois "grandes portugueses". O tuga derrama honestas lágrimas pelo destino da Esmeraldinha, mas aprecia o respeitinho togado. O tuga é muito dado aos direitos humanos, desde que não seja nada com ele. O tuga baba-se de gozo quando vê uma "corporação" a ser atacada (nem que sejam as mulheres da limpeza) e rosna quando é a sua. E por aí fora. Chama-se a isto esquizofrenia. Só um país de esquizofrénicos, a caminhar rapidamente para a oligofrenia, pode ser tão coisa nenhuma.
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TÃO COISA NENHUMA
Há muitos anos, num livrinho da maior utilidade para percebermos com que raça lidamos, Jorge Dias definiu, tanto quanto pôde, "o carácter nacional português". Chamou à raça "contraditória e paradoxal", a querer sempre o mesmo e o seu contrário. Se ele cá voltasse, andaria por aí a rir-se, pelo menos, durante quinze dias. Vejam-se, por exemplo, as sondagens, as "honestas" e as outras, ou os "movimentos de opinião". O tuga quer o aborto liberalizado até às dez semanas de gestação, mas acha que as mulheres não devem ter a última palavra e que, a final, a coisa é mesmo crime. O tuga detesta o governo e as suas "medidas", mas acha sublimes o senhor engenheiro e o PS. O tuga abomina o antigo regime e o PC, mas está à beira de eleger Salazar e Cunhal como dois "grandes portugueses". O tuga derrama honestas lágrimas pelo destino da Esmeraldinha, mas aprecia o respeitinho togado. O tuga é muito dado aos direitos humanos, desde que não seja nada com ele. O tuga baba-se de gozo quando vê uma "corporação" a ser atacada (nem que sejam as mulheres da limpeza) e rosna quando é a sua. E por aí fora. Chama-se a isto esquizofrenia. Só um país de esquizofrénicos, a caminhar rapidamente para a oligofrenia, pode ser tão coisa nenhuma.
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SALAZAR FASHION
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A DEPUTAÇÃO
A minha consideração pela deputação nacional é praticamente nula, à excepção de um ou de outro caso, inteiramente pessoal ou privado. Quando voto nas "legislativas", voto para escolher um primeiro-ministro e nunca perdi tempo a ler as listas de candidatos a deputados. Parece que dois terços da referida deputação é favorável ao "sim" no aborto. Muito bem. Nesse caso, por que é que não arrregimentam mais uns quantos para rever a Constituição, o art. 24.º, por exemplo, e as disposições que protegem a vida intra-uterina? Era muito mais fácil, barato e, de certeza, dava milhões. De votos, naturalmente.
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A DEPUTAÇÃO
A minha consideração pela deputação nacional é praticamente nula, à excepção de um ou de outro caso, inteiramente pessoal ou privado. Quando voto nas "legislativas", voto para escolher um primeiro-ministro e nunca perdi tempo a ler as listas de candidatos a deputados. Parece que dois terços da referida deputação é favorável ao "sim" no aborto. Muito bem. Nesse caso, por que é que não arrregimentam mais uns quantos para rever a Constituição, o art. 24.º, por exemplo, e as disposições que protegem a vida intra-uterina? Era muito mais fácil, barato e, de certeza, dava milhões. De votos, naturalmente.
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OS TRABALHOS DA DRA. EDITE
A dra. Edite Estela, uma heroína nacional na luta pelo "sim", promoveu o trabalho comunitário como a pena para as mulheres que recorram ao aborto após as dez semanas que o partido dela fixou para a liberalização total do dito. A dra. Edite, e muitos como ela, querem e não querem a mesma coisa. Ao menos, a sua "posição" tem o mérito de pôr as pessoas a pensar, sobretudo as que olham para os cartazes do PS e do BE onde se fala de "prisão". Quer dizer que há no "sim"- tal como no "não" existe o original dr. Gentil Martins - quem assimile o aborto a um crime ao qual tem forçosamente de corresponder uma pena, nem que seja o trabalho a favor da comunidade. Não penso assim. O aborto é uma prática vedada pela Constituição e pelo Código Penal que, em casos identificados neste (art. º 142.º), é impunível. E, mesmo continuando tipificado como crime, a ele não tem necessariamente que corresponder uma pena, nem sequer a que brotou da iluminada cabeça da dra. Edite.
OS TRABALHOS DA DRA. EDITE
A dra. Edite Estela, uma heroína nacional na luta pelo "sim", promoveu o trabalho comunitário como a pena para as mulheres que recorram ao aborto após as dez semanas que o partido dela fixou para a liberalização total do dito. A dra. Edite, e muitos como ela, querem e não querem a mesma coisa. Ao menos, a sua "posição" tem o mérito de pôr as pessoas a pensar, sobretudo as que olham para os cartazes do PS e do BE onde se fala de "prisão". Quer dizer que há no "sim"- tal como no "não" existe o original dr. Gentil Martins - quem assimile o aborto a um crime ao qual tem forçosamente de corresponder uma pena, nem que seja o trabalho a favor da comunidade. Não penso assim. O aborto é uma prática vedada pela Constituição e pelo Código Penal que, em casos identificados neste (art. º 142.º), é impunível. E, mesmo continuando tipificado como crime, a ele não tem necessariamente que corresponder uma pena, nem sequer a que brotou da iluminada cabeça da dra. Edite.
28.1.07
AMADURECIMENTO
O Tomás Vasques leu o livro de Felícia Cabrita sobre a alegada vida amorosa de Salazar. Confesso que a autora me causa alguma alergia, tanto quanto o retratado me fascina (esta é de borla para os pidezinhos "democráticos"). Já o Tomás é mais insuspeito do que qualquer um de nós dois, eu e a autora. E é mesmo disto que se trata: "livros atrás de livros têm sido publicados nos últimos anos sobre Salazar, sinal de amadurecimento democrático."
AMADURECIMENTO
O Tomás Vasques leu o livro de Felícia Cabrita sobre a alegada vida amorosa de Salazar. Confesso que a autora me causa alguma alergia, tanto quanto o retratado me fascina (esta é de borla para os pidezinhos "democráticos"). Já o Tomás é mais insuspeito do que qualquer um de nós dois, eu e a autora. E é mesmo disto que se trata: "livros atrás de livros têm sido publicados nos últimos anos sobre Salazar, sinal de amadurecimento democrático."
A BOLHA
Para além do que o Paulo escreve, ainda há cerca de noventa mil desempregados não contabilizados oficialmente. Tudo porque acham que não vale a pena inscreverem-se nos "centros de emprego". O governo, devidamente ajudado pelos seus bonzos de gabinete e pela "economia", está a criar uma bolha social explosiva que, em devido tempo, rebentará. Nesse dia, não haverá capacete que safe o senhor engenheiro.
A BOLHA
Para além do que o Paulo escreve, ainda há cerca de noventa mil desempregados não contabilizados oficialmente. Tudo porque acham que não vale a pena inscreverem-se nos "centros de emprego". O governo, devidamente ajudado pelos seus bonzos de gabinete e pela "economia", está a criar uma bolha social explosiva que, em devido tempo, rebentará. Nesse dia, não haverá capacete que safe o senhor engenheiro.
O FREI
Miguel Marujo questiona-me sobre o artigo de frei Bento Domingues no Público de domingo. Apenas dois esclarecimentos. Raramente leio o dito articulista. Não me interessa porque não me acrescenta nada. E, depois, já disse o que pensava dele e de outros do mesmo "género" aqui. Não me impressiona nada. Mesmo nada.
Adenda: O facto de não estar disponível online não altera a substância da coisa. Por mim, até o podiam publicar no Diário da República. Quanto à reprodução da "missa" do Marcelo, limitei-me a reparar na omissão do livro do Blogue do Não no Diário de Notícias, por sinal o primeiro em que ele falou no domingo passado. E não me passa pela cabeça ajuizar a fé de cada um que, como sabe, é temperada pela razão. É por isso que não faço do aborto uma questão religiosa. Mas eu não sou frei, nem cónego. Deus manda-nos ser bons, mas não nos manda ser parvos.
Adenda: O facto de não estar disponível online não altera a substância da coisa. Por mim, até o podiam publicar no Diário da República. Quanto à reprodução da "missa" do Marcelo, limitei-me a reparar na omissão do livro do Blogue do Não no Diário de Notícias, por sinal o primeiro em que ele falou no domingo passado. E não me passa pela cabeça ajuizar a fé de cada um que, como sabe, é temperada pela razão. É por isso que não faço do aborto uma questão religiosa. Mas eu não sou frei, nem cónego. Deus manda-nos ser bons, mas não nos manda ser parvos.
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Padre Melícias
O FREI
Miguel Marujo questiona-me sobre o artigo de frei Bento Domingues no Público de domingo. Apenas dois esclarecimentos. Raramente leio o dito articulista. Não me interessa porque não me acrescenta nada. E, depois, já disse o que pensava dele e de outros do mesmo "género" aqui. Não me impressiona nada. Mesmo nada.
Adenda: O facto de não estar disponível online não altera a substância da coisa. Por mim, até o podiam publicar no Diário da República. Quanto à reprodução da "missa" do Marcelo, limitei-me a reparar na omissão do livro do Blogue do Não no Diário de Notícias, por sinal o primeiro em que ele falou no domingo passado. E não me passa pela cabeça ajuizar a fé de cada um que, como sabe, é temperada pela razão. É por isso que não faço do aborto uma questão religiosa. Mas eu não sou frei, nem cónego. Deus manda-nos ser bons, mas não nos manda ser parvos.
Adenda: O facto de não estar disponível online não altera a substância da coisa. Por mim, até o podiam publicar no Diário da República. Quanto à reprodução da "missa" do Marcelo, limitei-me a reparar na omissão do livro do Blogue do Não no Diário de Notícias, por sinal o primeiro em que ele falou no domingo passado. E não me passa pela cabeça ajuizar a fé de cada um que, como sabe, é temperada pela razão. É por isso que não faço do aborto uma questão religiosa. Mas eu não sou frei, nem cónego. Deus manda-nos ser bons, mas não nos manda ser parvos.
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A EVIDÊNCIA
Karen Walker para Jack, em "Will and Grace": "Tu achas que o casamento é sagrado porque o Estado não te deixa casar".
A EVIDÊNCIA
Karen Walker para Jack, em "Will and Grace": "Tu achas que o casamento é sagrado porque o Estado não te deixa casar".
O MONOPÓLIO DO CORAÇÃO
A sra. dra. Maria de Belém Roseira - que foi oportunamente rifada como "ministra para a igualdade" pelo bonzinho Guterres e que, até hoje, nunca percebeu o que é que lá esteve a fazer - resolveu decretar que os adeptos do "sim" são "tolerantes" e que os do "não", obviamente, são "intolerantes". Fê-lo numa sessão do PS de apelo ao voto na liberalização total do aborto até às dez semanas de gestação. Não sei onde é que estava a dra. Belém em 1984, nem me interessa. Apesar de na altura ter "apenas " 23 anos, não me recordo de ter escutado um pio por parte da sra. dra. quando a lei foi alterada no sentido que está em vigor. Essa de chamar intolerantes aos outros é, à partida, um gesto de pura intolerância, digno do seus ocasionais companheiros do BE. A "esquerda" - e eu nem sequer considero a dra. Belém um "modelo" da dita - tem esta maldita mania da superioridade moral e política. Não, sra dra., nem a senhora, nem os que a acompanham têm o monopólio do coração. Meta isso, de uma vez para sempre, na sua cabeça.
O MONOPÓLIO DO CORAÇÃO
A sra. dra. Maria de Belém Roseira - que foi oportunamente rifada como "ministra para a igualdade" pelo bonzinho Guterres e que, até hoje, nunca percebeu o que é que lá esteve a fazer - resolveu decretar que os adeptos do "sim" são "tolerantes" e que os do "não", obviamente, são "intolerantes". Fê-lo numa sessão do PS de apelo ao voto na liberalização total do aborto até às dez semanas de gestação. Não sei onde é que estava a dra. Belém em 1984, nem me interessa. Apesar de na altura ter "apenas " 23 anos, não me recordo de ter escutado um pio por parte da sra. dra. quando a lei foi alterada no sentido que está em vigor. Essa de chamar intolerantes aos outros é, à partida, um gesto de pura intolerância, digno do seus ocasionais companheiros do BE. A "esquerda" - e eu nem sequer considero a dra. Belém um "modelo" da dita - tem esta maldita mania da superioridade moral e política. Não, sra dra., nem a senhora, nem os que a acompanham têm o monopólio do coração. Meta isso, de uma vez para sempre, na sua cabeça.
ADEUS, PRINCESA
Ontem, ao contemplar o primeiro-ministro a fazer de engenheiro em Beja - já agora, ele é engenheiro de quê? -, ao mesmo tempo que lançava a primeira pazada para mais um "momento betão", lembrei-me de Clara Pinto Correia. Há muitos anos - para mim, os anos de felicidade já se perderam na "noite do mundo" - li a única coisa de jeito que ela escreveu, o "Adeus, Princesa". O cenário é Beja, a antiga base aérea alemã de Beja, e tudo gira em torno "da perversidade que se esconde por debaixo dos malmequeres" da planície solitária do Alentejo profundo. É uma "história" bem contada, com aquilo a que os "críticos" chamariam "contornos" policiais, o inevitável desamor e a tremenda e funesta lusa paixão. Daí em diante, Pinto Correia deixou praticamente de escrever apesar de julgar que o fazia. Era bom para a frigidez do actual poder, tão bem personalizada na "socrática" figura da pazada, ler ou reler esta pequena obra-prima escrita num belo e escorreito português. Não perdiam nada.
ADEUS, PRINCESA
Ontem, ao contemplar o primeiro-ministro a fazer de engenheiro em Beja - já agora, ele é engenheiro de quê? -, ao mesmo tempo que lançava a primeira pazada para mais um "momento betão", lembrei-me de Clara Pinto Correia. Há muitos anos - para mim, os anos de felicidade já se perderam na "noite do mundo" - li a única coisa de jeito que ela escreveu, o "Adeus, Princesa". O cenário é Beja, a antiga base aérea alemã de Beja, e tudo gira em torno "da perversidade que se esconde por debaixo dos malmequeres" da planície solitária do Alentejo profundo. É uma "história" bem contada, com aquilo a que os "críticos" chamariam "contornos" policiais, o inevitável desamor e a tremenda e funesta lusa paixão. Daí em diante, Pinto Correia deixou praticamente de escrever apesar de julgar que o fazia. Era bom para a frigidez do actual poder, tão bem personalizada na "socrática" figura da pazada, ler ou reler esta pequena obra-prima escrita num belo e escorreito português. Não perdiam nada.
27.1.07
FEZ O QUE PÔDE
Não tenho "heróis". Pelos meus nove anos, morreu Salazar. De férias, nas termas do Vimeiro, lembro-me do funeral a preto-e-branco na sempre oficiosa RTP e de toda a gente de pé, na sala onde estava a televisão, quando tocou o hino. Marcello foi-me mais familiar pelas "conversas" que ouvia religiosamente, tal como aprendia com "O Tempo e a Alma" de José Hermano Saraiva. O "25/4" apanhou-me aos treze. Apreciava infantilmente o Spínola - aquelas primeiras deambulações épicas pelo "país real" de um PR fardado a preceito e de pingalim impressionavam - e só com Soares e Sá Carneiro percebi que havia política para além da tropa. Em trinta anos, no entanto, houve um homem que sempre respeitei e que me habituei a ver, passe o cliché, como um modelo de seriedade. Por ocasião do seu doutoramento, Jorge Miranda, que também foi meu professor por três vezes, chamou-lhe "herói" da democracia. De facto, se tivesse de escolher um grande português contemporâneo, o meu voto ia para o General António Ramalho Eanes. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar reaccionário, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, o General Eanes é, nos dias que correm, um exemplo de probidade que deve ser constantemente recordado. Andou bem o Expresso ao entrevistá-lo por ocasião do seu 72º aniversário. Conheci-o em 1980 e posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará com um dos grandes amigos do país. Eanes gostou sempre mais desta terra do que Portugal, alguma vez, gostou dele. De facto, esta choldra piolhosa não merece homens de carácter como Ramalho Eanes. Fez, como poucos, o que pôde.
FEZ O QUE PÔDE
Não tenho "heróis". Pelos meus nove anos, morreu Salazar. De férias, nas termas do Vimeiro, lembro-me do funeral a preto-e-branco na sempre oficiosa RTP e de toda a gente de pé, na sala onde estava a televisão, quando tocou o hino. Marcello foi-me mais familiar pelas "conversas" que ouvia religiosamente, tal como aprendia com "O Tempo e a Alma" de José Hermano Saraiva. O "25/4" apanhou-me aos treze. Apreciava infantilmente o Spínola - aquelas primeiras deambulações épicas pelo "país real" de um PR fardado a preceito e de pingalim impressionavam - e só com Soares e Sá Carneiro percebi que havia política para além da tropa. Em trinta anos, no entanto, houve um homem que sempre respeitei e que me habituei a ver, passe o cliché, como um modelo de seriedade. Por ocasião do seu doutoramento, Jorge Miranda, que também foi meu professor por três vezes, chamou-lhe "herói" da democracia. De facto, se tivesse de escolher um grande português contemporâneo, o meu voto ia para o General António Ramalho Eanes. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar reaccionário, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, o General Eanes é, nos dias que correm, um exemplo de probidade que deve ser constantemente recordado. Andou bem o Expresso ao entrevistá-lo por ocasião do seu 72º aniversário. Conheci-o em 1980 e posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará com um dos grandes amigos do país. Eanes gostou sempre mais desta terra do que Portugal, alguma vez, gostou dele. De facto, esta choldra piolhosa não merece homens de carácter como Ramalho Eanes. Fez, como poucos, o que pôde.
CANDIDATOS PRECISAM-SE
Parece que foi de propósito. Cravinho "pirou-se" envergonhadamente para Londres a instâncias do senhor engenheiro que lhe inscreveu na testa a palavra "asneiras". Eis que, ao mesmo tempo, a empresa Bragaparques, uma das grandes fornecedoras de betão do regime, embaraça Lisboa e, por tabela, o dito regime. Aparentemente a empresa usa o betão como arma de arremesso político e a política usa a empresa para os devidos efeitos. Estão, por assim dizer, todos em casa. Acontece que Lisboa - a cidade, os seus munícipes, aqueles que todos os dias cá vêm trabalhar - nada tem a ver com estes arranjos inteiramente privados, alheios, por completo, ao interesse público. Politicamente a CML deixou de ter condições objectivas para trabalhar porque ninguém confia em ninguém e nós não confiamos na vereação. O pior é que, ir mais para baixo do que já se foi, ainda é possível. Só a devolução da palavra aos eleitores da cidade pode emprestar um módico de dignidade a tudo isto. Cheguem-se à frente candidatos.
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câmara,
Carmona Rodrigues,
João Cravinho,
João Soares,
Lisboa,
Marques Mendes,
Paula Teixeira da Cruz
CANDIDATOS PRECISAM-SE
Parece que foi de propósito. Cravinho "pirou-se" envergonhadamente para Londres a instâncias do senhor engenheiro que lhe inscreveu na testa a palavra "asneiras". Eis que, ao mesmo tempo, a empresa Bragaparques, uma das grandes fornecedoras de betão do regime, embaraça Lisboa e, por tabela, o dito regime. Aparentemente a empresa usa o betão como arma de arremesso político e a política usa a empresa para os devidos efeitos. Estão, por assim dizer, todos em casa. Acontece que Lisboa - a cidade, os seus munícipes, aqueles que todos os dias cá vêm trabalhar - nada tem a ver com estes arranjos inteiramente privados, alheios, por completo, ao interesse público. Politicamente a CML deixou de ter condições objectivas para trabalhar porque ninguém confia em ninguém e nós não confiamos na vereação. O pior é que, ir mais para baixo do que já se foi, ainda é possível. Só a devolução da palavra aos eleitores da cidade pode emprestar um módico de dignidade a tudo isto. Cheguem-se à frente candidatos.
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A IDADE DA INOCÊNCIA
O dr. Pedro Lomba decidiu-se pelo "sim" e explica a coisa num artigo no Diário de Notícias. Parece que em 1998 era demasiado novo e, motivado pela campanha cega e intelectualmente desonesta da esquerda extrema de então e da do "no meu corpo mando eu", votou "não". Agora, que já se sente mais crescidinho, olhou para um lado e para o outro, ouviu uns respeitáveis amigos e amigas, e comoveu-se - é o seu único argumento plausível já que tudo o resto podia ter sido escrito por um apoiante do "não" com as devidas adaptações - com as promessas do dr. Correia de Campos e do governo. Para além de embarcar na demagogia "bloquista" das "mulheres criminosas", vê-se mesmo que o dr. Lomba, para sua felicidade, não frequenta o serviço nacional de saúde. Todavia, e pior do que isso, é acreditar que o "o Estado não pode deixar de desmotivar o recurso ao aborto através de centros de aconselhamento e de outros mecanismos de informação e defesa da vida." Too much Harry Potter, dr. Lomba?
A IDADE DA INOCÊNCIA
O dr. Pedro Lomba decidiu-se pelo "sim" e explica a coisa num artigo no Diário de Notícias. Parece que em 1998 era demasiado novo e, motivado pela campanha cega e intelectualmente desonesta da esquerda extrema de então e da do "no meu corpo mando eu", votou "não". Agora, que já se sente mais crescidinho, olhou para um lado e para o outro, ouviu uns respeitáveis amigos e amigas, e comoveu-se - é o seu único argumento plausível já que tudo o resto podia ter sido escrito por um apoiante do "não" com as devidas adaptações - com as promessas do dr. Correia de Campos e do governo. Para além de embarcar na demagogia "bloquista" das "mulheres criminosas", vê-se mesmo que o dr. Lomba, para sua felicidade, não frequenta o serviço nacional de saúde. Todavia, e pior do que isso, é acreditar que o "o Estado não pode deixar de desmotivar o recurso ao aborto através de centros de aconselhamento e de outros mecanismos de informação e defesa da vida." Too much Harry Potter, dr. Lomba?
OS COMPADRES E AS COMADRES
"Portugal continua a ser marcado pelo conjunto d’os compadres e as comadres que constituem o país legal, como dizia Alexandre Herculano."
José Adelino Maltez, in Sobre o tempo que passa
José Adelino Maltez, in Sobre o tempo que passa
OS COMPADRES E AS COMADRES
"Portugal continua a ser marcado pelo conjunto d’os compadres e as comadres que constituem o país legal, como dizia Alexandre Herculano."
José Adelino Maltez, in Sobre o tempo que passa
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26.1.07
SEGUIR EM FRENTE
Com a costumeira serenidade e seriedade, o Pedro Magalhães dá-me duas boas notícias sobre sondagens. A primeira, é que o pujante "sim" do dia 11 de Fevereiro - praticamente dado como a nova "união nacional" - declina ao mesmo tempo que as baboseiras proferidas em seu nome aumentam. A segunda, lá de fora, é que Sarkozy sobe nas sondagens francesas contra a fraude política representada pela Mme. Ségolène, uma proto-Blair sem a cabeça deste. Sigamos, pois, em frente.
SEGUIR EM FRENTE
Com a costumeira serenidade e seriedade, o Pedro Magalhães dá-me duas boas notícias sobre sondagens. A primeira, é que o pujante "sim" do dia 11 de Fevereiro - praticamente dado como a nova "união nacional" - declina ao mesmo tempo que as baboseiras proferidas em seu nome aumentam. A segunda, lá de fora, é que Sarkozy sobe nas sondagens francesas contra a fraude política representada pela Mme. Ségolène, uma proto-Blair sem a cabeça deste. Sigamos, pois, em frente.
POUCA CONVERSA
O anterior PGR falava entre portas, a correr para o carro, a entrar ou a sair de casa. Pinto Monteiro adoptou, por assim dizer, outro "método". Recebe. Pedem-lhe e ele recebe. Peticionários, a visionária Ana Gomes, Carmona já pediu para ser recebido e aquela garota mal encarada que até ontem era vereadora do urbanismo - do urbanismo, meu Deus - na CML "exigiu" celeridade ao homem. Banalizar a figura do PGR, fazer do seu gabinete um confessionário de luxo - sim, porque o anónimo desgraçado que tenha um inquérito criminal em cima fica a falar sozinho - e ter as televisões à porta por tudo e por nada, é um mau caminho. A investigação e a justiça exigem recato, discrição e pouca conversa. Nem dentro, nem fora de portas.
POUCA CONVERSA
O anterior PGR falava entre portas, a correr para o carro, a entrar ou a sair de casa. Pinto Monteiro adoptou, por assim dizer, outro "método". Recebe. Pedem-lhe e ele recebe. Peticionários, a visionária Ana Gomes, Carmona já pediu para ser recebido e aquela garota mal encarada que até ontem era vereadora do urbanismo - do urbanismo, meu Deus - na CML "exigiu" celeridade ao homem. Banalizar a figura do PGR, fazer do seu gabinete um confessionário de luxo - sim, porque o anónimo desgraçado que tenha um inquérito criminal em cima fica a falar sozinho - e ter as televisões à porta por tudo e por nada, é um mau caminho. A investigação e a justiça exigem recato, discrição e pouca conversa. Nem dentro, nem fora de portas.
LOGO SE VÊ
"Músculo financeiro", disse o senhor ministro Lino em mais um momento powerpoint do governo sobre a OTA, referindo-se aos potenciais concorrentes nacionais e internacionais à construção desta teimosia elefantina. Os dinheiros públicos já estão garantidos, não vá dar-se o caso de alguém se lembrar de desviar muito dinheiro dos impostos para inutilidades como a educação ou a saúde. A explicação sobre o modo de fazer a coisa fez lembrar o mesmo raciocínio usado para a colecção Berardo, estacionada no CCB depois de um generoso acordo do comendador com o Estado. Em suma, logo se vê.
LOGO SE VÊ
"Músculo financeiro", disse o senhor ministro Lino em mais um momento powerpoint do governo sobre a OTA, referindo-se aos potenciais concorrentes nacionais e internacionais à construção desta teimosia elefantina. Os dinheiros públicos já estão garantidos, não vá dar-se o caso de alguém se lembrar de desviar muito dinheiro dos impostos para inutilidades como a educação ou a saúde. A explicação sobre o modo de fazer a coisa fez lembrar o mesmo raciocínio usado para a colecção Berardo, estacionada no CCB depois de um generoso acordo do comendador com o Estado. Em suma, logo se vê.
CONFUSÕES
João: quando eu quero saber o que pensa a Igreja Católica, leio este site. Quando quero estar a par das "posições" da igreja portuguesa, passopor este. Não faça confusões.
CONFUSÕES
João: quando eu quero saber o que pensa a Igreja Católica, leio este site. Quando quero estar a par das "posições" da igreja portuguesa, passopor este. Não faça confusões.
DA ESCURIDÃO
Clarice Lispector, com aquela densidade cristalina que a caracterizava, perguntava-se se olhasse a escuridão com uma lente, se não a aumentava um pouco mais. O Bloco de Esquerda veio escurecer o debate sobre o aborto com a sua permanente lupa pidesca e "correcta". Peguem, pois, na lupa e observem a lista à "direita" neste blog - atenção, é mera localização da responsabilidade do Blogger-, uma vez que ele é "alinhado" do do Não, e contem os blogues "de esquerda" que lá estão. Isso torna-me, por exemplo, "alinhado" com o Blogue do Sim?
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DA ESCURIDÃO
Clarice Lispector, com aquela densidade cristalina que a caracterizava, perguntava-se se olhasse a escuridão com uma lente, se não a aumentava um pouco mais. O Bloco de Esquerda veio escurecer o debate sobre o aborto com a sua permanente lupa pidesca e "correcta". Peguem, pois, na lupa e observem a lista à "direita" neste blog - atenção, é mera localização da responsabilidade do Blogger-, uma vez que ele é "alinhado" do do Não, e contem os blogues "de esquerda" que lá estão. Isso torna-me, por exemplo, "alinhado" com o Blogue do Sim?
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UM LIVRO, MUITOS IDIOTAS
"As pessoas mudaram; tornaram-se hostis ou, no limite, perigosamente impessoais. Dou-me conta de que talvez tenha mudado de tal maneira que as vejo tal qual elas são, tal qual elas sempre foram... no entanto, é possível que aquilo em que eu reparei mais cedo fosse a realidade e que aquilo que observo agora seja uma distorção inteiramente privada da realidade, embora, e de qualquer maneira, eu veja o que vejo: hostilidade e perigo. Tenho consciência de que a minha posição é exagerada e de que há gente inócua no mundo e, bem mais importante do que isso, muitos idiotas. Pelo menos, agradeço tamanha fartura."
Gore Vidal, Clouds and Eclipses, The Collected Short Stories, Carroll & Graf Publishers, New York, 2006 (tradução minha)
UM LIVRO, MUITOS IDIOTAS
"As pessoas mudaram; tornaram-se hostis ou, no limite, perigosamente impessoais. Dou-me conta de que talvez tenha mudado de tal maneira que as vejo tal qual elas são, tal qual elas sempre foram... no entanto, é possível que aquilo em que eu reparei mais cedo fosse a realidade e que aquilo que observo agora seja uma distorção inteiramente privada da realidade, embora, e de qualquer maneira, eu veja o que vejo: hostilidade e perigo. Tenho consciência de que a minha posição é exagerada e de que há gente inócua no mundo e, bem mais importante do que isso, muitos idiotas. Pelo menos, agradeço tamanha fartura."
Gore Vidal, Clouds and Eclipses, The Collected Short Stories, Carroll & Graf Publishers, New York, 2006 (tradução minha)
A ÚNICA SAÍDA
"Nada do que por lá [na Câmara Municipal de Lisboa] acontece nos deve espantar. Já não há qualquer lógica política que a sustente e nenhuma coerência nos grupinhos que, dentro e fora da antiga maioria, se formaram atrás de gente sem muita envergadura, à procura de notoriedade ou de alguma vantagem pessoal, partidária ou outra. Uma trapalhada destas não se governa. Carmona não governa e, sem apoio popular ou uma força organizada atrás dele, não pode vir a governar. Se não perdeu o direito legal de ficar onde está, perdeu a legitimidade e a única saída decorosa que lhe resta é a demissão. Como é a única saída que resta aos vereadores, a todos, se tiverem o mais vago respeito pelo interesse público. "
Vasco Pulido Valente, in Público
Vasco Pulido Valente, in Público
A ÚNICA SAÍDA
"Nada do que por lá [na Câmara Municipal de Lisboa] acontece nos deve espantar. Já não há qualquer lógica política que a sustente e nenhuma coerência nos grupinhos que, dentro e fora da antiga maioria, se formaram atrás de gente sem muita envergadura, à procura de notoriedade ou de alguma vantagem pessoal, partidária ou outra. Uma trapalhada destas não se governa. Carmona não governa e, sem apoio popular ou uma força organizada atrás dele, não pode vir a governar. Se não perdeu o direito legal de ficar onde está, perdeu a legitimidade e a única saída decorosa que lhe resta é a demissão. Como é a única saída que resta aos vereadores, a todos, se tiverem o mais vago respeito pelo interesse público. "
Vasco Pulido Valente, in Público
Vasco Pulido Valente, in Público
COMO ELA É
De acordo com o "partido-entidade-reguladora-da democracia", o Bloco de Esquerda, colaboro num blogue que tem links para blogues "fascistas", como eles dizem. O BE gosta de envacalhar, como costuma fazer em qualquer campanha. Até o aborto serve para, no caso de vitória do "sim", o dr. Louçã e os seus pupilos reclamarem o seu dízimo habitual. Se há alguém que não é fundamentalista, nem de um lado, nem do outro, sou eu. Respondo exclusivamente pelo que penso e escrevo, tal como -imagino- o Bloco não subscreve nada do que Rui Rio, Paula Teixeira da Cruz ou Teresa Caeiro defendem fora da questão abortiva. Por isso, não aceito lições de democracia vindas de quem não considero democrata. Sobretudo de franganotes e de gaiatas que nem sequer eram nascidos quando a lei foi alterada em 1984. O que é que gente desta sabe da vida, da puta da vida como ela é?
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COMO ELA É
De acordo com o "partido-entidade-reguladora-da democracia", o Bloco de Esquerda, colaboro num blogue que tem links para blogues "fascistas", como eles dizem. O BE gosta de envacalhar, como costuma fazer em qualquer campanha. Até o aborto serve para, no caso de vitória do "sim", o dr. Louçã e os seus pupilos reclamarem o seu dízimo habitual. Se há alguém que não é fundamentalista, nem de um lado, nem do outro, sou eu. Respondo exclusivamente pelo que penso e escrevo, tal como -imagino- o Bloco não subscreve nada do que Rui Rio, Paula Teixeira da Cruz ou Teresa Caeiro defendem fora da questão abortiva. Por isso, não aceito lições de democracia vindas de quem não considero democrata. Sobretudo de franganotes e de gaiatas que nem sequer eram nascidos quando a lei foi alterada em 1984. O que é que gente desta sabe da vida, da puta da vida como ela é?
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25.1.07
A GESTÃO DO TEMPO E DO ESPAÇO
Com a inegável sabedoria e a manha estratégica que o manteve à tona durante quase todo o século XX português, o doutor Salazar recomendava que, uma vez decididos até onde ir, não devíamos ir mais além. Nas "coisas" em curso na nossa patética "sociedade" democrática- aborto, combate "suavezinho" à corrupção, abruptas alterações no mundo do trabalho público e privado, economia cada vez mais periférica, pais biológicos e pais adoptivos e por aí fora - talvez fosse conveniente seguir o conselho do antigo estadista. Nalguns aspectos, o senhor engenheiro já está a dar os primeiros passos. Aprende-se muito com os velhinhos.
A GESTÃO DO TEMPO E DO ESPAÇO
Com a inegável sabedoria e a manha estratégica que o manteve à tona durante quase todo o século XX português, o doutor Salazar recomendava que, uma vez decididos até onde ir, não devíamos ir mais além. Nas "coisas" em curso na nossa patética "sociedade" democrática- aborto, combate "suavezinho" à corrupção, abruptas alterações no mundo do trabalho público e privado, economia cada vez mais periférica, pais biológicos e pais adoptivos e por aí fora - talvez fosse conveniente seguir o conselho do antigo estadista. Nalguns aspectos, o senhor engenheiro já está a dar os primeiros passos. Aprende-se muito com os velhinhos.
24.1.07
FRIO
Oh Pacheco Pereira, V. foi tão "maoísta" na sua "quadratura do círculo" por causa da Esmeralda Porto. Que "frio", homem.
FRIO
Oh Pacheco Pereira, V. foi tão "maoísta" na sua "quadratura do círculo" por causa da Esmeralda Porto. Que "frio", homem.
REVISÕES
Averiguar o enriquecimento ilícito é "suspeito" e "viola" direitos fundamentais? O senhor engenheiro deve começar rapidamente a rever os seus conceitos antes que o país comece a revê-lo a ele.
REVISÕES
Averiguar o enriquecimento ilícito é "suspeito" e "viola" direitos fundamentais? O senhor engenheiro deve começar rapidamente a rever os seus conceitos antes que o país comece a revê-lo a ele.
A.H. DE OLIVEIRA MARQUES 1933-2007
Abri isto para escrever sobre o aborto, sobre o esforço de cidadania feito por um pequeno grupo de simpáticos estudantes do antigo Liceu Camões, entre os dezassete e os dezoito anos, que quiseram ouvir o "não" e o "sim". Para comentar o jargão aprendido nas secções do partido e trocado pelo fim atempado do curso de direito do voluntarista representante da JS. Ou da clareza da jovem do BE que se fartou de falar na "legalização" do aborto sem saber do que é que estava a falar. Ou ainda da serenidade sistemática da Assunção na defesa do "não". Todavia, a televisão deu-me a notícia da morte de A. H. de Oliveira Marques. Antes de o conhecer pessoalmente, em 1980, na campanha da recandidatura do Presidente Eanes, já ele me "acompanhava", desde o liceu, com a sua utilíssima "História de Portugal". Nessa altura apetecia-me o curso de história, mas o horrível propedêutico da época arrastou-me para o direito na Católica. Um pequeno desvario a meio do curso, levou-me a uma passagem fugaz pela Universidade Nova, a da Avenida de Berna, da qual Oliveira Marques tinha sido, se não erro, presidente da respectiva comissão instaladora, o equivalente a "reitor". Foi sempre a sua casa, depois da saída de Letras e dos anos americanos. Foi graças à sua influência que, anos mais tarde, entrei para a Maçonaria Portuguesa, o Grande Oriente Lusitano, a única a que pertenci. Frequentei a sua antiga casa, em Alvalade, e aprendi muito com as conversas que partilhámos. Infelizmente adiei de forma irreversível visitá-lo na "Casa do Gato", a Santa Clara. O tempo, a vida, a falta de paciência e umas quantas pequenas divergências fizeram-me abandonar o GOL, depois de, com ele e outros amigos, termos formado a Loja Fénix, em 1989. Nunca tremeram a estima e a sincera admiração pelo homem e pelo intelectual. Víamo-nos no São Carlos, com o António Henrique no mesmo camarote de sempre, na primeira ordem. Era um genuíno maçon, um fervoroso republicano e um íntegro progressista. Eu, entretanto, mudei sendo o mesmo. Para a sua "Breve História de Portugal" escolheu como epígrafe uma frase do jovem Werther, o mais famoso herói romântico de Goethe: "warum wechst du mich, Frühlingsluft?... die Zeit meines Welkens ist nah". Esse "tempo" de que falava o malogrado Werther chegou hoje para o António Henrique. Que entre em paz no seu Oriente Eterno.
A.H. DE OLIVEIRA MARQUES 1933-2007
Abri isto para escrever sobre o aborto, sobre o esforço de cidadania feito por um pequeno grupo de simpáticos estudantes do antigo Liceu Camões, entre os dezassete e os dezoito anos, que quiseram ouvir o "não" e o "sim". Para comentar o jargão aprendido nas secções do partido e trocado pelo fim atempado do curso de direito do voluntarista representante da JS. Ou da clareza da jovem do BE que se fartou de falar na "legalização" do aborto sem saber do que é que estava a falar. Ou ainda da serenidade sistemática da Assunção na defesa do "não". Todavia, a televisão deu-me a notícia da morte de A. H. de Oliveira Marques. Antes de o conhecer pessoalmente, em 1980, na campanha da recandidatura do Presidente Eanes, já ele me "acompanhava", desde o liceu, com a sua utilíssima "História de Portugal". Nessa altura apetecia-me o curso de história, mas o horrível propedêutico da época arrastou-me para o direito na Católica. Um pequeno desvario a meio do curso, levou-me a uma passagem fugaz pela Universidade Nova, a da Avenida de Berna, da qual Oliveira Marques tinha sido, se não erro, presidente da respectiva comissão instaladora, o equivalente a "reitor". Foi sempre a sua casa, depois da saída de Letras e dos anos americanos. Foi graças à sua influência que, anos mais tarde, entrei para a Maçonaria Portuguesa, o Grande Oriente Lusitano, a única a que pertenci. Frequentei a sua antiga casa, em Alvalade, e aprendi muito com as conversas que partilhámos. Infelizmente adiei de forma irreversível visitá-lo na "Casa do Gato", a Santa Clara. O tempo, a vida, a falta de paciência e umas quantas pequenas divergências fizeram-me abandonar o GOL, depois de, com ele e outros amigos, termos formado a Loja Fénix, em 1989. Nunca tremeram a estima e a sincera admiração pelo homem e pelo intelectual. Víamo-nos no São Carlos, com o António Henrique no mesmo camarote de sempre, na primeira ordem. Era um genuíno maçon, um fervoroso republicano e um íntegro progressista. Eu, entretanto, mudei sendo o mesmo. Para a sua "Breve História de Portugal" escolheu como epígrafe uma frase do jovem Werther, o mais famoso herói romântico de Goethe: "warum wechst du mich, Frühlingsluft?... die Zeit meines Welkens ist nah". Esse "tempo" de que falava o malogrado Werther chegou hoje para o António Henrique. Que entre em paz no seu Oriente Eterno.
DEBATER

DEBATER

TENTAR PERCEBER
Vale a pena ler na íntegra. Com a devida vénia ao autor, Rui Ramos, no Público de hoje.
"A GRANDE ESTRATÉGIA"
"Somos uns ingratos. O primeiro-ministro põe o seu melhor fato e o seu melhor teleponto para nos anunciar a estratégia que vai finalmente fazer de nós um "país mais culto e qualificado" - e isto, em sete anos e com apenas 45 milhões de euros. E nós, sem consideração, arranjamos maneira de criticar, descrer e gozar. Imagino o tempo gasto a preparar o Quadro de Referência Estratégico Nacional. Adivinho o empenho com que se apuraram as fórmulas, ou a ansiedade com que se previram as reacções. Tudo isto, para quê? Será consolo para José Sócrates saber que está em ilustre companhia, entre os visionários escarnecidos por esta nação incorrigível? Há precisamente 120 anos, em 1887, o escritor J. P. Oliveira Martins apresentou na Câmara dos Deputados o seu QREN, sob a forma de um Projecto de Lei de Fomento Rural. Também ele queria aproveitar o potencial dos portugueses. Só que, em vez de mestrados e cursos de formação, pretendia dar-lhes terra para cultivarem. Sim, os tempos eram outros. A ideia de Oliveira Martins consistia em fixar a população excedentária do Norte do país nos campos subaproveitados do Sul, em pequenas quintas viabilizadas pelo regadio. Oliveira Martins desejava, como toda a elite sua contemporânea, modernizar o país. Mas sabia que não chegava converter os portugueses às ideologias modernas. Era preciso mudar as suas condições de vida, torná-los mais ricos. E para isso, Oliveira Martins propunha-se fazer de Portugal uma "colmeia rural", em que a maioria da gente tivesse emprego em propriedade própria, e o território fosse uniformemente valorizado. Como foi então acolhido o seu plano? Para uns, tratava-se de uma fantasia, já que não havia dinheiro para as necessárias obras hidráulicas no Alentejo. Para outros, era uma farsa: Oliveira Martins procuraria apenas protagonismo para chegar a ministro. Desde há décadas, que os governos e as luminárias da nação se dedicam afincadamente a gastar dinheiro para ajudar o futuro a nascer. Abundaram sempre os QREN. E há algumas décadas que os seus objectivos, por entre variações de vocabulário e contexto, são os mesmos. A memória corrente reteve as proclamações de Cavaco Silva no fim da década de 1980. Mas recuando mais no tempo, encontram-se estas grandes prioridades: "Aceleração do ritmo de crescimento do produto nacional; repartição equilibrada do rendimento; correcção progressiva dos desequilíbrios regionais de desenvolvimento." Não, não é uma citação do QREN de Sócrates nem das Grandes Opções do Plano de Cavaco Silva, mas do III Plano de Fomento de Salazar, publicado em 1967. Nas considerações desse Plano, lamenta-se já a falta de "formação profissional" dos portugueses, e a ineficiência da administração pública, cuja "rotina" e "burocracia" podem "comprometer iniciativas públicas e privadas que exigem celeridade". O grande horizonte, em 1967, era claro: "alcançar o mais rapidamente possível os níveis de desenvolvimento da Europa Ocidental", através de uma "reconversão da economia". Já éramos assim há 40 anos. Não reparamos nisto, porque gostamos de reduzir a nossa história recente a uma sucessão de cortes e saltos salutares, do capitalismo para o socialismo (com o PREC), ou das ditaduras para a democracia (com o actual regime). Andamos sempre, como fez Sócrates na apresentação do QREN, a "cortar com a cultura do passado". Para que servirá então lembrar a longa tradição do nosso desenvolvimentismo de Estado? Para demonstrar que nada mudou? Não, Portugal mudou. Só que nunca mudou como os seus dirigentes políticos, por entre largas despesas, previram e planearam. Os que, no século XIX, procuraram criar condições para uma "colmeia rural" nunca imaginaram a industrialização do século XX. Os que, nas décadas de 1940 e 50, contaram com uma indústria que sobretudo substituísse importações, foram surpreendidos pelas exportações de vestuário e calçado depois da entrada na EFTA. Quem pensou em explorar esse filão com a adesão à CEE viu-se confrontado na década de 1990 com o seu definhamento e com a expansão dos serviços e da construção civil - uma mudança que comprometeu os ritmos de crescimento económico do passado. Em Portugal, o que estava previsto e planeado quase nunca aconteceu, e o que aconteceu quase nunca foi previsto e muito menos planeado. Por isso, tudo aquilo que verdadeiramente se passou, desde a industrialização até à urbanização, passou-se "desordenadamente", à revelia dos planos e mesmo fora da lei. Até hoje, os governos andaram sempre a tentar mudar o país em meia dúzia de anos. Talvez fosse preferível tentarem compreendê-lo."
TENTAR PERCEBER
Vale a pena ler na íntegra. Com a devida vénia ao autor, Rui Ramos, no Público de hoje.
"A GRANDE ESTRATÉGIA"
"Somos uns ingratos. O primeiro-ministro põe o seu melhor fato e o seu melhor teleponto para nos anunciar a estratégia que vai finalmente fazer de nós um "país mais culto e qualificado" - e isto, em sete anos e com apenas 45 milhões de euros. E nós, sem consideração, arranjamos maneira de criticar, descrer e gozar. Imagino o tempo gasto a preparar o Quadro de Referência Estratégico Nacional. Adivinho o empenho com que se apuraram as fórmulas, ou a ansiedade com que se previram as reacções. Tudo isto, para quê? Será consolo para José Sócrates saber que está em ilustre companhia, entre os visionários escarnecidos por esta nação incorrigível? Há precisamente 120 anos, em 1887, o escritor J. P. Oliveira Martins apresentou na Câmara dos Deputados o seu QREN, sob a forma de um Projecto de Lei de Fomento Rural. Também ele queria aproveitar o potencial dos portugueses. Só que, em vez de mestrados e cursos de formação, pretendia dar-lhes terra para cultivarem. Sim, os tempos eram outros. A ideia de Oliveira Martins consistia em fixar a população excedentária do Norte do país nos campos subaproveitados do Sul, em pequenas quintas viabilizadas pelo regadio. Oliveira Martins desejava, como toda a elite sua contemporânea, modernizar o país. Mas sabia que não chegava converter os portugueses às ideologias modernas. Era preciso mudar as suas condições de vida, torná-los mais ricos. E para isso, Oliveira Martins propunha-se fazer de Portugal uma "colmeia rural", em que a maioria da gente tivesse emprego em propriedade própria, e o território fosse uniformemente valorizado. Como foi então acolhido o seu plano? Para uns, tratava-se de uma fantasia, já que não havia dinheiro para as necessárias obras hidráulicas no Alentejo. Para outros, era uma farsa: Oliveira Martins procuraria apenas protagonismo para chegar a ministro. Desde há décadas, que os governos e as luminárias da nação se dedicam afincadamente a gastar dinheiro para ajudar o futuro a nascer. Abundaram sempre os QREN. E há algumas décadas que os seus objectivos, por entre variações de vocabulário e contexto, são os mesmos. A memória corrente reteve as proclamações de Cavaco Silva no fim da década de 1980. Mas recuando mais no tempo, encontram-se estas grandes prioridades: "Aceleração do ritmo de crescimento do produto nacional; repartição equilibrada do rendimento; correcção progressiva dos desequilíbrios regionais de desenvolvimento." Não, não é uma citação do QREN de Sócrates nem das Grandes Opções do Plano de Cavaco Silva, mas do III Plano de Fomento de Salazar, publicado em 1967. Nas considerações desse Plano, lamenta-se já a falta de "formação profissional" dos portugueses, e a ineficiência da administração pública, cuja "rotina" e "burocracia" podem "comprometer iniciativas públicas e privadas que exigem celeridade". O grande horizonte, em 1967, era claro: "alcançar o mais rapidamente possível os níveis de desenvolvimento da Europa Ocidental", através de uma "reconversão da economia". Já éramos assim há 40 anos. Não reparamos nisto, porque gostamos de reduzir a nossa história recente a uma sucessão de cortes e saltos salutares, do capitalismo para o socialismo (com o PREC), ou das ditaduras para a democracia (com o actual regime). Andamos sempre, como fez Sócrates na apresentação do QREN, a "cortar com a cultura do passado". Para que servirá então lembrar a longa tradição do nosso desenvolvimentismo de Estado? Para demonstrar que nada mudou? Não, Portugal mudou. Só que nunca mudou como os seus dirigentes políticos, por entre largas despesas, previram e planearam. Os que, no século XIX, procuraram criar condições para uma "colmeia rural" nunca imaginaram a industrialização do século XX. Os que, nas décadas de 1940 e 50, contaram com uma indústria que sobretudo substituísse importações, foram surpreendidos pelas exportações de vestuário e calçado depois da entrada na EFTA. Quem pensou em explorar esse filão com a adesão à CEE viu-se confrontado na década de 1990 com o seu definhamento e com a expansão dos serviços e da construção civil - uma mudança que comprometeu os ritmos de crescimento económico do passado. Em Portugal, o que estava previsto e planeado quase nunca aconteceu, e o que aconteceu quase nunca foi previsto e muito menos planeado. Por isso, tudo aquilo que verdadeiramente se passou, desde a industrialização até à urbanização, passou-se "desordenadamente", à revelia dos planos e mesmo fora da lei. Até hoje, os governos andaram sempre a tentar mudar o país em meia dúzia de anos. Talvez fosse preferível tentarem compreendê-lo."
O CORAÇÃO DA COISA
"Sempre que se levanta o problema de ir ao coração da luta contra a corrupção, é curioso que existam as maiores dificuldades, sempre", disse o eng.º Cravinho, ex-campeão nacional da luta contra a corrupção. Isto vindo de um "E.T" ainda se aceitava. Ora o eng.º Cravinho - que até já mandou nas obras públicas - devia saber perfeitamente que ninguém está interessado em remover o "coração" da corrupção. Pelo contrário. De Cândidos e de Pangloss está o inferno cheio.
O CORAÇÃO DA COISA
"Sempre que se levanta o problema de ir ao coração da luta contra a corrupção, é curioso que existam as maiores dificuldades, sempre", disse o eng.º Cravinho, ex-campeão nacional da luta contra a corrupção. Isto vindo de um "E.T" ainda se aceitava. Ora o eng.º Cravinho - que até já mandou nas obras públicas - devia saber perfeitamente que ninguém está interessado em remover o "coração" da corrupção. Pelo contrário. De Cândidos e de Pangloss está o inferno cheio.
O EDIT DE EDITE
Estava deliciado a ler este post do meu amigo Eduardo Pitta quando, a três linhas do fim, ele descambou. Mesmo assim, é mais um contributo para se perceber como o "correcto" é transfronteiriço. E o disparate, de Sintra a Estrasburgo, também.
O EDIT DE EDITE
Estava deliciado a ler este post do meu amigo Eduardo Pitta quando, a três linhas do fim, ele descambou. Mesmo assim, é mais um contributo para se perceber como o "correcto" é transfronteiriço. E o disparate, de Sintra a Estrasburgo, também.
23.1.07
A SITUAÇÃO E OS COLABORACIONISTAS
No "antigamente" ou "no tempo da outra senhora"- era assim que o Estado Novo dos doutores Salazar e Caetano era conhecido - os meios do regime referiam-se ao mesmo como "a situação". Fulano ou beltrano, aquela ou a outra, eram ou não eram afectos "à situação". Hoje, ano da graça de 2007, em pleno absolutismo democrático, também é efectuado idêntico escrutínio, embora mais alargado. Tem a cumplicidade, quando não mesmo a orientação, dos meios de comunicação social. Por exemplo, uma vez que "a situação" defende o "sim" no referendo ao aborto, a comunicação social, com estritas excepções, espreme-se para mostrar serviço a quem manda. As omissões, as reportagens capciosas, o aproveitamento do disparate alheio como se fosse coisa séria, tudo serve para indicar "o caminho" à opinião pública (devem ter lido o livrinho do beato Escrivá). Estão porventura mais à vontade do que em 1998, já que, desta vez, "a situação" não admite estados de alma. Apesar de não terem nada a ver uns com os outros, revela-se útil "à situação" o serviço directo e indirecto que comunistas, "bloquistas", "liberais", articulistas e fundamentalistas espúrios lhe prestam. A "antiga senhora" também funcionava assim: reinava sobre uma "união" que ela arregimentava ou dividia conforme lhe dava jeito. Depois, uma vez resolvida a circunstância, expulsava o que já não lhe convinha. E tudo voltava, serena e "habitualmente", à "união nacional", com os colaboracionistas atentos, venerandos e obrigados à espera da próxima oportunidade. Então como agora, "a situação" desprezava os colaboracionistas, vistos como meros capachos ou idiotas úteis. Normalmente acabaram na estrumeira moral de onde verdadeiramente nunca chegaram a sair.
A SITUAÇÃO E OS COLABORACIONISTAS
No "antigamente" ou "no tempo da outra senhora"- era assim que o Estado Novo dos doutores Salazar e Caetano era conhecido - os meios do regime referiam-se ao mesmo como "a situação". Fulano ou beltrano, aquela ou a outra, eram ou não eram afectos "à situação". Hoje, ano da graça de 2007, em pleno absolutismo democrático, também é efectuado idêntico escrutínio, embora mais alargado. Tem a cumplicidade, quando não mesmo a orientação, dos meios de comunicação social. Por exemplo, uma vez que "a situação" defende o "sim" no referendo ao aborto, a comunicação social, com estritas excepções, espreme-se para mostrar serviço a quem manda. As omissões, as reportagens capciosas, o aproveitamento do disparate alheio como se fosse coisa séria, tudo serve para indicar "o caminho" à opinião pública (devem ter lido o livrinho do beato Escrivá). Estão porventura mais à vontade do que em 1998, já que, desta vez, "a situação" não admite estados de alma. Apesar de não terem nada a ver uns com os outros, revela-se útil "à situação" o serviço directo e indirecto que comunistas, "bloquistas", "liberais", articulistas e fundamentalistas espúrios lhe prestam. A "antiga senhora" também funcionava assim: reinava sobre uma "união" que ela arregimentava ou dividia conforme lhe dava jeito. Depois, uma vez resolvida a circunstância, expulsava o que já não lhe convinha. E tudo voltava, serena e "habitualmente", à "união nacional", com os colaboracionistas atentos, venerandos e obrigados à espera da próxima oportunidade. Então como agora, "a situação" desprezava os colaboracionistas, vistos como meros capachos ou idiotas úteis. Normalmente acabaram na estrumeira moral de onde verdadeiramente nunca chegaram a sair.
A DISTRACÇÃO DE UM GÉNIO
Emmanuel Nunes, para quem não conhece, é uma eminência musical pátria "refugiada" em Paris, no IRCAM, de onde, de vez em quando, emite uns sons. Tem cá, como é costume, os seus "delegados" das capelas político-culturais que circulam atrás uns dos outros e uns para os outros. Já arrecadou vários prémios, entre os quais o Pessoa, do dr. Balsemão e de outros beneméritos. Nunes é, entre outras coisas, compositor. Para quem não sabe, de música. Para minha perpétua desgraça, não aprecio. Quando Paolo Pinamonti me disse que lhe encomendara uma ópera, nos idos de 2002, torci-me todo e fui valentemente insultado num jantar de amigos "cultos" por ter tido o desplante de não acompanhar o director do São Carlos em tamanha proeza. Nessa altura, eu era membro da direcção do Teatro com a incumbência, com os outros dois colegas, de gerir a "massa" e de precaver a legalidade e a oportunidade dos contratos. Vejo agora que Nunes, numa "indignada" entrevista ao Público, vergasta Pinamonti por a sua encomendada "criação" não ter sido exibida, sem que ele- Nunes- tivesse assinado o contrato que o Teatro lhe enviou... em 1 de Fevereiro de 2006. De acordo com Nunes, Pinamonti tem "falta de deontologia". O que é que se há-de então chamar ao quase um ano à espera que o grande compositor assine o contrato que viabilize a estreia da ópera? Distracção de um génio?
A DISTRACÇÃO DE UM GÉNIO
Emmanuel Nunes, para quem não conhece, é uma eminência musical pátria "refugiada" em Paris, no IRCAM, de onde, de vez em quando, emite uns sons. Tem cá, como é costume, os seus "delegados" das capelas político-culturais que circulam atrás uns dos outros e uns para os outros. Já arrecadou vários prémios, entre os quais o Pessoa, do dr. Balsemão e de outros beneméritos. Nunes é, entre outras coisas, compositor. Para quem não sabe, de música. Para minha perpétua desgraça, não aprecio. Quando Paolo Pinamonti me disse que lhe encomendara uma ópera, nos idos de 2002, torci-me todo e fui valentemente insultado num jantar de amigos "cultos" por ter tido o desplante de não acompanhar o director do São Carlos em tamanha proeza. Nessa altura, eu era membro da direcção do Teatro com a incumbência, com os outros dois colegas, de gerir a "massa" e de precaver a legalidade e a oportunidade dos contratos. Vejo agora que Nunes, numa "indignada" entrevista ao Público, vergasta Pinamonti por a sua encomendada "criação" não ter sido exibida, sem que ele- Nunes- tivesse assinado o contrato que o Teatro lhe enviou... em 1 de Fevereiro de 2006. De acordo com Nunes, Pinamonti tem "falta de deontologia". O que é que se há-de então chamar ao quase um ano à espera que o grande compositor assine o contrato que viabilize a estreia da ópera? Distracção de um génio?
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