31.12.05

"SOMOS CRUCIFICADOS PELOS ABORRECIDOS"


1. Apetecia-me terminar o ano, neste blogue, com os primeiros versos do "Inferno" de Dante: "Da nossa vida a meio da jornada,/Em tenebrosa selva me encontrei,/Perdido era o caminho verdadeiro./Como é, porém, penoso dizer qual/Era desta selva a braveza e a sombra./De que só a memória traz temor!" (na tradução de Fernanda Botelho). Ou com uma passagem do livro de Enrique Vila-Matas, Paris nunca se acaba: "Pensem quais podem ser as razões básicas para o desespero. Cada um de vocês terá as suas. Proponho-vos as minhas: a volubilidade do amor, a fragilidade do nosso corpo, a opressiva mesquinhez que domina a vida social, a trágica solidão em que no fundo todos vivemos, os reveses da amizade, a monotonia e a insensibilidade que andam associadas ao costume de viver." (na tradução de Jorge Fallorca).
2. Estes trezentos e sessenta e cinco dias suportaram-se melhor por causa da companhia diária de outros blogues, de livros, de instantes, do sol e do mar. Mais do que nos jornais, na televisão ou mesmo em alguns livros e, de certeza, mais do que em muita gente, encontrei na blogosfera, nas pessoas (muitas que não conheço) por detrás dos blogues, mais "calor" dito "humano" do que na puta da "vida como ela é". Por isso, e apesar do que disse aqui, não resisto a "listar" os "cobloggers" que, em 2005, me foram imperdíveis, pelos motivos mais diversos: Abrupto, (O)Acidental, Almocreve das Petas, Anarca Constipado, Bicho Carpinteiro, Blasfémias, Bloguítica, Elba Everywhere, Esplanar, Da Literatura, Desfazedor de Rebanhos, (O) Jumento, Mar Salgado, Margens de Erro, Minha Rica Casinha, (A) Origem das Espécies, Quando o blog bate mais forte e Tugir.
3. "Somos crucificados pelos aborrecidos", escreve Vila-Matas, citando Cioran, esse magnífico transviado romeno em Paris. E continua, e eu com ele: "é mais que sabido que tanto Deus como o Diabo ultimamente têm dado mostras suficientes que não têm nada de perfeitos e sim de muito torpes, vemo-los chegar frequentemente tarde ao teatro das suas operações". Como o moribundo Imperador Adriano, de Marguerite Yourcenar, procuremos apenas entrar no novo ano de olhos abertos. Ámen.

"SOMOS CRUCIFICADOS PELOS ABORRECIDOS"


1. Apetecia-me terminar o ano, neste blogue, com os primeiros versos do "Inferno" de Dante: "Da nossa vida a meio da jornada,/Em tenebrosa selva me encontrei,/Perdido era o caminho verdadeiro./Como é, porém, penoso dizer qual/Era desta selva a braveza e a sombra./De que só a memória traz temor!" (na tradução de Fernanda Botelho). Ou com uma passagem do livro de Enrique Vila-Matas, Paris nunca se acaba: "Pensem quais podem ser as razões básicas para o desespero. Cada um de vocês terá as suas. Proponho-vos as minhas: a volubilidade do amor, a fragilidade do nosso corpo, a opressiva mesquinhez que domina a vida social, a trágica solidão em que no fundo todos vivemos, os reveses da amizade, a monotonia e a insensibilidade que andam associadas ao costume de viver." (na tradução de Jorge Fallorca).
2. Estes trezentos e sessenta e cinco dias suportaram-se melhor por causa da companhia diária de outros blogues, de livros, de instantes, do sol e do mar. Mais do que nos jornais, na televisão ou mesmo em alguns livros e, de certeza, mais do que em muita gente, encontrei na blogosfera, nas pessoas (muitas que não conheço) por detrás dos blogues, mais "calor" dito "humano" do que na puta da "vida como ela é". Por isso, e apesar do que disse aqui, não resisto a "listar" os "cobloggers" que, em 2005, me foram imperdíveis, pelos motivos mais diversos: Abrupto, (O)Acidental, Almocreve das Petas, Anarca Constipado, Bicho Carpinteiro, Blasfémias, Bloguítica, Elba Everywhere, Esplanar, Da Literatura, Desfazedor de Rebanhos, (O) Jumento, Mar Salgado, Margens de Erro, Minha Rica Casinha, (A) Origem das Espécies, Quando o blog bate mais forte e Tugir.
3. "Somos crucificados pelos aborrecidos", escreve Vila-Matas, citando Cioran, esse magnífico transviado romeno em Paris. E continua, e eu com ele: "é mais que sabido que tanto Deus como o Diabo ultimamente têm dado mostras suficientes que não têm nada de perfeitos e sim de muito torpes, vemo-los chegar frequentemente tarde ao teatro das suas operações". Como o moribundo Imperador Adriano, de Marguerite Yourcenar, procuremos apenas entrar no novo ano de olhos abertos. Ámen.

A RODA DO MILHÃO



A isto só se pode responder com isto.

A RODA DO MILHÃO



A isto só se pode responder com isto.

ANO A SABER A POUCO - 3



Agora vamos ao mais fácil, das coisas, pessoas e gestos de que não gostei em 2005, seguindo a sugestão de Constança Cunha e Sá. Não sei se é o caso dela, mas eu, com muita honra, pertenço ao clube dos pessimistas antropológicos. Não me considero propriamente "de direita", como os meus amigos de O Acidental, mas cada vez que vejo certas personagens a bater com a mão no peito e a jurarem pela "esquerda", tenho dúvidas. O meu estado normal é "contra mundum", apesar da frase que repito para mim mesmo, até à exaustão, de João Paulo II, o "meu" desaparecido do ano: "I hope against all hope". Detesto a minha profissão e às vezes gosto de me imaginar em Manhattan ou em Long Island (podia ser em Santarém ou noutra cidadezinha do interior) a tomar conta de uma biblioteca pública. Este ano, por causa de coisas, pessoas e gestos, a minha desconfiança para com o "próximo" que Deus e Ratzinger me mandam amar, aumentou. Tudo visto e ponderado:
  • a forma como as televisões "cobriram" a agonia do Papa Woytjila;
  • o ar, por vezes pesporrente, por vezes bimbo, de Fátima Campos Ferreira no "Prós e Contras" da RTP;
  • a dupla da SIC Notícias, ambos com um timbre anasalado, que costuma apresentar-se ao fim da tarde;
  • o Mário Crespo, quando, no "Jornal das Nove" da dita SIC Notícias começa "a falar para dentro" e a fazer "boquinhas";
  • o Ricardo Costa, quando lhe dá para pitonisa;
  • no tempo do governo Santana Lopes, os "comentários" dengosos de Luis Delgado e de Bettencourt Resendes;
  • no tempo da candidatura de Cavaco Silva, os comentários dengosos de Luis Delgado;
  • o "soarismo" retardado dos comentários de Luis Osório;
  • a ideia de "um país de eventos" do José Medeiros Ferreira;
  • a campanha de Manuel Maria Carrilho, Bárbara Guimarães incluída;
  • Ana Sousa Dias perante Marcelo Rebelo de Sousa;
  • Vitor Ramalho, o primeiro fervoroso "soarista" e o primeiro a querer desistir depois das autárquicas;
  • Helena Roseta, uma fiel inconstante;
  • os meus amigos "soaristas" que preferiram o "soarismo" à amizade, por causa de Soares e de Cavaco;
  • os comentários de António Vitorino na RTP;
  • António Vitorino, em geral;
  • Francisco Assis na campanha autárquica no Porto;
  • Fátima Felgueiras, a mal explicada autarca ex-socialista, nas suas idas e voltas;
  • Isaltino Morais, em geral;
  • Daniel Oliveira, do Bloco e do horrível "Eixo do Mal";
  • o dr. Louçã e a sua insuportável vaidade "religiosa";
  • a direcção do PSD, com excepção para a Paula Teixeira da Cruz;
  • as aparições de Santana Lopes que não consegue respeitar o "luto";
  • o líder da JP;
  • o Bernardino Soares, um jovem estalinista precocemente envelhecido;
  • a mania de "bater" no George W. Bush a torto e a direito, embora apeteça;
  • Júlio Machado Vaz, o sexólogo do regime;
  • o constitucionalismo coimbrão, sempre atento, venerando e obrigado desde os tempos do dr. Salazar até ao "terceiro" dr. Soares;
  • os juristas, classe a que eu, com manifesta infelicidade e com doses maçicas de Lexotan, pertenço;
  • os coletes reflectores nos automóveis e/ou a bandeira nacional;
  • os jipes, particularmente quando conduzidos por senhoras dentro da cidade, símbolos de uma sexualidade reprimida;
  • jogos de futebol perto de casa e adeptos com cachecóis;
  • os drs. Lino e Pinho, membros do actual governo;
  • a forma como Campos e Cunha foi tratado pelos seus colegas de governo e a sua saída intempestiva;
  • o dr. Jorge Lacão, em geral;
  • a OTA e o TGV;
  • a vacuidade do Plano Tecnológico;
  • o longo sono da "cultura";
  • o "Bilhete de Identidade", de Maria Filomena Mónica;
  • a publicidade histérica aos livros idiotas da Sra. Rowling;
  • o falso livro da D. Maria José Ritta;
  • a falsa reflexão sobre a candidatura, anunciada no verão pelo dr. Soares;
  • João Soares, em geral;
  • José Mourinho e treinadores de bola em geral, tais como um senhor holandês que passa a vida a falar um português "espanholado" e a repetir "o partido" a toda a hora;
  • os "provedores dos leitores" nos jornais;
  • Cavaco a "dar confiança" aos adversários;
  • Jorge Coelho na "Quadratura do Círculo";
  • telemóveis 3G (parece que é assim);
  • (pode ser que continue...)

ANO A SABER A POUCO - 3



Agora vamos ao mais fácil, das coisas, pessoas e gestos de que não gostei em 2005, seguindo a sugestão de Constança Cunha e Sá. Não sei se é o caso dela, mas eu, com muita honra, pertenço ao clube dos pessimistas antropológicos. Não me considero propriamente "de direita", como os meus amigos de O Acidental, mas cada vez que vejo certas personagens a bater com a mão no peito e a jurarem pela "esquerda", tenho dúvidas. O meu estado normal é "contra mundum", apesar da frase que repito para mim mesmo, até à exaustão, de João Paulo II, o "meu" desaparecido do ano: "I hope against all hope". Detesto a minha profissão e às vezes gosto de me imaginar em Manhattan ou em Long Island (podia ser em Santarém ou noutra cidadezinha do interior) a tomar conta de uma biblioteca pública. Este ano, por causa de coisas, pessoas e gestos, a minha desconfiança para com o "próximo" que Deus e Ratzinger me mandam amar, aumentou. Tudo visto e ponderado:
  • a forma como as televisões "cobriram" a agonia do Papa Woytjila;
  • o ar, por vezes pesporrente, por vezes bimbo, de Fátima Campos Ferreira no "Prós e Contras" da RTP;
  • a dupla da SIC Notícias, ambos com um timbre anasalado, que costuma apresentar-se ao fim da tarde;
  • o Mário Crespo, quando, no "Jornal das Nove" da dita SIC Notícias começa "a falar para dentro" e a fazer "boquinhas";
  • o Ricardo Costa, quando lhe dá para pitonisa;
  • no tempo do governo Santana Lopes, os "comentários" dengosos de Luis Delgado e de Bettencourt Resendes;
  • no tempo da candidatura de Cavaco Silva, os comentários dengosos de Luis Delgado;
  • o "soarismo" retardado dos comentários de Luis Osório;
  • a ideia de "um país de eventos" do José Medeiros Ferreira;
  • a campanha de Manuel Maria Carrilho, Bárbara Guimarães incluída;
  • Ana Sousa Dias perante Marcelo Rebelo de Sousa;
  • Vitor Ramalho, o primeiro fervoroso "soarista" e o primeiro a querer desistir depois das autárquicas;
  • Helena Roseta, uma fiel inconstante;
  • os meus amigos "soaristas" que preferiram o "soarismo" à amizade, por causa de Soares e de Cavaco;
  • os comentários de António Vitorino na RTP;
  • António Vitorino, em geral;
  • Francisco Assis na campanha autárquica no Porto;
  • Fátima Felgueiras, a mal explicada autarca ex-socialista, nas suas idas e voltas;
  • Isaltino Morais, em geral;
  • Daniel Oliveira, do Bloco e do horrível "Eixo do Mal";
  • o dr. Louçã e a sua insuportável vaidade "religiosa";
  • a direcção do PSD, com excepção para a Paula Teixeira da Cruz;
  • as aparições de Santana Lopes que não consegue respeitar o "luto";
  • o líder da JP;
  • o Bernardino Soares, um jovem estalinista precocemente envelhecido;
  • a mania de "bater" no George W. Bush a torto e a direito, embora apeteça;
  • Júlio Machado Vaz, o sexólogo do regime;
  • o constitucionalismo coimbrão, sempre atento, venerando e obrigado desde os tempos do dr. Salazar até ao "terceiro" dr. Soares;
  • os juristas, classe a que eu, com manifesta infelicidade e com doses maçicas de Lexotan, pertenço;
  • os coletes reflectores nos automóveis e/ou a bandeira nacional;
  • os jipes, particularmente quando conduzidos por senhoras dentro da cidade, símbolos de uma sexualidade reprimida;
  • jogos de futebol perto de casa e adeptos com cachecóis;
  • os drs. Lino e Pinho, membros do actual governo;
  • a forma como Campos e Cunha foi tratado pelos seus colegas de governo e a sua saída intempestiva;
  • o dr. Jorge Lacão, em geral;
  • a OTA e o TGV;
  • a vacuidade do Plano Tecnológico;
  • o longo sono da "cultura";
  • o "Bilhete de Identidade", de Maria Filomena Mónica;
  • a publicidade histérica aos livros idiotas da Sra. Rowling;
  • o falso livro da D. Maria José Ritta;
  • a falsa reflexão sobre a candidatura, anunciada no verão pelo dr. Soares;
  • João Soares, em geral;
  • José Mourinho e treinadores de bola em geral, tais como um senhor holandês que passa a vida a falar um português "espanholado" e a repetir "o partido" a toda a hora;
  • os "provedores dos leitores" nos jornais;
  • Cavaco a "dar confiança" aos adversários;
  • Jorge Coelho na "Quadratura do Círculo";
  • telemóveis 3G (parece que é assim);
  • (pode ser que continue...)

30.12.05

ANO A SABER A POUCO - 2



Voltemos ao "balanço". Tenho, em relação a este ano, a "sensação" do Pessoa deste verso: "a Verdade nem veio nem se foi/o Erro mudou". Procuro nos livros, esses amigos verdadeiros e silenciosos, o que me falta na "condição humana". Leio e releio. Há autores a que volto constantemente, ano após ano. Ao mal amado Henry Miller e a um livrinho descoberto na Barnes & Noble da 5ª Avenida, com as mãos a cheirar a mostarda de "hot-dog", "Stand Still Like The Hummingbird", de 1962. A Gore Vidal, nas suas memórias (Palimpsest) e aos ensaios reunidos no "United States". Ao Cioran, das "Entretiens" ou ao "Le Rideau" de Milan Kundera, editado em 2005. Ao "Honourable Schoolboy" de John Le Carré ou, também deste ano, "Rousseau e outros cinco inimigos da liberdade", de Isaiah Berlin. Aos livros do Steiner, qualquer um, ou a Harold Bloom, "How shall wisdom be found'", escrito depois da doença o ter farejado. Mas há mais:
  • os artigos de Mario Vargas Llosa para o El Pais, com tradução (por vezes sofrível) no DNA;
  • o "Inimigo Público" do "Público" que consegue, tantas vezes, pôr-me a chorar a rir;
  • o fim da "política à portuguesa" do arquitecto Saraiva;
  • a "Sociedade Aberta", com Mário Soares e António José Teixeira, até ao programa em que Soares "fingiu" que estava num "período de reflexão"
  • o Rogério Alves, meu amigo de sempre, para Bastonário da Ordem dos Advogados;
  • um número da "Sábado" em que Cavaco aparecia na capa de óculos escuros, de calções de banho e de sapatos de vela, no Brasil;
  • "O sexo e a cidade", de Candace Bushnell, lido praticamente no meio de gente nua na praia, entre mergulhos e passeios à beira-mar com calções de banho;
  • "Catarina, a Grande", de Isabel de Madariaga, levado para um fim-de-semana prolongado num hotel em Porches, junto ao mar;
  • uma biografia de Mao, "o imperador das formigas azuis", da "Ulisseia", descoberta num alfarrabista no Cais do Sodré;
  • a entrevista do Luíz Pacheco ao João Pedro George no "Esplanar";
  • a expressão do Pacheco, "qualquer coisa ou pessoa vista pelo olho do cu", tirada do "Diário Remendado" e que se aplica a tantas coisas e a tantas pessoas;
  • as laranjas do Algarve compradas no meio da EN 125;
  • os bolos de amêndoa da "Casa Inglesa" de Portimão;
  • os almoços solitários ao balcão da "Cervejeira Lusitana";
  • a santola e o vinho verde com que comecei o ano, sozinho, a ver o horrível "Tróia" com o ainda mais horrível Brad Pitt, em versão musculada;
  • a descida às caves da "Celta Editores" numa tarde em que me apeteceu comprar todos os livros de Carlo M. Cipolla, por causa das suas "leis fundamentais da estupidez humana" (não tenho a certeza que tenha sido este ano...);
  • as FNACS com os seus cafés e os seus leitores, mesmo os da banda desenhada;
  • o livro dos "Poemas" de Kavafis, traduzidos pelo Joaquim Manuel Magalhães, depois do jovem poeta Vasco Gato ter ficado com os meus primeiros;
  • o prazer de fazer o "Portugal dos Pequeninos", de escrever noutros blogues e de ler os "cobloggers";
  • sentir, todas as manhãs, o "Bruno", o meu labrador retriever, à porta do meu quarto.

ANO A SABER A POUCO - 2



Voltemos ao "balanço". Tenho, em relação a este ano, a "sensação" do Pessoa deste verso: "a Verdade nem veio nem se foi/o Erro mudou". Procuro nos livros, esses amigos verdadeiros e silenciosos, o que me falta na "condição humana". Leio e releio. Há autores a que volto constantemente, ano após ano. Ao mal amado Henry Miller e a um livrinho descoberto na Barnes & Noble da 5ª Avenida, com as mãos a cheirar a mostarda de "hot-dog", "Stand Still Like The Hummingbird", de 1962. A Gore Vidal, nas suas memórias (Palimpsest) e aos ensaios reunidos no "United States". Ao Cioran, das "Entretiens" ou ao "Le Rideau" de Milan Kundera, editado em 2005. Ao "Honourable Schoolboy" de John Le Carré ou, também deste ano, "Rousseau e outros cinco inimigos da liberdade", de Isaiah Berlin. Aos livros do Steiner, qualquer um, ou a Harold Bloom, "How shall wisdom be found'", escrito depois da doença o ter farejado. Mas há mais:
  • os artigos de Mario Vargas Llosa para o El Pais, com tradução (por vezes sofrível) no DNA;
  • o "Inimigo Público" do "Público" que consegue, tantas vezes, pôr-me a chorar a rir;
  • o fim da "política à portuguesa" do arquitecto Saraiva;
  • a "Sociedade Aberta", com Mário Soares e António José Teixeira, até ao programa em que Soares "fingiu" que estava num "período de reflexão"
  • o Rogério Alves, meu amigo de sempre, para Bastonário da Ordem dos Advogados;
  • um número da "Sábado" em que Cavaco aparecia na capa de óculos escuros, de calções de banho e de sapatos de vela, no Brasil;
  • "O sexo e a cidade", de Candace Bushnell, lido praticamente no meio de gente nua na praia, entre mergulhos e passeios à beira-mar com calções de banho;
  • "Catarina, a Grande", de Isabel de Madariaga, levado para um fim-de-semana prolongado num hotel em Porches, junto ao mar;
  • uma biografia de Mao, "o imperador das formigas azuis", da "Ulisseia", descoberta num alfarrabista no Cais do Sodré;
  • a entrevista do Luíz Pacheco ao João Pedro George no "Esplanar";
  • a expressão do Pacheco, "qualquer coisa ou pessoa vista pelo olho do cu", tirada do "Diário Remendado" e que se aplica a tantas coisas e a tantas pessoas;
  • as laranjas do Algarve compradas no meio da EN 125;
  • os bolos de amêndoa da "Casa Inglesa" de Portimão;
  • os almoços solitários ao balcão da "Cervejeira Lusitana";
  • a santola e o vinho verde com que comecei o ano, sozinho, a ver o horrível "Tróia" com o ainda mais horrível Brad Pitt, em versão musculada;
  • a descida às caves da "Celta Editores" numa tarde em que me apeteceu comprar todos os livros de Carlo M. Cipolla, por causa das suas "leis fundamentais da estupidez humana" (não tenho a certeza que tenha sido este ano...);
  • as FNACS com os seus cafés e os seus leitores, mesmo os da banda desenhada;
  • o livro dos "Poemas" de Kavafis, traduzidos pelo Joaquim Manuel Magalhães, depois do jovem poeta Vasco Gato ter ficado com os meus primeiros;
  • o prazer de fazer o "Portugal dos Pequeninos", de escrever noutros blogues e de ler os "cobloggers";
  • sentir, todas as manhãs, o "Bruno", o meu labrador retriever, à porta do meu quarto.

EU TAMBÉM...

...não acredito.

EU TAMBÉM...

...não acredito.

"A FALTA DE ISENÇÃO"

Durante anos a fio, Soares andou literalmente ao colo da comunicação social e esta ao colo de Soares. A reconciliação definitiva deu-se quando Soares ascendeu a Belém e, a partir dali, teceu uma minuciosa teia de cumplicidades com a classe jornalística ou grande parte dela. Não houve nenhum "jornalista" que se prezasse que não se tivesse babado, nem que por uns míseros instantes, para cima de Soares e Soares para cima dele. Um pouco como nós, vulgares mortais, que não conseguimos "fugir" ao "encanto" soarista, nem que seja uma vez na vida. Agora Soares deu em queixar-se da dita comunicação social - que supostamente anda a dar alguém como vencedor antecipado das presidencias - e da sua "falta de independência e de isenção". Esta encenação faz parte do processo de dramatização da campanha que vai seguir-se até ao fim e que é essencial à estratégia de Soares. Tal como o é a exigência de mais debates por causa do estimável dr. Garcia Pereira. Se Soares tem "crescido" nas intenções de voto, bem pode agradecer à comunicação social, particularmente às televisões, que ainda só não o acompanharam à casa de banho. Ou seja, a velha cumplicidade continua, só que de uma forma difusa, "servida" pontualmente à medida dos interesses do candidato. É claro que Soares não dispôe agora da mesma beatitude do passado pela circunstância de a dita comunicação social tender "a seguir" a "moda" e, sobretudo, quem muito provavelmente virá a mandar. É a percepção disto que irrita Soares, e não a falsa questão de "falta de independência e de isenção". Pedro Santana Lopes foi o último a queixar-se destas mesmas "dores". Valeu a pena?

"A FALTA DE ISENÇÃO"

Durante anos a fio, Soares andou literalmente ao colo da comunicação social e esta ao colo de Soares. A reconciliação definitiva deu-se quando Soares ascendeu a Belém e, a partir dali, teceu uma minuciosa teia de cumplicidades com a classe jornalística ou grande parte dela. Não houve nenhum "jornalista" que se prezasse que não se tivesse babado, nem que por uns míseros instantes, para cima de Soares e Soares para cima dele. Um pouco como nós, vulgares mortais, que não conseguimos "fugir" ao "encanto" soarista, nem que seja uma vez na vida. Agora Soares deu em queixar-se da dita comunicação social - que supostamente anda a dar alguém como vencedor antecipado das presidencias - e da sua "falta de independência e de isenção". Esta encenação faz parte do processo de dramatização da campanha que vai seguir-se até ao fim e que é essencial à estratégia de Soares. Tal como o é a exigência de mais debates por causa do estimável dr. Garcia Pereira. Se Soares tem "crescido" nas intenções de voto, bem pode agradecer à comunicação social, particularmente às televisões, que ainda só não o acompanharam à casa de banho. Ou seja, a velha cumplicidade continua, só que de uma forma difusa, "servida" pontualmente à medida dos interesses do candidato. É claro que Soares não dispôe agora da mesma beatitude do passado pela circunstância de a dita comunicação social tender "a seguir" a "moda" e, sobretudo, quem muito provavelmente virá a mandar. É a percepção disto que irrita Soares, e não a falsa questão de "falta de independência e de isenção". Pedro Santana Lopes foi o último a queixar-se destas mesmas "dores". Valeu a pena?

TUDO EM FAMÍLIA


Este "regime", à semelhança do do dr. Salazar e, episodicamente, do Prof. Marcello, tem os seus bonzos e lugares-tenentes. Por delicadeza e esforço cristão, tenho-lhes chamado "transversais", ou seja, uma espécie de híbrido intelectual maleável e, como agora se diz, "consensual". Fraústo da Silva e António Mega Ferreira fazem parte desta vetusta casta que o "regime" produziu e, por isso, são intermitentemente chamados ao altar da Pátria. Fraústo já foi ministro e vagueia entre o PS e o PSD, razão pela qual Mário Soares o foi buscar para seu mandatário nas duas únicas candidaturas moderadas que protagonizou, em 86 e 91. Mega é mais sofisticado. Lê, escreve, comenta e parece que percebe de "equipamentos culturais". Esteve com Zenha contra Soares, em 86, e agora é da comissão política do ex-presidente. Aos poucos, embora sem hostilizar excessivamente o PSD, tornou-se num vigoroso compagnon de route do PS, acabando como o grande soba da Expo 98. Apesar de, desta vez, o altar ser relativamente modesto e praticamente falido - o CCB -, o certo é que a respectiva gerência não passa despercebida a nenhum poder político. Parece que Sócrates, que acumula as funções de ministro da Cultura, quer - muito legitimamente, aliás - remover Fraústo para o trocar por Mega Ferreira. Fraústo, que se imagina subtil e um "fazedor" cultural, já fez constar que não se demite. Quando muito, e se quiserem, que o demitam. Tem mandato até 2007 e só a partir dessa data é que admite a "genialidade" de Mega à frente dos destinos do CCB. Este pífio episódio é revelador do espírito de capela que preside a estas coisas. São sempre os mesmos, ou os mesmos contrários, que velam pela nossa "maturidade" cultural e pela maravilhosa gestão dos "equipamentos" ditos "culturais". Saem de um lado e entram no outro, e vice-versa. É por isso que, entre nós, a "cultura" medra pouco. Raramente passa de uma picardia grotesca entre compadres e comadres, tudo em família.

TUDO EM FAMÍLIA


Este "regime", à semelhança do do dr. Salazar e, episodicamente, do Prof. Marcello, tem os seus bonzos e lugares-tenentes. Por delicadeza e esforço cristão, tenho-lhes chamado "transversais", ou seja, uma espécie de híbrido intelectual maleável e, como agora se diz, "consensual". Fraústo da Silva e António Mega Ferreira fazem parte desta vetusta casta que o "regime" produziu e, por isso, são intermitentemente chamados ao altar da Pátria. Fraústo já foi ministro e vagueia entre o PS e o PSD, razão pela qual Mário Soares o foi buscar para seu mandatário nas duas únicas candidaturas moderadas que protagonizou, em 86 e 91. Mega é mais sofisticado. Lê, escreve, comenta e parece que percebe de "equipamentos culturais". Esteve com Zenha contra Soares, em 86, e agora é da comissão política do ex-presidente. Aos poucos, embora sem hostilizar excessivamente o PSD, tornou-se num vigoroso compagnon de route do PS, acabando como o grande soba da Expo 98. Apesar de, desta vez, o altar ser relativamente modesto e praticamente falido - o CCB -, o certo é que a respectiva gerência não passa despercebida a nenhum poder político. Parece que Sócrates, que acumula as funções de ministro da Cultura, quer - muito legitimamente, aliás - remover Fraústo para o trocar por Mega Ferreira. Fraústo, que se imagina subtil e um "fazedor" cultural, já fez constar que não se demite. Quando muito, e se quiserem, que o demitam. Tem mandato até 2007 e só a partir dessa data é que admite a "genialidade" de Mega à frente dos destinos do CCB. Este pífio episódio é revelador do espírito de capela que preside a estas coisas. São sempre os mesmos, ou os mesmos contrários, que velam pela nossa "maturidade" cultural e pela maravilhosa gestão dos "equipamentos" ditos "culturais". Saem de um lado e entram no outro, e vice-versa. É por isso que, entre nós, a "cultura" medra pouco. Raramente passa de uma picardia grotesca entre compadres e comadres, tudo em família.

A "INSTABILIDADE"

Nos idos de oitenta, por causa da recandidatura de Eanes, berrou-se a plenos pulmões contra o homem por causa da "instabilidade" e foram previstos vários cataclismos no caso de ele ficar. Eanes ganhou contra e apesar desses timoratos e desses profetas. A AD chegou ao fim pelas suas próprias mãos, graças à inépcia de Balsemão e à ambição presidencial de Freitas do Amaral. Depois veio o "bloco central" que pastoreou o país até à emergência de Cavaco na Figueira. Em 1986, o mesmo Eanes, com Zenha, e Cavaco, com Freitas, andaram pelo país a pregar a "instabilidade" se Soares alcançasse Belém. Soares ganhou e a "instabilidade" desvaneceu-se nas duas maiorias absolutas de Cavaco, malgré um segundo mandato mais "picante". Em 1996, Cavaco tentou explicar ao país que Sampaio era demasiado "esquerdista", logo, um potencial factor de "instabilidade". Sampaio ganhou e, quer Guterres, quer Barroso, só não fizeram mais porque eram pura e simplesmente incompetentes. O único acesso de "instabilidade", Santana Lopes, durou uns meses e morreu por causa do próprio. Sampaio, agora de saída, mostrou, afinal, que não passava de um português suave, previsível e "estável". Para 2006, a "esquerda" quer pôr Cavaco, desta vez, no lugar da "instabilidade". Sócrates já deu provas suficientes de que não é alguém fácil de "desestabilizar" e, prudentemente, deixou a candidatura de Soares a falar sozinha contra um Cavaco pseudo-activo e "governamentalista". Não será assim até ao fim da campanha, mas não será certamente muito mais. Se for, significa que não serviram para nada os exemplos dos últimos anos. É que todos os tremendismos anunciados e todos os regabofes prometidos à conta da "instabilidade" foram sempre e amplamente derrotados nas urnas. É só consultar os arquivos.

A "INSTABILIDADE"

Nos idos de oitenta, por causa da recandidatura de Eanes, berrou-se a plenos pulmões contra o homem por causa da "instabilidade" e foram previstos vários cataclismos no caso de ele ficar. Eanes ganhou contra e apesar desses timoratos e desses profetas. A AD chegou ao fim pelas suas próprias mãos, graças à inépcia de Balsemão e à ambição presidencial de Freitas do Amaral. Depois veio o "bloco central" que pastoreou o país até à emergência de Cavaco na Figueira. Em 1986, o mesmo Eanes, com Zenha, e Cavaco, com Freitas, andaram pelo país a pregar a "instabilidade" se Soares alcançasse Belém. Soares ganhou e a "instabilidade" desvaneceu-se nas duas maiorias absolutas de Cavaco, malgré um segundo mandato mais "picante". Em 1996, Cavaco tentou explicar ao país que Sampaio era demasiado "esquerdista", logo, um potencial factor de "instabilidade". Sampaio ganhou e, quer Guterres, quer Barroso, só não fizeram mais porque eram pura e simplesmente incompetentes. O único acesso de "instabilidade", Santana Lopes, durou uns meses e morreu por causa do próprio. Sampaio, agora de saída, mostrou, afinal, que não passava de um português suave, previsível e "estável". Para 2006, a "esquerda" quer pôr Cavaco, desta vez, no lugar da "instabilidade". Sócrates já deu provas suficientes de que não é alguém fácil de "desestabilizar" e, prudentemente, deixou a candidatura de Soares a falar sozinha contra um Cavaco pseudo-activo e "governamentalista". Não será assim até ao fim da campanha, mas não será certamente muito mais. Se for, significa que não serviram para nada os exemplos dos últimos anos. É que todos os tremendismos anunciados e todos os regabofes prometidos à conta da "instabilidade" foram sempre e amplamente derrotados nas urnas. É só consultar os arquivos.

"PÔR ISTO MELHORZINHO"

Esta “independência” é diferente das anteriores. Aproveitei um texto de um leitor, o António Leite-Matos, que estuda “Comunicação Social e Cultural” na Universidade Católica. Ele é “destes tempos” e doutra geração. Tem, porém, a noção de que o ano que começa depois de amanhã não vai ser fácil, mas pode ter um início politicamente auspicioso. As palavras do António falam disso, de ajudar a “pôr isto melhorzinho”. Eu tenho chamado a atenção para a questão da credibilidade e para a necessidade de fazer o que tem de ser feito, algo que é caro, com maior ou menor felicidade, a José Sócrates. Foi esse o sentido do voto das legislativas de Fevereiro último e será esse, provavelmente, o sentido da eleição presidencial de Janeiro. Pelos vistos, eu e o António concordamos numa coisa. A escolha do próximo Chefe de Estado não é um mero voto “partidário” ou uma escolha “mole”. É mesmo para valer. ”No último dia deste ano há que pensar em contrariar a rotina domingueira em que se gosta de viver durante a semana. Adoptado o espírito, há que não perder tempo e pensar a sério num presidente sério. Os dois candidatos não elegíveis conseguirão os seus votos tradicionais ou os cedentes à demagogia e a alguma hipocrisia. Dentro da violência doméstica, assistir-se-á ao até agora inverosímil mau fim do dr. Soares e a uma digerível participação do dr. Alegre no que ao exercício da cordialidade diz respeito. Não tenho dúvidas quanto à cara do próximo retrato a pregar na salinha à esquerda da entrada de Belém, seja a confirmação dada a 22 de Janeiro ou dias depois. No dia em que estiver eleito o dr. Cavaco Silva, Sócrates poderá animar-se. Por um lado, contará com a cooperação de um homem sério, por outro poderá ver nascer frutos das meras boas intenções de que o seu governo de grand vitesse está cheio. Não tenho dúvidas de que é preciso votar em Cavaco Silva e na sua objectividade para que exista uma opinião equilibrante e uma vontade atávica de pôr “isto” melhorzinho.” Boas entradas.

No Independente de hoje

"PÔR ISTO MELHORZINHO"

Esta “independência” é diferente das anteriores. Aproveitei um texto de um leitor, o António Leite-Matos, que estuda “Comunicação Social e Cultural” na Universidade Católica. Ele é “destes tempos” e doutra geração. Tem, porém, a noção de que o ano que começa depois de amanhã não vai ser fácil, mas pode ter um início politicamente auspicioso. As palavras do António falam disso, de ajudar a “pôr isto melhorzinho”. Eu tenho chamado a atenção para a questão da credibilidade e para a necessidade de fazer o que tem de ser feito, algo que é caro, com maior ou menor felicidade, a José Sócrates. Foi esse o sentido do voto das legislativas de Fevereiro último e será esse, provavelmente, o sentido da eleição presidencial de Janeiro. Pelos vistos, eu e o António concordamos numa coisa. A escolha do próximo Chefe de Estado não é um mero voto “partidário” ou uma escolha “mole”. É mesmo para valer. ”No último dia deste ano há que pensar em contrariar a rotina domingueira em que se gosta de viver durante a semana. Adoptado o espírito, há que não perder tempo e pensar a sério num presidente sério. Os dois candidatos não elegíveis conseguirão os seus votos tradicionais ou os cedentes à demagogia e a alguma hipocrisia. Dentro da violência doméstica, assistir-se-á ao até agora inverosímil mau fim do dr. Soares e a uma digerível participação do dr. Alegre no que ao exercício da cordialidade diz respeito. Não tenho dúvidas quanto à cara do próximo retrato a pregar na salinha à esquerda da entrada de Belém, seja a confirmação dada a 22 de Janeiro ou dias depois. No dia em que estiver eleito o dr. Cavaco Silva, Sócrates poderá animar-se. Por um lado, contará com a cooperação de um homem sério, por outro poderá ver nascer frutos das meras boas intenções de que o seu governo de grand vitesse está cheio. Não tenho dúvidas de que é preciso votar em Cavaco Silva e na sua objectividade para que exista uma opinião equilibrante e uma vontade atávica de pôr “isto” melhorzinho.” Boas entradas.

No Independente de hoje

29.12.05

SEM HESITAÇÕES

Ontem, na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, Jorge Coelho, o voluntarista de serviço do PS, expendeu uma tese curiosa sobre o destino aparente dos votos do "centro-esquerda" nas presidenciais. Segundo ele, este eleitorado que terá dado a maioria absoluta a Sócrates em Fevereiro, anda agora indeciso entre os candidatos do PS, designadamente Soares, e Cavaco Silva. Porém, como Coelho acha que "Cavaco está a descer" e que depois do episódio gravíssimo da secretaria de Estado o tal eleitorado terá ficado "assustado" com a perspectiva de um presidente "interventor" e "crispado" (sic), tudo aponta para a transferência de tamanha indignação para o dr. Mário Soares, o "estabilizador". Percebe-se o "whisful thinking" de Jorge Coelho. Contudo e com o devido respeito, deve recordar-se a Coelho duas ou três coisas. Em primeiro lugar, o tal eleitorado que votou no PS e que lhe deu a maioria absoluta, veio tanto do "centro-esquerda" como do "centro-direita". Rejeitou primariamente Santana Lopes e apostou no "social-democrata" Sócrates. Numa palavra, queria rigor e um módico de credibilidade nas instituições. Em segundo lugar, este eleitorado desconfia, por natureza, da bondade da candidatura de Mário Soares e, de certeza, não encontra nela o paralelo rigor - agora, "presidencial" - que o levou a optar por Sócrates. A prova disso anda nos "estudos" e "sondagens" nos quais, mesmo nas melhores hipóteses, Soares não chega a metade das intenções de voto manifestadas a Sócrates. Finalmente, a sensibilidade desse eleitorado, claramente preocupado como o futuro imediato e com a chamada "vida material", não é surpreendível pelos "contos de terror" anunciados pelas candidaturas ditas de "esquerda", a começar pela de Soares. A isso, preferirá sempre aquele que lhe garanta, se possível, ainda mais rigor e mais segurança. Dito de outra maneira, alguém que, sem abdicar da sua legitimidade democrática, não faça ao engº Sócrates aquilo que Soares andou, no último mandato, alegremente a fazer ao primeiro-ministro a partir dos jardins de Belém. Ou seja, em matéria de credibilidade e de confiança, esse eleitorado que tanto entusiasma Jorge Coelho, não deverá hesitar.

SEM HESITAÇÕES

Ontem, na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, Jorge Coelho, o voluntarista de serviço do PS, expendeu uma tese curiosa sobre o destino aparente dos votos do "centro-esquerda" nas presidenciais. Segundo ele, este eleitorado que terá dado a maioria absoluta a Sócrates em Fevereiro, anda agora indeciso entre os candidatos do PS, designadamente Soares, e Cavaco Silva. Porém, como Coelho acha que "Cavaco está a descer" e que depois do episódio gravíssimo da secretaria de Estado o tal eleitorado terá ficado "assustado" com a perspectiva de um presidente "interventor" e "crispado" (sic), tudo aponta para a transferência de tamanha indignação para o dr. Mário Soares, o "estabilizador". Percebe-se o "whisful thinking" de Jorge Coelho. Contudo e com o devido respeito, deve recordar-se a Coelho duas ou três coisas. Em primeiro lugar, o tal eleitorado que votou no PS e que lhe deu a maioria absoluta, veio tanto do "centro-esquerda" como do "centro-direita". Rejeitou primariamente Santana Lopes e apostou no "social-democrata" Sócrates. Numa palavra, queria rigor e um módico de credibilidade nas instituições. Em segundo lugar, este eleitorado desconfia, por natureza, da bondade da candidatura de Mário Soares e, de certeza, não encontra nela o paralelo rigor - agora, "presidencial" - que o levou a optar por Sócrates. A prova disso anda nos "estudos" e "sondagens" nos quais, mesmo nas melhores hipóteses, Soares não chega a metade das intenções de voto manifestadas a Sócrates. Finalmente, a sensibilidade desse eleitorado, claramente preocupado como o futuro imediato e com a chamada "vida material", não é surpreendível pelos "contos de terror" anunciados pelas candidaturas ditas de "esquerda", a começar pela de Soares. A isso, preferirá sempre aquele que lhe garanta, se possível, ainda mais rigor e mais segurança. Dito de outra maneira, alguém que, sem abdicar da sua legitimidade democrática, não faça ao engº Sócrates aquilo que Soares andou, no último mandato, alegremente a fazer ao primeiro-ministro a partir dos jardins de Belém. Ou seja, em matéria de credibilidade e de confiança, esse eleitorado que tanto entusiasma Jorge Coelho, não deverá hesitar.

ANO A SABER A POUCO - 1



Começou - e estou só a falar dos blogues que "visito" com frequência - com o Francisco José Viegas. Ele chama-lhe "balanços" e, como escreve maravilhosamente, eu fico com uma ligeira inveja de não poder fazer "balanços" daqueles. Depois Medeiros Ferreira lembrou-se de gente de quem "gostou" em 2005. Constança Cunha e Sá, recém-chegada à blogosfera, pegou no exemplo de MF e, tal como eu, sem agenda, relembrou coisas que lhe agradaram no ano. Uma delas, perdoe-se a menção, foi este esforçado blogue que, mais dia menos dia, se deverá "diluir" noutro qualquer a mais mãos (aceito ofertas). Talvez reforçado na minha miserável "auto-estima" (um termo que abomino), e citando de memória, aí vão algumas das coisas, gestos, pessoas, etc, que verdadeiramente me consolaram (e a minha necessidade de "consolo" é idêntica à do malogrado Stig Dagerman, "impossível de satisfazer") neste ano a saber a pouco.
  • blogues: os meus mais "amados" estão na lista da direita, onde deixei ficar alguns que já não estão no activo, se bem que, por causa da estúpida política, tivesse deixado de prestar a mesma atenção a outros que vou citando por aqui;
  • o disco dos "Humanos" com inéditos do António Variações;
  • os filmes "Million Dollar Baby", "A queda", "O fiel jardineiro";
  • a vitória de Sócrates;
  • as candidaturas presidenciais de Cavaco Silva e de Mário Soares;
  • a maioria absoluta de Rui Rio no Porto;
  • Maria José Nogueira Pinto na CML;
  • Jerónimo de Sousa nas autárquicas;
  • Lobo Xavier na Quadratura do Círculo e Marcelo Rebelo de Sousa na RTP 1 (tem dias);
  • Bento XVI;
  • o "não" francês;
  • canal Fox Life, da pindérica TV Cabo;
  • séries "Donas de Casa Desesperadas", "Sexo e a Cidade", "Will and Grace", "Nip Tuck", "Sete palmos de terra", "The L World";
  • as crónicas semanais de Vasco Pulido Valente, as intermitentes de Maria de Fátima Bonifácio, da Ana Sá Lopes (tem dias), da Helena Matos, do Miguel Sousa Tavares, da Constança Cunha e Sá, do José Pacheco Pereira, do Manuel de Lucena, do José Medeiros Ferreira, do Rui Ramos (tem dias), do Pedro Lomba, O Independente, perdoe-se a publicidade;
  • os livros de Pietro Citati sobre a Odisseia e sobre religião, "A história secreta", de Donna Tartt, o "Diário Remendado" do Luiz Pacheco, o "Cunhal -3", do Pacheco Pereira, "o "Longe de Manaus", do Francisco José Viegas, "O sal da terra", de Ratzinger, "The Plot against America", do Roth, Paris nunca se acaba, de Enrique Vila-Matas, Memórias das minhas putas tristes, de Gabriel Gracia Marquez, "Romana", antologia de cultura latina, de Maria Helena da Rocha Pereira;
  • uma sms de meados de Agosto, seguida de cerca de oito a nove horas de outras tantas;
  • umas conversas telefónicas madrugada adentro;
  • uma espreguiçadeira no Vau ;
  • três dias no Burgau;
  • peixe "escalado" em Portimão;
  • a poesia do Joaquim Manuel Magalhães e as suas "Algumas Palavras" no Expresso;
  • as ondas do Algarve, do Guincho e da Caparica;
  • António Lagarto e o Teatro Nacional D. Maria II;
  • um almoço e uma incógnita com Isabel Pires de Lima;
  • (continua...)

ANO A SABER A POUCO - 1



Começou - e estou só a falar dos blogues que "visito" com frequência - com o Francisco José Viegas. Ele chama-lhe "balanços" e, como escreve maravilhosamente, eu fico com uma ligeira inveja de não poder fazer "balanços" daqueles. Depois Medeiros Ferreira lembrou-se de gente de quem "gostou" em 2005. Constança Cunha e Sá, recém-chegada à blogosfera, pegou no exemplo de MF e, tal como eu, sem agenda, relembrou coisas que lhe agradaram no ano. Uma delas, perdoe-se a menção, foi este esforçado blogue que, mais dia menos dia, se deverá "diluir" noutro qualquer a mais mãos (aceito ofertas). Talvez reforçado na minha miserável "auto-estima" (um termo que abomino), e citando de memória, aí vão algumas das coisas, gestos, pessoas, etc, que verdadeiramente me consolaram (e a minha necessidade de "consolo" é idêntica à do malogrado Stig Dagerman, "impossível de satisfazer") neste ano a saber a pouco.
  • blogues: os meus mais "amados" estão na lista da direita, onde deixei ficar alguns que já não estão no activo, se bem que, por causa da estúpida política, tivesse deixado de prestar a mesma atenção a outros que vou citando por aqui;
  • o disco dos "Humanos" com inéditos do António Variações;
  • os filmes "Million Dollar Baby", "A queda", "O fiel jardineiro";
  • a vitória de Sócrates;
  • as candidaturas presidenciais de Cavaco Silva e de Mário Soares;
  • a maioria absoluta de Rui Rio no Porto;
  • Maria José Nogueira Pinto na CML;
  • Jerónimo de Sousa nas autárquicas;
  • Lobo Xavier na Quadratura do Círculo e Marcelo Rebelo de Sousa na RTP 1 (tem dias);
  • Bento XVI;
  • o "não" francês;
  • canal Fox Life, da pindérica TV Cabo;
  • séries "Donas de Casa Desesperadas", "Sexo e a Cidade", "Will and Grace", "Nip Tuck", "Sete palmos de terra", "The L World";
  • as crónicas semanais de Vasco Pulido Valente, as intermitentes de Maria de Fátima Bonifácio, da Ana Sá Lopes (tem dias), da Helena Matos, do Miguel Sousa Tavares, da Constança Cunha e Sá, do José Pacheco Pereira, do Manuel de Lucena, do José Medeiros Ferreira, do Rui Ramos (tem dias), do Pedro Lomba, O Independente, perdoe-se a publicidade;
  • os livros de Pietro Citati sobre a Odisseia e sobre religião, "A história secreta", de Donna Tartt, o "Diário Remendado" do Luiz Pacheco, o "Cunhal -3", do Pacheco Pereira, "o "Longe de Manaus", do Francisco José Viegas, "O sal da terra", de Ratzinger, "The Plot against America", do Roth, Paris nunca se acaba, de Enrique Vila-Matas, Memórias das minhas putas tristes, de Gabriel Gracia Marquez, "Romana", antologia de cultura latina, de Maria Helena da Rocha Pereira;
  • uma sms de meados de Agosto, seguida de cerca de oito a nove horas de outras tantas;
  • umas conversas telefónicas madrugada adentro;
  • uma espreguiçadeira no Vau ;
  • três dias no Burgau;
  • peixe "escalado" em Portimão;
  • a poesia do Joaquim Manuel Magalhães e as suas "Algumas Palavras" no Expresso;
  • as ondas do Algarve, do Guincho e da Caparica;
  • António Lagarto e o Teatro Nacional D. Maria II;
  • um almoço e uma incógnita com Isabel Pires de Lima;
  • (continua...)

LER...

... no Pulo do Lobo, A Mistificação, por Pedro Lomba.

LER...

... no Pulo do Lobo, A Mistificação, por Pedro Lomba.

A APOSTA NO MEDO

"O que a candidatura de Cavaco (para temor de soaristas e de cavaquistas) vem fazer, no fundo, independentemente de si mesmo, é interromper um ciclo conservador onde o "republicanismo" se sobrepõe aos "valores republicanos" e onde as manobras de bastidor são sempre mais importantes do que a clareza das ideias que se exprimem. Ao acusarem Cavaco de todas as ignomínias apenas porque ele se limitou a sugerir uma medida da mais elementar eficácia governativa (que ninguém discutiu, de resto), os seus adversários apressaram-se a acenar com banalidades e com a existência de "indícios", mostrando claramente o seu jogo: a aposta no medo. A penosa campanha eleitoral em curso, longa demais, mostrará até ao fim esse tom de dramatização e de perseguição populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. Não o medo de Cavaco, mas o medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. De dedinho espetado, indignado, esse medo é que é perigoso e reaccionário. E, além do mais, pretende fazer dos portugueses gente sem discernimento ou inteligência."

Francisco José Viegas, Jornal de Notícias

A APOSTA NO MEDO

"O que a candidatura de Cavaco (para temor de soaristas e de cavaquistas) vem fazer, no fundo, independentemente de si mesmo, é interromper um ciclo conservador onde o "republicanismo" se sobrepõe aos "valores republicanos" e onde as manobras de bastidor são sempre mais importantes do que a clareza das ideias que se exprimem. Ao acusarem Cavaco de todas as ignomínias apenas porque ele se limitou a sugerir uma medida da mais elementar eficácia governativa (que ninguém discutiu, de resto), os seus adversários apressaram-se a acenar com banalidades e com a existência de "indícios", mostrando claramente o seu jogo: a aposta no medo. A penosa campanha eleitoral em curso, longa demais, mostrará até ao fim esse tom de dramatização e de perseguição populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. Não o medo de Cavaco, mas o medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. De dedinho espetado, indignado, esse medo é que é perigoso e reaccionário. E, além do mais, pretende fazer dos portugueses gente sem discernimento ou inteligência."

Francisco José Viegas, Jornal de Notícias

DESCONSTRUÇÃO

DESCONSTRUÇÃO

UM "CHOQUE" TECNOLÓGICO

A propósito do "plano tecnológico", o leitor João Melo enviou o seguinte texto:
"Realmente o seu post sobre o plano técnológico dá que pensar. Bom, não me vou alongar muito. As minhas considerações são apenas sobre o plano INOV JOVEM. Navegando pelo dito cujo, http://www.inovjovem.gov.pt/presentationlayer/primeinov_Home_00.aspx
e tentando fazer a candidatura directamente pelo site, descobrimos que não, que tem de ser directamente num dos inúmeros sítios que existem, caso do IEFP, do IAPMEI. Para quê tantos ? Não basta um? Para aumentar a burocracia? Será isto o choque tecnológico?"

UM "CHOQUE" TECNOLÓGICO

A propósito do "plano tecnológico", o leitor João Melo enviou o seguinte texto:
"Realmente o seu post sobre o plano técnológico dá que pensar. Bom, não me vou alongar muito. As minhas considerações são apenas sobre o plano INOV JOVEM. Navegando pelo dito cujo, http://www.inovjovem.gov.pt/presentationlayer/primeinov_Home_00.aspx
e tentando fazer a candidatura directamente pelo site, descobrimos que não, que tem de ser directamente num dos inúmeros sítios que existem, caso do IEFP, do IAPMEI. Para quê tantos ? Não basta um? Para aumentar a burocracia? Será isto o choque tecnológico?"

28.12.05

CAFÉS -2


"... Nada menos que no solar onde anos depois construíram La Closerie des Lilás, onde Fitzgerald e Hemingway, por volta dos anos vinte do século XX, se encontrariam frequentemente, primeiro como colegas e amigos e depois como rivais e inimigos." (Vila-Matas, Paris Nunca se Acaba -Ed. Teorema) . Joana Amaral Dias continua, no Bicho Carpinteiro, a sua "peregrinação" pelos cafés de Paris. Permita que lhe sugira igualmente o pequeno livro de Edmund White, Paris, Passeios de um Flâneur (Edições ASA).

CAFÉS -2


"... Nada menos que no solar onde anos depois construíram La Closerie des Lilás, onde Fitzgerald e Hemingway, por volta dos anos vinte do século XX, se encontrariam frequentemente, primeiro como colegas e amigos e depois como rivais e inimigos." (Vila-Matas, Paris Nunca se Acaba -Ed. Teorema) . Joana Amaral Dias continua, no Bicho Carpinteiro, a sua "peregrinação" pelos cafés de Paris. Permita que lhe sugira igualmente o pequeno livro de Edmund White, Paris, Passeios de um Flâneur (Edições ASA).

O "PLANO"

Por via de um "coblogger" da Grande Loja, fui parar ao "Plano Tecnológico". Bastaram-me duas ou três "janelas" para ficar esclarecido. Palavras sublimes e de eficácia sempre garantida como "plano", "articulação", "alavanca", "eixos", "clusters" ou "empreendedorismo inovador" (sic) estão espalhadas, como um vírus, por todo o site. Esta tecnologia verbal, vivaça e espertalhona, tem imensos adeptos nas entidades públicas e privadas. Não existe, aliás, candidato presidencial que se preze (a começar, naturalmente, por aquele que eu apoio) que não se encante com o jargão, salvo a provável excepção de Jerónimo de Sousa, mais adepto das "velhas tecnologias". Este site, como outros, serve eminentemente para nos distrair e para, "navegando" nele, esquecermos a "realidade". É que, como ainda ontem evidenciava um relatório amplamente divulgado pelo DN, a "realidade" a que o "Plano" pretende atender, é pouco mais do que desgraçada. Eu embirro com "planos" e com a mania de "sovietizar", mesmo pelo lado modernaço, tudo e todos. É óbvio que o pressuposto político subjacente ao "plano", que começou por ser "choque", é meritório. Porém, e como escreve o "colega" da Grande Loja, praticamente não passa de "uma prosápia vazia de ideias titubeantes". Também, com o estimulante dr. Pinho à frente da empreitada, de que é que estavam à espera?

O "PLANO"

Por via de um "coblogger" da Grande Loja, fui parar ao "Plano Tecnológico". Bastaram-me duas ou três "janelas" para ficar esclarecido. Palavras sublimes e de eficácia sempre garantida como "plano", "articulação", "alavanca", "eixos", "clusters" ou "empreendedorismo inovador" (sic) estão espalhadas, como um vírus, por todo o site. Esta tecnologia verbal, vivaça e espertalhona, tem imensos adeptos nas entidades públicas e privadas. Não existe, aliás, candidato presidencial que se preze (a começar, naturalmente, por aquele que eu apoio) que não se encante com o jargão, salvo a provável excepção de Jerónimo de Sousa, mais adepto das "velhas tecnologias". Este site, como outros, serve eminentemente para nos distrair e para, "navegando" nele, esquecermos a "realidade". É que, como ainda ontem evidenciava um relatório amplamente divulgado pelo DN, a "realidade" a que o "Plano" pretende atender, é pouco mais do que desgraçada. Eu embirro com "planos" e com a mania de "sovietizar", mesmo pelo lado modernaço, tudo e todos. É óbvio que o pressuposto político subjacente ao "plano", que começou por ser "choque", é meritório. Porém, e como escreve o "colega" da Grande Loja, praticamente não passa de "uma prosápia vazia de ideias titubeantes". Também, com o estimulante dr. Pinho à frente da empreitada, de que é que estavam à espera?

SEGUIR EM FRENTE - 2


"Pelas suas altas qualidades de carácter, isenção, coerência e sentido de Estado, o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República de que Portugal carece e pelo qual anseia para poder vencer a crise de confiança e de esperança em que está mergulhado. Por isso lhe dou convictamente o meu apoio. Ultrapassando a mesquinhez político-partidária, ele será capaz, pelo seu exemplo como Chefe de Estado, de congregar todos os cidadãos de boa-vontade, incentivando-os na procura de um novo e seguro rumo democrático para esta Pátria em que "tudo é incerto e derradeiro/tudo é disperso, nada é inteiro" e cujo futuro não pode continuar a ser continuamente adiado."
José Blanco

"Apoio o Prof. Cavaco Silva por razões, no essencial, idênticas às que estiveram na base do meu apoio público ao General Ramalho Eanes, em 1980, e do meu voto no Dr. Mário Soares, em 1986. Efectivamente, nas actuais circunstâncias, o Prof. Cavaco Silva, pelo seu profundo conhecimento da realidade nacional e internacional, pela sua grande experiência governativa, pela sua estatura moral e pela independência com que se apresenta, é o candidato em melhor posição para exercer o cargo de Presidente da República. Pois entendemos que o Presidente da República deve contribuir activamente para o desenvolvimento sustentado do País, colaborando com o Governo na harmonização e canalização das energias das diversas forças sociais para a realização desse superior designo nacional."
José Casalta Nabais

"Apoio o Professor Cavaco Silva porque entendo que ele será um Presidente da República capaz de guiar e inspirar os portugueses nos anos cruciais que se vão seguir. Daqui até ao fim da década, em Portugal, será preciso ganhar mais decência e civismo, equilibrar as contas públicas, reduzir e racionalizar burocracias, recomeçar a crescer económicamente. Nem sempre será fácil. Qualquer governo precisará, como o resto de todos nós, de um Presidente da República em que os portugueses reconheçam autoridade, competência e abnegação ao serviço da Pátria."
José Cutileiro

"O meu apoio a Cavaco Silva não resulta apenas de um confronto com os demais candidatos. Fundamenta-se na angústia de ver Portugal dissolver-se em políticas imediatistas, sem nenhum projecto nacional. Cavaco Silva é a personalidade exacta para encerrar um ciclo e abrir outro – um tempo de competência, exigência e seriedade que supere a deriva em que nos debatemos e nos reconcilie com nós próprios."
José de Oliveira Ascensão

"Com a mesma convicção com que, em 1986, apoiei o Dr. Mário Soares, apoio agora o Professor Aníbal Cavaco Silva na sua candidatura à Presidência da República.O seu clarividente diagnóstico da situação do nosso País, no domínio social, económico e político, a sua determinação na prossecução de objectivos estratégicos nacionais, o equilíbrio e bom senso já amplamente demonstrado na administração da coisa pública são garantia de que exercerá a mais alta magistratura da Nação no integral respeito pela Constituição da República, assegurando a cooperação leal entre os diferentes órgãos de soberania.Os que, apesar de todas as incertezas e dificuldades da hora presente, confiam no futuro da nossa Pátria multissecular encontram em Cavaco Silva um Presidente capaz de mobilizar as vastas e diversificadas energias nacionais para ajudar a conduzir o País aos níveis de desenvolvimento e de justiça por quer todos ansiamos."
José Guilherme Xavier de Basto

"Desejo exprimir o meu apoio à candidatura do professor Cavaco Silva à Presidência da República por entender que reúne mais condições do que qualquer outro para exercer o cargo a que se propõe. Tendo a experiência de dez anos de governação como primeiro-ministro, possui um profundo conhecimento do país. Acresce que foi, em meu entender e no dos portugueses que lhe deram duas maiorias absolutas, o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde a Revolução de Abril até hoje. Igualmente valorizo os seus traços de carácter, a sua honestidade, a sua inteligência e a sua capacidade para entender melhor do que qualquer outro os problemas com que o país se defronta."
Lígia Monteiro

SEGUIR EM FRENTE - 2


"Pelas suas altas qualidades de carácter, isenção, coerência e sentido de Estado, o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva é o Presidente da República de que Portugal carece e pelo qual anseia para poder vencer a crise de confiança e de esperança em que está mergulhado. Por isso lhe dou convictamente o meu apoio. Ultrapassando a mesquinhez político-partidária, ele será capaz, pelo seu exemplo como Chefe de Estado, de congregar todos os cidadãos de boa-vontade, incentivando-os na procura de um novo e seguro rumo democrático para esta Pátria em que "tudo é incerto e derradeiro/tudo é disperso, nada é inteiro" e cujo futuro não pode continuar a ser continuamente adiado."
José Blanco

"Apoio o Prof. Cavaco Silva por razões, no essencial, idênticas às que estiveram na base do meu apoio público ao General Ramalho Eanes, em 1980, e do meu voto no Dr. Mário Soares, em 1986. Efectivamente, nas actuais circunstâncias, o Prof. Cavaco Silva, pelo seu profundo conhecimento da realidade nacional e internacional, pela sua grande experiência governativa, pela sua estatura moral e pela independência com que se apresenta, é o candidato em melhor posição para exercer o cargo de Presidente da República. Pois entendemos que o Presidente da República deve contribuir activamente para o desenvolvimento sustentado do País, colaborando com o Governo na harmonização e canalização das energias das diversas forças sociais para a realização desse superior designo nacional."
José Casalta Nabais

"Apoio o Professor Cavaco Silva porque entendo que ele será um Presidente da República capaz de guiar e inspirar os portugueses nos anos cruciais que se vão seguir. Daqui até ao fim da década, em Portugal, será preciso ganhar mais decência e civismo, equilibrar as contas públicas, reduzir e racionalizar burocracias, recomeçar a crescer económicamente. Nem sempre será fácil. Qualquer governo precisará, como o resto de todos nós, de um Presidente da República em que os portugueses reconheçam autoridade, competência e abnegação ao serviço da Pátria."
José Cutileiro

"O meu apoio a Cavaco Silva não resulta apenas de um confronto com os demais candidatos. Fundamenta-se na angústia de ver Portugal dissolver-se em políticas imediatistas, sem nenhum projecto nacional. Cavaco Silva é a personalidade exacta para encerrar um ciclo e abrir outro – um tempo de competência, exigência e seriedade que supere a deriva em que nos debatemos e nos reconcilie com nós próprios."
José de Oliveira Ascensão

"Com a mesma convicção com que, em 1986, apoiei o Dr. Mário Soares, apoio agora o Professor Aníbal Cavaco Silva na sua candidatura à Presidência da República.O seu clarividente diagnóstico da situação do nosso País, no domínio social, económico e político, a sua determinação na prossecução de objectivos estratégicos nacionais, o equilíbrio e bom senso já amplamente demonstrado na administração da coisa pública são garantia de que exercerá a mais alta magistratura da Nação no integral respeito pela Constituição da República, assegurando a cooperação leal entre os diferentes órgãos de soberania.Os que, apesar de todas as incertezas e dificuldades da hora presente, confiam no futuro da nossa Pátria multissecular encontram em Cavaco Silva um Presidente capaz de mobilizar as vastas e diversificadas energias nacionais para ajudar a conduzir o País aos níveis de desenvolvimento e de justiça por quer todos ansiamos."
José Guilherme Xavier de Basto

"Desejo exprimir o meu apoio à candidatura do professor Cavaco Silva à Presidência da República por entender que reúne mais condições do que qualquer outro para exercer o cargo a que se propõe. Tendo a experiência de dez anos de governação como primeiro-ministro, possui um profundo conhecimento do país. Acresce que foi, em meu entender e no dos portugueses que lhe deram duas maiorias absolutas, o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde a Revolução de Abril até hoje. Igualmente valorizo os seus traços de carácter, a sua honestidade, a sua inteligência e a sua capacidade para entender melhor do que qualquer outro os problemas com que o país se defronta."
Lígia Monteiro

"A TRATAR INFANTILMENTE"


A ARTE DE EXERCER O MEDO "[S]e houvesse uma eleição de Cavaco Silva seria uma eleição perigosa para o futuro de Portugal", afirmou Mário Soares (Lusa, 28.12.2005). Pobre país o nosso em que o equilíbrio -- e a separação -- de poderes depende apenas de uma pessoa. A candidatura presidencial de Cavaco Silva é o Boogey Man, uma pessoa imaginária ou um monstro que causa medo e que é invocado para causar medo, especialmente junto das crianças.Sim, estou a dizer que nos estão a tratar infantilmente."


No Bloguítica

"A TRATAR INFANTILMENTE"


A ARTE DE EXERCER O MEDO "[S]e houvesse uma eleição de Cavaco Silva seria uma eleição perigosa para o futuro de Portugal", afirmou Mário Soares (Lusa, 28.12.2005). Pobre país o nosso em que o equilíbrio -- e a separação -- de poderes depende apenas de uma pessoa. A candidatura presidencial de Cavaco Silva é o Boogey Man, uma pessoa imaginária ou um monstro que causa medo e que é invocado para causar medo, especialmente junto das crianças.Sim, estou a dizer que nos estão a tratar infantilmente."


No Bloguítica

"QUER O BEM DA SUA PÁTRIA..."


"QUER O BEM DA SUA PÁTRIA..."


27.12.05

"NÃO NOS TIREM..."

"GOLPE DE ESTADO EM PORTUGAL: Candidato presidencial propõe nomeação de manga-de-alpaca para monitorizar as dificuldades das empresas lusas por esse mundo fora. Não nos tirem é o moço da emigração-e-das-comunidades que voa até Joanesburgo para comer bacalhau e até Toronto para beber jeropiga."

De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado

"NÃO NOS TIREM..."

"GOLPE DE ESTADO EM PORTUGAL: Candidato presidencial propõe nomeação de manga-de-alpaca para monitorizar as dificuldades das empresas lusas por esse mundo fora. Não nos tirem é o moço da emigração-e-das-comunidades que voa até Joanesburgo para comer bacalhau e até Toronto para beber jeropiga."

De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado

PALMEIRAS E PRESIDENTES

1. Como bem recordou Miguel Sousa Tavares na TVI, a propósito da "polémica" pirosa em torno da entrevista de Cavaco Silva ao JN (adequada à "silly season" em que parece que se está a tornar a longa campanha eleitoral, S. Tavares dixit e eu concordo), é suposto um candidato presidencial "ter" um programa político que, uma vez eleito, desenvolva e cumpra. Se assim não fosse, não faria sentido nenhum os candidatos deslocarem-se a lugares tão extravagantes como barragens, escolas, cooperativas, fábricas ou outros serviços públicos e privados para derramarem as suas "propostas". Severiano Teixeira, aliás, que tem talento para tudo menos para porta-voz, ainda por cima de Mário Soares, acabou por reconhecer que o presidente - presume-se que Cavaco "himself" - podia ter dito o que disse, mas em privado, ao primeiro-ministro. Não me parece que os portugueses queiram saber desta "polemicazinha" de salão para nada e que lhes é mais conveniente - como também salientou Sousa Tavares - um presidente que saiba o que quer fazer com os poderes que tem, em vez de se "sentar" no cadeirão belenense a recitar mansamente a Constituição. Doutra forma, como é que os candidatos conseguem explicar às pessoas por que é que se candidatam ou com que propósito as andam a "massajar" meses a fio?
2. E em matéria de "orgânica" de governo e da "competência" para mexer nela - e já que Soares considerou "muito graves" as declarações de Cavaco e as "levou" para esse caminho-, convém avivar a memória, não com meras "sugestões", mas com a realidade. Em 1995, o então primeiro-ministro, no âmbito das suas competências exclusivas, propôs ao então presidente da República que, por ter sido eleito presidente do PSD em congresso, o dr. Fernando Nogueira passasse a vice-primeiro-ministro, quando ele era apenas ministro da Defesa. Soares aproveitou uma cerimónia qualquer na Batalha e chamou o ministro "à parte" para cordialmente lhe dizer que não aceitava a nova "orgânica" do governo proposta por Cavaco Silva, o primeiro-ministro. Caiu o "Carmo e a Trindade"? Rasgou-se a Constituição? Foi "muito grave"?


Adenda: Ler este post na Grande Loja. E este, no Bloguítica. E, já agora, este de Francisco José Viegas.

PALMEIRAS E PRESIDENTES

1. Como bem recordou Miguel Sousa Tavares na TVI, a propósito da "polémica" pirosa em torno da entrevista de Cavaco Silva ao JN (adequada à "silly season" em que parece que se está a tornar a longa campanha eleitoral, S. Tavares dixit e eu concordo), é suposto um candidato presidencial "ter" um programa político que, uma vez eleito, desenvolva e cumpra. Se assim não fosse, não faria sentido nenhum os candidatos deslocarem-se a lugares tão extravagantes como barragens, escolas, cooperativas, fábricas ou outros serviços públicos e privados para derramarem as suas "propostas". Severiano Teixeira, aliás, que tem talento para tudo menos para porta-voz, ainda por cima de Mário Soares, acabou por reconhecer que o presidente - presume-se que Cavaco "himself" - podia ter dito o que disse, mas em privado, ao primeiro-ministro. Não me parece que os portugueses queiram saber desta "polemicazinha" de salão para nada e que lhes é mais conveniente - como também salientou Sousa Tavares - um presidente que saiba o que quer fazer com os poderes que tem, em vez de se "sentar" no cadeirão belenense a recitar mansamente a Constituição. Doutra forma, como é que os candidatos conseguem explicar às pessoas por que é que se candidatam ou com que propósito as andam a "massajar" meses a fio?
2. E em matéria de "orgânica" de governo e da "competência" para mexer nela - e já que Soares considerou "muito graves" as declarações de Cavaco e as "levou" para esse caminho-, convém avivar a memória, não com meras "sugestões", mas com a realidade. Em 1995, o então primeiro-ministro, no âmbito das suas competências exclusivas, propôs ao então presidente da República que, por ter sido eleito presidente do PSD em congresso, o dr. Fernando Nogueira passasse a vice-primeiro-ministro, quando ele era apenas ministro da Defesa. Soares aproveitou uma cerimónia qualquer na Batalha e chamou o ministro "à parte" para cordialmente lhe dizer que não aceitava a nova "orgânica" do governo proposta por Cavaco Silva, o primeiro-ministro. Caiu o "Carmo e a Trindade"? Rasgou-se a Constituição? Foi "muito grave"?


Adenda: Ler este post na Grande Loja. E este, no Bloguítica. E, já agora, este de Francisco José Viegas.