31.8.07

FÁTIMA LOW COST


Vasco Pulido Valente - ainda não foi descoberto outro mais estimulante - é ateu. E está preocupado com a hipótese de o Vaticano, de mãos dadas com o governo português, criar um trajecto de voos "low cost" entre Fátima e o dito Vaticano, à semelhança do que parece que já acontece, ou vai acontecer, com Lourdes. Daí o perigo de alguém se lembrar de mais um aeroporto para "servir" Fátima, algo que muito legitimamente não deve ser exigido à cidadania. Não há nada a opor a isto. Segundo VPV, tivessem os pastorinhos nascido em Bragança e Fátima nunca teria acontecido. As circunstâncias ocorrentes, como diria Salazar, propiciaram Fátima. A República, a guerra e a localidade do Entroncamento para os comboios, foram determinantes no "fenómeno". Todavia, em nenhum momento do seu texto, VPV fala da fé. Não a dele, naturalmente, que é nula. Mas na fé que tem levado, ao longo dos anos, milhares de peregrinos àquele vale, entre burgessos e gente perfeitamente esclarecida. Mesmo que passasse pela vaticanal cabeça um "sistema" idêntico ao de Lourdes, já lá está a base aérea de Monte Real para tratar disso. Aliás, foi aí que aterrou, em Maio de 1967, o Papa Paulo VI quando visitou o Santuário. Não precisou vir a Lisboa para nada. Sem querer, VPV acabou por dar voz a uma boa ideia. Se a fé move montanhas, por que é que não há-de mover aviões?

FÁTIMA LOW COST


Vasco Pulido Valente - ainda não foi descoberto outro mais estimulante - é ateu. E está preocupado com a hipótese de o Vaticano, de mãos dadas com o governo português, criar um trajecto de voos "low cost" entre Fátima e o dito Vaticano, à semelhança do que parece que já acontece, ou vai acontecer, com Lourdes. Daí o perigo de alguém se lembrar de mais um aeroporto para "servir" Fátima, algo que muito legitimamente não deve ser exigido à cidadania. Não há nada a opor a isto. Segundo VPV, tivessem os pastorinhos nascido em Bragança e Fátima nunca teria acontecido. As circunstâncias ocorrentes, como diria Salazar, propiciaram Fátima. A República, a guerra e a localidade do Entroncamento para os comboios, foram determinantes no "fenómeno". Todavia, em nenhum momento do seu texto, VPV fala da fé. Não a dele, naturalmente, que é nula. Mas na fé que tem levado, ao longo dos anos, milhares de peregrinos àquele vale, entre burgessos e gente perfeitamente esclarecida. Mesmo que passasse pela vaticanal cabeça um "sistema" idêntico ao de Lourdes, já lá está a base aérea de Monte Real para tratar disso. Aliás, foi aí que aterrou, em Maio de 1967, o Papa Paulo VI quando visitou o Santuário. Não precisou vir a Lisboa para nada. Sem querer, VPV acabou por dar voz a uma boa ideia. Se a fé move montanhas, por que é que não há-de mover aviões?

30.8.07

DALILA, CAVACO E MENDES OU A FÁBULA DO GATO E DO RATO

José Pacheco Pereira colocou-se ao lado dos dois comissários ex-PC que o PS instalou na Ajuda, contra Mendes e Cavaco, por causa de Dalila Rodrigues, a directora corrida do MNAA. Acusou-a de falta de lealdade e de, no fundo, ser pouco institucional e isenta. Os outros dois também, já que não deviam apaparicar uma despeitada e desrespeitadora da hierarquia. Vasco Pulido Valente tinha exibido a mesma opinião, ou seja, que os altos funcionários do Estado são meros servos acéfalos de Napoleão que comem, calam, se demitem ou são demitidos. Não estão lá para ter pensamento próprio ou exigir o que quer que seja. Inserem-se numa respeitosa hierarquia que deve ser preservada a bem do conceito abstracto de nação que, até prova em contrário, se presume representado pelo governo. Muito bem. Dalila tem ar de "tia" e bom aspecto, e isso paga-se no meio da cultura no qual é suposto as mulheres aparentarem, no mínimo, um ar de camionistas envergonhadas, usar calças ou túnicas até aos pés calçados com sabrinas. Dalida foi excessiva nas críticas à académica Pires de Lima e, em Portugal, não se deve criticar os académicos. Aliás, a professora, como lhe competia, nunca se dignou responder. Respondeu demitindo previamente e com apenas um mês de antecedência. Até na saloia manifestação napoleónica, Pires de Lima não conseguiu cumprir a lei nem a antecedência requerida para o dejecto. Nestas coisas, e ao contrário de JPP e de VPV, sou pouco ou nada institucional. Dalila foi apanhada no meio de um episódio político e respondeu politicamente. Foi tosca? Se calhar foi. E Cavaco e Mendes também responderam politicamente. Não foi um famoso dirigente chinês que afirmou ser-lhe indiferente a cor do gato desde que apanhasse o rato? Nunca fui maoísta mas julgo que o respectivo cálice deve ser bebido até ao fim.

Adenda: Este post do Pedro Picoito. De facto, qual é a diferença entre o líder da oposição ir visitar o MNAA ou um hospital e ser acompanhado pela respectiva direcção? Os museus são do governo ou são nacionais? Pelo menos no museu não lhe foi negada a entrada como num hospital do SNS não sei onde em que a diligente administração não quis desagradar a quem lá a enfiou.

DALILA, CAVACO E MENDES OU A FÁBULA DO GATO E DO RATO

José Pacheco Pereira colocou-se ao lado dos dois comissários ex-PC que o PS instalou na Ajuda, contra Mendes e Cavaco, por causa de Dalila Rodrigues, a directora corrida do MNAA. Acusou-a de falta de lealdade e de, no fundo, ser pouco institucional e isenta. Os outros dois também, já que não deviam apaparicar uma despeitada e desrespeitadora da hierarquia. Vasco Pulido Valente tinha exibido a mesma opinião, ou seja, que os altos funcionários do Estado são meros servos acéfalos de Napoleão que comem, calam, se demitem ou são demitidos. Não estão lá para ter pensamento próprio ou exigir o que quer que seja. Inserem-se numa respeitosa hierarquia que deve ser preservada a bem do conceito abstracto de nação que, até prova em contrário, se presume representado pelo governo. Muito bem. Dalila tem ar de "tia" e bom aspecto, e isso paga-se no meio da cultura no qual é suposto as mulheres aparentarem, no mínimo, um ar de camionistas envergonhadas, usar calças ou túnicas até aos pés calçados com sabrinas. Dalida foi excessiva nas críticas à académica Pires de Lima e, em Portugal, não se deve criticar os académicos. Aliás, a professora, como lhe competia, nunca se dignou responder. Respondeu demitindo previamente e com apenas um mês de antecedência. Até na saloia manifestação napoleónica, Pires de Lima não conseguiu cumprir a lei nem a antecedência requerida para o dejecto. Nestas coisas, e ao contrário de JPP e de VPV, sou pouco ou nada institucional. Dalila foi apanhada no meio de um episódio político e respondeu politicamente. Foi tosca? Se calhar foi. E Cavaco e Mendes também responderam politicamente. Não foi um famoso dirigente chinês que afirmou ser-lhe indiferente a cor do gato desde que apanhasse o rato? Nunca fui maoísta mas julgo que o respectivo cálice deve ser bebido até ao fim.

Adenda: Este post do Pedro Picoito. De facto, qual é a diferença entre o líder da oposição ir visitar o MNAA ou um hospital e ser acompanhado pela respectiva direcção? Os museus são do governo ou são nacionais? Pelo menos no museu não lhe foi negada a entrada como num hospital do SNS não sei onde em que a diligente administração não quis desagradar a quem lá a enfiou.

RETRATO DE UM MERDOSO

José Miguel Júdice começou na extrema-direita. Até esteve preso no PREC por causa disso. Não aprendeu nada. Já vai no PS e só pensa, muito legitimamente, nos seus negócios. É um homem de cálculo dissimulado num homem de "afectos". Ao falar dos portugueses nesta entrevista - uns "merdosos" - está a falar de si. Deixei intelectualmente de o conhecer.

Adenda: A propósito, esta iniciativa do Diário Económico pela mão de António José Teixeira (uma série de entrevistas com gente do regime e de fora) foi a coisa mais estimulante que apareceu nos jornais durante este verão esquecível. Nem os melhores "cronistas" se safaram do lugar-comum e do enfado.

RETRATO DE UM MERDOSO

José Miguel Júdice começou na extrema-direita. Até esteve preso no PREC por causa disso. Não aprendeu nada. Já vai no PS e só pensa, muito legitimamente, nos seus negócios. É um homem de cálculo dissimulado num homem de "afectos". Ao falar dos portugueses nesta entrevista - uns "merdosos" - está a falar de si. Deixei intelectualmente de o conhecer.

Adenda: A propósito, esta iniciativa do Diário Económico pela mão de António José Teixeira (uma série de entrevistas com gente do regime e de fora) foi a coisa mais estimulante que apareceu nos jornais durante este verão esquecível. Nem os melhores "cronistas" se safaram do lugar-comum e do enfado.

EMBOTAMENTO



«Não podemos deixar de considerar a nossa actualidade, de um ponto de vista subjectivo, como uma situação única de embotamento: a vulgaridade no campo social, a neo-escolástica na teoria, o embrutecimento nos media, o ressentimento entre os mais velhos, a ambição agressiva e por vezes maldosa dos mais jovens... em suma, uma época carente de espírito. Entre os raros que ainda velam o fogo, a maioria isola-se nos seus túneis. Provavelmente, o menos que podemos dizer desta situação é, sem dúvida, que não se trata de uma época favorável às grandes sínteses.»

Peter Sloterdijck, O Sol e a Morte, Relógio D'Água, 2007

EMBOTAMENTO



«Não podemos deixar de considerar a nossa actualidade, de um ponto de vista subjectivo, como uma situação única de embotamento: a vulgaridade no campo social, a neo-escolástica na teoria, o embrutecimento nos media, o ressentimento entre os mais velhos, a ambição agressiva e por vezes maldosa dos mais jovens... em suma, uma época carente de espírito. Entre os raros que ainda velam o fogo, a maioria isola-se nos seus túneis. Provavelmente, o menos que podemos dizer desta situação é, sem dúvida, que não se trata de uma época favorável às grandes sínteses.»

Peter Sloterdijck, O Sol e a Morte, Relógio D'Água, 2007

ENQUANTO HOUVER

Aqui e aqui, José Medeiros Ferreira - alguém com quem gostaria de me voltar a "aliar" - responde a esta sugestão. JMF tem alguma experiência na matéria (criações partidárias a partir de Belém) embora - e talvez tivesse sido esse o erro fundador e vício na formação do acto - seja sempre preferível um lance institucional a partir da magistratura presidencial ("à francesa") do que mais uma inscrição anódina no Tribunal Constitucional. E três notas concordantes. "Fora as medidas impopulares de carácter financeiro a maioria absoluta está cada vez mais vigiada «a partir de Belém». Há "sinais de afunilamento do actual quadro partidário" e, last but not the least, "só este governo aguenta o sistema". Isto tudo, claro, "enquanto houver regimes de partidos". Este, em particular.

ENQUANTO HOUVER

Aqui e aqui, José Medeiros Ferreira - alguém com quem gostaria de me voltar a "aliar" - responde a esta sugestão. JMF tem alguma experiência na matéria (criações partidárias a partir de Belém) embora - e talvez tivesse sido esse o erro fundador e vício na formação do acto - seja sempre preferível um lance institucional a partir da magistratura presidencial ("à francesa") do que mais uma inscrição anódina no Tribunal Constitucional. E três notas concordantes. "Fora as medidas impopulares de carácter financeiro a maioria absoluta está cada vez mais vigiada «a partir de Belém». Há "sinais de afunilamento do actual quadro partidário" e, last but not the least, "só este governo aguenta o sistema". Isto tudo, claro, "enquanto houver regimes de partidos". Este, em particular.

VIAGENS NA MINHA TERRA


Sócrates foi a Leiria e reinaugurou-se a si mesmo enquanto não há mais computadores para distribuir. Uma amiga de lá enviou-me este mail que faz o post. "Olá João. Hoje houve festa cá na terra. O PM veio inaugurar as obras do Polis. Como dizia o meu miúdo, devia ter vindo há 5 ou 6 meses porque aquilo já está em uso há mais ou menos esse tempo. Até já há algumas obras a precisar de reparação. Pelo menos, e como sempre (país provinciano) lá foram limpar as ruas por onde o senhor ia passar, cuidar das rotundas e das flores dos separadores... a coisa ficou mais linda. Estas pessoas deviam vir à província mais algumas vezes... Não que Lisboa, por onde mais se passeiam, esteja melhor, mas aqui na terra estas coisas notam-se." E Sócrates, nota alguma coisa?

VIAGENS NA MINHA TERRA


Sócrates foi a Leiria e reinaugurou-se a si mesmo enquanto não há mais computadores para distribuir. Uma amiga de lá enviou-me este mail que faz o post. "Olá João. Hoje houve festa cá na terra. O PM veio inaugurar as obras do Polis. Como dizia o meu miúdo, devia ter vindo há 5 ou 6 meses porque aquilo já está em uso há mais ou menos esse tempo. Até já há algumas obras a precisar de reparação. Pelo menos, e como sempre (país provinciano) lá foram limpar as ruas por onde o senhor ia passar, cuidar das rotundas e das flores dos separadores... a coisa ficou mais linda. Estas pessoas deviam vir à província mais algumas vezes... Não que Lisboa, por onde mais se passeiam, esteja melhor, mas aqui na terra estas coisas notam-se." E Sócrates, nota alguma coisa?

28.8.07

SUGESTÃO


SUGESTÃO


O MAI

Rui Pereira, o MAI que sucedeu ao edil lisboeta, é um erro de casting. Pereira foi sempre um arcadiano do direito e, quando fala como ministro, esquece-se que o cargo é político e exprime-se como professor. "Atira" com as competências e as atribuições das polícias para cima dos jornalistas como se estivesse num auditório da FDL. Há dias, com Mário Crespo, a propósito da invasão do milheiral, foi desastroso. Pereira tinha nove anos de Tribunal Constitucional pela frente e trocou isso por esta funesta sinecura ministerial. Antes já tinha presidido, sem rasgo, à comissão para a reforma penal. Sem talento, sem verve e, sobretudo, sem política, Rui Pereira junta-se aos seus infelizes colegas da economia, das obras e da cultura, apenas para dar alguns exemplos. Não é mau homem, mas não chega. Que magnífica aquisição para a presidência europeia.

O MAI

Rui Pereira, o MAI que sucedeu ao edil lisboeta, é um erro de casting. Pereira foi sempre um arcadiano do direito e, quando fala como ministro, esquece-se que o cargo é político e exprime-se como professor. "Atira" com as competências e as atribuições das polícias para cima dos jornalistas como se estivesse num auditório da FDL. Há dias, com Mário Crespo, a propósito da invasão do milheiral, foi desastroso. Pereira tinha nove anos de Tribunal Constitucional pela frente e trocou isso por esta funesta sinecura ministerial. Antes já tinha presidido, sem rasgo, à comissão para a reforma penal. Sem talento, sem verve e, sobretudo, sem política, Rui Pereira junta-se aos seus infelizes colegas da economia, das obras e da cultura, apenas para dar alguns exemplos. Não é mau homem, mas não chega. Que magnífica aquisição para a presidência europeia.

ABCESSO

Como andarão as "ameaças" a esta grande figura do regime, Francisco? Não a deixes cair. Ela, evidentemente, não se deixa. É vê-la reclamar eleições - para ela, claro - para a "distrital" de Lisboa do PSD para varrer a Teixeira da Cruz. Helena Lopes da Costa, deputada, é apenas um daqueles muitos nomes responsáveis pelo descrédito a que isto chegou. A sua passagem pela vereação da CML, com o infindável cortejo de assessores para tudo e para nada, é inesquecível. Não é subtil a exibir a sua pequenina ambição. Há quem a ajude, a ela e a muitos como ela, a ter uma biografia e um "currículo" político. Agora está com Menezes como já esteve com quem calhou, nomeadamente Lopes que a promoveu a vice-presidente do então maior partido nacional. Não sei se Marques Mendes tem rasgo suficiente - como teve Sá Carneiro - para varrer esta gente da face do partido. Este PSD paroquial e medíocre não pode durar muito mais tempo. Precisa urgentemente de uma ditadura que o salve da pocilga.

ABCESSO

Como andarão as "ameaças" a esta grande figura do regime, Francisco? Não a deixes cair. Ela, evidentemente, não se deixa. É vê-la reclamar eleições - para ela, claro - para a "distrital" de Lisboa do PSD para varrer a Teixeira da Cruz. Helena Lopes da Costa, deputada, é apenas um daqueles muitos nomes responsáveis pelo descrédito a que isto chegou. A sua passagem pela vereação da CML, com o infindável cortejo de assessores para tudo e para nada, é inesquecível. Não é subtil a exibir a sua pequenina ambição. Há quem a ajude, a ela e a muitos como ela, a ter uma biografia e um "currículo" político. Agora está com Menezes como já esteve com quem calhou, nomeadamente Lopes que a promoveu a vice-presidente do então maior partido nacional. Não sei se Marques Mendes tem rasgo suficiente - como teve Sá Carneiro - para varrer esta gente da face do partido. Este PSD paroquial e medíocre não pode durar muito mais tempo. Precisa urgentemente de uma ditadura que o salve da pocilga.

UM REGIME RAPACE

O Tribunal Constitucional condenou os partidos ao pagamento de coimas em virtude das suas crónicas "más contas", neste caso, por causa das legislativas de 2005. Antes veio a lume a questão Somague/PSD e, antes desta, a questão PS/empresário brasileiro/círculo fora da Europa. Não vamos mais longe. Quando Soares era 1º ministro, foi devidamente autorizada a alarvidade da urbanização do Baixo Mondego. O PS mandava e o gesto betoneiro não foi inocente nem resultou de nenhum almoço de borla. Anos depois, numa presidência aberta sobre o ambiente, o mesmo Soares classificou o acto como uma calamidade. Alguém lhe chamou a atenção para a circunstância de ter sido ele, como chefe do governo, quem havia autorizado a dita calamidade. Soares, naturalmente, não se desmanchou e disse estar a fazer "auto-crítica". A plutocracia regimental é rapace e não pára em nenhum partido em especial. E só terá fim se alguém, um dia, lho puser.

UM REGIME RAPACE

O Tribunal Constitucional condenou os partidos ao pagamento de coimas em virtude das suas crónicas "más contas", neste caso, por causa das legislativas de 2005. Antes veio a lume a questão Somague/PSD e, antes desta, a questão PS/empresário brasileiro/círculo fora da Europa. Não vamos mais longe. Quando Soares era 1º ministro, foi devidamente autorizada a alarvidade da urbanização do Baixo Mondego. O PS mandava e o gesto betoneiro não foi inocente nem resultou de nenhum almoço de borla. Anos depois, numa presidência aberta sobre o ambiente, o mesmo Soares classificou o acto como uma calamidade. Alguém lhe chamou a atenção para a circunstância de ter sido ele, como chefe do governo, quem havia autorizado a dita calamidade. Soares, naturalmente, não se desmanchou e disse estar a fazer "auto-crítica". A plutocracia regimental é rapace e não pára em nenhum partido em especial. E só terá fim se alguém, um dia, lho puser.

27.8.07

VITÓRIA PÓSTUMA?

Foi preciso o rapaz da foto ganhar uma medalha não sei onde para a bandeira e o hino nacionais se erguerem algures no mundo. Já tinha acontecido o mesmo com outro português de nome Obikwelu. E ainda existe uma Naide com expectativas. Vitória póstuma da famosa miscigenação da raça?

VITÓRIA PÓSTUMA?

Foi preciso o rapaz da foto ganhar uma medalha não sei onde para a bandeira e o hino nacionais se erguerem algures no mundo. Já tinha acontecido o mesmo com outro português de nome Obikwelu. E ainda existe uma Naide com expectativas. Vitória póstuma da famosa miscigenação da raça?

O CIRCO

O circo montado no BCP, o maior banco privado português - duas assembleias gerais folclóricas -, custou um milhão de euros. Com exemplos destes vindos da "sociedade civil", com que cara de pau se pode exigir ao Estado o que quer que seja?

O CIRCO

O circo montado no BCP, o maior banco privado português - duas assembleias gerais folclóricas -, custou um milhão de euros. Com exemplos destes vindos da "sociedade civil", com que cara de pau se pode exigir ao Estado o que quer que seja?

EMPATA FOGOS

O governo emprestou um avião e duas criaturas da protecção civil à Grécia. As criaturas já lá estão mas o avião ficou "empanado" na ilha Menorca devido a uma avaria. Era apenas um e, mesmo assim, avariou-se e só amanhã vai juntar-se aos restantes da UE que combatem os pavorosos fogos que tomaram conta daquele país. Aquando da "guerra do Golfo", um submarino nosso também ficou "encalhado" para não atrapalhar. Uma vez empatas, sempre empatas.

EMPATA FOGOS

O governo emprestou um avião e duas criaturas da protecção civil à Grécia. As criaturas já lá estão mas o avião ficou "empanado" na ilha Menorca devido a uma avaria. Era apenas um e, mesmo assim, avariou-se e só amanhã vai juntar-se aos restantes da UE que combatem os pavorosos fogos que tomaram conta daquele país. Aquando da "guerra do Golfo", um submarino nosso também ficou "encalhado" para não atrapalhar. Uma vez empatas, sempre empatas.

26.8.07

O ESPAÇO VIRTUAL DA AMIZADE*


«Há pouco mais de dez anos, estava eu em Paris, na noite da minha casa no Marais, semiadormecido no sofá em frente da televisão, e de súbito o telefone tocou. Era uma rádio de Lisboa e pediam que comentasse a morte de Gilles Deleuze, o seu suicídio, em que se libertou da máquina de oxigénio a que vivia preso e se lançou pela janela. Estávamos em 4 de Novembro de 1995. Nesse mesmo ano, o Arte começara a transmitir o Abecedário de Deleuze, no qual este escolhia certas palavras para falar da vida, dos animais, da filosofia (lembro-me, por exemplo, das suas palavras sobre a "maldade" dos wittgensteinianos). Era a mais longa e dispersa das entrevistas, realizada com a cumplicidade de Claire Parnet (com quem Deleuze fizera em 77 o livro Dialogues, a melhor introdução à sua obra). No contrato inicial, tratava-se de um documento para ser divulgado depois da sua morte, mas Deleuze, considerando que a vida que ainda vivia estava mais perto da morte do que da vida, autorizou que ele passasse na televisão. É claro que os jornalistas eram extremamente sensíveis à questão do suicídio. Mas o seu significado continha uma afirmação solar, não um gesto nocturno. Ninguém pode ver nesta morte uma dimensão negra e destrutiva. De certo modo, Deleuze estava inteiramente presente naquilo que nele era a intensidade da vida: a imanência - uma vida, assim se intitulava quase enigmaticamente o seu último texto. Porque a obra ainda anunciada sobre a "a grandeza de Marx" não chegou a ver a luz do dia. Nunca conheci Gilles Deleuze. Vi-o apenas duas vezes. Uma foi na Grande Sala do Centro Pompidou, num debate sobre o Tempo musical. Estavam também presentes Pierre Boulez (a organização era do Ircam), Michel Foucault, Roland Barthes, Luciano Berio. Tudo isto tinha lugar em 20 de Fevereiro de 1978. A segunda vez já não sei quando foi: recordo apenas que num sábado à tarde vi Deleuze percorrendo as estantes de uma livraria que fica em frente da Sorbonne, na Rue des Écoles. Confirmei aquilo que já sabia e que sempre me deixara perplexo nas fotografias: as unhas encurvadas de tal modo estavam crescidas. Deleuze explicava que uma hipersensibilidade na ponta dos dedos o levava a proteger-se daquele modo. Dez anos depois da sua morte, surgem múltiplas iniciativas. Entre nós, o incansável Nuno Nabais organizou uma jornada com comunicações e leituras, no auditório do Instituto Franco-Português. Em França multiplicam-se as publicações. A difusão internacional de Deleuze foi sempre prejudicada pelo seu ódio às viagens e pela sua reserva em relação aos debates nos colóquios. Só agora começam a proliferar as traduções. Em Portugal saliente-se a publicação dos dois magníficos livros de Deleuze sobre cinema na Assírio e Alvim. Noutro dia, na televisão, nas Páginas Soltas de Bárbara Guimarães, alguém propunha a obra O Fio da Navalha de Somerset Maugham e comparava a sua legibilidade com a "chatice" de autores franceses como Gilles Deleuze. Era o mesmo que comparar um elefante com uma formiga. Como filósofo, Deleuze sempre foi um escritor admirável que se lê com um prazer desmedido: se a filosofia tem a ver com a felicidade, é isso que aqui acontece. Leitor admirável (de Spinoza ou de Leibniz), Deleuze tem livros extraordinários sobre a pintura (em particular, Francis Bacon), o cinema (páginas luminosas sobre inúmeros autores, entre eles Oliveira), a literatura (Proust, Melville ou Kafka). E deu-nos um exemplo de uma escrita em comum (publicou vários livros com Félix Guattari). Existe uma admiração que tece um espaço virtual de amizade. Quando naquela noite de Novembro falei ao telefone sobre a morte de Deleuze, eu sentia que uma amizade nos prendia na teia sempre improvável dos encontros.»

* por Eduardo Prado Coelho, publicado no Público sob o título "O século de Deleuze"

O ESPAÇO VIRTUAL DA AMIZADE*


«Há pouco mais de dez anos, estava eu em Paris, na noite da minha casa no Marais, semiadormecido no sofá em frente da televisão, e de súbito o telefone tocou. Era uma rádio de Lisboa e pediam que comentasse a morte de Gilles Deleuze, o seu suicídio, em que se libertou da máquina de oxigénio a que vivia preso e se lançou pela janela. Estávamos em 4 de Novembro de 1995. Nesse mesmo ano, o Arte começara a transmitir o Abecedário de Deleuze, no qual este escolhia certas palavras para falar da vida, dos animais, da filosofia (lembro-me, por exemplo, das suas palavras sobre a "maldade" dos wittgensteinianos). Era a mais longa e dispersa das entrevistas, realizada com a cumplicidade de Claire Parnet (com quem Deleuze fizera em 77 o livro Dialogues, a melhor introdução à sua obra). No contrato inicial, tratava-se de um documento para ser divulgado depois da sua morte, mas Deleuze, considerando que a vida que ainda vivia estava mais perto da morte do que da vida, autorizou que ele passasse na televisão. É claro que os jornalistas eram extremamente sensíveis à questão do suicídio. Mas o seu significado continha uma afirmação solar, não um gesto nocturno. Ninguém pode ver nesta morte uma dimensão negra e destrutiva. De certo modo, Deleuze estava inteiramente presente naquilo que nele era a intensidade da vida: a imanência - uma vida, assim se intitulava quase enigmaticamente o seu último texto. Porque a obra ainda anunciada sobre a "a grandeza de Marx" não chegou a ver a luz do dia. Nunca conheci Gilles Deleuze. Vi-o apenas duas vezes. Uma foi na Grande Sala do Centro Pompidou, num debate sobre o Tempo musical. Estavam também presentes Pierre Boulez (a organização era do Ircam), Michel Foucault, Roland Barthes, Luciano Berio. Tudo isto tinha lugar em 20 de Fevereiro de 1978. A segunda vez já não sei quando foi: recordo apenas que num sábado à tarde vi Deleuze percorrendo as estantes de uma livraria que fica em frente da Sorbonne, na Rue des Écoles. Confirmei aquilo que já sabia e que sempre me deixara perplexo nas fotografias: as unhas encurvadas de tal modo estavam crescidas. Deleuze explicava que uma hipersensibilidade na ponta dos dedos o levava a proteger-se daquele modo. Dez anos depois da sua morte, surgem múltiplas iniciativas. Entre nós, o incansável Nuno Nabais organizou uma jornada com comunicações e leituras, no auditório do Instituto Franco-Português. Em França multiplicam-se as publicações. A difusão internacional de Deleuze foi sempre prejudicada pelo seu ódio às viagens e pela sua reserva em relação aos debates nos colóquios. Só agora começam a proliferar as traduções. Em Portugal saliente-se a publicação dos dois magníficos livros de Deleuze sobre cinema na Assírio e Alvim. Noutro dia, na televisão, nas Páginas Soltas de Bárbara Guimarães, alguém propunha a obra O Fio da Navalha de Somerset Maugham e comparava a sua legibilidade com a "chatice" de autores franceses como Gilles Deleuze. Era o mesmo que comparar um elefante com uma formiga. Como filósofo, Deleuze sempre foi um escritor admirável que se lê com um prazer desmedido: se a filosofia tem a ver com a felicidade, é isso que aqui acontece. Leitor admirável (de Spinoza ou de Leibniz), Deleuze tem livros extraordinários sobre a pintura (em particular, Francis Bacon), o cinema (páginas luminosas sobre inúmeros autores, entre eles Oliveira), a literatura (Proust, Melville ou Kafka). E deu-nos um exemplo de uma escrita em comum (publicou vários livros com Félix Guattari). Existe uma admiração que tece um espaço virtual de amizade. Quando naquela noite de Novembro falei ao telefone sobre a morte de Deleuze, eu sentia que uma amizade nos prendia na teia sempre improvável dos encontros.»

* por Eduardo Prado Coelho, publicado no Público sob o título "O século de Deleuze"

ALGARVE...

... de 2007. Allgarve, próximo entre o Algarve e o alarve.

ALGARVE...

... de 2007. Allgarve, próximo entre o Algarve e o alarve.

25.8.07

A BANDA LARGA - 2

O José Pacheco Pereira tem razão. Também assisti ao telejornal da RTP, conduzido por esse grande escritor português contemporâneo que é Rodrigues dos Santos. Ele ia "entrar" na notícia do falecimento de Prado Coelho, mas alguém lhe deve ter soprado que devia esperar um bocadinho. E, coincidência das coincidências, o "directo" sobre o ensaísta "apanhou" Sócrates a sair das Galveias e a botar faladura. O Lagartinho - ou deveria antes chamar-lhe "lagartixa"? -, o "jornalista cultural" de serviço, ainda teve tempo para entrevistar Lídia Jorge a quem chamou de... Lígia. Sócrates, aliás, foi tridimensional neste telejornal. Deu computadores, falou do aeroporto e celebrou o "homem de espírito" (quem é que lhe terá ensinado esta?) que foi Prado Coelho. Até um funeral serve para a propaganda. Regressou em beleza.

A BANDA LARGA - 2

O José Pacheco Pereira tem razão. Também assisti ao telejornal da RTP, conduzido por esse grande escritor português contemporâneo que é Rodrigues dos Santos. Ele ia "entrar" na notícia do falecimento de Prado Coelho, mas alguém lhe deve ter soprado que devia esperar um bocadinho. E, coincidência das coincidências, o "directo" sobre o ensaísta "apanhou" Sócrates a sair das Galveias e a botar faladura. O Lagartinho - ou deveria antes chamar-lhe "lagartixa"? -, o "jornalista cultural" de serviço, ainda teve tempo para entrevistar Lídia Jorge a quem chamou de... Lígia. Sócrates, aliás, foi tridimensional neste telejornal. Deu computadores, falou do aeroporto e celebrou o "homem de espírito" (quem é que lhe terá ensinado esta?) que foi Prado Coelho. Até um funeral serve para a propaganda. Regressou em beleza.

ELITES, COMO ELES DIZEM - 2

O inventor da piloca que constitui o logótipo do ministério da Justiça é agora - não o sabia - presidente do conselho directivo do ISCSP. Nessa qualidade, escreveu uma carta aos seus colegas por causa do "apagão Maltez" e acusa o José Adelino de andar a pôr em causa "o bom nome" do ISCSP. José Adelino: se precisar de alguém para o processo que intentou junto de quem de direito sobre o assunto ou para este "processo de intenções" do sr. presidente, conte comigo. Nunca somos esdrúxulos para explicar aos bonzos do regime e aos "democratas" o que é a liberdade. E eu sou "salazarista", como eles dizem. Imagine se não fosse.

ELITES, COMO ELES DIZEM - 2

O inventor da piloca que constitui o logótipo do ministério da Justiça é agora - não o sabia - presidente do conselho directivo do ISCSP. Nessa qualidade, escreveu uma carta aos seus colegas por causa do "apagão Maltez" e acusa o José Adelino de andar a pôr em causa "o bom nome" do ISCSP. José Adelino: se precisar de alguém para o processo que intentou junto de quem de direito sobre o assunto ou para este "processo de intenções" do sr. presidente, conte comigo. Nunca somos esdrúxulos para explicar aos bonzos do regime e aos "democratas" o que é a liberdade. E eu sou "salazarista", como eles dizem. Imagine se não fosse.

A BANDA LARGA

José Sócrates regressou ao seu posto de trabalho. Com a proverbial falta de imaginação que o caracteriza, foi até Setúbal dar computadores e falar pela enésima vez na "banda larga". Guterres, quando já não tinha mais nada para dizer, também se agarrou à "internet" como gato a bofe. E perdeu todas as suas batalhas, a começar pela "paixão" educativa e a da qualificação. Sócrates não tem um terço das qualidades - sobretudo humanas - que, apesar de tudo, Guterres possuia. A segunda metade do mandato, depois das passadeiras vermelhas, vai ser dura. Vamos ver quanto tempo dura.

A BANDA LARGA

José Sócrates regressou ao seu posto de trabalho. Com a proverbial falta de imaginação que o caracteriza, foi até Setúbal dar computadores e falar pela enésima vez na "banda larga". Guterres, quando já não tinha mais nada para dizer, também se agarrou à "internet" como gato a bofe. E perdeu todas as suas batalhas, a começar pela "paixão" educativa e a da qualificação. Sócrates não tem um terço das qualidades - sobretudo humanas - que, apesar de tudo, Guterres possuia. A segunda metade do mandato, depois das passadeiras vermelhas, vai ser dura. Vamos ver quanto tempo dura.

O SR. BAPTISTA

Reparei, lendo os jornais, que o sr. Baptista, o líder dos tramposos "Verde Eufémia", está a tornar-se numa "figura de referência". Tem direito a "perfis" e a entrevistas. Num país civilizado, com um módico de respeito pelo direito, o sr. Baptista, quando muito, podia estar a dar entrevistas na prisão. Aqui não. É um novo ícone do regime que tem como "lema" de vida o "hasta la vitoria siempre", de Guevara, outro proto-fascista que enganou gerações anos a fio. Estamos em boas mãos.

O SR. BAPTISTA

Reparei, lendo os jornais, que o sr. Baptista, o líder dos tramposos "Verde Eufémia", está a tornar-se numa "figura de referência". Tem direito a "perfis" e a entrevistas. Num país civilizado, com um módico de respeito pelo direito, o sr. Baptista, quando muito, podia estar a dar entrevistas na prisão. Aqui não. É um novo ícone do regime que tem como "lema" de vida o "hasta la vitoria siempre", de Guevara, outro proto-fascista que enganou gerações anos a fio. Estamos em boas mãos.

EDUARDO PRADO COELHO (1944-2007)


Na primeira viagem ao Festival de Cinema da Figueira da Foz lá estava ele, entre o grave e o divertido, sempre rodeado das mulheres que toda a vida o admiraram e que ele amava sinceramente e pelos mais diversos motivos. No ano seguinte, uma manhã mal dormida juntou-nos no pequeno-almoço na pastelaria em frente ao Casino, antes do começo das projecções. Víamos, então, cinco a seis filmes por dia, uma obra. Engraxavam-lhe os sapatos ao som de uma torrada e preparava-se para dar um salto à tipografia para ver o estado da edição da sua tese, Os Universos da Crítica. Comprei-a no verão de 1983, na Feira do Livro, acabada de sair e com ele a dar autógrafos - poucos - na barraquinha da Dom Quixote. Dias depois, na festa do primeiro ano do Frágil, no meio daquela gente bonita que foi desaparecendo, perguntou-me o que é que achava do livro. Eu tinha vinte e dois anos e, parvamente, prodigalizava a mim mesmo uma opinião. Com o Semanário, vieram outras conversas e outros livros. Em quase um quarto de século muda muita coisa. Entretanto a "noite do mundo", de Hegel, e título de um dos seus livros, avançou, improvável e imaterial como a voz da Greco num concerto no CCB. Nós também, para outros e diferentes lados. Os últimos anos foram de grande sofrimento pessoal para Eduardo Prado Coelho. Não merecia. Ninguém merece. Ocorrem-me - em mais um dia de verão interrompido pela mão desse Deus em que ele nunca acreditou ou que, tal como em Nietzsche, já estava morto há muito - as palavras de François Mitterrand sobre Malraux na data do seu desaparecimento. O Eduardo "pertencia às cercanias, à paisagem da nossa vida. Como uma luz na casa fronteiriça e que se apaga, assim um pouco mais de sombra ocupará o espaço e o tempo diante de nós." O Eduardo, lá onde agora se encontra, chega-nos com "a fulgurância que atribuímos aos astros mortos e que continuam a iluminar a nossa noite".

EDUARDO PRADO COELHO (1944-2007)


Na primeira viagem ao Festival de Cinema da Figueira da Foz lá estava ele, entre o grave e o divertido, sempre rodeado das mulheres que toda a vida o admiraram e que ele amava sinceramente e pelos mais diversos motivos. No ano seguinte, uma manhã mal dormida juntou-nos no pequeno-almoço na pastelaria em frente ao Casino, antes do começo das projecções. Víamos, então, cinco a seis filmes por dia, uma obra. Engraxavam-lhe os sapatos ao som de uma torrada e preparava-se para dar um salto à tipografia para ver o estado da edição da sua tese, Os Universos da Crítica. Comprei-a no verão de 1983, na Feira do Livro, acabada de sair e com ele a dar autógrafos - poucos - na barraquinha da Dom Quixote. Dias depois, na festa do primeiro ano do Frágil, no meio daquela gente bonita que foi desaparecendo, perguntou-me o que é que achava do livro. Eu tinha vinte e dois anos e, parvamente, prodigalizava a mim mesmo uma opinião. Com o Semanário, vieram outras conversas e outros livros. Em quase um quarto de século muda muita coisa. Entretanto a "noite do mundo", de Hegel, e título de um dos seus livros, avançou, improvável e imaterial como a voz da Greco num concerto no CCB. Nós também, para outros e diferentes lados. Os últimos anos foram de grande sofrimento pessoal para Eduardo Prado Coelho. Não merecia. Ninguém merece. Ocorrem-me - em mais um dia de verão interrompido pela mão desse Deus em que ele nunca acreditou ou que, tal como em Nietzsche, já estava morto há muito - as palavras de François Mitterrand sobre Malraux na data do seu desaparecimento. O Eduardo "pertencia às cercanias, à paisagem da nossa vida. Como uma luz na casa fronteiriça e que se apaga, assim um pouco mais de sombra ocupará o espaço e o tempo diante de nós." O Eduardo, lá onde agora se encontra, chega-nos com "a fulgurância que atribuímos aos astros mortos e que continuam a iluminar a nossa noite".

24.8.07

O PESSIMISMO


"O pessimismo é mais importante do que o optimismo. Em tempos difíceis, o pessimismo favorece a lucidez."


O PESSIMISMO


"O pessimismo é mais importante do que o optimismo. Em tempos difíceis, o pessimismo favorece a lucidez."


A "ARCÁDIA" E O "PROGRESSO"


«Não estou a ver, em mais de dois mil anos, homossexuais a terem como superlativo objectivo de vida casar e ter filhos - homossexuais, no fundo, a quererem ser macaqueações bacocas e burgessas de casais normalíssimos. Não, este paneleiro/a mimético/a, híbrido entre a puta carreirista e a fada do lar, é artefacto recente. Toda esta campanha global serve-se da homossexualidade apenas como pretexto e subterfúgio. Em suma: como máscara. A sua verdadeira motivação deverá procurar-se mais nas usinas e forjas olímpicas da "impotência" e da "psico-esterilização". O seu intuito, secreto, velado, mas cada vez mais óbvio, é apenas um: tornar-nos a todos impotentes, neutros, amorfos, estéreis, uniformes. O Mercado, entre outros, agradece. Um homem a sério é fraco consumidor. »


A "ARCÁDIA" E O "PROGRESSO"


«Não estou a ver, em mais de dois mil anos, homossexuais a terem como superlativo objectivo de vida casar e ter filhos - homossexuais, no fundo, a quererem ser macaqueações bacocas e burgessas de casais normalíssimos. Não, este paneleiro/a mimético/a, híbrido entre a puta carreirista e a fada do lar, é artefacto recente. Toda esta campanha global serve-se da homossexualidade apenas como pretexto e subterfúgio. Em suma: como máscara. A sua verdadeira motivação deverá procurar-se mais nas usinas e forjas olímpicas da "impotência" e da "psico-esterilização". O seu intuito, secreto, velado, mas cada vez mais óbvio, é apenas um: tornar-nos a todos impotentes, neutros, amorfos, estéreis, uniformes. O Mercado, entre outros, agradece. Um homem a sério é fraco consumidor. »


23.8.07

FOSSE OUTRO

«Uma coisa é andar a perseguir as pessoas, outra é um País saber, só, onde está quem tem a missão de o governar. E, se se está na Presidência de uma União a 27 Estados, nesse caso, passe a expressão, não pode haver férias para quem tem essa relevante missão. Os nossos analistas que ponham a mão na consciência e que pensem no que diriam, num caso destes, se fosse outro o Primeiro - Ministro.»

in Pedro Santana Lopes

FOSSE OUTRO

«Uma coisa é andar a perseguir as pessoas, outra é um País saber, só, onde está quem tem a missão de o governar. E, se se está na Presidência de uma União a 27 Estados, nesse caso, passe a expressão, não pode haver férias para quem tem essa relevante missão. Os nossos analistas que ponham a mão na consciência e que pensem no que diriam, num caso destes, se fosse outro o Primeiro - Ministro.»

in Pedro Santana Lopes

MARA ZAMPIERI

... canta uma ária de Macbeth, de Verdi. Foi assídua do São Carlos nos tempos áureos de João Paes e Serra Formigal. No tempo em que o Coliseu ainda tinha "récitas populares" e se podia fumar no "promenoir". Nem toda a gente aprecia o timbre nem os excessos histriónicos. Sempre gostei.

MARA ZAMPIERI

... canta uma ária de Macbeth, de Verdi. Foi assídua do São Carlos nos tempos áureos de João Paes e Serra Formigal. No tempo em que o Coliseu ainda tinha "récitas populares" e se podia fumar no "promenoir". Nem toda a gente aprecia o timbre nem os excessos histriónicos. Sempre gostei.

A TRAMA DOS NEGÓCIOS E AS COMPROMETEDORAS SOLIDARIEDADES


A "história" da Somague mata qualquer um. Sabemos - sabemos isso há muito - da promiscuidade do betão com o regime. Uma visita aérea pelo país dá-nos bem o retrato dessa calamidade. A anteceder isso, há a plutocracia partidária e os interesses. O sr. Arnaut, uma das criações mais desconchavadas do regime, do PSD e do dr. Barroso veio assumir a "responsabilidade objectiva" pela aceitação da dádiva do sr. Vaz Guedes. O sr. Vaz Guedes, convém lembrar, é um daqueles betinhos do "Compromisso Portugal" que de vez em quando pretendem dar lições de "governança" e de "ética" empresarial ao país. E o dr. Canas, do PS, com aquele arzinho de aprendiz de catequista, mais valia estar calado. Em suma, esta gente não presta. Fazem qualquer coisa por um prato de lentilhas que, a avaliar pelo que se lê, o governo do dr. Barroso tratou de servir à Somague um mês depois de tomar posse. O problema não é haver almoços de borla. O problema é a factura que o regime tem de pagar por ser dirigido, dos partidos à sociedade civil, por essa gente dos almoços. Resta saber quem acaba primeiro com quem ou com o quê.

A TRAMA DOS NEGÓCIOS E AS COMPROMETEDORAS SOLIDARIEDADES


A "história" da Somague mata qualquer um. Sabemos - sabemos isso há muito - da promiscuidade do betão com o regime. Uma visita aérea pelo país dá-nos bem o retrato dessa calamidade. A anteceder isso, há a plutocracia partidária e os interesses. O sr. Arnaut, uma das criações mais desconchavadas do regime, do PSD e do dr. Barroso veio assumir a "responsabilidade objectiva" pela aceitação da dádiva do sr. Vaz Guedes. O sr. Vaz Guedes, convém lembrar, é um daqueles betinhos do "Compromisso Portugal" que de vez em quando pretendem dar lições de "governança" e de "ética" empresarial ao país. E o dr. Canas, do PS, com aquele arzinho de aprendiz de catequista, mais valia estar calado. Em suma, esta gente não presta. Fazem qualquer coisa por um prato de lentilhas que, a avaliar pelo que se lê, o governo do dr. Barroso tratou de servir à Somague um mês depois de tomar posse. O problema não é haver almoços de borla. O problema é a factura que o regime tem de pagar por ser dirigido, dos partidos à sociedade civil, por essa gente dos almoços. Resta saber quem acaba primeiro com quem ou com o quê.

PORTELA+1

Decididamente o presidente da Câmara de Lisboa não gosta do aeroporto da Portela. Os PS's da CML abstiveram-se na votação de uma proposta de Helena Roseta - que vingou - no sentido de o governo incluir no estudo comparativo pedido ao LNEC a hipótese "Portela+1", sendo o "1" Alcochete. Costa, segundo disse aos jornais, absteve-se "porque se absteve". De facto, como é que alguém que passou a campanha eleitoral a falar nos "terrenos da Portela" tinha agora cara para, em apenas alguns dias, vir defender - como lhe compete, aliás - o aeroporto internacional de Lisboa? Como os helicópteros contra os incêndios, comprados por ele como MAI, e que não "descolam" por falta de licença, Costa também tem dificuldade em "descolar" da figura de "número dois" do governo e dos "compromissos" assumidos por causa da OTA. Paciência. Habitue-se.

PORTELA+1

Decididamente o presidente da Câmara de Lisboa não gosta do aeroporto da Portela. Os PS's da CML abstiveram-se na votação de uma proposta de Helena Roseta - que vingou - no sentido de o governo incluir no estudo comparativo pedido ao LNEC a hipótese "Portela+1", sendo o "1" Alcochete. Costa, segundo disse aos jornais, absteve-se "porque se absteve". De facto, como é que alguém que passou a campanha eleitoral a falar nos "terrenos da Portela" tinha agora cara para, em apenas alguns dias, vir defender - como lhe compete, aliás - o aeroporto internacional de Lisboa? Como os helicópteros contra os incêndios, comprados por ele como MAI, e que não "descolam" por falta de licença, Costa também tem dificuldade em "descolar" da figura de "número dois" do governo e dos "compromissos" assumidos por causa da OTA. Paciência. Habitue-se.

22.8.07

DA POLÍCIA

Um pedreiro mordeu um polícia. Há dias, no Porto, umas mulheres bateram noutro polícia. E um condutor, mandado parar não sei onde, assim que saiu do carro arreou no agente que o mandou parar. E, em Silves, a GNR foi o que se viu. O mundo está de pernas para o ar. Esta não é a minha polícia.

DA POLÍCIA

Um pedreiro mordeu um polícia. Há dias, no Porto, umas mulheres bateram noutro polícia. E um condutor, mandado parar não sei onde, assim que saiu do carro arreou no agente que o mandou parar. E, em Silves, a GNR foi o que se viu. O mundo está de pernas para o ar. Esta não é a minha polícia.

O ANTI-ELITE

O dr. Menezes, de Gaia, é médico de formação. Parece que de pediatria. Talvez por isso - pelo menos desde o congresso do Coliseu de 95 em que saiu em lágrimas contra os "elitistas e os sulistas" - nunca cresceu. O dr. Menezes tem um blogue no qual honestamente derrama o que lhe vai na alma. Alguns dos últimos posts, consta, não eram dele mas da Wikipédia e de outras fontes. O dr. Menezes, no fundo, quis mostrar ao mundo que está perfeitamente à altura dos "elitistas e os sulistas" que só vagueiam na sua cabeça. Não está. O dr. Menezes é um excelente autarca e apenas mais um militante partidário ressabiado. Como ele podia existir um milhar de candidatos à liderança do PSD. Todavia, só ao dr. Menezes se colou a nefasta ideia de pastorear os "laranjas" e, por tabela, o país. Para viver de ideias emprestadas já basta o secretário-geral do PS que, aliás, Menezes tem tão bem substituído na oposição a Marques Mendes. O dr. Menezes recorda-me aqueles organizadores de festas dos bairros populares, sempre os mais disponíveis, os mais voluntaristas, os últimos a comer. Uma vez a festa acabada, ninguém se lembra mais deles.

O ANTI-ELITE

O dr. Menezes, de Gaia, é médico de formação. Parece que de pediatria. Talvez por isso - pelo menos desde o congresso do Coliseu de 95 em que saiu em lágrimas contra os "elitistas e os sulistas" - nunca cresceu. O dr. Menezes tem um blogue no qual honestamente derrama o que lhe vai na alma. Alguns dos últimos posts, consta, não eram dele mas da Wikipédia e de outras fontes. O dr. Menezes, no fundo, quis mostrar ao mundo que está perfeitamente à altura dos "elitistas e os sulistas" que só vagueiam na sua cabeça. Não está. O dr. Menezes é um excelente autarca e apenas mais um militante partidário ressabiado. Como ele podia existir um milhar de candidatos à liderança do PSD. Todavia, só ao dr. Menezes se colou a nefasta ideia de pastorear os "laranjas" e, por tabela, o país. Para viver de ideias emprestadas já basta o secretário-geral do PS que, aliás, Menezes tem tão bem substituído na oposição a Marques Mendes. O dr. Menezes recorda-me aqueles organizadores de festas dos bairros populares, sempre os mais disponíveis, os mais voluntaristas, os últimos a comer. Uma vez a festa acabada, ninguém se lembra mais deles.

BOM PETISCO


Eis, em todo o esplendor, o novo ícone pós-Castro e grande amigalhaço do dr. Mário Soares nesta sua derradeira fase em que decidiu tirar para sempre o socialismo da gaveta para lá colocar uma cópia da espada do Bolivar. Um bom petisco, sem dúvida.

BOM PETISCO


Eis, em todo o esplendor, o novo ícone pós-Castro e grande amigalhaço do dr. Mário Soares nesta sua derradeira fase em que decidiu tirar para sempre o socialismo da gaveta para lá colocar uma cópia da espada do Bolivar. Um bom petisco, sem dúvida.

21.8.07

A PULSÃO

A ERC emergiu, pela mão de Sócrates, do dr. Santos Silva e do PS, para substituir a defunta "alta autoridade para a comunicação social". A propósito das alegadas interferências e rodriguinhos deixados cair aqui e ali por causa do "dossiê" UNI/curso de engenharia civil, a ERC entendeu que Sócrates não tem qualquer pulsão controleira da comunicação social. Antes pelo contrário. Todavia, um dos membros da ERC votou contra porque lhe parece que há elementos no processo que confirmam a pulsão. Talvez alguém os publique. Entretanto a ERC podia perfeitamente chamar-se OMO. Sempre é uma marca conhecida.

A PULSÃO

A ERC emergiu, pela mão de Sócrates, do dr. Santos Silva e do PS, para substituir a defunta "alta autoridade para a comunicação social". A propósito das alegadas interferências e rodriguinhos deixados cair aqui e ali por causa do "dossiê" UNI/curso de engenharia civil, a ERC entendeu que Sócrates não tem qualquer pulsão controleira da comunicação social. Antes pelo contrário. Todavia, um dos membros da ERC votou contra porque lhe parece que há elementos no processo que confirmam a pulsão. Talvez alguém os publique. Entretanto a ERC podia perfeitamente chamar-se OMO. Sempre é uma marca conhecida.

UNS SAFANÕES - 3

O oito e o oitenta.

UNS SAFANÕES - 3

O oito e o oitenta.

PIERO CAPPUCCILLI

Piero Cappuccilli canta "Eri tu" de "Un ballo in maschera", de Verdi. Os melhores tempos...

PIERO CAPPUCCILLI

Piero Cappuccilli canta "Eri tu" de "Un ballo in maschera", de Verdi. Os melhores tempos...

MIRELLA FRENI

Mirella Freni canta, da ópera Xerxes, de Händel, a ária "Ombra mai fu". Os melhores tempos...

MIRELLA FRENI

Mirella Freni canta, da ópera Xerxes, de Händel, a ária "Ombra mai fu". Os melhores tempos...

A D. CONSTANÇA DO PSD

"As pessoas é que se incompatibilizam comigo! Eu não me incompatibilizo…", diz Marcelo nesta entrevista ao Diário Económico. É um sagitariano optimista. Como eu, em pessimista.

A D. CONSTANÇA DO PSD

"As pessoas é que se incompatibilizam comigo! Eu não me incompatibilizo…", diz Marcelo nesta entrevista ao Diário Económico. É um sagitariano optimista. Como eu, em pessimista.

20.8.07

A LER....

... a corajosa entrevista de Mário Crespo ao DN. Em tempos de reles subserviências e de estranhas ambiguidades, um jornalista delicado, sem temores reverenciais.

A LER....

... a corajosa entrevista de Mário Crespo ao DN. Em tempos de reles subserviências e de estranhas ambiguidades, um jornalista delicado, sem temores reverenciais.

MOMENTO NORTE - COREANO

Há polícias e há polícias. A GNR, por exemplo, especializou-se em ver papéis de condutores, em analisar-lhes o bafo e em ser paternalista com javardos. Já a ASAE é outra coisa. Contou-me um amigo, cuja mãe cozinha divinamente e que fornecia, feitas em casa, coisas para um determinado estabelecimento, que a ASAE irrompeu pelo dito estabelecimento adentro e proibiu-o de vender os magníficos produtos caseiros. Ao fim de vinte e um anos, a mãe do meu amigo foi forçada a deixar de vender as suas boas coisas para o estabelecimento porque a ASAE entende que aquele não deve" comprar comida feita por gente não autorizada". Como ele me dizia, qualquer dia não podemos cozinhar em casa.

MOMENTO NORTE - COREANO

Há polícias e há polícias. A GNR, por exemplo, especializou-se em ver papéis de condutores, em analisar-lhes o bafo e em ser paternalista com javardos. Já a ASAE é outra coisa. Contou-me um amigo, cuja mãe cozinha divinamente e que fornecia, feitas em casa, coisas para um determinado estabelecimento, que a ASAE irrompeu pelo dito estabelecimento adentro e proibiu-o de vender os magníficos produtos caseiros. Ao fim de vinte e um anos, a mãe do meu amigo foi forçada a deixar de vender as suas boas coisas para o estabelecimento porque a ASAE entende que aquele não deve" comprar comida feita por gente não autorizada". Como ele me dizia, qualquer dia não podemos cozinhar em casa.

UNS SAFANÕES - 3

O ministro da agricultura associou o BE à destruição selvagem em Silves. Aguarda-se a reacção do evangelista Louçã e, naturalmente, da parte do "PS do futuro" que tem um acordo com o Bloco para a Câmara de Lisboa.

UNS SAFANÕES - 3

O ministro da agricultura associou o BE à destruição selvagem em Silves. Aguarda-se a reacção do evangelista Louçã e, naturalmente, da parte do "PS do futuro" que tem um acordo com o Bloco para a Câmara de Lisboa.

O MILHEIRAL, A CANALHA E A BOLA

Depois do milheiral e da canalha, a bola. A eterna bola. No telejornal da TVI, um "jornalista" está a fazer uma triste figura a correr atrás de um pequeno avião que traz o treinador de um clube de futebol. Se o ridículo dos pormenores matasse em directo... Pobre país.

O MILHEIRAL, A CANALHA E A BOLA

Depois do milheiral e da canalha, a bola. A eterna bola. No telejornal da TVI, um "jornalista" está a fazer uma triste figura a correr atrás de um pequeno avião que traz o treinador de um clube de futebol. Se o ridículo dos pormenores matasse em directo... Pobre país.

CATARINA SEM EUFÉMIA


Os badalhocos que lançaram fogo ao falso verão e a este falso país político possuem um nome fantástico, "Verde Eufémia". Já existem por aí prosas semióticas a esgaravatar um "comunicado" e a "origem" desta derivação torpe da Eufémia. De facto, não há mesmo mais nada para fazer. E Catarina, só a da foto.

CATARINA SEM EUFÉMIA


Os badalhocos que lançaram fogo ao falso verão e a este falso país político possuem um nome fantástico, "Verde Eufémia". Já existem por aí prosas semióticas a esgaravatar um "comunicado" e a "origem" desta derivação torpe da Eufémia. De facto, não há mesmo mais nada para fazer. E Catarina, só a da foto.

UNS SAFANÕES - 2

O estado a que isto chegou, afinal, "apoia" bandalhos. De que é que os responsáveis pelo inenarrável IPJ estão à espera? Mitterrand, que era da esquerda mas tinha sentido de Estado, não hesitou quando foi preciso mostrar aos idiotas do "Greenpeace" quem mandava. Ninguém ganha com o abastardamento das instituições por muito pouco ou nenhum respeito que elas mereçam ou imponham. O afogadilho tardio dos ministros do interior e da agricultura, dois "destalentados" políticos, não chega. O episódio do milho, em si, é apenas um episódio. Ligado ao resto, é um sintoma. Mais um a juntar às dezenas em curso que desacreditam, a cada dia que passa, um regime que se esboroa como farelo. Ainda bem.

UNS SAFANÕES - 2

O estado a que isto chegou, afinal, "apoia" bandalhos. De que é que os responsáveis pelo inenarrável IPJ estão à espera? Mitterrand, que era da esquerda mas tinha sentido de Estado, não hesitou quando foi preciso mostrar aos idiotas do "Greenpeace" quem mandava. Ninguém ganha com o abastardamento das instituições por muito pouco ou nenhum respeito que elas mereçam ou imponham. O afogadilho tardio dos ministros do interior e da agricultura, dois "destalentados" políticos, não chega. O episódio do milho, em si, é apenas um episódio. Ligado ao resto, é um sintoma. Mais um a juntar às dezenas em curso que desacreditam, a cada dia que passa, um regime que se esboroa como farelo. Ainda bem.

19.8.07

DISCLOSURE


Sugiro firmemente aos leitores que não se sentem confortáveis neste retrato que troquem o anonimato por um e-mail ou por um comentário com nome verosímil para que a censura seja aliviada. Ninguém mais do que eu aprecia este "diálogo" virtual, cem vezes mais rico do que o "real" que não tenho com praticamente ninguém. Vá lá. Cresçam.

DISCLOSURE


Sugiro firmemente aos leitores que não se sentem confortáveis neste retrato que troquem o anonimato por um e-mail ou por um comentário com nome verosímil para que a censura seja aliviada. Ninguém mais do que eu aprecia este "diálogo" virtual, cem vezes mais rico do que o "real" que não tenho com praticamente ninguém. Vá lá. Cresçam.

DEAN


Faz cá falta um "Dean" para agitar esta morbidez colectiva. Sempre tinham com que se entreter e com que entreter os telemóveis. Enquanto não regressa o "pretty boy".

DEAN


Faz cá falta um "Dean" para agitar esta morbidez colectiva. Sempre tinham com que se entreter e com que entreter os telemóveis. Enquanto não regressa o "pretty boy".

SILLY SEASON

O Francisco Almeida Leite, vamos lá, também tem direito ao seu momento "silly". Aliás, o país agradece, muito penhorado, "notícias" deste calibre. O autarca de Gaia também.

SILLY SEASON

O Francisco Almeida Leite, vamos lá, também tem direito ao seu momento "silly". Aliás, o país agradece, muito penhorado, "notícias" deste calibre. O autarca de Gaia também.

Elisabeth Schwarzkopf

Im Abendrot, Richard Strauss (Vier letzte Lieder)

Elisabeth Schwarzkopf

Im Abendrot, Richard Strauss (Vier letzte Lieder)

UNS SAFANÕES

Uns badalhocos quaisquer destruíram uma plantação de milho transgénico no Algarve. Na televisão, a coisa ressumava a PREC mal resolvido. Parece que a democrática GNR, tão pressurosa noutras coisas, não mexeu uma palha. Aquela canalha devia ter sido tratada com os famosos safanões dados a tempo e não com paninhos quentes. Aprende-se muito com os velhinhos.

Adenda (depois de ler os jornais) : O eurodeputado Miguel Portas falou em "desobediência civil" para justificar o acto. Depois deve ter "caído em si" - deve ter falado com o mano - e passou a coisa para um "ilícito" sem contudo deixar de relevar (sic) a "estética do movimento". Estética, estética, e apesar da idade, era Portas apanhar dois valentes estalos naquela cara esquerda caviar sem vergonha.

UNS SAFANÕES

Uns badalhocos quaisquer destruíram uma plantação de milho transgénico no Algarve. Na televisão, a coisa ressumava a PREC mal resolvido. Parece que a democrática GNR, tão pressurosa noutras coisas, não mexeu uma palha. Aquela canalha devia ter sido tratada com os famosos safanões dados a tempo e não com paninhos quentes. Aprende-se muito com os velhinhos.

Adenda (depois de ler os jornais) : O eurodeputado Miguel Portas falou em "desobediência civil" para justificar o acto. Depois deve ter "caído em si" - deve ter falado com o mano - e passou a coisa para um "ilícito" sem contudo deixar de relevar (sic) a "estética do movimento". Estética, estética, e apesar da idade, era Portas apanhar dois valentes estalos naquela cara esquerda caviar sem vergonha.

18.8.07

UMA FORMA DE SAIR DO MUNDO

«O maior prazer é ler. É a possibilidade de ao fim de três páginas estar em Roma ou nos problemas da Madame Bovary… É uma forma de sair do mundo.»

Vasco Pulido Valente ao Diário Económico


UMA FORMA DE SAIR DO MUNDO

«O maior prazer é ler. É a possibilidade de ao fim de três páginas estar em Roma ou nos problemas da Madame Bovary… É uma forma de sair do mundo.»

Vasco Pulido Valente ao Diário Económico


O CASAL PINHÃO


João Botelho tem um filme interessante, "poético" até, de 1982, Conversa Acabada, sobre a amizade de Pessoa e Sá-Carneiro. Depois disso, tem sido quase só o marido de Leonor Pinhão. Pinhão é uma jornalista da bola, esquerdófila e benfiquista. Até podia ser do "Estrela da Amadora". Mas não. Pinhão, em artigos na imprensa da especialidade e naqueles intermináveis programas de televisão entre adeptos "famosos" dos clubes "famosos", Pinhão nunca escondeu as suas preferências. O casal Pinhão decidiu "adaptar" a "autobiografia" de uma senhora do Porto - livro esse editado pela Dom Quixote da Tereza Melo (ao que a editora e ela chegaram) - onde, entre outros pormenores técnicos de relevante interesse nacional, se aborda a flatulência de um presidente de um clube de futebol. Da "adaptação" - o argumento corre por conta de Pinhão - sairá um filme intitulado "Corrupção" cuja feitura é vigiada por perto pela autora da "autobiografia" e pelos seus guarda-costas da PSP, pagos com o dinheiro dos contribuintes. Pinhão anda agora indignada por causa de um documento apócrifo que circula nos meios da investigação criminal e nos jornais e a que chamam de "apito encarnado". No meio desta cãzoada sem nome, há propósito e método. Escuso de dizer o que é não vá algum polícia dos costumes futebolísticos acusar-me de "portista". É que eu, do Porto, só mesmo Serralves e Agustina. A Pinhão é que é do Benfica.

O CASAL PINHÃO


João Botelho tem um filme interessante, "poético" até, de 1982, Conversa Acabada, sobre a amizade de Pessoa e Sá-Carneiro. Depois disso, tem sido quase só o marido de Leonor Pinhão. Pinhão é uma jornalista da bola, esquerdófila e benfiquista. Até podia ser do "Estrela da Amadora". Mas não. Pinhão, em artigos na imprensa da especialidade e naqueles intermináveis programas de televisão entre adeptos "famosos" dos clubes "famosos", Pinhão nunca escondeu as suas preferências. O casal Pinhão decidiu "adaptar" a "autobiografia" de uma senhora do Porto - livro esse editado pela Dom Quixote da Tereza Melo (ao que a editora e ela chegaram) - onde, entre outros pormenores técnicos de relevante interesse nacional, se aborda a flatulência de um presidente de um clube de futebol. Da "adaptação" - o argumento corre por conta de Pinhão - sairá um filme intitulado "Corrupção" cuja feitura é vigiada por perto pela autora da "autobiografia" e pelos seus guarda-costas da PSP, pagos com o dinheiro dos contribuintes. Pinhão anda agora indignada por causa de um documento apócrifo que circula nos meios da investigação criminal e nos jornais e a que chamam de "apito encarnado". No meio desta cãzoada sem nome, há propósito e método. Escuso de dizer o que é não vá algum polícia dos costumes futebolísticos acusar-me de "portista". É que eu, do Porto, só mesmo Serralves e Agustina. A Pinhão é que é do Benfica.

ELITES, COMO ELES DIZEM


O país não tem elites, nunca é esdrúxulo repetir. Tudo foi invadido por gente grosseira, oportunista e videirinha. Enquanto se pasta o gado com "Maddies", com a bola e com trivialidades sem nome, essa gente grosseira avança. Ligo o telemóvel e leio uma "sms" do José Adelino Maltez que passo a transcrever:

"Os novos donos do poder do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) acabam de eliminar dos arquivos de consulta pública o "Centro de Estudos do Pensamento Político" (CEPP), isto é, 183MB com 12 mil ficheiros e meio milhão de entradas."

O José Adelino foi director do CEPP. O José Adelino tem uma obra e um pensamento próprios, inadmissíveis para os alarves que andam a tomar conta das instituições públicas um pouco por toda a parte. O José Adelino é, finalmente e para permanente vergonha destes capachos, um homem livre que, no seu ensino, nos seus livros e nos seus arquivos online, persiste em formar homens livres. E um homem livre não é de esquerda nem de direita. É apenas livre. E como o velho pescador de Hemingway, pode ser destruído mas nunca derrotado.

ELITES, COMO ELES DIZEM


O país não tem elites, nunca é esdrúxulo repetir. Tudo foi invadido por gente grosseira, oportunista e videirinha. Enquanto se pasta o gado com "Maddies", com a bola e com trivialidades sem nome, essa gente grosseira avança. Ligo o telemóvel e leio uma "sms" do José Adelino Maltez que passo a transcrever:

"Os novos donos do poder do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) acabam de eliminar dos arquivos de consulta pública o "Centro de Estudos do Pensamento Político" (CEPP), isto é, 183MB com 12 mil ficheiros e meio milhão de entradas."

O José Adelino foi director do CEPP. O José Adelino tem uma obra e um pensamento próprios, inadmissíveis para os alarves que andam a tomar conta das instituições públicas um pouco por toda a parte. O José Adelino é, finalmente e para permanente vergonha destes capachos, um homem livre que, no seu ensino, nos seus livros e nos seus arquivos online, persiste em formar homens livres. E um homem livre não é de esquerda nem de direita. É apenas livre. E como o velho pescador de Hemingway, pode ser destruído mas nunca derrotado.

17.8.07

GERGIEV...


... às 22.00, em Cascais.

Adenda das 2 e 20 de sábado: Como é que um maestro como Gergiev se sujeitou e sujeitou a Orquestra do Mariinsky à ventania de Cascais, tocando maravilhosamente para uma plateia enregelada e em grande parte indiferente aos acordes da 7ª sinfonia de Mahler que só terminou depois da meia-noite e meia? Coisas à Tito Celestino da Costa. Em mar de tempestade, qualquer buraco é porto. Boa noite.

GERGIEV...


... às 22.00, em Cascais.

Adenda das 2 e 20 de sábado: Como é que um maestro como Gergiev se sujeitou e sujeitou a Orquestra do Mariinsky à ventania de Cascais, tocando maravilhosamente para uma plateia enregelada e em grande parte indiferente aos acordes da 7ª sinfonia de Mahler que só terminou depois da meia-noite e meia? Coisas à Tito Celestino da Costa. Em mar de tempestade, qualquer buraco é porto. Boa noite.

TUDO EM FAMÍLIA



Por causa deste post e de alguns comentários, muitos deles censurados, apenas duas ou três observações. Não conheço nenhuma família exemplar. Sobretudo heterossexual. Os tribunais e as assistentes sociais que trabalham para os tribunais estão atafulhados com as "disfuncionalidades" destes sublimes agregados maioritários. Ainda ninguém me conseguiu provar que uma criança criada e educada por uma mãe ou por um pai que não pertence à "maioria" e que não comunga do ideal pequeno-burguês do "amor e uma cabana", é mais infeliz e "incompleta" do que outra qualquer. Pelo contrário, o que me chega é a notícia de um filho dessas famílias exemplares que estava a estudar em Inglaterra, que adquiriu uma neurose e que aproveitou um passeio de domingo, numa vinda até cá, para parar o carro na Ponte Salazar e atirar-se à água. O corpo apareceu uma semana depois ao largo de Sesimbra. O que me chega é a notícia de um rapaz que andou em Belas Artes, que esteve na Bélgica no Erasmus e que eu conhecia, que aproveitou uma escapada à casa de férias dos pais, onde tinha um atelier, para se enforcar. Não pretendo impressionar ninguém. Quero apenas chamar a atenção para a circunstância de, quer o ensino ("Bolonha", a botar cá para fora, para a vida material, criaturas que ainda cheiram a cueiros), quer as famílias, poderem estar a gerar perfeitos idiotas sociais ou cadáveres em férias que ignoram tudo sobre a perversidade do mundo apesar de já terem experimentado, sensualmente, quase tudo. Para conquistar o mundo, como uma pessoa, é preciso conhecê-lo primeiro. Muitos jovens são completamente desconhecidos dos seus progenitores, e vice-versa, e andam literalmente por aí às apalpadelas. Estão, aos vinte anos, mortos de cansaço e de idiotia. Fingem todos uma alegria familiar que só o papel da fotografia garante. A felicidade não se herda nem se "supôe", como sublinha indirectamente o Filipe Nunes Vicente. Só os malditos dos genes.

TUDO EM FAMÍLIA



Por causa deste post e de alguns comentários, muitos deles censurados, apenas duas ou três observações. Não conheço nenhuma família exemplar. Sobretudo heterossexual. Os tribunais e as assistentes sociais que trabalham para os tribunais estão atafulhados com as "disfuncionalidades" destes sublimes agregados maioritários. Ainda ninguém me conseguiu provar que uma criança criada e educada por uma mãe ou por um pai que não pertence à "maioria" e que não comunga do ideal pequeno-burguês do "amor e uma cabana", é mais infeliz e "incompleta" do que outra qualquer. Pelo contrário, o que me chega é a notícia de um filho dessas famílias exemplares que estava a estudar em Inglaterra, que adquiriu uma neurose e que aproveitou um passeio de domingo, numa vinda até cá, para parar o carro na Ponte Salazar e atirar-se à água. O corpo apareceu uma semana depois ao largo de Sesimbra. O que me chega é a notícia de um rapaz que andou em Belas Artes, que esteve na Bélgica no Erasmus e que eu conhecia, que aproveitou uma escapada à casa de férias dos pais, onde tinha um atelier, para se enforcar. Não pretendo impressionar ninguém. Quero apenas chamar a atenção para a circunstância de, quer o ensino ("Bolonha", a botar cá para fora, para a vida material, criaturas que ainda cheiram a cueiros), quer as famílias, poderem estar a gerar perfeitos idiotas sociais ou cadáveres em férias que ignoram tudo sobre a perversidade do mundo apesar de já terem experimentado, sensualmente, quase tudo. Para conquistar o mundo, como uma pessoa, é preciso conhecê-lo primeiro. Muitos jovens são completamente desconhecidos dos seus progenitores, e vice-versa, e andam literalmente por aí às apalpadelas. Estão, aos vinte anos, mortos de cansaço e de idiotia. Fingem todos uma alegria familiar que só o papel da fotografia garante. A felicidade não se herda nem se "supôe", como sublinha indirectamente o Filipe Nunes Vicente. Só os malditos dos genes.

16.8.07

WEEDS


Um major da BT da GNR proferiu doutrina administrativa na televisão. Segundo ele, de acordo com a nova legislação destinada a catar qualquer vestígio psicotrópico no sangue do condutor, mesmo que o dito ande munido de uma justificação médica para o uso de anti-depressivos ou de ansiolíticos, está tecnicamente tramado na mesma. "Os testes rápidos" na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas "são realizados em plena estrada e ao ar livre", "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como a maioria dos portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos para, entre outras coisas, suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada dos socialistas, bem como a respectiva regulamentação, não evita o pior. Os condutores assassinos continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que necessitar sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial, seja ela da ASAE, da PSP, da GNR ou o dr. Saldanha Sanches. Mais vale proibirem-nos de mexer no carro. Lá chegaremos.