31.1.10

COELHÊS

O dr. Jorge Coelho, o eterno "ideólogo" do PS mesmo na presente encarnação de betoneiro, disse que "não há ninguém com peso para pôr ordem nisto". Se escrevesse isto aqui, vinha imediatamente a patrulha anti-fascista apodar-me de salazarista para baixo. Sucede que o dr. Coelho raramente fala por acaso. Dá ideia que está farto de Sócrates, alguém que ele "gerou" ordenando a outros que esperassem a sua vez. Em "coelhês", Sócrates não tem "peso". Nem já para governar, quanto mais para outros voos. Daí o apoio a Alegre, igualmente manifestado em "coelhês". Tudo indica que esteja em curso uma espécie de mutação genética dentro do "socratismo". Para quê, em breve saberemos.

COELHÊS

O dr. Jorge Coelho, o eterno "ideólogo" do PS mesmo na presente encarnação de betoneiro, disse que "não há ninguém com peso para pôr ordem nisto". Se escrevesse isto aqui, vinha imediatamente a patrulha anti-fascista apodar-me de salazarista para baixo. Sucede que o dr. Coelho raramente fala por acaso. Dá ideia que está farto de Sócrates, alguém que ele "gerou" ordenando a outros que esperassem a sua vez. Em "coelhês", Sócrates não tem "peso". Nem já para governar, quanto mais para outros voos. Daí o apoio a Alegre, igualmente manifestado em "coelhês". Tudo indica que esteja em curso uma espécie de mutação genética dentro do "socratismo". Para quê, em breve saberemos.

FORA DE HORAS

Manuel Alegre vai andar um ano inteiro a alimentar almoços e jantares? Quando chegar a hora, já ninguém o pode ouvir.

FORA DE HORAS

Manuel Alegre vai andar um ano inteiro a alimentar almoços e jantares? Quando chegar a hora, já ninguém o pode ouvir.

ACTUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CARIDADE



A partir dos 51 segundos: «quando eu subi aos céus/disse p'ra todos os mortais/fodam-se vocês agora/que a mim já não me fodem mais.»

ACTUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CARIDADE



A partir dos 51 segundos: «quando eu subi aos céus/disse p'ra todos os mortais/fodam-se vocês agora/que a mim já não me fodem mais.»

PALANQUES


No espaço de pouquíssimas semanas, Cavaco Silva, pela pena de Vasco Pulido Valente - e, presumivelmente, sempre com a mesma vassoura engolida - já teve várias encarnações. Começou por, «na ausência de uma oposição, tem ele de substituir a oposição. Portugal inteiro espera isso dele. E, depois, quando Sócrates cair, como cairá, na execração geral e ele, Cavaco, reeleito, reentrar em Belém, se tratará de pôr a casa em ordem.» Depois continuou. «Na balbúrdia estabelecida, há uma única personagem em quem até certo ponto os portugueses confiam: Cavaco. Manuel Alegre não se enganou. A opinião, essa opinião que as sondagens nunca reflectem, é marcadamente antiparlamentarista e antipartidária. No que ele se engana é em atribuir esta perversidade só à direita. Ele mesmo, com a sua independência do PS e as suas relações com o PC e o Bloco, prova o contrário. A candidatura que anunciou no Algarve não é uma candidatura da esquerda, é uma candidatura acima da esquerda, a candidatura da gente desiludida com os partidos, que procura uma nova solução, ou seja, como a de Cavaco, com uma lógica presidencialista.» Muito bem. Todavia, hoje, Pulido Valente, presumivelmente num acesso soarista-parlamentarista, teme que o mesmo Cavaco das notas anteriores «reúna os poderes fundamentais da República» e sugere que Alegre (o mesmo Alegre das notas anteriores) "congregará" os bonzos «contra qualquer veleidade de estabelecer uma autoridade que materialmente altera a Constituição do regime.» Só estranho que VPV não tivesse mencionado, também a título de benemérito anti-congregacionista contra Cavaco, o candidato oficial do PS a Belém. O guião das cerimónias do banqueiro Santos Silva até foi alterado para ele poder falar no palanque.

PALANQUES


No espaço de pouquíssimas semanas, Cavaco Silva, pela pena de Vasco Pulido Valente - e, presumivelmente, sempre com a mesma vassoura engolida - já teve várias encarnações. Começou por, «na ausência de uma oposição, tem ele de substituir a oposição. Portugal inteiro espera isso dele. E, depois, quando Sócrates cair, como cairá, na execração geral e ele, Cavaco, reeleito, reentrar em Belém, se tratará de pôr a casa em ordem.» Depois continuou. «Na balbúrdia estabelecida, há uma única personagem em quem até certo ponto os portugueses confiam: Cavaco. Manuel Alegre não se enganou. A opinião, essa opinião que as sondagens nunca reflectem, é marcadamente antiparlamentarista e antipartidária. No que ele se engana é em atribuir esta perversidade só à direita. Ele mesmo, com a sua independência do PS e as suas relações com o PC e o Bloco, prova o contrário. A candidatura que anunciou no Algarve não é uma candidatura da esquerda, é uma candidatura acima da esquerda, a candidatura da gente desiludida com os partidos, que procura uma nova solução, ou seja, como a de Cavaco, com uma lógica presidencialista.» Muito bem. Todavia, hoje, Pulido Valente, presumivelmente num acesso soarista-parlamentarista, teme que o mesmo Cavaco das notas anteriores «reúna os poderes fundamentais da República» e sugere que Alegre (o mesmo Alegre das notas anteriores) "congregará" os bonzos «contra qualquer veleidade de estabelecer uma autoridade que materialmente altera a Constituição do regime.» Só estranho que VPV não tivesse mencionado, também a título de benemérito anti-congregacionista contra Cavaco, o candidato oficial do PS a Belém. O guião das cerimónias do banqueiro Santos Silva até foi alterado para ele poder falar no palanque.

30.1.10

O QUE É QUE O PS FRANCÊS HÁ-DE FAZER COM AQUELA GALINHA CACAREJANTE?

«Começando a ser evidente que Sarkozy sofre da doença bipolar [nota pessoal: ainda não "desisti" de Sarkozy], é muito possível que Villepin, um fiel partidário de Chirac, seja candidato à Presidência da República nas próximas eleições em 2012, e até que as ganhe, caso o candidato socialista volte a ser aquela galinha cacarejante que dá pelo nome de Ségòlene Royal.»

Do Médio Oriente e afins

O QUE É QUE O PS FRANCÊS HÁ-DE FAZER COM AQUELA GALINHA CACAREJANTE?

«Começando a ser evidente que Sarkozy sofre da doença bipolar [nota pessoal: ainda não "desisti" de Sarkozy], é muito possível que Villepin, um fiel partidário de Chirac, seja candidato à Presidência da República nas próximas eleições em 2012, e até que as ganhe, caso o candidato socialista volte a ser aquela galinha cacarejante que dá pelo nome de Ségòlene Royal.»

Do Médio Oriente e afins

O CENTENÁRIO


O "centenário" da república começa a ser comemorado este fim de semana. No Porto, as hostilidades foram abertas por uma palhaçada promovida por Norberto Barroca que desceu (ou subiu, pouco interessa) uma rua por causa do "31 de Janeiro". Nada mais justo. O "31 de Janeiro" de 1891 não passou disso mesmo, de uma palhaçada em torno da "questão inglesa". Meteu sargentos, um capitão, um tenente, um alferes, actores, eminências da "cultura", afinal as quadrilhas habituais do então PRP já aí desavindas. A peripécia durou umas horas, as suficentes para hastear uma bandeira na câmara municipal e fomentar um pequeno folclore circunstancial. Tudo acabou tipicamente a tiro e em prisões várias. Como escreve Rui Ramos na História de Portugal da foto, a república destes aventureiros rebeldes ao directório do PRP «não resistiu um par de horas à Guarda Municipal» até porque a oficialidade tinha mais com que se maçar. Cavaco preside daqui a umas horas à abertura das "comemorações" que, para mim, só têm um interesse. Politicamente, a um ano de eleições presidenciais em que desejo que Cavaco se recandidate, estes festejos vêm a calhar. Muitos porventura prefeririam que fosse outro a presidir às festanças. Azar deles.

O CENTENÁRIO


O "centenário" da república começa a ser comemorado este fim de semana. No Porto, as hostilidades foram abertas por uma palhaçada promovida por Norberto Barroca que desceu (ou subiu, pouco interessa) uma rua por causa do "31 de Janeiro". Nada mais justo. O "31 de Janeiro" de 1891 não passou disso mesmo, de uma palhaçada em torno da "questão inglesa". Meteu sargentos, um capitão, um tenente, um alferes, actores, eminências da "cultura", afinal as quadrilhas habituais do então PRP já aí desavindas. A peripécia durou umas horas, as suficentes para hastear uma bandeira na câmara municipal e fomentar um pequeno folclore circunstancial. Tudo acabou tipicamente a tiro e em prisões várias. Como escreve Rui Ramos na História de Portugal da foto, a república destes aventureiros rebeldes ao directório do PRP «não resistiu um par de horas à Guarda Municipal» até porque a oficialidade tinha mais com que se maçar. Cavaco preside daqui a umas horas à abertura das "comemorações" que, para mim, só têm um interesse. Politicamente, a um ano de eleições presidenciais em que desejo que Cavaco se recandidate, estes festejos vêm a calhar. Muitos porventura prefeririam que fosse outro a presidir às festanças. Azar deles.

DE CERTEZA


Parece que os tipos dos carroceis andaram por Lisboa a buzinar com uns dizeres à altura nos camiões. Um exibia um pano onde se podia ler "Salazar volta que estás perdoado". Há para aí uns anitos que está, de certeza.

DE CERTEZA


Parece que os tipos dos carroceis andaram por Lisboa a buzinar com uns dizeres à altura nos camiões. Um exibia um pano onde se podia ler "Salazar volta que estás perdoado". Há para aí uns anitos que está, de certeza.

SAFA


A conversa - jornais, paineleiros, televisões, rádios, blogues, twitter, etc., etc. - sobre o orçamento já enjoa. É mesmo coisa de latino-americanos armados. Adoptem antes gado asinino. Safa.

SAFA


A conversa - jornais, paineleiros, televisões, rádios, blogues, twitter, etc., etc. - sobre o orçamento já enjoa. É mesmo coisa de latino-americanos armados. Adoptem antes gado asinino. Safa.

29.1.10

O LAMENTÁVEL BLAIR


Blair - aquela sinistra figura de sorriso idiota que inspirou a "esquerda moderna" - foi a uma comissão de inquérito dar pseudo explicações sobre a guerra do Iraque. Ele, disse, acreditava piamente que havia armas de destruição maciça no Iraque, a falácia e o pretexto para a invasão. As imagens patéticas de Blair a dizer isto mostram não um herói ocidental mas um cínico desavergonhado. Por muito menos, outros são ouvidos nessa duvidosa instituição de direito internacional que é aquele Tribunal de Haia. Só porque passa por ser democrata é que Blair não senta o rabinho por lá?

O LAMENTÁVEL BLAIR


Blair - aquela sinistra figura de sorriso idiota que inspirou a "esquerda moderna" - foi a uma comissão de inquérito dar pseudo explicações sobre a guerra do Iraque. Ele, disse, acreditava piamente que havia armas de destruição maciça no Iraque, a falácia e o pretexto para a invasão. As imagens patéticas de Blair a dizer isto mostram não um herói ocidental mas um cínico desavergonhado. Por muito menos, outros são ouvidos nessa duvidosa instituição de direito internacional que é aquele Tribunal de Haia. Só porque passa por ser democrata é que Blair não senta o rabinho por lá?

A ENTIDADE EM FORMA DE ASSIM

«A ERC começa 2010 como acabou 2009. Abriu 2009 dizendo que não analisaria o caso Sol-Freeport. Não interessava ao Governo. Acabou 2009 obrigada pelos acontecimentos a analisá-lo - ou fingindo analisá-lo: o presidente da ERC declarou no Parlamento, sobre este caso, que não consegue "melhorar o tempo de decisão da ERC", uma maçada. Em 2009, o mesmo Dupond defendeu, qual Sócrates, que se deve "reagir violentamente" nos media contra os media. Foi mais uma de várias intervenções egocêntricas e desajustadas. Em 2009, a ERC anunciou, após os ataques de Sócrates à TVI, que iria "averiguar" o JN6ª. Para abrir caminho ao Governo, a ERC fez então o inimaginável numa instituição de regulação em democracia: condenou o estilo jornalístico, sem encontrar motivos profissionais ou éticos para criticar o noticiário. Sócrates conseguiu acabar com o JN6ª, e a ERC esperou pelo fim do processo eleitoral para chorar lágrimas de crocodilo. Em 2009, a ERC anunciou querer regular os rodapés das TVs. O mundo aguarda o cumprimento dessa missão imprescindível à humanidade. Em 2009, a ERC inventou uma trapalhada para chumbar as propostas para um quinto canal, por Sócrates já não estar interessado nele. Antes das eleições de 2009, a ERC propôs-se censurar os espaços de opinião dos media portugueses. No final de 2009, preparou uma futura decisão frouxa sobre a pressão política na TVI ao anunciar "não ter meios" para lidar com o caso. Desconhece-se que "meios" lhe faltam, mas provavelmente é a independência de decisão. Tudo o que a ERC fez, fez mal? Não. Encomendou bons estudos a instituições universitárias. É uma pena a regulação não ser também feita por entidades exteriores à ERC.»

Eduardo Cintra Torres, Público

A ENTIDADE EM FORMA DE ASSIM

«A ERC começa 2010 como acabou 2009. Abriu 2009 dizendo que não analisaria o caso Sol-Freeport. Não interessava ao Governo. Acabou 2009 obrigada pelos acontecimentos a analisá-lo - ou fingindo analisá-lo: o presidente da ERC declarou no Parlamento, sobre este caso, que não consegue "melhorar o tempo de decisão da ERC", uma maçada. Em 2009, o mesmo Dupond defendeu, qual Sócrates, que se deve "reagir violentamente" nos media contra os media. Foi mais uma de várias intervenções egocêntricas e desajustadas. Em 2009, a ERC anunciou, após os ataques de Sócrates à TVI, que iria "averiguar" o JN6ª. Para abrir caminho ao Governo, a ERC fez então o inimaginável numa instituição de regulação em democracia: condenou o estilo jornalístico, sem encontrar motivos profissionais ou éticos para criticar o noticiário. Sócrates conseguiu acabar com o JN6ª, e a ERC esperou pelo fim do processo eleitoral para chorar lágrimas de crocodilo. Em 2009, a ERC anunciou querer regular os rodapés das TVs. O mundo aguarda o cumprimento dessa missão imprescindível à humanidade. Em 2009, a ERC inventou uma trapalhada para chumbar as propostas para um quinto canal, por Sócrates já não estar interessado nele. Antes das eleições de 2009, a ERC propôs-se censurar os espaços de opinião dos media portugueses. No final de 2009, preparou uma futura decisão frouxa sobre a pressão política na TVI ao anunciar "não ter meios" para lidar com o caso. Desconhece-se que "meios" lhe faltam, mas provavelmente é a independência de decisão. Tudo o que a ERC fez, fez mal? Não. Encomendou bons estudos a instituições universitárias. É uma pena a regulação não ser também feita por entidades exteriores à ERC.»

Eduardo Cintra Torres, Público

AO CUIDADO

De Pedro Santana Lopes, esta mistificação tipicamente "à portuguesa".

AO CUIDADO

De Pedro Santana Lopes, esta mistificação tipicamente "à portuguesa".

SER E ESTAR


Medeiros Ferreira tem razão. O PSD aproxima-se da sua Walpurgisnacht sem nada de substancial para imolar a não ser a si mesmo. O país não entende as boas investidas parlamentares de Ferreira Leite seguidas da complacência abstencionista a bem da mercearia e do sossego, independentemente da circunstancial bondade compassiva. Rangel já tinha dado amplos sinais de que prefere a confortável burocracia política de Bruxelas (uma preferência que, cá dentro, ninguém lhe agradecerá) à ruptura reformadora doméstica. Provavelmente não terá uma segunda oportunidade tão cedo. Aguiar-Branco conta pouco embora não tenha amigos à altura que lho expliquem. Neste contexto, cada nome retórico que emerge contra Passos é cada vez mais apenas isso mesmo, um nome como outro qualquer apenas lançado porque há Passos Coelho. Marcelo é o espelho televisivo desta original "doutrina". Por este caminho, Passos passará de mero ser a estar quase por direito natural. E a culpa jamais será dele.

SER E ESTAR


Medeiros Ferreira tem razão. O PSD aproxima-se da sua Walpurgisnacht sem nada de substancial para imolar a não ser a si mesmo. O país não entende as boas investidas parlamentares de Ferreira Leite seguidas da complacência abstencionista a bem da mercearia e do sossego, independentemente da circunstancial bondade compassiva. Rangel já tinha dado amplos sinais de que prefere a confortável burocracia política de Bruxelas (uma preferência que, cá dentro, ninguém lhe agradecerá) à ruptura reformadora doméstica. Provavelmente não terá uma segunda oportunidade tão cedo. Aguiar-Branco conta pouco embora não tenha amigos à altura que lho expliquem. Neste contexto, cada nome retórico que emerge contra Passos é cada vez mais apenas isso mesmo, um nome como outro qualquer apenas lançado porque há Passos Coelho. Marcelo é o espelho televisivo desta original "doutrina". Por este caminho, Passos passará de mero ser a estar quase por direito natural. E a culpa jamais será dele.

A ÚLTIMA FEROCIDADE

«O Orçamento é de ponta a ponta o Orçamento de Sócrates. Não diminui a despesa corrente primária (42 por cento do PIB como em 2009). Nem sequer se fala da reforma do Estado, como se ele de tão perfeito já não precisasse de emenda. As PPP da megalomania instituída sobreviveram em nome da perene "modernização" de Portugal. E o Orçamento (um Orçamento de rotina e mercearia) ele próprio se declara "de confiança", quando, excepto a de Sócrates no incomparável talento do primeiro-ministro, a confiança é a mais rara mercadoria do país. Falta acrescentar que se congelaram os salários da função pública. Um gesto quase fútil e, provavelmente, a última ferocidade do "animal feroz". »


Adenda: Em tempos de rugidos timoratos, o sr. Assis, aquela pérola que dirige o bando parlamentar do PS, foi dizer aos camaradas de Sintra que "Cavaco é derrotável". Presumo que o sr. Assis se esteja a referir delicadamente ao Chefe de Estado. Sucede que, mais do que derrotável, o sr. Assis foi humilhantemente derrotado numas eleições à câmara do Porto. Talvez lhe conviesse mais o silêncio do que a histeria, uma especialidade que distingue a sua vã eloquência.

A ÚLTIMA FEROCIDADE

«O Orçamento é de ponta a ponta o Orçamento de Sócrates. Não diminui a despesa corrente primária (42 por cento do PIB como em 2009). Nem sequer se fala da reforma do Estado, como se ele de tão perfeito já não precisasse de emenda. As PPP da megalomania instituída sobreviveram em nome da perene "modernização" de Portugal. E o Orçamento (um Orçamento de rotina e mercearia) ele próprio se declara "de confiança", quando, excepto a de Sócrates no incomparável talento do primeiro-ministro, a confiança é a mais rara mercadoria do país. Falta acrescentar que se congelaram os salários da função pública. Um gesto quase fútil e, provavelmente, a última ferocidade do "animal feroz". »


Adenda: Em tempos de rugidos timoratos, o sr. Assis, aquela pérola que dirige o bando parlamentar do PS, foi dizer aos camaradas de Sintra que "Cavaco é derrotável". Presumo que o sr. Assis se esteja a referir delicadamente ao Chefe de Estado. Sucede que, mais do que derrotável, o sr. Assis foi humilhantemente derrotado numas eleições à câmara do Porto. Talvez lhe conviesse mais o silêncio do que a histeria, uma especialidade que distingue a sua vã eloquência.

28.1.10

I ONLY WISH


«O melhor do socialismo é [est]a falta de ontem. Como eu os invejo. Deve ser tão mais fácil viver sem ontem.» Rodrigo Moita de Deus numa inconsciente mas feliz metonímia de Lewis Carroll:" I only wish I had such eyes,' the King remarked in a fretful tone. `To be able to see Nobody!"

I ONLY WISH


«O melhor do socialismo é [est]a falta de ontem. Como eu os invejo. Deve ser tão mais fácil viver sem ontem.» Rodrigo Moita de Deus numa inconsciente mas feliz metonímia de Lewis Carroll:" I only wish I had such eyes,' the King remarked in a fretful tone. `To be able to see Nobody!"

DA PENSÃO AO CORTESÃO

Quando um académico e um literato se louvam no "24 horas" revelam mais sobre o país que os fez respectivamente académico e literato do que todas as "pensões" da dra. Ferreira Leite juntas.

DA PENSÃO AO CORTESÃO

Quando um académico e um literato se louvam no "24 horas" revelam mais sobre o país que os fez respectivamente académico e literato do que todas as "pensões" da dra. Ferreira Leite juntas.

O PERTINENTE MACHADO


Ontem, enquanto degustava (que verbo mais idiota) um "cozido à portuguesa", apareceu no "lcd" (uma coisa ainda mais idiota) do restaurante o senhor Manuel Machado que esteve mais para lá do que para cá. Foi salvo, no hospital do Funchal, dos resultados de uma operação manhosa o que prova que existe mesmo qualidade de vida na Madeira. Não conheço o senhor Manuel Machado de lado algum, mas ficará para sempre gravado na minha mona como o homem que proferiu a frase mais pertinente dos últimos tempos. Um vintém é um vintém tal como um cretino é um cretino. Saúde, senhor Machado, saúde.

O PERTINENTE MACHADO


Ontem, enquanto degustava (que verbo mais idiota) um "cozido à portuguesa", apareceu no "lcd" (uma coisa ainda mais idiota) do restaurante o senhor Manuel Machado que esteve mais para lá do que para cá. Foi salvo, no hospital do Funchal, dos resultados de uma operação manhosa o que prova que existe mesmo qualidade de vida na Madeira. Não conheço o senhor Manuel Machado de lado algum, mas ficará para sempre gravado na minha mona como o homem que proferiu a frase mais pertinente dos últimos tempos. Um vintém é um vintém tal como um cretino é um cretino. Saúde, senhor Machado, saúde.

TUDO GENTE BOAZINHA

De facto, já li Le Candide há mais de um dia e lamento-me quase todos os dias por não ter sido sempre à distância do dia anterior. Se alguém entendeu, com isto , que estou preocupado com quem cruza a perna e onde o faz, continue, pois, a "dar safanões" a quem achar conveniente. E quanto ao elogio à minha retórica de imitação, tentarei não desapontar, prevendo, desde já, um rotundo falhanço.

TUDO GENTE BOAZINHA

De facto, já li Le Candide há mais de um dia e lamento-me quase todos os dias por não ter sido sempre à distância do dia anterior. Se alguém entendeu, com isto , que estou preocupado com quem cruza a perna e onde o faz, continue, pois, a "dar safanões" a quem achar conveniente. E quanto ao elogio à minha retórica de imitação, tentarei não desapontar, prevendo, desde já, um rotundo falhanço.

"A BANALIZAÇÃO DO MAL"

Para além de um link macio, fica-se sem perceber se "tmr" já ouviu falar de Hannah Arendt.

"A BANALIZAÇÃO DO MAL"

Para além de um link macio, fica-se sem perceber se "tmr" já ouviu falar de Hannah Arendt.

O "DITADOR" QUE DÁ TRABALHO


Há muitos anos, por causa de um trabalho num concurso profissional, li Os grandes patrões da indústria portuguesa, de Maria Filomena Mónica (à direita, na foto). São entrevistas a alguns desses "patrões" precedidas de um notável texto da autora agora aparentemente mais interessada em republicar-se do que em escrever "originais". O que é uma pena. Ali, um desses "patrões" era Belmiro de Azevedo, com a Sonae por "modelo", que utilizei no referido trabalho. Desta vez, Belmiro deixa-se entrevistar para não dizer nada. Ou, melhor, para ser engraçado que é um estado de alma muito apreciado por aí. Mesmo assim, as frases que os media respigaram não fazem justiça ao que Belmiro disse na íntegra. Caricaturá-lo a partir delas e, por tabela, "etiquetar" este ou aquele é insuficiente. O homem, à nossa é à sua medida, é um rei. E um rei com sotaque que esconde outro na barriga e que dá trabalho a muita gente. É quanto basta.

O "DITADOR" QUE DÁ TRABALHO


Há muitos anos, por causa de um trabalho num concurso profissional, li Os grandes patrões da indústria portuguesa, de Maria Filomena Mónica (à direita, na foto). São entrevistas a alguns desses "patrões" precedidas de um notável texto da autora agora aparentemente mais interessada em republicar-se do que em escrever "originais". O que é uma pena. Ali, um desses "patrões" era Belmiro de Azevedo, com a Sonae por "modelo", que utilizei no referido trabalho. Desta vez, Belmiro deixa-se entrevistar para não dizer nada. Ou, melhor, para ser engraçado que é um estado de alma muito apreciado por aí. Mesmo assim, as frases que os media respigaram não fazem justiça ao que Belmiro disse na íntegra. Caricaturá-lo a partir delas e, por tabela, "etiquetar" este ou aquele é insuficiente. O homem, à nossa é à sua medida, é um rei. E um rei com sotaque que esconde outro na barriga e que dá trabalho a muita gente. É quanto basta.

O QUE É QUE SE HÁ-DE FAZER COM ESTA EUROPA?


Manuel Maria Carrilho "lê" Hubert Védrine. Védrine, importa salientar, é de um tempo em que a Europa era viva. E a França também.

O QUE É QUE SE HÁ-DE FAZER COM ESTA EUROPA?


Manuel Maria Carrilho "lê" Hubert Védrine. Védrine, importa salientar, é de um tempo em que a Europa era viva. E a França também.

27.1.10

O VALE ESCURO


«Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.»

Bento XVI, Aushwitz-Birkenau, Maio de 2006

O VALE ESCURO


«Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.»

Bento XVI, Aushwitz-Birkenau, Maio de 2006

OS AMIGOS DE PENICHE

«Por todo o lado: Grupo Espírito Santo, através de um fundo imobiliário, é o proprietário do terreno que desabou para a CREL na sexta-feira», José Manuel Fernandes no twitter. E "ameaça" o senhor Salgado com o abandono do país por parte de "colegas", i.e., banqueiros por causa da tributação (coitadinha dela) sobre eles.

OS AMIGOS DE PENICHE

«Por todo o lado: Grupo Espírito Santo, através de um fundo imobiliário, é o proprietário do terreno que desabou para a CREL na sexta-feira», José Manuel Fernandes no twitter. E "ameaça" o senhor Salgado com o abandono do país por parte de "colegas", i.e., banqueiros por causa da tributação (coitadinha dela) sobre eles.

O REGRESSO DOS MAUS RAPAZES - 2


O Público apresenta hoje um artigo cientifico que diz que "estão a criar-se rapazes frustrados". O fenómeno refere-se ao ensino e ao emprego. Interessa, pois, puxar pela cabeça: o sexo feminino assume hoje uma predominância no meio académico e, por consequência, uma cada vez maior efectividade de funções nos cargos de topo privados e públicos. Até aqui tudo bem se, como acontece, isto não fosse o efeito adjacente a uma suposta "cultura de igualdade". Como sugerem cientistas devidamente creditados, o fenómeno aparece no seguimento de uma total inversão da "prova do crime". Simplesmente, e com exagero, virou-se o bico ao prego e, naturalmente, a igualdade continuará sem existir mas desta vez ao contrário. Como se fosse uma moda. Chegará uma altura, como também é costume na História, em que vai voltar-se atrás. Estupidamente, existirá por certo um revivalismo do machismo e do modo masculino de gerir institucional e familiarmente porque irão surgir ideias ridículas de que as mulheres estragaram tudo pelo facto de serem mulheres e não porque o que levou a que as mulheres aparecessem de outra forma não tenha sido mais do que a alimentação de um preconceito contra elas próprias, indirectamente, e directamente contra os homens no padrão da actualidade. Com efeito, não adianta andar muito preocupado porque, com mulheres ou com homens, o que conta são cabeças e essas continuarão a ser tão medíocres ou tão espectaculares como antes foram. Se os homens estão preocupados com as suas cada vez mais diminuídas oportunidades, é da maneira que passarão a existir grandes homens na proporção que sempre existiram grandes senhoras.
Fora isto, convém acrescentar que a mulher é muito mais perspicaz do que o homem, principalmente se se comparar a mulher média com o homem médio. Basta andar na rua e perceber que meninas de 13 anos conseguem perfeitamente mascarar a sua idade física e mental em comparação com rapazes que só têm interesse, quando o alcançam, para lá dos vinte anos. Também é curioso notar que, enquanto os rapazes andam entretidos no surf, na playstation, nas gajas, nas bebedeiras, ficando-se por aí, elas, ao mesmo tempo que dão para todos esses peditórios same age, percebem rapidamente o ascendente que a sensualidade tem em tudo o que mexe para lá da sua geração e, além disso, também percebem mais instintivamente que, afinal, a vida pública é muito mais feminina do que masculina no sentido em que a vida pública vive de intriga.

O REGRESSO DOS MAUS RAPAZES - 2


O Público apresenta hoje um artigo cientifico que diz que "estão a criar-se rapazes frustrados". O fenómeno refere-se ao ensino e ao emprego. Interessa, pois, puxar pela cabeça: o sexo feminino assume hoje uma predominância no meio académico e, por consequência, uma cada vez maior efectividade de funções nos cargos de topo privados e públicos. Até aqui tudo bem se, como acontece, isto não fosse o efeito adjacente a uma suposta "cultura de igualdade". Como sugerem cientistas devidamente creditados, o fenómeno aparece no seguimento de uma total inversão da "prova do crime". Simplesmente, e com exagero, virou-se o bico ao prego e, naturalmente, a igualdade continuará sem existir mas desta vez ao contrário. Como se fosse uma moda. Chegará uma altura, como também é costume na História, em que vai voltar-se atrás. Estupidamente, existirá por certo um revivalismo do machismo e do modo masculino de gerir institucional e familiarmente porque irão surgir ideias ridículas de que as mulheres estragaram tudo pelo facto de serem mulheres e não porque o que levou a que as mulheres aparecessem de outra forma não tenha sido mais do que a alimentação de um preconceito contra elas próprias, indirectamente, e directamente contra os homens no padrão da actualidade. Com efeito, não adianta andar muito preocupado porque, com mulheres ou com homens, o que conta são cabeças e essas continuarão a ser tão medíocres ou tão espectaculares como antes foram. Se os homens estão preocupados com as suas cada vez mais diminuídas oportunidades, é da maneira que passarão a existir grandes homens na proporção que sempre existiram grandes senhoras.
Fora isto, convém acrescentar que a mulher é muito mais perspicaz do que o homem, principalmente se se comparar a mulher média com o homem médio. Basta andar na rua e perceber que meninas de 13 anos conseguem perfeitamente mascarar a sua idade física e mental em comparação com rapazes que só têm interesse, quando o alcançam, para lá dos vinte anos. Também é curioso notar que, enquanto os rapazes andam entretidos no surf, na playstation, nas gajas, nas bebedeiras, ficando-se por aí, elas, ao mesmo tempo que dão para todos esses peditórios same age, percebem rapidamente o ascendente que a sensualidade tem em tudo o que mexe para lá da sua geração e, além disso, também percebem mais instintivamente que, afinal, a vida pública é muito mais feminina do que masculina no sentido em que a vida pública vive de intriga.

O GOSTO PELO FOLCLORE

Esta conversa é um pastiche do que é o "literato" português contemporâneo e do que é o "jornalismo cultural" perpetrado por cá em jornais e revistas, salvo uma ou duas honrosas excepções. E basta uma frase para resumir o paupérrimo exercício. «Em valter, não sobra nada de Salazar. Talvez sobre o fado, "que ele promoveu e abraçou", ou o gosto pelo folclore.» Ou, podia perguntar-se ao "valter" e aos candidatos a "valter", o que é que ainda hão-de fazer com o "fascismo"?

Adenda: Por falar em folclore, há o outro Valter, com maiúscula, o Lemos. Como nota um leitor, «Valter Lemos, ex-secretário de Estado da Está-na-Hora-Está-na-Hora-De-a-Ministra-Se-Ir-Embora, anunciou solenemente que não apoiará uma candidatura presidencial de Manuel Alegre. Consta que Alegre ficou extraordinariamente preocupado.»

O GOSTO PELO FOLCLORE

Esta conversa é um pastiche do que é o "literato" português contemporâneo e do que é o "jornalismo cultural" perpetrado por cá em jornais e revistas, salvo uma ou duas honrosas excepções. E basta uma frase para resumir o paupérrimo exercício. «Em valter, não sobra nada de Salazar. Talvez sobre o fado, "que ele promoveu e abraçou", ou o gosto pelo folclore.» Ou, podia perguntar-se ao "valter" e aos candidatos a "valter", o que é que ainda hão-de fazer com o "fascismo"?

Adenda: Por falar em folclore, há o outro Valter, com maiúscula, o Lemos. Como nota um leitor, «Valter Lemos, ex-secretário de Estado da Está-na-Hora-Está-na-Hora-De-a-Ministra-Se-Ir-Embora, anunciou solenemente que não apoiará uma candidatura presidencial de Manuel Alegre. Consta que Alegre ficou extraordinariamente preocupado.»

TALVEZ NÃO


«É necessário melhorar o combate à corrupção», disse o conselheiro Pinto Monteiro por ocasião da abertura regimental do ano judicial e de quem, entre outros, depende o dito combate. Dito assim, até parece que o conselheiro Pinto Monteiro não é o PGR. Tal como, dada a elevação do momento retórico reiterado anualmente, parece que o presidente do STJ não é presidente do STJ e que os agentes políticos que oficiam na cerimónia não são agentes políticos. Há demasiada "teoria" acerca da justiça e a justiça é cada vez mais injusta. Um mistério. Ou talvez não.

TALVEZ NÃO


«É necessário melhorar o combate à corrupção», disse o conselheiro Pinto Monteiro por ocasião da abertura regimental do ano judicial e de quem, entre outros, depende o dito combate. Dito assim, até parece que o conselheiro Pinto Monteiro não é o PGR. Tal como, dada a elevação do momento retórico reiterado anualmente, parece que o presidente do STJ não é presidente do STJ e que os agentes políticos que oficiam na cerimónia não são agentes políticos. Há demasiada "teoria" acerca da justiça e a justiça é cada vez mais injusta. Um mistério. Ou talvez não.

O REGRESSO DOS MAUS RAPAZES


Este artigo - que resulta de trabalhos de investigação académica sobre o assunto - parece sugerir que os meninos e as meninas deviam estudar separadamente. Quando comecei "à escola", não havia preocupações de "género", um termo que apareceu recentemente não fossemos nós não reparar em pessoas que gostam de exibir que são isto ou aquilo. Aos poucos, o Estado optou por juntar tudo e, apesar da extravagância dos primeiros tempos, a presença feminina nas universidades impôs-se. As moças perceberam rapidamente a vantagem da foçanguice numa sociedade dominada pelos equívocos do "mérito". E os moços não perceberam que a retórica da igualdade pendia inevitavelmente para um lado e que esse lado, o gineceu, tomou conta de quase tudo. Não é apenas a disciplina (ou a falta dela) que explica tudo. As moças há muito que não de distinguem por serem "prendadas" ou exímias em "lavores femininos". Algumas até podem ser loiras e burras mas serão infinitamente menos frívolas do que eles. Onde eles desistem, elas persistem. Onde eles caem, elas levantam-se e prosseguem de saltos altos ou sapatilhas Timberland. É por isso que a balança da igualdade se desequilibrou sem remédio. Ninguém permite mais que se trate o igual de forma e igual e o diferente de forma diferente. O título do artigo - "vem aí uma geração de rapazes frustrados" - esconde uma falácia. É que eles já são frustados. E elas já perceberam.

O REGRESSO DOS MAUS RAPAZES


Este artigo - que resulta de trabalhos de investigação académica sobre o assunto - parece sugerir que os meninos e as meninas deviam estudar separadamente. Quando comecei "à escola", não havia preocupações de "género", um termo que apareceu recentemente não fossemos nós não reparar em pessoas que gostam de exibir que são isto ou aquilo. Aos poucos, o Estado optou por juntar tudo e, apesar da extravagância dos primeiros tempos, a presença feminina nas universidades impôs-se. As moças perceberam rapidamente a vantagem da foçanguice numa sociedade dominada pelos equívocos do "mérito". E os moços não perceberam que a retórica da igualdade pendia inevitavelmente para um lado e que esse lado, o gineceu, tomou conta de quase tudo. Não é apenas a disciplina (ou a falta dela) que explica tudo. As moças há muito que não de distinguem por serem "prendadas" ou exímias em "lavores femininos". Algumas até podem ser loiras e burras mas serão infinitamente menos frívolas do que eles. Onde eles desistem, elas persistem. Onde eles caem, elas levantam-se e prosseguem de saltos altos ou sapatilhas Timberland. É por isso que a balança da igualdade se desequilibrou sem remédio. Ninguém permite mais que se trate o igual de forma e igual e o diferente de forma diferente. O título do artigo - "vem aí uma geração de rapazes frustrados" - esconde uma falácia. É que eles já são frustados. E elas já perceberam.

FORA DO MOSAICO

Neste mosaico de livros, há dois autores portugueses. O morto é um grande morto e o livro é um belo livro escrito na nossa língua. Ça va de soi. O vivo está simplesmente vivo o que já não é mau. Só não percebo por que é que está "mais vivo", enquanto autor da mesma editora, do que Passos Coelho que "saiu" ao mesmo tempo dos outros e que, parece, não se anda "a sair" mal.


Adenda (à adenda): Mas eu não sou candidato a nada. Apenas notei a falta do nosso jovem Passos num universo onde há tantos candidatos a escritor que ainda usam cueiros e que,mesmo escritores um dia, não deixarão os cueiros. Nem tu imaginas quantos e quais. E o intuito foi mesmo o literal: não o deixar de fora, sem ironias. Quando é para usar o usar o pingalim, é mesmo para usar o pingalim. Ou não tivesse eu convivido com a arma de Cavalaria.

FORA DO MOSAICO

Neste mosaico de livros, há dois autores portugueses. O morto é um grande morto e o livro é um belo livro escrito na nossa língua. Ça va de soi. O vivo está simplesmente vivo o que já não é mau. Só não percebo por que é que está "mais vivo", enquanto autor da mesma editora, do que Passos Coelho que "saiu" ao mesmo tempo dos outros e que, parece, não se anda "a sair" mal.


Adenda (à adenda): Mas eu não sou candidato a nada. Apenas notei a falta do nosso jovem Passos num universo onde há tantos candidatos a escritor que ainda usam cueiros e que,mesmo escritores um dia, não deixarão os cueiros. Nem tu imaginas quantos e quais. E o intuito foi mesmo o literal: não o deixar de fora, sem ironias. Quando é para usar o usar o pingalim, é mesmo para usar o pingalim. Ou não tivesse eu convivido com a arma de Cavalaria.

A DANAÇÃO DE DAMMANN



No corredor do Coliseu encontro alguém que me diz que cancelaram uma coisa qualquer da medíocre temporada lírica em curso no São Carlos. E porquê? Porque prosaicamente faltou o tenor. Ora sou do tempo em que, com Paolo Pinamonti (e, antes dele, com os directores que conheci, de Paes a Serra Formigal, de Ribeiro da Fonte a Ferreira de Castro), se fazia o trivial, uma substituição. Num ano, 1982, Cossotto estava anunciada para uma Carmen e foi substituída por uma jovem e genialmente inesperada Victoria Vergara que deu ao São Carlos uma das melhores heroínas de Bizet de sempre. A escolha do encriptado Mário Vieira de Carvalho para o TNSC, o alemão Christoph Dammann, foi das coisas mais catastróficas que atingiram o coração do nosso único teatro de ópera, um teatro nacional. Gabriela Canavilhas, a actual titular da Cultura, tem a estrita obrigação de perceber isto sobretudo por causa da sua formação. E se não perceber, a evidência fala por si. Remova Dammann - e outras figuras menores - e reponha Pinamonti. Sou dos poucos à vontade para defender isto. No mesmo corredor e na mesma conversa participou o Prof. Jorge Miranda, um espectador com assinatura antiga no São Carlos. Tenciona acabar com ela. Moral da história: "acabem" com Dammann antes que ele acabe com o São Carlos.

Clip: Abertura Egmont, Beethoven. Georg Solti. 1996. Em resposta a um leitor, o concerto foi fraquinho. Gardiner esteve bem melhor no dia de ano novo em Veneza, no La Fenice, que acompanhei no canal Mezzo. Notava-se que a orquestra anda em "digressão artística". Maria João Pires foi Maria João Pires, nem mais nem menos.

A DANAÇÃO DE DAMMANN



No corredor do Coliseu encontro alguém que me diz que cancelaram uma coisa qualquer da medíocre temporada lírica em curso no São Carlos. E porquê? Porque prosaicamente faltou o tenor. Ora sou do tempo em que, com Paolo Pinamonti (e, antes dele, com os directores que conheci, de Paes a Serra Formigal, de Ribeiro da Fonte a Ferreira de Castro), se fazia o trivial, uma substituição. Num ano, 1982, Cossotto estava anunciada para uma Carmen e foi substituída por uma jovem e genialmente inesperada Victoria Vergara que deu ao São Carlos uma das melhores heroínas de Bizet de sempre. A escolha do encriptado Mário Vieira de Carvalho para o TNSC, o alemão Christoph Dammann, foi das coisas mais catastróficas que atingiram o coração do nosso único teatro de ópera, um teatro nacional. Gabriela Canavilhas, a actual titular da Cultura, tem a estrita obrigação de perceber isto sobretudo por causa da sua formação. E se não perceber, a evidência fala por si. Remova Dammann - e outras figuras menores - e reponha Pinamonti. Sou dos poucos à vontade para defender isto. No mesmo corredor e na mesma conversa participou o Prof. Jorge Miranda, um espectador com assinatura antiga no São Carlos. Tenciona acabar com ela. Moral da história: "acabem" com Dammann antes que ele acabe com o São Carlos.

Clip: Abertura Egmont, Beethoven. Georg Solti. 1996. Em resposta a um leitor, o concerto foi fraquinho. Gardiner esteve bem melhor no dia de ano novo em Veneza, no La Fenice, que acompanhei no canal Mezzo. Notava-se que a orquestra anda em "digressão artística". Maria João Pires foi Maria João Pires, nem mais nem menos.

O FARDO

Enquanto o ministro das finanças explica em directo as provações para 2010, passa em rodapé que o governo português vai emprestar €140 milhões a Angola. Isto afinal está mais robusto do que parece.

O FARDO

Enquanto o ministro das finanças explica em directo as provações para 2010, passa em rodapé que o governo português vai emprestar €140 milhões a Angola. Isto afinal está mais robusto do que parece.

26.1.10

SEM DESCULPAS

Um pouco na sequência do post anterior, constata-se que o CDS, sempre na peugada do PSD (e do governo), também vai apresentar duas tretas quaisquer sobre a lei das finanças regionais. Pela voz da dra. Cristas (a nova Teresa Caeiro do dr. Portas em versão quinhentas vezes mais ambiciosa), ficou a saber-se que «pensamos (pensa ela) que não são devidos à Madeira quaisquer montantes a título retroactivo.» Por acaso pensa mal mas alguém lhe explicará porquê. Depois, como ganharam uns votinhos nos Açores, a dra. Cristas quer «que os Açores não fiquem prejudicados com qualquer alteração legislativa» e, à falta de uma "iniciativa", junta duas para a gente não se esquecer que existem. Todavia, insuflar a questão "finanças regionais" nesta altura do campeonato - seja por causa da Madeira, seja por causa dos Açores - é um manifesto disparate que o país não entenderia e que Sócrates iria explorar à exaustão. Nunca pensei escrever isto, mas deixem-no trabalhar sem desculpas.

SEM DESCULPAS

Um pouco na sequência do post anterior, constata-se que o CDS, sempre na peugada do PSD (e do governo), também vai apresentar duas tretas quaisquer sobre a lei das finanças regionais. Pela voz da dra. Cristas (a nova Teresa Caeiro do dr. Portas em versão quinhentas vezes mais ambiciosa), ficou a saber-se que «pensamos (pensa ela) que não são devidos à Madeira quaisquer montantes a título retroactivo.» Por acaso pensa mal mas alguém lhe explicará porquê. Depois, como ganharam uns votinhos nos Açores, a dra. Cristas quer «que os Açores não fiquem prejudicados com qualquer alteração legislativa» e, à falta de uma "iniciativa", junta duas para a gente não se esquecer que existem. Todavia, insuflar a questão "finanças regionais" nesta altura do campeonato - seja por causa da Madeira, seja por causa dos Açores - é um manifesto disparate que o país não entenderia e que Sócrates iria explorar à exaustão. Nunca pensei escrever isto, mas deixem-no trabalhar sem desculpas.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Lê-se aqui que “o CDS conseguiu marcar a agenda das negociações”, em oposição ao PSD, como se o CDS fosse alguma coisa e como se o que passa nas televisões fosse o que marca. Sucede que o CDS não marca coisa nenhuma a não ser aos olhos da mediania. Presumir ou dar a entender que esse partido tem intervenção e não é só mais do que um vácuo, não passa de uma amabilidade demasiado sistémica e um derrame já habitual em forma de artigo definido. Enfraquece-se permanentemente o PSD, que é o que interessa que se componha, e puxa-se a ferros o que não interessa para nada. É a aclamada responsabilidade social.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Lê-se aqui que “o CDS conseguiu marcar a agenda das negociações”, em oposição ao PSD, como se o CDS fosse alguma coisa e como se o que passa nas televisões fosse o que marca. Sucede que o CDS não marca coisa nenhuma a não ser aos olhos da mediania. Presumir ou dar a entender que esse partido tem intervenção e não é só mais do que um vácuo, não passa de uma amabilidade demasiado sistémica e um derrame já habitual em forma de artigo definido. Enfraquece-se permanentemente o PSD, que é o que interessa que se componha, e puxa-se a ferros o que não interessa para nada. É a aclamada responsabilidade social.

INTERLÚDIO MUSICAL


No Coliseu, às 21, John Eliot Gardiner dirige a Orquestra Sinfónica de Londres. O programa é apenas Beethoven, o Concerto nº 2 para piano e orquestra - o piano fica com Maria João Pires - e a Sinfonia nº 6, dita Pastoral.

INTERLÚDIO MUSICAL


No Coliseu, às 21, John Eliot Gardiner dirige a Orquestra Sinfónica de Londres. O programa é apenas Beethoven, o Concerto nº 2 para piano e orquestra - o piano fica com Maria João Pires - e a Sinfonia nº 6, dita Pastoral.

25.1.10

FÁTIMA, O SINTOMA

A D. Fátima promove mais um dos seus infinitos episódios desta vez acerca das "contas do estado". Ainda não entendeu que ela é um tipicamente um sintoma do "estado a que isto chegou". Boa noite e boa sorte.

FÁTIMA, O SINTOMA

A D. Fátima promove mais um dos seus infinitos episódios desta vez acerca das "contas do estado". Ainda não entendeu que ela é um tipicamente um sintoma do "estado a que isto chegou". Boa noite e boa sorte.

VAMPIROS

Agora que dois canais generalistas decidiram, em telenovelas, decantar a original "temática" dos vampiros - tudo por causa de uns livros de capa negra de uma "Rodrigues dos Santos" qualquer lá de fora -, a RTP preferiu "concorrer" com o eterno dr. Soares que nos vai brindar com oito programas sobre o maravilhoso centenário da República. Só vampiros, na realidade.

VAMPIROS

Agora que dois canais generalistas decidiram, em telenovelas, decantar a original "temática" dos vampiros - tudo por causa de uns livros de capa negra de uma "Rodrigues dos Santos" qualquer lá de fora -, a RTP preferiu "concorrer" com o eterno dr. Soares que nos vai brindar com oito programas sobre o maravilhoso centenário da República. Só vampiros, na realidade.

UM HOMEM CONTRA AS BENEVOLENTES


O General Ramalho Eanes celebra hoje setenta e cinco anos. Num ano em que as benevolentes falam de eleições presidenciais como se tivessem lugar já amanhã - elas estão sempre com um olho no burro e outro no cigano e a sua "história" dura menos de um dia - apraz-me saudar o bom peso do passado. E é apenas isto, escrito noutra ocasião. À medida que decorre incessantemente o pior - pessoas, circunstâncias, instintos -, mais a imagem desse homem austero e decente se me afigura exemplar. Eanes foi o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, directo e secreto. Tinha quarenta anos. Com o poder de que então dispunha - político e militar - podia ter sido tudo e feito tudo. Fez, porém, o essencial preservando a liberdade.

UM HOMEM CONTRA AS BENEVOLENTES


O General Ramalho Eanes celebra hoje setenta e cinco anos. Num ano em que as benevolentes falam de eleições presidenciais como se tivessem lugar já amanhã - elas estão sempre com um olho no burro e outro no cigano e a sua "história" dura menos de um dia - apraz-me saudar o bom peso do passado. E é apenas isto, escrito noutra ocasião. À medida que decorre incessantemente o pior - pessoas, circunstâncias, instintos -, mais a imagem desse homem austero e decente se me afigura exemplar. Eanes foi o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, directo e secreto. Tinha quarenta anos. Com o poder de que então dispunha - político e militar - podia ter sido tudo e feito tudo. Fez, porém, o essencial preservando a liberdade.

BETONEIROS DA OPINIÃO

Há relativamente pouco tempo, como uma tendência da moda, assiste-se a um fenómeno curioso. Nos jornais, nos blogs e nas televisões, quem bota faladura emprega insistentemente o artigo definido "o" ou "a" para fazer referência a alguém. O objectivo é claro e um bocadinho piroso. Na verdade, os betoneiros da opinião referem-se uns aos outros publicamente, para que o simples leitor ou espectador perceba que está fora do círculo, com a intimidade de quem todos os dias troca uns telefonemas ou umas mensagens no facebook ou no twitter sobre o dia noticioso e as suas merdinhas laterais. Fechada essa jaula que aparentemente divide a prestigiada gente livre do outro que é suposto estar a assistir ao seu derrame, o artigo definido serve para fazer do referenciado na "opinião", ora um vagabundo, que é raro, ora uma espécie de entidade à prova de bala. O que interessa, em última instância, é perceber-se que quem escreve está à distância simples da sua vontade do mencionado, seja pela "amizade" ou por qualquer vontade de "entendimento" ou "partilha intelectual" quando se tratam nomes externos ao pequeno ambiente doméstico. Coitados, que estúpidos.

BETONEIROS DA OPINIÃO

Há relativamente pouco tempo, como uma tendência da moda, assiste-se a um fenómeno curioso. Nos jornais, nos blogs e nas televisões, quem bota faladura emprega insistentemente o artigo definido "o" ou "a" para fazer referência a alguém. O objectivo é claro e um bocadinho piroso. Na verdade, os betoneiros da opinião referem-se uns aos outros publicamente, para que o simples leitor ou espectador perceba que está fora do círculo, com a intimidade de quem todos os dias troca uns telefonemas ou umas mensagens no facebook ou no twitter sobre o dia noticioso e as suas merdinhas laterais. Fechada essa jaula que aparentemente divide a prestigiada gente livre do outro que é suposto estar a assistir ao seu derrame, o artigo definido serve para fazer do referenciado na "opinião", ora um vagabundo, que é raro, ora uma espécie de entidade à prova de bala. O que interessa, em última instância, é perceber-se que quem escreve está à distância simples da sua vontade do mencionado, seja pela "amizade" ou por qualquer vontade de "entendimento" ou "partilha intelectual" quando se tratam nomes externos ao pequeno ambiente doméstico. Coitados, que estúpidos.

A FANCARIA



Sophia Loren, reaparecida em 2009

Em alguns sítios de Lisboa, mais do que no Porto que mantém um certo nível em certo tipo de círculo, ir à missa é como ir a um vernissage qualquer com a Caras ao dependuro. Está-se, nos tais certos sítios, na igreja em função de um compromisso de vaidade e cusquice. Em certos sítios de Lisboa, entremeia-se a Eucaristia com o cinismo mais reles de todos. Em certos sítios de Lisboa, as senhoras, e algumas até parecem senhoras, cruzam a perna na igreja sem saberem, entre uns casacos de pele e uns cabelos armados sem elegância, porque nunca lhes ensinaram, que as senhoras cruzam a perna em todo o sítio menos na igreja. Estas mesmas senhoras, devem saber de cor os livros de etiqueta que há à venda por aí. Em certos sítios de Lisboa, dá vontade de ir ter com algumas caras e perguntar-lhes se as viagens que fazem, principalmente as que não são de mochila às costas, não servem para nada. Às vezes, em certos sítios de Lisboa, dá vontade de perguntar se, numa ida a Paris, a Londres ou até ao Mónaco, aquelas criaturinhas que tanto apreciam frivolidades, não têm inteligência suficiente para as transportar adequadamente para a nossa cidade e conseguir tornar Lisboa uma terra menos provinciana e que consiga captar gente que liberte a cidade do grotesco corredor social que nela pulula sem graça nem categoria nenhuma. Mais do que em certos sítios de Lisboa e na cidade quase toda, é impossível ser-se complacente. Não há nada mais irritante e meão do que a complacência, para além de gente que se acha e não tem por onde achar-se.

A FANCARIA



Sophia Loren, reaparecida em 2009

Em alguns sítios de Lisboa, mais do que no Porto que mantém um certo nível em certo tipo de círculo, ir à missa é como ir a um vernissage qualquer com a Caras ao dependuro. Está-se, nos tais certos sítios, na igreja em função de um compromisso de vaidade e cusquice. Em certos sítios de Lisboa, entremeia-se a Eucaristia com o cinismo mais reles de todos. Em certos sítios de Lisboa, as senhoras, e algumas até parecem senhoras, cruzam a perna na igreja sem saberem, entre uns casacos de pele e uns cabelos armados sem elegância, porque nunca lhes ensinaram, que as senhoras cruzam a perna em todo o sítio menos na igreja. Estas mesmas senhoras, devem saber de cor os livros de etiqueta que há à venda por aí. Em certos sítios de Lisboa, dá vontade de ir ter com algumas caras e perguntar-lhes se as viagens que fazem, principalmente as que não são de mochila às costas, não servem para nada. Às vezes, em certos sítios de Lisboa, dá vontade de perguntar se, numa ida a Paris, a Londres ou até ao Mónaco, aquelas criaturinhas que tanto apreciam frivolidades, não têm inteligência suficiente para as transportar adequadamente para a nossa cidade e conseguir tornar Lisboa uma terra menos provinciana e que consiga captar gente que liberte a cidade do grotesco corredor social que nela pulula sem graça nem categoria nenhuma. Mais do que em certos sítios de Lisboa e na cidade quase toda, é impossível ser-se complacente. Não há nada mais irritante e meão do que a complacência, para além de gente que se acha e não tem por onde achar-se.

SINAPSES E LÁBIOS

O problema é que, ao vivo, o Vasco não é «tragicamente concebível» e nem sequer é um upgrade do bardo Mendes Bota. É apenas um bom rapaz impressionado pelo "estilo Nuno Homem de Sá que consegue sorrir sem mexer o lábio superior" do proto-líder que ele apoia.

SINAPSES E LÁBIOS

O problema é que, ao vivo, o Vasco não é «tragicamente concebível» e nem sequer é um upgrade do bardo Mendes Bota. É apenas um bom rapaz impressionado pelo "estilo Nuno Homem de Sá que consegue sorrir sem mexer o lábio superior" do proto-líder que ele apoia.

INTENDÊNCIAS

Com indiquei na altura em que abri o blogue a colaborações, os colaboradores tanto podiam vir como ir. Tiago Moreira Ramalho (TMR) esteve e já foi. Em breve outro virá e, espero, sob a forma aforística. TMR abriu este blogue de que é autor exclusivo. Começa com o orçamento. O problema é que se tem falado muito em orçamento como se se tratasse de uma iniciação maçónica. Todos querem saber como é mas poucos se atrevem a experimentar. O OE deve passar? Deve e, de preferência, com pouca conversa porque há muito para fazer. E convém lembrar que é uma lei do parlamento, i. e., da "representação nacional". É de todos e não é de nenhum. Neste sentido, releva mais neste momento do que uma qualquer lei de finanças regionais. Se o PSD não perceber, o Doutor Cavaco que lhe explique.

INTENDÊNCIAS

Com indiquei na altura em que abri o blogue a colaborações, os colaboradores tanto podiam vir como ir. Tiago Moreira Ramalho (TMR) esteve e já foi. Em breve outro virá e, espero, sob a forma aforística. TMR abriu este blogue de que é autor exclusivo. Começa com o orçamento. O problema é que se tem falado muito em orçamento como se se tratasse de uma iniciação maçónica. Todos querem saber como é mas poucos se atrevem a experimentar. O OE deve passar? Deve e, de preferência, com pouca conversa porque há muito para fazer. E convém lembrar que é uma lei do parlamento, i. e., da "representação nacional". É de todos e não é de nenhum. Neste sentido, releva mais neste momento do que uma qualquer lei de finanças regionais. Se o PSD não perceber, o Doutor Cavaco que lhe explique.

24.1.10

UM SALAZAR VERMELHO


O António, que colabora neste blogue, ofereceu-me um busto vermelho como os três da foto (ele tem um azul). O seu autor é Francisco Mota Ferreira. Salazar - é bom afirmá-lo no ano do folclórico centenário - era um republicano. Católico, aceitou, ao contrário de outros católicos monárquicos, ser deputado após as "legislativas" de 1921. De resto, como correspondência recentemente editada evidencia, Salazar até enviou retratos para passes de comboio a que teria direito como deputado - e "que me estão fazendo muita falta" - designadamente porque prometeu "acompanhar um amigo num passeio pelo Minho que me ficará muito caro se nessa altura não tiver o passe". Entretanto ocorreu mais uma peripécia sanguinária típica da 1ª República - a mais famosa que incluiu o assassinato de António Granjo e de outras luminárias do regime - e as "Câmaras" foram dissolvidas. Às legislativas que se seguiram já Salazar não quis concorrer. Mesmo assim, ainda escreveu ao colega Lino Neto que "é quase para mim um ponto de honra (...) ir ao Parlamento". Não foi, contudo. Sabia (continua na carta) que "o mundo não nos foge": "se tiver de ser político, tenho tempo ainda de o ser e talvez mau". Um cínico, este Salazar. Sempre impiedoso com os "nossos pobres monárquicos".

UM SALAZAR VERMELHO


O António, que colabora neste blogue, ofereceu-me um busto vermelho como os três da foto (ele tem um azul). O seu autor é Francisco Mota Ferreira. Salazar - é bom afirmá-lo no ano do folclórico centenário - era um republicano. Católico, aceitou, ao contrário de outros católicos monárquicos, ser deputado após as "legislativas" de 1921. De resto, como correspondência recentemente editada evidencia, Salazar até enviou retratos para passes de comboio a que teria direito como deputado - e "que me estão fazendo muita falta" - designadamente porque prometeu "acompanhar um amigo num passeio pelo Minho que me ficará muito caro se nessa altura não tiver o passe". Entretanto ocorreu mais uma peripécia sanguinária típica da 1ª República - a mais famosa que incluiu o assassinato de António Granjo e de outras luminárias do regime - e as "Câmaras" foram dissolvidas. Às legislativas que se seguiram já Salazar não quis concorrer. Mesmo assim, ainda escreveu ao colega Lino Neto que "é quase para mim um ponto de honra (...) ir ao Parlamento". Não foi, contudo. Sabia (continua na carta) que "o mundo não nos foge": "se tiver de ser político, tenho tempo ainda de o ser e talvez mau". Um cínico, este Salazar. Sempre impiedoso com os "nossos pobres monárquicos".

ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA

A Universidade de Coimbra prodigalizou um doutoramento honoris causa ao nosso dr. Sampaio. No acto, Sampaio manifestou-se incomodado com as permanentes mexidas na justiça. Disse que a sua suposta "reforma" é incompatível com imediatismos. E disse bem. Mas é "oração de sapiência" que Sampaio deveria ter proferido no Largo do Rato. O PS está quase ininterruptamente no poder vai para quinze anos, todos eles, com a excepção dos últimos, presididos por Sampaio. Nestes anos, o PS teve mais "políticas" para a justiça do que ministros. Nenhuma delas foi coerente com a que a antecedeu. E, na altura, Sampaio não se preocupou excessivamente com "imediatismos" ou com aquelas incoerências. O regime alimenta-se da instabilidade legislativa e da insegurança jurídica com as quais Sampaio conviveu, como PR, na perfeição. Queixa-se, agora, de quê?

ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA

A Universidade de Coimbra prodigalizou um doutoramento honoris causa ao nosso dr. Sampaio. No acto, Sampaio manifestou-se incomodado com as permanentes mexidas na justiça. Disse que a sua suposta "reforma" é incompatível com imediatismos. E disse bem. Mas é "oração de sapiência" que Sampaio deveria ter proferido no Largo do Rato. O PS está quase ininterruptamente no poder vai para quinze anos, todos eles, com a excepção dos últimos, presididos por Sampaio. Nestes anos, o PS teve mais "políticas" para a justiça do que ministros. Nenhuma delas foi coerente com a que a antecedeu. E, na altura, Sampaio não se preocupou excessivamente com "imediatismos" ou com aquelas incoerências. O regime alimenta-se da instabilidade legislativa e da insegurança jurídica com as quais Sampaio conviveu, como PR, na perfeição. Queixa-se, agora, de quê?

O CANASTRÃO E O EVANGELISTA


Por regra, os candidatos presidenciais "crescem" do partido a que pertencem (Soares, Sampaio e Cavaco) para a nação. Alegre, porém, prefere "crescer" de outro partido - o Bloco - para o seu e só depois, eventualmente, para a eleição. Parafraseando Donald Davidson e T. S. Eliot (um poeta a sério), é um belo começo, a nice derangement of a beginning.

O CANASTRÃO E O EVANGELISTA


Por regra, os candidatos presidenciais "crescem" do partido a que pertencem (Soares, Sampaio e Cavaco) para a nação. Alegre, porém, prefere "crescer" de outro partido - o Bloco - para o seu e só depois, eventualmente, para a eleição. Parafraseando Donald Davidson e T. S. Eliot (um poeta a sério), é um belo começo, a nice derangement of a beginning.

PORTUGAL CONTEMPORÂNEO - 3

«Apesar do palavrório e dos trémulos de voz (quem não se lembra de Guterres com o coração na boca?), o Estado nunca de facto se preocupou em educar os portugueses. Ou porque não sabia o que era a educação (coisa provável e muitas vezes manifesta no pessoal dirigente) ou porque se limitou a ceder a pressões - regionais, corporativas, económicas, partidárias - com um total desprezo pelo resultado. Neste capítulo, o grande "esforço" oficial, como eles gostavam de chamar à falcatrua, não passou na prática de puro fingimento. Não admira que estejam hoje no desemprego entre 40 e 50.000 "licenciados". Nem que a produtividade não aumente. O que admira é que ninguém perceba que Portugal fabricou a sua própria miséria: por desleixo, corrupção e militante estupidez.»

Vasco Pulido Valente, Público

PORTUGAL CONTEMPORÂNEO - 3

«Apesar do palavrório e dos trémulos de voz (quem não se lembra de Guterres com o coração na boca?), o Estado nunca de facto se preocupou em educar os portugueses. Ou porque não sabia o que era a educação (coisa provável e muitas vezes manifesta no pessoal dirigente) ou porque se limitou a ceder a pressões - regionais, corporativas, económicas, partidárias - com um total desprezo pelo resultado. Neste capítulo, o grande "esforço" oficial, como eles gostavam de chamar à falcatrua, não passou na prática de puro fingimento. Não admira que estejam hoje no desemprego entre 40 e 50.000 "licenciados". Nem que a produtividade não aumente. O que admira é que ninguém perceba que Portugal fabricou a sua própria miséria: por desleixo, corrupção e militante estupidez.»

Vasco Pulido Valente, Público

23.1.10

DAS FARTURAS

Algumas pessoas deste blogue e algumas pessoas deste têm em comum a militância no mesmo partido. E dizem uns dos outros o que militantes de partidos adversários não chegam a dizer uns dos outros o que, em parte, explica o estado do partido deles. Alguém poder ser ou deixar de ser líder não devia tirar o sono a ninguém. A mim, pelo menos, não tira. Todavia gosto mais de farturas do que de políticos que pretendem começar a "carreira artística" a, tipicamente, oferecer farturas.

DAS FARTURAS

Algumas pessoas deste blogue e algumas pessoas deste têm em comum a militância no mesmo partido. E dizem uns dos outros o que militantes de partidos adversários não chegam a dizer uns dos outros o que, em parte, explica o estado do partido deles. Alguém poder ser ou deixar de ser líder não devia tirar o sono a ninguém. A mim, pelo menos, não tira. Todavia gosto mais de farturas do que de políticos que pretendem começar a "carreira artística" a, tipicamente, oferecer farturas.

DON CARLO NA BASTILHA



Em Fevereiro, estreia na Ópera da Bastilha uma nova versão do Don Carlo, de Verdi, encenada por Graham Vick. Dirige Carlo Rizzi. Luciana D’Intino, que passou pelo São Carlos noutra encarnação, será a Princesa Eboli. Um pretexto para, "entre carnavais" e para sair uns dias deste carnaval, ir até Paris.

Clip: Festival de Salzburgo de 1986. Herbert von Karajan.

DON CARLO NA BASTILHA



Em Fevereiro, estreia na Ópera da Bastilha uma nova versão do Don Carlo, de Verdi, encenada por Graham Vick. Dirige Carlo Rizzi. Luciana D’Intino, que passou pelo São Carlos noutra encarnação, será a Princesa Eboli. Um pretexto para, "entre carnavais" e para sair uns dias deste carnaval, ir até Paris.

Clip: Festival de Salzburgo de 1986. Herbert von Karajan.

22.1.10

GENIAL

Prosa em três tempos sobre o tempo único alimentado por meia dúzia de farsantes.

GENIAL

Prosa em três tempos sobre o tempo único alimentado por meia dúzia de farsantes.

CAVACO


Este blogue - o seu autor - é muito fustigado com coisas do género "só sabe dizer mal". É sinal de que, apesar de tudo, ainda sei dizer alguma coisa. Mas hoje concedo um elogio que não é vitupério. Cavaco Silva foi eleito Chefe de Estado há quatro anos. Depois de Eanes (atípico) e de dois socialistas, a chegada a Belém de alguém que nada devia à legitimidade militar ou à "anti-fascista" repôs algum equilíbrio no regime. A prova disto reside nos persistentes ataques que aqueles que se julgam donos do dito regime, directa ou indirectamente, lançam, alarve ou menos alarvemente. ao PR. Cavaco não "faz o género" desta gente. Não fez quando arrebatou duas maiorias absolutas, nem faz agora. A autoridade de Cavaco foi construída. Nunca foi outorgada em atestados de bom comportamento passados pelo patronato democrático ou pelos critérios de eugenia político-cultural em vigor que Pulido Valente (não o historiador mas o "admirador" de Soares) sintetizou na sentença "não ficará na história". Como escrevi na altura no falecido Independente, «a sobranceria das esquerdas acerca de tudo e de todos, particularmente em matéria de subtileza "cultural", teve a resposta que merecia.» Voltará a tê-la daqui a um ano.

Adenda: É triste a figura que um jornalista com a idade de Mário Crespo fez diante de Passos Coelho por causa do seu ódio primitivo - e inteiramente pessoal - ao PR. Ao pé de Crespo, e até pelas respostas que deu, Passos Coelho foi um senhor e ele apenas patético.