31.1.11

A MÁ EDUCAÇÃO

Isabel Alçada, escritora de "aventuras" e convidada de Fatinha C. Ferreira no canal oficial, fala em "educação para a cidadania". Tratar-se-á de alguma formação específica para o "socratismo", um produto tão avesso à boa educação quanto a ser educado para a cidadania?

Adenda: Ao lado de Isabel Alçada, a Fatinha sentou Isabel Soares, directora do Colégio Moderno. A título de quê? De representante (mais um) da dinastia Ming do regime?

A MÁ EDUCAÇÃO

Isabel Alçada, escritora de "aventuras" e convidada de Fatinha C. Ferreira no canal oficial, fala em "educação para a cidadania". Tratar-se-á de alguma formação específica para o "socratismo", um produto tão avesso à boa educação quanto a ser educado para a cidadania?

Adenda: Ao lado de Isabel Alçada, a Fatinha sentou Isabel Soares, directora do Colégio Moderno. A título de quê? De representante (mais um) da dinastia Ming do regime?

DEBATE, DIZ ELE


«A realidade exige novas ideias», diz Santos Silva a propósito do congresso albanês do PS anunciado para Abril. Por que é que ele, com a sua "experiência" trauliteira, não se candidata em nome dessas "novas ideias" em vez de aparecer como um péssimo e pérfido tenor das mais "velhas"?

DEBATE, DIZ ELE


«A realidade exige novas ideias», diz Santos Silva a propósito do congresso albanês do PS anunciado para Abril. Por que é que ele, com a sua "experiência" trauliteira, não se candidata em nome dessas "novas ideias" em vez de aparecer como um péssimo e pérfido tenor das mais "velhas"?

PENOSO


Rui Pereira, o MAI, ainda não se "curou" da vergonha com os cartões de cidadão do passado dia 23. Mesmo assim, veio, não se sabe bem a que propósito (obter o beneplácito do autarquismo rapace e rotundeiro?), defender a regionalização, essa pestífera mania que volta de vez em quando. Pereira está desprovido de "agenda" e, presume-se, de confiança política interna. Precisa urgentemente de "administrar" qualquer coisa nem que seja o prato requentado da regionalização que ele julga que iria "aprofundar" a democracia. Penoso.

PENOSO


Rui Pereira, o MAI, ainda não se "curou" da vergonha com os cartões de cidadão do passado dia 23. Mesmo assim, veio, não se sabe bem a que propósito (obter o beneplácito do autarquismo rapace e rotundeiro?), defender a regionalização, essa pestífera mania que volta de vez em quando. Pereira está desprovido de "agenda" e, presume-se, de confiança política interna. Precisa urgentemente de "administrar" qualquer coisa nem que seja o prato requentado da regionalização que ele julga que iria "aprofundar" a democracia. Penoso.

PARA MEMÓRIA FUTURA


«O comportamento do Governo na campanha presidencial foi vergonhoso. Promoveu e alimentou calúnias e infâmias contra Cavaco Silva, com a conveniente cumplicidade de uns tantos palhaços e de um numeroso bando de idiotas úteis. Para culminar a sua actuação, impediu milhares e milhares de portugueses de exercerem o seu direito de voto na vã esperança de aumentar a abstenção e assim poder levar o seu triste candidato a uma mais do que improvável segunda volta. Como tudo falhou, resta-lhe espalhar por aí que, afinal, o grande vencedor de dia 23 acabou por perder e ficou ferido na sua credibilidade para exercer em pleno o seu mandato. Perante este quadro de miséria, não basta decretar tolerância zero ao senhor engenheiro relativo. A bem da Nação, exige-se do Presidente da República uma implacável vigilância

António Ribeiro Ferreira, CM

«Em 23 de Janeiro, com a reeleição do Presidente da República extinguiram-se não apenas a maioria que o elegeu mas também, e sobretudo, as minorias que se polarizaram nos candidatos derrotados. Descontado o eventual interesse dos elementos de análise que fornecem, os valores percentuais respectivos não servem rigorosamente para nada, nem dão qualquer autoridade ou força política aos vencidos. Por sua vez, a autoridade de Aníbal Cavaco Silva não sai beliscada, nem de perto nem de longe. Mas ainda há, aqui e ali, uns trejeitos ranhosos de gente que não desarma e, como não pode contestar a legitimidade da sua eleição, continua a regougar, a ratar, a roer, talvez a regurgitar e a remoer de novo, a propósito da figura e da força do Presidente, o qual, a despeito de vencedor, teria saído ingloriamente enfraquecido da eleição. Cavaco Silva não apenas ganhou com uma confortável maioria, como ganhou em todos os distritos, do Continente e das regiões autónomas, mas para essa malta é como se não tivesse ganho. Ganhou, mas agora há quem garanta que afinal ele... perdeu! Este prodígio dialéctico tem um intuito evidente, que é o de tentar desagregar na opinião pública os poderes que a Constituição confere ao Chefe do Estado, ou pela via de lhe quererem descortinar na prática uma diminuição de estatuto e de autoridade, ou pela das conclusões extraídas a fórceps de variados malabarismos aritméticos sobre os resultados eleitorais, ou ainda pela da crítica ao seu discurso de vitória na noite das eleições, em que, opinam eles de sobrolho contristado, deveria ter perdido a memória, oferecido a outra face e estendido a mão caridosa e conciliadora a quem o insultou sem escrúpulos (...). Dizendo as coisas por outras palavras: as minorias vencidas extinguiram-se, mas ficaram no terreno uns agentes póstumos, ao serviço de uma conveniência política manhosa e obscura

João César das Neves, DN

PARA MEMÓRIA FUTURA


«O comportamento do Governo na campanha presidencial foi vergonhoso. Promoveu e alimentou calúnias e infâmias contra Cavaco Silva, com a conveniente cumplicidade de uns tantos palhaços e de um numeroso bando de idiotas úteis. Para culminar a sua actuação, impediu milhares e milhares de portugueses de exercerem o seu direito de voto na vã esperança de aumentar a abstenção e assim poder levar o seu triste candidato a uma mais do que improvável segunda volta. Como tudo falhou, resta-lhe espalhar por aí que, afinal, o grande vencedor de dia 23 acabou por perder e ficou ferido na sua credibilidade para exercer em pleno o seu mandato. Perante este quadro de miséria, não basta decretar tolerância zero ao senhor engenheiro relativo. A bem da Nação, exige-se do Presidente da República uma implacável vigilância

António Ribeiro Ferreira, CM

«Em 23 de Janeiro, com a reeleição do Presidente da República extinguiram-se não apenas a maioria que o elegeu mas também, e sobretudo, as minorias que se polarizaram nos candidatos derrotados. Descontado o eventual interesse dos elementos de análise que fornecem, os valores percentuais respectivos não servem rigorosamente para nada, nem dão qualquer autoridade ou força política aos vencidos. Por sua vez, a autoridade de Aníbal Cavaco Silva não sai beliscada, nem de perto nem de longe. Mas ainda há, aqui e ali, uns trejeitos ranhosos de gente que não desarma e, como não pode contestar a legitimidade da sua eleição, continua a regougar, a ratar, a roer, talvez a regurgitar e a remoer de novo, a propósito da figura e da força do Presidente, o qual, a despeito de vencedor, teria saído ingloriamente enfraquecido da eleição. Cavaco Silva não apenas ganhou com uma confortável maioria, como ganhou em todos os distritos, do Continente e das regiões autónomas, mas para essa malta é como se não tivesse ganho. Ganhou, mas agora há quem garanta que afinal ele... perdeu! Este prodígio dialéctico tem um intuito evidente, que é o de tentar desagregar na opinião pública os poderes que a Constituição confere ao Chefe do Estado, ou pela via de lhe quererem descortinar na prática uma diminuição de estatuto e de autoridade, ou pela das conclusões extraídas a fórceps de variados malabarismos aritméticos sobre os resultados eleitorais, ou ainda pela da crítica ao seu discurso de vitória na noite das eleições, em que, opinam eles de sobrolho contristado, deveria ter perdido a memória, oferecido a outra face e estendido a mão caridosa e conciliadora a quem o insultou sem escrúpulos (...). Dizendo as coisas por outras palavras: as minorias vencidas extinguiram-se, mas ficaram no terreno uns agentes póstumos, ao serviço de uma conveniência política manhosa e obscura

João César das Neves, DN

30.1.11

COITADINHA


"Exigente, vigilante e crítico" é como a azougada Gomes imagina o PS daqui para diante. Então a pobrezinha não ouviu como o "presidente" da seita, o repelente Santos, se referiu a Carrilho, estilo "um indivíduo a abafar porque não é dos nossos"?

COITADINHA


"Exigente, vigilante e crítico" é como a azougada Gomes imagina o PS daqui para diante. Então a pobrezinha não ouviu como o "presidente" da seita, o repelente Santos, se referiu a Carrilho, estilo "um indivíduo a abafar porque não é dos nossos"?

UM PREC VIRIL

A cena "ternurenta" ilustrada pela foto - retirada daqui - não se passa num cartório de Lisboa. São dois egípcios, um soldado e o outro civil, no PREC em curso no Cairo. A fraternidade viril é poderosa e nada "maricas". A coisa promete.

UM PREC VIRIL

A cena "ternurenta" ilustrada pela foto - retirada daqui - não se passa num cartório de Lisboa. São dois egípcios, um soldado e o outro civil, no PREC em curso no Cairo. A fraternidade viril é poderosa e nada "maricas". A coisa promete.

A "CRUELDADE" DO POVO


O honorável ancião socialista Almeida Santos falou da alegada "crueldade" de Cavaco há oito dias. Quando, uma semana volvida sobre as presidenciais, a melhor narrativa política que se consegue produzir é sempre e só sobre uma mísera parte do que o homem disse no CCB (a que interessa para alimentar a narrativa), isso é revelador do estado desgraçado a que chegou o "debate" público em Portugal (no PS ninguém estará preocupado com as derrotas sucessivas em presidenciais?). Relativamente ao espertalhaço do ancião (o tal do "para amigos, tudo; para os inimigos, nada; para os outros, cumpra-se a lei") existe uma atenuante. Em Outubro de 1985, o homem era exibido nuns cartazes ridículos do PS como o "vamos a isto!", sendo o "isto" uma maioria absoluta do PS onde ele figuraria como putativo 1º ministro. Todavia, o espartano e recém-chegado Cavaco Silva é que acabou por "ir a isto", sofrendo Santos (e o PS) uma humilhação eleitoral traduzida num "incremento negativo" da ordem dos 23% de distância em relação à almejada maioria. O "cruel" Cavaco vinha para ficar. Como ficou no domingo graças à "crueldade" do eleitorado.

Adenda: O mesmo Santos, mesquinho, sobre Carrilho que tem por hábito usar a cabeça dele - «Neste momento, o dr. Carrilho é quase um adversário do PS, porque está agastado por ter sido apeado do lugar que tinha [embaixador de Portugal na UNESCO, em Paris]. Está zangado connosco, compreendo isso, mas não é bem o exemplo típico do indivíduo que se possa citar como característica da situação interna do partido.» Pior do que um Kim-Il-Sócrates só um provecto e patético Kim-Il-Santos-Sung.

Adenda2: Um tal Filipe Santos Costa e o fatal Luís Delgado, na sicn, insistiram na narrativa "vingativa" que, pelos vistos, os ajuda a gastar saliva - o primeiro até mencionou o ancião Santos a título de uma gravitas que só deve pairar na cabecinha parva do dito Filipe. De facto, que mais de pode esperar de gentinha que só produz escarros mentais?

Adenda3 (do leitor João Sousa):
«
Eu bem me recordo dessas eleições Almeida Santos. Um dos slogans socialistas era "Prá maioria já falta pouco - já só falta sete por cento". Foi um pouco mais do que isso. Ontem, num programa da TVI24, o convidado foi a criatura Soares-filho, cujo currículo em pouco mais consiste do que, como diria o Luis XIII de Dumas: "eu ser filho do meu pai". Também este legume tentou disseminar a teoria do "discurso rancoroso" em vez de "conciliador". Conciliação como a de Soares-pai para com a eurodeputada que teve a ousadia de lhe ganhar a presidência do parlamento europeu, algo a que a criatura-pai certamente se achava no seu direito natural. Ou ainda a absoluta falta de rancor que era visível na sua voz quando mencionava o candidato Alegre. Mas a criatura-filho foi ainda mais longe. Estaria etilizado - ou simplesmente é impossível surgir algo mais substancial daquele cérebro. Delirou com a questão Cartão Único, "um exemplo de sucesso, de tal forma que até já tem mais de quatro milhões de utilizadores". Disse também que "os eleitores que não votaram foi por não terem pachorra de esperar uma hora ou duas para saber o seu local de voto". Disse que não fazia sentido pedir a demissão de Rui Pereira por a demissão de um ministro ser um acto político e esta questão, pelo contrário, ser técnica. Claro, nada está mais longe de ser político do que um ministério ser nitidamente negligente na preparação de um processo eleitoral. Mas a jóia da noite, a cereja no topo do bolo, foi a sua descrição do ministro ASS: "Augusto Santos Silva é um homem de qualidade". Aqui, concordo com ele. Augusto Santos Silva é um homem de qualidade - péssima qualidade. Ninguém consegue internar esta gente num hospício?»

A "CRUELDADE" DO POVO


O honorável ancião socialista Almeida Santos falou da alegada "crueldade" de Cavaco há oito dias. Quando, uma semana volvida sobre as presidenciais, a melhor narrativa política que se consegue produzir é sempre e só sobre uma mísera parte do que o homem disse no CCB (a que interessa para alimentar a narrativa), isso é revelador do estado desgraçado a que chegou o "debate" público em Portugal (no PS ninguém estará preocupado com as derrotas sucessivas em presidenciais?). Relativamente ao espertalhaço do ancião (o tal do "para amigos, tudo; para os inimigos, nada; para os outros, cumpra-se a lei") existe uma atenuante. Em Outubro de 1985, o homem era exibido nuns cartazes ridículos do PS como o "vamos a isto!", sendo o "isto" uma maioria absoluta do PS onde ele figuraria como putativo 1º ministro. Todavia, o espartano e recém-chegado Cavaco Silva é que acabou por "ir a isto", sofrendo Santos (e o PS) uma humilhação eleitoral traduzida num "incremento negativo" da ordem dos 23% de distância em relação à almejada maioria. O "cruel" Cavaco vinha para ficar. Como ficou no domingo graças à "crueldade" do eleitorado.

Adenda: O mesmo Santos, mesquinho, sobre Carrilho que tem por hábito usar a cabeça dele - «Neste momento, o dr. Carrilho é quase um adversário do PS, porque está agastado por ter sido apeado do lugar que tinha [embaixador de Portugal na UNESCO, em Paris]. Está zangado connosco, compreendo isso, mas não é bem o exemplo típico do indivíduo que se possa citar como característica da situação interna do partido.» Pior do que um Kim-Il-Sócrates só um provecto e patético Kim-Il-Santos-Sung.

Adenda2: Um tal Filipe Santos Costa e o fatal Luís Delgado, na sicn, insistiram na narrativa "vingativa" que, pelos vistos, os ajuda a gastar saliva - o primeiro até mencionou o ancião Santos a título de uma gravitas que só deve pairar na cabecinha parva do dito Filipe. De facto, que mais de pode esperar de gentinha que só produz escarros mentais?

Adenda3 (do leitor João Sousa):
«
Eu bem me recordo dessas eleições Almeida Santos. Um dos slogans socialistas era "Prá maioria já falta pouco - já só falta sete por cento". Foi um pouco mais do que isso. Ontem, num programa da TVI24, o convidado foi a criatura Soares-filho, cujo currículo em pouco mais consiste do que, como diria o Luis XIII de Dumas: "eu ser filho do meu pai". Também este legume tentou disseminar a teoria do "discurso rancoroso" em vez de "conciliador". Conciliação como a de Soares-pai para com a eurodeputada que teve a ousadia de lhe ganhar a presidência do parlamento europeu, algo a que a criatura-pai certamente se achava no seu direito natural. Ou ainda a absoluta falta de rancor que era visível na sua voz quando mencionava o candidato Alegre. Mas a criatura-filho foi ainda mais longe. Estaria etilizado - ou simplesmente é impossível surgir algo mais substancial daquele cérebro. Delirou com a questão Cartão Único, "um exemplo de sucesso, de tal forma que até já tem mais de quatro milhões de utilizadores". Disse também que "os eleitores que não votaram foi por não terem pachorra de esperar uma hora ou duas para saber o seu local de voto". Disse que não fazia sentido pedir a demissão de Rui Pereira por a demissão de um ministro ser um acto político e esta questão, pelo contrário, ser técnica. Claro, nada está mais longe de ser político do que um ministério ser nitidamente negligente na preparação de um processo eleitoral. Mas a jóia da noite, a cereja no topo do bolo, foi a sua descrição do ministro ASS: "Augusto Santos Silva é um homem de qualidade". Aqui, concordo com ele. Augusto Santos Silva é um homem de qualidade - péssima qualidade. Ninguém consegue internar esta gente num hospício?»

"CONTINUIDADES"


«Quando se estuda o século XIX ou se lê um escritor do século XIX, o que espanta não é que as coisas tivessem mudado muito, é que no essencial tivessem mudado tão pouco. A dívida e o défice, por exemplo. Toda a gente falava da dívida e do défice longamente, constantemente, obsessivamente. Falava o Parlamento, falavam os jornais, falavam os particulares (também eles, como hoje, em aflições). Não havia semana em que não aparecesse um novo plano e um novo salvador. E não havia semana em que não se anunciasse um desastre próximo: vinha aí o dia, e não andava longe, em que as receitas do Estado não iriam chegar para pagar os juros dessa enorme dívida que não parava de crescer e cada vez crescia mais depressa. Já estávamos bem abaixo da Grécia e talvez mesmo do Egipto. Que fazer? Claro que se percebia a evidência: o Estado não podia gastar o que gastava. Mas depois de se estabelecer um acordo fervoroso e geral sobre esta verdade básica e depois de os políticos jurarem a pés juntos que o cumpririam, as despesas aumentavam sempre. Para uma parte da opinião (da direita e da esquerda), só acabando com o regime se podiam pôr as finanças na ordem. Os partidos não passavam de centros de negócios (e, consequentemente, de corrupção) e de agências de empregos. Com eles no poder, ou alternando no poder, nada mudaria. Portugal precisava de um remédio ardente, de uma revolução (fosse ela qual fosse), que o purificasse. Bastava olhar para os deputados e para os ministros, um bando sem letras, sem moral e sem vergonha, saído de um canto obscuro da província para enriquecer em Lisboa. Roubavam? Claro que roubavam. E distribuíam a família (o sobrinho, o tio, o primo e o cunhado) por um Estado, como se dizia, a saque. E quem pagava? Pagava o contribuinte, o sacrificado e sofredor contribuinte, que de resto também se endividava e uma vez por outra também passava fome. Claro que, sendo o país rural, com crise ou sem ela, em parte se alimentava a si próprio (embora nunca produzisse trigo e milho que bastasse). Quem sofria era principalmente a plebe urbana, que, fora o desporto nessa altura popular de achincalhar o rei e os padres, não via para ela um lugar no mundo. Durou isto à volta de 60 anos. Quase o dobro do tempo desta nossa amável e gloriosa República.»

Vasco Pulido Valente, Público

"CONTINUIDADES"


«Quando se estuda o século XIX ou se lê um escritor do século XIX, o que espanta não é que as coisas tivessem mudado muito, é que no essencial tivessem mudado tão pouco. A dívida e o défice, por exemplo. Toda a gente falava da dívida e do défice longamente, constantemente, obsessivamente. Falava o Parlamento, falavam os jornais, falavam os particulares (também eles, como hoje, em aflições). Não havia semana em que não aparecesse um novo plano e um novo salvador. E não havia semana em que não se anunciasse um desastre próximo: vinha aí o dia, e não andava longe, em que as receitas do Estado não iriam chegar para pagar os juros dessa enorme dívida que não parava de crescer e cada vez crescia mais depressa. Já estávamos bem abaixo da Grécia e talvez mesmo do Egipto. Que fazer? Claro que se percebia a evidência: o Estado não podia gastar o que gastava. Mas depois de se estabelecer um acordo fervoroso e geral sobre esta verdade básica e depois de os políticos jurarem a pés juntos que o cumpririam, as despesas aumentavam sempre. Para uma parte da opinião (da direita e da esquerda), só acabando com o regime se podiam pôr as finanças na ordem. Os partidos não passavam de centros de negócios (e, consequentemente, de corrupção) e de agências de empregos. Com eles no poder, ou alternando no poder, nada mudaria. Portugal precisava de um remédio ardente, de uma revolução (fosse ela qual fosse), que o purificasse. Bastava olhar para os deputados e para os ministros, um bando sem letras, sem moral e sem vergonha, saído de um canto obscuro da província para enriquecer em Lisboa. Roubavam? Claro que roubavam. E distribuíam a família (o sobrinho, o tio, o primo e o cunhado) por um Estado, como se dizia, a saque. E quem pagava? Pagava o contribuinte, o sacrificado e sofredor contribuinte, que de resto também se endividava e uma vez por outra também passava fome. Claro que, sendo o país rural, com crise ou sem ela, em parte se alimentava a si próprio (embora nunca produzisse trigo e milho que bastasse). Quem sofria era principalmente a plebe urbana, que, fora o desporto nessa altura popular de achincalhar o rei e os padres, não via para ela um lugar no mundo. Durou isto à volta de 60 anos. Quase o dobro do tempo desta nossa amável e gloriosa República.»

Vasco Pulido Valente, Público

29.1.11

O PONTO DE VISTA DA MORTE

Os puristas não devem gostar de Hereafter, de Clint Eastwood (na foto com um dos protagonistas em Londres). Videntes que "falam" com mortos, vivos que procuram falar com mortos não "cola", de facto, à primeira vista com a sobriedade iconoclasta de Eastwood. Mas isso é o que menos importa no filme. Na realidade, Hereafter pode perfeitamente ser encarado como uma espécie de ensaio acerca da literatura. Não apenas pela obsessiva presença de Charles Dickens - dito pela extraordinária voz de Derek Jacobi, ao vivo e no silêncio dos quartos em gravação ouvida a título de Lexotan - mas porque as personagens passam o tempo a interrogar, a interrogar-se e a interrogar a morte que é aquilo de que a literatura, se for feita de alguma coisa, é feita. Às tantas, o rapazinho da foto pergunta ao vidente/Matt Damon se, depois de tantas "sessões", ele já sabe o que é que está no "lado de lá". "Ainda não", respondeu o incrédulo vidente a fazer lembrar a Alice de Carroll. É neste "ainda não" que a literatura "vive" a sua morte - «dying around us every day» (Dickens, Bleak House).

O PONTO DE VISTA DA MORTE

Os puristas não devem gostar de Hereafter, de Clint Eastwood (na foto com um dos protagonistas em Londres). Videntes que "falam" com mortos, vivos que procuram falar com mortos não "cola", de facto, à primeira vista com a sobriedade iconoclasta de Eastwood. Mas isso é o que menos importa no filme. Na realidade, Hereafter pode perfeitamente ser encarado como uma espécie de ensaio acerca da literatura. Não apenas pela obsessiva presença de Charles Dickens - dito pela extraordinária voz de Derek Jacobi, ao vivo e no silêncio dos quartos em gravação ouvida a título de Lexotan - mas porque as personagens passam o tempo a interrogar, a interrogar-se e a interrogar a morte que é aquilo de que a literatura, se for feita de alguma coisa, é feita. Às tantas, o rapazinho da foto pergunta ao vidente/Matt Damon se, depois de tantas "sessões", ele já sabe o que é que está no "lado de lá". "Ainda não", respondeu o incrédulo vidente a fazer lembrar a Alice de Carroll. É neste "ainda não" que a literatura "vive" a sua morte - «dying around us every day» (Dickens, Bleak House).

ANTI-CESARISMO INSULAR

Há "vida" nos Açores para além de César e dos "cesaristas" de Lisboa.

ANTI-CESARISMO INSULAR

Há "vida" nos Açores para além de César e dos "cesaristas" de Lisboa.

TENTATIVAS E REPETIÇÕES


Hoje foi um fartote de "inaugurações de escolas requalificadas" (sic). Ou seja, nada foi inaugurado que não estivesse já aberto. O que na realidade foi "inaugurado" foi a pintura nova, a escadaria restaurada, a sala mais aprazível, o muro solidificado. Deu para Sócrates, ministros e secretários de Estado voltarem à estrada depois de duas semanas de intervalo. E continuarem tranquilamente a fazer o que fazem melhor - tentativas e repetições, em suma, propaganda de tesoura na mão.

TENTATIVAS E REPETIÇÕES


Hoje foi um fartote de "inaugurações de escolas requalificadas" (sic). Ou seja, nada foi inaugurado que não estivesse já aberto. O que na realidade foi "inaugurado" foi a pintura nova, a escadaria restaurada, a sala mais aprazível, o muro solidificado. Deu para Sócrates, ministros e secretários de Estado voltarem à estrada depois de duas semanas de intervalo. E continuarem tranquilamente a fazer o que fazem melhor - tentativas e repetições, em suma, propaganda de tesoura na mão.

O MAIS VELHO E O "NOVO" CICLO


O matusalém do CDS, o dr. Portas, quer ir rapidamente para o governo. Falhado Sócrates, Portas vira-se agora para Passos Coelho a quem sugere um "movimento político" que os abranja e a "independentes". Da última vez que Portas "participou" numa AD pré-eleitoral, em 1999 com Marcelo, bastou uma entrevista sua na televisão para acabar rapidamente com ela (e com Marcelo). Só em 2002, depois de umas eleições que deram Barroso à frente mas em minoria, é que Portas se tornou indispensável para viabilizar um governo de "direita" que durou pouco mais de dois anos. E não foi por sua causa, diga-se a bem da verdade, que a coisa borregou porque Portas apreciava (e aprecia) o poder nem que fosse às cavalitas de Barroso e, depois, de Santana ou de outro do PS. Todavia, a reeleição de Cavaco não "abriu" nenhum "ciclo político" novo como Portas veio a correr sugerir na noite do passado domingo. Nem tão pouco despertou em Passos Coelho quaisquer pressas apesar de já estar aberta a "montra de vaidades" ministeriáveis. E, depois, Portas é a pessoa menos indicada (parece um "sempre em pé" da "direita", há mais tempo no activo partidário do que Jerónimo de Sousa ou Louçã) para vir falar em "novo ciclo" precisamente por ser o mais velho em exercício em vários "ciclos". Como bastas vezes aqui escrevi, Sócrates tem todas as condições políticas internas (o resto ninguém sabe) para terminar a "sua" legislatura. Alguém da "direita", no seu perfeito estado mental, está interessado em pegar nisto agora ou a curto prazo, com mais ou menos "movimentos"? Julgo que não.

O MAIS VELHO E O "NOVO" CICLO


O matusalém do CDS, o dr. Portas, quer ir rapidamente para o governo. Falhado Sócrates, Portas vira-se agora para Passos Coelho a quem sugere um "movimento político" que os abranja e a "independentes". Da última vez que Portas "participou" numa AD pré-eleitoral, em 1999 com Marcelo, bastou uma entrevista sua na televisão para acabar rapidamente com ela (e com Marcelo). Só em 2002, depois de umas eleições que deram Barroso à frente mas em minoria, é que Portas se tornou indispensável para viabilizar um governo de "direita" que durou pouco mais de dois anos. E não foi por sua causa, diga-se a bem da verdade, que a coisa borregou porque Portas apreciava (e aprecia) o poder nem que fosse às cavalitas de Barroso e, depois, de Santana ou de outro do PS. Todavia, a reeleição de Cavaco não "abriu" nenhum "ciclo político" novo como Portas veio a correr sugerir na noite do passado domingo. Nem tão pouco despertou em Passos Coelho quaisquer pressas apesar de já estar aberta a "montra de vaidades" ministeriáveis. E, depois, Portas é a pessoa menos indicada (parece um "sempre em pé" da "direita", há mais tempo no activo partidário do que Jerónimo de Sousa ou Louçã) para vir falar em "novo ciclo" precisamente por ser o mais velho em exercício em vários "ciclos". Como bastas vezes aqui escrevi, Sócrates tem todas as condições políticas internas (o resto ninguém sabe) para terminar a "sua" legislatura. Alguém da "direita", no seu perfeito estado mental, está interessado em pegar nisto agora ou a curto prazo, com mais ou menos "movimentos"? Julgo que não.

UM OTELISTA À DEFESA


«Se há cargo que suscita vocações em Portugal, esse cargo é o de Presidente da República. Não é só o cargo que mais estabilidade oferece ao seu titular – dez anos é a média e a norma – mas ainda é aquele que recompensa o simples aspirante, desde que se anuncie como candidato independente, ou simplesmente se apresente. O almirante Pinheiro de Azevedo estava numa cama de hospital em 1976 quando recolheu 14% dos votos, quase tantos como Otelo, que atingiu 16%, e na altura estava activíssimo e era apoiado pela fina flor dos intelectuais críticos do sistema nascituro.» Medeiros Ferreira lembra bem esta "otelice", uma "doença infantil" que atacou muita gente hoje patroa da chamada "esquerda democrática". Como Santos Silva, o actual ministro da defesa e adepto do terrorismo verbal como método político. Silva desculpa-se no Expresso, em relação aos impropérios que lançou contra o PR - quando afirmou que o Chefe de Estado não se deve meter onde não é chamado - com um "estava a pensar em... Ramalho Eanes". O mesmo Eanes que derrotou o "seu" Otelo em 1976 e, de novo, em 80. Silva só à superfície deixou de ser MES e "otelista". É caso para perguntar se a sua presença na Avenida da Ilha da Madeira não constituirá um erro de casting. Mesmo de rastos, as Forças Armadas mereciam melhor do que isto.

Adenda: Extrordinário exercício de hipocrisia política que só mesmo um antigo quadro do MES (frio e não lamechas como Sampaio) poderia perpetrar sem se rir.

UM OTELISTA À DEFESA


«Se há cargo que suscita vocações em Portugal, esse cargo é o de Presidente da República. Não é só o cargo que mais estabilidade oferece ao seu titular – dez anos é a média e a norma – mas ainda é aquele que recompensa o simples aspirante, desde que se anuncie como candidato independente, ou simplesmente se apresente. O almirante Pinheiro de Azevedo estava numa cama de hospital em 1976 quando recolheu 14% dos votos, quase tantos como Otelo, que atingiu 16%, e na altura estava activíssimo e era apoiado pela fina flor dos intelectuais críticos do sistema nascituro.» Medeiros Ferreira lembra bem esta "otelice", uma "doença infantil" que atacou muita gente hoje patroa da chamada "esquerda democrática". Como Santos Silva, o actual ministro da defesa e adepto do terrorismo verbal como método político. Silva desculpa-se no Expresso, em relação aos impropérios que lançou contra o PR - quando afirmou que o Chefe de Estado não se deve meter onde não é chamado - com um "estava a pensar em... Ramalho Eanes". O mesmo Eanes que derrotou o "seu" Otelo em 1976 e, de novo, em 80. Silva só à superfície deixou de ser MES e "otelista". É caso para perguntar se a sua presença na Avenida da Ilha da Madeira não constituirá um erro de casting. Mesmo de rastos, as Forças Armadas mereciam melhor do que isto.

Adenda: Extrordinário exercício de hipocrisia política que só mesmo um antigo quadro do MES (frio e não lamechas como Sampaio) poderia perpetrar sem se rir.

28.1.11

PORTUGAL


Ou Albacora. Vai dar ao mesmo.

PORTUGAL


Ou Albacora. Vai dar ao mesmo.

O ÓBITO


O "mundo" ficcionado nos livros de Durrell está definitivamente morto. Já estava, evidentemente, mas agora certifica-se, de forma espectacular, o óbito.

O ÓBITO


O "mundo" ficcionado nos livros de Durrell está definitivamente morto. Já estava, evidentemente, mas agora certifica-se, de forma espectacular, o óbito.

O POLTRÃO MICAELENSE


Sócrates e os "seus", entre os quais o pequenino César dos Açores, perpetraram uma enorme peixeirada aquando das verbas madeirenses. Procuraram "virar" o país todo contra a Madeira até à catástrofe de há um ano atrás. Agora, o mesmo Sócrates - quando o sobazito micaelense decide, com a complacência do Bloco, do PC e do CDS locais, infringir normas nacionais sobre cortes nos salários públicos - acha "mal" mas, em nome da autonomia (a Madeira é "diferente"), façam favor de gozar à vontade com os restantes papalvos. Incluindo ele que nem sequer César poupou nas tradicionais alarvidades com que aprecia brindar-nos de vez em quando. Poltrão*.

*pusilânime(s): os dois

O POLTRÃO MICAELENSE


Sócrates e os "seus", entre os quais o pequenino César dos Açores, perpetraram uma enorme peixeirada aquando das verbas madeirenses. Procuraram "virar" o país todo contra a Madeira até à catástrofe de há um ano atrás. Agora, o mesmo Sócrates - quando o sobazito micaelense decide, com a complacência do Bloco, do PC e do CDS locais, infringir normas nacionais sobre cortes nos salários públicos - acha "mal" mas, em nome da autonomia (a Madeira é "diferente"), façam favor de gozar à vontade com os restantes papalvos. Incluindo ele que nem sequer César poupou nas tradicionais alarvidades com que aprecia brindar-nos de vez em quando. Poltrão*.

*pusilânime(s): os dois

DA PERDA


«O dr. Cavaco perdeu», escreve com solenidade Vasco Pulido Valente, quiçá inspirado num híbrido de Mário Crespo com São José Almeida e um tal Paulo Moura (quem será?) do mesmo Público que pergunta por que é que o dito Cavaco foi "vingativo" na noite em que, pelos vistos, perdeu. Por este andar, estamos lamentavelmente não a perder o dr. Cavaco mas a "perder" o Vasco Pulido Valente para a doxa onde meio comentarismo nacional se encontra acantonado. Como ele escreveu um dia, talvez esteja na hora não de rever o dr. Cavaco mas de o rever a si, Vasco. De V. se rever.

DA PERDA


«O dr. Cavaco perdeu», escreve com solenidade Vasco Pulido Valente, quiçá inspirado num híbrido de Mário Crespo com São José Almeida e um tal Paulo Moura (quem será?) do mesmo Público que pergunta por que é que o dito Cavaco foi "vingativo" na noite em que, pelos vistos, perdeu. Por este andar, estamos lamentavelmente não a perder o dr. Cavaco mas a "perder" o Vasco Pulido Valente para a doxa onde meio comentarismo nacional se encontra acantonado. Como ele escreveu um dia, talvez esteja na hora não de rever o dr. Cavaco mas de o rever a si, Vasco. De V. se rever.

NÃO SE ENXERGAM?


Decorre um inútil debate parlamentar com o 1º ministro. Parece que é sobre economia e propaganda, propaganda e economia. Porém, para quê papaguear acerca da economia (que está bem morta e enterrada entre nós) quando o presidente da TAP ganha o dobro ou o triplo do presidente do EUA/ano e há 600 mil desempregados? Julgo que estas duas evidências resumem perfeitamente o estado da arte e poupa na demagogia. Depois, com a lata típica da insignificância, o ministro Silva Pereira e o duplo do outro, numa entrevista, "conta" com a "responsabilidade do PR". Esta gente não tem espelhos em casa ou criancinhas a quem limpar o ranho? Ele julga que está a falar com quem ou para quem? Não se enxergam?

NÃO SE ENXERGAM?


Decorre um inútil debate parlamentar com o 1º ministro. Parece que é sobre economia e propaganda, propaganda e economia. Porém, para quê papaguear acerca da economia (que está bem morta e enterrada entre nós) quando o presidente da TAP ganha o dobro ou o triplo do presidente do EUA/ano e há 600 mil desempregados? Julgo que estas duas evidências resumem perfeitamente o estado da arte e poupa na demagogia. Depois, com a lata típica da insignificância, o ministro Silva Pereira e o duplo do outro, numa entrevista, "conta" com a "responsabilidade do PR". Esta gente não tem espelhos em casa ou criancinhas a quem limpar o ranho? Ele julga que está a falar com quem ou para quem? Não se enxergam?

A RECOLHA DO LIXO


«Os comentários dos dias seguintes também permitem confirmar que Cavaco Silva continuará a contar com a antipatia dos media durante o segundo mandato. A crítica aos seus discursos da noite — que foram de vitória eleitoral de candidato, não de presidente em exercício, nem de posse — contrasta com a simpatia com os candidatos derrotados, apresentados como vitoriosos: Nobre, Lopes e Coelho. A promoção deste ainda mal começou, pois a TV gosta do estilo e das traulitadas do madeirense. Defensor Moura foi, dos pequenos, o único sem a simpatia dos media, porque a sua campanha foi demasiado mesquinha para atrair os próprios anticavaquistas. Manuel Alegre terminou como começou: irrelevantemente. Os três canais desprezaram olimpicamente a sua declaração de derrota, preferindo a publicidade, o que é inaceitável enquanto serviço ao público e provimento de igualdade de circunstâncias a todos os candidatos. A candidatura de Alegre foi incompetente na escolha do momento da declaração (um dos canais já estava em intervalo há minutos), mas os canais deveriam ter interrompido os intervalos. A televisão, fanática do directo, falhou um dos mais importantes da noite.»


Eduardo Cintra Torres, Público

A RECOLHA DO LIXO


«Os comentários dos dias seguintes também permitem confirmar que Cavaco Silva continuará a contar com a antipatia dos media durante o segundo mandato. A crítica aos seus discursos da noite — que foram de vitória eleitoral de candidato, não de presidente em exercício, nem de posse — contrasta com a simpatia com os candidatos derrotados, apresentados como vitoriosos: Nobre, Lopes e Coelho. A promoção deste ainda mal começou, pois a TV gosta do estilo e das traulitadas do madeirense. Defensor Moura foi, dos pequenos, o único sem a simpatia dos media, porque a sua campanha foi demasiado mesquinha para atrair os próprios anticavaquistas. Manuel Alegre terminou como começou: irrelevantemente. Os três canais desprezaram olimpicamente a sua declaração de derrota, preferindo a publicidade, o que é inaceitável enquanto serviço ao público e provimento de igualdade de circunstâncias a todos os candidatos. A candidatura de Alegre foi incompetente na escolha do momento da declaração (um dos canais já estava em intervalo há minutos), mas os canais deveriam ter interrompido os intervalos. A televisão, fanática do directo, falhou um dos mais importantes da noite.»


Eduardo Cintra Torres, Público

27.1.11

A ILHA CESARISTA

Marques Mendes denunciou na tvi24 mais umas "tiradas" cesaristas nos Açores. Autarquias e outras entidades públicas (empresas) ficam fora dos cortes salariais no Estado decretados a nível nacional. No primeiro caso, trata-se de um diploma regional que se preparam para aprovar apenas com a oposição do PSD. Para além de inconstitucional, a coisa é amoral. Mas de um Carlos César e respectivos acólitos localistas o que é que se pode esperar?

A ILHA CESARISTA

Marques Mendes denunciou na tvi24 mais umas "tiradas" cesaristas nos Açores. Autarquias e outras entidades públicas (empresas) ficam fora dos cortes salariais no Estado decretados a nível nacional. No primeiro caso, trata-se de um diploma regional que se preparam para aprovar apenas com a oposição do PSD. Para além de inconstitucional, a coisa é amoral. Mas de um Carlos César e respectivos acólitos localistas o que é que se pode esperar?

MISTURAS

Aquelas massas do SOS parece que se deslocaram hoje até Fátima. Simultaneamente fecharam escolas. Misturar a fé com um acto certamente ilegítimo e porventura ilícito não ajuda um átomo a causa.

MISTURAS

Aquelas massas do SOS parece que se deslocaram hoje até Fátima. Simultaneamente fecharam escolas. Misturar a fé com um acto certamente ilegítimo e porventura ilícito não ajuda um átomo a causa.

A ESTACA

Gilberto Madail, ao arrepio do que tinha pensado (?) fazer, deverá recandidatar-se à federação da bola. Madail é um bom exemplo daquilo que é o pessoal do regime. Uma estaca em busca da mumificação em vida.

A ESTACA

Gilberto Madail, ao arrepio do que tinha pensado (?) fazer, deverá recandidatar-se à federação da bola. Madail é um bom exemplo daquilo que é o pessoal do regime. Uma estaca em busca da mumificação em vida.

CIDADÃOS COM ELEVADO TEOR MORAL


Corre aí um processo mediático que está a criar um novo conceito "sociológico", o do "cidadão com elevado teor moral". Para adquirir esta qualidade, basta que dois ou três ex-ministros e um ex-PR atestem a coisa. Como a maioria dos cidadãos não tem acesso a ex-ministros e, muito menos, a ex-PR's, o país está aparentemente infestado por cidadãos de baixíssimo teor moral incapazes de aceitar, sei lá, um relógio, uma baixela de prata, uma caneta não bic ou uma caixa de vinhos antigos (ou de robalos congelados) porque ninguém se revê neles como "exemplo".

CIDADÃOS COM ELEVADO TEOR MORAL


Corre aí um processo mediático que está a criar um novo conceito "sociológico", o do "cidadão com elevado teor moral". Para adquirir esta qualidade, basta que dois ou três ex-ministros e um ex-PR atestem a coisa. Como a maioria dos cidadãos não tem acesso a ex-ministros e, muito menos, a ex-PR's, o país está aparentemente infestado por cidadãos de baixíssimo teor moral incapazes de aceitar, sei lá, um relógio, uma baixela de prata, uma caneta não bic ou uma caixa de vinhos antigos (ou de robalos congelados) porque ninguém se revê neles como "exemplo".

OS MORTOS SÃO A ARMA DO VOTO


«O Correio da Manhã é um grande desmancha-prazeres. Andavam já por aí uns tantos crânios de caneta em punho a dissertar sobre os altíssimos valores da abstenção e eis que o jornal revela que, afinal, há um milhão e duzentos e cinquenta mil mortos e emigrantes nos cadernos eleitorais. Feitas as contas, a abstenção nas eleições de domingo andou por volta dos 46 por cento, um valor perfeitamente razoável nos tempos que correm. Ainda por cima, por obra e graça do Governo do senhor engenheiro relativo, milhares e milhares de indígenas foram impedidos de votar nestas presidenciais. Algo normal num País indigente e falido que adora fazer figura de rico e desenvolvido. Pois é, queridos intelectuais, analistas e comentadores. Que grande maçada. Maldita realidade.»


OS MORTOS SÃO A ARMA DO VOTO


«O Correio da Manhã é um grande desmancha-prazeres. Andavam já por aí uns tantos crânios de caneta em punho a dissertar sobre os altíssimos valores da abstenção e eis que o jornal revela que, afinal, há um milhão e duzentos e cinquenta mil mortos e emigrantes nos cadernos eleitorais. Feitas as contas, a abstenção nas eleições de domingo andou por volta dos 46 por cento, um valor perfeitamente razoável nos tempos que correm. Ainda por cima, por obra e graça do Governo do senhor engenheiro relativo, milhares e milhares de indígenas foram impedidos de votar nestas presidenciais. Algo normal num País indigente e falido que adora fazer figura de rico e desenvolvido. Pois é, queridos intelectuais, analistas e comentadores. Que grande maçada. Maldita realidade.»


O TEMPO O DIRÁ

«O fundamental da nossa situação já está fora do controlo dos nossos governantes, dependendo agora sobretudo do modo como se desenrolar nas próximas semanas o impasse europeu. Por cá, gere-se o poder e a margem de manobra - é o que resta. Sócrates vê a sua diminuir, e vai ter de recorrer a todo o seu reconhecido tacticismo para resistir. O calendário é o melhor aliado dos tacticistas, mas o tempo pode ser o seu maior adversário. Convocar um congresso é natural, mas sem alterações de fundo de pouco servirá. António Vitorino pressentiu-o, nas declarações que fez no último fim-de-semana, ao clamar por debate no PS. Mário Soares também já o pediu. E com razão, porque há muito que o PS não vivia um deserto de ideias tão sideral, a exigir muito mais do que aqueles debates com teleponto que pretendiam descobrir "novas fronteiras"... De momento, só uma ampla e exigente remodelação do Governo, com alteração da sua própria estrutura e um credível relançamento programático, lhe poderá dar um novo élan. Até porque, entretanto, o Presidente da República pode descobrir que o verdadeiro calcanhar de Aquiles da situação portuguesa está, mais do que na pressão dos mercados, na débil fórmula governamental minoritária que se instalou num momento de generalizada impudência. O tempo o dirá.»


O TEMPO O DIRÁ

«O fundamental da nossa situação já está fora do controlo dos nossos governantes, dependendo agora sobretudo do modo como se desenrolar nas próximas semanas o impasse europeu. Por cá, gere-se o poder e a margem de manobra - é o que resta. Sócrates vê a sua diminuir, e vai ter de recorrer a todo o seu reconhecido tacticismo para resistir. O calendário é o melhor aliado dos tacticistas, mas o tempo pode ser o seu maior adversário. Convocar um congresso é natural, mas sem alterações de fundo de pouco servirá. António Vitorino pressentiu-o, nas declarações que fez no último fim-de-semana, ao clamar por debate no PS. Mário Soares também já o pediu. E com razão, porque há muito que o PS não vivia um deserto de ideias tão sideral, a exigir muito mais do que aqueles debates com teleponto que pretendiam descobrir "novas fronteiras"... De momento, só uma ampla e exigente remodelação do Governo, com alteração da sua própria estrutura e um credível relançamento programático, lhe poderá dar um novo élan. Até porque, entretanto, o Presidente da República pode descobrir que o verdadeiro calcanhar de Aquiles da situação portuguesa está, mais do que na pressão dos mercados, na débil fórmula governamental minoritária que se instalou num momento de generalizada impudência. O tempo o dirá.»


SOPHIA


A partir de agora, o espólio de Sophia de Mello Breyner está na Biblioteca Nacional. E entre hoje e amanhã decorre na Gulbenkian o "COLÓQUIO INTERNACIONAL SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN", promovido por Maria Andresen de Sousa Tavares e realizado com a colaboração do Centro Nacional de Cultura. Tardava este reconhecimento a uma grande poeta portuguesa contemporânea.

SOPHIA


A partir de agora, o espólio de Sophia de Mello Breyner está na Biblioteca Nacional. E entre hoje e amanhã decorre na Gulbenkian o "COLÓQUIO INTERNACIONAL SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN", promovido por Maria Andresen de Sousa Tavares e realizado com a colaboração do Centro Nacional de Cultura. Tardava este reconhecimento a uma grande poeta portuguesa contemporânea.

26.1.11

PESSOAS ERRADAS


A nossa "diplomacia" tem demonstrado ultimamente uma extraordinária propensão pelas pessoas erradas. Foi assim no "affair secretário-geral da UNESCO" - onde o governo português obrigou ao voto num egípcio apreciador da queima de livros -, é assim, quase como doentia obsessão, com "democratas" como Chávez ou Kadafi. Calhou agora a vez a este estranho israelita que acumula o cargo de vice-1º ministro com o de MNE do governo de Benjamin Netanyahu. Gama, Sócrates e Amado recebem o sr. Lieberman o qual, aparentemente, defende «a redefinição das fronteiras da Cisjordânia, por troca de terrenos, e a expulsão de todos os cidadãos israelitas árabes que não assinem um compromisso de lealdade em relação a Israel.» Outro "democrata", sem dúvida.

PESSOAS ERRADAS


A nossa "diplomacia" tem demonstrado ultimamente uma extraordinária propensão pelas pessoas erradas. Foi assim no "affair secretário-geral da UNESCO" - onde o governo português obrigou ao voto num egípcio apreciador da queima de livros -, é assim, quase como doentia obsessão, com "democratas" como Chávez ou Kadafi. Calhou agora a vez a este estranho israelita que acumula o cargo de vice-1º ministro com o de MNE do governo de Benjamin Netanyahu. Gama, Sócrates e Amado recebem o sr. Lieberman o qual, aparentemente, defende «a redefinição das fronteiras da Cisjordânia, por troca de terrenos, e a expulsão de todos os cidadãos israelitas árabes que não assinem um compromisso de lealdade em relação a Israel.» Outro "democrata", sem dúvida.

VENTRÍLOQUISMO


O clone falou pelo clonado. Dá ideia que ambos - e mais uns quantos pseudo-espertos - entendem (e entendem mesmo) que a legitimidade política tem exclusivos e donos (eles). Sampaio foi reeleito com menos 600 mil votos em 2001 mas, como é da "casa", isso não interessa nada e até "deu" para dissolver um parlamento com uma maioria. E se alguém, a seguir às eleições legislativas de 2009, tivesse começado a diminuir a legitimidade do clonado para formar governo porque deixou de ter maioria absoluta? O que dói a esta gente é óbvio. O PR tem uma legitimidade política democrática unipessoal que lhe permite falar por cima deles e directamente com o "povo" - com mais ou menos votos porque o PR não é "relativo" nem "minoritário". E saberem que vai mesmo falar.

VENTRÍLOQUISMO


O clone falou pelo clonado. Dá ideia que ambos - e mais uns quantos pseudo-espertos - entendem (e entendem mesmo) que a legitimidade política tem exclusivos e donos (eles). Sampaio foi reeleito com menos 600 mil votos em 2001 mas, como é da "casa", isso não interessa nada e até "deu" para dissolver um parlamento com uma maioria. E se alguém, a seguir às eleições legislativas de 2009, tivesse começado a diminuir a legitimidade do clonado para formar governo porque deixou de ter maioria absoluta? O que dói a esta gente é óbvio. O PR tem uma legitimidade política democrática unipessoal que lhe permite falar por cima deles e directamente com o "povo" - com mais ou menos votos porque o PR não é "relativo" nem "minoritário". E saberem que vai mesmo falar.

MODO DE VIDA


«A base bloquista de Alegre, seja a velha, seja a educada bovinamente pela velha, nunca se reviu na democracia burguesa. De burgueses só têm o modo de vida.»


MODO DE VIDA


«A base bloquista de Alegre, seja a velha, seja a educada bovinamente pela velha, nunca se reviu na democracia burguesa. De burgueses só têm o modo de vida.»


O REGRESSO DO PROCESSO DA CASA DOS ESPELHOS


O sr. Carlos Silvino (sempre tratado pelos media como uma coisa chamada "bibi" enquanto os outros eram "senhores" e "doutores"), condenado em 1ª instância no "processo Casa Pia", veio agora refutar tudo o que tinha dito anteriormente e inocentar, pedindo-lhes desculpa, outros condenados. O processo está na Relação de Lisboa para apreciação dos recursos entretanto interpostos. Um senhor juiz desembargador dessa mesma Relação, conhecido opinador nacional, o dr. Reis, já "opinou" quando deveria, por tudo, estar calado. As defesas (algumas) pronunciaram-se e a fatal dra. Catalina também. Em Setembro - aquando daquela infelicidade para a justiça portuguesa que foi a penosa leitura e a consequente disponibilização do acórdão da Expo - escrevi que duvidava que alguma vez se escrevesse a verdadeira história do processo Casa Pia (sem aspas). Tal como duvidava (e duvido) que a pedofilia desaparecesse por obra e graça de autos tão cheios de sombra como de papel. O sr. Silvino, entre muitos outros respeitáveis protagonistas e proto-protagonistas, acabou de dar luz à sua sombra. O que é que se segue?

O REGRESSO DO PROCESSO DA CASA DOS ESPELHOS


O sr. Carlos Silvino (sempre tratado pelos media como uma coisa chamada "bibi" enquanto os outros eram "senhores" e "doutores"), condenado em 1ª instância no "processo Casa Pia", veio agora refutar tudo o que tinha dito anteriormente e inocentar, pedindo-lhes desculpa, outros condenados. O processo está na Relação de Lisboa para apreciação dos recursos entretanto interpostos. Um senhor juiz desembargador dessa mesma Relação, conhecido opinador nacional, o dr. Reis, já "opinou" quando deveria, por tudo, estar calado. As defesas (algumas) pronunciaram-se e a fatal dra. Catalina também. Em Setembro - aquando daquela infelicidade para a justiça portuguesa que foi a penosa leitura e a consequente disponibilização do acórdão da Expo - escrevi que duvidava que alguma vez se escrevesse a verdadeira história do processo Casa Pia (sem aspas). Tal como duvidava (e duvido) que a pedofilia desaparecesse por obra e graça de autos tão cheios de sombra como de papel. O sr. Silvino, entre muitos outros respeitáveis protagonistas e proto-protagonistas, acabou de dar luz à sua sombra. O que é que se segue?

COSMOPOLITISMO E PAROQUIALISMO


Convém estar atento à "Europa", à "Europa" do euro e da sra. Merkel. Continuar a olhar para o umbigo e para os diabos internos das pequenas coisas é pura perda de tempo e acto de esmerada estupidez. Depois de quase uma hora de inútil galhofa e de apreciações a roçar o ridículo - apenas se safou, uma vez mais, a moderadora Constança Cunha e Sá -, Medeiros Ferreira, no serão político da tvi24, lá conseguiu introduzir vagamente o tema crucial perante a indiferença dos outros (Rosas e Santana Lopes) que não descolavam dos portugalórios de cada um. Mas, insisto, é de fora para dentro que as coisas se vão decidir. Os nossos figurantes, dos melhores aos piores, podem pouco perante uma realidade do deve e haver que nos ultrapassa. E a "Europa" e essa realidade começam já aqui ao lado, em Espanha. Mais cosmopolitismo político e menos paroquialismo dava agora muito jeito.

COSMOPOLITISMO E PAROQUIALISMO


Convém estar atento à "Europa", à "Europa" do euro e da sra. Merkel. Continuar a olhar para o umbigo e para os diabos internos das pequenas coisas é pura perda de tempo e acto de esmerada estupidez. Depois de quase uma hora de inútil galhofa e de apreciações a roçar o ridículo - apenas se safou, uma vez mais, a moderadora Constança Cunha e Sá -, Medeiros Ferreira, no serão político da tvi24, lá conseguiu introduzir vagamente o tema crucial perante a indiferença dos outros (Rosas e Santana Lopes) que não descolavam dos portugalórios de cada um. Mas, insisto, é de fora para dentro que as coisas se vão decidir. Os nossos figurantes, dos melhores aos piores, podem pouco perante uma realidade do deve e haver que nos ultrapassa. E a "Europa" e essa realidade começam já aqui ao lado, em Espanha. Mais cosmopolitismo político e menos paroquialismo dava agora muito jeito.