31.1.12

Um livro, um homem, um grande poeta


 


Toda a epopeia da família cabe aqui
um avô galego chegado a Portugal rapazinho
outro de ao pé de Aveiro que se meteu
num barco para S. Tomé a fazer cacau

de filhos seus nasci
com este pouco de inútil fantasia
nutrida em solidões nas que me vejo
nu como um bacorinho na pocilga

e como ele indefeso e porém quis
mesmo assim ser mais que o animal
no tutano dos ossos pressentido

não peço nada usai o meu nome
se vos praz lembrai-me
o que for costume

mas livrai-vos do luxo e da soberba

O essencial

«Passaram nove anos e a Justiça ainda não teve tempo de se pronunciar. É uma vergonha para Portugal!»


 


Mário Soares, DN

29.1.12

Jonas Kaufmann


 


Praga, 8.1.2012

Entretanto


 


Enquanto por cá prossegue a "conversa de barbeiro", a "Europa" (parece que também fazemos parte dela) mexe-se e quase sempre, como tem sido moda, não necessariamente bem. Merkel, como se votasse em França, "apoia" Sarkozy. Sarkozy, à beira da cabeça perdida, concede uma entrevista televisiva em simultâneo a seis (6) canais de televisão (aqui a "conversa de barbeiro" é mesmo a sério). E, na Irlanda, uma sondagem revela que o "povo" (70%) deseja um referendo sobre o "pacto orçamental" concebido por aqueles dois. Da Grécia nem sequer vale a pena falar. Aqui, entretanto, discute-se pouco e mal a Europa dadas as "prioridades" evidenciadas diariamente pelos jornais, pelas televisões, pelos comentadores e cronistas. É o que há.

Conversa de barbeiro

O país foi invadido - alguma vez deixou de o ser? - pelo registo "conversa de barbeiro" (a expressão é de António-Pedro Vasconcelos, insuspeito para o caso) particularmente desenvolvido pela opinião que se publica. E a "conversa de barbeiro" passa como "factos". E é ver, com alguma pena, associados analfabetos simples e funcionais, imbecis superficiais e profundos e pessoas simplesmente inteligentes. Escuso de nomear porque há exemplos para todos os gostos e desgostos a debitar, com pseudo-profundidade e "conhecimento" (não sabem nada de nada), sobre não assuntos ou vitelinhos sagrados alegadamente imolados no altar da perversidade humana que é sempre dos  outros e nunca deles. No fundo, este post de "os comediantes" resume o essencial. Quando Jorge de Sena soube da morte de Delfim Santos, comentou: «mais um a morrer de frustação portuguesa». Morre-se dela todos os dias.

28.1.12

Bacanal


 


Saint-Saëns, Sanson et Dalila. Bacanal. Berlin Phil. Gustavo Dudamel, Dezembro de 2011

A esquerda sem caviar


 


«Tarde ou cedo, o mundo acabará por engolir o PS, como engoliu o PC. Afinal que tem ele para oferecer ao país, sem dinheiro e sem crédito político (ou bancário), e sem sequer a simpatia e o apoio dos velhos companheiros de Soares? A "indignação" que o despreza? Ou a "rua" que não o segue?»


 


Vasco Pulido Valente, Público

27.1.12

O dr. Carvalho

Está em curso - vinha de trás - o endeusamento do dr. Carvalho da Silva. Basta ler os jornais e contemplar as televisões. Soares "tira-lhe o chapéu" tal como muita gente da chamada "esquerda democrática". Carvalho da Silva, para além da origem operária, também possui veia católica obreirista, um pormenor não completamente conhecido por causa da militância comunista. Poderá fazer sombra a putativos candidatos presidenciais das esquerdas como António Costa ou o exilado de Paris. Livre da rua, Carvalho da Silva tenderá a "institucionalizar-se" o suficiente para passar a outro campeonato com a benção de muita gente esperada e inesperada. O PC não apreciará o exercício mas pode perfeitamente ter de seguir esta "estrela" que "brilha" por si. O episódio do seu doutoramento, com meio regime esquerdófilo e não esquerdófilo a aplaudir, anunciava a presente (e futura) consagração. Talvez valha, pois, a pena seguir-lhe os passos. Sem os excessos babões e patéticos a que temos assistido e que ele, com imensa vaidade, alimenta.

O nome da coisa


A oito de Fevereiro.

O espírito "gdup"

Nos idos de 1976, aquando das primeiras eleições presidenciais, apareceram uns "gdup", se bem me lembro, "grupos de dinamização de unidade popular" que apoiavam a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho. O "espírito gdup", com ou sem Otelo, persistiu na sociedade portuguesa e, de vez em quando, uns prosélitos que se imaginam mais democratas do que toda a gente, recuperam-no. É o caso da autora deste artigo, um híbrido rosa-choque-chique de "gdup" para o século XXI. Ainda bem que o disparate é tão livre como a gaivota da outra. A que voava, voava.

26.1.12

Os amigos de Alex


Notícia era se eles ficassem.

J. Edgar



Estreia o novo filme de Clint Eastwood. J. Edgar, sobre a vida do director do FBI J. Edgar Hoover. Perverso, genial dominador silencioso, Hoover "mandou" no poder político dos EUA anos a fio. Muita gente que se acha subtil devia aprender alguma coisa com a história de Hoover. Sabia-a toda. E a de todos.

Um retrato luso-francês



«Conheci José Sócrates em 1995, quando ambos integramos o governo liderado por António Guterres, ele como secretário de Estado do Ambiente, pasta então entregue a Elisa Ferreira. Mantive sempre com ele relações de regular e frontal atrito, a começar numa lista de nomeações que ele queria que eu, como ministro da Cultura, fizesse em Castelo Branco, e a acabar, como se sabe, com a minha recusa em aceitar que Portugal apoiasse para a liderança da UNESCO um facínora com largo cadastro que lhe tinha sido sugerido pelo seu "amigo", o então ditador egípcio Hosni Mubarak, que ameaçava queimar todos os livros da cultura judaica ... Pelo caminho, as fricções foram muitas e quase sempre do mesmo tipo.  Devo dizer que nunca vi em José Sócrates convicções socialistas - no sentido europeu de "social-democrata" - mas antes uma atração pela paródia em que infelizmente o socialismo tantas vezes se tem tornado, deslumbrado com o capitalismo financeiro, as novas tecnologias e os malabarismos da comunicação. Vivendo sempre perto do mundo dos negócios e dos futebóis, e desprezando acintosamente o conhecimento, a cultura ou a educação, com o mais perigoso dos desdéns, que é o que se alimenta do ressentimento e da inveja.(...) Em 2004, quando José Sócrates disputou com Manuel Alegre e João Soares a liderança do PS, escrevi o que pensava e avisei: "Tudo pode acontecer, mas seria grave que o PS pudesse ser conduzido por alguém que anda por aí com um currículo em parte surripiado, em parte escondido." (Público, 07.09.2004) Os socialistas decidiram o que entenderam e os portugueses escolheram o que pensaram ser melhor. Opções que, naturalmente, respeitei, com esperança que a responsabilidade do poder viesse a ter algum efeito benéfico. Foi uma esperança vã. A história fala por si, e dispensa comentários: o desnorte com o caso da licenciatura em 2007, a total incompreensão da crise em 2008, a aguda mitomania de 2009 e 2010, a bancarrota em 2011. Pelo meio, um tratado de Lisboa inútil, que só veio reforçar o poder alemão, e um reformismo esfarelado que raramente passou dos anúncios. Na grande história do Partido Socialista, o "socrazysmo" foi um período atípico, que deixou um longo rasto de oportunidades perdidas, de casos estranhos, de histórias mal contadas e de encenações inúteis. Em seis anos de governação nem tudo foi mau, e seria injusto esquecê-lo. Mas sejamos claros: foram anos sem alma, numa constante deriva de valores e de convicções. Não tirar daqui nenhuma lição seria, no mínimo, estúpido.»


 


Manuel Maria Carrilho, DN

O fim de um tempo


 


«Informa a comunicação social que encerrarão, dentro de dias, a Livraria Portugal (na Rua do Carmo), velha de 70 anos, e a Ourivesaria Aliança (na Rua Garrett), quase a completar 80 anos. A pouco e pouco, o Chiado, que foi o centro chique de Lisboa, vai-se desmoronando, aliás como toda a Baixa pombalina. A abertura arbitrária de grandes superfícies comerciais, fruto de um provincianismo parolo e de uma inconfessável concupiscência, dera o primeiro golpe no comércio do centro da cidade. Depois, o incêndio do Chiado, em 1988, devido a causas naturais, ou a fogo posto (o que nunca foi devidamente esclarecido) foi mais uma importante contribuição para a decadência da zona, até pelo tempo que levou a proceder-se à reconstrução dos imóveis destruídos ou danificados. Também a reconstituição dos edifícios, devido à traça  gélida de Siza Vieira (oportunísticamente convidado por Nuno Abecasis para o efeito) em nada ajudou à recuperação do local. Não se pretenderia a reconstituição original mas as linhas de Siza têm, em minha opinião (e apesar dos prémios recebidos, o que nada me impressiona) o dom de afugentar as pessoas.»


 


Júlio de Magalhães, Do Médio Oriente e Afins

25.1.12

Um livro


 


Apesar do português acordográfico que não é certamente da responsabilidade do autor, o ritmo, as "histórias", as peripécias e, sobretudo, um tempo político longo justificam a leitura.

Ponderação contra a excitação

Estrela Serrano pondera de forma acessível a crianças de cinco anos, a tolinhos simples e a profissionais de teorias da conspiração as "reacções" ao fim de um programa de rádio. «Não deixa contudo de ser chocante que só após saberem que a sua colaboração terminara os autores se desdobrem em entrevistas a criticarem a RTP e as “pressões” que recebiam. Por que não as denunciaram antes tomando a atitude que se impunha (se assim foi) isto é, saírem “pelo seu próprio pé”? É que tornou-se moda em Portugal cada vez que um director de uma televisão, rádio ou jornal muda colaboradores estes queixarem-se de “censura”. Querem assento e cachet perpétuos? Pois o serviço público, mais que os média privados, tem obrigação de renovar os seus comentadores e abrir as suas antenas à pluralidade de vozes.»

Há muitas em Portugal

Preservação da herança cultural europeia



«Mesmo numa perspectiva de cooperação, nada impediria que fossem desencadeadas acções em todos os Estados membros com vista a determinados objectivos, como o de promover e divulgar o contacto com a grande herança cultural europeia - património comum que tem de ser preservado e valorizado e que, ao longo de quase três milénios, veio marcando a identidade da Europa e a colocou na dianteira dos outros continentes. Os clássicos de todos os tempos são uma espécie em vias de extinção. Os Estados não os prezam especialmente. Os governos têm reduzida consciência da sua importância. As escolas não proporcionam o desejável contacto com eles. Os programas-quadro têm acabado por não os considerar devidamente. Parece-me que uma das maneiras de atacar o problema estaria em serem aprovadas, dentro do respeito dos princípios referidos, certas linhas de acção a desenvolver concertadamente pelos Estados membros, quer nas políticas da educação, quer nas da cultura, de modo que não se perdesse de vista essa insubstituível herança comum dos europeus. Para a ditadura internacional das agências de rating, a cultura pode ser lixo. Mas para a dignidade humana, a cultura deve ser uma razão de vida. E isso começa na Europa.»


 


Vasco Graça Moura, DN

Parabéns

24.1.12

As criancinhas

Pareceu-me ver o Paulo Querido, às portas de Belém, a fazer um número de circo coberto, aliás, profusamente pela chamada comunicação social. Cada um faz as figuras que entende - é para isso que serve a liberdade de expressão, mesmo quando sai tosca e sem graça alguma - mas, mais do que as infelicidades verbais do Chefe de Estado (é do Chefe de Estado que se trata para aqueles que precisem de explicador), estes sinais apalhaçados colectivos, sem tino nem destino, só servem para nos apoucar como sociedade adulta que devíamos ser. We are the world we are the children.

Contra a tagarelice




Nunca um apelo ao silêncio foi tão oportuno. «O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. » Aprendam, tagarelas.

Não há mais nada para fazer?

Continua activa a fronda contra o Presidente da República. Parece que não há mais nada para fazer.

23.1.12

As coisas são o que são


 


 




«On ne fait pas de politique avec de la morale, mais on n’en fait pas davantage sans.»


André Malraux

O limite é o céu

Ouço a senhora dra. Constança Cunha e Sá perorar sobre a troika e o governo e o governo e a troika. Segundo a ilustre comentadora, estas duas entidades não se entendem e o recente acordo de concertação social é a prova provada disso mesmo. Ao ouvir a sra. dra., e outras e outros srs. drs. de registo similar, não posso deixar de me lembrar de uma frase de um político português contemporâneo em missão europeia, num outro contexto. É que para algum comentarismo caseiro, o limite da criatividade é o céu.

Portugal, país de eventos

«Não prestei grande atenção à inauguração de Guimarães capital da cultura. Desde os anos noventa quando se inventou a EXPO-98 que dei um remate conceptual ao que aí vinha, englobando excelência, repetição, mediocridade, derrapagens orçamentais e salários altos sem vaias, como o dia a dia de um Portugal país de eventos. Só a nossa incontida auto-estima não cifrada levou ao endeusamento dos seus promotores. O modelo, em moldes industriais e standartizados, até faz sentido no Portugal dos hotéis e do turismo. Mas nunca acreditei numa palavra sobre as intenções épicas desse eventos. Desejo muitas entradas e camas vendidas durante o certame. A auto-estima ficou muito cara e sem ninguém para dar a cara.»


 


José Medeiros Ferreira, Córtex Frontal

Cavaco Silva, um ano depois


Há um ano, Cavaco Silva era reeleito, à primeira volta, Presidente da República. Em um ano, como recordou Rebelo de Sousa, fez muita coisa. Sobretudo intuiu que o país queria mudar e esteve à altura dessa mudança. Algumas infelicidades de formulação não rasgam o contrato político que celebrou com os portugueses. Só os curto-termistas e os eternos conspiradores de má-fé podem cogitar o contrário. Com o devido respeito por elas, pensem nas "alternativas" que se colocavam a Cavaco a 23 de Janeiro de 2011. Estamos conversados.

PORTUGALDOSPEQUENINOS.BLOGS.SAPO.PT




O Portugal dos Pequeninos está no SAPO:

http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/

PORTUGALDOSPEQUENINOS.BLOGS.SAPO.PT


Isto agora passou para aqui.

22.1.12

UMA GRANDE BIOGRAFIA


Lida com o vagar e o gozo que merece, a biografia de Pacheco, do João Pedro George, é um grande livro. Para além de Pacheco, é o "meio literário português" da época (escusam de procurar porque esse "meio" morreu há muito de morte natural dele e dos que o constituíram) que corre pelas linhas do autor e do biografado, todas doseadas como deve ser. Assim, de repente, só "apanhei" uma imprecisão e é política. Na página 422 é feita menção ao Governo do dr. Balsemão e ao "seu" ministro da Cultura, Coimbra Martins. Coimbra Martins só chegou a ministro da Cultura em 1983, depois das eleições de Abril do mesmo ano, no Governo do chamado Bloco Central dirigido por Mário Soares. O ministro da Cultura de Balsemão era Francisco Lucas Pires. Dito isto, o João Pedro George está de parabéns. E puta que os pariu!

UMA GRANDE BIOGRAFIA


Lida com o vagar e o gozo que merece, a biografia de Pacheco, do João Pedro George, é um grande livro. Para além de Pacheco, é o "meio literário português" da época (escusam de procurar porque esse "meio" morreu há muito de morte natural dele e dos que o constituíram) que corre pelas linhas do autor e do biografado, todas doseadas como deve ser. Assim, de repente, só "apanhei" uma imprecisão e é política. Na página 422 é feita menção ao Governo do dr. Balsemão e ao "seu" ministro da Cultura, Coimbra Martins. Coimbra Martins só chegou a ministro da Cultura em 1983, depois das eleições de Abril do mesmo ano, no Governo do chamado Bloco Central dirigido por Mário Soares. O ministro da Cultura de Balsemão era Francisco Lucas Pires. Dito isto, o João Pedro George está de parabéns. E puta que os pariu!

OS NOSSOS POBRES MONÁRQUICOS* ET AL

Bem visto aqui. Depois há meia dúzia de bravos parvos da esquerda-baixa que almejam "destituir" o PR através da já tradicional "petição", fora os tolinhos que contam os aplausos e as vaias de Guimarães praticamente como votos. Cada vez mais me convenço, com Pascoaes, que ser português é uma "arte" difícil de dominar.

*a expressão é do Doutor Salazar que, muito adequadamente, nunca quis saber da "polémica" República/Monarquia para nada.

OS NOSSOS POBRES MONÁRQUICOS* ET AL

Bem visto aqui. Depois há meia dúzia de bravos parvos da esquerda-baixa que almejam "destituir" o PR através da já tradicional "petição", fora os tolinhos que contam os aplausos e as vaias de Guimarães praticamente como votos. Cada vez mais me convenço, com Pascoaes, que ser português é uma "arte" difícil de dominar.

*a expressão é do Doutor Salazar que, muito adequadamente, nunca quis saber da "polémica" República/Monarquia para nada.

NO SAPO


Amanhã, dia 23, e ao fim de mais de oito anos de "emissão" através do blogspot, este blogue migra para o portal SAPO. Com um novo design concebido pela competente equipa "Blogs do Sapo", o Portugal dos Pequeninos muda apenas de aspecto e aparecerá com novas "funcionalidades". A migração inclui naturalmente o arquivo que permanece indemne desde o primeiro post. Isto facilita a vida aos patrulheiros de diversas proveniências que o percorrem com a avidez típica das ténias. Em vez de um, passam a dispor de dois já que este endereço blogspot não desaparecerá. Os mais diligentes burgessos podem, assim, "conferir" permanentemente ambos não vá escapar-lhes qualquer coisinha. Todavia, e permitindo-me parafrasear Wittgenstein livremente, tudo o que ainda não escrevi é mil vezes mais interessante que tudo o que já escrevi. Podem crer.

NO SAPO


Amanhã, dia 23, e ao fim de mais de oito anos de "emissão" através do blogspot, este blogue migra para o portal SAPO. Com um novo design concebido pela competente equipa "Blogs do Sapo", o Portugal dos Pequeninos muda apenas de aspecto e aparecerá com novas "funcionalidades". A migração inclui naturalmente o arquivo que permanece indemne desde o primeiro post. Isto facilita a vida aos patrulheiros de diversas proveniências que o percorrem com a avidez típica das ténias. Em vez de um, passam a dispor de dois já que este endereço blogspot não desaparecerá. Os mais diligentes burgessos podem, assim, "conferir" permanentemente ambos não vá escapar-lhes qualquer coisinha. Todavia, e permitindo-me parafrasear Wittgenstein livremente, tudo o que ainda não escrevi é mil vezes mais interessante que tudo o que já escrevi. Podem crer.

«TUDO ISTO É DEMOCRACIA»

«Ouvindo e sabendo tudo o que Cavaco Silva disse e fez esta semana, temos duas hipóteses. Ou seguimos a corrente e ficamos indignados porque caiu muito mal o choradinho do Presidente, cidadão da classe média alta, queixando-se da falta de dinheiro para pagar as despesas, ou descontamos essa infelicidade e atendemos ao papel relevante, mas discreto, que o Presidente da República teve e tem em matérias demasiado importantes para o futuro do País. Se seguimos a corrente estamos conversados, se queremos olhar para o que importa na nossa vida então temos de aplaudir o papel de Cavaco no sucesso da Concertação Social (foi sua a luta, por exemplo, para fazer cair a meia hora de trabalho a mais) e na tentativa de salvar a Madeira da bancarrota, arquipélago onde um louco político ameaça seguir para o abismo e levar toda a gente com ele. Tudo isto é Democracia. É a critica às palavras infelizes do Presidente, o elogio à sua actuação política, os prós e os contra do Acordo de Concertação Social e até a loucura de Alberto João Jardim. É, se calhar, por tudo isto que um estudo sobre a qualidade da Democracia, feito por Pedro Magalhães e António Costa Pinto, mostra que apenas 56% dos portugueses acreditam que a Democracia é o melhor dos sistemas e mais de 75% dos entrevistados estão convencidos de que "os políticos se preocupam apenas com os seus próprios interesses". Há uma solução para gostarmos um pouco mais da Democracia, chama-se cidadania activa e apela a que cada um de nós comece por ser mais exigente consigo próprio para poder exigir mais do resto da sociedade. Implica que lutemos pela defesa dos nossos interesses, mas implica igualmente que saibamos ceder em defesa dos interesses colectivos. A Democracia é o Presidente, o Governo e a Oposição, o sindicato que assina e o que não assina e é o patronato reunido em associação. Mas é, acima de tudo, a liberdade de cada um conduzir a sua vida no sentido que entender.»

Paulo Baldaia, DN

«TUDO ISTO É DEMOCRACIA»

«Ouvindo e sabendo tudo o que Cavaco Silva disse e fez esta semana, temos duas hipóteses. Ou seguimos a corrente e ficamos indignados porque caiu muito mal o choradinho do Presidente, cidadão da classe média alta, queixando-se da falta de dinheiro para pagar as despesas, ou descontamos essa infelicidade e atendemos ao papel relevante, mas discreto, que o Presidente da República teve e tem em matérias demasiado importantes para o futuro do País. Se seguimos a corrente estamos conversados, se queremos olhar para o que importa na nossa vida então temos de aplaudir o papel de Cavaco no sucesso da Concertação Social (foi sua a luta, por exemplo, para fazer cair a meia hora de trabalho a mais) e na tentativa de salvar a Madeira da bancarrota, arquipélago onde um louco político ameaça seguir para o abismo e levar toda a gente com ele. Tudo isto é Democracia. É a critica às palavras infelizes do Presidente, o elogio à sua actuação política, os prós e os contra do Acordo de Concertação Social e até a loucura de Alberto João Jardim. É, se calhar, por tudo isto que um estudo sobre a qualidade da Democracia, feito por Pedro Magalhães e António Costa Pinto, mostra que apenas 56% dos portugueses acreditam que a Democracia é o melhor dos sistemas e mais de 75% dos entrevistados estão convencidos de que "os políticos se preocupam apenas com os seus próprios interesses". Há uma solução para gostarmos um pouco mais da Democracia, chama-se cidadania activa e apela a que cada um de nós comece por ser mais exigente consigo próprio para poder exigir mais do resto da sociedade. Implica que lutemos pela defesa dos nossos interesses, mas implica igualmente que saibamos ceder em defesa dos interesses colectivos. A Democracia é o Presidente, o Governo e a Oposição, o sindicato que assina e o que não assina e é o patronato reunido em associação. Mas é, acima de tudo, a liberdade de cada um conduzir a sua vida no sentido que entender.»

Paulo Baldaia, DN

21.1.12

VOZ NUMA PEDRA

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal


Mário Cesariny

VOZ NUMA PEDRA

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal


Mário Cesariny

BOM PROVEITO

No momento em que escrevo, estão a abrir - vejo na RTP - a "Guimarães 2012". Já tínhamos visto coisas semelhantes. De Lisboa ao Porto, e um pouco por todo o país com esses monumentos à glorificação pátria que são os estádios de futebol erguidos para o "euro 2004". 1994, 1998, 2001 ou 2004 são verdadeiros "marcos" no progresso de Portugal como se pode constatar amplamente em 2012. A retórica (o termo é de Maria Filomena Mónica em Cenas da Vida Portuguesa, de 1999, mal ela sabia que ainda faltavam o Porto, o referido "euro" e esta "Guimarães") é sempre a mesma. As sucessivas entrevistas que a RTP realizou são eloquentes a esse respeito. Mas, parece, escassa é a gente que consegue sobreviver sem um pouco de "magia", "ilusão" ou outra parolice qualquer. Bom proveito.

BOM PROVEITO

No momento em que escrevo, estão a abrir - vejo na RTP - a "Guimarães 2012". Já tínhamos visto coisas semelhantes. De Lisboa ao Porto, e um pouco por todo o país com esses monumentos à glorificação pátria que são os estádios de futebol erguidos para o "euro 2004". 1994, 1998, 2001 ou 2004 são verdadeiros "marcos" no progresso de Portugal como se pode constatar amplamente em 2012. A retórica (o termo é de Maria Filomena Mónica em Cenas da Vida Portuguesa, de 1999, mal ela sabia que ainda faltavam o Porto, o referido "euro" e esta "Guimarães") é sempre a mesma. As sucessivas entrevistas que a RTP realizou são eloquentes a esse respeito. Mas, parece, escassa é a gente que consegue sobreviver sem um pouco de "magia", "ilusão" ou outra parolice qualquer. Bom proveito.

A ÉTICA REPUBLICANA DO SERVIÇO PÚBLICO

«Faltam bons exemplos. A começar pelo do Presidente da República, que num contexto de tão dramáticas dificuldades, que de resto ele permanentemente enfatiza, não esteve à altura da dignidade do cargo quando decidiu optar pelas suas pensões de reforma, em vez de assumir o salário das funções que o povo português lhe confiou directamente pelo voto. E sobram exemplos lamentáveis, como os que o jornalista António Sérgio Azenha analisa com objectividade no seu tão silenciado livro Como os políticos enriquecem em Portugal (ed. Lua de Papel, 2011), onde mostra como a passagem pela política pode viabilizar aumentos salariais de 3.000%, ao mesmo tempo que transfigura alguns vulgares militantes partidários em inesperados “senadores” da República...»

Manuel Maria Carrilho

A ÉTICA REPUBLICANA DO SERVIÇO PÚBLICO

«Faltam bons exemplos. A começar pelo do Presidente da República, que num contexto de tão dramáticas dificuldades, que de resto ele permanentemente enfatiza, não esteve à altura da dignidade do cargo quando decidiu optar pelas suas pensões de reforma, em vez de assumir o salário das funções que o povo português lhe confiou directamente pelo voto. E sobram exemplos lamentáveis, como os que o jornalista António Sérgio Azenha analisa com objectividade no seu tão silenciado livro Como os políticos enriquecem em Portugal (ed. Lua de Papel, 2011), onde mostra como a passagem pela política pode viabilizar aumentos salariais de 3.000%, ao mesmo tempo que transfigura alguns vulgares militantes partidários em inesperados “senadores” da República...»

Manuel Maria Carrilho

AUGUSTO, O SABEDOR

Pode não se concordar com ele - é o meu caso - mas a inocuidade não é o forte deste militante socialista que Sócrates roubou ao "alegrismo" para fazer dele uma peça essencial dos seus seis anos de regime. Sabe-a toda.

AUGUSTO, O SABEDOR

Pode não se concordar com ele - é o meu caso - mas a inocuidade não é o forte deste militante socialista que Sócrates roubou ao "alegrismo" para fazer dele uma peça essencial dos seus seis anos de regime. Sabe-a toda.

UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS


Dois jornais ditos de referência, o Público e o Expresso, mobilizaram respectivamente seis e quatro jornalistas (no primeiro caso, um deles é a própria directora) para a redacção da notícia relativa à remoção do dr. Mega Ferreira do CCB e à sua substituição por Vasco Graça Moura, um dos mais persistentes e consistentes críticos do detestável "acordo ortográfico". Esta extravagância jornalística só se explica pelo complacente temor reverencial que a Mega figura inspira junto do "meio" comunicacional e cultural português. Tratado praticamente como um venerando soba a quem só se acede por via taumatúrgica, Mega deixa por aí um cortejo de viúvas e viúvos crónicos destas coisas. Um certo Portugal dos pequeninos também é feito disto.

UM PORTUGAL DOS PEQUENINOS


Dois jornais ditos de referência, o Público e o Expresso, mobilizaram respectivamente seis e quatro jornalistas (no primeiro caso, um deles é a própria directora) para a redacção da notícia relativa à remoção do dr. Mega Ferreira do CCB e à sua substituição por Vasco Graça Moura, um dos mais persistentes e consistentes críticos do detestável "acordo ortográfico". Esta extravagância jornalística só se explica pelo complacente temor reverencial que a Mega figura inspira junto do "meio" comunicacional e cultural português. Tratado praticamente como um venerando soba a quem só se acede por via taumatúrgica, Mega deixa por aí um cortejo de viúvas e viúvos crónicos destas coisas. Um certo Portugal dos pequeninos também é feito disto.

20.1.12

ADIEU

Mega Ferreira foi substituído na presidência do CCB. Mais vale tarde que nunca. Mega ainda há bem pouco tempo anelava pelo regresso de Sócrates à pátria: não tinha dúvidas de que "o país precisa de pessoas como o anterior primeiro-ministro". Em compensação, a impunidade de anos e anos de mandarinato "cultural" permitiram-lhe "não lhe ocorrer" o nome do actual primeiro-ministro. M. Ferreira representa a pior soberba do chamado "meio" cultural português - a mania que a "cultura" tem "donos". Que coisa mais provinciana, dr. Mega. Adieu.

ADIEU

Mega Ferreira foi substituído na presidência do CCB. Mais vale tarde que nunca. Mega ainda há bem pouco tempo anelava pelo regresso de Sócrates à pátria: não tinha dúvidas de que "o país precisa de pessoas como o anterior primeiro-ministro". Em compensação, a impunidade de anos e anos de mandarinato "cultural" permitiram-lhe "não lhe ocorrer" o nome do actual primeiro-ministro. M. Ferreira representa a pior soberba do chamado "meio" cultural português - a mania que a "cultura" tem "donos". Que coisa mais provinciana, dr. Mega. Adieu.

A CAPITAL


Começa, com o cerimonial típico destes eventos (o famoso país de eventos que o Medeiros uma vez anunciou na televisão como uma das serventias para o nosso desenvolvimento e concomitante progresso), a "Guimarães 2012". É a terceira "capital" portuguesa da cultura depois de Lisboa e do Porto, em 2001, cujas peripécias iniciais não deixaram de ser deliciosas. Por natureza, desconfio sempre destes "eventos" e os prolegómenos desta "Guimarães" não foram propriamente os mais auspiciosos. São coisas que se sabe como começam mas raramente se sabe como e quando terminam. A Expo 98, por exemplo, parece que só agora começa a acabar. Mas ainda não acabou. E assim sucessivamente, como diria o saudoso César Monteiro que deveria adorar estes momentos de exaltação nunca se sabe bem de quê.

A CAPITAL


Começa, com o cerimonial típico destes eventos (o famoso país de eventos que o Medeiros uma vez anunciou na televisão como uma das serventias para o nosso desenvolvimento e concomitante progresso), a "Guimarães 2012". É a terceira "capital" portuguesa da cultura depois de Lisboa e do Porto, em 2001, cujas peripécias iniciais não deixaram de ser deliciosas. Por natureza, desconfio sempre destes "eventos" e os prolegómenos desta "Guimarães" não foram propriamente os mais auspiciosos. São coisas que se sabe como começam mas raramente se sabe como e quando terminam. A Expo 98, por exemplo, parece que só agora começa a acabar. Mas ainda não acabou. E assim sucessivamente, como diria o saudoso César Monteiro que deveria adorar estes momentos de exaltação nunca se sabe bem de quê.

19.1.12

COISAS QUE IMPORTAM

«Foram já alcançados progressos significativos na execução da agenda de transformação estrutural. Tal foi confirmado na segunda avaliação da missão da UE-FMI-BCE, que concluiu que o programa de reformas estruturais está globalmente no bom caminho. Desde essa data foram tomadas medidas adicionais de grande importância. Em algumas áreas, como na reforma do mercado de trabalho, fomos inclusive além dos compromissos assumidos no Programa de Assistência Económica e Financeira. Permitam-me referir algumas das iniciativas mais importantes adoptadas desde o início do Programa:

• Os direitos especiais doo Estado e as golden shares foram eliminados. A privatização da EDP foi concluída no final de Dezembro de 2011 (um pouco antes do prazo estabelecido) com a entrada de um grande investidor estratégico internacional – a China Three Gorges Corporation – que adquiriu 21,35% do capital social da empresa. A receita da privatização ascendeu a 2,7 mil milhões de euros (o que representa mais de metade do montante total de receitas do pacote de privatizações previstas nos Memorandos do programa MEFP/MoU). A operação decorreu de acordo com os mais elevados padrões de equidade e transparência. O processo para a privatização da REN está no bom caminho para a conclusão em Fevereiro de 2012. Estas duas operações, que tiveram lugar em condições particularmente adversas, são exemplos claros da competitividade real da economia portuguesa hoje.

• A reestruturação do sector empresarial do Estado está também em curso. Pretende-se com a reestruturação ajustar a dimensão do sector público de modo a assegurar a prestação de serviços essenciais à população, garantindo ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira das empresas. A reforma é muito abrangente e contempla a redução do número de empresas públicas, a privatização e/ou a concessão, a harmonização das regras de governo das sociedades e de reporte de informação, a adopção de rigorosos mecanismos de controlo e correcção e diminuir o pesado encargo da dívida. O plano estratégico para o sector dos transportes representa um dos elementos mais relevantes do plano de reestruturação, dado o peso relativo das empresas deste sector. O objectivo é garantir o equilíbrio operacional até ao final de 2012, estando já a ser tomadas as medidas necessárias para tal.

• Um outro passo de grande alcance foi o acordo de concertação entre o Governo e os parceiros sociais sobre Crescimento, competitividade e emprego (assinado ontem). Este acordo ilustra uma vez mais o grau de consenso em Portugal em torno do Programa de Ajustamento. O acordo é muito importante. Em primeiro lugar, porque incorpora um vasto conjunto de alterações estruturais, em particular no mercado de trabalho, que irão contribuir para melhorar a competitividade da nossa economia. Em segundo lugar porque permite que isso seja feito num contexto de diálogo social e mostra que muito pode ser alcançado através da acção colectiva voluntária. Devemos orgulhar-nos desta capacidade.

• No que diz respeito à melhoria do quadro de desenvolvimento da actividade empresarial, a reforma do sistema judicial tem um carácter prioritário. Foi apresentado um conjunto de medidas concretas para acelerar a resolução das pendências em tribunais. Foi aprovada a Lei da Arbitragem para facilitar a resolução extrajudicial. Foi apresentada uma proposta de alteração do código da insolvência e recuperação de empresas, com enfoque na celeridade, simplificação e criação de uma fase extrajudicial de recuperação de empresas. Está já em fase de conclusão a proposta de revisão da Lei da Concorrência - harmonizada com o quadro jurídico da UE e que reforça o poder da autoridade da concorrência. Além disso, o novo tribunal especializado em concorrência, regulação e supervisão está prestes a entrar em funcionamento.

Portugal enfrenta uma grave crise económica e financeira. Esta crise é o resultado de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros e de fragilidades estruturais acumuladas durante mais de uma década. O endividamento do sector público e do sector privado não financeiro atingiu níveis insustentáveis. O ajustamento da economia portuguesa é, por conseguinte, inevitável. Neste contexto, o Programa de Assistência Económica e Financeira dá-nos condições para uma correcção ordenada destes desequilíbrios e para recuperar a credibilidade dos mercados financeiros . Com os três pilares do Programa - consolidação orçamental, estabilidade financeira e reformas estruturais – Portugal será capaz de eliminar os seus desequilíbrios macro económicos e criar condições para um crescimento sustentado e para a criação de emprego . Não tenho dúvida que um ajustamento ordeiro é no melhor interesse de Portugal. »

Vìtor Gaspar, 19.1.12

COISAS QUE IMPORTAM

«Foram já alcançados progressos significativos na execução da agenda de transformação estrutural. Tal foi confirmado na segunda avaliação da missão da UE-FMI-BCE, que concluiu que o programa de reformas estruturais está globalmente no bom caminho. Desde essa data foram tomadas medidas adicionais de grande importância. Em algumas áreas, como na reforma do mercado de trabalho, fomos inclusive além dos compromissos assumidos no Programa de Assistência Económica e Financeira. Permitam-me referir algumas das iniciativas mais importantes adoptadas desde o início do Programa:

• Os direitos especiais doo Estado e as golden shares foram eliminados. A privatização da EDP foi concluída no final de Dezembro de 2011 (um pouco antes do prazo estabelecido) com a entrada de um grande investidor estratégico internacional – a China Three Gorges Corporation – que adquiriu 21,35% do capital social da empresa. A receita da privatização ascendeu a 2,7 mil milhões de euros (o que representa mais de metade do montante total de receitas do pacote de privatizações previstas nos Memorandos do programa MEFP/MoU). A operação decorreu de acordo com os mais elevados padrões de equidade e transparência. O processo para a privatização da REN está no bom caminho para a conclusão em Fevereiro de 2012. Estas duas operações, que tiveram lugar em condições particularmente adversas, são exemplos claros da competitividade real da economia portuguesa hoje.

• A reestruturação do sector empresarial do Estado está também em curso. Pretende-se com a reestruturação ajustar a dimensão do sector público de modo a assegurar a prestação de serviços essenciais à população, garantindo ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira das empresas. A reforma é muito abrangente e contempla a redução do número de empresas públicas, a privatização e/ou a concessão, a harmonização das regras de governo das sociedades e de reporte de informação, a adopção de rigorosos mecanismos de controlo e correcção e diminuir o pesado encargo da dívida. O plano estratégico para o sector dos transportes representa um dos elementos mais relevantes do plano de reestruturação, dado o peso relativo das empresas deste sector. O objectivo é garantir o equilíbrio operacional até ao final de 2012, estando já a ser tomadas as medidas necessárias para tal.

• Um outro passo de grande alcance foi o acordo de concertação entre o Governo e os parceiros sociais sobre Crescimento, competitividade e emprego (assinado ontem). Este acordo ilustra uma vez mais o grau de consenso em Portugal em torno do Programa de Ajustamento. O acordo é muito importante. Em primeiro lugar, porque incorpora um vasto conjunto de alterações estruturais, em particular no mercado de trabalho, que irão contribuir para melhorar a competitividade da nossa economia. Em segundo lugar porque permite que isso seja feito num contexto de diálogo social e mostra que muito pode ser alcançado através da acção colectiva voluntária. Devemos orgulhar-nos desta capacidade.

• No que diz respeito à melhoria do quadro de desenvolvimento da actividade empresarial, a reforma do sistema judicial tem um carácter prioritário. Foi apresentado um conjunto de medidas concretas para acelerar a resolução das pendências em tribunais. Foi aprovada a Lei da Arbitragem para facilitar a resolução extrajudicial. Foi apresentada uma proposta de alteração do código da insolvência e recuperação de empresas, com enfoque na celeridade, simplificação e criação de uma fase extrajudicial de recuperação de empresas. Está já em fase de conclusão a proposta de revisão da Lei da Concorrência - harmonizada com o quadro jurídico da UE e que reforça o poder da autoridade da concorrência. Além disso, o novo tribunal especializado em concorrência, regulação e supervisão está prestes a entrar em funcionamento.

Portugal enfrenta uma grave crise económica e financeira. Esta crise é o resultado de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros e de fragilidades estruturais acumuladas durante mais de uma década. O endividamento do sector público e do sector privado não financeiro atingiu níveis insustentáveis. O ajustamento da economia portuguesa é, por conseguinte, inevitável. Neste contexto, o Programa de Assistência Económica e Financeira dá-nos condições para uma correcção ordenada destes desequilíbrios e para recuperar a credibilidade dos mercados financeiros . Com os três pilares do Programa - consolidação orçamental, estabilidade financeira e reformas estruturais – Portugal será capaz de eliminar os seus desequilíbrios macro económicos e criar condições para um crescimento sustentado e para a criação de emprego . Não tenho dúvida que um ajustamento ordeiro é no melhor interesse de Portugal. »

Vìtor Gaspar, 19.1.12

EM BREVE

EM BREVE

13.1.12

CANALHICE

«A América não tem, decididamente, compleição para reinar sobre a orbe.»

CANALHICE

«A América não tem, decididamente, compleição para reinar sobre a orbe.»

DOIS CONSELHOS

O primeiro, ao meu caro amigo dr. Guilherme Silva, para sugerir a pessoas como esta que, caso tenham uma, usem a cabeça. O segundo, ao Banco de Portugal que deve rever a "política" de manutenção dos subsídios quando é uma prestigiada instituição pública e o esforço (remoção dos 13º e 14º meses) foi exigido a todas as instituições públicas.

DOIS CONSELHOS

O primeiro, ao meu caro amigo dr. Guilherme Silva, para sugerir a pessoas como esta que, caso tenham uma, usem a cabeça. O segundo, ao Banco de Portugal que deve rever a "política" de manutenção dos subsídios quando é uma prestigiada instituição pública e o esforço (remoção dos 13º e 14º meses) foi exigido a todas as instituições públicas.

12.1.12

FORAM SEIS

Não gosto de bola. Mas achei alguma piada que o novo presidente da Liga Portuguesa de Futebol tivesse sido eleito à revelia dos três clubes santarrões que apoiavam o derrotado. Por um voto se ganha, por um voto se perde. Foram seis.

FORAM SEIS

Não gosto de bola. Mas achei alguma piada que o novo presidente da Liga Portuguesa de Futebol tivesse sido eleito à revelia dos três clubes santarrões que apoiavam o derrotado. Por um voto se ganha, por um voto se perde. Foram seis.

BOA PERGUNTA


«Por que é que não se fala dos jornalistas maçónicos?»

BOA PERGUNTA


«Por que é que não se fala dos jornalistas maçónicos?»

OS MALES DA EXISTÊNCIA

Aqui há uns anos fui a Queluz com um amigo - que entretanto deixou de o ser por decisão sua unilateral - assistir à feitura do primeiro número de uma nova revista. A coisa prolongou-se pela madrugada fora. Chovia à brava e foi muito divertido. Leio entretanto na Lusa que essa revista acabou. Lamento sempre o fecho de órgãos de comunicação social. Mas julgo que tal "mundo" devia reflectir sobre o que lhe está a acontecer. E se não souber reflectir, meta explicador.

OS MALES DA EXISTÊNCIA

Aqui há uns anos fui a Queluz com um amigo - que entretanto deixou de o ser por decisão sua unilateral - assistir à feitura do primeiro número de uma nova revista. A coisa prolongou-se pela madrugada fora. Chovia à brava e foi muito divertido. Leio entretanto na Lusa que essa revista acabou. Lamento sempre o fecho de órgãos de comunicação social. Mas julgo que tal "mundo" devia reflectir sobre o que lhe está a acontecer. E se não souber reflectir, meta explicador.

EVITAR MEDIR AS COISAS BOAS PELO NÍVEL DA PORCARIA


«Quando nós estamos de longe, temos pelo menos uma possibilidade, que é escapar àquele problema que sempre existe de, no meio da floresta, não se ver floresta por causa das árvores. E também aos erros de perspectiva, que fazem a gente julgar que uma árvore pequenina que está ao pé de nós é muito grande, e que uma árvore muito grande que está longe de nós é muito pequenina. E é exactamente isso: quando a gente está de longe vê-se melhor, corrigem-se melhor as coisas. Além do mais, eu penso que [...] ninguém tem a obrigação de ser o registo civil de tudo que se publica num país. A gente tem sempre tempo de esperar algum tempo, de saber quem é que se afunda e desaparece, quem é que fica. E aqueles que ficam a gente vai ler depois. Não há necessidade de ler todas as semanas tudo o que se publica. Até porque eu acho [...] que todas as literaturas normalmente são feitas de obras notáveis e de obras relativamente medíocres. E se a gente passar todas as semanas a ler 80% de porcarias e 20% de obras boas, a gente acaba por medir as coisas boas pelo nível da porcaria, não é?». (Jorge de Sena, 1972) Estas percentagens aplicam-se a uma data de coisas hoje em dia. É mesmo de evitar medir as coisas boas pelo nível da porcaria.

EVITAR MEDIR AS COISAS BOAS PELO NÍVEL DA PORCARIA


«Quando nós estamos de longe, temos pelo menos uma possibilidade, que é escapar àquele problema que sempre existe de, no meio da floresta, não se ver floresta por causa das árvores. E também aos erros de perspectiva, que fazem a gente julgar que uma árvore pequenina que está ao pé de nós é muito grande, e que uma árvore muito grande que está longe de nós é muito pequenina. E é exactamente isso: quando a gente está de longe vê-se melhor, corrigem-se melhor as coisas. Além do mais, eu penso que [...] ninguém tem a obrigação de ser o registo civil de tudo que se publica num país. A gente tem sempre tempo de esperar algum tempo, de saber quem é que se afunda e desaparece, quem é que fica. E aqueles que ficam a gente vai ler depois. Não há necessidade de ler todas as semanas tudo o que se publica. Até porque eu acho [...] que todas as literaturas normalmente são feitas de obras notáveis e de obras relativamente medíocres. E se a gente passar todas as semanas a ler 80% de porcarias e 20% de obras boas, a gente acaba por medir as coisas boas pelo nível da porcaria, não é?». (Jorge de Sena, 1972) Estas percentagens aplicam-se a uma data de coisas hoje em dia. É mesmo de evitar medir as coisas boas pelo nível da porcaria.

10.1.12

ÉPOCA DE CAÇA


Não me recordo de, nas várias ocasiões - e foram muitas - em que o PS mandou no governo e no país (absoluta ou não absolutamente), ver tanto pernóstico a "exigir" que os maçons revelem que o são.

ÉPOCA DE CAÇA


Não me recordo de, nas várias ocasiões - e foram muitas - em que o PS mandou no governo e no país (absoluta ou não absolutamente), ver tanto pernóstico a "exigir" que os maçons revelem que o são.

EM BREVE


Aqui.

EM BREVE


Aqui.

9.1.12

OPOSIÇÃO À TAPEÇARIA

Na livraria do Instituto Franco-Português adquiri, juntamente com o Dictionnaire Malraux, um livrinho de menos de 70 páginas com uma conversa entre Michel Foucault e Claude Bonnefoy. Foucault fala da sua escrita como qualquer coisa oposta à tapeçaria. Parece que adivinhava no que se viria a transformar a "literatura", os meios académicos, as relações em geral. Uns quatro anos antes desta conversa, por carta, o nosso Jorge de Sena escrevia ao também nosso Vergílio Ferreira; «E eu não me zango, meu caro, já me convenci de que [a] humanidade é irremediavelmente vil, com algumas horas bonitas de vez em quando, e não podemos exigir-lhe mais do que pode dar. A minha concepção dessa humanidade é mais ou menos esta: amemos quem aceitou partilhar a nossa solidão; usemos dos corpos que valha a pena aproveitar, sem os comprometermos com o nosso «espírito»; façamos aquilo que sentimos não poder deixar de fazer; e é tudo.» Qualquer coisa, em suma, oposta à tapeçaria.


OPOSIÇÃO À TAPEÇARIA

Na livraria do Instituto Franco-Português adquiri, juntamente com o Dictionnaire Malraux, um livrinho de menos de 70 páginas com uma conversa entre Michel Foucault e Claude Bonnefoy. Foucault fala da sua escrita como qualquer coisa oposta à tapeçaria. Parece que adivinhava no que se viria a transformar a "literatura", os meios académicos, as relações em geral. Uns quatro anos antes desta conversa, por carta, o nosso Jorge de Sena escrevia ao também nosso Vergílio Ferreira; «E eu não me zango, meu caro, já me convenci de que [a] humanidade é irremediavelmente vil, com algumas horas bonitas de vez em quando, e não podemos exigir-lhe mais do que pode dar. A minha concepção dessa humanidade é mais ou menos esta: amemos quem aceitou partilhar a nossa solidão; usemos dos corpos que valha a pena aproveitar, sem os comprometermos com o nosso «espírito»; façamos aquilo que sentimos não poder deixar de fazer; e é tudo.» Qualquer coisa, em suma, oposta à tapeçaria.


SERVIÇO PÚBLICO


Passou ontem, pela primeira vez, no National Geographic e vai continuar. «Hitler a cor, com a sua cor real, documentado com exactidão através de imagens originais, é algo que nos é muito mais próximo. Vemos que está próximo historicamente, que não é alguém de um passado remoto. Isto pareceu-me especialmente importante para os jovens, o preto e branco distancia

Adenda (via mail, do crítico televisivo Eduardo Cintra Torres): «A notícia do Público tem uma falsidade, julgo que motivada por pressa por ignorância. Diz que o documentário tem imagens raríssimas a cores quando, como a própria notícia afirma adiante, as tais fotografias são a preto e branco mas foram colorizadas pelos documentaristas. Isto é, foram falsificadas quanto à sua verdade histórica. Daí que sejam "raríssimas": não é costume aldrabar-se fotos históricas. Se pusessem o Bambi por trás do Htiler a série ainda tinha mais audiência jovem.»

SERVIÇO PÚBLICO


Passou ontem, pela primeira vez, no National Geographic e vai continuar. «Hitler a cor, com a sua cor real, documentado com exactidão através de imagens originais, é algo que nos é muito mais próximo. Vemos que está próximo historicamente, que não é alguém de um passado remoto. Isto pareceu-me especialmente importante para os jovens, o preto e branco distancia

Adenda (via mail, do crítico televisivo Eduardo Cintra Torres): «A notícia do Público tem uma falsidade, julgo que motivada por pressa por ignorância. Diz que o documentário tem imagens raríssimas a cores quando, como a própria notícia afirma adiante, as tais fotografias são a preto e branco mas foram colorizadas pelos documentaristas. Isto é, foram falsificadas quanto à sua verdade histórica. Daí que sejam "raríssimas": não é costume aldrabar-se fotos históricas. Se pusessem o Bambi por trás do Htiler a série ainda tinha mais audiência jovem.»

8.1.12

A SOCIEDADE ANÓNIMA DE IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA


«O anonimato só é aceitável quando visa proteger alguém da repressão sob qualquer forma. Só se justifica, em termos análogos a outros segredos – como o segredo de voto –, quando é condição do exercício, sem constrangimentos, da liberdade de opinião. Não deve servir para praticar ameaças, injúrias, difamações ou outras condutas criminosas. De facto, não se pode proibir a burka na rua e admitir aos anónimos que intervenham ilimitadamente no espaço público da internet. Aliás, os anónimos que reclamam essa liberdade e o acesso irrestrito a todos os segredos mantêm, contraditoriamente, o segredo sobre si próprios, negando às restantes pessoas o acesso às razões mais profundas do seu agir.»

Fernanda Palma, CM

A SOCIEDADE ANÓNIMA DE IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA


«O anonimato só é aceitável quando visa proteger alguém da repressão sob qualquer forma. Só se justifica, em termos análogos a outros segredos – como o segredo de voto –, quando é condição do exercício, sem constrangimentos, da liberdade de opinião. Não deve servir para praticar ameaças, injúrias, difamações ou outras condutas criminosas. De facto, não se pode proibir a burka na rua e admitir aos anónimos que intervenham ilimitadamente no espaço público da internet. Aliás, os anónimos que reclamam essa liberdade e o acesso irrestrito a todos os segredos mantêm, contraditoriamente, o segredo sobre si próprios, negando às restantes pessoas o acesso às razões mais profundas do seu agir.»

Fernanda Palma, CM

O CRIADOR E AS CRIATURAS

Aparentemente o ministério da Justiça "deve" dinheiro à Estamo barra Parpublica por causa de uns imóveis do Estado cuja venda ou arrendamento gerem. Conto sempre esta história. No dia seguinte a sentar-me na cadeira do conselho directivo do São Carlos, em 2002, recebi um telefonema do presidente da Parpublica a reclamar duas ou três rendas do Teatro Camões como se não estivéssemos todos dentro do mesmo "perímetro", o sustentado pelos contribuintes através do orçamento do Estado. Passaram estes anos todos e o Estado (de que as referidas empresas, em modalidade societária e através de indemnizações compensatórias, fazem parte) parece que continua refém destas suas maravilhosas criações. Quando é que o criador resolve, de vez, o "problema" das criaturas?

O CRIADOR E AS CRIATURAS

Aparentemente o ministério da Justiça "deve" dinheiro à Estamo barra Parpublica por causa de uns imóveis do Estado cuja venda ou arrendamento gerem. Conto sempre esta história. No dia seguinte a sentar-me na cadeira do conselho directivo do São Carlos, em 2002, recebi um telefonema do presidente da Parpublica a reclamar duas ou três rendas do Teatro Camões como se não estivéssemos todos dentro do mesmo "perímetro", o sustentado pelos contribuintes através do orçamento do Estado. Passaram estes anos todos e o Estado (de que as referidas empresas, em modalidade societária e através de indemnizações compensatórias, fazem parte) parece que continua refém destas suas maravilhosas criações. Quando é que o criador resolve, de vez, o "problema" das criaturas?

DOS PEDREIROS LIVRES AOS ALARVES-LIVRES

«Só agora é que descobriram que há Maçonaria? É tão interessante Portugal! De repente, põem - se a discutir uma matéria velha como se fosse nova. É sempre assim. Só descobriram as PPPs há pouco tempo. Não conheciam, não faziam ideia. Da Maçonaria, também não. Nem sonhavam... Ao Sábado à noite, no meio do zapping, às vezes deparamo-nos com uns alarves (dois) a rirem do que não sabem, a falarem a sério do que desconhecem e a ofenderem quem os ignora. Hoje falavam do tema do dia com o mesmo ar alarve de sempre. Triste Portugal.»

Pedro Santana Lopes

DOS PEDREIROS LIVRES AOS ALARVES-LIVRES

«Só agora é que descobriram que há Maçonaria? É tão interessante Portugal! De repente, põem - se a discutir uma matéria velha como se fosse nova. É sempre assim. Só descobriram as PPPs há pouco tempo. Não conheciam, não faziam ideia. Da Maçonaria, também não. Nem sonhavam... Ao Sábado à noite, no meio do zapping, às vezes deparamo-nos com uns alarves (dois) a rirem do que não sabem, a falarem a sério do que desconhecem e a ofenderem quem os ignora. Hoje falavam do tema do dia com o mesmo ar alarve de sempre. Triste Portugal.»

Pedro Santana Lopes

7.1.12

UM PAÍS SEM TRICOTEUSES


Visita a Penela. Um dia glorioso de sol, de ar puro e com gente boa. E chanfana, claro. Há outro país que se está muito adequadamente nas tintas para a tagarelice e para a mesmice. Deve deixar-se o "meio" entregue ao seu tricot inútil e seguir em frente. Penela aparentemente faz assim. E faz muito bem.

UM PAÍS SEM TRICOTEUSES


Visita a Penela. Um dia glorioso de sol, de ar puro e com gente boa. E chanfana, claro. Há outro país que se está muito adequadamente nas tintas para a tagarelice e para a mesmice. Deve deixar-se o "meio" entregue ao seu tricot inútil e seguir em frente. Penela aparentemente faz assim. E faz muito bem.