31.10.10

PIOR É POSSÍVEL

Parece que o dr. Passos murmurou que "o pior ainda está para vir". Começa a ficar realista, o rapaz. Pena é que já esteja comprometido com esse pior.

PIOR É POSSÍVEL

Parece que o dr. Passos murmurou que "o pior ainda está para vir". Começa a ficar realista, o rapaz. Pena é que já esteja comprometido com esse pior.

ALEGRE ESQUIZOFRENIA


Esta gente não tem vergonha alguma. Refiro-me aos "berloqueiros" do dr. Louçã. Uns dias estão contra o PS de Alegre e Sócrates. Noutros, por causa do primeiro, abancam com o "inimigo". Mas a falta de vergonha começou com o próprio Alegre que também é "dois em um". O deputado pseudo-rebelde da maioria absoluta foi engolido pelo vaidoso e ambicioso candidato do BE que combinou com Sócrates não maçar mais do que o mínimo exigido pelo decoro do respeitinho partidário em troca do apoio da nomenclatura. Não é por acaso que outro ambicioso (mais inteligente e perigoso do que ele, S. Silva, ironicamente ministro da defesa nacional) se senta na comissão politica da candidatura. Finalmente não admira que esteja como está nas sondagens. Com um bocado de sorte, ainda terá menos que o mítico milhão de votos de 2006. E já é muito.

ALEGRE ESQUIZOFRENIA


Esta gente não tem vergonha alguma. Refiro-me aos "berloqueiros" do dr. Louçã. Uns dias estão contra o PS de Alegre e Sócrates. Noutros, por causa do primeiro, abancam com o "inimigo". Mas a falta de vergonha começou com o próprio Alegre que também é "dois em um". O deputado pseudo-rebelde da maioria absoluta foi engolido pelo vaidoso e ambicioso candidato do BE que combinou com Sócrates não maçar mais do que o mínimo exigido pelo decoro do respeitinho partidário em troca do apoio da nomenclatura. Não é por acaso que outro ambicioso (mais inteligente e perigoso do que ele, S. Silva, ironicamente ministro da defesa nacional) se senta na comissão politica da candidatura. Finalmente não admira que esteja como está nas sondagens. Com um bocado de sorte, ainda terá menos que o mítico milhão de votos de 2006. E já é muito.

A NOMENCLATURA COMUNICACIONAL


«De tudo o que se lê, ouve ou se tevê, fica a impressão de que Portugal seria governado por génios caso não houvesse eleições...»

Medeiros Ferreira, Córtex Frontal

A NOMENCLATURA COMUNICACIONAL


«De tudo o que se lê, ouve ou se tevê, fica a impressão de que Portugal seria governado por génios caso não houvesse eleições...»

Medeiros Ferreira, Córtex Frontal

A CANDIDATA 13


Os brasileiros, em muitos casos uma degenerescência do pior que já cá havia, preparam-se para eleger a D. Dilma para suceder provisoriamente a Lula, um epígono exemplar das esquerdas mundiais depois do fracasso de Obama, fatalmente remetido à sua condição de presidente do Império guerreiro e falido. A D. Dilma é um produto da esperteza fria de Lula e do seu Ptismo populista e, grosso modo, corrupto, Politicamente é um zero, uma invenção destinada a falar pelo outro e a exibir o outro por interposta pessoa, uma coisa tipicamente latino-americana, um upgrade da endogamia monárquica. Quando acordei, a antena1 - tão regimental lá como cá - começava as notícias não apenas com a abertura das urnas no Brasil mas com a vitória anunciada da candidata 13. Sorte a deles, azar o deles. Aquilo só mesmo para sol, mar e alguma literatura ou música. O resto é lixo.

A CANDIDATA 13


Os brasileiros, em muitos casos uma degenerescência do pior que já cá havia, preparam-se para eleger a D. Dilma para suceder provisoriamente a Lula, um epígono exemplar das esquerdas mundiais depois do fracasso de Obama, fatalmente remetido à sua condição de presidente do Império guerreiro e falido. A D. Dilma é um produto da esperteza fria de Lula e do seu Ptismo populista e, grosso modo, corrupto, Politicamente é um zero, uma invenção destinada a falar pelo outro e a exibir o outro por interposta pessoa, uma coisa tipicamente latino-americana, um upgrade da endogamia monárquica. Quando acordei, a antena1 - tão regimental lá como cá - começava as notícias não apenas com a abertura das urnas no Brasil mas com a vitória anunciada da candidata 13. Sorte a deles, azar o deles. Aquilo só mesmo para sol, mar e alguma literatura ou música. O resto é lixo.

COBARDIA*

Génio derrotado, com os quatro ossos
escondidos em roupas elegantes, cada um exibe
um rosto atento, em que os outros possam

colar uma suspeita; nos cafés, de dia,
à noite, nos salões: mas em vão cada um procura
decifrar no rosto alheio o regresso

da esperança antiga: e se nele descobre
alguma esperança, é uma esperança inconfessável,
no jogo da procura e da oferta,

e o olhar parece ser apenas o espasmo
de uma ferida íntima: que nos torna exangues,
inertes, descontentes, e conduz a uma greve

dos sentimentos, a uma pausa culpada
da consciência, a uma paz malsã,
que só dá dias cinzentos, de tragédia.

Assim, se olho para o fundo das almas
dos grupos de indivíduos que vivem
no meu tempo, próximos de mim ou meus vizinhos,

vejo que dos mil sacrilégios possíveis
que qualquer religião natural
pode enumerar, aquele que permanece

sempre, em todos, é a cobardia.
Um sentimento eterno - uma forma
de sentimento - petrificado, imutável,

que deixa em qualquer outro sentimento,
directa ou indirecta, a sua marca.
É essa cobardia que faz do homem um descrente.

É uma espécie de profundo impedimento
que rouba força ao coração do homem,
calor ao raciocínio,

que o faz falar da bondade
como se fosse só comportamento,
de piedade como se fosse apenas norma.

Pode torná-lo feroz, por vezes,
mas sempre o torna prudente:
mesmo que ameace, julgue, ironize, escute,

está sempre, intimamente, apavorado.
Não há ninguém que escape a esse medo.
Por isso, ninguém é, de facto, amigo ou inimigo.

Ninguém pode sentir uma paixão verdadeira:
a chama apaga-se de repente,
como por resignação ou arrependimento,

nessa antiga cobardia, nessa hormona
misteriosa que os séculos engendraram.
Reconheço-a, sempre, em qualquer homem.

Pier Paolo Pasolini

*
daqui

COBARDIA*

Génio derrotado, com os quatro ossos
escondidos em roupas elegantes, cada um exibe
um rosto atento, em que os outros possam

colar uma suspeita; nos cafés, de dia,
à noite, nos salões: mas em vão cada um procura
decifrar no rosto alheio o regresso

da esperança antiga: e se nele descobre
alguma esperança, é uma esperança inconfessável,
no jogo da procura e da oferta,

e o olhar parece ser apenas o espasmo
de uma ferida íntima: que nos torna exangues,
inertes, descontentes, e conduz a uma greve

dos sentimentos, a uma pausa culpada
da consciência, a uma paz malsã,
que só dá dias cinzentos, de tragédia.

Assim, se olho para o fundo das almas
dos grupos de indivíduos que vivem
no meu tempo, próximos de mim ou meus vizinhos,

vejo que dos mil sacrilégios possíveis
que qualquer religião natural
pode enumerar, aquele que permanece

sempre, em todos, é a cobardia.
Um sentimento eterno - uma forma
de sentimento - petrificado, imutável,

que deixa em qualquer outro sentimento,
directa ou indirecta, a sua marca.
É essa cobardia que faz do homem um descrente.

É uma espécie de profundo impedimento
que rouba força ao coração do homem,
calor ao raciocínio,

que o faz falar da bondade
como se fosse só comportamento,
de piedade como se fosse apenas norma.

Pode torná-lo feroz, por vezes,
mas sempre o torna prudente:
mesmo que ameace, julgue, ironize, escute,

está sempre, intimamente, apavorado.
Não há ninguém que escape a esse medo.
Por isso, ninguém é, de facto, amigo ou inimigo.

Ninguém pode sentir uma paixão verdadeira:
a chama apaga-se de repente,
como por resignação ou arrependimento,

nessa antiga cobardia, nessa hormona
misteriosa que os séculos engendraram.
Reconheço-a, sempre, em qualquer homem.

Pier Paolo Pasolini

*
daqui

30.10.10

BOM PROVEITO

Vi toda a gente muito contente com a abstenção anunciada num papel envergonhado pelo PSD e pela aprovação do PS pela voz do dr. Assis. É, digamos assim, outro "desígnio nacional" que se pagará mais adiante. Aliás, a coisa, tirando o acordo, já promete à cabeça mais 5oo milhões a arranjar num "mix" (sic) entre a receita e a despesa depois de quarta-feira. Há, assim, sérias hipóteses de voltarmos ao calçadão. Bom proveito.

BOM PROVEITO

Vi toda a gente muito contente com a abstenção anunciada num papel envergonhado pelo PSD e pela aprovação do PS pela voz do dr. Assis. É, digamos assim, outro "desígnio nacional" que se pagará mais adiante. Aliás, a coisa, tirando o acordo, já promete à cabeça mais 5oo milhões a arranjar num "mix" (sic) entre a receita e a despesa depois de quarta-feira. Há, assim, sérias hipóteses de voltarmos ao calçadão. Bom proveito.

É A ISTO QUE SE VAI DANDO FÔLEGO E DINHEIRO?


«A minha escola está a ser requalificada e vai ter um novo nome, para fingir que é nova. Na passada sexta-feira, o pavilhão novo, ex-libris da tal novidade e concluído há poucos meses, era, no rés-do-chão, um lago, esvaziado a balde após terem sido canceladas as aulas e evacuados alunos e professores. No primeiro andar, perante a proximidade de salas onde baldes iam contendo a água que se infiltrava, os alunos pediam que os deixassem também ir para casa, até porque, dias antes, tinham avistado uma placa caída do telhado a esvoaçar graciosamente até ao chão. Perante o descalabro do ensino, que não me canso de denunciar, não tardará que o analfabetismo absoluto atinja arquitectos e engenheiros como todas as outras classes profissionais. Depois, lá estará a Parque Escolar para empregar os mais "aptos".» (da leitora Isabel)

É A ISTO QUE SE VAI DANDO FÔLEGO E DINHEIRO?


«A minha escola está a ser requalificada e vai ter um novo nome, para fingir que é nova. Na passada sexta-feira, o pavilhão novo, ex-libris da tal novidade e concluído há poucos meses, era, no rés-do-chão, um lago, esvaziado a balde após terem sido canceladas as aulas e evacuados alunos e professores. No primeiro andar, perante a proximidade de salas onde baldes iam contendo a água que se infiltrava, os alunos pediam que os deixassem também ir para casa, até porque, dias antes, tinham avistado uma placa caída do telhado a esvoaçar graciosamente até ao chão. Perante o descalabro do ensino, que não me canso de denunciar, não tardará que o analfabetismo absoluto atinja arquitectos e engenheiros como todas as outras classes profissionais. Depois, lá estará a Parque Escolar para empregar os mais "aptos".» (da leitora Isabel)

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Este é um fim de semana de finados. Literalmente. Os portugueses nem sequer precisam de rumar até às ossadas e cinzas dos avoengos, causando quase seiscentos acidentes de automóvel em menos de 24 horas (corja de alarves irresponsáveis!) para perguntar por quem os sinos dobram. Porque eles dobram por eles mesmos.

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Este é um fim de semana de finados. Literalmente. Os portugueses nem sequer precisam de rumar até às ossadas e cinzas dos avoengos, causando quase seiscentos acidentes de automóvel em menos de 24 horas (corja de alarves irresponsáveis!) para perguntar por quem os sinos dobram. Porque eles dobram por eles mesmos.

RESTA-NOS EMPOBRECER


Depois de ouvir os drs. Catroga e Teixeira dos Santos, só uma frase da crónica de Rui Ramos no Expresso resume tão trágica como exemplarmente uma coisa de quem ninguém - repito, ninguém - se deve orgulhar: agora, resta-nos, para já, empobrecer. E voltar a ajustar contas em Março.

RESTA-NOS EMPOBRECER


Depois de ouvir os drs. Catroga e Teixeira dos Santos, só uma frase da crónica de Rui Ramos no Expresso resume tão trágica como exemplarmente uma coisa de quem ninguém - repito, ninguém - se deve orgulhar: agora, resta-nos, para já, empobrecer. E voltar a ajustar contas em Março.

E A POPULAÇA DESCOBRE DE REPENTE QUE FOI ENGANADA

«Era inevitável que o autoritarismo do primeiro-ministro e a facilidade com que ele sempre se moveu da esquerda para a direita, e da direita para esquerda, acabasse mal. Pior ainda: o Governo pela propaganda, ou seja, pela ilusão ou mesmo, às vezes, pela mentira é manifestamente a pior receita para durar. Tarde ou cedo, deixa de ser possível esconder a realidade com palavreado ou com espectáculo e a populaça descobre de repente que foi enganada. Não por acaso a execração que Sócrates conseguiu suscitar se tornou praticamente obrigatória e é agora partilhada em Portugal inteiro. O PS não se levantará tão cedo do descrédito (e do desprezo) que Sócrates lhe trouxe. Se esquecermos Louçã e o radicalismo ridículo e piegas de Manuel Alegre (que, de resto, 80 por cento do eleitorado ignora), o país pertence hoje ao dr. Cavaco e ao PSD de Passos Coelho.»

Vasco Pulido Valente, Público

E A POPULAÇA DESCOBRE DE REPENTE QUE FOI ENGANADA

«Era inevitável que o autoritarismo do primeiro-ministro e a facilidade com que ele sempre se moveu da esquerda para a direita, e da direita para esquerda, acabasse mal. Pior ainda: o Governo pela propaganda, ou seja, pela ilusão ou mesmo, às vezes, pela mentira é manifestamente a pior receita para durar. Tarde ou cedo, deixa de ser possível esconder a realidade com palavreado ou com espectáculo e a populaça descobre de repente que foi enganada. Não por acaso a execração que Sócrates conseguiu suscitar se tornou praticamente obrigatória e é agora partilhada em Portugal inteiro. O PS não se levantará tão cedo do descrédito (e do desprezo) que Sócrates lhe trouxe. Se esquecermos Louçã e o radicalismo ridículo e piegas de Manuel Alegre (que, de resto, 80 por cento do eleitorado ignora), o país pertence hoje ao dr. Cavaco e ao PSD de Passos Coelho.»

Vasco Pulido Valente, Público

29.10.10

LA COMMEDIA È FINITA

LA COMMEDIA È FINITA

INUNDADOS DE MÁ MOEDA

Tem razão. Se isto fosse consigo já estava metido num colete de forças e internado.

INUNDADOS DE MÁ MOEDA

Tem razão. Se isto fosse consigo já estava metido num colete de forças e internado.

DA VIDA SEXUAL DOS PORTUGUESES EM 2011

Aqui. É uma sub-espécie de ovelhas.

DA VIDA SEXUAL DOS PORTUGUESES EM 2011

Aqui. É uma sub-espécie de ovelhas.

DA VIDA SEXUAL DAS OVELHAS

Aqui.

DA VIDA SEXUAL DAS OVELHAS

Aqui.

O "ESFORÇO"

É preciso muito esforço para aturar isto tudo.

O "ESFORÇO"

É preciso muito esforço para aturar isto tudo.

O ENTULHADOR DE MITOS

















Assisti pessoalmente a isto, uma espécie de desfazer em segundos a mitologia do grande presidente de câmara que é o comentador Costa e dos seus dois maiores ajudantes de campo, o sr. Fernandes e a lunática Roseta. Infelizmente o entulho que enche a cabeça do edil Costa não foi avistado, no meio da água, em direcção ao rio - como a natureza tem sempre razão! - com ele lá dentro. Não se esqueçam de o pôr a seguir ao Sócrates.

O ENTULHADOR DE MITOS

















Assisti pessoalmente a isto, uma espécie de desfazer em segundos a mitologia do grande presidente de câmara que é o comentador Costa e dos seus dois maiores ajudantes de campo, o sr. Fernandes e a lunática Roseta. Infelizmente o entulho que enche a cabeça do edil Costa não foi avistado, no meio da água, em direcção ao rio - como a natureza tem sempre razão! - com ele lá dentro. Não se esqueçam de o pôr a seguir ao Sócrates.

AUTORIDADE

AUTORIDADE

ÉRAMOS ASSIM


Terceiro volume da excelente colecção Saber & Educação - de bolso - da Guerra & Paz. A seguir vem Jorge de Sena.

ÉRAMOS ASSIM


Terceiro volume da excelente colecção Saber & Educação - de bolso - da Guerra & Paz. A seguir vem Jorge de Sena.

28.10.10

UM ENCONTRO

Santana Lopes é adepto de um "governo de salvação nacional". Pacheco Pereira fala num de "emergência nacional" numa "quadratura" onde, há semanas, impera uma maçadora língua de pau praticamente única. Algum dia, com ou sem escritura lavrada nas estrelas, acabariam por se encontrar.

UM ENCONTRO

Santana Lopes é adepto de um "governo de salvação nacional". Pacheco Pereira fala num de "emergência nacional" numa "quadratura" onde, há semanas, impera uma maçadora língua de pau praticamente única. Algum dia, com ou sem escritura lavrada nas estrelas, acabariam por se encontrar.

O SUSTO


Luís Amado, MNE português, já se manifestou "vigorosamente" contra as alterações que a sra. Merkel, com o beneplácito francês, pretende ver introduzidas na coroa de glória que é o tratado de Lisboa no sentido de um maior controlo sobre os países da "zona euro" incumpridores. Imagino que a sra. Merkel, a pagadora crónica das derivas meridionais, não consiga dormir sossegada com este susto pregado por essa eminência mundial que é o dr. Amado.

O SUSTO


Luís Amado, MNE português, já se manifestou "vigorosamente" contra as alterações que a sra. Merkel, com o beneplácito francês, pretende ver introduzidas na coroa de glória que é o tratado de Lisboa no sentido de um maior controlo sobre os países da "zona euro" incumpridores. Imagino que a sra. Merkel, a pagadora crónica das derivas meridionais, não consiga dormir sossegada com este susto pregado por essa eminência mundial que é o dr. Amado.

OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE


Há quinze anos, neste dia, tomava posse o governo minoritário de António Guterres. Não votei para que ele tomasse posse mas, olhando ao que temos hoje, quase se sente saudades daquilo.

OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE


Há quinze anos, neste dia, tomava posse o governo minoritário de António Guterres. Não votei para que ele tomasse posse mas, olhando ao que temos hoje, quase se sente saudades daquilo.

A "MAGISTRATURA ACTIVA"

A enfadonha e promíscua raça nouveau riche dos "politólogos", segundo a "politóloga" do Público D. São José Almeida, anda a estudar o conceito de "magistratura activa" lançado há dias por Cavaco Silva. Não desfazendo nas setenta teses académicas e nas trezentas e cinquenta intervenções televisivas que serão oportunamente produzidas, talvez "magistratura activa" queira simplesmente dizer fazer o que será preciso fazer a partir de 9 de Março de 2011 tentando não puxar a vida das pessoas para baixo. Ética e materialmente, vendendo ilusões.

A "MAGISTRATURA ACTIVA"

A enfadonha e promíscua raça nouveau riche dos "politólogos", segundo a "politóloga" do Público D. São José Almeida, anda a estudar o conceito de "magistratura activa" lançado há dias por Cavaco Silva. Não desfazendo nas setenta teses académicas e nas trezentas e cinquenta intervenções televisivas que serão oportunamente produzidas, talvez "magistratura activa" queira simplesmente dizer fazer o que será preciso fazer a partir de 9 de Março de 2011 tentando não puxar a vida das pessoas para baixo. Ética e materialmente, vendendo ilusões.

FARTOS DELE


O PSD andou bem em reservar-se para a véspera da não reprovação do OE na generalidade (reparem no termo: não reprovação) para determinar o sentido do voto. Daqui a pouco parecia que era o PSD o autor do OE e o putativo responsável pela sua execução. Passos e Sócrates virão de Bruxelas com ordens para matar, ou seja, para mais "pecs" e coisas assim. Aliás, o OE é apenas isso, mais um "pec", uma espécie de vénia ao FMI para ver se ele não passa do hall de entrada. Agitar com o fantasma dos juros por causa do PSD é pura demagogia. Os juros da dívida aumentam porque não existe mais confiança nas autoridades portuguesas representadas, em particular, por Sócrates e pelo seu governo minoritário. Haja ou não OE (e vai haver como mera formalidade), Portugal é hoje um país que não merece qualquer tipo de credibilidade externa e que deve ser mantido com trela curta pela Europa que conta, como Merkel e Sarkozy, em qualquer linguarejar técnico* explicarão a um Sócrates de quem já devem estar fartos. Nós também estamos.


* Vem a propósito ler a crónica de M. M. Carrilho no DN (excluída a referência a Lula porque me recuso a passar atestados de bom comportamento linguístico ao farsante pré-Dilma quando o "exemplo" devia partir de nós, precisamente os da língua portuguesa em vias de extinção) na parte em que se alude à necessidade de cortar «com o gesto de submissão política que é andar pelo mundo a falar "portunhol", "françiú" ou "bad english", assim acabando por estropiar anos de esforçado trabalho pela afirmação internacional da língua portuguesa. E submissão é a palavra certa, uma vez que nunca se viu qualquer reciprocidade dessa atitude, por parte de líderes estrangeiros.»

FARTOS DELE


O PSD andou bem em reservar-se para a véspera da não reprovação do OE na generalidade (reparem no termo: não reprovação) para determinar o sentido do voto. Daqui a pouco parecia que era o PSD o autor do OE e o putativo responsável pela sua execução. Passos e Sócrates virão de Bruxelas com ordens para matar, ou seja, para mais "pecs" e coisas assim. Aliás, o OE é apenas isso, mais um "pec", uma espécie de vénia ao FMI para ver se ele não passa do hall de entrada. Agitar com o fantasma dos juros por causa do PSD é pura demagogia. Os juros da dívida aumentam porque não existe mais confiança nas autoridades portuguesas representadas, em particular, por Sócrates e pelo seu governo minoritário. Haja ou não OE (e vai haver como mera formalidade), Portugal é hoje um país que não merece qualquer tipo de credibilidade externa e que deve ser mantido com trela curta pela Europa que conta, como Merkel e Sarkozy, em qualquer linguarejar técnico* explicarão a um Sócrates de quem já devem estar fartos. Nós também estamos.


* Vem a propósito ler a crónica de M. M. Carrilho no DN (excluída a referência a Lula porque me recuso a passar atestados de bom comportamento linguístico ao farsante pré-Dilma quando o "exemplo" devia partir de nós, precisamente os da língua portuguesa em vias de extinção) na parte em que se alude à necessidade de cortar «com o gesto de submissão política que é andar pelo mundo a falar "portunhol", "françiú" ou "bad english", assim acabando por estropiar anos de esforçado trabalho pela afirmação internacional da língua portuguesa. E submissão é a palavra certa, uma vez que nunca se viu qualquer reciprocidade dessa atitude, por parte de líderes estrangeiros.»

27.10.10

LACÃONISMO

Como é que é possível tratar de coisas sérias com um Lacão ao lado?

LACÃONISMO

Como é que é possível tratar de coisas sérias com um Lacão ao lado?

UMA COISA VERDADEIRAMENTE GRANDIOSA







Richard Strauss: Poema Sinfónico Morte e Transfiguração. Celibidache. 1970

UMA COISA VERDADEIRAMENTE GRANDIOSA







Richard Strauss: Poema Sinfónico Morte e Transfiguração. Celibidache. 1970

O PONTO

O evangelista que está hoje a ser entrevistado pelo Crespo, em torno de "ricos", há dias, no parlamento, quando se apanhou sozinho com um deputado do PSD, virou-se para o dito e disse-lhe qualquer coisa como "isto está mesmo muito mau e vocês têm de deixar passar o orçamento". É por isso que ele representa uma enorme "consciência social" para o seu candidato presidencial e este para ele. O seu ponto, por assim dizer.

O PONTO

O evangelista que está hoje a ser entrevistado pelo Crespo, em torno de "ricos", há dias, no parlamento, quando se apanhou sozinho com um deputado do PSD, virou-se para o dito e disse-lhe qualquer coisa como "isto está mesmo muito mau e vocês têm de deixar passar o orçamento". É por isso que ele representa uma enorme "consciência social" para o seu candidato presidencial e este para ele. O seu ponto, por assim dizer.

A VERDADEIRA BANCARROTA

Regressámos ao calçadão. É sempre aquela coisa do Rodrigo da Fonseca - nascer, viver e morrer entre brutos é triste. Não se percebe, em conformidade, por que é que não chegam a acordo uns com os outros. E sob o olhar cínico das pitonisas de serviço agora transformadas em "especialistas" em finanças públicas. A verdadeira bancarrota é ter gente desta. Não é existirem 28 mil prostitutas de profissão que, coitadas, não nasceram assim.

A VERDADEIRA BANCARROTA

Regressámos ao calçadão. É sempre aquela coisa do Rodrigo da Fonseca - nascer, viver e morrer entre brutos é triste. Não se percebe, em conformidade, por que é que não chegam a acordo uns com os outros. E sob o olhar cínico das pitonisas de serviço agora transformadas em "especialistas" em finanças públicas. A verdadeira bancarrota é ter gente desta. Não é existirem 28 mil prostitutas de profissão que, coitadas, não nasceram assim.

UM PRÍNCIPE TRÁGICO DA DEMOCRACIA

Recomendável às novas gerações habituadas a conviver com peralvilhos partidários de plasticina, ocos, sem a menor densidade democrática ou outra. Não tinha medo de rupturas.

Adenda (do leitor José Cipriano Catarino): «E não desprezava o povo. Numa visita a Amesterdão, soube no aeroporto que entre as empregadas de limpeza havia portuguesas. Pediu para falar com elas - uma das quais a minha mãe - e conversou sobre a terra de origem, enquanto Freitas, que o acompanhava, se mantinha de lado, talvez por recear misturar-se com gente humilde. Não pediu votos, não encenou espectáculo para as câmaras, que nem lá estavam. Apenas falou em Português com portuguesas sobre a respectiva terra natal, perguntou como se sentiam na Holanda... »

UM PRÍNCIPE TRÁGICO DA DEMOCRACIA

Recomendável às novas gerações habituadas a conviver com peralvilhos partidários de plasticina, ocos, sem a menor densidade democrática ou outra. Não tinha medo de rupturas.

Adenda (do leitor José Cipriano Catarino): «E não desprezava o povo. Numa visita a Amesterdão, soube no aeroporto que entre as empregadas de limpeza havia portuguesas. Pediu para falar com elas - uma das quais a minha mãe - e conversou sobre a terra de origem, enquanto Freitas, que o acompanhava, se mantinha de lado, talvez por recear misturar-se com gente humilde. Não pediu votos, não encenou espectáculo para as câmaras, que nem lá estavam. Apenas falou em Português com portuguesas sobre a respectiva terra natal, perguntou como se sentiam na Holanda... »

PARA FINAL DE CONVERSA


Mais perto. E agora até já lá está o mítico e "internacional" dr. Borges que se distinguiu pela irrelevância política nacional. Fica tudo em família.

PARA FINAL DE CONVERSA


Mais perto. E agora até já lá está o mítico e "internacional" dr. Borges que se distinguiu pela irrelevância política nacional. Fica tudo em família.

"NÃO FUGIU"

Boa síntese.

"NÃO FUGIU"

Boa síntese.

A SÍNDROME MÁRIO CRESPO


Mário Crespo - escolho-o porque ilustra perfeitamente o fenómeno - tem dois ódios de estimação, a saber, o PR e o 1º ministro. Também não sou dado a gostar especialmente de Sócrates a não ser dos fatos. Mas, sobretudo em televisão, o que releva (ou devia relevar) é ajudar os que a estão a ver a pensar e não transformá-los em putativos estagiários de um remake misto de O Crime com a revistinha Maria. Ora Crespo (e por Crespo quero referir-me a um plural majestático), com as suas obsessões "temáticas", arrasta notícias e convidados para o propósito do dia que tem na cabeça. É lamentável que muitos dos convidados se deixem arrastar para as "conclusões" que o "crespismo" já traz preparadas de casa e que dão para horas e dias de "formação". Defensor indisputável da liberdade de expressão, julgo que o "crespismo" - nas suas variantes mais ou menos populares que incluem comentários anónimos na web - deve florescer até como exemplo do que o ressabiamento pode fazer a pessoas inteligentes. Nunca leram Richard Rorty, pois não? Ou mesmo Proust ou Oscar Wilde? Então leiam porque dito assim parece tirada "ao lado". Não é. Quem não aprende a redescrever-se ironisticamente ou a intuir em cada momento da nossa vida a pura contingência dela, não anda cá a fazer nada.

A SÍNDROME MÁRIO CRESPO


Mário Crespo - escolho-o porque ilustra perfeitamente o fenómeno - tem dois ódios de estimação, a saber, o PR e o 1º ministro. Também não sou dado a gostar especialmente de Sócrates a não ser dos fatos. Mas, sobretudo em televisão, o que releva (ou devia relevar) é ajudar os que a estão a ver a pensar e não transformá-los em putativos estagiários de um remake misto de O Crime com a revistinha Maria. Ora Crespo (e por Crespo quero referir-me a um plural majestático), com as suas obsessões "temáticas", arrasta notícias e convidados para o propósito do dia que tem na cabeça. É lamentável que muitos dos convidados se deixem arrastar para as "conclusões" que o "crespismo" já traz preparadas de casa e que dão para horas e dias de "formação". Defensor indisputável da liberdade de expressão, julgo que o "crespismo" - nas suas variantes mais ou menos populares que incluem comentários anónimos na web - deve florescer até como exemplo do que o ressabiamento pode fazer a pessoas inteligentes. Nunca leram Richard Rorty, pois não? Ou mesmo Proust ou Oscar Wilde? Então leiam porque dito assim parece tirada "ao lado". Não é. Quem não aprende a redescrever-se ironisticamente ou a intuir em cada momento da nossa vida a pura contingência dela, não anda cá a fazer nada.

26.10.10

NÃO VENDE ILUSÕES


«Neste panorama miserável resta olhar para cima e ver que na Presidência da República está um homem que não vende ilusões, mentiras e que não gosta desta política. É verdade que foi no seu tempo de primeiro-ministro que nasceu e floresceu muito do entulho que ainda hoje polui a sociedade. Mas também é verdade que hoje é o único referencial de realismo e honestidade. A sua reeleição é necessária, embora esteja longe de ser suficiente para secar este pântano. Seja como for, haja Cavaco.»

António Ribeiro Ferreira, CM

NÃO VENDE ILUSÕES


«Neste panorama miserável resta olhar para cima e ver que na Presidência da República está um homem que não vende ilusões, mentiras e que não gosta desta política. É verdade que foi no seu tempo de primeiro-ministro que nasceu e floresceu muito do entulho que ainda hoje polui a sociedade. Mas também é verdade que hoje é o único referencial de realismo e honestidade. A sua reeleição é necessária, embora esteja longe de ser suficiente para secar este pântano. Seja como for, haja Cavaco.»

António Ribeiro Ferreira, CM

O QUARTO ELEMENTO


Quais abóboras, a partir da meia-noite, na tvi24, o Nuno Ramos de Almeida, o Tomás Vasques e o Miguel Morgado estarão a falar, com um quarto elemento, da recandidatura de Cavaco Silva. Modera o Filipe Caetano.

O QUARTO ELEMENTO


Quais abóboras, a partir da meia-noite, na tvi24, o Nuno Ramos de Almeida, o Tomás Vasques e o Miguel Morgado estarão a falar, com um quarto elemento, da recandidatura de Cavaco Silva. Modera o Filipe Caetano.

A LUTA CONTINUA (act.)


O Chefe de Estado apresenta hoje ao fim do dia a sua recandidatura a Belém. É, naturalmente, o meu candidato. São vinte e cinco anos de lealdade política que nenhuma insatisfação de circunstância pode apagar. Depois da vitória de 2006, escrevi no Independente que «a sua eleição teve um significado pedagógico importante». Porquê? Porque representou a derrota de um insuportável paternalismo jacobino que ainda persiste na sociedade portuguesa e dos propósitos de infantilização da opinião pública com estafadas ameaças, insultos gratuitos (em poucas horas, alguns comentários néscios a este post, remetidos ao lixo de onde vieram, apenas o confirmaram) e propaganda falaciosa. A sobranceria de muita gente acerca de tudo e de todos, particularmente em matéria de subtileza "cultural", teve a resposta que merecia - desintoxicadora, verdadeira, séria. Voltará a ter. A luta continua.

A LUTA CONTINUA (act.)


O Chefe de Estado apresenta hoje ao fim do dia a sua recandidatura a Belém. É, naturalmente, o meu candidato. São vinte e cinco anos de lealdade política que nenhuma insatisfação de circunstância pode apagar. Depois da vitória de 2006, escrevi no Independente que «a sua eleição teve um significado pedagógico importante». Porquê? Porque representou a derrota de um insuportável paternalismo jacobino que ainda persiste na sociedade portuguesa e dos propósitos de infantilização da opinião pública com estafadas ameaças, insultos gratuitos (em poucas horas, alguns comentários néscios a este post, remetidos ao lixo de onde vieram, apenas o confirmaram) e propaganda falaciosa. A sobranceria de muita gente acerca de tudo e de todos, particularmente em matéria de subtileza "cultural", teve a resposta que merecia - desintoxicadora, verdadeira, séria. Voltará a ter. A luta continua.