«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
31.10.10
PIOR É POSSÍVEL
PIOR É POSSÍVEL
ALEGRE ESQUIZOFRENIA

ALEGRE ESQUIZOFRENIA

A NOMENCLATURA COMUNICACIONAL

Medeiros Ferreira, Córtex Frontal
A NOMENCLATURA COMUNICACIONAL

Medeiros Ferreira, Córtex Frontal
A CANDIDATA 13

A CANDIDATA 13

COBARDIA*
escondidos em roupas elegantes, cada um exibe
um rosto atento, em que os outros possam
colar uma suspeita; nos cafés, de dia,
à noite, nos salões: mas em vão cada um procura
decifrar no rosto alheio o regresso
da esperança antiga: e se nele descobre
alguma esperança, é uma esperança inconfessável,
no jogo da procura e da oferta,
e o olhar parece ser apenas o espasmo
de uma ferida íntima: que nos torna exangues,
inertes, descontentes, e conduz a uma greve
dos sentimentos, a uma pausa culpada
da consciência, a uma paz malsã,
que só dá dias cinzentos, de tragédia.
Assim, se olho para o fundo das almas
dos grupos de indivíduos que vivem
no meu tempo, próximos de mim ou meus vizinhos,
vejo que dos mil sacrilégios possíveis
que qualquer religião natural
pode enumerar, aquele que permanece
sempre, em todos, é a cobardia.
Um sentimento eterno - uma forma
de sentimento - petrificado, imutável,
que deixa em qualquer outro sentimento,
directa ou indirecta, a sua marca.
É essa cobardia que faz do homem um descrente.
É uma espécie de profundo impedimento
que rouba força ao coração do homem,
calor ao raciocínio,
que o faz falar da bondade
como se fosse só comportamento,
de piedade como se fosse apenas norma.
Pode torná-lo feroz, por vezes,
mas sempre o torna prudente:
mesmo que ameace, julgue, ironize, escute,
está sempre, intimamente, apavorado.
Não há ninguém que escape a esse medo.
Por isso, ninguém é, de facto, amigo ou inimigo.
Ninguém pode sentir uma paixão verdadeira:
a chama apaga-se de repente,
como por resignação ou arrependimento,
nessa antiga cobardia, nessa hormona
misteriosa que os séculos engendraram.
Reconheço-a, sempre, em qualquer homem.
Pier Paolo Pasolini
*daqui
COBARDIA*
escondidos em roupas elegantes, cada um exibe
um rosto atento, em que os outros possam
colar uma suspeita; nos cafés, de dia,
à noite, nos salões: mas em vão cada um procura
decifrar no rosto alheio o regresso
da esperança antiga: e se nele descobre
alguma esperança, é uma esperança inconfessável,
no jogo da procura e da oferta,
e o olhar parece ser apenas o espasmo
de uma ferida íntima: que nos torna exangues,
inertes, descontentes, e conduz a uma greve
dos sentimentos, a uma pausa culpada
da consciência, a uma paz malsã,
que só dá dias cinzentos, de tragédia.
Assim, se olho para o fundo das almas
dos grupos de indivíduos que vivem
no meu tempo, próximos de mim ou meus vizinhos,
vejo que dos mil sacrilégios possíveis
que qualquer religião natural
pode enumerar, aquele que permanece
sempre, em todos, é a cobardia.
Um sentimento eterno - uma forma
de sentimento - petrificado, imutável,
que deixa em qualquer outro sentimento,
directa ou indirecta, a sua marca.
É essa cobardia que faz do homem um descrente.
É uma espécie de profundo impedimento
que rouba força ao coração do homem,
calor ao raciocínio,
que o faz falar da bondade
como se fosse só comportamento,
de piedade como se fosse apenas norma.
Pode torná-lo feroz, por vezes,
mas sempre o torna prudente:
mesmo que ameace, julgue, ironize, escute,
está sempre, intimamente, apavorado.
Não há ninguém que escape a esse medo.
Por isso, ninguém é, de facto, amigo ou inimigo.
Ninguém pode sentir uma paixão verdadeira:
a chama apaga-se de repente,
como por resignação ou arrependimento,
nessa antiga cobardia, nessa hormona
misteriosa que os séculos engendraram.
Reconheço-a, sempre, em qualquer homem.
Pier Paolo Pasolini
*daqui
30.10.10
BOM PROVEITO
BOM PROVEITO
É A ISTO QUE SE VAI DANDO FÔLEGO E DINHEIRO?

É A ISTO QUE SE VAI DANDO FÔLEGO E DINHEIRO?

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

RESTA-NOS EMPOBRECER
RESTA-NOS EMPOBRECER
E A POPULAÇA DESCOBRE DE REPENTE QUE FOI ENGANADA
Vasco Pulido Valente, Público
E A POPULAÇA DESCOBRE DE REPENTE QUE FOI ENGANADA
Vasco Pulido Valente, Público
29.10.10
INUNDADOS DE MÁ MOEDA
INUNDADOS DE MÁ MOEDA
O ENTULHADOR DE MITOS






O ENTULHADOR DE MITOS






ÉRAMOS ASSIM
ÉRAMOS ASSIM
28.10.10
UM ENCONTRO
UM ENCONTRO
O SUSTO

O SUSTO

OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE
OUTROS TEMPOS, OUTRA GENTE
A "MAGISTRATURA ACTIVA"
A "MAGISTRATURA ACTIVA"
FARTOS DELE

FARTOS DELE

27.10.10
UMA COISA VERDADEIRAMENTE GRANDIOSA
UMA COISA VERDADEIRAMENTE GRANDIOSA
O PONTO
O PONTO
A VERDADEIRA BANCARROTA
A VERDADEIRA BANCARROTA
UM PRÍNCIPE TRÁGICO DA DEMOCRACIA
Recomendável às novas gerações habituadas a conviver com peralvilhos partidários de plasticina, ocos, sem a menor densidade democrática ou outra. Não tinha medo de rupturas.Adenda (do leitor José Cipriano Catarino): «E não desprezava o povo. Numa visita a Amesterdão, soube no aeroporto que entre as empregadas de limpeza havia portuguesas. Pediu para falar com elas - uma das quais a minha mãe - e conversou sobre a terra de origem, enquanto Freitas, que o acompanhava, se mantinha de lado, talvez por recear misturar-se com gente humilde. Não pediu votos, não encenou espectáculo para as câmaras, que nem lá estavam. Apenas falou em Português com portuguesas sobre a respectiva terra natal, perguntou como se sentiam na Holanda... »
UM PRÍNCIPE TRÁGICO DA DEMOCRACIA
Recomendável às novas gerações habituadas a conviver com peralvilhos partidários de plasticina, ocos, sem a menor densidade democrática ou outra. Não tinha medo de rupturas.Adenda (do leitor José Cipriano Catarino): «E não desprezava o povo. Numa visita a Amesterdão, soube no aeroporto que entre as empregadas de limpeza havia portuguesas. Pediu para falar com elas - uma das quais a minha mãe - e conversou sobre a terra de origem, enquanto Freitas, que o acompanhava, se mantinha de lado, talvez por recear misturar-se com gente humilde. Não pediu votos, não encenou espectáculo para as câmaras, que nem lá estavam. Apenas falou em Português com portuguesas sobre a respectiva terra natal, perguntou como se sentiam na Holanda... »
PARA FINAL DE CONVERSA

PARA FINAL DE CONVERSA

A SÍNDROME MÁRIO CRESPO

A SÍNDROME MÁRIO CRESPO

26.10.10
NÃO VENDE ILUSÕES

«Neste panorama miserável resta olhar para cima e ver que na Presidência da República está um homem que não vende ilusões, mentiras e que não gosta desta política. É verdade que foi no seu tempo de primeiro-ministro que nasceu e floresceu muito do entulho que ainda hoje polui a sociedade. Mas também é verdade que hoje é o único referencial de realismo e honestidade. A sua reeleição é necessária, embora esteja longe de ser suficiente para secar este pântano. Seja como for, haja Cavaco.»
António Ribeiro Ferreira, CM
NÃO VENDE ILUSÕES

«Neste panorama miserável resta olhar para cima e ver que na Presidência da República está um homem que não vende ilusões, mentiras e que não gosta desta política. É verdade que foi no seu tempo de primeiro-ministro que nasceu e floresceu muito do entulho que ainda hoje polui a sociedade. Mas também é verdade que hoje é o único referencial de realismo e honestidade. A sua reeleição é necessária, embora esteja longe de ser suficiente para secar este pântano. Seja como for, haja Cavaco.»
António Ribeiro Ferreira, CM
O QUARTO ELEMENTO

O QUARTO ELEMENTO

A LUTA CONTINUA (act.)

A LUTA CONTINUA (act.)












