30.6.06

BEM VISTAS AS COISAS....

... "Depois de Campos e Cunha, Freitas do Amaral. O Governo está mais PS." No primeiro caso, é uma espécie de mistério do Entroncamento. No segundo, malgré lui.

BEM VISTAS AS COISAS....

... "Depois de Campos e Cunha, Freitas do Amaral. O Governo está mais PS." No primeiro caso, é uma espécie de mistério do Entroncamento. No segundo, malgré lui.

A COLUNA VERTEBRAL DA RTP

Pelos detalhes fornecidos pelo Telejornal da RTP - que incluíram um desenho anatómico com a sinalização da "7ª vértebra cervical" - , será que a televisão pública se prepara para transmitir em directo a operação à coluna vertebral do prof. Freitas do Amaral para termos a certeza que o homem não se foi embora por causa da "política"?

A COLUNA VERTEBRAL DA RTP

Pelos detalhes fornecidos pelo Telejornal da RTP - que incluíram um desenho anatómico com a sinalização da "7ª vértebra cervical" - , será que a televisão pública se prepara para transmitir em directo a operação à coluna vertebral do prof. Freitas do Amaral para termos a certeza que o homem não se foi embora por causa da "política"?

LENDO OUTROS

"A voz do dono", do Pedro Correia, no "Corta-Fitas". A RTP já tinha assegurado o "número" do "diário audiovisual" das proezas governativas. Agora, com outro recorte literário, a LUSA segue pelo mesmo caminho. Cá estão as "sinergias" do Mundial a funcionar. Se acabarem amanhã, como desejo, de que é que se irão lembrar para a semana?

LENDO OUTROS

"A voz do dono", do Pedro Correia, no "Corta-Fitas". A RTP já tinha assegurado o "número" do "diário audiovisual" das proezas governativas. Agora, com outro recorte literário, a LUSA segue pelo mesmo caminho. Cá estão as "sinergias" do Mundial a funcionar. Se acabarem amanhã, como desejo, de que é que se irão lembrar para a semana?

AS CRUZES


O ubíquo dr. Severiano Teixeira - que foi porta-voz da funesta terceira candidatura do dr. Mário Soares e que este expeditamente remeteu a prudentes silêncios, para além de ainda há dias ter zurzido "cientificamente" o modelo de "segurança interna" em vigor - é o novo ministro da Defesa Nacional. O titular, o discreto dr. Luís Amado, transitou para o MNE para preencher um lugar que estava vago há já algum tempo. Freitas do Amaral é um homem que não se dá bem com a gestão dos seus "tempos". Passado, presente e futuro são coisas que nunca estiveram bem arrumadas na cabeça do professor. Aliás, Freitas tinha sido MNE no princípio dos anos oitenta, numa altura em que eram outros o mundo e a Europa. Imagino que nunca se deve ter sentido muito à vontade neste derradeiro papel mal amanhado. Não foram, por isso, apenas as "cruzes" que obrigaram à renúncia. Praticamente desde o primeiro dia que Freitas carregava uma e bem pesada. Foi aliviado. Ainda falta aliviar outros.

AS CRUZES


O ubíquo dr. Severiano Teixeira - que foi porta-voz da funesta terceira candidatura do dr. Mário Soares e que este expeditamente remeteu a prudentes silêncios, para além de ainda há dias ter zurzido "cientificamente" o modelo de "segurança interna" em vigor - é o novo ministro da Defesa Nacional. O titular, o discreto dr. Luís Amado, transitou para o MNE para preencher um lugar que estava vago há já algum tempo. Freitas do Amaral é um homem que não se dá bem com a gestão dos seus "tempos". Passado, presente e futuro são coisas que nunca estiveram bem arrumadas na cabeça do professor. Aliás, Freitas tinha sido MNE no princípio dos anos oitenta, numa altura em que eram outros o mundo e a Europa. Imagino que nunca se deve ter sentido muito à vontade neste derradeiro papel mal amanhado. Não foram, por isso, apenas as "cruzes" que obrigaram à renúncia. Praticamente desde o primeiro dia que Freitas carregava uma e bem pesada. Foi aliviado. Ainda falta aliviar outros.

O DISCURSO DO MÉTODO - 2

A confrangedora ignorância revelada por alguns comentadores anónimos acerca do que se escreveu aqui, obriga-me a dizer mais qualquer coisa. E quem ouvisse ontem o ministro responsável pela "reforma da administração pública", ficaria ainda com mais dúvidas do que as que ele manifestou. O PRACE ou outra qualquer "reforma" semelhante, não pode, pela natureza das coisas, meter tudo no mesmo saco por causa da obsessão com a poupança. Nem sequer dentro do mesmo sector. Um teatro, por exemplo, não é o mesmo que um museu e este está longe de se parecer com um instituto da economia, com um hospital, com um liceu, com uma divisão da PSP, com um quartel ou com uma universidade. O meu "interesse" nesta matéria é abstracto - ninguém me pediu opinião, nem sequer a título profissional - e não sou assim tão mesquinho ao ponto de me agarrar à minha "capela" que, aliás, não é nenhuma. Sempre entendi que o Estado e o interesse público se servem em qualquer lado, de acordo com as necessidades públicas e as habilitações e as motivações de cada um. O que eu não aceito é que o Estado sirva para promover corporações, sejam elas quais forem. A medida da redução das circunscrições judiciárias - num sector empedernido como é o da justiça onde os seus principais agentes apreciam manter-se "fora" do Estado e da "política" ou só a eles recorrem quando lhes convém- é de elementar bom-senso. O resto não sabemos. Nem o governo.

O DISCURSO DO MÉTODO - 2

A confrangedora ignorância revelada por alguns comentadores anónimos acerca do que se escreveu aqui, obriga-me a dizer mais qualquer coisa. E quem ouvisse ontem o ministro responsável pela "reforma da administração pública", ficaria ainda com mais dúvidas do que as que ele manifestou. O PRACE ou outra qualquer "reforma" semelhante, não pode, pela natureza das coisas, meter tudo no mesmo saco por causa da obsessão com a poupança. Nem sequer dentro do mesmo sector. Um teatro, por exemplo, não é o mesmo que um museu e este está longe de se parecer com um instituto da economia, com um hospital, com um liceu, com uma divisão da PSP, com um quartel ou com uma universidade. O meu "interesse" nesta matéria é abstracto - ninguém me pediu opinião, nem sequer a título profissional - e não sou assim tão mesquinho ao ponto de me agarrar à minha "capela" que, aliás, não é nenhuma. Sempre entendi que o Estado e o interesse público se servem em qualquer lado, de acordo com as necessidades públicas e as habilitações e as motivações de cada um. O que eu não aceito é que o Estado sirva para promover corporações, sejam elas quais forem. A medida da redução das circunscrições judiciárias - num sector empedernido como é o da justiça onde os seus principais agentes apreciam manter-se "fora" do Estado e da "política" ou só a eles recorrem quando lhes convém- é de elementar bom-senso. O resto não sabemos. Nem o governo.

29.6.06

PARABÉNS, DR. SANTANA LOPES


Por curiosidade, nos últimos três dias procurei passar pelos três canais generalistas à hora de início dos telejornais da noite. A SIC e a TVI insistem na bola, com "directos" perfeitamente ocos. A RTP, pelo contrário, cumpre o seu papel de "diário" audivisual do governo. Sem rebuço, Rodrigues dos Santos percorre a "agenda" do dia do governo onde podem aparecer, quer o primeiro-ministro, quer um ou mais ministros, ou todos, dependendo do tema. E pensar eu que, há pouco mais de dois anos, andávamos todos a bater nos drs. Santana Lopes e Morais Sarmento por causa da "central de informação". Aos cinquenta anos, que hoje se completam, Santana Lopes que ponha os olhos no profissionalismo destes cavalheiros. Parabéns e aprenda.

PARABÉNS, DR. SANTANA LOPES


Por curiosidade, nos últimos três dias procurei passar pelos três canais generalistas à hora de início dos telejornais da noite. A SIC e a TVI insistem na bola, com "directos" perfeitamente ocos. A RTP, pelo contrário, cumpre o seu papel de "diário" audivisual do governo. Sem rebuço, Rodrigues dos Santos percorre a "agenda" do dia do governo onde podem aparecer, quer o primeiro-ministro, quer um ou mais ministros, ou todos, dependendo do tema. E pensar eu que, há pouco mais de dois anos, andávamos todos a bater nos drs. Santana Lopes e Morais Sarmento por causa da "central de informação". Aos cinquenta anos, que hoje se completam, Santana Lopes que ponha os olhos no profissionalismo destes cavalheiros. Parabéns e aprenda.

A ALIANÇA


Na preparação para o orgasmo patriótico do próximo sábado, os jornais fazem eco do que os seus congéneres britânicos andam a dizer. Parece que há quem chame aos rapazolas do sr. Scolari, "malfeitores" e "fingidos". Dar-se-ia o caso de a lustrosa "Aliança Inglesa" dever impôr, só por si, algum comedimento ao outro lado? Não me parece. Tirando o folclore casamenteiro anterior e outras peripécias menores, o pináculo da "Aliança" foi atingido nos séculos XVIII (1703), com o Tratado de Methuen, e XIX, com as invasões francesas e o "bloqueio continental". As indústrias manufactureiras da costa e de "luxo" foram arrasadas com o Tratado de 1703 cuja repercussão no interior foi diminuta. Ontem, como hoje, o "interior" não contava. Coube ao Marquês de Pombal "moderar" os efeitos da coisa com o estabelecimento da Companhia de Vinhos do Douro - criando uma área de capitalismo agrícola, na sequência da política fundiária do Marquês de Alegrete - e com o aproveitamento da mutação no "gosto" vínicola inglês em direcção ao nosso vinho do Porto, ainda no século XVII. Todavia, não chegou para compensar o "desequilíbrio" a favor da Inglaterra. A exportação dos nossos produtos vínicolas internacionalizou definitivamente a matéria, porém sem grandes contrapartidas para a incipiente indústria portuguesa. No meio disto tudo, andava naturalmente o ouro do Brasil e o olho dos ingleses nele. A sua utilização como meio de pagamento anulou os dramáticos esforços manufactureiros domésticos. Como sempre, o ouro "aguentava" o défice. O que se seguiu, também é conhecido. Por causa da "Aliança", Portugal "furou" o "bloqueio continental" ditado por Napoleão contra as exportações da Ilha, foi invadido pelos franceses e, depois, pelos "aliados" supostamente para nos livrarem dos franceses à conta da dita. Pelo sim, pelo não, os ingleses ficaram por cá, a corte pusilanimemente fugiu para o Brasil e, em 1820, deu-se a gloriosa "Revolução" que instituiu o "liberalismo" monárquico-constitucional e, a seguir, o "rotativismo", algo que continua "mais-ou-menos" no actual regime, com o senão da inferior qualidade da maior parte dos protagonistas. Tudo isto pode ser apreendido pela leitura das obras de Jorge Borges de Macedo, de Sandro Sideri (um livrinho muito interessante das "Edições Cosmos", intitulado "Comércio e Poder"), de Raul Brandão ("El-Rei Junot") e de Sttau Monteiro, a peça de teatro "Felizmente há luar". A Inglaterra, como lhe compete, tratou-nos quase sempre com desprezo, ou seja, como "malfeitores" e "fingidos". Por isso, estes jogos florais ligados à bola não têm importância nenhuma. Como diria Shakespeare, eles são o que eles são e nós, para não destoar, somos aquilo que somos. Depois de sábado, tudo ficará exactamente na mesma.

A ALIANÇA


Na preparação para o orgasmo patriótico do próximo sábado, os jornais fazem eco do que os seus congéneres britânicos andam a dizer. Parece que há quem chame aos rapazolas do sr. Scolari, "malfeitores" e "fingidos". Dar-se-ia o caso de a lustrosa "Aliança Inglesa" dever impôr, só por si, algum comedimento ao outro lado? Não me parece. Tirando o folclore casamenteiro anterior e outras peripécias menores, o pináculo da "Aliança" foi atingido nos séculos XVIII (1703), com o Tratado de Methuen, e XIX, com as invasões francesas e o "bloqueio continental". As indústrias manufactureiras da costa e de "luxo" foram arrasadas com o Tratado de 1703 cuja repercussão no interior foi diminuta. Ontem, como hoje, o "interior" não contava. Coube ao Marquês de Pombal "moderar" os efeitos da coisa com o estabelecimento da Companhia de Vinhos do Douro - criando uma área de capitalismo agrícola, na sequência da política fundiária do Marquês de Alegrete - e com o aproveitamento da mutação no "gosto" vínicola inglês em direcção ao nosso vinho do Porto, ainda no século XVII. Todavia, não chegou para compensar o "desequilíbrio" a favor da Inglaterra. A exportação dos nossos produtos vínicolas internacionalizou definitivamente a matéria, porém sem grandes contrapartidas para a incipiente indústria portuguesa. No meio disto tudo, andava naturalmente o ouro do Brasil e o olho dos ingleses nele. A sua utilização como meio de pagamento anulou os dramáticos esforços manufactureiros domésticos. Como sempre, o ouro "aguentava" o défice. O que se seguiu, também é conhecido. Por causa da "Aliança", Portugal "furou" o "bloqueio continental" ditado por Napoleão contra as exportações da Ilha, foi invadido pelos franceses e, depois, pelos "aliados" supostamente para nos livrarem dos franceses à conta da dita. Pelo sim, pelo não, os ingleses ficaram por cá, a corte pusilanimemente fugiu para o Brasil e, em 1820, deu-se a gloriosa "Revolução" que instituiu o "liberalismo" monárquico-constitucional e, a seguir, o "rotativismo", algo que continua "mais-ou-menos" no actual regime, com o senão da inferior qualidade da maior parte dos protagonistas. Tudo isto pode ser apreendido pela leitura das obras de Jorge Borges de Macedo, de Sandro Sideri (um livrinho muito interessante das "Edições Cosmos", intitulado "Comércio e Poder"), de Raul Brandão ("El-Rei Junot") e de Sttau Monteiro, a peça de teatro "Felizmente há luar". A Inglaterra, como lhe compete, tratou-nos quase sempre com desprezo, ou seja, como "malfeitores" e "fingidos". Por isso, estes jogos florais ligados à bola não têm importância nenhuma. Como diria Shakespeare, eles são o que eles são e nós, para não destoar, somos aquilo que somos. Depois de sábado, tudo ficará exactamente na mesma.

O DISCURSO DO MÉTODO


Pareceu-me ler, de relance, na capa do Público num quiosque, que até ao final do ano o governo tenciona aprovar trezentos (300) diplomas que alegadamente concretizam a "reforma da administração pública". Não sei - porque não os contei- se o dr. Salazar, quando abraçou a pasta das Finanças e redigiu pelo seu próprio punho a "sua" reforma financeira e administrativa, chegou a pôr cá fora tanta legislação. Este exercício fútil que consiste em legislar, legislar e legislar, alterando, revogando e derrogando coisas, algumas das quais nem chegaram a afectar a "realidade", é um empedernido hábito nacional. Não necessariamente porque brota de um "pensamento complexo" - o legislador sabe lá o que é o "pensamento complexo" -, mas porque um jurista que se preze gosta de deixar a sua "leizinha" para a posteridade, mesmo que a posteridade só dure seis meses. Apenas a circunstância de a "reforma" começar desta forma, deve inspirar as maiores desconfianças. Depois de tanto "Simplex", de tanto "Prace" e de outras siglas que não me ocorrem, é preciso voltar aos bons hábitos salazaristas para "mudar" qualquer coisa. Atrofiar a administração pública com mais legislação no pressuposto de a "reformar", é uma espécie de "pescada de rabo na boca". Qual Lampedusa da Pampilheira da Serra, o governo "mexe" em alguma coisa para que tudo fique moderadamente na mesma. O método fala por si. O discurso também.

Adenda: Já li melhor. Uma "comissão técnica", supostamente essencial para o "PRACE, detectou "apenas" cerca de duzentos e cinquenta mil funcionários. Muita gente não lhe ligou nenhuma e pura e simplesmente não acedeu aos pedidos de informação da "comissão". Ficaram de fora, por exemplo, os professores e os magistrados judiciais. Em suma, o Estado não sabe exactamente quem trabalha para ele, onde e por que razão. Sem isso, vão reformar o quê?

O DISCURSO DO MÉTODO


Pareceu-me ler, de relance, na capa do Público num quiosque, que até ao final do ano o governo tenciona aprovar trezentos (300) diplomas que alegadamente concretizam a "reforma da administração pública". Não sei - porque não os contei- se o dr. Salazar, quando abraçou a pasta das Finanças e redigiu pelo seu próprio punho a "sua" reforma financeira e administrativa, chegou a pôr cá fora tanta legislação. Este exercício fútil que consiste em legislar, legislar e legislar, alterando, revogando e derrogando coisas, algumas das quais nem chegaram a afectar a "realidade", é um empedernido hábito nacional. Não necessariamente porque brota de um "pensamento complexo" - o legislador sabe lá o que é o "pensamento complexo" -, mas porque um jurista que se preze gosta de deixar a sua "leizinha" para a posteridade, mesmo que a posteridade só dure seis meses. Apenas a circunstância de a "reforma" começar desta forma, deve inspirar as maiores desconfianças. Depois de tanto "Simplex", de tanto "Prace" e de outras siglas que não me ocorrem, é preciso voltar aos bons hábitos salazaristas para "mudar" qualquer coisa. Atrofiar a administração pública com mais legislação no pressuposto de a "reformar", é uma espécie de "pescada de rabo na boca". Qual Lampedusa da Pampilheira da Serra, o governo "mexe" em alguma coisa para que tudo fique moderadamente na mesma. O método fala por si. O discurso também.

Adenda: Já li melhor. Uma "comissão técnica", supostamente essencial para o "PRACE, detectou "apenas" cerca de duzentos e cinquenta mil funcionários. Muita gente não lhe ligou nenhuma e pura e simplesmente não acedeu aos pedidos de informação da "comissão". Ficaram de fora, por exemplo, os professores e os magistrados judiciais. Em suma, o Estado não sabe exactamente quem trabalha para ele, onde e por que razão. Sem isso, vão reformar o quê?

DECIDIR

O Paulo tem razão. Só pelo facto de Alberto Costa "mexer" no extravagante parque judical português - esse monstro inerme e anacrónico a que toda a gente vota um temor reverencial - reduzindo-o a trinta circunscrições até ao final do ano, merece umas palmas. As santidades sindicalistas dos juízes e do MP, designadamente o inefável dr. Cluny, que não perdem uma oportunidade como severos "guardiões do templo", talvez comecem finalmente a entender para que serve o poder político democrático. Nem sempre serve para grande coisa, de facto, mas às vezes intervala. É o caso.

DECIDIR

O Paulo tem razão. Só pelo facto de Alberto Costa "mexer" no extravagante parque judical português - esse monstro inerme e anacrónico a que toda a gente vota um temor reverencial - reduzindo-o a trinta circunscrições até ao final do ano, merece umas palmas. As santidades sindicalistas dos juízes e do MP, designadamente o inefável dr. Cluny, que não perdem uma oportunidade como severos "guardiões do templo", talvez comecem finalmente a entender para que serve o poder político democrático. Nem sempre serve para grande coisa, de facto, mas às vezes intervala. É o caso.

28.6.06

LENDO OUTROS


O Francisco Trigo de Abreu conseguiu, finalmente, escrever outra coisa para além da bola. E que bem que ele a entendeu. "Desire and death is what we are".

LENDO OUTROS


O Francisco Trigo de Abreu conseguiu, finalmente, escrever outra coisa para além da bola. E que bem que ele a entendeu. "Desire and death is what we are".

TOYS 'R' US


É assim mesmo. Não deixe o professor Marcelo passar-lhe à frente. Já leva uns quinze dias de avanço.

TOYS 'R' US


É assim mesmo. Não deixe o professor Marcelo passar-lhe à frente. Já leva uns quinze dias de avanço.

NAS RUAS DA AMARGURA

O sr. Ruas, vizir eterno em Viseu e presidente da "associação nacional de municípios", instou os autócnes a "correrem à pedrada" com inspectores do ministério do Ambiente. "Arranjem um grupo", berrou o "autarca", e é "correr [com eles] à pedrada". Isto foi dito, sem um murmúrio da assistência, na "assembleia municipal de Viseu". O sr. Ruas, à semelhança de outros, deve ser considerado pelos seus eleitores como um autarca "modelo". Por feitio (mau), desconfio de autarcas. Dos que falam e dos que se calam. Porém, ainda desconfio mais de homens que pintam o cabelo e o bigode. O sr. Ruas junta brilhantemente as duas maleitas. Uma desgraça nunca vem só.

NAS RUAS DA AMARGURA

O sr. Ruas, vizir eterno em Viseu e presidente da "associação nacional de municípios", instou os autócnes a "correrem à pedrada" com inspectores do ministério do Ambiente. "Arranjem um grupo", berrou o "autarca", e é "correr [com eles] à pedrada". Isto foi dito, sem um murmúrio da assistência, na "assembleia municipal de Viseu". O sr. Ruas, à semelhança de outros, deve ser considerado pelos seus eleitores como um autarca "modelo". Por feitio (mau), desconfio de autarcas. Dos que falam e dos que se calam. Porém, ainda desconfio mais de homens que pintam o cabelo e o bigode. O sr. Ruas junta brilhantemente as duas maleitas. Uma desgraça nunca vem só.

COISAS DE VELHOS


1. O post anterior suscitou alguns comentários interessantes. Pena é que haja autores que se escondem por detrás do anonimato e de uma igualmente interessante "teoria científica". Convido-os, desde já, e para além dos comentários que vão deixando, a produzir prosa identificada que possa ser convertida em posts. Todavia, não é por isso que deixo de fazer algumas observações.
2. A primeira - a mais óbvia e da qual deriva tudo o mais - prende-se ao motivo do post, um livro. Sem que o livro seja lido e entendido, não saímos destes jogos florais. Insisto. O autor, Simon Goldhill, propôe-nos o seguinte: tentar perceber em que medida a cultura clássica está presente no nosso quotidiano político - a democracia-, de costumes, religioso, social, etc. Para o fazer, Goldhill, um especialista em Grego, explica, entre outras coisas, os padrões de comportamento cívico dos "antigos" e, nisto, inclui-se a atitude dos mesmos perante as "afinidades electivas" e sexuais. Falamos de sociedades - na pratica e exclusivamente - de natureza patriarcal, nas quais a amizade viril e a cumplicidade intelectual - a dos "cidadãos" entre si, e destes com os mancebos destinados a ser mais tarde, também eles, "cidadãos" - são dados essenciais para entender aquilo a que o tradutor chama de classicismo (literalmente, Goldhill, em epígrafe, titula "como é que o mundo antigo molda as nossas vidas") . Por outro lado, o autor discute, à luz dessa "vida em ruínas", a respectiva projecção no dia-a-dia, pelo menos, do "homem ocidental". Heidegger, aliás, insistia na etimologia da palavra "ocidente" - a terra do Ocaso, do declínio do ser - e, ao lermos Goldhill, percebemos porquê.
3. Mais. O facto de, por uma forma relativamente generalizada, se impôr - impormos - um "padrão" normativo aos comportamentos sexuais, a partir da classificação "hetero" e "homo" inventada por volta de 1870 na Alemanha, não significa que ele exista realmente. A tese respeitável do "hipotálamo", por exemplo, não explica por que é que soit disant "homossexuais" praticam sexo com pessoas de sexo diferente quando lhes dá na telha, e em fases completamente distintas do "crescimento", ou por que ditos "heterossexuais" o fazem de igual modo com pessoas do seu sexo. Por consequência, Goldhill interroga-se sobre se fará algum sentido falar de "natural" nestas matérias, deixando um mote sugestivo: "limita-te a fazer o que acontece naturalmente".
4. A frase de Aristóteles, lida à luz da "normalidade", seria uma aberração porque vivemos numa era em que a troca de galhardetes "românticos" - evidenciada nos "discursos" do "dia dos namorados", nas falas dos filmes, das televisões e dos "romances cor-de-rosa" - é uma componente indispensável do transporte "amoroso". Todavia, nada disso se encontra nas grandes tragédias clássicas ou nas epopeias de Homero. Penélope e Ulisses "omitem" o desejo que sentem um pelo outro - Ulisses "alivia-se" pelo caminho com outras o os que desejam Penélope estão condenados -, mas nem por isso deixam de ser marido e mulher para todos os efeitos, incluindo o sexual. E Páris arruina-se por causa do desejo que sentia por Helena. Isto é, Homero afirma, através dos seus heróis masculinos e femininos, que o desejo é perigoso para os primeiros e sintoma de corrupção para as segundas. Na antiguidade existe uma hierarquia na qual está vedado ao homem ser desejado, nem sequer pela esposa. Não existe reciprocidade, apenas supremacia, sob pena de pública expiação nos simpósios ou nos ginásios. Até a poetisa Safo, exilada em Lesbos, e que se atreveu a dar forma de letra ao seu desejo por mulheres, foi amplamente apoucada por esse facto. E na relação homem-mancebo, a dependência também é total. O arquétipo grego de beleza ignora ostensivamente a mulher sobre a qual o homem tem total poder, da mesma maneira que o tem sobre os seus desejos, sobre a sua casa, sobre os seus filhos e sobre os seus "rapazes".
5. Como escreve Goldhill:
"A cidade clássica está constantemente a lembrar-nos que o idoso casal junto ao chalé coberto de rosas não é o desfecho natural de uma história de amor, por mais que continue a predominar na cultura ocidental contemporânea. A aceitação e promoção por parte dos antigos da falta de reciprocidade no amor vai contra os sentimentos dos amantes modernos, aqueles que parecem mais básicos e naturais. O cliché segundo o qual "o amor é igual em todo o mundo" constitui uma maneira de evitar o pensamento incómodo de que as nossas emoções mais profundas podem ser estruturadas por expectativas e pressões sociais e não acontecem de forma expontânea. A diversidade tentadora do passado transforma o "Quem é que julgas que és?" numa pergunta inquietante."

COISAS DE VELHOS


1. O post anterior suscitou alguns comentários interessantes. Pena é que haja autores que se escondem por detrás do anonimato e de uma igualmente interessante "teoria científica". Convido-os, desde já, e para além dos comentários que vão deixando, a produzir prosa identificada que possa ser convertida em posts. Todavia, não é por isso que deixo de fazer algumas observações.
2. A primeira - a mais óbvia e da qual deriva tudo o mais - prende-se ao motivo do post, um livro. Sem que o livro seja lido e entendido, não saímos destes jogos florais. Insisto. O autor, Simon Goldhill, propôe-nos o seguinte: tentar perceber em que medida a cultura clássica está presente no nosso quotidiano político - a democracia-, de costumes, religioso, social, etc. Para o fazer, Goldhill, um especialista em Grego, explica, entre outras coisas, os padrões de comportamento cívico dos "antigos" e, nisto, inclui-se a atitude dos mesmos perante as "afinidades electivas" e sexuais. Falamos de sociedades - na pratica e exclusivamente - de natureza patriarcal, nas quais a amizade viril e a cumplicidade intelectual - a dos "cidadãos" entre si, e destes com os mancebos destinados a ser mais tarde, também eles, "cidadãos" - são dados essenciais para entender aquilo a que o tradutor chama de classicismo (literalmente, Goldhill, em epígrafe, titula "como é que o mundo antigo molda as nossas vidas") . Por outro lado, o autor discute, à luz dessa "vida em ruínas", a respectiva projecção no dia-a-dia, pelo menos, do "homem ocidental". Heidegger, aliás, insistia na etimologia da palavra "ocidente" - a terra do Ocaso, do declínio do ser - e, ao lermos Goldhill, percebemos porquê.
3. Mais. O facto de, por uma forma relativamente generalizada, se impôr - impormos - um "padrão" normativo aos comportamentos sexuais, a partir da classificação "hetero" e "homo" inventada por volta de 1870 na Alemanha, não significa que ele exista realmente. A tese respeitável do "hipotálamo", por exemplo, não explica por que é que soit disant "homossexuais" praticam sexo com pessoas de sexo diferente quando lhes dá na telha, e em fases completamente distintas do "crescimento", ou por que ditos "heterossexuais" o fazem de igual modo com pessoas do seu sexo. Por consequência, Goldhill interroga-se sobre se fará algum sentido falar de "natural" nestas matérias, deixando um mote sugestivo: "limita-te a fazer o que acontece naturalmente".
4. A frase de Aristóteles, lida à luz da "normalidade", seria uma aberração porque vivemos numa era em que a troca de galhardetes "românticos" - evidenciada nos "discursos" do "dia dos namorados", nas falas dos filmes, das televisões e dos "romances cor-de-rosa" - é uma componente indispensável do transporte "amoroso". Todavia, nada disso se encontra nas grandes tragédias clássicas ou nas epopeias de Homero. Penélope e Ulisses "omitem" o desejo que sentem um pelo outro - Ulisses "alivia-se" pelo caminho com outras o os que desejam Penélope estão condenados -, mas nem por isso deixam de ser marido e mulher para todos os efeitos, incluindo o sexual. E Páris arruina-se por causa do desejo que sentia por Helena. Isto é, Homero afirma, através dos seus heróis masculinos e femininos, que o desejo é perigoso para os primeiros e sintoma de corrupção para as segundas. Na antiguidade existe uma hierarquia na qual está vedado ao homem ser desejado, nem sequer pela esposa. Não existe reciprocidade, apenas supremacia, sob pena de pública expiação nos simpósios ou nos ginásios. Até a poetisa Safo, exilada em Lesbos, e que se atreveu a dar forma de letra ao seu desejo por mulheres, foi amplamente apoucada por esse facto. E na relação homem-mancebo, a dependência também é total. O arquétipo grego de beleza ignora ostensivamente a mulher sobre a qual o homem tem total poder, da mesma maneira que o tem sobre os seus desejos, sobre a sua casa, sobre os seus filhos e sobre os seus "rapazes".
5. Como escreve Goldhill:
"A cidade clássica está constantemente a lembrar-nos que o idoso casal junto ao chalé coberto de rosas não é o desfecho natural de uma história de amor, por mais que continue a predominar na cultura ocidental contemporânea. A aceitação e promoção por parte dos antigos da falta de reciprocidade no amor vai contra os sentimentos dos amantes modernos, aqueles que parecem mais básicos e naturais. O cliché segundo o qual "o amor é igual em todo o mundo" constitui uma maneira de evitar o pensamento incómodo de que as nossas emoções mais profundas podem ser estruturadas por expectativas e pressões sociais e não acontecem de forma expontânea. A diversidade tentadora do passado transforma o "Quem é que julgas que és?" numa pergunta inquietante."

GRANDES FRASES


"Uma mulher é uma deformidade natural".

Aristóteles, citado por Simon Goldhill, em "Amor, Sexo e Tragédia - a contemporaneidade do classicismo" (Aletheia Editores, 2006). A capa que se reproduz é a da edição em língua inglesa. Talvez por causa da pudicícia nacional, a versão portuguesa optou por outra coisa, não deixando, no entanto, de fazer o seu sentido. Na nossa, retrata-se o "pecado original", o momento da trinca na famosa maçã , sob o olhar vigilante da serpente. Eva, segundo a "lenda", brotou duma costela de Adão, e fundou, sem o saber, a tradição sexual judaico-cristã. "Boy meets girl, girl meets boy", e por aí fora. Nem sempre foi assim. Nem sempre é assim. Este precioso livrinho explica, com erudição e graça, por que, apesar disso, é essencial - por causa de sabermos "quem somos", "donde vimos" e o "que é que andamos cá a fazer", sozinhos e em comunidade política- conhecer a vida antiga e a cultura clássica, afinal ainda tão subtilmente presente nas nossas tristes vidas "amnésicas". O livro toma como ponto de partida uma frase de Cícero: "se ignoras de onde vens, serás sempre uma criança". Serve para a vida, serve para a sociedade. Talvez a nossa.

GRANDES FRASES


"Uma mulher é uma deformidade natural".

Aristóteles, citado por Simon Goldhill, em "Amor, Sexo e Tragédia - a contemporaneidade do classicismo" (Aletheia Editores, 2006). A capa que se reproduz é a da edição em língua inglesa. Talvez por causa da pudicícia nacional, a versão portuguesa optou por outra coisa, não deixando, no entanto, de fazer o seu sentido. Na nossa, retrata-se o "pecado original", o momento da trinca na famosa maçã , sob o olhar vigilante da serpente. Eva, segundo a "lenda", brotou duma costela de Adão, e fundou, sem o saber, a tradição sexual judaico-cristã. "Boy meets girl, girl meets boy", e por aí fora. Nem sempre foi assim. Nem sempre é assim. Este precioso livrinho explica, com erudição e graça, por que, apesar disso, é essencial - por causa de sabermos "quem somos", "donde vimos" e o "que é que andamos cá a fazer", sozinhos e em comunidade política- conhecer a vida antiga e a cultura clássica, afinal ainda tão subtilmente presente nas nossas tristes vidas "amnésicas". O livro toma como ponto de partida uma frase de Cícero: "se ignoras de onde vens, serás sempre uma criança". Serve para a vida, serve para a sociedade. Talvez a nossa.

27.6.06

"O TEMPO REAL"


Um simples "click" num computador pôs imediatamente Portugal naquilo a que o primeiro-ministro chamou de "tempo real com o que se passa lá fora". Falo dos dez milhões de caixinhas de correio electrónico que os CTT/Estado puseram à disposição do "povo". Mais tarde vi o dr. Zorrinho, coordenador do sublime "plano tecnológico", a explicar que, desde que haja um "ponto de contacto" - no vizinho, nos correios, no café, na casa-de-banho, etc., etc. -, é só "mandar" e "receber". Acontece que o "tempo real" de que falam o engº Sócrates e o dr. Zorrinho não é o mesmo em Lisboa ou em Boticas. Nem a "vizinhança" ou sequer o posto de correios. Aliás, bastava olhar para a plateia que compunha o evento para perceber a frivolidade do exercício. Estava ali meio regime, de um lado e do outro, os "sempre-em-pé" do empresariado público. São dois países diferentes, com "tempos" diferentes. Confesso que não sei qual é o mais "irreal".

"O TEMPO REAL"


Um simples "click" num computador pôs imediatamente Portugal naquilo a que o primeiro-ministro chamou de "tempo real com o que se passa lá fora". Falo dos dez milhões de caixinhas de correio electrónico que os CTT/Estado puseram à disposição do "povo". Mais tarde vi o dr. Zorrinho, coordenador do sublime "plano tecnológico", a explicar que, desde que haja um "ponto de contacto" - no vizinho, nos correios, no café, na casa-de-banho, etc., etc. -, é só "mandar" e "receber". Acontece que o "tempo real" de que falam o engº Sócrates e o dr. Zorrinho não é o mesmo em Lisboa ou em Boticas. Nem a "vizinhança" ou sequer o posto de correios. Aliás, bastava olhar para a plateia que compunha o evento para perceber a frivolidade do exercício. Estava ali meio regime, de um lado e do outro, os "sempre-em-pé" do empresariado público. São dois países diferentes, com "tempos" diferentes. Confesso que não sei qual é o mais "irreal".

A VIA ESPANHOLA

O Diário de Notícias (sem link) conta, a partir de um texto do El Mundo, que deu entrada num tribunal de Madrid o primeiro pedido de divórcio entre same-sexers. De acordo com a notícia, os rapazes casaram-se em Outubro do ano passado, ao abrigo da legislação Zapatero sobre a matéria, depois de uma ligação prolongada. Agora, um deles alega que o outro não lhe permitiu realizar-se plenamente, já que "trocou" uma putativa carreira de "modelo" e de dono de um "salão de beleza para cães" (juro) para ir atrás do "respectivo" para Paris. Parece que é assim a história. A seguir vem uma "estatística" curiosa. Dos duzentos e tal mil casamentos realizados em Espanha, no período abrangido pela nova legislação, apenas 0,6% corresponde a matrimónios entre same-sexers. E - convém lembrar - a dita legislação alcança o direito sucessório e o direito à adopção. Ou seja, não parece que o contrato de casamento - que, pelos vistos, continua a fazer a felicidade de pessoas de sexo diferente - esteja a ser um "sucesso" junto da auto-intitulada "comunidade gay" que maioritariamente prefere continuar como free lancer. Convinha, por isso, e já com este exemplo do divórcio - na versão do "copianço" integral das grandezas e misérias do contrato - que as "associações" domésticas reflectissem sobre o assunto. André Gide dizia que é melhor ser odiado por aquilo que se é, do que ser amado por aquilo que não se é. Querem mesmo um "remake" do patético do casamento para as vossas vidas? Têm a certeza?

A VIA ESPANHOLA

O Diário de Notícias (sem link) conta, a partir de um texto do El Mundo, que deu entrada num tribunal de Madrid o primeiro pedido de divórcio entre same-sexers. De acordo com a notícia, os rapazes casaram-se em Outubro do ano passado, ao abrigo da legislação Zapatero sobre a matéria, depois de uma ligação prolongada. Agora, um deles alega que o outro não lhe permitiu realizar-se plenamente, já que "trocou" uma putativa carreira de "modelo" e de dono de um "salão de beleza para cães" (juro) para ir atrás do "respectivo" para Paris. Parece que é assim a história. A seguir vem uma "estatística" curiosa. Dos duzentos e tal mil casamentos realizados em Espanha, no período abrangido pela nova legislação, apenas 0,6% corresponde a matrimónios entre same-sexers. E - convém lembrar - a dita legislação alcança o direito sucessório e o direito à adopção. Ou seja, não parece que o contrato de casamento - que, pelos vistos, continua a fazer a felicidade de pessoas de sexo diferente - esteja a ser um "sucesso" junto da auto-intitulada "comunidade gay" que maioritariamente prefere continuar como free lancer. Convinha, por isso, e já com este exemplo do divórcio - na versão do "copianço" integral das grandezas e misérias do contrato - que as "associações" domésticas reflectissem sobre o assunto. André Gide dizia que é melhor ser odiado por aquilo que se é, do que ser amado por aquilo que não se é. Querem mesmo um "remake" do patético do casamento para as vossas vidas? Têm a certeza?

VAZIO


Estes iranianos são uns pândegos. O embaixador em Lisboa fala num "lugar vazio" que Portugal pode preencher nas negociações em curso por causa da "crise nuclear". Salvo o devido respeito, isto parece-me uma impossiblidade, não só física, como política. É que não se vislumbra em parte alguma do mundo um lugar tão vazio como aquele que Freitas do Amaral ocupa. Vazio por vazio, mais vale deixar o lugar assim.

VAZIO


Estes iranianos são uns pândegos. O embaixador em Lisboa fala num "lugar vazio" que Portugal pode preencher nas negociações em curso por causa da "crise nuclear". Salvo o devido respeito, isto parece-me uma impossiblidade, não só física, como política. É que não se vislumbra em parte alguma do mundo um lugar tão vazio como aquele que Freitas do Amaral ocupa. Vazio por vazio, mais vale deixar o lugar assim.

ALEGRIA DE ESCREVER, ALEGRIA DE LER - 2

O João Villalobos, que escreve no Corta-Fitas, deixou um comentário neste post que me apetece glosar aqui. De facto, prenuncio a chegada de mais "literatura" do género "Amar depois de amar-te", de Fátima Lopes. Nada em mim se opôe a que isso aconteça. Sou um liberal anarquizante cujos níveis de tolerância são muito mais elevados do que eu próprio suspeito. No entanto, convém garantir que esses "escritores" saibam construir frases, depois juntá-las e, finalmente, atribuir-lhes um módico de sentido. Até pode ser o caso da Lopes, não tenciono sequer fazer uma ideia. Sucede que "contar" uma história não é fácil, sobretudo se for uma boa história. Tem de haver por lá um rasgo qualquer que a "ilumine", que justifique a sua leitura e não tanto a sua publicação, hoje em dia coisa de somenos importância. Francisco José Viegas e Miguel Sousa Tavares, por exemplo, conseguem "emitir" essa subtileza, esse "ambiente" de que falava Vergílio Ferreira para definir o "romance". Até para ter "graça" ou "desgraça", isso tem de lá estar. Ora, encontrar esse "eixo" é difícil. O que é fácil é vender "histórias" e, nisso, qualquer das hipóteses mencionadas, é perita e pelos motivos mais extraordinários, porventura todos alheios à noção que eu possuo de literatura. Aqui, sou menos liberal, seguramente mais "clássico" e, no extremo, mesmo reaccionário. Esta subliteratura, eventualmente respeitável, é uma maneira de prolongar, em forma de livro, uma "imagem" de televisão. Nada mais.

ALEGRIA DE ESCREVER, ALEGRIA DE LER - 2

O João Villalobos, que escreve no Corta-Fitas, deixou um comentário neste post que me apetece glosar aqui. De facto, prenuncio a chegada de mais "literatura" do género "Amar depois de amar-te", de Fátima Lopes. Nada em mim se opôe a que isso aconteça. Sou um liberal anarquizante cujos níveis de tolerância são muito mais elevados do que eu próprio suspeito. No entanto, convém garantir que esses "escritores" saibam construir frases, depois juntá-las e, finalmente, atribuir-lhes um módico de sentido. Até pode ser o caso da Lopes, não tenciono sequer fazer uma ideia. Sucede que "contar" uma história não é fácil, sobretudo se for uma boa história. Tem de haver por lá um rasgo qualquer que a "ilumine", que justifique a sua leitura e não tanto a sua publicação, hoje em dia coisa de somenos importância. Francisco José Viegas e Miguel Sousa Tavares, por exemplo, conseguem "emitir" essa subtileza, esse "ambiente" de que falava Vergílio Ferreira para definir o "romance". Até para ter "graça" ou "desgraça", isso tem de lá estar. Ora, encontrar esse "eixo" é difícil. O que é fácil é vender "histórias" e, nisso, qualquer das hipóteses mencionadas, é perita e pelos motivos mais extraordinários, porventura todos alheios à noção que eu possuo de literatura. Aqui, sou menos liberal, seguramente mais "clássico" e, no extremo, mesmo reaccionário. Esta subliteratura, eventualmente respeitável, é uma maneira de prolongar, em forma de livro, uma "imagem" de televisão. Nada mais.

NA SOMBRA


Num sítio qualquer em que o parlamento fosse a sério, os sindicatos fossem a sério, a administração pública fosse a sério e, finalmente, o Estado, como um todo, fosse a sério, esta pretensa reforma mereceria outra atenção e outra importância. A trapalhada, no entanto, resume-se a decepar umas míseras árvores e à realização regular de jogos florais entre os membros do governo e os sindicatos. Não há, como nunca houve, um "pensamento estratégico" e, sobretudo, político a presidir à causa. Nem sequer existe "pensamento único". Apenas inexiste um. Mesmo assim, dada a importância que lhe é dada, a coisa devia - nem que fosse por pudor "democrático" - ser discutida de forma mais "ampla" pelos chamados representantes da nação, sentados na famosa "casa da democracia". Todos, e não apenas os delegados do PS no governo e nos gabinetes. Falamos da putativa "reforma" do Estado português e não de um capricho de circunstância, um fait accompli. Todavia, não se muda ninguém contra a sua vontade e, pior do que isso, na sombra, de forma atomista e "contabilística". Em devido tempo, se Deus quiser, tudo correrá naturalmente mal.

NA SOMBRA


Num sítio qualquer em que o parlamento fosse a sério, os sindicatos fossem a sério, a administração pública fosse a sério e, finalmente, o Estado, como um todo, fosse a sério, esta pretensa reforma mereceria outra atenção e outra importância. A trapalhada, no entanto, resume-se a decepar umas míseras árvores e à realização regular de jogos florais entre os membros do governo e os sindicatos. Não há, como nunca houve, um "pensamento estratégico" e, sobretudo, político a presidir à causa. Nem sequer existe "pensamento único". Apenas inexiste um. Mesmo assim, dada a importância que lhe é dada, a coisa devia - nem que fosse por pudor "democrático" - ser discutida de forma mais "ampla" pelos chamados representantes da nação, sentados na famosa "casa da democracia". Todos, e não apenas os delegados do PS no governo e nos gabinetes. Falamos da putativa "reforma" do Estado português e não de um capricho de circunstância, um fait accompli. Todavia, não se muda ninguém contra a sua vontade e, pior do que isso, na sombra, de forma atomista e "contabilística". Em devido tempo, se Deus quiser, tudo correrá naturalmente mal.

ENQUANTO PORTUGAL DORME...

... embalado pela bola, por Timor e pelo serial killer de Santa Comba, o que é que o governo anda a fazer? E a funesta "oposição"? E o inútil parlamento? Como diria outra "grande escritora", tirada directamente dos ecrãns da televisão, isso agora não interessa nada, não é verdade?

ENQUANTO PORTUGAL DORME...

... embalado pela bola, por Timor e pelo serial killer de Santa Comba, o que é que o governo anda a fazer? E a funesta "oposição"? E o inútil parlamento? Como diria outra "grande escritora", tirada directamente dos ecrãns da televisão, isso agora não interessa nada, não é verdade?

ALEGRIA DE ESCREVER, ALEGRIA DE LER


Ontem, já não me lembro bem onde, vi em grande destaque a "obra literária" da sra. D. Fátima Lopes, da SIC, emparelhando com os "êxitos" de Dan Brown e do inevitável José Rodrigues dos Santos. Empilhados e sem nenhuma chamada de atenção - nem sequer para o "prémio" recentemente atribuído e entregue pelo Chefe de Estado - estavam vários exemplares do Longe de Manaus (Edições ASA), do Francisco José Viegas. Estejam descansados. Eu só conheço o Francisco daqui. Não praticamos o "amiguismo", nem somos "cúmplices". E, por mero acaso, ainda nem sequer fui à Casa Fernando Pessoa. Acontece que o Francisco pôs cá fora um livro que não foi escrito com os pés, nem dá vontade de parar na primeira página para não lhe bolsar para cima. Pelo contrário, Longe de Manaus honra a língua de um país que provavelmente o não merece. De uma coisa tenho a certeza. Não verei jamais o Francisco metido no meio das vulgaridades do clown do regime, o gastíssimo Herman José, para se "promover". Já agora, para quando, João Baião, Jorge Gabriel ou Miss Romero, por exemplo, uma opus?

ALEGRIA DE ESCREVER, ALEGRIA DE LER


Ontem, já não me lembro bem onde, vi em grande destaque a "obra literária" da sra. D. Fátima Lopes, da SIC, emparelhando com os "êxitos" de Dan Brown e do inevitável José Rodrigues dos Santos. Empilhados e sem nenhuma chamada de atenção - nem sequer para o "prémio" recentemente atribuído e entregue pelo Chefe de Estado - estavam vários exemplares do Longe de Manaus (Edições ASA), do Francisco José Viegas. Estejam descansados. Eu só conheço o Francisco daqui. Não praticamos o "amiguismo", nem somos "cúmplices". E, por mero acaso, ainda nem sequer fui à Casa Fernando Pessoa. Acontece que o Francisco pôs cá fora um livro que não foi escrito com os pés, nem dá vontade de parar na primeira página para não lhe bolsar para cima. Pelo contrário, Longe de Manaus honra a língua de um país que provavelmente o não merece. De uma coisa tenho a certeza. Não verei jamais o Francisco metido no meio das vulgaridades do clown do regime, o gastíssimo Herman José, para se "promover". Já agora, para quando, João Baião, Jorge Gabriel ou Miss Romero, por exemplo, uma opus?

26.6.06

O BURACO


É extraordinário que o tema "bola" tenha suscitado tanto interesse num blogue - este - que lhe é totalmente estranho. Nem na campanha presidencial de Janeiro último houve tantas "visitas" e tantos "comentários". A chamada "psicanálise mítica do destino português", de que falava Eduardo Lourenço, pode ser encontrada, no século XXI (apenas trinta e poucos anos depois do "25 de Abril"), no futebol e na sua aparente "magia" redentora. Nos idos de 1977, quando só existia a RTP a preto-e-branco, o país "parava" para ver passar Gabriela, a de Jorge Amado, encarnada por Sónia Braga. Agora, no espaço de apenas dois anos, o futebol caiu-nos em cima como uma praga salvífica e efémera por contraste com a durável e inerme mediocridade geral. Daqui a uma, duas semanas, já ninguém se lembrará de nada. Nem eu, se Deus quiser. O país, esse pobre diabo, liberto desta farsa patrioteira, olhará então para o seu umbigo - nessa altura, a banhos - e constatará, incrédulo, que se encontra rigorosamente no mesmo sítio onde estava antes dos golos. Ou seja, no mesmo buraco que, por breves instantes, os holofotes dos estádios da Alemanha ilusoriamente taparam.

O BURACO


É extraordinário que o tema "bola" tenha suscitado tanto interesse num blogue - este - que lhe é totalmente estranho. Nem na campanha presidencial de Janeiro último houve tantas "visitas" e tantos "comentários". A chamada "psicanálise mítica do destino português", de que falava Eduardo Lourenço, pode ser encontrada, no século XXI (apenas trinta e poucos anos depois do "25 de Abril"), no futebol e na sua aparente "magia" redentora. Nos idos de 1977, quando só existia a RTP a preto-e-branco, o país "parava" para ver passar Gabriela, a de Jorge Amado, encarnada por Sónia Braga. Agora, no espaço de apenas dois anos, o futebol caiu-nos em cima como uma praga salvífica e efémera por contraste com a durável e inerme mediocridade geral. Daqui a uma, duas semanas, já ninguém se lembrará de nada. Nem eu, se Deus quiser. O país, esse pobre diabo, liberto desta farsa patrioteira, olhará então para o seu umbigo - nessa altura, a banhos - e constatará, incrédulo, que se encontra rigorosamente no mesmo sítio onde estava antes dos golos. Ou seja, no mesmo buraco que, por breves instantes, os holofotes dos estádios da Alemanha ilusoriamente taparam.

"ESTADOS DE ESPÍRITO" -2


Ainda por causa dos "estados de espírito", esta observação do leitor João Melo:

" A RTP e o Mundial"
Ela é um subdirector de informação em full time na Alemanha...
Ela é enviados especiais para Angola e ...para o Irão (porque o Irão fazia parte do grupo de Portugal , não era por causa do programa nuclear ...)!Para o Irão , seguiu o homem de Genebra , Noé Monteiro.
Ela é o Professor Marcelo a discorrer banalidades sobre Futebol , com estadia paga e o seu programa em directo da Alemanha acompanhados por Flor Pedroso.
Ela é Jorge Gabriel , António Pedro Vasconcelos e Rui Moreira , sentados à mesa do café, perdão , mesa do estúdio , a verter veneno sobre Scolari em directo da Alemanha.
Ela é o Sinal de Satélite.
Ela é as deslocações.
Ela é os quartos de hotel.
Tudo pago com dinheiros públicos, para "encher chouriços", em programas sem qualquer interesse e com fracas audiências.
De referir que a RTP não tem os direitos de transmissão do mundial. Daí não haver qualquer lógica desta estratégia gastadora..."

"ESTADOS DE ESPÍRITO" -2


Ainda por causa dos "estados de espírito", esta observação do leitor João Melo:

" A RTP e o Mundial"
Ela é um subdirector de informação em full time na Alemanha...
Ela é enviados especiais para Angola e ...para o Irão (porque o Irão fazia parte do grupo de Portugal , não era por causa do programa nuclear ...)!Para o Irão , seguiu o homem de Genebra , Noé Monteiro.
Ela é o Professor Marcelo a discorrer banalidades sobre Futebol , com estadia paga e o seu programa em directo da Alemanha acompanhados por Flor Pedroso.
Ela é Jorge Gabriel , António Pedro Vasconcelos e Rui Moreira , sentados à mesa do café, perdão , mesa do estúdio , a verter veneno sobre Scolari em directo da Alemanha.
Ela é o Sinal de Satélite.
Ela é as deslocações.
Ela é os quartos de hotel.
Tudo pago com dinheiros públicos, para "encher chouriços", em programas sem qualquer interesse e com fracas audiências.
De referir que a RTP não tem os direitos de transmissão do mundial. Daí não haver qualquer lógica desta estratégia gastadora..."

"ESTADOS DE ESPÍRITO"


Numa coisa o Jorge Ferreira tem razão. A gravura que ilustrava este "estado de espírito" decorrente das celebrações futebolísticas de ontem à noite, era de manifesto "mau-gosto". Os primatas estavam com um ar demasiado sério. Agora está reposto o equílíbrio. Os orangotangos da foto estão manifestamente satisfeitos e trocam "sorrisos cúmplices" entre si. Para além disso, como parece que este tipo de primatas está mais próximo, geneticamente, do "homem", era realmente de muito mau-gosto insultar os macacos. Obrigado pela chamada de atenção. Aliás, deve ter sido um primata deste calibre que ontem, pela calada noite e no meio da "euforia", destruiu as traseiras de uns quantos carros estacionados na rua, entre os quais as do meu. O vomitado na viatura do delito, estacionado noutra rua mais adiante, não deixa margem para dúvidas. Muita gente veio "à janela" com o estrondo, viram "claramente visto", só que, hoje de manhã, "civicamente", ninguém tinha visto nada. "Estados de espírito" destes - broncos, primários e cobardes - dispenso. Todavia, é o país de merda que temos e que somos. O da bandeirinha patética na janela.

"ESTADOS DE ESPÍRITO"


Numa coisa o Jorge Ferreira tem razão. A gravura que ilustrava este "estado de espírito" decorrente das celebrações futebolísticas de ontem à noite, era de manifesto "mau-gosto". Os primatas estavam com um ar demasiado sério. Agora está reposto o equílíbrio. Os orangotangos da foto estão manifestamente satisfeitos e trocam "sorrisos cúmplices" entre si. Para além disso, como parece que este tipo de primatas está mais próximo, geneticamente, do "homem", era realmente de muito mau-gosto insultar os macacos. Obrigado pela chamada de atenção. Aliás, deve ter sido um primata deste calibre que ontem, pela calada noite e no meio da "euforia", destruiu as traseiras de uns quantos carros estacionados na rua, entre os quais as do meu. O vomitado na viatura do delito, estacionado noutra rua mais adiante, não deixa margem para dúvidas. Muita gente veio "à janela" com o estrondo, viram "claramente visto", só que, hoje de manhã, "civicamente", ninguém tinha visto nada. "Estados de espírito" destes - broncos, primários e cobardes - dispenso. Todavia, é o país de merda que temos e que somos. O da bandeirinha patética na janela.

GRANDES FRASES

"Aqueles que pensam em "ponto pequeno" podem errar em grande. Esta é a democracia da graça celeste, ou da danação."

George Steiner, in "Errata: revisões de uma vida"

GRANDES FRASES

"Aqueles que pensam em "ponto pequeno" podem errar em grande. Esta é a democracia da graça celeste, ou da danação."

George Steiner, in "Errata: revisões de uma vida"

25.6.06

CELEBRAÇÃO (actualizada)

CELEBRAÇÃO (actualizada)

INCRÍVEL?

Como é que uma pessoa inteligente e perspicaz como o Rui Costa Pinto pode escrever estas linhas dignas de um Manuel Luís Goucha? "O estado de espírito dos portugueses na rua é único. Sente-se confiança nos olhares. A simpatia explode em cada frase. Os sorrisos cúmplices marcam cada encontro." Até o meu amigo já está neste estado? É incrível , não é?

INCRÍVEL?

Como é que uma pessoa inteligente e perspicaz como o Rui Costa Pinto pode escrever estas linhas dignas de um Manuel Luís Goucha? "O estado de espírito dos portugueses na rua é único. Sente-se confiança nos olhares. A simpatia explode em cada frase. Os sorrisos cúmplices marcam cada encontro." Até o meu amigo já está neste estado? É incrível , não é?

LUX AETERNA

Este Requiem, se possível, ainda é mais sublime que o outro, dirigido por Barbirolli. Cantam, com o coro e a orquestra do Alla Scalla, dirigidos por Herbert von Karajan, Leontyne Price, Fiorenza Cossotto, Luciano Pavarotti e Nicolai Ghiaurov. É bom para ver durante a bola, já que há em dvd.

LUX AETERNA

Este Requiem, se possível, ainda é mais sublime que o outro, dirigido por Barbirolli. Cantam, com o coro e a orquestra do Alla Scalla, dirigidos por Herbert von Karajan, Leontyne Price, Fiorenza Cossotto, Luciano Pavarotti e Nicolai Ghiaurov. É bom para ver durante a bola, já que há em dvd.

LENDO OUTROS

Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, "Hannibal Lecter na parvónia". "Era inevitável: o caso de Santa Comba trouxe à tona um batalhão de aspirantes a Clarice Sterling; ele é "passagem ao acto", ele é "retrato psicológico do psicopata", ele é tentar meter o Rossio na Betesga: conciliar uma colecção de louvores e décadas de boa vizinhança com a "personalidade do monstro"."

LENDO OUTROS

Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, "Hannibal Lecter na parvónia". "Era inevitável: o caso de Santa Comba trouxe à tona um batalhão de aspirantes a Clarice Sterling; ele é "passagem ao acto", ele é "retrato psicológico do psicopata", ele é tentar meter o Rossio na Betesga: conciliar uma colecção de louvores e décadas de boa vizinhança com a "personalidade do monstro"."

SERENIDADE

Dra. Ana Gomes, por que não experimenta o Zoloft? Não tem efeito imediato, mas, depois, é duradouro. Vá por mim.

SERENIDADE

Dra. Ana Gomes, por que não experimenta o Zoloft? Não tem efeito imediato, mas, depois, é duradouro. Vá por mim.

FUTEBOLÃNDIA

Num dia como o de hoje, por que é que o José Pacheco Pereira ainda teima em ver televisão?

FUTEBOLÃNDIA

Num dia como o de hoje, por que é que o José Pacheco Pereira ainda teima em ver televisão?

O ELOGIO DOS EUNUCOS


Sempre com o atraso de um dia, li no Mil Folhas do Público o habitual "ensaio" de Eduardo Prado Coelho. Antes de chegar ao livro de Coetzee, EPC discorre sobre Augusto M. Seabra que, no mesmo suplemento, tem andado a escrever sobre "crítica". Confesso que não tenho acompanhado a prosa de AMS. Pelo contrário, há muitos anos que acompanho a de EPC. Li a sua "tese" Os Universos da Crítica quando tinha vinte e poucos anos, acabadinha de sair. Naturalmente que a minha puerilidade adolescente - ainda por cima a estudar Direito - se deslumbrou com tanta citação, com tanto autor e com tanta "sabedoria". Dos ditos quinze livros (ainda segundo o Mil Folhas, noutro local) que o EPC escreveu, já li bastantes. E, em alguns deles, aprendi efectivamente alguma coisa, como, aliás, tinha aprendido muito nos do seu pai, o prof. Jacinto do Prado Coelho. Por razões várias, talvez ligadas à intensa presença do EPC em praticamente tudo, as suas escritas mais recentes deixaram de me impressionar e, no limite, de me interessar. Por outro lado, o seu imenso umbigo e vaidade, também me maçam. É o caso desta prosa dedicada ao AMS. A meio da coisa, EPC "explica" que AMS é um ressentido e alguém que não é digno "de confiança". E, por "não ser digno de confiança", nunca passou pela cabeça de ninguém atribuir-lhe "responsabilidades". Este segmento estalinista, lido a contrario, significa que EPC é alguém "de confiança" e a quem, por consequência, se pode entregar "responsabilidades". Não deixa de ter razão. No PREC, o EPC foi um diligente activista do PC como Director-Geral da Acção Cultural (só o termo, "acção cultural", põe os cabelos em pé a qualquer um), pelo que era nitidamente "de confiança". Depois, com a mesma naturalidade, EPC "deslocou-se" progressivamente para um "plano", digamos, mais "libertário-corporativo", traduzido no apoio a essa maga do "basismo católico" que foi a generosa Maria de Lurdes Pintasilgo. Desses tempos ficaram umas résteas que EPC usa em prol do Bloco de Esquerda, quando lhe apetece ou convém, o que não o impediu de ter feito a "corte" ao então primeiro-ministro Cavaco Silva, a quem deve a aquiescência para o cargo de "conselheiro cultural" da pátria em Paris. Até aqui, só "confiança" e "responsabilidades", naturalmente. Como lhe compete, parece que é militante do PS, sem ser um "ortodoxo". Esteve com Manuel Alegre e zurziu metodicamente no dr. Soares. Nos seus textos, promove e despromove quem ele entende ser digno da tal "confiança" - a dele - e de eventuais" responsabilidades". Para este efeito, o Augusto M. Seabra é, no plano em que se move EPC, um homem morto. O argumento da "confiança", usado por alguém que até normalmente consegue pensar, é perigoso. E faz escola noutras áreas. Nunca esperei ver o EPC fazer o elogio dos eunucos.

O ELOGIO DOS EUNUCOS


Sempre com o atraso de um dia, li no Mil Folhas do Público o habitual "ensaio" de Eduardo Prado Coelho. Antes de chegar ao livro de Coetzee, EPC discorre sobre Augusto M. Seabra que, no mesmo suplemento, tem andado a escrever sobre "crítica". Confesso que não tenho acompanhado a prosa de AMS. Pelo contrário, há muitos anos que acompanho a de EPC. Li a sua "tese" Os Universos da Crítica quando tinha vinte e poucos anos, acabadinha de sair. Naturalmente que a minha puerilidade adolescente - ainda por cima a estudar Direito - se deslumbrou com tanta citação, com tanto autor e com tanta "sabedoria". Dos ditos quinze livros (ainda segundo o Mil Folhas, noutro local) que o EPC escreveu, já li bastantes. E, em alguns deles, aprendi efectivamente alguma coisa, como, aliás, tinha aprendido muito nos do seu pai, o prof. Jacinto do Prado Coelho. Por razões várias, talvez ligadas à intensa presença do EPC em praticamente tudo, as suas escritas mais recentes deixaram de me impressionar e, no limite, de me interessar. Por outro lado, o seu imenso umbigo e vaidade, também me maçam. É o caso desta prosa dedicada ao AMS. A meio da coisa, EPC "explica" que AMS é um ressentido e alguém que não é digno "de confiança". E, por "não ser digno de confiança", nunca passou pela cabeça de ninguém atribuir-lhe "responsabilidades". Este segmento estalinista, lido a contrario, significa que EPC é alguém "de confiança" e a quem, por consequência, se pode entregar "responsabilidades". Não deixa de ter razão. No PREC, o EPC foi um diligente activista do PC como Director-Geral da Acção Cultural (só o termo, "acção cultural", põe os cabelos em pé a qualquer um), pelo que era nitidamente "de confiança". Depois, com a mesma naturalidade, EPC "deslocou-se" progressivamente para um "plano", digamos, mais "libertário-corporativo", traduzido no apoio a essa maga do "basismo católico" que foi a generosa Maria de Lurdes Pintasilgo. Desses tempos ficaram umas résteas que EPC usa em prol do Bloco de Esquerda, quando lhe apetece ou convém, o que não o impediu de ter feito a "corte" ao então primeiro-ministro Cavaco Silva, a quem deve a aquiescência para o cargo de "conselheiro cultural" da pátria em Paris. Até aqui, só "confiança" e "responsabilidades", naturalmente. Como lhe compete, parece que é militante do PS, sem ser um "ortodoxo". Esteve com Manuel Alegre e zurziu metodicamente no dr. Soares. Nos seus textos, promove e despromove quem ele entende ser digno da tal "confiança" - a dele - e de eventuais" responsabilidades". Para este efeito, o Augusto M. Seabra é, no plano em que se move EPC, um homem morto. O argumento da "confiança", usado por alguém que até normalmente consegue pensar, é perigoso. E faz escola noutras áreas. Nunca esperei ver o EPC fazer o elogio dos eunucos.

LIBERA ME


Ouço, neste dia do Senhor onde sobram as nuvens, a "missa dos mortos" de Verdi. Um Requiem onde cantam as vozes sublimes de Montserrat Caballé, de Fiorenza Cossotto, de Jon Vickers e de Ruggero Raimondi. São o sol possível neste dia absurdo, não tão diferente assim dos outros com sol.

Libera me, Domine, de morte aeterna,
in die illa tremenda,
quando coeli movendi sunt et terra.

LIBERA ME


Ouço, neste dia do Senhor onde sobram as nuvens, a "missa dos mortos" de Verdi. Um Requiem onde cantam as vozes sublimes de Montserrat Caballé, de Fiorenza Cossotto, de Jon Vickers e de Ruggero Raimondi. São o sol possível neste dia absurdo, não tão diferente assim dos outros com sol.

Libera me, Domine, de morte aeterna,
in die illa tremenda,
quando coeli movendi sunt et terra.

DIVIRTAM-SE


Leio que cerca de trezentas (300...) pessoas participaram na "parada gay" de Lisboa. Parece que se seguiu um "arraial" que deve ter sido tão deprimente como a "parada". Há coisas que só valem a pena quando são a sério e sérias. É claro que, no caso vertente, nada pode ler levado a sério. Nem sequer a título de festa, de pura festa, como lá fora, com milhares ou milhões de pessoas indistintas. Em primeiro lugar, folclorizar as alegadas diferenças sexuais com manifestações de rua perfeitamente ridículas, só contribui para estigmatizar ainda mais - sobretudo numa sociedade analfabeta e nada cosmopolita como a nossa - a "diferença" de que se reclamam os "activistas" destas coisas. Aliás, a volúpia dos "activistas" é mesmo essa: acentuar a pretensa "diferença" para passarem a vida nestes fandangos, "culpando" a mazinha da sociedade pela "exclusão". Vai daí os "activistas" exigem, como vulgares sindicalistas do sexo, direitos. Casamento, divórcio, pensões de alimentos, adopção de criancinhas, condomínios fechados, etc., em suma, tudo o que um bom "homem médio maioritário" gostaria de ter. Não percebem, na sua alegre inconsciência, que, quanto mais berram, menos têm. Em segundo lugar, há que assentar definitivamente uma coisa. Não adianta vulgarizar rua afora comportamentos privados. Nem homossexuais, nem heterossexuais. Até porque as "barreiras" entre uns e outros estão demasiado esbatidas e a realidade está longe de ser o que os "activistas" ou o crédulo "homem médio" supõem. Quantos "heterossexuais" não correm do amante ou da amante para os braços quentinhos e aconchegadores da mulher ou do marido ao fim do dia? E quantos "homossexuais" não gostam de "curtir", para além do namorado ou da namorada, com pessoas de sexo diferente? Tenham juízo. Vão para casa - todos, sem excepção - e divirtam-se.

DIVIRTAM-SE


Leio que cerca de trezentas (300...) pessoas participaram na "parada gay" de Lisboa. Parece que se seguiu um "arraial" que deve ter sido tão deprimente como a "parada". Há coisas que só valem a pena quando são a sério e sérias. É claro que, no caso vertente, nada pode ler levado a sério. Nem sequer a título de festa, de pura festa, como lá fora, com milhares ou milhões de pessoas indistintas. Em primeiro lugar, folclorizar as alegadas diferenças sexuais com manifestações de rua perfeitamente ridículas, só contribui para estigmatizar ainda mais - sobretudo numa sociedade analfabeta e nada cosmopolita como a nossa - a "diferença" de que se reclamam os "activistas" destas coisas. Aliás, a volúpia dos "activistas" é mesmo essa: acentuar a pretensa "diferença" para passarem a vida nestes fandangos, "culpando" a mazinha da sociedade pela "exclusão". Vai daí os "activistas" exigem, como vulgares sindicalistas do sexo, direitos. Casamento, divórcio, pensões de alimentos, adopção de criancinhas, condomínios fechados, etc., em suma, tudo o que um bom "homem médio maioritário" gostaria de ter. Não percebem, na sua alegre inconsciência, que, quanto mais berram, menos têm. Em segundo lugar, há que assentar definitivamente uma coisa. Não adianta vulgarizar rua afora comportamentos privados. Nem homossexuais, nem heterossexuais. Até porque as "barreiras" entre uns e outros estão demasiado esbatidas e a realidade está longe de ser o que os "activistas" ou o crédulo "homem médio" supõem. Quantos "heterossexuais" não correm do amante ou da amante para os braços quentinhos e aconchegadores da mulher ou do marido ao fim do dia? E quantos "homossexuais" não gostam de "curtir", para além do namorado ou da namorada, com pessoas de sexo diferente? Tenham juízo. Vão para casa - todos, sem excepção - e divirtam-se.

24.6.06

AUSÊNCIA


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome

Ou numa terra nua


Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

AUSÊNCIA


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome

Ou numa terra nua


Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

PORTUGAL DO PEQUENINO


Jorge: um país que começa com o filho a tratar assim a sua mãe, não pode ser levado a sério.

PORTUGAL DO PEQUENINO


Jorge: um país que começa com o filho a tratar assim a sua mãe, não pode ser levado a sério.