30.9.08

WAGNER REAL




«Não seria positivo deixar ir uns tantos bancos para a falência?», pergunta José Medeiros Ferreira, o mais recente acarinhador das "frutuosas" relações com Chávez, o petrolífero amigo de Portugal em vias de se tornar mais um produtor nuclear com "intuitos pacíficos". Também sou adepto do deixar afundar o que é para afundar. Há mais onde gastar o dinheiro dos contribuintes que, mesmo bovinos e massificados, podem um dia começar a perguntar se este "sistema" ainda vale a pena. É como se estivéssemos a "viver" a tetralogia de Wagner depois do "aviso" de Erda no "Ouro do Reno": "tudo o que existe tem um fim". Resta saber em que "jornada" é que já vamos.

WAGNER REAL




«Não seria positivo deixar ir uns tantos bancos para a falência?», pergunta José Medeiros Ferreira, o mais recente acarinhador das "frutuosas" relações com Chávez, o petrolífero amigo de Portugal em vias de se tornar mais um produtor nuclear com "intuitos pacíficos". Também sou adepto do deixar afundar o que é para afundar. Há mais onde gastar o dinheiro dos contribuintes que, mesmo bovinos e massificados, podem um dia começar a perguntar se este "sistema" ainda vale a pena. É como se estivéssemos a "viver" a tetralogia de Wagner depois do "aviso" de Erda no "Ouro do Reno": "tudo o que existe tem um fim". Resta saber em que "jornada" é que já vamos.

A CONSCIÊNCIA DELA

"Estou de plena consciência. Aluguei um andar, legal, com valores legais", disse a sra. D. Ana Sara Brito, ao lado de Costa, o presidente da CML de quem é vereadora. Acrescentou que se tratava de "uma casa atribuída legalmente e de acordo com critérios à época e a situação à época." Talvez a criatura quisesse dizer que "estava de consciência tranquila" e saiu-lhe a "plena consciência" que, afinal, com a explicação posterior dos "critérios", acaba por ser freudianamente mais adequada. Pelo meio mencionou a inevitável "ética" e a "confiança" de Costa. Está certo. Trinta anos de maus hábitos não se mudam de um dia para o outro. Mesmo que lhe chamem "património disponível". Só o nome da coisa é todo um programa.

A CONSCIÊNCIA DELA

"Estou de plena consciência. Aluguei um andar, legal, com valores legais", disse a sra. D. Ana Sara Brito, ao lado de Costa, o presidente da CML de quem é vereadora. Acrescentou que se tratava de "uma casa atribuída legalmente e de acordo com critérios à época e a situação à época." Talvez a criatura quisesse dizer que "estava de consciência tranquila" e saiu-lhe a "plena consciência" que, afinal, com a explicação posterior dos "critérios", acaba por ser freudianamente mais adequada. Pelo meio mencionou a inevitável "ética" e a "confiança" de Costa. Está certo. Trinta anos de maus hábitos não se mudam de um dia para o outro. Mesmo que lhe chamem "património disponível". Só o nome da coisa é todo um programa.

29.9.08

UM MARTELO RESOLUTO


«Não me recordo de todas as palavras. Lembro-me do frio intenso, da neve espessa no chão, da terra castanha da sepultura que era quase uma profanação da neve. Através do ar límpido de Inverno, a voz falou da espada de Siegfried que um dia se abateria sobre o bordão de Wotan. O grande e honrado amigo de quem nos despedíamos junto àquela campa não teria o privilégio de ver o dia em que essa espada se havia de erguer. Mas fora na sua bigorna que essa espada fora forjada: as chamas das suas palavras é que tinham aquecido a bigorna. Um martelo resoluto...»

(A. N. Wilson, A Filha de Hitler, Winnie e Wolf, Bertrand Editora, 2008)

UM MARTELO RESOLUTO


«Não me recordo de todas as palavras. Lembro-me do frio intenso, da neve espessa no chão, da terra castanha da sepultura que era quase uma profanação da neve. Através do ar límpido de Inverno, a voz falou da espada de Siegfried que um dia se abateria sobre o bordão de Wotan. O grande e honrado amigo de quem nos despedíamos junto àquela campa não teria o privilégio de ver o dia em que essa espada se havia de erguer. Mas fora na sua bigorna que essa espada fora forjada: as chamas das suas palavras é que tinham aquecido a bigorna. Um martelo resoluto...»

(A. N. Wilson, A Filha de Hitler, Winnie e Wolf, Bertrand Editora, 2008)

MOMENTO ANTI-SEMITA

O que se está a passar nos EUA mostra como o lobby judaico pode muito.

MOMENTO ANTI-SEMITA

O que se está a passar nos EUA mostra como o lobby judaico pode muito.

A JOANINHA

Joana Amaral Dias aparece sempre naqueles "frente-a-frente" de Mário Crespo na SIC-Notícias com um ar irritantemente petulante muito típico de um certo BE. Como quem diz: «quando eu for grande quero ser a "Cilinha" destes democratas.» Nem sequer lhe chega aos calcanhares.

A JOANINHA

Joana Amaral Dias aparece sempre naqueles "frente-a-frente" de Mário Crespo na SIC-Notícias com um ar irritantemente petulante muito típico de um certo BE. Como quem diz: «quando eu for grande quero ser a "Cilinha" destes democratas.» Nem sequer lhe chega aos calcanhares.

O SUBTIL TIMONEIRO


O mundo continua perigoso. Nos EUA, o "plano" Bush está com dificuldades em passar precisamente por causa dos "republicanos" mais "liberais", isto é, menos dispostos à intervenção do Estado. A Irlanda entrou em recessão. A França entrará em breve. Aqui ao lado é o que se vê. Na Áustria, a extrema-direita somou quase trinta por cento dos votos e o "centrão" tradicional desceu. Só nós, entregues a esse subtil timoneiro que é o nosso primeiro-ministro, parecemos viver blindados a estas desgraças dos "ricos". Por que é que não o exportamos?

O SUBTIL TIMONEIRO


O mundo continua perigoso. Nos EUA, o "plano" Bush está com dificuldades em passar precisamente por causa dos "republicanos" mais "liberais", isto é, menos dispostos à intervenção do Estado. A Irlanda entrou em recessão. A França entrará em breve. Aqui ao lado é o que se vê. Na Áustria, a extrema-direita somou quase trinta por cento dos votos e o "centrão" tradicional desceu. Só nós, entregues a esse subtil timoneiro que é o nosso primeiro-ministro, parecemos viver blindados a estas desgraças dos "ricos". Por que é que não o exportamos?

OS PROSÉLITOS DE ÉVORA


Meia dúzia de homossexuais católicos esteve reunida em Évora. Não escrevo "católicos homossexuais" porque as criaturas dão mais importância ao facto de serem homossexuais do que católicos como se as preferências íntimas de cada um tivessem alguma preponderância "socio-cultural". Concluíram inevitavelmente que a Igreja é homofóbica e pouco inclusiva. Um dirigente da JS até esteve presente para celebrar o nojo destes heróis. No fundo, o ridículo conclave de Évora destinou-se a demonstrar, pela enésima vez, os nefastos efeitos - individualmente sentidos - da culpa judaico-cristã e a seguir os "mandamentos" do "correcto". Não lhes passou pela cabeça que a Igreja não existe para se "adaptar" ao "modismo" do momento. Desde a sua existência - praticamente desde que Jesus confiou a Pedro a tarefa de a erguer a partir de uma rocha - que a Igreja alberga "pecadores". Toda a vida da Igreja, aliás, se justifica porque há "pecadores", nem mais nem menos "justos" do que os que se imaginam "imaculados". Estes same sexers é que possuem um duplo problema. Por um lado, convivem mal com a sua fé. E, por outro, sentem-se desconfortáveis na sua sexualidade. A Igreja pode ajudá-los quanto ao primeiro aspecto mas não interfere - ao contrário do que eles se queixam - no segundo. O que eles não podem exigir é que, como repetidamente tem dito Ratzinger, a Igreja faça proselitismo. Os partidos e as "organizações da sociedade civil" podem fazê-lo à vontade. A Igreja não.

OS PROSÉLITOS DE ÉVORA


Meia dúzia de homossexuais católicos esteve reunida em Évora. Não escrevo "católicos homossexuais" porque as criaturas dão mais importância ao facto de serem homossexuais do que católicos como se as preferências íntimas de cada um tivessem alguma preponderância "socio-cultural". Concluíram inevitavelmente que a Igreja é homofóbica e pouco inclusiva. Um dirigente da JS até esteve presente para celebrar o nojo destes heróis. No fundo, o ridículo conclave de Évora destinou-se a demonstrar, pela enésima vez, os nefastos efeitos - individualmente sentidos - da culpa judaico-cristã e a seguir os "mandamentos" do "correcto". Não lhes passou pela cabeça que a Igreja não existe para se "adaptar" ao "modismo" do momento. Desde a sua existência - praticamente desde que Jesus confiou a Pedro a tarefa de a erguer a partir de uma rocha - que a Igreja alberga "pecadores". Toda a vida da Igreja, aliás, se justifica porque há "pecadores", nem mais nem menos "justos" do que os que se imaginam "imaculados". Estes same sexers é que possuem um duplo problema. Por um lado, convivem mal com a sua fé. E, por outro, sentem-se desconfortáveis na sua sexualidade. A Igreja pode ajudá-los quanto ao primeiro aspecto mas não interfere - ao contrário do que eles se queixam - no segundo. O que eles não podem exigir é que, como repetidamente tem dito Ratzinger, a Igreja faça proselitismo. Os partidos e as "organizações da sociedade civil" podem fazê-lo à vontade. A Igreja não.

28.9.08

A ETERNA MAIORIA SILENCIOSA

Passaram trinta e quatro anos. A tropa e os "populares" puseram-se às portas de Lisboa à procura da "reacção" nos bolsos, nas malinhas de mão e nas bagageiras dos automóveis. A "maioria silenciosa" acabou por se manifestar de outra forma, mais tarde, em eleições. Nessa altura, a democracia era "gira". Agora é uma espécie de provincianismo global. Ora o maior problema dos não sei quantos actos eleitorais que se avizinham é justamente a velha "maioria silenciosa". E se ela, desta vez (porventura ajuizadamente), não quiser sair de casa?

A ETERNA MAIORIA SILENCIOSA

Passaram trinta e quatro anos. A tropa e os "populares" puseram-se às portas de Lisboa à procura da "reacção" nos bolsos, nas malinhas de mão e nas bagageiras dos automóveis. A "maioria silenciosa" acabou por se manifestar de outra forma, mais tarde, em eleições. Nessa altura, a democracia era "gira". Agora é uma espécie de provincianismo global. Ora o maior problema dos não sei quantos actos eleitorais que se avizinham é justamente a velha "maioria silenciosa". E se ela, desta vez (porventura ajuizadamente), não quiser sair de casa?

PSD LÁZARO


O dr. Marques Mendes escreveu um livro. E fartou-se de falar dele. Dele, livro, e dele, Marques Mendes. Parece que é uma espécie de manual de ética para políticos. E de "ideias" para o futuro do país. Meio desse país político abençoou este regresso de Lázaro e procurou, com afã, um autógrafo talvez por causa da "ética" e das referidas "ideias". Estimo o dr. Mendes. Estava a fazer um trabalho meritório como líder do PSD quando foi afastado pela desgraça ambulante de Gaia. Porém - e como o próprio faz questão de lembrar - Mendes anda "nisto" há anos e anos. Começou, praticamente de bibe, como adjunto do então governador civil de Braga. Eurico de Melo "empurrou-o" por aí abaixo. Quando Cavaco se foi embora, "exigiu" a Fernando Nogueira que o substituísse. Deixou-se tentar pela chefia do partido que só chegou depois do colapso de Santana. Pelo caminho, ocupou cargos ministeriais influentes. Ou seja, Mendes teve tempo de sobra não para escrever um livro mas, sim, para colocar em prática as "ideias" que lá vêm. Passos Coelho "fervilha" de "ideias". Santana não nega ter as suas. Marcelo, pelo menos até Março, tem o seu "palco" sonso na RTP garantido, mesmo que "apertado" pelo poder. Mendes é o que se vê e até Menezes aparece todas as semanas para fazer o seu pequeno número de circo. Manuela, entretanto, toca e foge. Alguém precisa fazer urgentemente um congresso extraordinário na sua cabeça. A questão é saber quem é o primeiro.

PSD LÁZARO


O dr. Marques Mendes escreveu um livro. E fartou-se de falar dele. Dele, livro, e dele, Marques Mendes. Parece que é uma espécie de manual de ética para políticos. E de "ideias" para o futuro do país. Meio desse país político abençoou este regresso de Lázaro e procurou, com afã, um autógrafo talvez por causa da "ética" e das referidas "ideias". Estimo o dr. Mendes. Estava a fazer um trabalho meritório como líder do PSD quando foi afastado pela desgraça ambulante de Gaia. Porém - e como o próprio faz questão de lembrar - Mendes anda "nisto" há anos e anos. Começou, praticamente de bibe, como adjunto do então governador civil de Braga. Eurico de Melo "empurrou-o" por aí abaixo. Quando Cavaco se foi embora, "exigiu" a Fernando Nogueira que o substituísse. Deixou-se tentar pela chefia do partido que só chegou depois do colapso de Santana. Pelo caminho, ocupou cargos ministeriais influentes. Ou seja, Mendes teve tempo de sobra não para escrever um livro mas, sim, para colocar em prática as "ideias" que lá vêm. Passos Coelho "fervilha" de "ideias". Santana não nega ter as suas. Marcelo, pelo menos até Março, tem o seu "palco" sonso na RTP garantido, mesmo que "apertado" pelo poder. Mendes é o que se vê e até Menezes aparece todas as semanas para fazer o seu pequeno número de circo. Manuela, entretanto, toca e foge. Alguém precisa fazer urgentemente um congresso extraordinário na sua cabeça. A questão é saber quem é o primeiro.

LOUIS-FERDINAND CÉLINE


«Un diamant noir comme l'enfer». No Dragoscópio.

LOUIS-FERDINAND CÉLINE


«Un diamant noir comme l'enfer». No Dragoscópio.

NÃO HÁ MAGALHÃES DE GRAÇA

Chávez deixou Sócrates à espera dele meia-hora no passeio junto à FIL, local de onde foi transmitida, em directo para a Venezuela, a sessão de negócios e o discurso de auto-elogio do petrolífero presidente. É normal. Quem paga, manda.

NÃO HÁ MAGALHÃES DE GRAÇA

Chávez deixou Sócrates à espera dele meia-hora no passeio junto à FIL, local de onde foi transmitida, em directo para a Venezuela, a sessão de negócios e o discurso de auto-elogio do petrolífero presidente. É normal. Quem paga, manda.

POR QUE SE MATAM OS POLÍCIAS?


Em poucos dias - não é "notícia" porque estraga o falso "glamour" em que o regime vive - suicidou-se uma meia dúzia de agentes policiais, ora da GNR, ora da PSP. Desde quase adolescentes (vinte e pouco anos) até homens mais maduros, esta gente que supostamente vela pela nossa existência, decidiu colocar um termo à deles porquê? A presença constante de uma arma é tentadora? A vida "privada" e a de agente da autoridade cruzaram-se em algum nó górdio irreversível? Sem provavelmente terem lido muita filosofia, estes homens, no acto limite do suicídio, descobriram aquele que alguns consideram o único "tema" verdadeiramente filosófico. E levaram, para a eternidade, esse segredo. Falo disto porque eram pessoas com uma função especial que, diz-se, o regime tem o dever de acarinhar para que eles cumpram o dever de nos proteger. Afinal, nem eles conseguiram proteger-se de si próprios. Dá para pensar.

POR QUE SE MATAM OS POLÍCIAS?


Em poucos dias - não é "notícia" porque estraga o falso "glamour" em que o regime vive - suicidou-se uma meia dúzia de agentes policiais, ora da GNR, ora da PSP. Desde quase adolescentes (vinte e pouco anos) até homens mais maduros, esta gente que supostamente vela pela nossa existência, decidiu colocar um termo à deles porquê? A presença constante de uma arma é tentadora? A vida "privada" e a de agente da autoridade cruzaram-se em algum nó górdio irreversível? Sem provavelmente terem lido muita filosofia, estes homens, no acto limite do suicídio, descobriram aquele que alguns consideram o único "tema" verdadeiramente filosófico. E levaram, para a eternidade, esse segredo. Falo disto porque eram pessoas com uma função especial que, diz-se, o regime tem o dever de acarinhar para que eles cumpram o dever de nos proteger. Afinal, nem eles conseguiram proteger-se de si próprios. Dá para pensar.

27.9.08

O ACORDO


Anos a fio (trinta...), Luís Francisco Rebello - o nosso melhor especialista em "direito de autor" e grande estudioso da história do teatro - presidiu à Sociedade Portuguesa de Autores. Tratou-a, tipicamente, como se fosse dele. Saiu em 2003 e deixou à SPA uma gestão, no mínimo, discutível. Mesmo assim "processou-a". O Expresso conta que lhe propuseram um acordo que na altura recusou e que aceitou agora. Rebello largou o tribunal a troco de 19o mil euros de indemnização e com uma "tença" mensal vitalícia de 3 mil euros. Se calhar, e em apenas cinco anos, a SPA passou a nadar em dinheiro para chegar a este acordo. Ou, em alternativa, Rebello não "geriu" assim tão mal nem tão "familiarmente" a instituição. Seja lá o que for, estão muito bem uns para os outros: Rebello, José Jorge Letria e Manuel Freire, estes dois da actual direcção. Afinal, sempre são três emblemáticas "conquistas de Abril". Rebello foi "compagnon de route" do PC após o "glorioso" evento. Mais recentemente, numa peça de teatro que tinha enfiada no armário, revelou-se muito "aberto" em matéria de costumes. Pertence à redonda classe dos insubstituíveis que pulula um pouco por todos os sectores da vida pública portuguesa. O regime trata-os bem e eles nunca o desiludem. Que goze muito.

O ACORDO


Anos a fio (trinta...), Luís Francisco Rebello - o nosso melhor especialista em "direito de autor" e grande estudioso da história do teatro - presidiu à Sociedade Portuguesa de Autores. Tratou-a, tipicamente, como se fosse dele. Saiu em 2003 e deixou à SPA uma gestão, no mínimo, discutível. Mesmo assim "processou-a". O Expresso conta que lhe propuseram um acordo que na altura recusou e que aceitou agora. Rebello largou o tribunal a troco de 19o mil euros de indemnização e com uma "tença" mensal vitalícia de 3 mil euros. Se calhar, e em apenas cinco anos, a SPA passou a nadar em dinheiro para chegar a este acordo. Ou, em alternativa, Rebello não "geriu" assim tão mal nem tão "familiarmente" a instituição. Seja lá o que for, estão muito bem uns para os outros: Rebello, José Jorge Letria e Manuel Freire, estes dois da actual direcção. Afinal, sempre são três emblemáticas "conquistas de Abril". Rebello foi "compagnon de route" do PC após o "glorioso" evento. Mais recentemente, numa peça de teatro que tinha enfiada no armário, revelou-se muito "aberto" em matéria de costumes. Pertence à redonda classe dos insubstituíveis que pulula um pouco por todos os sectores da vida pública portuguesa. O regime trata-os bem e eles nunca o desiludem. Que goze muito.

EXACTAMENTE

«Obama, nos debates não tem o fôlego dos maratonistas. É muito melhor a falar sozinho.»

Tomás Vasques

EXACTAMENTE

«Obama, nos debates não tem o fôlego dos maratonistas. É muito melhor a falar sozinho.»

Tomás Vasques

AS CASINHAS


Segundo o Expresso, a Câmara Municipal de Lisboa anda há trinta anos a distribuir, pelo menos, três mil e duzentas casas por "cunha". Desde "conhecidos" a anónimos, os sucessivos responsáveis a vários níveis pela autarquia, por iniciativa própria ou a "pedido de várias famílias", foram cedendo casas para arrendamentos a valores simbólicos aos referidos "conhecidos" ou anónimos. Criaram-se "situações de facto" que ninguém domina. Se o "estudo" - que a CML pediu mas que não tem dinheiro para pagar - se estender a outras autarquias (essa extraordinária "conquista de Abril") talvez se encontrem mais "casinhas" nas mesmas circunstâncias. Trinta anos de promiscuidade com o betão é muito tempo e é muita gente. Por estas e por outras, é que eu sou um centralista como, para estar bem acompanhado, a Maria Filomena Mónica.

AS CASINHAS


Segundo o Expresso, a Câmara Municipal de Lisboa anda há trinta anos a distribuir, pelo menos, três mil e duzentas casas por "cunha". Desde "conhecidos" a anónimos, os sucessivos responsáveis a vários níveis pela autarquia, por iniciativa própria ou a "pedido de várias famílias", foram cedendo casas para arrendamentos a valores simbólicos aos referidos "conhecidos" ou anónimos. Criaram-se "situações de facto" que ninguém domina. Se o "estudo" - que a CML pediu mas que não tem dinheiro para pagar - se estender a outras autarquias (essa extraordinária "conquista de Abril") talvez se encontrem mais "casinhas" nas mesmas circunstâncias. Trinta anos de promiscuidade com o betão é muito tempo e é muita gente. Por estas e por outras, é que eu sou um centralista como, para estar bem acompanhado, a Maria Filomena Mónica.

PAUL NEWMAN (1925-2008)



Cena de Cat on hot tin roof, o filme baseado na peça homónima de Tennessee Williams. Com Elizabeth Taylor. Cada vez sobram menos e belos como eles.

PAUL NEWMAN (1925-2008)



Cena de Cat on hot tin roof, o filme baseado na peça homónima de Tennessee Williams. Com Elizabeth Taylor. Cada vez sobram menos e belos como eles.

A BRANCA PAIXÃO

Qual cisma, Eduardo. Isso quer dizer que "grandes" líderes e proto-líderes mundiais como o sr. Chávez e o sr. Obama partilham com o nosso "querido líder"*a mesma branca paixão tecnológica. E branca com a mesma conotação que dá ao termo Eduardo Lourenço a propósito da sexualidade de Fernando Pessoa. Nada de confusões.

*«Uma das características deste Governo é um grande deslumbramento tecnológico que tem muito a ver com o primeiro-ministro, um típico tecnocrata, mais autodidacta do que com uma formação profissional sólida, e que por isso "gosta" de gadgets e não sabe viver sem eles. Mais: está convencido de que são os gadgets que mudam as pessoas, numa visão tecnocrática típica, sem perceber que o modo como as pessoas os usam pode ou não ser vantajoso conforme as literacias prévias que possuam.» (José Pacheco Pereira, Público)

A BRANCA PAIXÃO

Qual cisma, Eduardo. Isso quer dizer que "grandes" líderes e proto-líderes mundiais como o sr. Chávez e o sr. Obama partilham com o nosso "querido líder"*a mesma branca paixão tecnológica. E branca com a mesma conotação que dá ao termo Eduardo Lourenço a propósito da sexualidade de Fernando Pessoa. Nada de confusões.

*«Uma das características deste Governo é um grande deslumbramento tecnológico que tem muito a ver com o primeiro-ministro, um típico tecnocrata, mais autodidacta do que com uma formação profissional sólida, e que por isso "gosta" de gadgets e não sabe viver sem eles. Mais: está convencido de que são os gadgets que mudam as pessoas, numa visão tecnocrática típica, sem perceber que o modo como as pessoas os usam pode ou não ser vantajoso conforme as literacias prévias que possuam.» (José Pacheco Pereira, Público)

DIA DO POVO


Hoje é dia de encherem a cabeça dos incréus com o "derby". E de me encherem as ruas, à volta de casa, de idiotas. Como dizia a caricatura do dr. Jorge Coelho na "contra-informação", é preciso dar ao povo o que o povo gosta. Depois eu é que sou "salazarista".

DIA DO POVO


Hoje é dia de encherem a cabeça dos incréus com o "derby". E de me encherem as ruas, à volta de casa, de idiotas. Como dizia a caricatura do dr. Jorge Coelho na "contra-informação", é preciso dar ao povo o que o povo gosta. Depois eu é que sou "salazarista".

26.9.08

HARRY POTTER DE MAGALHÃES



O "Magalhães" é posto à venda à meia-noite. A mesma "técnica" usada com os livros do Harry Potter. Chávez vem cá comprar alguns. Corresponde, no Portugal dos pequeninos de José Sócrates, ao mecanismo de infantilização denunciado ainda na década de 80 por Alain Finkielkraut. «Face ao resto do mundo, o povo jovem não defendia apenas gostos e valores especí­ficos. Mobilizava igualmente, diz-nos o seu grande turiferário [Paul Yonnet, em "L' esthétique rock"] "outras zonas cerebrais para além das da expressão linguística. Conflito de gerações, mas também conflito de hemisférios diferenciados do cérebro (o reconhecimento não verbal contra a verbalização), hemisférios durante muito tempo cegos, neste caso um para o outro". A batalha foi dura, mas o que chamamos hoje comunicação, atesta-o: o hemisfério não verbal acabou por vencê-la, o clip triunfou sobre a conversa, a sociedade "tornou-se por fim adolescente"(....) ela encontrou (...) o seu hino internacional: we are the world, we are the children. Nós somos o mundo, nós somos as crianças.»

HARRY POTTER DE MAGALHÃES



O "Magalhães" é posto à venda à meia-noite. A mesma "técnica" usada com os livros do Harry Potter. Chávez vem cá comprar alguns. Corresponde, no Portugal dos pequeninos de José Sócrates, ao mecanismo de infantilização denunciado ainda na década de 80 por Alain Finkielkraut. «Face ao resto do mundo, o povo jovem não defendia apenas gostos e valores especí­ficos. Mobilizava igualmente, diz-nos o seu grande turiferário [Paul Yonnet, em "L' esthétique rock"] "outras zonas cerebrais para além das da expressão linguística. Conflito de gerações, mas também conflito de hemisférios diferenciados do cérebro (o reconhecimento não verbal contra a verbalização), hemisférios durante muito tempo cegos, neste caso um para o outro". A batalha foi dura, mas o que chamamos hoje comunicação, atesta-o: o hemisfério não verbal acabou por vencê-la, o clip triunfou sobre a conversa, a sociedade "tornou-se por fim adolescente"(....) ela encontrou (...) o seu hino internacional: we are the world, we are the children. Nós somos o mundo, nós somos as crianças.»

VIVER NAS NUVENS


«A crise não é "o fim do mundo como o conhecemos". Mas causou estragos e, provavelmente, causará mais. Não justifica a complacência da direita, nem o entusiasmo da esquerda. Obama e McCain pararam a campanha para procurar uma posição comum. Em Portugal, esta quarta-feira, no debate da Assembleia da República, o eng. Sócrates não achou necessário explicar os riscos que o país corre e que medidas se tomaram (ou não tomaram) para os diminuir ou eliminar. A Assembleia discutiu a criminalidade e, à saída, o eng. Sócrates lamentou brevemente a falta de "supervisão dos mercados" e falou no horrível pecado da "ganância". O PSD e o PP não disseram nada. Vivemos nas nuvens.»

Vasco Pulido Valente, Público

VIVER NAS NUVENS


«A crise não é "o fim do mundo como o conhecemos". Mas causou estragos e, provavelmente, causará mais. Não justifica a complacência da direita, nem o entusiasmo da esquerda. Obama e McCain pararam a campanha para procurar uma posição comum. Em Portugal, esta quarta-feira, no debate da Assembleia da República, o eng. Sócrates não achou necessário explicar os riscos que o país corre e que medidas se tomaram (ou não tomaram) para os diminuir ou eliminar. A Assembleia discutiu a criminalidade e, à saída, o eng. Sócrates lamentou brevemente a falta de "supervisão dos mercados" e falou no horrível pecado da "ganância". O PSD e o PP não disseram nada. Vivemos nas nuvens.»

Vasco Pulido Valente, Público

PERESTRELLO, O BETO BÁSICO

O tal Perestrello "insurgiu-se" com Manuela Ferreira Leite por esta ter criticado o opulência do espectáculo do último fim de semana propiciado pelo PS em Guimarães. Segundo esta figurinha de manequim da Rua dos Fanqueiros e responsável pela "organização" da seita, Ferreira Leite terá uma "obsessão" com o PS. Estes "socráticos" mais "socráticos" do que o próprio Sócrates são os mais perigosos até porque normalmente são os mais subservientes, mesmo quando não precisam como é o caso deste betinho. E defendem-se (de quê?) atirando o seu absolutismo maioritário para cima dos outros, sem qualquer tipo de preocupação pelo "jogo comunicacional" típico da democracia de que eles se arrogam os exclusivos representantes. Para além de ordinário - Ferreira Leite sempre é uma senhora -, o betinho é mais básico que o mais brejeiro militante anónimo de base. Como não lhe faltam amigos "iluminados" e "cultos", ao menos que estes lhe expliquem qualquer coisa.

PERESTRELLO, O BETO BÁSICO

O tal Perestrello "insurgiu-se" com Manuela Ferreira Leite por esta ter criticado o opulência do espectáculo do último fim de semana propiciado pelo PS em Guimarães. Segundo esta figurinha de manequim da Rua dos Fanqueiros e responsável pela "organização" da seita, Ferreira Leite terá uma "obsessão" com o PS. Estes "socráticos" mais "socráticos" do que o próprio Sócrates são os mais perigosos até porque normalmente são os mais subservientes, mesmo quando não precisam como é o caso deste betinho. E defendem-se (de quê?) atirando o seu absolutismo maioritário para cima dos outros, sem qualquer tipo de preocupação pelo "jogo comunicacional" típico da democracia de que eles se arrogam os exclusivos representantes. Para além de ordinário - Ferreira Leite sempre é uma senhora -, o betinho é mais básico que o mais brejeiro militante anónimo de base. Como não lhe faltam amigos "iluminados" e "cultos", ao menos que estes lhe expliquem qualquer coisa.

VÁ CONTAR CASINHAS

O detestável Marcos Perestrello, o nóvel aparatchik do PS, também "comenta" na televisão, na RTP. Não sabia. Apanhei-o a atacar o Chefe de Estado com um sorriso banana nos lábios. Por que é que ele não vai para a sua CML, onde é vice-presidente de Costa, contar casinhas?

VÁ CONTAR CASINHAS

O detestável Marcos Perestrello, o nóvel aparatchik do PS, também "comenta" na televisão, na RTP. Não sabia. Apanhei-o a atacar o Chefe de Estado com um sorriso banana nos lábios. Por que é que ele não vai para a sua CML, onde é vice-presidente de Costa, contar casinhas?

25.9.08

DO SÉCULO AINDA BEM PEQUENO

DO SÉCULO AINDA BEM PEQUENO

DISSIMULAÇÃO


O Parlamento aprovou, de novo por unanimidade, um novo estatuto para os Açores. E a unanimidade "deixou" passar um artigo que é inconstitucional. A seguir à votação vieram umas "Madalenas arrependidas" mencionar a ocorrência: Mota Amaral, Paulo Rangel, o sr. Melo do CDS e António Filipe do PC. Não se percebe, contudo, por que é que estas almas votaram a favor. Pelo PS falou o sr. Ricardo Rodrigues que se congratulou (ele pouco mais sabe fazer) e pelo BE apareceu o sr. Fazenda que em todo este processo nunca escondeu a acrimónia contra Cavaco, fazendo a "interpretação autêntica" do sentido da votação. Ou seja, eles sabem que nós sabemos que eles sabem que aprovaram legislação inconstitucional, mesmo que um senhor professor catedrático da FDL - de seu nome Novais e que foi assalariado jurídico de Jorge Sampaio em Belém - siga mais ou menos a cartilha do sr. Fazenda ao apelidar de "ridículas" as questões colocadas pelo Chefe de Estado. Dito isto, esta unanimidade não honra o Parlamento porque configura um acto dissimulado, já que foi imediatamente desmentida a sua "autenticidade" em prosas avulsas. Ou seja, houve votos que corresponderam àquilo a que, no direito, se apelida de declarações não sérias. Alguém quer festa.

DISSIMULAÇÃO


O Parlamento aprovou, de novo por unanimidade, um novo estatuto para os Açores. E a unanimidade "deixou" passar um artigo que é inconstitucional. A seguir à votação vieram umas "Madalenas arrependidas" mencionar a ocorrência: Mota Amaral, Paulo Rangel, o sr. Melo do CDS e António Filipe do PC. Não se percebe, contudo, por que é que estas almas votaram a favor. Pelo PS falou o sr. Ricardo Rodrigues que se congratulou (ele pouco mais sabe fazer) e pelo BE apareceu o sr. Fazenda que em todo este processo nunca escondeu a acrimónia contra Cavaco, fazendo a "interpretação autêntica" do sentido da votação. Ou seja, eles sabem que nós sabemos que eles sabem que aprovaram legislação inconstitucional, mesmo que um senhor professor catedrático da FDL - de seu nome Novais e que foi assalariado jurídico de Jorge Sampaio em Belém - siga mais ou menos a cartilha do sr. Fazenda ao apelidar de "ridículas" as questões colocadas pelo Chefe de Estado. Dito isto, esta unanimidade não honra o Parlamento porque configura um acto dissimulado, já que foi imediatamente desmentida a sua "autenticidade" em prosas avulsas. Ou seja, houve votos que corresponderam àquilo a que, no direito, se apelida de declarações não sérias. Alguém quer festa.

AFINAL AINDA HAVIA OUTRA

Ana Sara Brito, a emblemática "Joana D'Arc" de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e actual vereadora de Costa em Lisboa, também tinha a sua casinha municipal*. Antes de Costa, Brito já tinha passado por Sampaio com o "pelouro" da habitação social. Santana Lopes está cada vez mais próximo de voltar ser candidato e, quem sabe, do resto. Deus não dorme.

*excelente trabalho de investigação jornalística de Francisco Almeida Leite no Diário de Notícias.


AFINAL AINDA HAVIA OUTRA

Ana Sara Brito, a emblemática "Joana D'Arc" de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e actual vereadora de Costa em Lisboa, também tinha a sua casinha municipal*. Antes de Costa, Brito já tinha passado por Sampaio com o "pelouro" da habitação social. Santana Lopes está cada vez mais próximo de voltar ser candidato e, quem sabe, do resto. Deus não dorme.

*excelente trabalho de investigação jornalística de Francisco Almeida Leite no Diário de Notícias.


O FIEL JARDINEIRO


O Correio da Manhã faz capa com a indústria farmacêutica e com uma "história" típica. Parece que infelizmente todos, ou quase todos, precisamos de remédios. Ainda outro dia "revelaram", como se isso fosse novidade, que o aumento da compra de anti-depressivos não pára de crescer. A infelicidade também não. Sucede que a felicidade dos pequenos e grandes impérios farmacêuticos varia precisamente na razão inversa à dos respectivos consumidores. Perto da minha casa existe uma farmácia idêntica a uma loja "extra". Está aberta todos os dias até à meia-noite. Tenho observado o seu crescimento e a alegria dos seus jovens proprietários. Talvez mais do que ser cangalheiro - agora "multinacionalizados" - valerá mais a pena ser farmacêutico. Entre nós, existe um organismo oficial, o Infarmed (que supostamente "controla" esse mercado) e a Apifarma que reúne os laboratórios privados e que se encarrega do "lobbying" do "emporio". O CM conta-nos que esta última colocou recentemente como seu director executivo um antigo presidente do Infarmed, o dr. Rui Ivo. Com uma licença sem vencimento concedida pela actual direcção um mês depois de ele estar na Apifarma (ou seja, ainda ligado ao Infarmed), Ivo passou para o outro lado do espelho com a tranquilidade promíscua da gente que costuma servir (e servir-se) do regime. Não será completamente ilegal mas é seguramente pouco ético. Ivo não deixa de ser - é essa a sua carreira originária - um funcionário público, isto é, alguém que jurou defender "com lealdade" o interesse público, um velho conceito em vias de extinção. O livro definitivo sobre os meandros da indústria farmacêutica continua a ser O Fiel Jardineiro de John Le Carré. Brutal e simultaneamente encantadora, a escrita de Le Carré resume o fundamental. É óbvio que o livro retrata um caso levado ao paroxismo pelo "mercado" farmacêutico e da investigação medicamentosa. Por aqui, mais modestos e mais "chicos-espertos", é sempre um problema de lugares, de influência e de, obviamente, dinheiro. Contudo - e a "história" de Rui Ivo só o confirma - permanecem actuais estas palavras de José Pacheco Pereira de há uns meses atrás: «Se há lobby em Portugal, com grande presença na Assembleia e nos partidos, é o das farmácias e da indústria de medicamentos. Se se quiser estudar os lobbies e o poder político em Portugal este é dos mais activos e dos mais antigos.» Haverá, porém, alguém interessado em "estudar" alguma coisa que incomode o discreto fluir da complacência geral que tomou conta deste Portugal de pequeninos?

O FIEL JARDINEIRO


O Correio da Manhã faz capa com a indústria farmacêutica e com uma "história" típica. Parece que infelizmente todos, ou quase todos, precisamos de remédios. Ainda outro dia "revelaram", como se isso fosse novidade, que o aumento da compra de anti-depressivos não pára de crescer. A infelicidade também não. Sucede que a felicidade dos pequenos e grandes impérios farmacêuticos varia precisamente na razão inversa à dos respectivos consumidores. Perto da minha casa existe uma farmácia idêntica a uma loja "extra". Está aberta todos os dias até à meia-noite. Tenho observado o seu crescimento e a alegria dos seus jovens proprietários. Talvez mais do que ser cangalheiro - agora "multinacionalizados" - valerá mais a pena ser farmacêutico. Entre nós, existe um organismo oficial, o Infarmed (que supostamente "controla" esse mercado) e a Apifarma que reúne os laboratórios privados e que se encarrega do "lobbying" do "emporio". O CM conta-nos que esta última colocou recentemente como seu director executivo um antigo presidente do Infarmed, o dr. Rui Ivo. Com uma licença sem vencimento concedida pela actual direcção um mês depois de ele estar na Apifarma (ou seja, ainda ligado ao Infarmed), Ivo passou para o outro lado do espelho com a tranquilidade promíscua da gente que costuma servir (e servir-se) do regime. Não será completamente ilegal mas é seguramente pouco ético. Ivo não deixa de ser - é essa a sua carreira originária - um funcionário público, isto é, alguém que jurou defender "com lealdade" o interesse público, um velho conceito em vias de extinção. O livro definitivo sobre os meandros da indústria farmacêutica continua a ser O Fiel Jardineiro de John Le Carré. Brutal e simultaneamente encantadora, a escrita de Le Carré resume o fundamental. É óbvio que o livro retrata um caso levado ao paroxismo pelo "mercado" farmacêutico e da investigação medicamentosa. Por aqui, mais modestos e mais "chicos-espertos", é sempre um problema de lugares, de influência e de, obviamente, dinheiro. Contudo - e a "história" de Rui Ivo só o confirma - permanecem actuais estas palavras de José Pacheco Pereira de há uns meses atrás: «Se há lobby em Portugal, com grande presença na Assembleia e nos partidos, é o das farmácias e da indústria de medicamentos. Se se quiser estudar os lobbies e o poder político em Portugal este é dos mais activos e dos mais antigos.» Haverá, porém, alguém interessado em "estudar" alguma coisa que incomode o discreto fluir da complacência geral que tomou conta deste Portugal de pequeninos?

NOTÍCIAS DO "BLOQUEIO"

«O facto de o Expresso só ter tido acesso ao dossier [sobre o processo de licenciatura do eng. Sócrates] meses depois de a Comissão de Acesso aos Dados Administrativos ter ordenado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social para divulgar o conteúdo do "processo Sócrates", levando uma especialista em Direito da Comunicação Social a afirmar que a entidade criada para assegurar "o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa" agiu, neste caso, "como instrumento de impedimento da liberdade de informar e de ser informado" é a gota de água num processo que desacredita, de forma irremediável, a qualidade da nossa democracia. E quando um dos conselheiros, favorável à audição do primeiro-ministro, garante que foi alvo de "insultos, ameaças e intimidações" nas reuniões da ERC, só nos ocorre perguntar como é que tudo isto se tornou possível.»

Constança Cunha e Sá, Público


«Os alunos não têm que passar mais tempo nas aulas: basta diminuir a carga, de resto muito ideológica, das áreas curriculares não-disciplinares. A disciplina de Português não tem que ensinar tolerância e multiculturalismo, mas gramática e ortografia. A disciplina de Matemática não tem que ensinar a respeitar a opinião dos outros, mas que 1+1=2 (independentemente das opiniões). Só uma escola onde se ensina que 1+1=2 pode ensinar o respeito pelos outros. Porque respeita o conhecimento, respeita os alunos, respeita as famílias e respeita os contribuintes que a pagam.»

Pedro Picoito, Público

NOTÍCIAS DO "BLOQUEIO"

«O facto de o Expresso só ter tido acesso ao dossier [sobre o processo de licenciatura do eng. Sócrates] meses depois de a Comissão de Acesso aos Dados Administrativos ter ordenado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social para divulgar o conteúdo do "processo Sócrates", levando uma especialista em Direito da Comunicação Social a afirmar que a entidade criada para assegurar "o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa" agiu, neste caso, "como instrumento de impedimento da liberdade de informar e de ser informado" é a gota de água num processo que desacredita, de forma irremediável, a qualidade da nossa democracia. E quando um dos conselheiros, favorável à audição do primeiro-ministro, garante que foi alvo de "insultos, ameaças e intimidações" nas reuniões da ERC, só nos ocorre perguntar como é que tudo isto se tornou possível.»

Constança Cunha e Sá, Público


«Os alunos não têm que passar mais tempo nas aulas: basta diminuir a carga, de resto muito ideológica, das áreas curriculares não-disciplinares. A disciplina de Português não tem que ensinar tolerância e multiculturalismo, mas gramática e ortografia. A disciplina de Matemática não tem que ensinar a respeitar a opinião dos outros, mas que 1+1=2 (independentemente das opiniões). Só uma escola onde se ensina que 1+1=2 pode ensinar o respeito pelos outros. Porque respeita o conhecimento, respeita os alunos, respeita as famílias e respeita os contribuintes que a pagam.»

Pedro Picoito, Público

NÃO FICA NADA



Estou sempre a voltar ao São Carlos pelas piores razões. À beira de iniciar a temporada lírica com uma "herança" de Pinamonti - a segunda "jornada" de O Anel do Nibelungo, Siegfried, encenada por Graham Vick -, a direcção do Teatro tratou com os pés o maestro do coro, o italiano Giovanni Andreoli, que recusou o contrato de trabalho por seis meses proposto pela OPART e pelo director artístico Christoph Dammann, "heranças" de Mário Vieira de Carvalho. «Eu fiquei a conhecer a temporada deste ano pelos maquinistas do teatro. Eu, maestro do coro, não conhecia a programação», disse Andreoli ao Público. Dammann é objectivamente (já deu para ver) um mau director artístico do nosso único teatro lírico. E a OPART é uma péssima "solução" de gestão. O Augusto M. Seabra, aliás, explicou isto perfeitamente. Embora não haja praticamente ministro da Cultura desde Julho de 2000, conviria a José António Pinto Ribeiro colocar um termo a estas aberrações que acabam por custar muito dinheiro aos contribuintes, a maioria dos quais nunca pôs os pés em São Carlos e nem sequer sonha como é que aquilo "funciona". Tudo somado, este mandato da "esquerda moderna" em maioria absoluta é irrecomendável em matéria de cultura. O pouco que "mudou", mudou para pior. Não houve nada. Não fica nada.

NÃO FICA NADA



Estou sempre a voltar ao São Carlos pelas piores razões. À beira de iniciar a temporada lírica com uma "herança" de Pinamonti - a segunda "jornada" de O Anel do Nibelungo, Siegfried, encenada por Graham Vick -, a direcção do Teatro tratou com os pés o maestro do coro, o italiano Giovanni Andreoli, que recusou o contrato de trabalho por seis meses proposto pela OPART e pelo director artístico Christoph Dammann, "heranças" de Mário Vieira de Carvalho. «Eu fiquei a conhecer a temporada deste ano pelos maquinistas do teatro. Eu, maestro do coro, não conhecia a programação», disse Andreoli ao Público. Dammann é objectivamente (já deu para ver) um mau director artístico do nosso único teatro lírico. E a OPART é uma péssima "solução" de gestão. O Augusto M. Seabra, aliás, explicou isto perfeitamente. Embora não haja praticamente ministro da Cultura desde Julho de 2000, conviria a José António Pinto Ribeiro colocar um termo a estas aberrações que acabam por custar muito dinheiro aos contribuintes, a maioria dos quais nunca pôs os pés em São Carlos e nem sequer sonha como é que aquilo "funciona". Tudo somado, este mandato da "esquerda moderna" em maioria absoluta é irrecomendável em matéria de cultura. O pouco que "mudou", mudou para pior. Não houve nada. Não fica nada.

24.9.08

PARA JÁ


Percebo o Filipe Nunes Vicente. E, eventualmente, o ex-membro do Tribunal Constitucional e actual vice-presidente do PSD, Paulo Mota Pinto. Na primeira qualidade. Todavia, não vale a pena persistir em bater no ceguinho. Casamentos entre same sexers - e o projecto do BE em cima da mesa, que aparentemente ninguém leu, quase qualifica o dito "casamento" como um encontro duradouro entre amigos - não interessa um átomo ao país "real". Um referendo sobre o tema, mesmo possibilitando um "debate" (entre os poucos mesmos, naturalmente) acerca da "família", seria seguramente uma humilhação nacional pela indiferença. Uma sociedade que está "à rasca" tem mais com que se preocupar do que "discutir" um assunto que nem sequer deve dizer respeito (e com o devido respeito) à totalidade dos dez ou onze por cento da praxe estatística de same sexers. Foi, aliás, o melhor momento de Sócrates na sua estreia no "parlamento dos pequeninos". Ter dito por uma vez ao país que, pelo menos neste assunto, o governo e o PS têm mais que fazer. Para já.

PARA JÁ


Percebo o Filipe Nunes Vicente. E, eventualmente, o ex-membro do Tribunal Constitucional e actual vice-presidente do PSD, Paulo Mota Pinto. Na primeira qualidade. Todavia, não vale a pena persistir em bater no ceguinho. Casamentos entre same sexers - e o projecto do BE em cima da mesa, que aparentemente ninguém leu, quase qualifica o dito "casamento" como um encontro duradouro entre amigos - não interessa um átomo ao país "real". Um referendo sobre o tema, mesmo possibilitando um "debate" (entre os poucos mesmos, naturalmente) acerca da "família", seria seguramente uma humilhação nacional pela indiferença. Uma sociedade que está "à rasca" tem mais com que se preocupar do que "discutir" um assunto que nem sequer deve dizer respeito (e com o devido respeito) à totalidade dos dez ou onze por cento da praxe estatística de same sexers. Foi, aliás, o melhor momento de Sócrates na sua estreia no "parlamento dos pequeninos". Ter dito por uma vez ao país que, pelo menos neste assunto, o governo e o PS têm mais que fazer. Para já.

TELEVISÕES PORTUGUESAS

A absoluta falta de respeito pelos espectadores por parte das televisões generalistas traduz-se em coisas como esta. Sensivelmente entre o minuto quinze e o minuto dezoito, ou sejam quase em simultâneo, a RTP, a SIC e a TVI "foram" para intervalo dos respectivos telejornais da noite. E cada uma com o "alinhamento" mais inverosímil (a RTP começa com o casório gay, a SIC com porrada de ontem em Alhos Vedros e a TVI com uma "acção" policial na Amadora filmada a partir de uma janela indiscreta por "amador"). É o que há. É o que merecemos.

TELEVISÕES PORTUGUESAS

A absoluta falta de respeito pelos espectadores por parte das televisões generalistas traduz-se em coisas como esta. Sensivelmente entre o minuto quinze e o minuto dezoito, ou sejam quase em simultâneo, a RTP, a SIC e a TVI "foram" para intervalo dos respectivos telejornais da noite. E cada uma com o "alinhamento" mais inverosímil (a RTP começa com o casório gay, a SIC com porrada de ontem em Alhos Vedros e a TVI com uma "acção" policial na Amadora filmada a partir de uma janela indiscreta por "amador"). É o que há. É o que merecemos.

O REGULADOR NO SEU TRAPÉZIO

A avaliar por isto, o presidente da ERC podia perfeitamente ser director artístico do circo Cardinali que ia dar ao mesmo. Aliás, a "posição" da ERC divulgada há dias bem lá dentro do primeiro caderno do Expresso, revela a valia da dita ERC.

O REGULADOR NO SEU TRAPÉZIO

A avaliar por isto, o presidente da ERC podia perfeitamente ser director artístico do circo Cardinali que ia dar ao mesmo. Aliás, a "posição" da ERC divulgada há dias bem lá dentro do primeiro caderno do Expresso, revela a valia da dita ERC.

AGORA

A propósito de tanta coisa de agora, de tanta gente de agora, verifico que Vergílio Ferreira (ando a revê-lo) tem razão. «A imbecilidade é a inferioridade humana mais razoavelmente partilhada.»

AGORA

A propósito de tanta coisa de agora, de tanta gente de agora, verifico que Vergílio Ferreira (ando a revê-lo) tem razão. «A imbecilidade é a inferioridade humana mais razoavelmente partilhada.»

RARA


Não sou especialista mas parece-me que Leonor Beleza está fazer um excelente trabalho na Fundação Champalimaud. Beleza é a minha eternamente desejada presidente do PSD. É um dos poucos talentos políticos que o "25 de Abril" permitiu evidenciar. Por isso a sua honra foi, anos a fio, lançada às feras pelos "escrutinadores" do regime. Aqueles que, dos partidos aos jornais e às televisões, decidem quem é que pode e deve ficar. Há mais de vinte anos que admiro a sua coragem, a sua inteligência e a sua capacidade de enfrentar o "correcto". Lamento que esteja ausente da vida política da mesma forma que verbero o afastamento progressivo de outras figuras, independentemente das respectivas orientações partidárias, o que deu lugar aos piores arrivismos, às mais infelizes reprises e às mais medíocres "novidades". Leonor Beleza faz bem qualquer coisa e está a fazer bem o que está a fazer agora. Vale sempre a pena esperar por ela.

RARA


Não sou especialista mas parece-me que Leonor Beleza está fazer um excelente trabalho na Fundação Champalimaud. Beleza é a minha eternamente desejada presidente do PSD. É um dos poucos talentos políticos que o "25 de Abril" permitiu evidenciar. Por isso a sua honra foi, anos a fio, lançada às feras pelos "escrutinadores" do regime. Aqueles que, dos partidos aos jornais e às televisões, decidem quem é que pode e deve ficar. Há mais de vinte anos que admiro a sua coragem, a sua inteligência e a sua capacidade de enfrentar o "correcto". Lamento que esteja ausente da vida política da mesma forma que verbero o afastamento progressivo de outras figuras, independentemente das respectivas orientações partidárias, o que deu lugar aos piores arrivismos, às mais infelizes reprises e às mais medíocres "novidades". Leonor Beleza faz bem qualquer coisa e está a fazer bem o que está a fazer agora. Vale sempre a pena esperar por ela.

23.9.08

KAIROS


A Blair - como a Sócrates - sorriu o kairos (καιρος, no original). A Gordon Brown, não. É a vida.

KAIROS


A Blair - como a Sócrates - sorriu o kairos (καιρος, no original). A Gordon Brown, não. É a vida.

GRANDE "MAGALHÃES"

O "Magalhães" vai dar pano para mangas. Já vamos na segunda leva. Primeiro, houve aquele anúncio de um "produto nacional" que, afinal, de "nacional" tem apenas um terço. Depois - aconteceu hoje - o governo deslocou-se em bando a escolas, cheio do "Magalhães" e de "controlo parental". Este neologismo quer dizer que é suposto os paizinhos atentarem naquilo a que os meninos têm acesso através do bicho. A SIC experimentou três e foi parar a sítios de "gatas maravilhosas". Veio logo um "especialista" explicar nada. O "Magalhães", por consequência, promete não apenas "info-ligados" (um belo termo da lavra do 1º ministro) mas igualmente "adiantados sexuais". Finalmente, o "Magalhães" terá o seu apogeu quando, dentro de dias, Chávez vier cá comprá-lo, com ou sem as "gatas maravilhosas". Grande "Magalhães".

GRANDE "MAGALHÃES"

O "Magalhães" vai dar pano para mangas. Já vamos na segunda leva. Primeiro, houve aquele anúncio de um "produto nacional" que, afinal, de "nacional" tem apenas um terço. Depois - aconteceu hoje - o governo deslocou-se em bando a escolas, cheio do "Magalhães" e de "controlo parental". Este neologismo quer dizer que é suposto os paizinhos atentarem naquilo a que os meninos têm acesso através do bicho. A SIC experimentou três e foi parar a sítios de "gatas maravilhosas". Veio logo um "especialista" explicar nada. O "Magalhães", por consequência, promete não apenas "info-ligados" (um belo termo da lavra do 1º ministro) mas igualmente "adiantados sexuais". Finalmente, o "Magalhães" terá o seu apogeu quando, dentro de dias, Chávez vier cá comprá-lo, com ou sem as "gatas maravilhosas". Grande "Magalhães".

TAMBÉM EU

«Em dias de política-espectáculo, vejo o general Ramalho Eanes e a mulher e sinto-me um bocadinho envergonhada. Nem sei bem explicar porquê.»

Cristina Ferreira de Almeida, Corta-Fitas

TAMBÉM EU

«Em dias de política-espectáculo, vejo o general Ramalho Eanes e a mulher e sinto-me um bocadinho envergonhada. Nem sei bem explicar porquê.»

Cristina Ferreira de Almeida, Corta-Fitas

AFINAL HAVIA A OUTRA


«O meu filho foi crescendo e está lá à luz do que é permitido». Esta frase singular da actual chefe de gabinete do sr. Marcos Perestrello, uma estrela ascendente no firmamento "socrático", e vice-presidente da Câmara de Lisboa do dr. Costa, resume o fundamental da questão das casinhas. Antes disso a senhora tinha presidido à Gebalis (presumivelmente com João Soares), justamente a "empresa municipal" dedicada à gestão "habitacional" de carácter "social". O "fio" desta história não vai ser agradável de desfiar. Lopes da Costa, aliás, desde que foi "popularizada" como a "má da fita", não se tem poupado a desfiá-lo. Não sei porquê, mas Santana Lopes, pelo andar da carruagem, ainda vai sair disto "por cima".

AFINAL HAVIA A OUTRA


«O meu filho foi crescendo e está lá à luz do que é permitido». Esta frase singular da actual chefe de gabinete do sr. Marcos Perestrello, uma estrela ascendente no firmamento "socrático", e vice-presidente da Câmara de Lisboa do dr. Costa, resume o fundamental da questão das casinhas. Antes disso a senhora tinha presidido à Gebalis (presumivelmente com João Soares), justamente a "empresa municipal" dedicada à gestão "habitacional" de carácter "social". O "fio" desta história não vai ser agradável de desfiar. Lopes da Costa, aliás, desde que foi "popularizada" como a "má da fita", não se tem poupado a desfiá-lo. Não sei porquê, mas Santana Lopes, pelo andar da carruagem, ainda vai sair disto "por cima".

BOM SOARES

Este artigo do dr. Mário Soares vale a pena ler até ele se meter com Sarah Palin e omitir Guterres e Sócrates do rol daqueles que contribuíram para "desacreditar" a "esquerda reformista". É porventura neste último que ele pensa quando escreve o terceiro parágrafo do artigo mas ainda não chegou a hora de o chamar pelo nome. De resto, está muito bem.

BOM SOARES

Este artigo do dr. Mário Soares vale a pena ler até ele se meter com Sarah Palin e omitir Guterres e Sócrates do rol daqueles que contribuíram para "desacreditar" a "esquerda reformista". É porventura neste último que ele pensa quando escreve o terceiro parágrafo do artigo mas ainda não chegou a hora de o chamar pelo nome. De resto, está muito bem.

22.9.08

O GRANDE MISTIFICADOR



Passa hoje o aniversário da estreia de O Ouro do Reno (Das Rheingold), o prólogo da tetralogia wagneriana O Anel do Nibelungo (Der Ring des Nibelungen), em Munique. O "clip" pertence à versão de Herbert von Karajan* e representa a descida dos deuses ao "Niebelheim", um subterrâneo infernal onde Alberich e os seus anões trabalham o ouro cuja posse confere poder sobre todo o mundo. Alberich furtara o ouro depois de enganar as ninfas encarregadas da sua preservação em nome do amor. Alberich não queria saber do amor para nada. Queria só o poder. Wotan e Loge encontram Mime, irmão de Alberich, que lhes dá conta da infelicidade do "Niebelheim" sob a liderança de Alberich. Este obrigou o irmão a forjar um elmo mágico, o "Tarnhelm", que lhe permite transformar-se no que quiser. Alberich tenta impressionar os deuses tornando-se invisível. Loge desafia então Alberich a demonstrar a magia do "Tarnhelm" e Alberich transforma-se num dragão. O deus finge-se impressionado e pede-lhe que se transforme, não já num ser imenso, mas numa pequena criatura, dando a entender que, dessa forma, será mais fácil furtar-se aos perigos. Alberich, armado em esperto, "vira" sapo e é imediatamente capturado pelos deuses e levado ao mundo onde todos, a começar pelos deuses, se irão perder até ao derradeiro capítulo do Anel, O Crepúsculo dos Deuses. Alberich é uma excelente metáfora musical do trajecto de muitos políticos contemporâneos. Como eles, é um grande mistificador, fútil, ambicioso e soberbo, que acaba mal.

* Berliner Philharmoniker, Thomas Stewart (Wotan), Peter Schreier (Loge), Zoltan Kelemen (Alberich), Gerhard Stolze (Mime)

O GRANDE MISTIFICADOR



Passa hoje o aniversário da estreia de O Ouro do Reno (Das Rheingold), o prólogo da tetralogia wagneriana O Anel do Nibelungo (Der Ring des Nibelungen), em Munique. O "clip" pertence à versão de Herbert von Karajan* e representa a descida dos deuses ao "Niebelheim", um subterrâneo infernal onde Alberich e os seus anões trabalham o ouro cuja posse confere poder sobre todo o mundo. Alberich furtara o ouro depois de enganar as ninfas encarregadas da sua preservação em nome do amor. Alberich não queria saber do amor para nada. Queria só o poder. Wotan e Loge encontram Mime, irmão de Alberich, que lhes dá conta da infelicidade do "Niebelheim" sob a liderança de Alberich. Este obrigou o irmão a forjar um elmo mágico, o "Tarnhelm", que lhe permite transformar-se no que quiser. Alberich tenta impressionar os deuses tornando-se invisível. Loge desafia então Alberich a demonstrar a magia do "Tarnhelm" e Alberich transforma-se num dragão. O deus finge-se impressionado e pede-lhe que se transforme, não já num ser imenso, mas numa pequena criatura, dando a entender que, dessa forma, será mais fácil furtar-se aos perigos. Alberich, armado em esperto, "vira" sapo e é imediatamente capturado pelos deuses e levado ao mundo onde todos, a começar pelos deuses, se irão perder até ao derradeiro capítulo do Anel, O Crepúsculo dos Deuses. Alberich é uma excelente metáfora musical do trajecto de muitos políticos contemporâneos. Como eles, é um grande mistificador, fútil, ambicioso e soberbo, que acaba mal.

* Berliner Philharmoniker, Thomas Stewart (Wotan), Peter Schreier (Loge), Zoltan Kelemen (Alberich), Gerhard Stolze (Mime)

A HONRA DA FIRMA

Ninguém presta atenção a coisas como esta ou esta. O país que conta - "giro", "leve","descontraído" e "liberal" - está entretido com os "combates" entre a JS e o bardo Alegre, a alegria de Sócrates, o silêncio de Ferreira Leite, a bola, as tertúlias televisivas dos do costume ou, mais recentemente, escandalizado com a honradez de Eanes, um pormenor que não vem nos "manuais de serviço" desse país que conta. Gastam resmas de papel e o teclado dos computadores a defender o "liberalismo" quando, na prática, o "liberalismo" doméstico resume-se a pouco mais do que isto? Andamos a forjar um perigoso país de pacotilha com "democracias" paralelas como na economia. Depois ninguém se queixe.

A HONRA DA FIRMA

Ninguém presta atenção a coisas como esta ou esta. O país que conta - "giro", "leve","descontraído" e "liberal" - está entretido com os "combates" entre a JS e o bardo Alegre, a alegria de Sócrates, o silêncio de Ferreira Leite, a bola, as tertúlias televisivas dos do costume ou, mais recentemente, escandalizado com a honradez de Eanes, um pormenor que não vem nos "manuais de serviço" desse país que conta. Gastam resmas de papel e o teclado dos computadores a defender o "liberalismo" quando, na prática, o "liberalismo" doméstico resume-se a pouco mais do que isto? Andamos a forjar um perigoso país de pacotilha com "democracias" paralelas como na economia. Depois ninguém se queixe.

21.9.08

MUITO OBRIGADO


Aqui já fui apelidado de "salazarista". O Carlos, mais "liberal" (o liberalismo é aborrecido, como afirmava Carl Schmitt), diz que sou, "de longe", "o melhor bloguer que a direita conservadora tem por cá." Numa conversa com Salazar, a dada altura António Ferro fala-lhe em "homens raros" e pergunta-lhe: «não estará o Senhor Presidente nestas condições?» Salazar respondeu apenas: «Muito obrigado.»

MUITO OBRIGADO


Aqui já fui apelidado de "salazarista". O Carlos, mais "liberal" (o liberalismo é aborrecido, como afirmava Carl Schmitt), diz que sou, "de longe", "o melhor bloguer que a direita conservadora tem por cá." Numa conversa com Salazar, a dada altura António Ferro fala-lhe em "homens raros" e pergunta-lhe: «não estará o Senhor Presidente nestas condições?» Salazar respondeu apenas: «Muito obrigado.»

UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA



Isto é o regime em todo o seu esplendor. Helena Lopes da Costa não aceita fazer o papel da orquestra no Titanic. Eu, que nem sequer gosto dela, acho que faz muito bem.

UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA



Isto é o regime em todo o seu esplendor. Helena Lopes da Costa não aceita fazer o papel da orquestra no Titanic. Eu, que nem sequer gosto dela, acho que faz muito bem.

QUESTÕES DE LEITURA

Alguém devia dizer à dra. Ferreira Leite para "se deixar" daqueles bilhetinhos quinzenais inócuos no canto inferior direito do suplemento de economia do Expresso. Um candidato a chefe do governo não deixa prosas pequeninas que ninguém lê num suplemento que ninguém lê.

QUESTÕES DE LEITURA

Alguém devia dizer à dra. Ferreira Leite para "se deixar" daqueles bilhetinhos quinzenais inócuos no canto inferior direito do suplemento de economia do Expresso. Um candidato a chefe do governo não deixa prosas pequeninas que ninguém lê num suplemento que ninguém lê.

LIBERAIS DE SOFÁ


Por causa da crise financeira mundial, os "liberais" apareceram em força. Não há praticamente ninguém que não seja "liberal". Todos nos explicam invariavelmente que o problema não é do capitalismo, essa maravilhosa invenção "libertadora" que domina o mundo de Nova Iorque a Pequim, de Luanda à Cova da Moura. Aliás, não foi o capitalismo que se "estragou". As pessoas, essas gananciosas - no fundo aquilo que devia justificar o liberalismo a sério -, é que o estragaram quando o capitalismo acenou com a cenoura do crédito até para comprar cuecas, e elas a comeram. Mesmo os partidos socialistas são, no essencial, "liberais". Sócrates, por exemplo, não pára de descerrar lápides e de lançar pedras em futuros empreendimentos de origem "capitalista" ou, mesmo, provenientes desse grande denominador comum da economia nacional chamado Angola, um virtuoso "modelo" de liberalismo africano. O aborto, o divórcio, o "cartão único", a gasolina, o dr. Pinho, Luís Delgado, Resendes, Rogeiro, Câncio, Daniel Oliveira, Marques Lopes, Passos Coelho, Chávez ou o sr. César aí estão para provar que somos mais "liberais" que o próprio D. Pedro. Os jornais e as televisões são "liberais". Num dia "enterram" alguém e no dia seguinte já o estão a "levantar". Qualquer media tem os melhores "explicadores liberais" do país à disposição para dizerem hoje o contrário do que disseram a semana passada, etc., etc. E a blogosfera, então, é o verdadeiro "campo de trigo" do liberalismo. Como é que o país não é um oásis de liberdade e de liberalismo, seja a que nível for, quando, do chefe do governo, ao derradeiro comentarista, todos são liberais ? É que, sendo isto um país periférico e pobre, é fácil ser-se "liberal" de sofá. Aliás, a maior parte desta gente é paga pelo Estado - em institutos públicos, universidades e outros organismos "oficiais" - para, entre outras coisas, praticar este original "onanismo liberal". De sofá. O "mercado" - que Sócrates inaugura dia sim dia não - também não é dele, mas ele apresenta-se, sem vergonha, ao lado dos donos do referido "mercado" para criar a ilusão de que a "esquerda moderna" é tão ou mais "liberal" do que os que que se dizem de direita. O "liberalismo" à portuguesa não passa de um exercício intelectual menos sofisticado que o "sodoku". Uns fingem que são liberais - de esquerda, de direita ou de nada - e outros fingem que acreditam. Não entra um átomo de "realidade" na equação destes jogos florais do regime. Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira, como diria o único que nunca se preocupou em se "travestir" de liberal e que se chamava Salazar. O único que nos conhecia.

LIBERAIS DE SOFÁ


Por causa da crise financeira mundial, os "liberais" apareceram em força. Não há praticamente ninguém que não seja "liberal". Todos nos explicam invariavelmente que o problema não é do capitalismo, essa maravilhosa invenção "libertadora" que domina o mundo de Nova Iorque a Pequim, de Luanda à Cova da Moura. Aliás, não foi o capitalismo que se "estragou". As pessoas, essas gananciosas - no fundo aquilo que devia justificar o liberalismo a sério -, é que o estragaram quando o capitalismo acenou com a cenoura do crédito até para comprar cuecas, e elas a comeram. Mesmo os partidos socialistas são, no essencial, "liberais". Sócrates, por exemplo, não pára de descerrar lápides e de lançar pedras em futuros empreendimentos de origem "capitalista" ou, mesmo, provenientes desse grande denominador comum da economia nacional chamado Angola, um virtuoso "modelo" de liberalismo africano. O aborto, o divórcio, o "cartão único", a gasolina, o dr. Pinho, Luís Delgado, Resendes, Rogeiro, Câncio, Daniel Oliveira, Marques Lopes, Passos Coelho, Chávez ou o sr. César aí estão para provar que somos mais "liberais" que o próprio D. Pedro. Os jornais e as televisões são "liberais". Num dia "enterram" alguém e no dia seguinte já o estão a "levantar". Qualquer media tem os melhores "explicadores liberais" do país à disposição para dizerem hoje o contrário do que disseram a semana passada, etc., etc. E a blogosfera, então, é o verdadeiro "campo de trigo" do liberalismo. Como é que o país não é um oásis de liberdade e de liberalismo, seja a que nível for, quando, do chefe do governo, ao derradeiro comentarista, todos são liberais ? É que, sendo isto um país periférico e pobre, é fácil ser-se "liberal" de sofá. Aliás, a maior parte desta gente é paga pelo Estado - em institutos públicos, universidades e outros organismos "oficiais" - para, entre outras coisas, praticar este original "onanismo liberal". De sofá. O "mercado" - que Sócrates inaugura dia sim dia não - também não é dele, mas ele apresenta-se, sem vergonha, ao lado dos donos do referido "mercado" para criar a ilusão de que a "esquerda moderna" é tão ou mais "liberal" do que os que que se dizem de direita. O "liberalismo" à portuguesa não passa de um exercício intelectual menos sofisticado que o "sodoku". Uns fingem que são liberais - de esquerda, de direita ou de nada - e outros fingem que acreditam. Não entra um átomo de "realidade" na equação destes jogos florais do regime. Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira, como diria o único que nunca se preocupou em se "travestir" de liberal e que se chamava Salazar. O único que nos conhecia.