Qual é o problema de Paulo Rangel em concordar com Passos Coelho acerca da substituição do PGR? Só porque Passos tem razão?
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
28.2.10
AS COISAS SÃO O QUE SÃO
Qual é o problema de Paulo Rangel em concordar com Passos Coelho acerca da substituição do PGR? Só porque Passos tem razão?
CHACUN À SON GOÛT?
Se não visse e ouvisse, não acreditava. O Morcego, a opereta de Strauss em cena no São Carlos, resume, na perfeição, a desgraça - ou a maldição - que se abateu sobre o nosso único teatro lírico. Com o devido respeito pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, pelo coro e pela generalidade dos cantores, este Morcego é um escarro. A encenação, em torno de vampiros e matrafonas, é um remake ordinário do "tema" do momento nas livrarias e em telenovelas. Uma valsa passou a declinação rasca do "thriller" de Jackson. Os diálogos em português, particularmente as falas protagonizadas por Maria Rueff, são dignos da pior e mais reles "comédia" de televisão onde o engraçadismo roça o puro atrasadismo mental e a graçola porcalhona. As alusões à vida pública são trocadas por insultos às características físicas dos políticos. Nem Gabriela Canavilhas, a ministra da cultura presente, escapou à vulgaridade baixa de Rueff (estilo pianos a dar à cauda perante a suposta beleza da ministra) e permaneceu no camarote, impávida e serena (como se não tutelasse politicamente aquele lixo todo) a contemplar a canalhice que decorria no palco. Pelo meio apareceu Carlos Guilherme paramentado de "benfiquista" a trautear o hino do clube de futebol. O público - o mais bronco, quase todo agora, que olha para aquilo como se estivesse no circo ou num estádio - ria-se e aplaudia as alarvidades. Outros patearam (como eu) e saíram. O Prof. Jorge Miranda, no intervalo, sugeria que o São Carlos devia fechar. Concordo. Um teatro lírico que anda a fazer de teatro lírico quando não passa de uma co-incineradora da inteligência e da sensibilidade, devia encerrar. Os três ornamentos da direcção portuguesa e o alemão director artístico envergonham a história e os pergaminhos do São Carlos. Fiquei com a ideia, pela sua passividade perante tamanho disparate, que a actual ministra não entende o que se está a passar. O seu aval a este descrédito pago com dinheiro público é inadmissível. Melhor sorte teve o assessor cultural do Chefe do Estado que saiu logo no fim do 1º acto e não teve de ouvir as enormidades que Rueff disse de Cavaco como se estivesse no Maria Vitória ou na retrete. Chacun à son goût?
Clip: Johann Strauss Jr., Die Fledermaus. Royal Opera House Covent Garden, 1984. Doris Soffel, Herman Prey. Direcção de Placido Domingo.
Clip: Johann Strauss Jr., Die Fledermaus. Royal Opera House Covent Garden, 1984. Doris Soffel, Herman Prey. Direcção de Placido Domingo.
CHACUN À SON GOÛT?
Se não visse e ouvisse, não acreditava. O Morcego, a opereta de Strauss em cena no São Carlos, resume, na perfeição, a desgraça - ou a maldição - que se abateu sobre o nosso único teatro lírico. Com o devido respeito pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, pelo coro e pela generalidade dos cantores, este Morcego é um escarro. A encenação, em torno de vampiros e matrafonas, é um remake ordinário do "tema" do momento nas livrarias e em telenovelas. Uma valsa passou a declinação rasca do "thriller" de Jackson. Os diálogos em português, particularmente as falas protagonizadas por Maria Rueff, são dignos da pior e mais reles "comédia" de televisão onde o engraçadismo roça o puro atrasadismo mental e a graçola porcalhona. As alusões à vida pública são trocadas por insultos às características físicas dos políticos. Nem Gabriela Canavilhas, a ministra da cultura presente, escapou à vulgaridade baixa de Rueff (estilo pianos a dar à cauda perante a suposta beleza da ministra) e permaneceu no camarote, impávida e serena (como se não tutelasse politicamente aquele lixo todo) a contemplar a canalhice que decorria no palco. Pelo meio apareceu Carlos Guilherme paramentado de "benfiquista" a trautear o hino do clube de futebol. O público - o mais bronco, quase todo agora, que olha para aquilo como se estivesse no circo ou num estádio - ria-se e aplaudia as alarvidades. Outros patearam (como eu) e saíram. O Prof. Jorge Miranda, no intervalo, sugeria que o São Carlos devia fechar. Concordo. Um teatro lírico que anda a fazer de teatro lírico quando não passa de uma co-incineradora da inteligência e da sensibilidade, devia encerrar. Os três ornamentos da direcção portuguesa e o alemão director artístico envergonham a história e os pergaminhos do São Carlos. Fiquei com a ideia, pela sua passividade perante tamanho disparate, que a actual ministra não entende o que se está a passar. O seu aval a este descrédito pago com dinheiro público é inadmissível. Melhor sorte teve o assessor cultural do Chefe do Estado que saiu logo no fim do 1º acto e não teve de ouvir as enormidades que Rueff disse de Cavaco como se estivesse no Maria Vitória ou na retrete. Chacun à son goût?
Clip: Johann Strauss Jr., Die Fledermaus. Royal Opera House Covent Garden, 1984. Doris Soffel, Herman Prey. Direcção de Placido Domingo.
Clip: Johann Strauss Jr., Die Fledermaus. Royal Opera House Covent Garden, 1984. Doris Soffel, Herman Prey. Direcção de Placido Domingo.
O CURSO DAS COISAS

Pulido Valente, e bem, tem sido desde quase o princípio disto (anos 70 do glorioso pós-Abril), o mais veemente e esclarecido "denunciador" do pior disto. Tem, contra os papagaios e cristãos-novos, a vantagem de saber história. E de, em alguma forma, ter participado dela. Ao lado de Eanes - o presidente da RTP, de 75, e o Presidente da República da "tentação presidencialista" manifestada em discursos que VPV ajudou a escrever - e depois contra Eanes, com Sá Carneiro, em oposição a um vago "eanismo" que Sá Carneiro e Soares não controlavam. Daí para diante, Pulido Valente só se meteu no primeiro MASP e preferiu os livros e as crónicas. A de hoje devia ter terminado duas frases antes. VPV sabe tão bem como eu que só outro regime, justamente o presidencialista, pode devolver um módico de autoridade a esta coisa untuosa em que tornaram (todos) o dito regime. Frases como «é melhor deixar as coisas seguirem o seu curso, de preferência na legalidade», equivalem a preferir um pastelão feito de restos e de batatas doces a um resoluto steak au poivre de carne limpa. De tanto terem seguido o seu curso, as coisas chegaram ao ponto a que chegaram. Já chega.
O CURSO DAS COISAS

Pulido Valente, e bem, tem sido desde quase o princípio disto (anos 70 do glorioso pós-Abril), o mais veemente e esclarecido "denunciador" do pior disto. Tem, contra os papagaios e cristãos-novos, a vantagem de saber história. E de, em alguma forma, ter participado dela. Ao lado de Eanes - o presidente da RTP, de 75, e o Presidente da República da "tentação presidencialista" manifestada em discursos que VPV ajudou a escrever - e depois contra Eanes, com Sá Carneiro, em oposição a um vago "eanismo" que Sá Carneiro e Soares não controlavam. Daí para diante, Pulido Valente só se meteu no primeiro MASP e preferiu os livros e as crónicas. A de hoje devia ter terminado duas frases antes. VPV sabe tão bem como eu que só outro regime, justamente o presidencialista, pode devolver um módico de autoridade a esta coisa untuosa em que tornaram (todos) o dito regime. Frases como «é melhor deixar as coisas seguirem o seu curso, de preferência na legalidade», equivalem a preferir um pastelão feito de restos e de batatas doces a um resoluto steak au poivre de carne limpa. De tanto terem seguido o seu curso, as coisas chegaram ao ponto a que chegaram. Já chega.
27.2.10
IMODESTOS CANASTRÕES
Já havia o canastrão Alegre, o improvável Camões do regime. Agora, parece, outro definiu-se como tal. Estão bem um para o outro.
IMODESTOS CANASTRÕES
Já havia o canastrão Alegre, o improvável Camões do regime. Agora, parece, outro definiu-se como tal. Estão bem um para o outro.
ESSE QUASE

Uma insónia de princípio de dia permitiu, na cama e ao som de ventos, acabar de (re)ler um belo livro de Eduardo Lourenço sobre Pessoa, de 1973. Nessa altura Lourenço não era ainda, e tão tanto por vezes, o luminoso tagarela a quem o regime "cultural" passa a vida a acender velinhas. Mas, fora isto, Lourenço é curto num país onde há poucos como ele. Acabado o Pessoa Revisitado, a rádio dava-me uma voz altiva e embotada que só minutos depois identifiquei. Falava dela e de um livro dela como se fosse a nova Penélope dos inventados labirintos fantasmagóricos de meia dúzia de famosas criaturas, "heróicas" ou nem por isso. Vaidosa e pesporrente, Joana Amaral Dias quer, à força, ser a enfant terrible dessa casta pseudo-imaculada de antigos devotos de santinhos vermelhos que é o BE. E o meu amigo Medeiros Ferreira acha-lhe um futuro qualquer na tortuosa caverna neo-platónica bimba que acolhe as esquerdas portuguesas. Até hoje não consegui perceber o que é que acha e por que é que o acha. Tão pouco me interessa perceber. É evidente que perto das tolinhas mais evidentes dessas esquerdas (e das simétricas das direitas) que se pavoneiam no parlamento e nas televisões às costas e cotas dos respectivos partidos, Joana quase parece uma Madame de Stäel à moda do Bairro Alto. Todavia, é precisamente esse intervalo que a liquida. Esse quase.
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sociedade,
Teoria da acção comunicacional
ESSE QUASE

Uma insónia de princípio de dia permitiu, na cama e ao som de ventos, acabar de (re)ler um belo livro de Eduardo Lourenço sobre Pessoa, de 1973. Nessa altura Lourenço não era ainda, e tão tanto por vezes, o luminoso tagarela a quem o regime "cultural" passa a vida a acender velinhas. Mas, fora isto, Lourenço é curto num país onde há poucos como ele. Acabado o Pessoa Revisitado, a rádio dava-me uma voz altiva e embotada que só minutos depois identifiquei. Falava dela e de um livro dela como se fosse a nova Penélope dos inventados labirintos fantasmagóricos de meia dúzia de famosas criaturas, "heróicas" ou nem por isso. Vaidosa e pesporrente, Joana Amaral Dias quer, à força, ser a enfant terrible dessa casta pseudo-imaculada de antigos devotos de santinhos vermelhos que é o BE. E o meu amigo Medeiros Ferreira acha-lhe um futuro qualquer na tortuosa caverna neo-platónica bimba que acolhe as esquerdas portuguesas. Até hoje não consegui perceber o que é que acha e por que é que o acha. Tão pouco me interessa perceber. É evidente que perto das tolinhas mais evidentes dessas esquerdas (e das simétricas das direitas) que se pavoneiam no parlamento e nas televisões às costas e cotas dos respectivos partidos, Joana quase parece uma Madame de Stäel à moda do Bairro Alto. Todavia, é precisamente esse intervalo que a liquida. Esse quase.
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MAS INFELIZMENTE TAMBÉM JÁ NÃO HÁ TROPA
«Na II República já não existem partidos. Existem sombras de partidos, restos de partidos, destroços de partidos. O regime não irá durar muito.»
Vasco Pulido Valente, Público
MAS INFELIZMENTE TAMBÉM JÁ NÃO HÁ TROPA
«Na II República já não existem partidos. Existem sombras de partidos, restos de partidos, destroços de partidos. O regime não irá durar muito.»
Vasco Pulido Valente, Público
26.2.10
UM "FRAQUINHO"
O Delgado, na SICN, confessa - como se alguém ainda tivesse dúvidas - que tem um "fraquinho" pelo 1º ministro. E até o "pressionou" (ao dito 1º ministro) para ele tomar uma "medida". Que ele, obedientemente delgado, tomou. Pobre ténia celiniana que nem sentido do ridículo tem.
UM "FRAQUINHO"
O Delgado, na SICN, confessa - como se alguém ainda tivesse dúvidas - que tem um "fraquinho" pelo 1º ministro. E até o "pressionou" (ao dito 1º ministro) para ele tomar uma "medida". Que ele, obedientemente delgado, tomou. Pobre ténia celiniana que nem sentido do ridículo tem.
O PAROLO
Lê-se no Sol, num artigo intitulado "Ferreira Leite falhou missão", que um ex-líder do partido - «que não quis ser identificado» - diz-se «mais preocupado com os vivos do que os mortos» e deseja que a senhora «descanse em paz (politicamente) e que não incomode mais.» É preciso nomear o parolo?
O PAROLO
Lê-se no Sol, num artigo intitulado "Ferreira Leite falhou missão", que um ex-líder do partido - «que não quis ser identificado» - diz-se «mais preocupado com os vivos do que os mortos» e deseja que a senhora «descanse em paz (politicamente) e que não incomode mais.» É preciso nomear o parolo?
PORQUE PENSA
Na lixeira em que nos movemos, é reconfortante saber que há compatriotas nossos cujo pensamento - sim, ainda há quem pense apesar da bulimia intelectual que nos atacou como uma praga de mosquitos - é reconhecido por ele mesmo. Porque pensa.
PORQUE PENSA
Na lixeira em que nos movemos, é reconfortante saber que há compatriotas nossos cujo pensamento - sim, ainda há quem pense apesar da bulimia intelectual que nos atacou como uma praga de mosquitos - é reconhecido por ele mesmo. Porque pensa.
O ESTRANHO MUNDO DE SÓCRATES

«As mil e uma manhãs de revelações sobre esse estranho mundo que gira à volta do primeiro-ministro não param. Verdade que ele próprio, como disse a Miguel Sousa Tavares, não sabe nada, não autorizou nada e nem sequer foi informado. De qualquer maneira, cada dia chega pontualmente com o seu "caso".»
Vasco Pulido Valente, Público
Vasco Pulido Valente, Público
O ESTRANHO MUNDO DE SÓCRATES

«As mil e uma manhãs de revelações sobre esse estranho mundo que gira à volta do primeiro-ministro não param. Verdade que ele próprio, como disse a Miguel Sousa Tavares, não sabe nada, não autorizou nada e nem sequer foi informado. De qualquer maneira, cada dia chega pontualmente com o seu "caso".»
Vasco Pulido Valente, Público
Vasco Pulido Valente, Público
25.2.10
«QUIS CUSTODIET IPSOS CUSTODES?»
«O PGR tem razão ao dizer que neste momento o caso das escutas no processo Face Oculta é meramente politico. Mas só o é, porém, porque o PGR optou por uma interpretação muito restritiva do conceito 'atentado ao Estado de Direito'. Até ele o fazer, o caso era meramente jurídico"(Freitas do Amaral, prof. insuspeito de direito desde os tempos do Prof. Dr. Marcello Caetano).«QUIS CUSTODIET IPSOS CUSTODES?»
«O PGR tem razão ao dizer que neste momento o caso das escutas no processo Face Oculta é meramente politico. Mas só o é, porém, porque o PGR optou por uma interpretação muito restritiva do conceito 'atentado ao Estado de Direito'. Até ele o fazer, o caso era meramente jurídico"(Freitas do Amaral, prof. insuspeito de direito desde os tempos do Prof. Dr. Marcello Caetano).RUI PEDRO SOARES OU NÓS
O que digo para o sr. Penedos, digo para o sr. Soares. A culpa é deles ou de quem faz brotar e sustenta pessoas como eles?
RUI PEDRO SOARES OU NÓS
O que digo para o sr. Penedos, digo para o sr. Soares. A culpa é deles ou de quem faz brotar e sustenta pessoas como eles?
PENEDOS OU NÓS
A "comissão" ouviu ontem um tal sr. Penedos, um jovem quadro do PS, promissor como todos os jovens quadros quadrados que o regime produz como cogumelos. O sr. Penedos, à conta do famoso "segredo da justiça", esteve à conversa com a deputação num estilo "vejam como eu gozo com isto tudo e como vocês são um bando de totós". Até aqui tem toda a razão. Até agora, segundo o sr. Penedos, os jornais têm-nos fornecido balelas em que o "Penedos" que figura nas transcrições de conversas é outro que não o sr. Penedos cujo jurídico rabo se senta em empresas onde o Estado tem golden shares e onde está precisamente por ser um jovem quadro promissor. E a deputação inalou e engoliu isto como vulgares adolescentes em experiências místico-eróticas. Ainda acabamos a admirar o sr. Penedos e demais seres como o sr. Penedos. Porque, como dizia Gore Vidal de Nixon, eles são o que nós somos e nós somos o que eles são.
PENEDOS OU NÓS
A "comissão" ouviu ontem um tal sr. Penedos, um jovem quadro do PS, promissor como todos os jovens quadros quadrados que o regime produz como cogumelos. O sr. Penedos, à conta do famoso "segredo da justiça", esteve à conversa com a deputação num estilo "vejam como eu gozo com isto tudo e como vocês são um bando de totós". Até aqui tem toda a razão. Até agora, segundo o sr. Penedos, os jornais têm-nos fornecido balelas em que o "Penedos" que figura nas transcrições de conversas é outro que não o sr. Penedos cujo jurídico rabo se senta em empresas onde o Estado tem golden shares e onde está precisamente por ser um jovem quadro promissor. E a deputação inalou e engoliu isto como vulgares adolescentes em experiências místico-eróticas. Ainda acabamos a admirar o sr. Penedos e demais seres como o sr. Penedos. Porque, como dizia Gore Vidal de Nixon, eles são o que nós somos e nós somos o que eles são.
24.2.10
MANUELA PEDESTRE

Parece que a Dra. Ferreira Leite teve um desvio helénico. Segundo a ainda líder do PSD - e ao contrário do que pensa outro economista, por sinal PR, Cavaco Silva - Portugal pode chegar ao estado da Grécia. Isto gerou um pequeno tumulto caseiro. A senhora foi apodada de anti-patriota e, praticamente, de irresponsável. Não lhe sendo conhecidos dotes de pitonisa, prefiro ver nisto um regresso involuntário ao que de melhor a antiguidade clássica legou à civilização ocidental e não exactamente pura mercearia. Manuela, afinal, limitou-se a ser pedestre. Nada mais do que isso.
MANUELA PEDESTRE

Parece que a Dra. Ferreira Leite teve um desvio helénico. Segundo a ainda líder do PSD - e ao contrário do que pensa outro economista, por sinal PR, Cavaco Silva - Portugal pode chegar ao estado da Grécia. Isto gerou um pequeno tumulto caseiro. A senhora foi apodada de anti-patriota e, praticamente, de irresponsável. Não lhe sendo conhecidos dotes de pitonisa, prefiro ver nisto um regresso involuntário ao que de melhor a antiguidade clássica legou à civilização ocidental e não exactamente pura mercearia. Manuela, afinal, limitou-se a ser pedestre. Nada mais do que isso.
UMA MISÉRIA
Afinal, a tal "comissão de ética" continua a funcionar. Aparentemente para o boneco. Estamos para ver as brilhantes conclusões que dali vão brotar depois de quase todos os ouvidos falarem de ficções, de coisas que nunca existiram, de conversas que nunca tiveram lugar, de pessoas que só cumprimentam de longe em longe. De vez em quando aparece um - tipo Henrique Monteiro - que revela umas coisas mas os intervenientes ouvem aquilo como se estivessem a comer castanhas assadas. O DN fez entretanto o seu tradicional papel oficioso para assegurar a equanimidade na distribuição do lixo. Uma miséria.
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UMA MISÉRIA
Afinal, a tal "comissão de ética" continua a funcionar. Aparentemente para o boneco. Estamos para ver as brilhantes conclusões que dali vão brotar depois de quase todos os ouvidos falarem de ficções, de coisas que nunca existiram, de conversas que nunca tiveram lugar, de pessoas que só cumprimentam de longe em longe. De vez em quando aparece um - tipo Henrique Monteiro - que revela umas coisas mas os intervenientes ouvem aquilo como se estivessem a comer castanhas assadas. O DN fez entretanto o seu tradicional papel oficioso para assegurar a equanimidade na distribuição do lixo. Uma miséria.
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AO CONTRÁRIO DE EGMONT
Onde almoçava, almoçavam igualmente distintos membros da mais alta magistratura judicial portuguesa. Não me pareceu que fossem prosélitos. Um deles falava alto e a minha leitura de Walter Pater foi surpreendida por essa fala exaltada. E quem assim falava dizia, com manifesto propósito e lembrança, que o senhor conselheiro Pinto Monteiro, em tempos, mencionou que, por ele, toda a sua "despachada" podia ser revelada. "Por mim", recordo agora, quando o senhor conselheiro reclama inquéritos e reparos fortuitos. Viu-se em televisões e leu-se, salvo erro, no Expresso. Por ca é tudo ao contrário do herói do clip, Egmont. Leiam Goethe e perceberão porquê.
Adenda: Como não estou na moda, não "revelo" os pormenores da exacerbada fala.
Adenda: Como não estou na moda, não "revelo" os pormenores da exacerbada fala.
AO CONTRÁRIO DE EGMONT
Onde almoçava, almoçavam igualmente distintos membros da mais alta magistratura judicial portuguesa. Não me pareceu que fossem prosélitos. Um deles falava alto e a minha leitura de Walter Pater foi surpreendida por essa fala exaltada. E quem assim falava dizia, com manifesto propósito e lembrança, que o senhor conselheiro Pinto Monteiro, em tempos, mencionou que, por ele, toda a sua "despachada" podia ser revelada. "Por mim", recordo agora, quando o senhor conselheiro reclama inquéritos e reparos fortuitos. Viu-se em televisões e leu-se, salvo erro, no Expresso. Por ca é tudo ao contrário do herói do clip, Egmont. Leiam Goethe e perceberão porquê.
Adenda: Como não estou na moda, não "revelo" os pormenores da exacerbada fala.
Adenda: Como não estou na moda, não "revelo" os pormenores da exacerbada fala.
MELHORES TEMPOS
Verdi, Don Carlo. Mara Zampieri, "Tu che le vanità". Coliseu dos Recreios, Lisboa. Fevereiro de 1977
MELHORES TEMPOS
Verdi, Don Carlo. Mara Zampieri, "Tu che le vanità". Coliseu dos Recreios, Lisboa. Fevereiro de 1977
23.2.10
«AS PLEBES DE TODAS AS CLASSES»
O país de luto e blogueiros e comentadeiros oficiosos a masturbarem-se uns aos outros sobre trivialidades, quais incansáveis «plebes de todas as classes.» Isto está cada vez menos dimensionado para pessoas altas.
«AS PLEBES DE TODAS AS CLASSES»
O país de luto e blogueiros e comentadeiros oficiosos a masturbarem-se uns aos outros sobre trivialidades, quais incansáveis «plebes de todas as classes.» Isto está cada vez menos dimensionado para pessoas altas.
OS LADOS DO SEGREDO
Uma das mais altas protagonistas da PGR sugeriu que os seus colegas fossem escutados para combater a violação do imbecil "segredo de justiça". Só não esclareceu a que lado do dito "segredo" se referia. Se ao bom, se ao negro.
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OS LADOS DO SEGREDO
Uma das mais altas protagonistas da PGR sugeriu que os seus colegas fossem escutados para combater a violação do imbecil "segredo de justiça". Só não esclareceu a que lado do dito "segredo" se referia. Se ao bom, se ao negro.
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«SE ASSIM É, ASSIM SEJA»
Li isto três ou quatro vezes seguidas no metro. Vale a pena ler na íntegra porque não há ali uma imperfeição, um descaso, uma palavra inoportuna. O pedaço que escolhi ilumina perfeitamente isto hoje. Isto, uma espécie de país. «As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.»
«SE ASSIM É, ASSIM SEJA»
Li isto três ou quatro vezes seguidas no metro. Vale a pena ler na íntegra porque não há ali uma imperfeição, um descaso, uma palavra inoportuna. O pedaço que escolhi ilumina perfeitamente isto hoje. Isto, uma espécie de país. «As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.»
«GOSTARIA DE SUBSTITUIR»

Neste nº 26 da Rue des Francs-Bourgeois morou o Eduardo Prado Coelho enquanto trabalhou em Paris como conselheiro cultural da embaixada portuguesa. Foi um amigo que mo indicou. Parecia, a dada altura, que o EPC era excessivo e que ocupava toda a cena. Mandarim, dizia-se. Talvez tivesse sido. Porém, aquele Marais frio da semana passada comoveu-me por ter tido a noção, ali, frente àquele 26 de porta fechada, que a partir de certa altura tudo é irremediável e superficial como morrer. EPC foi submerso pela enxurrada de burgessos "informados" que pululam nas sílabas mal amanhadas dos jornais, das televisões e dos blogues. Gente impensável de cujos lábios só brota babugem merdosa, muitos incapazes de construir frases com sujeito, verbo e complementos. Em suma, essa enxurrada varreu tudo e de tudo tomou conta instalando-se como o mandarinato oficial e único. Invariavelmente paupérrimo, alimenta-se de coirões improváveis numa autofagia confrangedoramente risível. O Eduardo, pois. «Sou cada vez mais sensível, mais frágil e desarmado até, em relação aos momentos de humanidade, mas sinto uma crescente repulsa por aquilo que todos somos na vulgaridade do quotidiano: seres mesquinhos, rafeiros, sórdidos, poluentes, corrosivos, invejosos, torpes. É por isso que as relações de força se me impõem para lá da rejeição veemente da própria ideia de força (que eu gostaria de substituir pela de generosidade). O que se vai articulando, como triste filosofia de vida, em torno de três axiomas: quanto mais mal dizem, mais medo têm; quanto mais dizem mal pelas costas, mais elogiam pela frente; quanto mais elogiam, mais medo têm.» Como dizia o mesmo amigo, noutro contexto, que saudade.
«GOSTARIA DE SUBSTITUIR»

Neste nº 26 da Rue des Francs-Bourgeois morou o Eduardo Prado Coelho enquanto trabalhou em Paris como conselheiro cultural da embaixada portuguesa. Foi um amigo que mo indicou. Parecia, a dada altura, que o EPC era excessivo e que ocupava toda a cena. Mandarim, dizia-se. Talvez tivesse sido. Porém, aquele Marais frio da semana passada comoveu-me por ter tido a noção, ali, frente àquele 26 de porta fechada, que a partir de certa altura tudo é irremediável e superficial como morrer. EPC foi submerso pela enxurrada de burgessos "informados" que pululam nas sílabas mal amanhadas dos jornais, das televisões e dos blogues. Gente impensável de cujos lábios só brota babugem merdosa, muitos incapazes de construir frases com sujeito, verbo e complementos. Em suma, essa enxurrada varreu tudo e de tudo tomou conta instalando-se como o mandarinato oficial e único. Invariavelmente paupérrimo, alimenta-se de coirões improváveis numa autofagia confrangedoramente risível. O Eduardo, pois. «Sou cada vez mais sensível, mais frágil e desarmado até, em relação aos momentos de humanidade, mas sinto uma crescente repulsa por aquilo que todos somos na vulgaridade do quotidiano: seres mesquinhos, rafeiros, sórdidos, poluentes, corrosivos, invejosos, torpes. É por isso que as relações de força se me impõem para lá da rejeição veemente da própria ideia de força (que eu gostaria de substituir pela de generosidade). O que se vai articulando, como triste filosofia de vida, em torno de três axiomas: quanto mais mal dizem, mais medo têm; quanto mais dizem mal pelas costas, mais elogiam pela frente; quanto mais elogiam, mais medo têm.» Como dizia o mesmo amigo, noutro contexto, que saudade.
DA CLASSE
Se a "classe política" - uma contradição nos termos por causa da classe - é o que é, a "classe jornalística" não lhe fica atrás. Por causa do número revisteiro que Mário Crespo perpetrou na fantástica "comissão de ética" (outra contradição substantiva e terminológica), Constança Cunha e Sá, sua colega de "classe", vem dizer que «a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República» (como se ambos não fossem já um enxovalho por natureza) e «um exemplo da histeria que hoje em dia reina em Portugal» (presumindo-se por histeria irrelevâncias como as liberdades e a relação do poder com as liberdades). Estamos falados quanto a classe.
Adenda (mail de leitor): "De tanto falar em histeria, fica-se histérico.Transforma-se o histeriador em cousa histérica."
Adenda (mail de leitor): "De tanto falar em histeria, fica-se histérico.Transforma-se o histeriador em cousa histérica."
DA CLASSE
Se a "classe política" - uma contradição nos termos por causa da classe - é o que é, a "classe jornalística" não lhe fica atrás. Por causa do número revisteiro que Mário Crespo perpetrou na fantástica "comissão de ética" (outra contradição substantiva e terminológica), Constança Cunha e Sá, sua colega de "classe", vem dizer que «a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República» (como se ambos não fossem já um enxovalho por natureza) e «um exemplo da histeria que hoje em dia reina em Portugal» (presumindo-se por histeria irrelevâncias como as liberdades e a relação do poder com as liberdades). Estamos falados quanto a classe.
Adenda (mail de leitor): "De tanto falar em histeria, fica-se histérico.Transforma-se o histeriador em cousa histérica."
Adenda (mail de leitor): "De tanto falar em histeria, fica-se histérico.Transforma-se o histeriador em cousa histérica."
22.2.10
A CONTÍNUA TRANSFORMAÇÃO DE TUDO

Parece que está pronta para aparecer nos jornais uma "carta de renúncia" de Paulo Rangel à militância no CDS escrita noutra encarnação. O objectivo é dos livros e sumariamente primário - o homem não poderia ter dito que não se lembrava. Fernando Pessoa, numa "crónica do tempo que passa", de 1915, responde à "problemática" melhor do que qualquer apressado moralista de arquivo. «Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica. Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo própria. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.»
A CONTÍNUA TRANSFORMAÇÃO DE TUDO

Parece que está pronta para aparecer nos jornais uma "carta de renúncia" de Paulo Rangel à militância no CDS escrita noutra encarnação. O objectivo é dos livros e sumariamente primário - o homem não poderia ter dito que não se lembrava. Fernando Pessoa, numa "crónica do tempo que passa", de 1915, responde à "problemática" melhor do que qualquer apressado moralista de arquivo. «Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica. Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo própria. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.»
A MIM TAMBÉM
«Poder dar um tiro em alguns mafiosos - isso, sim, far-me-ia feliz», afirmou o escritor James Ellroy ao passar por cá.
A MIM TAMBÉM
«Poder dar um tiro em alguns mafiosos - isso, sim, far-me-ia feliz», afirmou o escritor James Ellroy ao passar por cá.
A "SOCIEDADE CIVIL"
Concordo, da primeira à última linha, com este post de Eduardo Pitta. Apesar de se ter esquecido de mencionar de onde brotou o sr. Silva, agora da Taguspark, como no passado foi secretário de estado de um governo PS e, depois, presidente da RTP. Só se o PS - como no passado o PSD - for da "sociedade civil" como defendem aqueles cuja biografia se confunde com militâncias partidárias, respectivas obediências e prebendas.
A "SOCIEDADE CIVIL"
Concordo, da primeira à última linha, com este post de Eduardo Pitta. Apesar de se ter esquecido de mencionar de onde brotou o sr. Silva, agora da Taguspark, como no passado foi secretário de estado de um governo PS e, depois, presidente da RTP. Só se o PS - como no passado o PSD - for da "sociedade civil" como defendem aqueles cuja biografia se confunde com militâncias partidárias, respectivas obediências e prebendas.
FRONTEIRA
O primeiro-ministro fez de conta que tinha sentido de Estado e foi para a Madeira. Depois começaram todos, como um slogan, a dizer que as divergências partidárias não se colocam nestas coisas. Isso a gente já sabe, é o que é suposto de gente normal e não devia ser necessário dizer-se (nem favorecer perguntas idiotas dos jornalistas) se esta gente fosse "normal". As pessoas não vão mais além, nem mesmo essa espécie de entidade chamada "dirigentes". O dr Jardim, feito parvo, disse logo para a jornalada não falar muito por causa do turismo como se isso fosse o que agora importa e como se, como aconteceu, a imprensa internacional não fizesse disto as respectivas primeiras páginas. Depois, o sonso Sócrates, foi lá inteirar-se das ocorrências, de gravata escura, camisa branca e semblante carregado, para, logo depois, aparecer de gravata escarlate, camisa azul vistosa e de largo sorriso à mesma jornalada que, de microfone em punho, o recebia naquela tourné de propaganda do PS que esse secretário-geral iniciou há dias. Em boa verdade, é aquele lugar comum do "é preciso andar para a frente" com muita forma inoportuna e imensa falta de conteúdo. E é também a total ausência de Nobreza ao mesmo tempo que os tais dirigentes, que não é suposto terem variações de personalidade, pelo menos, em público e escandalosas, mostram aquilo que genuinamente são.
FRONTEIRA
O primeiro-ministro fez de conta que tinha sentido de Estado e foi para a Madeira. Depois começaram todos, como um slogan, a dizer que as divergências partidárias não se colocam nestas coisas. Isso a gente já sabe, é o que é suposto de gente normal e não devia ser necessário dizer-se (nem favorecer perguntas idiotas dos jornalistas) se esta gente fosse "normal". As pessoas não vão mais além, nem mesmo essa espécie de entidade chamada "dirigentes". O dr Jardim, feito parvo, disse logo para a jornalada não falar muito por causa do turismo como se isso fosse o que agora importa e como se, como aconteceu, a imprensa internacional não fizesse disto as respectivas primeiras páginas. Depois, o sonso Sócrates, foi lá inteirar-se das ocorrências, de gravata escura, camisa branca e semblante carregado, para, logo depois, aparecer de gravata escarlate, camisa azul vistosa e de largo sorriso à mesma jornalada que, de microfone em punho, o recebia naquela tourné de propaganda do PS que esse secretário-geral iniciou há dias. Em boa verdade, é aquele lugar comum do "é preciso andar para a frente" com muita forma inoportuna e imensa falta de conteúdo. E é também a total ausência de Nobreza ao mesmo tempo que os tais dirigentes, que não é suposto terem variações de personalidade, pelo menos, em público e escandalosas, mostram aquilo que genuinamente são.
PESO MORTO

A melhor resposta que o senhor conselheiro Pinto Monteiro arranjou para colmatar os "danos" emergentes (para ele, naturalmente) da divulgação de parte dos seus "despachos" num processo famoso, foi despachar no sentido de abrir mais processos. Desta feita para descobrir quem é que os divulgou. O PGR pouco mais faz do que desfiar o seu próprio novelo - e para dentro - o que quer dizer que pouco está a fazer enquanto PGR. Começa a ser mais um peso morto do regime.
PESO MORTO

A melhor resposta que o senhor conselheiro Pinto Monteiro arranjou para colmatar os "danos" emergentes (para ele, naturalmente) da divulgação de parte dos seus "despachos" num processo famoso, foi despachar no sentido de abrir mais processos. Desta feita para descobrir quem é que os divulgou. O PGR pouco mais faz do que desfiar o seu próprio novelo - e para dentro - o que quer dizer que pouco está a fazer enquanto PGR. Começa a ser mais um peso morto do regime.
21.2.10
"POESIA E PROPAGANDA"

Hei-de mandar arrastar com muito orgulho,
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:
E será um verso de amor...
Alexandre O’Neill
Etiquetas:
Alexandre O'Neill,
livros,
poesia
"POESIA E PROPAGANDA"

Hei-de mandar arrastar com muito orgulho,
Pelo pequeno avião da propaganda
E no céu inocente de Lisboa,
Um dos meus versos, um dos meus
Mais sonoros e compridos versos:
E será um verso de amor...
Alexandre O’Neill
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NOÇÃO DE OPORTUNIDADE
Depois há coisas do género os drs. Sampaio e Pinho irem caucionar, como grandes figuras nacionais que são, a candidatura a um campeonato qualquer de golfe a realizar em Portugal lá mais para diante. Temos cada noção de oportunidade.
NOÇÃO DE OPORTUNIDADE
Depois há coisas do género os drs. Sampaio e Pinho irem caucionar, como grandes figuras nacionais que são, a candidatura a um campeonato qualquer de golfe a realizar em Portugal lá mais para diante. Temos cada noção de oportunidade.
APARAR ARESTAS
Esta entrevista de Rangel revela alguma vaidade sobranceira que conviria entretanto limar. Rangel é, de longe, o candidato politicamente mais bem preparado para tomar conta do PSD agora. «Não entrar em consensos moles se for líder do PSD» é um lema poderoso que deve ser desenvolvido sem recurso a narcisismos retóricos ou a auto-justificações desnecessárias. Cela va de soi.
APARAR ARESTAS
Esta entrevista de Rangel revela alguma vaidade sobranceira que conviria entretanto limar. Rangel é, de longe, o candidato politicamente mais bem preparado para tomar conta do PSD agora. «Não entrar em consensos moles se for líder do PSD» é um lema poderoso que deve ser desenvolvido sem recurso a narcisismos retóricos ou a auto-justificações desnecessárias. Cela va de soi.
DEVOÇÕES
«Quando, hoje, vejo a insistência ridícula na falta de liberdade de informação, em Portugal, tenho muita dificuldade em entender "de que falamos, quando falamos". O que existe, de facto, são modelos e métodos de jornalismo em que vale absolutamente tudo, em que os fins justificam todos os meios, mesmo os mais condenáveis. A obsessão pela instantaneidade leva, por vezes, a noticiar, antecipadamente, o que ainda nem sequer aconteceu. A falta de distância para a reflexão e avaliação da importância de cada situação - só interessa dizer quem arrasou quem - produz uma atmosfera que leva os próprios comentadores a supor que eles pensam o pensar de todos, como se tivessem uma delegação para representar o povo português na sua totalidade. A chamada crise política seria, talvez, bem diferente sem as suas irresponsáveis encenações mediáticas. » Esta prosa podia ter sido escrita num editorial do DN ou do JN. Ou brotar de enlevados jornalistas como Bettencourt ou Delgado. Ou, ainda, ter sido lida nas "novas fronteiras" feitas à medida. Mas não. É do freirinho Bento Domingues, no Público. O freirinho, que foi estigmatizado pela esquerda algures entre a Capela do Rato e o Rato propriamente dito, não admite comparações. De facto, não se trata de comparar mas de evidenciar. Há muitas maneiras de torcer as coisas - ou de as tentar torcer - constrangendo-as. Seja pela influência política, seja pela influência económica que decorre da primeira e vice-versa. Não deve existir nenhum tipo de temor reverencial pelo que se publica e comunica. Tal como não é suposto ter algum pelo poder. Qualquer deles é ridículo, frei Bento.
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Frei Bento Domingues,
Teoria da acção comunicacional
DEVOÇÕES
«Quando, hoje, vejo a insistência ridícula na falta de liberdade de informação, em Portugal, tenho muita dificuldade em entender "de que falamos, quando falamos". O que existe, de facto, são modelos e métodos de jornalismo em que vale absolutamente tudo, em que os fins justificam todos os meios, mesmo os mais condenáveis. A obsessão pela instantaneidade leva, por vezes, a noticiar, antecipadamente, o que ainda nem sequer aconteceu. A falta de distância para a reflexão e avaliação da importância de cada situação - só interessa dizer quem arrasou quem - produz uma atmosfera que leva os próprios comentadores a supor que eles pensam o pensar de todos, como se tivessem uma delegação para representar o povo português na sua totalidade. A chamada crise política seria, talvez, bem diferente sem as suas irresponsáveis encenações mediáticas. » Esta prosa podia ter sido escrita num editorial do DN ou do JN. Ou brotar de enlevados jornalistas como Bettencourt ou Delgado. Ou, ainda, ter sido lida nas "novas fronteiras" feitas à medida. Mas não. É do freirinho Bento Domingues, no Público. O freirinho, que foi estigmatizado pela esquerda algures entre a Capela do Rato e o Rato propriamente dito, não admite comparações. De facto, não se trata de comparar mas de evidenciar. Há muitas maneiras de torcer as coisas - ou de as tentar torcer - constrangendo-as. Seja pela influência política, seja pela influência económica que decorre da primeira e vice-versa. Não deve existir nenhum tipo de temor reverencial pelo que se publica e comunica. Tal como não é suposto ter algum pelo poder. Qualquer deles é ridículo, frei Bento.
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Frei Bento Domingues,
Teoria da acção comunicacional
DESNECESSÁRIO
Sou insuspeito de anti-jardinismo. Todavia, pareceu-me deplorável que Alberto João Jardim tivesse pedido aos jornalistas que evitassem "especulações" e "dramatizações lá para fora", e que fossem "discretos" nos relatos da tragédia para não prejudicar... o turismo. As "especulações" e a "discrição" são a catástrofe natural, destruição do terreno, de bens e de vidas à vista de todos. Até dos turistas que continuam por lá às fotos. Era desnecessário.
DESNECESSÁRIO
Sou insuspeito de anti-jardinismo. Todavia, pareceu-me deplorável que Alberto João Jardim tivesse pedido aos jornalistas que evitassem "especulações" e "dramatizações lá para fora", e que fossem "discretos" nos relatos da tragédia para não prejudicar... o turismo. As "especulações" e a "discrição" são a catástrofe natural, destruição do terreno, de bens e de vidas à vista de todos. Até dos turistas que continuam por lá às fotos. Era desnecessário.
"WE ARE FAMILY»?
Vi ontem, na televisão, uma peça sobre uma manifestação a favor da família e do casamento em Lisboa. Culminou nos Restauradores onde todos cantaram e dançaram ao som da música do clip. E como evidencia o clip - o final do filme The Birdcage, de Mike Nichols, de 1996, com Gene Hackman e Robin Williams - "we are family" serve para tudo. Os organizadores deviam ter feito o trabalho de casa.
"WE ARE FAMILY»?
Vi ontem, na televisão, uma peça sobre uma manifestação a favor da família e do casamento em Lisboa. Culminou nos Restauradores onde todos cantaram e dançaram ao som da música do clip. E como evidencia o clip - o final do filme The Birdcage, de Mike Nichols, de 1996, com Gene Hackman e Robin Williams - "we are family" serve para tudo. Os organizadores deviam ter feito o trabalho de casa.
THE ONE AND ONLY
«Na gabarolice simplória de provinciano como no desrespeito pela oposição, no insulto imperdoável e gratuito como na fantasia de que é uma pura vítima da mentira e da calúnia, há invariavelmente um ponto comum: a ideia de que Sócrates não é comparável à multidão de metecos da política indígena. Que um belo dia os metecos se fartassem dele não lhe passou pela cabeça; e muito menos que pedissem um socialista qualquer mais suportável para o lugar dele. Ele é o líder, o líder sem substituto concebível. Ele é o único Sócrates de Portugal e do universo. O PS que fique ciente.»
Vasco Pulido Valente. Público
THE ONE AND ONLY
«Na gabarolice simplória de provinciano como no desrespeito pela oposição, no insulto imperdoável e gratuito como na fantasia de que é uma pura vítima da mentira e da calúnia, há invariavelmente um ponto comum: a ideia de que Sócrates não é comparável à multidão de metecos da política indígena. Que um belo dia os metecos se fartassem dele não lhe passou pela cabeça; e muito menos que pedissem um socialista qualquer mais suportável para o lugar dele. Ele é o líder, o líder sem substituto concebível. Ele é o único Sócrates de Portugal e do universo. O PS que fique ciente.»
Vasco Pulido Valente. Público
20.2.10
TUDO IR MORRENDO

Para quem já subiu e desceu, a pé ou de carro, aquelas ruas laterais às três ribeiras que desaguam no coração do Funchal, dói ver aquela estupidez de água, lama e pedragulhos. Dói ver lugares que associamos a vida, sol e alegria, a tempos melhores e a amigos, assim. Há um título de Vergílio Ferreira, pouco conhecido, que podia somar isto com uma serenidade plausível. Onde tudo foi morrendo. Esta é a única conspiração séria da vida. Tudo ir morrendo.
TUDO IR MORRENDO

Para quem já subiu e desceu, a pé ou de carro, aquelas ruas laterais às três ribeiras que desaguam no coração do Funchal, dói ver aquela estupidez de água, lama e pedragulhos. Dói ver lugares que associamos a vida, sol e alegria, a tempos melhores e a amigos, assim. Há um título de Vergílio Ferreira, pouco conhecido, que podia somar isto com uma serenidade plausível. Onde tudo foi morrendo. Esta é a única conspiração séria da vida. Tudo ir morrendo.
SAUDAÇÃO
SAUDAÇÃO
TRETA
É isto mesmo, a comissão Bimby. Uma coisa que tem apelido de "ética" - com aqueles protagonistas e "convidados" - é meio caminho andado para lugar nenhum. Acabem rapidamente com essa treta.
TRETA
É isto mesmo, a comissão Bimby. Uma coisa que tem apelido de "ética" - com aqueles protagonistas e "convidados" - é meio caminho andado para lugar nenhum. Acabem rapidamente com essa treta.
KIM-IL-EMPREENDEDORISMO

Há oito dias era Granadeiro, presidente da PT, a definir-se "encornado" por dois "colegas" da administração. Agora é o presidente da Taguspark quem ignorava, até ver o resultado na net, o "negócio" da empresa de que é presidente com um jogador de futebol, um negócio aparentemente "combinado" por dois dos seus "colegas". Em comum, alguns dos "colegas" destes crédulos empresários têm o partido a que prestam contas, o PS, e, à altura, umas eleições para vencer. Isto é muito latino-americano e tropical mas, segundo edites, magalhães, almeidas santos e quejandos "democratas", o que está mesmo em curso é uma "campanha" para acabar com o salvador da pátria. O deles, naturalmente.
KIM-IL-EMPREENDEDORISMO

Há oito dias era Granadeiro, presidente da PT, a definir-se "encornado" por dois "colegas" da administração. Agora é o presidente da Taguspark quem ignorava, até ver o resultado na net, o "negócio" da empresa de que é presidente com um jogador de futebol, um negócio aparentemente "combinado" por dois dos seus "colegas". Em comum, alguns dos "colegas" destes crédulos empresários têm o partido a que prestam contas, o PS, e, à altura, umas eleições para vencer. Isto é muito latino-americano e tropical mas, segundo edites, magalhães, almeidas santos e quejandos "democratas", o que está mesmo em curso é uma "campanha" para acabar com o salvador da pátria. O deles, naturalmente.
19.2.10
FACES OCULTAS E DESCOBERTAS

«O "procurador" "geral" da "República" mostrou toda a elevação que o move ao decretar, segundo o JN (18.02), que, no caso Face Oculta, mais não houve do que tentativas de "alteração da linha editorial". O texto da decisão revela que ele confunde sugerir mudanças com acções concretas gravosas (intervir em empresas privadas, levar a despedimentos ou afastamentos, etc.); confunde "luta político-partidária" com acções ocultas a partir do Estado; confunde Sócrates falar ou não ao telefone sobre o assunto com acções do Governo que Sócrates chefia, isto é, do Estado. Quem vê Monteiro falando aos jornalistas nos noticiários já percebeu a táctica: fala nos corredores, em portas e escadas, para poder dizer umas coisas confusas; é tão trapalhão a falar que nem percebo metade das palavras que diz. Mas entendo isto: a trapalhice serve para confundir, e confundir serviu, neste caso, para minorar os danos do Governo.O Correio da Manhã (17.02) e o PÚBLICO (18.02) confirmam o que tenho escrito há que tempos: o Governo usa meios públicos para desinformar através da blogosfera. O nosso dinheiro é usado pelo Estado (confundido com PS) na montagem de blogues anónimos que despejam argumentário pró-Governo e calúnias sobre adversários. Como escreveu Eduardo Dâmaso, director adjunto do CM, a central de propaganda existe e continua. O caso Face Oculta não abarca toda a teia de interesses do PS-Governo na área dos media, na desinformação e na propaganda. Há outras vertentes ilícitas que a justiça e o Parlamento deveriam investigar de imediato. O Parlamento chamou às audições diversas pessoas que só podem opinar sem nada de factual acrescentar. Deveria chamar às audições um dos putativos cabeças da central, o agora secretário de Estado Almeida Ribeiro, os assessores do Governo que se conhece estarem envolvidos na teia, e o agora deputado João Galamba, que esteve envolvido no esquema antes de promovido.»
Eduardo Cintra Torres, Público
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Teoria da acção comunicacional
FACES OCULTAS E DESCOBERTAS

«O "procurador" "geral" da "República" mostrou toda a elevação que o move ao decretar, segundo o JN (18.02), que, no caso Face Oculta, mais não houve do que tentativas de "alteração da linha editorial". O texto da decisão revela que ele confunde sugerir mudanças com acções concretas gravosas (intervir em empresas privadas, levar a despedimentos ou afastamentos, etc.); confunde "luta político-partidária" com acções ocultas a partir do Estado; confunde Sócrates falar ou não ao telefone sobre o assunto com acções do Governo que Sócrates chefia, isto é, do Estado. Quem vê Monteiro falando aos jornalistas nos noticiários já percebeu a táctica: fala nos corredores, em portas e escadas, para poder dizer umas coisas confusas; é tão trapalhão a falar que nem percebo metade das palavras que diz. Mas entendo isto: a trapalhice serve para confundir, e confundir serviu, neste caso, para minorar os danos do Governo.O Correio da Manhã (17.02) e o PÚBLICO (18.02) confirmam o que tenho escrito há que tempos: o Governo usa meios públicos para desinformar através da blogosfera. O nosso dinheiro é usado pelo Estado (confundido com PS) na montagem de blogues anónimos que despejam argumentário pró-Governo e calúnias sobre adversários. Como escreveu Eduardo Dâmaso, director adjunto do CM, a central de propaganda existe e continua. O caso Face Oculta não abarca toda a teia de interesses do PS-Governo na área dos media, na desinformação e na propaganda. Há outras vertentes ilícitas que a justiça e o Parlamento deveriam investigar de imediato. O Parlamento chamou às audições diversas pessoas que só podem opinar sem nada de factual acrescentar. Deveria chamar às audições um dos putativos cabeças da central, o agora secretário de Estado Almeida Ribeiro, os assessores do Governo que se conhece estarem envolvidos na teia, e o agora deputado João Galamba, que esteve envolvido no esquema antes de promovido.»
Eduardo Cintra Torres, Público
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A-B

Aguiar-Branco, no PSD desde os 17 anos, não aprendeu nada. Louvou-se em Sá Carneiro porque, segundo disse, Sá Carneiro "unia" e ele - que não quer nem "romper" nem "mudar" - também vai "unir". Puro disparate. Sá Carneiro foi, até ao fim, fora e dentro do partido, um homem de ruptura. Aliás, a AD foi forjada contra os bonzos internos de quem Aguiar-Branco é hoje o mais fidedigno sucessor. Um banalão sem chama, este A-B.
A-B

Aguiar-Branco, no PSD desde os 17 anos, não aprendeu nada. Louvou-se em Sá Carneiro porque, segundo disse, Sá Carneiro "unia" e ele - que não quer nem "romper" nem "mudar" - também vai "unir". Puro disparate. Sá Carneiro foi, até ao fim, fora e dentro do partido, um homem de ruptura. Aliás, a AD foi forjada contra os bonzos internos de quem Aguiar-Branco é hoje o mais fidedigno sucessor. Um banalão sem chama, este A-B.
«TAPAR OS OLHOS DOS OUTROS»
«Tapar os olhos dos outros», uma expressão utilizada numa fala por um esbirro qualquer do PS, podia bem ser o lema destes desbiografados que nos pastoreiam. Ou «degradação da vida pública», na boca de outro, quando é justamente dali que ela vem. Porventura uma raça tão estúpida como a nossa não mereça melhor. «Paris fez a Revolução. Londres deu Shakespeare, Viena deu Mozart, Berlim deu Kant, Lisboa deu-nos a nós.» (Eça de Queiroz, citado aqui)
«TAPAR OS OLHOS DOS OUTROS»
«Tapar os olhos dos outros», uma expressão utilizada numa fala por um esbirro qualquer do PS, podia bem ser o lema destes desbiografados que nos pastoreiam. Ou «degradação da vida pública», na boca de outro, quando é justamente dali que ela vem. Porventura uma raça tão estúpida como a nossa não mereça melhor. «Paris fez a Revolução. Londres deu Shakespeare, Viena deu Mozart, Berlim deu Kant, Lisboa deu-nos a nós.» (Eça de Queiroz, citado aqui)
"DESCONTEXTUALIZADAS", DIZEM ELES
A ideia de que as transcrições das falas são sempre "descontextualizadas" - parece que é o que ocorre dizer ao sr. Perestrello em vez de se demitir - é uma recorrência retórica que não deixa de ter alguma "lógica". A maior parte dos intervenientes corresponde a pessoas descontextualizadas, i. e., gente de quem nunca teríamos ouvido falar se não fosse a política e o regime. Às vezes apetece dar razão a quem berrava, no seu descaso, que certa gente devia ser preventivamente fuzilada.
"DESCONTEXTUALIZADAS", DIZEM ELES
A ideia de que as transcrições das falas são sempre "descontextualizadas" - parece que é o que ocorre dizer ao sr. Perestrello em vez de se demitir - é uma recorrência retórica que não deixa de ter alguma "lógica". A maior parte dos intervenientes corresponde a pessoas descontextualizadas, i. e., gente de quem nunca teríamos ouvido falar se não fosse a política e o regime. Às vezes apetece dar razão a quem berrava, no seu descaso, que certa gente devia ser preventivamente fuzilada.
FILHOS DE MÃE MUITÍSSIMO INCÓGNITA

"Marcos Perestrello: Por acaso não me deram o nome do Figo para os tempos de antena das personalidades para depor.
Paulo Penedos: Pronto, faz-te de novas que o nome vai-te aparecer, só que o apoiante espontâneo e fervoroso primeiro deve querer assinar o contrato, não é?"
O rapaz da bola que, aos olhos do povo, passa por ser um jogador de futebol em versão sofisticada (coitado do povo) mas que, cada vez que abre a boca, começa sempre com "pois, errr.....", pôs um processo contra o Correio da Manhã por este ter falado pela primeira vez no nome dele e, além disso, ontem já disse que não senhor, esteve na campanha simplesmente como cidadão e por razões ideológicas (como se aquele homem tivesse alguma habilidade e proveito da cintura para cima). Além disso, assumiu que tem um contrato, sim senhor. Com quem? Com o Taguspark que, por acaso, já foi alvo de buscas no âmbito do processo Face Oculta e, por acaso também, parte significativa do seu capital é público e pertence à Câmara daquele mestre de obras chamado Isaltino não sei quê. A publicidade é uma boa maneira de tentar disfarçar. As empresas e instituições públicas ou pessoas com cargos públicos que contratam pessoas cor-de-rosa para se promoverem junto dos cidadãos pelos seus sentimentos de pertença e afectividade artificial por alguém, têm a facilidade de poder pagar muito e de raramente serem confrontadas com um "não" motivado pela consciência de cada um desses cor-de-rosa. Depois, Luís Figo e mil outros e outras que podem ter o mesmo papel que ele neste âmbito que une a visibilidade social, não a uma marca, mas a epifanias que envolvem intervenientes e, principalmente, dinheiro do Estado, convém que sejam espertos sob pena de serem, para sempre, e mesmo que não queiram, tidos como oportunistas. A Portugal Telecom, tão falada neste caso, tão definida politicamente e tão cheia de dinheiro público, é um preciso exemplo desse tipo de empresa pela qual é muito arriscado, por muito que o dinheiro seja fácil, dar a cara. Pessoas como um funesto jogador de ping-pong humano têm de entender que, mesmo que tenham sido simplesmente solicitadas para um contrato publicitário, quando envolve este tipo de corredor, não devem ter a ingenuidade de achar que algum dia os seus "fãs" vão pôr a hipótese de que não sabia exactamente os contornos em que se envolveu. Isto é básico. Eu, simples e desinformado cidadão, não posso deixar de desconfiar do meu ídolo Luís Figo que pulula animado e confortável na ribalta. Ele tem todo o direito de aproveitar e eu, simples e desinformado cidadão, tenho tendência natural para desconfiar. Os Figos que arriscam em coisas com dinheiro público em troca de condições contratuais agradáveis, petiscam este tipo de risco que, por vezes, deixa de ser risco e passa a ser a realidade. Mas, a bem da verdade, não é preciso ter muita pena, é só preciso dizer-lhes que tentamos não ser parvos.
FILHOS DE MÃE MUITÍSSIMO INCÓGNITA

"Marcos Perestrello: Por acaso não me deram o nome do Figo para os tempos de antena das personalidades para depor.
Paulo Penedos: Pronto, faz-te de novas que o nome vai-te aparecer, só que o apoiante espontâneo e fervoroso primeiro deve querer assinar o contrato, não é?"
O rapaz da bola que, aos olhos do povo, passa por ser um jogador de futebol em versão sofisticada (coitado do povo) mas que, cada vez que abre a boca, começa sempre com "pois, errr.....", pôs um processo contra o Correio da Manhã por este ter falado pela primeira vez no nome dele e, além disso, ontem já disse que não senhor, esteve na campanha simplesmente como cidadão e por razões ideológicas (como se aquele homem tivesse alguma habilidade e proveito da cintura para cima). Além disso, assumiu que tem um contrato, sim senhor. Com quem? Com o Taguspark que, por acaso, já foi alvo de buscas no âmbito do processo Face Oculta e, por acaso também, parte significativa do seu capital é público e pertence à Câmara daquele mestre de obras chamado Isaltino não sei quê. A publicidade é uma boa maneira de tentar disfarçar. As empresas e instituições públicas ou pessoas com cargos públicos que contratam pessoas cor-de-rosa para se promoverem junto dos cidadãos pelos seus sentimentos de pertença e afectividade artificial por alguém, têm a facilidade de poder pagar muito e de raramente serem confrontadas com um "não" motivado pela consciência de cada um desses cor-de-rosa. Depois, Luís Figo e mil outros e outras que podem ter o mesmo papel que ele neste âmbito que une a visibilidade social, não a uma marca, mas a epifanias que envolvem intervenientes e, principalmente, dinheiro do Estado, convém que sejam espertos sob pena de serem, para sempre, e mesmo que não queiram, tidos como oportunistas. A Portugal Telecom, tão falada neste caso, tão definida politicamente e tão cheia de dinheiro público, é um preciso exemplo desse tipo de empresa pela qual é muito arriscado, por muito que o dinheiro seja fácil, dar a cara. Pessoas como um funesto jogador de ping-pong humano têm de entender que, mesmo que tenham sido simplesmente solicitadas para um contrato publicitário, quando envolve este tipo de corredor, não devem ter a ingenuidade de achar que algum dia os seus "fãs" vão pôr a hipótese de que não sabia exactamente os contornos em que se envolveu. Isto é básico. Eu, simples e desinformado cidadão, não posso deixar de desconfiar do meu ídolo Luís Figo que pulula animado e confortável na ribalta. Ele tem todo o direito de aproveitar e eu, simples e desinformado cidadão, tenho tendência natural para desconfiar. Os Figos que arriscam em coisas com dinheiro público em troca de condições contratuais agradáveis, petiscam este tipo de risco que, por vezes, deixa de ser risco e passa a ser a realidade. Mas, a bem da verdade, não é preciso ter muita pena, é só preciso dizer-lhes que tentamos não ser parvos.
DE QUE É QUE PERESTRELLO ESTÁ À ESPERA?
O sr. Perestrello, Marcos de seu primeiro nome, é secretário de Estado da Defesa Nacional. O sr. Perestrello, um betinho desprezível, gozou literalmente com o subsídio de desemprego - a que, desgraçadamente, muitos portugueses têm de recorrer - numa conversa alarve, agora divulgada, com um camarada sobre propaganda do partido de que ambos são militantes. O assunto, ao contrário do que muitos juristas histérico-formalistas virão a correr defender, é político. O sr. Perestrello já devia estar demitido.
DE QUE É QUE PERESTRELLO ESTÁ À ESPERA?
O sr. Perestrello, Marcos de seu primeiro nome, é secretário de Estado da Defesa Nacional. O sr. Perestrello, um betinho desprezível, gozou literalmente com o subsídio de desemprego - a que, desgraçadamente, muitos portugueses têm de recorrer - numa conversa alarve, agora divulgada, com um camarada sobre propaganda do partido de que ambos são militantes. O assunto, ao contrário do que muitos juristas histérico-formalistas virão a correr defender, é político. O sr. Perestrello já devia estar demitido.
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