O dr. Jorge Coelho, num "especial" da "Quadratura do Círculo" da SIC-Notícias, com Jorge Sampaio como convidado - em excelente forma, mais solto e menos redondo -, afirma que a política, os políticos, devem dar-se ao respeito para poderem ser respeitados. Conseguiu dizer isto sem se rir.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
30.9.06
SEM SE RIR
O dr. Jorge Coelho, num "especial" da "Quadratura do Círculo" da SIC-Notícias, com Jorge Sampaio como convidado - em excelente forma, mais solto e menos redondo -, afirma que a política, os políticos, devem dar-se ao respeito para poderem ser respeitados. Conseguiu dizer isto sem se rir.
O CASO ROCHA
O sr. Rocha ataca de novo, desta vez no Convento do Carmo, com o Francisco José Viegas a abençoar. Este Francisco é mesmo uma jóia de pessoa, já que o caso mental do sr. Rocha inspira mais piedade do que propriamente cuidados. Imagine-se que ele até falou com o assassino de João Paulo I, coisa que guarda no silêncio da sua excelsa cabeça. Para dar o "tom" ao lançamento do livro "O Último Papa", do sr. Rocha, tocava-se a música da saga "O Padrinho". É preciso dizer mais alguma coisa?
O CASO ROCHA
O sr. Rocha ataca de novo, desta vez no Convento do Carmo, com o Francisco José Viegas a abençoar. Este Francisco é mesmo uma jóia de pessoa, já que o caso mental do sr. Rocha inspira mais piedade do que propriamente cuidados. Imagine-se que ele até falou com o assassino de João Paulo I, coisa que guarda no silêncio da sua excelsa cabeça. Para dar o "tom" ao lançamento do livro "O Último Papa", do sr. Rocha, tocava-se a música da saga "O Padrinho". É preciso dizer mais alguma coisa?
O OURO AO BANDIDO
Misturar dois rematados pantomineiros com uma excelente editora de livros, que cometeu o pecado de ter ido para a "direita" sem passar pela depuração socialista que entretém alguns membos do actual governo, não podia dar bom resultado. O assunto - a interrupção voluntária da gravidez - é demasiado sério para ser tratado por vulgares intriguistas. É por estas e por outras que a "direita" não vai a lado nenhum e o engº Sócrates está, segundo o próprio, "para as curvas". Chama-se a isto entregar o ouro ao bandido.
O OURO AO BANDIDO
Misturar dois rematados pantomineiros com uma excelente editora de livros, que cometeu o pecado de ter ido para a "direita" sem passar pela depuração socialista que entretém alguns membos do actual governo, não podia dar bom resultado. O assunto - a interrupção voluntária da gravidez - é demasiado sério para ser tratado por vulgares intriguistas. É por estas e por outras que a "direita" não vai a lado nenhum e o engº Sócrates está, segundo o próprio, "para as curvas". Chama-se a isto entregar o ouro ao bandido.
UMA PERGUNTINHA
.... à f. A menina é adepta do aborto livre. Faz muito bem. É evidente que o mundo não "acaba no dia em que uma mulher puder decidir por si se leva uma gravidez a termo ou não". Todavia, isso significa que coloca a IVG ao lado do preservativo, do dispositivo intra-uterino e das pílulas para o "day after", ou seja, como um vulgar método anti-conceptivo à disposição de quem, muito legitimamente, se quer dar à paródia?
UMA PERGUNTINHA
.... à f. A menina é adepta do aborto livre. Faz muito bem. É evidente que o mundo não "acaba no dia em que uma mulher puder decidir por si se leva uma gravidez a termo ou não". Todavia, isso significa que coloca a IVG ao lado do preservativo, do dispositivo intra-uterino e das pílulas para o "day after", ou seja, como um vulgar método anti-conceptivo à disposição de quem, muito legitimamente, se quer dar à paródia?
A RECTA INTENÇÃO
Por falar em "esquerda" e em "direita", apenas duas observações rápidas. Ando a ler, com o vagar que o livro exige, as "crónicas" e as entrevistas de António José Saraiva reunidas num calhamaço da Quidnovi. Lá pelo meio, há uma série de textos que AJS escreveu para a revista Vida Mundial, nos idos de setenta, em pleno "fascismo-marcelismo", como diriam aqueles patuscos do "não apaguem a memória". AJS é insuspeito. Foi demitido da função pública pelo regime e esteve exilado em França. Quando regressou, depois do "4/25", não apreciou o que viu, sobretudo naquilo a que metaforicamente se chama "universidade". As crónicas da Vida Mundial são um exemplo de lucidez e de coragem cívicas que tomara muitos dos "cronistas" do actual regime possuírem. Ninguém as censurou, enquanto agora se encontram formas mais subtis de calar quem não come da gamela "democrática". Já em plena "democracia", por exemplo, no Diário de Notícias, em Maio de 1979, a propósito de "cultura e bibliotecas", AJS escrevia: "O antigo regime era acusado de fazer "obras de fachada"; pelo menos fez o actual edifício da Biblioteca Nacional. Mas nunca se viu, como hoje, tanta fachada sem obras". Querem melhor descrição do que esta para os "investimentos" do dr. Pinho e para as "grandes obras" do dr. Lino? Finalmente, o Sol anuncia que o presidente da Câmara de Santa Comba Dão quer fazer um museu da casa onde nasceu António de Oliveira Salazar. O museu recolheria objectos pessoais do antigo Presidente do Conselho, teria um auditório e serviria de centro de estudos do Estado Novo. Há cinco anos visitei o local e a campa rasa do antigo Chefe do Governo, no Vimieiro. A degradação, a destruição propositada e o abandono podiam ser comparados com o que o governo da democracia espanhola - trinta vezes mais madura e segura do que a nossa - fez com os locais de residência do Generalíssimo, como ainda agora se pôde constatar aquando da presença de Cavaco Silva em Madrid, no Palácio do Pardo, onde a ala onde residia Franco está conservada e interditada aos visitantes oficiais. O complexo com que encaramos o século XX português, marcado indelevelmente pela personalidade de Salazar, não serve os propósitos da história, nem ajuda a democracia portuguesa a fortalecer-se. Salazar não foi um mero fantasma que passou pelos ares de Portugal. É a sua sombra - pelo menos no seu lance autoritário e mesquinho - que se perpetua no actual regime, particularmente com este governo dito socialista. No resto, e como escreveu António José Saraiva em 1989, no Expresso, "Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da história de Portugal e possuia uma qualidade que os homens notáveis nem sempre possuem - a recta intenção". Não merece um museu. Merece dez.
A RECTA INTENÇÃO
Por falar em "esquerda" e em "direita", apenas duas observações rápidas. Ando a ler, com o vagar que o livro exige, as "crónicas" e as entrevistas de António José Saraiva reunidas num calhamaço da Quidnovi. Lá pelo meio, há uma série de textos que AJS escreveu para a revista Vida Mundial, nos idos de setenta, em pleno "fascismo-marcelismo", como diriam aqueles patuscos do "não apaguem a memória". AJS é insuspeito. Foi demitido da função pública pelo regime e esteve exilado em França. Quando regressou, depois do "4/25", não apreciou o que viu, sobretudo naquilo a que metaforicamente se chama "universidade". As crónicas da Vida Mundial são um exemplo de lucidez e de coragem cívicas que tomara muitos dos "cronistas" do actual regime possuírem. Ninguém as censurou, enquanto agora se encontram formas mais subtis de calar quem não come da gamela "democrática". Já em plena "democracia", por exemplo, no Diário de Notícias, em Maio de 1979, a propósito de "cultura e bibliotecas", AJS escrevia: "O antigo regime era acusado de fazer "obras de fachada"; pelo menos fez o actual edifício da Biblioteca Nacional. Mas nunca se viu, como hoje, tanta fachada sem obras". Querem melhor descrição do que esta para os "investimentos" do dr. Pinho e para as "grandes obras" do dr. Lino? Finalmente, o Sol anuncia que o presidente da Câmara de Santa Comba Dão quer fazer um museu da casa onde nasceu António de Oliveira Salazar. O museu recolheria objectos pessoais do antigo Presidente do Conselho, teria um auditório e serviria de centro de estudos do Estado Novo. Há cinco anos visitei o local e a campa rasa do antigo Chefe do Governo, no Vimieiro. A degradação, a destruição propositada e o abandono podiam ser comparados com o que o governo da democracia espanhola - trinta vezes mais madura e segura do que a nossa - fez com os locais de residência do Generalíssimo, como ainda agora se pôde constatar aquando da presença de Cavaco Silva em Madrid, no Palácio do Pardo, onde a ala onde residia Franco está conservada e interditada aos visitantes oficiais. O complexo com que encaramos o século XX português, marcado indelevelmente pela personalidade de Salazar, não serve os propósitos da história, nem ajuda a democracia portuguesa a fortalecer-se. Salazar não foi um mero fantasma que passou pelos ares de Portugal. É a sua sombra - pelo menos no seu lance autoritário e mesquinho - que se perpetua no actual regime, particularmente com este governo dito socialista. No resto, e como escreveu António José Saraiva em 1989, no Expresso, "Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da história de Portugal e possuia uma qualidade que os homens notáveis nem sempre possuem - a recta intenção". Não merece um museu. Merece dez.
TENHAM MEDO
Numa mini-entrevista a Margarida Marante, no Sol, o senhor conselheiro Noronha do Nascimento, presidente-eleito do Supremo Tribunal de Justiça e futura quarta figura do Estado - de acordo com o "protocolo" do mesmo Estado aprovado pelo Parlamento - , declara que "sempre foi de esquerda". Era só o que estava a faltar à "justiça". Mais um messias.
TENHAM MEDO
Numa mini-entrevista a Margarida Marante, no Sol, o senhor conselheiro Noronha do Nascimento, presidente-eleito do Supremo Tribunal de Justiça e futura quarta figura do Estado - de acordo com o "protocolo" do mesmo Estado aprovado pelo Parlamento - , declara que "sempre foi de esquerda". Era só o que estava a faltar à "justiça". Mais um messias.
29.9.06
AGITPROP
Este tipo tirou-me as palavras da boca. Nada pior do que querer ser "mais papista que o Papa", que o Santo Padre me perdoe a despropositada lembrança. Caramba, professor, o governo já tem os drs. Pereira, Lourtie (parece que é assim) e Filipe Baptista para lhe tratar da propaganda. Esqueça lá essa "agitprop" reciclada.
AGITPROP
Este tipo tirou-me as palavras da boca. Nada pior do que querer ser "mais papista que o Papa", que o Santo Padre me perdoe a despropositada lembrança. Caramba, professor, o governo já tem os drs. Pereira, Lourtie (parece que é assim) e Filipe Baptista para lhe tratar da propaganda. Esqueça lá essa "agitprop" reciclada.
TODO UM PROGRAMA
É sintomático que o post "escrito" por José Manuel Fernandes esteja a ser "comentado" como está. A justiça, ao contrário do que se supunha, preocupa as pessoas. Preocupam-se os seus agentes, por vezes da forma mais inconsequente, disparatada e corporativa que se possa imaginar - a culpa só indirectamente é deles, já que foi o regime instituído pelo "4/25" o principal responsável pela aquiescência às reivindicações "progressistas" dos sindicatos entretanto criados, como se a justiça pudesse desfilar folcloricamente pela Avenida da Liberdade - e preocupam-se, pelos vistos, os cidadãos lúcidos que têm medo (o termo é mesmo este, medo, três décadas volvidas sobre a alegada restituição das liberdades e da dignidade institucional e cívica) de cair nela. Eu próprio, nesta fase de recolha de textos para o livro "Portugal dos Pequeninos", dei por mim com n posts escritos sobre o tema que obrigam a um capítulo autónomo. Ninguém coerentemente pode acreditar na justiça portuguesa. Os dezoito anos - 18... - do processo da UGT fariam rir se não fossem trágicos. A modorra do julgamento do processo "Casa Pia" , com quinhentas e tal testemunhas, é obra. O processo "Apito Dourado", que ora faz de caranguejo, ora faz de caracol, é outra obra. O "envelope 9", com a cena caricata do sr. jornalista a "abrir" a embalagem com o computador, à porta do DCIAP, é outra. Não penso apenas nestes processos por causa da sua veia mediática. Também penso no dinheiro que falta ao DCIAP e à PJ para prosseguirem investigações em sede de delito económico-financeiro. Quanto mais o sistema vai à falência, mais cresce a economia paralela e a corrupção que sempre a acompanha. Vamos ver até onde chega- ou pode chegar -, por exemplo, a recente investigação na Marinha. Uma justiça de bagatelas e de flashs- arrastada, baça, incongruente - não é uma verdadeira justiça democrática. É, por isso, bom que haja polémica e debate sobre o tema. Quem, como eu, viu ontem debaixo das arcadas da Praça do Comércio as venerandas figuras que elegeram o conselheiro Noronha do Nascimento para presidente do STJ, percebeu perfeitamente que ali residia, de fato escuro, gravata e chapéu na cabeça, todo um programa. E, a este programa, não há nenhum "pacto" que possa responder.
TODO UM PROGRAMA
É sintomático que o post "escrito" por José Manuel Fernandes esteja a ser "comentado" como está. A justiça, ao contrário do que se supunha, preocupa as pessoas. Preocupam-se os seus agentes, por vezes da forma mais inconsequente, disparatada e corporativa que se possa imaginar - a culpa só indirectamente é deles, já que foi o regime instituído pelo "4/25" o principal responsável pela aquiescência às reivindicações "progressistas" dos sindicatos entretanto criados, como se a justiça pudesse desfilar folcloricamente pela Avenida da Liberdade - e preocupam-se, pelos vistos, os cidadãos lúcidos que têm medo (o termo é mesmo este, medo, três décadas volvidas sobre a alegada restituição das liberdades e da dignidade institucional e cívica) de cair nela. Eu próprio, nesta fase de recolha de textos para o livro "Portugal dos Pequeninos", dei por mim com n posts escritos sobre o tema que obrigam a um capítulo autónomo. Ninguém coerentemente pode acreditar na justiça portuguesa. Os dezoito anos - 18... - do processo da UGT fariam rir se não fossem trágicos. A modorra do julgamento do processo "Casa Pia" , com quinhentas e tal testemunhas, é obra. O processo "Apito Dourado", que ora faz de caranguejo, ora faz de caracol, é outra obra. O "envelope 9", com a cena caricata do sr. jornalista a "abrir" a embalagem com o computador, à porta do DCIAP, é outra. Não penso apenas nestes processos por causa da sua veia mediática. Também penso no dinheiro que falta ao DCIAP e à PJ para prosseguirem investigações em sede de delito económico-financeiro. Quanto mais o sistema vai à falência, mais cresce a economia paralela e a corrupção que sempre a acompanha. Vamos ver até onde chega- ou pode chegar -, por exemplo, a recente investigação na Marinha. Uma justiça de bagatelas e de flashs- arrastada, baça, incongruente - não é uma verdadeira justiça democrática. É, por isso, bom que haja polémica e debate sobre o tema. Quem, como eu, viu ontem debaixo das arcadas da Praça do Comércio as venerandas figuras que elegeram o conselheiro Noronha do Nascimento para presidente do STJ, percebeu perfeitamente que ali residia, de fato escuro, gravata e chapéu na cabeça, todo um programa. E, a este programa, não há nenhum "pacto" que possa responder.
O REGALO E OS ESCOMBROS
O senhor ministro Lino, das obras públicas, e a sra. dra. Vitorino, que é ajudante, passearam-se pelos escombros - eles chamam-lhe "metro" e "túnel" desde os tempos do sr. engº Ferreira do Amaral - que ligam subterraneamente o Chiado ao Terreiro da Paço. Fazem-no com a mesma falta de vergonha que, desde o sr. eng.º Cravinho e do dr. João Soares (desculpa lá, Tomás), respectivamente ministro e presidente de Câmara, todos exibem quando lá vão. É só contar os ministros que sucederam a Amaral e a Cravinho, mais os dois presidentes de Câmara que vieram depois de Soares e os "presidentes" do Metro. Esta obra é um monumento à ineficácia e à ineficiência, para ser brando. E um regalo para as empresas de construção civil envolvidas. Não sei como, mas o dinheiro - falamos aqui de milhões - aparece sempre. Que tal o eng.º Cravinho começar a sua "cruzada" por aqui mesmo?
O REGALO E OS ESCOMBROS
O senhor ministro Lino, das obras públicas, e a sra. dra. Vitorino, que é ajudante, passearam-se pelos escombros - eles chamam-lhe "metro" e "túnel" desde os tempos do sr. engº Ferreira do Amaral - que ligam subterraneamente o Chiado ao Terreiro da Paço. Fazem-no com a mesma falta de vergonha que, desde o sr. eng.º Cravinho e do dr. João Soares (desculpa lá, Tomás), respectivamente ministro e presidente de Câmara, todos exibem quando lá vão. É só contar os ministros que sucederam a Amaral e a Cravinho, mais os dois presidentes de Câmara que vieram depois de Soares e os "presidentes" do Metro. Esta obra é um monumento à ineficácia e à ineficiência, para ser brando. E um regalo para as empresas de construção civil envolvidas. Não sei como, mas o dinheiro - falamos aqui de milhões - aparece sempre. Que tal o eng.º Cravinho começar a sua "cruzada" por aqui mesmo?
LER OS OUTROS
Isto é o género de coisa que eu gostava de ter escrito.
"Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males da justiça portuguesa? É fácil: basta citar o nome da Noronha de Nascimento e tudo o que de mal se pensa sobre corporativismo, conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influências, vem-nos imediatamente à cabeça. O juiz - porque é de um juiz de que se trata - é um homem tão inteligente como maquiavélico. Anos a fio, primeiro na Associação Sindical dos Juízes, depois no Conselho Superior da Magistratura, por fim no Supremo Tribunal de Justiça, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há um nome mais feio, mas evito-o) que lhe assegurou que ontem conseguisse espetar na sua melena algo desgrenhada a pena de pavão que lhe faltava: ser presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O lugar pouco vale (quem, entre os leitores, sabe dizer quem é o actual presidente daquele tribunal, formalmente a terceira figura do Estado?). Dá umas prebendas, porventura algumas mordomias, acrescenta uns galões, mas pouco poder efectivo tem. O problema, contudo, reside neste ponto: tem, ou terá? Os senhores juízes, que aqui há uns tempos se empenharam na disputa com o Tribunal Constitucional para saber quem era hierarquicamente mais importante (ganharam os do Supremo a cadeira do protocolo, deram aos do Constitucional a consolação de terem ao seu dispor um automóvel topo de gama...), nem sequer são muito respeitados. Por sua culpa, pois sabe-se que alguns passam pela cadeira do Supremo apenas uns meses e para engordar a sua reforma. O presidente daquele agigantado colégio de reverendíssimos juízes pouco poder tem tido, só que Noronha de Nascimento apresentou-se aos eleitores - ou seja, aos seus pares, aos que ajudou a subir até ao lugar onde um dia o elegeriam - com uma espécie de programa que arrepia os cabelos do mais pacato cidadão. O homem não fez a coisa por pouco: ao mesmo tempo que vestiu a pele do sindicalista (pediu que lhe aumentassem o salário e que dessem menos trabalhos aos juízes...), pôs a sobrecasaca de subversor do regime (ao querer sentar-se no Conselho de Estado) e acrescentou o lustroso (pela quantidade de sebo acumulado) chapéu do "resistente" às reformas no sector da justiça. Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente."
José Manuel Fernandes, in Público, 29-9-06
"Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males da justiça portuguesa? É fácil: basta citar o nome da Noronha de Nascimento e tudo o que de mal se pensa sobre corporativismo, conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influências, vem-nos imediatamente à cabeça. O juiz - porque é de um juiz de que se trata - é um homem tão inteligente como maquiavélico. Anos a fio, primeiro na Associação Sindical dos Juízes, depois no Conselho Superior da Magistratura, por fim no Supremo Tribunal de Justiça, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há um nome mais feio, mas evito-o) que lhe assegurou que ontem conseguisse espetar na sua melena algo desgrenhada a pena de pavão que lhe faltava: ser presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O lugar pouco vale (quem, entre os leitores, sabe dizer quem é o actual presidente daquele tribunal, formalmente a terceira figura do Estado?). Dá umas prebendas, porventura algumas mordomias, acrescenta uns galões, mas pouco poder efectivo tem. O problema, contudo, reside neste ponto: tem, ou terá? Os senhores juízes, que aqui há uns tempos se empenharam na disputa com o Tribunal Constitucional para saber quem era hierarquicamente mais importante (ganharam os do Supremo a cadeira do protocolo, deram aos do Constitucional a consolação de terem ao seu dispor um automóvel topo de gama...), nem sequer são muito respeitados. Por sua culpa, pois sabe-se que alguns passam pela cadeira do Supremo apenas uns meses e para engordar a sua reforma. O presidente daquele agigantado colégio de reverendíssimos juízes pouco poder tem tido, só que Noronha de Nascimento apresentou-se aos eleitores - ou seja, aos seus pares, aos que ajudou a subir até ao lugar onde um dia o elegeriam - com uma espécie de programa que arrepia os cabelos do mais pacato cidadão. O homem não fez a coisa por pouco: ao mesmo tempo que vestiu a pele do sindicalista (pediu que lhe aumentassem o salário e que dessem menos trabalhos aos juízes...), pôs a sobrecasaca de subversor do regime (ao querer sentar-se no Conselho de Estado) e acrescentou o lustroso (pela quantidade de sebo acumulado) chapéu do "resistente" às reformas no sector da justiça. Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente."
José Manuel Fernandes, in Público, 29-9-06
Adenda: O homem que corresponde a este "perfil" será em breve a "quarta figura do Estado". Do estado a que isto chegou, naturalmente.
LER OS OUTROS
Isto é o género de coisa que eu gostava de ter escrito.
"Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males da justiça portuguesa? É fácil: basta citar o nome da Noronha de Nascimento e tudo o que de mal se pensa sobre corporativismo, conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influências, vem-nos imediatamente à cabeça. O juiz - porque é de um juiz de que se trata - é um homem tão inteligente como maquiavélico. Anos a fio, primeiro na Associação Sindical dos Juízes, depois no Conselho Superior da Magistratura, por fim no Supremo Tribunal de Justiça, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há um nome mais feio, mas evito-o) que lhe assegurou que ontem conseguisse espetar na sua melena algo desgrenhada a pena de pavão que lhe faltava: ser presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O lugar pouco vale (quem, entre os leitores, sabe dizer quem é o actual presidente daquele tribunal, formalmente a terceira figura do Estado?). Dá umas prebendas, porventura algumas mordomias, acrescenta uns galões, mas pouco poder efectivo tem. O problema, contudo, reside neste ponto: tem, ou terá? Os senhores juízes, que aqui há uns tempos se empenharam na disputa com o Tribunal Constitucional para saber quem era hierarquicamente mais importante (ganharam os do Supremo a cadeira do protocolo, deram aos do Constitucional a consolação de terem ao seu dispor um automóvel topo de gama...), nem sequer são muito respeitados. Por sua culpa, pois sabe-se que alguns passam pela cadeira do Supremo apenas uns meses e para engordar a sua reforma. O presidente daquele agigantado colégio de reverendíssimos juízes pouco poder tem tido, só que Noronha de Nascimento apresentou-se aos eleitores - ou seja, aos seus pares, aos que ajudou a subir até ao lugar onde um dia o elegeriam - com uma espécie de programa que arrepia os cabelos do mais pacato cidadão. O homem não fez a coisa por pouco: ao mesmo tempo que vestiu a pele do sindicalista (pediu que lhe aumentassem o salário e que dessem menos trabalhos aos juízes...), pôs a sobrecasaca de subversor do regime (ao querer sentar-se no Conselho de Estado) e acrescentou o lustroso (pela quantidade de sebo acumulado) chapéu do "resistente" às reformas no sector da justiça. Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente."
José Manuel Fernandes, in Público, 29-9-06
"Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males da justiça portuguesa? É fácil: basta citar o nome da Noronha de Nascimento e tudo o que de mal se pensa sobre corporativismo, conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influências, vem-nos imediatamente à cabeça. O juiz - porque é de um juiz de que se trata - é um homem tão inteligente como maquiavélico. Anos a fio, primeiro na Associação Sindical dos Juízes, depois no Conselho Superior da Magistratura, por fim no Supremo Tribunal de Justiça, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há um nome mais feio, mas evito-o) que lhe assegurou que ontem conseguisse espetar na sua melena algo desgrenhada a pena de pavão que lhe faltava: ser presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O lugar pouco vale (quem, entre os leitores, sabe dizer quem é o actual presidente daquele tribunal, formalmente a terceira figura do Estado?). Dá umas prebendas, porventura algumas mordomias, acrescenta uns galões, mas pouco poder efectivo tem. O problema, contudo, reside neste ponto: tem, ou terá? Os senhores juízes, que aqui há uns tempos se empenharam na disputa com o Tribunal Constitucional para saber quem era hierarquicamente mais importante (ganharam os do Supremo a cadeira do protocolo, deram aos do Constitucional a consolação de terem ao seu dispor um automóvel topo de gama...), nem sequer são muito respeitados. Por sua culpa, pois sabe-se que alguns passam pela cadeira do Supremo apenas uns meses e para engordar a sua reforma. O presidente daquele agigantado colégio de reverendíssimos juízes pouco poder tem tido, só que Noronha de Nascimento apresentou-se aos eleitores - ou seja, aos seus pares, aos que ajudou a subir até ao lugar onde um dia o elegeriam - com uma espécie de programa que arrepia os cabelos do mais pacato cidadão. O homem não fez a coisa por pouco: ao mesmo tempo que vestiu a pele do sindicalista (pediu que lhe aumentassem o salário e que dessem menos trabalhos aos juízes...), pôs a sobrecasaca de subversor do regime (ao querer sentar-se no Conselho de Estado) e acrescentou o lustroso (pela quantidade de sebo acumulado) chapéu do "resistente" às reformas no sector da justiça. Se era aconselhável que um presidente do Supremo Tribunal desse mais atenção a Montesquieu e ao princípio da separação de poderes do que à cartilha da CGTP, Noronha de Nascimento fez exactamente o contrário. Reivindicou como um metalúrgico capaz de ser fixado para a posteridade numa pintura do "realismo socialista" e, esquecendo-se de que é juiz e representante máximo do "terceiro poder", o judicial, pediu assento à mesa do "primeiro poder", o executivo. É certo que o poder do Conselho de Estado é tão inócuo como o penacho de ser presidente do Supremo Tribunal, só que a reivindicação contém em si duas perversidades. A primeira é ser sinal de que Noronha de Nascimento se preocupa mais com o seu protagonismo público do que com os problema da justiça. A segunda, bem mais grave, é que o homem se disponibiliza para ser o rosto de uma fronda dos juízes contra as decisões reformistas do poder político, neste momento objecto de um consenso alargado entre o partido do Governo e a principal força da oposição. É tão patético que daria para rir, não estivéssemos em Portugal e não entendêssemos como funcionam as estratégias das aranhas. O homem, creio sem receio de me enganar, é tão inteligente e habilidoso como é perigoso. Até porque tem já um adversário assumido: o novo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, um dos raros que tiveram a coragem de lhe fazer frente."
José Manuel Fernandes, in Público, 29-9-06
Adenda: O homem que corresponde a este "perfil" será em breve a "quarta figura do Estado". Do estado a que isto chegou, naturalmente.
"LIDERANÇA E POPULARIDADE"
"LIDERANÇA E POPULARIDADE"
MODERNOS COM PÉS DE BARRO
Estes vasos singulares, tipicamente portugueses, constituíram, durante anos, os contentores de água utilizados pelos funcionários para lavarem as mãos numa casa de banho do edifício que abriga dois ministros de Estado do Portugal do "progresso", o das Finanças e o da Administração Interna. De manhã, as "senhoras da limpeza" enchiam-os de água, e pronto. Depois das obras, em 2005, os vasos ficaram ali, esquecidos e "em exposição", para nos recordarem a nossa verdadeira essência de "modernos" com pés-de-barro.MODERNOS COM PÉS DE BARRO
Estes vasos singulares, tipicamente portugueses, constituíram, durante anos, os contentores de água utilizados pelos funcionários para lavarem as mãos numa casa de banho do edifício que abriga dois ministros de Estado do Portugal do "progresso", o das Finanças e o da Administração Interna. De manhã, as "senhoras da limpeza" enchiam-os de água, e pronto. Depois das obras, em 2005, os vasos ficaram ali, esquecidos e "em exposição", para nos recordarem a nossa verdadeira essência de "modernos" com pés-de-barro.ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
"Sobre a polémica provocada pelo recente discurso do Papa considerado por muitos muçulmanos insultuoso para o profeta Maomé e para o islão, o escritor considerou que se alguém escreveu esse discurso e Bento XVI não o leu antes foi "imprudente", e se o leu e não retirou a passagem referente a Maomé foi "ainda pior". Vem no Público, sem link. O "escritor" que "considerou" é José Saramago, o nosso infeliz Nobel da Literatura. É por estas e por outras que o Nobel cada vez mais só vale pelo dinheiro dado aos escribas a quem é entregue. Saramago, cuja "prudência" enquanto director do Diário de Notícias durante o PREC ficou famosa, vem agora armar-se em moralista - sim, ele não passa de um vulgar e ressequido moralista - contra o Papa, sugerindo, supõe-se que para ter graça, que Ratzinger não escreve nem pensa. Deve ser influência da ex-jornalista espanhola com quem vive a qual, aliás, já fala por ele há muito tempo. Saramago ainda não percebeu, embora tenha idade para isso, que é uma caricatura pública de si próprio enquanto escritor. Se eu fosse dado a penas, estaria cheio de comiseração por este velho comunista empedernido, confinado à volúpia da sua celebridade volátil. É que a Igreja a que preside Ratzinger estará ainda de pé no dia em que Saramago for apenas uma nota de fim de página num qualquer esquecível "manual de literatura" para crianças.
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
"Sobre a polémica provocada pelo recente discurso do Papa considerado por muitos muçulmanos insultuoso para o profeta Maomé e para o islão, o escritor considerou que se alguém escreveu esse discurso e Bento XVI não o leu antes foi "imprudente", e se o leu e não retirou a passagem referente a Maomé foi "ainda pior". Vem no Público, sem link. O "escritor" que "considerou" é José Saramago, o nosso infeliz Nobel da Literatura. É por estas e por outras que o Nobel cada vez mais só vale pelo dinheiro dado aos escribas a quem é entregue. Saramago, cuja "prudência" enquanto director do Diário de Notícias durante o PREC ficou famosa, vem agora armar-se em moralista - sim, ele não passa de um vulgar e ressequido moralista - contra o Papa, sugerindo, supõe-se que para ter graça, que Ratzinger não escreve nem pensa. Deve ser influência da ex-jornalista espanhola com quem vive a qual, aliás, já fala por ele há muito tempo. Saramago ainda não percebeu, embora tenha idade para isso, que é uma caricatura pública de si próprio enquanto escritor. Se eu fosse dado a penas, estaria cheio de comiseração por este velho comunista empedernido, confinado à volúpia da sua celebridade volátil. É que a Igreja a que preside Ratzinger estará ainda de pé no dia em que Saramago for apenas uma nota de fim de página num qualquer esquecível "manual de literatura" para crianças.
28.9.06
A IMODERADA MODERAÇÃO
O Augusto M. Seabra, com quem tantas vezes estou de acordo, escreveu no Público (sem link) um texto estimulante sobre "a emancipação da liberdade", a propósito da encenação "censurada" de Idomeneo na Ópera de Berlim. Ao tentar escapar ao jargão "islamofóbico", o Augusto, sensivelmente a meio do texto, dá-lhe para o jargão "ratzingerfóbico", mais vendível entre nós. "Roma não desistiu de ser a autoridade no mundo. O aggiornamento democrático da Igreja Católica está de há muito feito. Mas acho deveras extraordinário que se queira confundir a Igreja com liberalismo, quando ela enquanto corpo doutrinário e institucional lhe é por natureza estranha", escreve o Augusto. Apesar do tom, tem razão. Bento XVI tem sido muito claro em relação ao que vem. A uma Igreja vulgarizada e globalizada, Ratzinger preferirá sempre a Igreja das comunidades, de maior ou de menor dimensão, mas portadora de uma enorme e bem concentrada fé. Uma fé que permita entender racionalmente a natureza de Deus , e não à bomba ou pela intimidação. Nesse sentido, não pode prescindir de ser "a autoridade no mundo". Se o fizesse - se "cedesse" - claudicava e, quer queira o Augusto, quer não, com ele, mais tarde ou mais cedo, claudicava todo o "Ocidente". Por isso, a Igreja não tem de ser "liberal" e muito menos "democrática". Nós, crentes ou não crentes, é que devemos ser. Por isso estamos "deste" lado. Que não haja ilusões. Existe um "nós" e um "eles". O resto são tretas "imoderadas" que vêem "moderados" onde eles não existem.
A IMODERADA MODERAÇÃO
O Augusto M. Seabra, com quem tantas vezes estou de acordo, escreveu no Público (sem link) um texto estimulante sobre "a emancipação da liberdade", a propósito da encenação "censurada" de Idomeneo na Ópera de Berlim. Ao tentar escapar ao jargão "islamofóbico", o Augusto, sensivelmente a meio do texto, dá-lhe para o jargão "ratzingerfóbico", mais vendível entre nós. "Roma não desistiu de ser a autoridade no mundo. O aggiornamento democrático da Igreja Católica está de há muito feito. Mas acho deveras extraordinário que se queira confundir a Igreja com liberalismo, quando ela enquanto corpo doutrinário e institucional lhe é por natureza estranha", escreve o Augusto. Apesar do tom, tem razão. Bento XVI tem sido muito claro em relação ao que vem. A uma Igreja vulgarizada e globalizada, Ratzinger preferirá sempre a Igreja das comunidades, de maior ou de menor dimensão, mas portadora de uma enorme e bem concentrada fé. Uma fé que permita entender racionalmente a natureza de Deus , e não à bomba ou pela intimidação. Nesse sentido, não pode prescindir de ser "a autoridade no mundo". Se o fizesse - se "cedesse" - claudicava e, quer queira o Augusto, quer não, com ele, mais tarde ou mais cedo, claudicava todo o "Ocidente". Por isso, a Igreja não tem de ser "liberal" e muito menos "democrática". Nós, crentes ou não crentes, é que devemos ser. Por isso estamos "deste" lado. Que não haja ilusões. Existe um "nós" e um "eles". O resto são tretas "imoderadas" que vêem "moderados" onde eles não existem.
A VIDA DELAS
O Tomás Vasques elogia duas séries televisivas que também acompanho: House e The L World. Do primeiro, do respectivo script e do excelente mau-feitio do protagonista, estou farto de falar. A segunda série - que vi praticamente toda no canal Fox Life e não na 2: -, tal como Nip Tuck, por exemplo, passa-se em Los Angeles e os protagonistas são praticamente todos mulheres. É a história das suas relações - as afectivas e as sexuais - e, se bem me lembro, em nenhum episódio detectei aquela "veia maricas" com que tantas vezes se aborda os imbróglios entre same sexers. Como qualquer espectador pode verificar, se tiver pachorra, as relações entre same sexers são iguais, em luz, sombra, alegria e violência, a qualquer outra relação. Apenas coisas entre pessoas, no caso, entre mulheres da classe média norte-americana. Por vezes - e isso é provavelmente inevitável numa série- a "conversa" cansa e a as obsessões também. Entre nós, domina a esquizofrenia das "associações G&L". O "não natural" é acentuado pela mania da "diferença" pindérica e folclórica. E não adianta meter explicador que as pobres cabecinhas "activistas" não percebem. The L World revela-nos personagens maduras nas suas fragilidades, seguras nas suas incertezas e felizes no seu meio profissional, desprovidas de complexos. Oxalá a sociedade portuguesa fosse tão adulta como a daquelas burguesinhas. Elas não se "associam". Limitam-se a viver, alegre ou dramaticamente, a vida delas.
A VIDA DELAS
O Tomás Vasques elogia duas séries televisivas que também acompanho: House e The L World. Do primeiro, do respectivo script e do excelente mau-feitio do protagonista, estou farto de falar. A segunda série - que vi praticamente toda no canal Fox Life e não na 2: -, tal como Nip Tuck, por exemplo, passa-se em Los Angeles e os protagonistas são praticamente todos mulheres. É a história das suas relações - as afectivas e as sexuais - e, se bem me lembro, em nenhum episódio detectei aquela "veia maricas" com que tantas vezes se aborda os imbróglios entre same sexers. Como qualquer espectador pode verificar, se tiver pachorra, as relações entre same sexers são iguais, em luz, sombra, alegria e violência, a qualquer outra relação. Apenas coisas entre pessoas, no caso, entre mulheres da classe média norte-americana. Por vezes - e isso é provavelmente inevitável numa série- a "conversa" cansa e a as obsessões também. Entre nós, domina a esquizofrenia das "associações G&L". O "não natural" é acentuado pela mania da "diferença" pindérica e folclórica. E não adianta meter explicador que as pobres cabecinhas "activistas" não percebem. The L World revela-nos personagens maduras nas suas fragilidades, seguras nas suas incertezas e felizes no seu meio profissional, desprovidas de complexos. Oxalá a sociedade portuguesa fosse tão adulta como a daquelas burguesinhas. Elas não se "associam". Limitam-se a viver, alegre ou dramaticamente, a vida delas.
A NATUREZA DAS COISAS
Na sua proverbial ingenuidade, a "esquerda" do PS - o senhor engenheiro, com infinita misericórdia, consente estas extravagâncias - vai montar um "grupo de trabalho parlamentar" para que se legisle acerca do "enriquecimento ilícito". Presumindo que os autores da iniciativa não querem que meio-país paralise, não se enxerga que a ideia possa ir demasiado longe e fundo. As coisas, tal como o regime permitiu que elas fossem, são o que são. Não adianta, por isso, contrariá-las e à sua natureza.
A NATUREZA DAS COISAS
Na sua proverbial ingenuidade, a "esquerda" do PS - o senhor engenheiro, com infinita misericórdia, consente estas extravagâncias - vai montar um "grupo de trabalho parlamentar" para que se legisle acerca do "enriquecimento ilícito". Presumindo que os autores da iniciativa não querem que meio-país paralise, não se enxerga que a ideia possa ir demasiado longe e fundo. As coisas, tal como o regime permitiu que elas fossem, são o que são. Não adianta, por isso, contrariá-las e à sua natureza.
NOVIDADES ?
O senhor conselheiro Nascimento foi eleito - não havia mais candidatos - presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O senhor conselheiro Monteiro foi escolhido pelo poder político para ser o próximo PGR. O senhor dr. Rogério Alves é bastonário da Ordem dos Advogados e um profissional dos media. Finalmente, o PSD e o PS assinaram um "pacto" para a justiça. Estão, pois, criadas as condições para o "sistema" ser posto definitivamente à prova. O miserável episódio de mais um adiamento do julgamento do processo "Fundo Social Europeu"/UGT - que é praticamente do tempo em que o sr. Torres Couto andava de bibe e João Proença era um ilustre desconhecido - e que esteve a "pastar" cinco anos na PGR, é um exemplo do que não pode acontecer, partindo do vaguíssimo princípio que somos civilizados e "modernos". Outra coisa que deve parar é o espectáculo indigente das entradas e saídas dos tribunais de instrução criminal, dado pelas televisões, como se fosse uma extravagância a lei estar a ser cumprida. A menos que se entenda que tudo isto, as "novidades", afinal, não passam de mero show off.
NOVIDADES ?
O senhor conselheiro Nascimento foi eleito - não havia mais candidatos - presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O senhor conselheiro Monteiro foi escolhido pelo poder político para ser o próximo PGR. O senhor dr. Rogério Alves é bastonário da Ordem dos Advogados e um profissional dos media. Finalmente, o PSD e o PS assinaram um "pacto" para a justiça. Estão, pois, criadas as condições para o "sistema" ser posto definitivamente à prova. O miserável episódio de mais um adiamento do julgamento do processo "Fundo Social Europeu"/UGT - que é praticamente do tempo em que o sr. Torres Couto andava de bibe e João Proença era um ilustre desconhecido - e que esteve a "pastar" cinco anos na PGR, é um exemplo do que não pode acontecer, partindo do vaguíssimo princípio que somos civilizados e "modernos". Outra coisa que deve parar é o espectáculo indigente das entradas e saídas dos tribunais de instrução criminal, dado pelas televisões, como se fosse uma extravagância a lei estar a ser cumprida. A menos que se entenda que tudo isto, as "novidades", afinal, não passam de mero show off.
NEO-REALISMOS
"Os filhos crescem, têm autonomia e podem seguir por si", disse ontem Fragateiro em relação à saída da direcção do Trindade, cargo que acumulava com o D. Maria desde Fevereiro. "A existência deste filho estava a perturbar a criação de um projecto identitário para o D. Maria. As pessoas não estavam a conseguir separar aquilo que estava separado na minha cabeça", justificou numa entrevista por telefone. O momento da demissão, segundo Fragateiro, foi escolhido para coincidir com a apresentação da programação do D. Maria II, que será em breve, mas ainda não tem dia marcado." Eu não disse que o homem tinha a cabeça de director teatral amador de um filme de António Lopes Ribeiro? É uma mistura interessante, a desta cabeça com a do "neo-realista" secretário de Estado Vieira de Carvalho. Será que este também pensa como Helena Vieira que verbera Paolo Pinamonti, o director do São Carlos, por causa dos "cantores portugueses"? Que mal lhe pergunte, Helena, acha que o São Carlos, em 2006, é o lugar certo para uma "companhia portuguesa de ópera"? Só se for de uma ópera bufa. Posso não concordar com Pinamonti em muita coisa, mas prefiro uma ópera cosmopolita a uma ópera "neo-realista", de província. Para maus exemplos, já basta o "neo-realismo" embotado que o acompanha na gestão do Teatro.
NEO-REALISMOS
"Os filhos crescem, têm autonomia e podem seguir por si", disse ontem Fragateiro em relação à saída da direcção do Trindade, cargo que acumulava com o D. Maria desde Fevereiro. "A existência deste filho estava a perturbar a criação de um projecto identitário para o D. Maria. As pessoas não estavam a conseguir separar aquilo que estava separado na minha cabeça", justificou numa entrevista por telefone. O momento da demissão, segundo Fragateiro, foi escolhido para coincidir com a apresentação da programação do D. Maria II, que será em breve, mas ainda não tem dia marcado." Eu não disse que o homem tinha a cabeça de director teatral amador de um filme de António Lopes Ribeiro? É uma mistura interessante, a desta cabeça com a do "neo-realista" secretário de Estado Vieira de Carvalho. Será que este também pensa como Helena Vieira que verbera Paolo Pinamonti, o director do São Carlos, por causa dos "cantores portugueses"? Que mal lhe pergunte, Helena, acha que o São Carlos, em 2006, é o lugar certo para uma "companhia portuguesa de ópera"? Só se for de uma ópera bufa. Posso não concordar com Pinamonti em muita coisa, mas prefiro uma ópera cosmopolita a uma ópera "neo-realista", de província. Para maus exemplos, já basta o "neo-realismo" embotado que o acompanha na gestão do Teatro.
BORGES EM INTELECTUAL? - 2
Um amável leitor, na sequência desta minha questão, esclareceu que "António Borges é Doutorado (EUA) e foi Reitor do INSEAD (uma das melhores escolas do Mundo para MBA) antes de ser Chairman da Goldman Sachs" e que "hoje não se sabe ao certo o que aqui faz em Londres...". Obrigadinho. Sucede que estes paramentos não fazem necessariamente dele um "intelectual". Há mais "filosofia" em meia hora de tretas de um taxista ou de um canalizador do que nas boutades desse farto proprietário alentejano. Agrada ao homem do laço do Expresso e aos seus jovenzinhos clones da "especialidade", e depois? É que "não se sabe ao certo o que aqui faz". O dr. Mendes dispensa-o. E o país também.
BORGES EM INTELECTUAL? - 2
Um amável leitor, na sequência desta minha questão, esclareceu que "António Borges é Doutorado (EUA) e foi Reitor do INSEAD (uma das melhores escolas do Mundo para MBA) antes de ser Chairman da Goldman Sachs" e que "hoje não se sabe ao certo o que aqui faz em Londres...". Obrigadinho. Sucede que estes paramentos não fazem necessariamente dele um "intelectual". Há mais "filosofia" em meia hora de tretas de um taxista ou de um canalizador do que nas boutades desse farto proprietário alentejano. Agrada ao homem do laço do Expresso e aos seus jovenzinhos clones da "especialidade", e depois? É que "não se sabe ao certo o que aqui faz". O dr. Mendes dispensa-o. E o país também.
27.9.06
A ARTE DO ESTADO

Dizem-me que o governo se prepara para criar mais um instituto público. Desta vez trata-se de um acrónimo do INATEL: um "instituto para a mobilidade dos funcionários públicos". Terá certamente presidente, vice-presidentes ou vogais e, naturalmente, funcionários. De acordo com o PRACE, extingue-se a Direcção-Geral da Administração Pública, porém "abre-se" o instituto. Ou seja, fecha-se uma janela e abre-se um portão para muita coisa. Nada como "reformar" o Estado com "mais" Estado. E com "comissões" com tempo para tudo e mais alguma coisa. Como explicava o primeiro-ministro no Parlamento, nós pagamos aos nossos pais, os nossos filhos pagam-nos a nós e alguém há-de pagar tudo junto. Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira.
A ARTE DO ESTADO

Dizem-me que o governo se prepara para criar mais um instituto público. Desta vez trata-se de um acrónimo do INATEL: um "instituto para a mobilidade dos funcionários públicos". Terá certamente presidente, vice-presidentes ou vogais e, naturalmente, funcionários. De acordo com o PRACE, extingue-se a Direcção-Geral da Administração Pública, porém "abre-se" o instituto. Ou seja, fecha-se uma janela e abre-se um portão para muita coisa. Nada como "reformar" o Estado com "mais" Estado. E com "comissões" com tempo para tudo e mais alguma coisa. Como explicava o primeiro-ministro no Parlamento, nós pagamos aos nossos pais, os nossos filhos pagam-nos a nós e alguém há-de pagar tudo junto. Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira.
AS COMISSÕES
A praga das "comissões" atacou definitivamente o governo. Só hoje, foram duas. Uma, constituída por criaturas como José Miguel Júdice, Eduardo Catroga ou Rui Machete que passam a ser designados por "árbitros do trabalho". Outra, "interministerial", para apurar as "fragilidades do sistema" - um eufemismo patético - que terão permitido as perigosíssimas passagens de aviões da CIA por cá. Quanto à segunda, é meramente folclórica. Já a primeira - tudo o indica - não servirá para nada. Os ilustres membros, à semelhança dos da "comissão de revisão das carreiras e remunerações" do Estado, têm as vidas deles para tratar. Alguém os imagina a "arbitrar" greves e requisições civis? Por amor de Deus.
AS COMISSÕES
A praga das "comissões" atacou definitivamente o governo. Só hoje, foram duas. Uma, constituída por criaturas como José Miguel Júdice, Eduardo Catroga ou Rui Machete que passam a ser designados por "árbitros do trabalho". Outra, "interministerial", para apurar as "fragilidades do sistema" - um eufemismo patético - que terão permitido as perigosíssimas passagens de aviões da CIA por cá. Quanto à segunda, é meramente folclórica. Já a primeira - tudo o indica - não servirá para nada. Os ilustres membros, à semelhança dos da "comissão de revisão das carreiras e remunerações" do Estado, têm as vidas deles para tratar. Alguém os imagina a "arbitrar" greves e requisições civis? Por amor de Deus.
OS DONOS
Não consigo "assimilar" a dra. Ana Gomes. Daí à senhora ser "controlada" e censurada por esse modelo de virtude política que é a sra. professora de português Edite Estrela, vai uma grande distância. A sra. D. Edite faz isso por iniciativa dela ou a mando do senhor engenheiro de quem é devota convicta dentro da seita? Seja lá como for, é mais um passo no controlo geral em vigor. Se dentro da seita há controleiros - e, ainda por cima, do gabarito da sra. D. Edite -, imagine-se em relação ao país. Ana Gomes é um bocado "pró" destrambelhada, mas tem direito à palavra. Se não a queriam, removessem-na das listas e do Parlamento Europeu. Agora ter de a aturar a ela e à sra. D. Edite, armada em polícia de costumes, é um bocadinho de mais.
OS DONOS
Não consigo "assimilar" a dra. Ana Gomes. Daí à senhora ser "controlada" e censurada por esse modelo de virtude política que é a sra. professora de português Edite Estrela, vai uma grande distância. A sra. D. Edite faz isso por iniciativa dela ou a mando do senhor engenheiro de quem é devota convicta dentro da seita? Seja lá como for, é mais um passo no controlo geral em vigor. Se dentro da seita há controleiros - e, ainda por cima, do gabarito da sra. D. Edite -, imagine-se em relação ao país. Ana Gomes é um bocado "pró" destrambelhada, mas tem direito à palavra. Se não a queriam, removessem-na das listas e do Parlamento Europeu. Agora ter de a aturar a ela e à sra. D. Edite, armada em polícia de costumes, é um bocadinho de mais.
O COMPROMISSO NO BECO
Ainda não decorreu uma semana sobre a "convenção" dos betinhos do "compromisso Portugal" e dois dias sobre a oferta de um telemóvel com casa de banho ao Rei de Espanha, e eis que a mediocridade do "empreendedorismo" nacional volta à tona. Razão tem António José Saraiva. Descobrimos o mundo, mas vivemos num beco. Sem saída.
O COMPROMISSO NO BECO
Ainda não decorreu uma semana sobre a "convenção" dos betinhos do "compromisso Portugal" e dois dias sobre a oferta de um telemóvel com casa de banho ao Rei de Espanha, e eis que a mediocridade do "empreendedorismo" nacional volta à tona. Razão tem António José Saraiva. Descobrimos o mundo, mas vivemos num beco. Sem saída.
BORGES EM INTELECTUAL?
A Fernanda Câncio, jornalista, diz ela, de algumas causas, deu-lhe para reproduzir uma entrevista remota com o - espero não errar na toponímia - professor doutor Pedro Arroja, ao que consta, guru dos "liberais" portugueses. Já agora, gostava que a Fernanda - a quem me anda a apetecer convidar para almoçar - o distinguisse do preclaro dr. (acho que este é só dr.) António Borges. É, por assim dizer, Borges em intelectual?
BORGES EM INTELECTUAL?
A Fernanda Câncio, jornalista, diz ela, de algumas causas, deu-lhe para reproduzir uma entrevista remota com o - espero não errar na toponímia - professor doutor Pedro Arroja, ao que consta, guru dos "liberais" portugueses. Já agora, gostava que a Fernanda - a quem me anda a apetecer convidar para almoçar - o distinguisse do preclaro dr. (acho que este é só dr.) António Borges. É, por assim dizer, Borges em intelectual?
AI TIMOR ?
O dr. Costa, António, está em Timor, presume-se que para visitar as gloriosas tropas da GNR que andam por lá aos caídos, a fazer de "guardas-nocturnos". De acordo com "fontes", os habituais e recorrentes incidentes entre os autoctónes "desenvolveram-se" à aproximação do nosso estadista. É assim que se agradece o luso "esforço" para o bem-estar de tão remota ilha? É interessante ir analisando estas peripécias. Estou farto de aqui escrever que, salvo Fátima e o Menino Jesus, os timorenses não querem saber de nós para nada. Não há meio da Austrália tomar conta daquele desvario a que preside o improvável Xanana. Quando isso acontecer, não se esqueçam de ir outra vez para a rua, todos de branco e de mãozinhas dadas, gritar "ai, Timor".
AI TIMOR ?
O dr. Costa, António, está em Timor, presume-se que para visitar as gloriosas tropas da GNR que andam por lá aos caídos, a fazer de "guardas-nocturnos". De acordo com "fontes", os habituais e recorrentes incidentes entre os autoctónes "desenvolveram-se" à aproximação do nosso estadista. É assim que se agradece o luso "esforço" para o bem-estar de tão remota ilha? É interessante ir analisando estas peripécias. Estou farto de aqui escrever que, salvo Fátima e o Menino Jesus, os timorenses não querem saber de nós para nada. Não há meio da Austrália tomar conta daquele desvario a que preside o improvável Xanana. Quando isso acontecer, não se esqueçam de ir outra vez para a rua, todos de branco e de mãozinhas dadas, gritar "ai, Timor".
26.9.06
LER OS OUTROS
Talvez valha a pena seguir a "saga da corrupção" a que O Jumento está a dar início. Pode ter graça. O gado asinino sabe muita coisa. É como o ouriço de Isaiah Berlin.
LER OS OUTROS
Talvez valha a pena seguir a "saga da corrupção" a que O Jumento está a dar início. Pode ter graça. O gado asinino sabe muita coisa. É como o ouriço de Isaiah Berlin.
"OS TEATROS DO PODER" - 2
Leio no Melhor Anjo que o sr. Fragateiro, director em simultâneo do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro da Trindade/INATEL/FNAT, vai ter de largar este último por manifesta e legal incompatibilidade. A lei orgânica do TNDMII ainda não foi alterada e, consequentemente, Fragateiro não pode acumular. Não sendo propriamente ilegal, existe uma situação paralela no Teatro Nacional de São Carlos e na Companhia Nacional de Bailado que referi aqui. A futura fusão das duas entidades não justifica tudo e, salvo o devido respeito pela pessoa em causa, o "bi-gestor" nem sequer em nenhum deles deveria estar. Temo, pois, que a nova entidade nasça torta. E não, não me "estou a fazer" a nada. Já dei para o peditório. Apenas sou intolerante para com a falta de elementar bom senso e para com a displicência na gestão dos dinheiros públicos. É "antigo" e "reaccionário", eu sei. Todavia, Deus me livre de ser "moderno", pelo menos "moderno" como estes "modernos".
"OS TEATROS DO PODER" - 2
Leio no Melhor Anjo que o sr. Fragateiro, director em simultâneo do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro da Trindade/INATEL/FNAT, vai ter de largar este último por manifesta e legal incompatibilidade. A lei orgânica do TNDMII ainda não foi alterada e, consequentemente, Fragateiro não pode acumular. Não sendo propriamente ilegal, existe uma situação paralela no Teatro Nacional de São Carlos e na Companhia Nacional de Bailado que referi aqui. A futura fusão das duas entidades não justifica tudo e, salvo o devido respeito pela pessoa em causa, o "bi-gestor" nem sequer em nenhum deles deveria estar. Temo, pois, que a nova entidade nasça torta. E não, não me "estou a fazer" a nada. Já dei para o peditório. Apenas sou intolerante para com a falta de elementar bom senso e para com a displicência na gestão dos dinheiros públicos. É "antigo" e "reaccionário", eu sei. Todavia, Deus me livre de ser "moderno", pelo menos "moderno" como estes "modernos".
A QUEDA

Portugal "caiu" três lugares num ranking mundial de competitividade. Ficou atrás da Tunísia, da República Checa e da Estónia. Mais uma multinacional pretende abandonar a pátria e deixar cerca de mil trabalhadores a "olhar para o boneco". No meio disto, só Manuel Pinho, o ministro da Economia e da Inovação, é que não cai nem sai. Não haverá ninguém que o empurre?
A QUEDA

Portugal "caiu" três lugares num ranking mundial de competitividade. Ficou atrás da Tunísia, da República Checa e da Estónia. Mais uma multinacional pretende abandonar a pátria e deixar cerca de mil trabalhadores a "olhar para o boneco". No meio disto, só Manuel Pinho, o ministro da Economia e da Inovação, é que não cai nem sai. Não haverá ninguém que o empurre?
A CARTA
No verão do ano passado, quando fui ao bruxo electrónico que me "construiu" uma péssima carta astrológica para os próximos anos, lembro-me de me ter sido dito que eu tinha sido educado para uma coisa que, pelos vistos, já não existe. Se eu tivesse dúvidas, a chamada de atenção deste blasfemo ajudou-me finalmente a entender o sentido da "carta". Deixei de entender o mundo em que fui criado.
A CARTA
No verão do ano passado, quando fui ao bruxo electrónico que me "construiu" uma péssima carta astrológica para os próximos anos, lembro-me de me ter sido dito que eu tinha sido educado para uma coisa que, pelos vistos, já não existe. Se eu tivesse dúvidas, a chamada de atenção deste blasfemo ajudou-me finalmente a entender o sentido da "carta". Deixei de entender o mundo em que fui criado.
CARTA ABERTA A UM SECRETÁRIO DE ESTADO
Caríssimo dr. João Figueiredo,
Com a consideração e a estima pessoais do,
João Gonçalves
V.Exa. desilude-me. Não que eu possua qualquer tipo de ilusões acerca do país e do regime. Sou um niilista social e não acredito no progresso. V.Exa. acredita, embora o seu rosto e os seus olhos me lembrem "a noite do mundo" que vai ao encontro de todos os homens, aquela de que falava Hegel. Mas para quê a filosofia quando ela é banida dos currículos escolares por inútil para o tal progresso em que V.Exa. confia? E para quê a filosofia quando um empresário notoriamente bimbo, que acompanha Sua Excelência o Presidente da República na visita de Estado, afirma a plenos pulmões que o que é preciso é estudar economia, gestão e "qualidade"? Será que ele lava os dentes? Ainda ontem V. Exa. permitiu que a opinião que se publica e o audiovisual envacalhassem a função pública sem distinções, nem dó, nem piedade. Parece que servir o Estado se tornou subitamente um pecado capital. Ou acha V. Exa. que se nos entregarmos nas mãos da "sociedade civil" e das empresas que vivem do Estado e dos impostos que os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem pagam (porque não têm outro remédio), empresas essas que declaram consecutivamente prejuízos fiscais e honorários dos seus administradores inferiores aos que eu pago à minha empregada doméstica, o país, digamos assim, "neoliberalizado" a partir da Expo e de Matosinhos, era mais próspero? Supõe ainda V. Exa. que precisamos de heróis avençados para nos explicarem o que já todos nós sabemos e que, por razões de oportunidade política, passaram hoje a vilões? Eles sempre foram assim, dr. Figueiredo, ou não sabia? O senhor "fixou" metas e imaginou que eles, os sábios, as iam cumprir. Então e a vidinha deles? Não são as presenças em "comissões" salvadoras da pátria que os safam. O senhor queria "resultados" em Novembro de 2005 e eles só lhe deram uma parte agora. O senhor queria outra parte dos resultados em Abril de 2006, e eles ainda nem sequer a começaram. Ah, dr. Figueiredo, desconfie sempre dos demasiado engravatados que, depois, acabam sempre a assoar-se à sua gravata. Finalmente os seus sábios querem que V. Exa. reduza para 45 dias o prazo para a conclusão dos concursos públicos. Concordo e ajudo-o com uns exemplos. Por mero desporto, em Maio último concorri democratica e legitimamente a três ou quatro lugares das chamadas "direcções intermédias". Entreguei o que me pediram e cumpri o que me exigiram ou, pelo menos, ninguém me notificou para adendas. Num deles, o método de selecção era a entrevista pública. Compareci. Um dos membros do júri era professor universitário, externo ao organismo. Só soube que o concurso já estava encerrado num corredor, por mero acaso e há poucos dias, e a pessoa escolhida- por sinal da "casa" - já enfiada no lugar. Consta que me calhou um honroso "bronze". Então e a lei e "Código de Procedimento Administrativo", perguntará V. Exa? Pergunte-lhes a eles, que são um organismo de "controlo". Claro que existem tribunais, mas não tenho a certeza se me apetece confiar-lhes os papéis para "administrarem a justiça" porque também não tenho a certeza se ela é bem "administrada". Para mau, já basta assim. Depois, entreguei mais três papeletas, se a memória me não falha, noutros organismos. Em cinco meses - 150 dias -, nem um murmúrio ou lista de admitidos ou excluídos. Nada. Um desses organismos foi dirigido por V. Exa. e agora tem uma magistrada do Ministério Público à frente. Naturalmente não espero dela outra coisa senão o cumprimento da legalidade. Quando é que a vai cumprir, é que, pelos vistos, não sei. Do meu, nem vale a pena falar. O "pecado" de ter estado fora uns anos redime-se, como V. Exa. bem sabe, com a eternização no mesmo lugar da carreira. Não gosto de falar de mim, mas também não aprecio falar do que não sei. Disto tenho a certeza. Mais, aliás, do que V. Exa. tem em relação ao que pediu à sua "comissão". Desculpe que lhe diga, mas é bem feito. V.Exa. tem no Estado pessoas com formação e experiência que o poderiam ter ajudado a não levar tudo tão insensatamente para o fundo e para a presente trapalhada do "trás-para-diante". Descanse que não sou eu, que, por não acreditar, seria sempre um mau elemento. Um "complicado", por assim dizer. Todavia, o que não falta por aí são "perfis de competência". Esta carta é uma forma delicada de lhe tentar fazer ver que, com o devido respeito, V. Exa. não vai a lado nenhum. Nem V. Exa., nem o governo de que V. Exa. faz parte. Nem, graças a Deus, o país que tem um dia glorioso dedicado exlusivamente à bola. Isto só é bom para safados e V. Exa. é um homem de bem e de recta intenção. Não perceba isso demasiado tarde.
Com a consideração e a estima pessoais do,
João Gonçalves
CARTA ABERTA A UM SECRETÁRIO DE ESTADO
Caríssimo dr. João Figueiredo,
Com a consideração e a estima pessoais do,
João Gonçalves
V.Exa. desilude-me. Não que eu possua qualquer tipo de ilusões acerca do país e do regime. Sou um niilista social e não acredito no progresso. V.Exa. acredita, embora o seu rosto e os seus olhos me lembrem "a noite do mundo" que vai ao encontro de todos os homens, aquela de que falava Hegel. Mas para quê a filosofia quando ela é banida dos currículos escolares por inútil para o tal progresso em que V.Exa. confia? E para quê a filosofia quando um empresário notoriamente bimbo, que acompanha Sua Excelência o Presidente da República na visita de Estado, afirma a plenos pulmões que o que é preciso é estudar economia, gestão e "qualidade"? Será que ele lava os dentes? Ainda ontem V. Exa. permitiu que a opinião que se publica e o audiovisual envacalhassem a função pública sem distinções, nem dó, nem piedade. Parece que servir o Estado se tornou subitamente um pecado capital. Ou acha V. Exa. que se nos entregarmos nas mãos da "sociedade civil" e das empresas que vivem do Estado e dos impostos que os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem pagam (porque não têm outro remédio), empresas essas que declaram consecutivamente prejuízos fiscais e honorários dos seus administradores inferiores aos que eu pago à minha empregada doméstica, o país, digamos assim, "neoliberalizado" a partir da Expo e de Matosinhos, era mais próspero? Supõe ainda V. Exa. que precisamos de heróis avençados para nos explicarem o que já todos nós sabemos e que, por razões de oportunidade política, passaram hoje a vilões? Eles sempre foram assim, dr. Figueiredo, ou não sabia? O senhor "fixou" metas e imaginou que eles, os sábios, as iam cumprir. Então e a vidinha deles? Não são as presenças em "comissões" salvadoras da pátria que os safam. O senhor queria "resultados" em Novembro de 2005 e eles só lhe deram uma parte agora. O senhor queria outra parte dos resultados em Abril de 2006, e eles ainda nem sequer a começaram. Ah, dr. Figueiredo, desconfie sempre dos demasiado engravatados que, depois, acabam sempre a assoar-se à sua gravata. Finalmente os seus sábios querem que V. Exa. reduza para 45 dias o prazo para a conclusão dos concursos públicos. Concordo e ajudo-o com uns exemplos. Por mero desporto, em Maio último concorri democratica e legitimamente a três ou quatro lugares das chamadas "direcções intermédias". Entreguei o que me pediram e cumpri o que me exigiram ou, pelo menos, ninguém me notificou para adendas. Num deles, o método de selecção era a entrevista pública. Compareci. Um dos membros do júri era professor universitário, externo ao organismo. Só soube que o concurso já estava encerrado num corredor, por mero acaso e há poucos dias, e a pessoa escolhida- por sinal da "casa" - já enfiada no lugar. Consta que me calhou um honroso "bronze". Então e a lei e "Código de Procedimento Administrativo", perguntará V. Exa? Pergunte-lhes a eles, que são um organismo de "controlo". Claro que existem tribunais, mas não tenho a certeza se me apetece confiar-lhes os papéis para "administrarem a justiça" porque também não tenho a certeza se ela é bem "administrada". Para mau, já basta assim. Depois, entreguei mais três papeletas, se a memória me não falha, noutros organismos. Em cinco meses - 150 dias -, nem um murmúrio ou lista de admitidos ou excluídos. Nada. Um desses organismos foi dirigido por V. Exa. e agora tem uma magistrada do Ministério Público à frente. Naturalmente não espero dela outra coisa senão o cumprimento da legalidade. Quando é que a vai cumprir, é que, pelos vistos, não sei. Do meu, nem vale a pena falar. O "pecado" de ter estado fora uns anos redime-se, como V. Exa. bem sabe, com a eternização no mesmo lugar da carreira. Não gosto de falar de mim, mas também não aprecio falar do que não sei. Disto tenho a certeza. Mais, aliás, do que V. Exa. tem em relação ao que pediu à sua "comissão". Desculpe que lhe diga, mas é bem feito. V.Exa. tem no Estado pessoas com formação e experiência que o poderiam ter ajudado a não levar tudo tão insensatamente para o fundo e para a presente trapalhada do "trás-para-diante". Descanse que não sou eu, que, por não acreditar, seria sempre um mau elemento. Um "complicado", por assim dizer. Todavia, o que não falta por aí são "perfis de competência". Esta carta é uma forma delicada de lhe tentar fazer ver que, com o devido respeito, V. Exa. não vai a lado nenhum. Nem V. Exa., nem o governo de que V. Exa. faz parte. Nem, graças a Deus, o país que tem um dia glorioso dedicado exlusivamente à bola. Isto só é bom para safados e V. Exa. é um homem de bem e de recta intenção. Não perceba isso demasiado tarde.
Com a consideração e a estima pessoais do,
João Gonçalves
UM PROGRAMA PORTUGUÊS
UM PROGRAMA PORTUGUÊS
LER OS OUTROS
O Jorge Ferreira. "Como parece que para o sistema o que é importante não é a gravidade da coisa [ fuga de informação no interior da PJ a favor de Pinto da Costa] ter acontecido, mas sim o seu conhecimento pelos leitores dos jornais, deduzam já a acusação contra o jornalista..." Já lá diz o anarca (felizmente recuperado): neste país é carnaval todos os dias.
LER OS OUTROS
O Jorge Ferreira. "Como parece que para o sistema o que é importante não é a gravidade da coisa [ fuga de informação no interior da PJ a favor de Pinto da Costa] ter acontecido, mas sim o seu conhecimento pelos leitores dos jornais, deduzam já a acusação contra o jornalista..." Já lá diz o anarca (felizmente recuperado): neste país é carnaval todos os dias.
25.9.06
POR QUE CORREM?
O dr. João Figueiredo carrega a pesada cruz de ter de dar a cara - pálida - pela "reforma do Estado" e pelos "estudos" encomendados a sábias "comissões". É que, quando a coisa aquece, apesar da experiência no "terreno" com as altas temperaturas, o dr. António Costa, ministro de Estado, desaparece. Os cagões das várias "comissões" nomeadas pelo governo- este ou outro qualquer- para "estudarem" tudo e mais alguma coisa, deviam começar por se estudar a si próprios. Quantos professores universitários dessas "comissões", quantos altos funcionários dessas "comissões", quantos "moralistas do sistema" acumulam a "função pública" com tantas outras coisas, umas declaráveis e outras nem tanto? Eu não os invejo porque gosto de ler, de ir à praia, de comer bem e de beber melhor, de escrever aqui e de outros prazeres inerentes à carne, ao sol e à vida de que dias soturnos e engravatados, de 28 a 30 horas, me privariam. E, assim como assim, acabamos todos mortos. Neste caso, por que correm o dr. Figueiredo e os cagões das "comissões"? Não vale a pena.
POR QUE CORREM?
O dr. João Figueiredo carrega a pesada cruz de ter de dar a cara - pálida - pela "reforma do Estado" e pelos "estudos" encomendados a sábias "comissões". É que, quando a coisa aquece, apesar da experiência no "terreno" com as altas temperaturas, o dr. António Costa, ministro de Estado, desaparece. Os cagões das várias "comissões" nomeadas pelo governo- este ou outro qualquer- para "estudarem" tudo e mais alguma coisa, deviam começar por se estudar a si próprios. Quantos professores universitários dessas "comissões", quantos altos funcionários dessas "comissões", quantos "moralistas do sistema" acumulam a "função pública" com tantas outras coisas, umas declaráveis e outras nem tanto? Eu não os invejo porque gosto de ler, de ir à praia, de comer bem e de beber melhor, de escrever aqui e de outros prazeres inerentes à carne, ao sol e à vida de que dias soturnos e engravatados, de 28 a 30 horas, me privariam. E, assim como assim, acabamos todos mortos. Neste caso, por que correm o dr. Figueiredo e os cagões das "comissões"? Não vale a pena.
A LEI QUE EXISTE
A horrorosa "associação portuguesa das famílias numerosas" - cujos membros têm direito a uma "reportagem" semanal no suplemento Tabu do Sol - quer a cabeça de Correia de Campos por ele defender a despenalização do aborto. Ligam isto à "taxa de natalidade" (já de si diminuta e a descer se a interrupção voluntária da gravidez for para a frente, dizem eles), insistindo que o ministro não quer que a referida taxa desça, antes prefere que a do aborto aumente. Com o devido respeito, que é nenhum, a "associação" não tem razão a não ser quando afirma que o ministro tem "falta de senso". Ele terá, de facto, mas não é por isto. Ao falar na realização da IVG nos hospitais públicos, o ministro limita-se a dizer que a lei a permite em três casos perfeitamente identificados mas que, quer médicos, quer enfermeiros, quer as condições objectivas de funcionamento do SNS, não a cumprem, depois de ter sido alterada há mais de vinte anos. Também pesa a "vergonha" cultural e social de recorrer ao hospital público. Por isso, quem pode dá um salto até aqui ao lado ou a uma choruda "privada", e quem não pode - outro tipo de "famílias numerosas" que não cabe no corpo de "betinhos" da APFN - recorre a um expediente mais fácil e inseguro. Se os "activistas" pró-aborto - tipo "não te prives" e agremiações folclóricas congéneres - acham que a despenalização total da IVG altera este estado de coisas, estão muito enganados. Dito de outra forma, a IVG é, há anos, facultada no SNS que, por inexplicáveis "razões de Estado", jamais viu cumprir-se a lei. Sou contra a utilização da IVG como meio anti-concepcional, porém sou favorável ao cumprimento da lei. Da que existe e não da que as "associações" - as "pró" e as "contra" - queriam que existisse.
A LEI QUE EXISTE
A horrorosa "associação portuguesa das famílias numerosas" - cujos membros têm direito a uma "reportagem" semanal no suplemento Tabu do Sol - quer a cabeça de Correia de Campos por ele defender a despenalização do aborto. Ligam isto à "taxa de natalidade" (já de si diminuta e a descer se a interrupção voluntária da gravidez for para a frente, dizem eles), insistindo que o ministro não quer que a referida taxa desça, antes prefere que a do aborto aumente. Com o devido respeito, que é nenhum, a "associação" não tem razão a não ser quando afirma que o ministro tem "falta de senso". Ele terá, de facto, mas não é por isto. Ao falar na realização da IVG nos hospitais públicos, o ministro limita-se a dizer que a lei a permite em três casos perfeitamente identificados mas que, quer médicos, quer enfermeiros, quer as condições objectivas de funcionamento do SNS, não a cumprem, depois de ter sido alterada há mais de vinte anos. Também pesa a "vergonha" cultural e social de recorrer ao hospital público. Por isso, quem pode dá um salto até aqui ao lado ou a uma choruda "privada", e quem não pode - outro tipo de "famílias numerosas" que não cabe no corpo de "betinhos" da APFN - recorre a um expediente mais fácil e inseguro. Se os "activistas" pró-aborto - tipo "não te prives" e agremiações folclóricas congéneres - acham que a despenalização total da IVG altera este estado de coisas, estão muito enganados. Dito de outra forma, a IVG é, há anos, facultada no SNS que, por inexplicáveis "razões de Estado", jamais viu cumprir-se a lei. Sou contra a utilização da IVG como meio anti-concepcional, porém sou favorável ao cumprimento da lei. Da que existe e não da que as "associações" - as "pró" e as "contra" - queriam que existisse.
MATEMÁTICA FUNCIONÁRIA
Num simples post, o Eduardo Pitta resume o fundamental e a respectiva "história". Pena é que a "central de comunicações" do governo - explicada no Sol pelo Jerónimo Pimentel - esteja permanentemente a excitar a opinião pública contra os funcionários do Estado, enfiando tudo e todos no mesmo saco de gatos. Antes de expelir os resultados das suas "comissões" de sábios - nas quais estão funcionários públicos, a menos que os professores universitários e outras luminárias que eu bem conheço sejam da "sociedade civil" -, conviria ao executivo explicar (como se isso lhe interessasse...) a diversidade do conceito de "funcionário público". A gente sabe que, quer os membros do governo, quer os seus assessores e os seus sábios, não apreciam misturar-se com as porteiras das escolas secundárias ou com os coveiros municipais. A designação de "funcionário" ou de "servidor do Estado" arrepia estas almas democráticas. Vai daí, lança-se um anátema geral, sabendo de antemão o governo que, dado o Estado napoleónico em que sempre vivemos, se o "funcionário" e respectiva família se irritarem muito, na altura certa não há votos para ninguém. Oxalá me engane, mas convém estar atento ao "discurso" da "central" sobre a administração pública mais perto de 2009. Setecentos e tal mil votos, fora as mulheres, os maridos, os avós, os pais, os filhos, os netos, os amantes e as amantes, podem dar cabo de uma maioria absoluta. Pelo andar da carruagem, não se perdia grande coisa.
MATEMÁTICA FUNCIONÁRIA
Num simples post, o Eduardo Pitta resume o fundamental e a respectiva "história". Pena é que a "central de comunicações" do governo - explicada no Sol pelo Jerónimo Pimentel - esteja permanentemente a excitar a opinião pública contra os funcionários do Estado, enfiando tudo e todos no mesmo saco de gatos. Antes de expelir os resultados das suas "comissões" de sábios - nas quais estão funcionários públicos, a menos que os professores universitários e outras luminárias que eu bem conheço sejam da "sociedade civil" -, conviria ao executivo explicar (como se isso lhe interessasse...) a diversidade do conceito de "funcionário público". A gente sabe que, quer os membros do governo, quer os seus assessores e os seus sábios, não apreciam misturar-se com as porteiras das escolas secundárias ou com os coveiros municipais. A designação de "funcionário" ou de "servidor do Estado" arrepia estas almas democráticas. Vai daí, lança-se um anátema geral, sabendo de antemão o governo que, dado o Estado napoleónico em que sempre vivemos, se o "funcionário" e respectiva família se irritarem muito, na altura certa não há votos para ninguém. Oxalá me engane, mas convém estar atento ao "discurso" da "central" sobre a administração pública mais perto de 2009. Setecentos e tal mil votos, fora as mulheres, os maridos, os avós, os pais, os filhos, os netos, os amantes e as amantes, podem dar cabo de uma maioria absoluta. Pelo andar da carruagem, não se perdia grande coisa.
NÃO HÁ PACHORRA
Dois conhecidos "reformadores" da Educação do Portugal "democrático", os drs. Marçal Grilo e Roberto Carneiro, encontraram-se para explicar ao país que, afinal, do que a Educação menos precisa é de mais "reformas". É o mesmo que pedir a incendiários que expliquem como é que se combatem os fogos. Não há pachorra.
NÃO HÁ PACHORRA
Dois conhecidos "reformadores" da Educação do Portugal "democrático", os drs. Marçal Grilo e Roberto Carneiro, encontraram-se para explicar ao país que, afinal, do que a Educação menos precisa é de mais "reformas". É o mesmo que pedir a incendiários que expliquem como é que se combatem os fogos. Não há pachorra.
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