30.11.11

PESSOA APEDROSADO


Inês Pedrosa não pára de nos surpreender com a sua inconfundível propensão para a mediocridade inteligente. Pobre Fernandinho, o que fizeram de ti!....

PESSOA APEDROSADO


Inês Pedrosa não pára de nos surpreender com a sua inconfundível propensão para a mediocridade inteligente. Pobre Fernandinho, o que fizeram de ti!....

TEMOS PENA, 2

Mário Soares, em 2011, não arranjou melhor para apresentar o seu ensaio de memórias do que dois paineleiros televisivos de recente extracção mas que têm em comum o desvelo socrático tardio e fanático. A biografia do antigo pai da pátria merecia melhor. Temos pena.

TEMOS PENA, 2

Mário Soares, em 2011, não arranjou melhor para apresentar o seu ensaio de memórias do que dois paineleiros televisivos de recente extracção mas que têm em comum o desvelo socrático tardio e fanático. A biografia do antigo pai da pátria merecia melhor. Temos pena.

TEMOS PENA


Chega ao fim a saga do orçamento. Foi um mês de "generalidade" e de "especialidade". O mais revelador do exercício foi a qualidade geral das prestações parlamentares. A primeira vez que votei, faz depois de amanhã 32 anos, foi eleita uma Câmara que dificilmente se reconheceria na actual. E se andarmos para trás - constituinte e a resultante das legislativas de 1976, as primeiras - a nuance é ainda mais impressiva. Temos pena.

TEMOS PENA


Chega ao fim a saga do orçamento. Foi um mês de "generalidade" e de "especialidade". O mais revelador do exercício foi a qualidade geral das prestações parlamentares. A primeira vez que votei, faz depois de amanhã 32 anos, foi eleita uma Câmara que dificilmente se reconheceria na actual. E se andarmos para trás - constituinte e a resultante das legislativas de 1976, as primeiras - a nuance é ainda mais impressiva. Temos pena.

DIFERENÇAS


Por que é que Maurras é preferível à beatitude.

DIFERENÇAS


Por que é que Maurras é preferível à beatitude.

NÃO NOS SUJARMOS

O Jansenista tem razão. O que interessa é não nos sujarmos.

NÃO NOS SUJARMOS

O Jansenista tem razão. O que interessa é não nos sujarmos.

A CALAMIDADE DE AMADO

O dr. Amado, MNE de Sócrates, disse ontem no Porto que o país vive qualquer coisa comparável a um verdadeiro estado de calamidade nacional. O dr. Amado - que chegou a deslumbrar alguma "direita" durante breves dias pese embora os seis anos de presença consecutiva no anterior consulado - deve saber do que fala.

A CALAMIDADE DE AMADO

O dr. Amado, MNE de Sócrates, disse ontem no Porto que o país vive qualquer coisa comparável a um verdadeiro estado de calamidade nacional. O dr. Amado - que chegou a deslumbrar alguma "direita" durante breves dias pese embora os seis anos de presença consecutiva no anterior consulado - deve saber do que fala.

29.11.11

O BAÚ DA CULTURA

O único elogio que devo ter feito ao consulado de Gabriela Canavilhas como ministra da Cultura foi este. Por outro lado, não me cansei de tentar explicar o embuste que constituiu a OPART (uma coisa que juntou o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) em boa hora extinta pelo actual Governo. Sucede que o baú da OPART, ao contrário do que eu supunha, ainda não estava bem fechado. Depois de uma excelente escolha na pessoa de João Mota para a direcção artística do D. Maria, o referido baú vai aparentemente fornecer um administrador ao teatro nacional. Esta auditoria do Tribunal de Contas não serviu para nada?

O BAÚ DA CULTURA

O único elogio que devo ter feito ao consulado de Gabriela Canavilhas como ministra da Cultura foi este. Por outro lado, não me cansei de tentar explicar o embuste que constituiu a OPART (uma coisa que juntou o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) em boa hora extinta pelo actual Governo. Sucede que o baú da OPART, ao contrário do que eu supunha, ainda não estava bem fechado. Depois de uma excelente escolha na pessoa de João Mota para a direcção artística do D. Maria, o referido baú vai aparentemente fornecer um administrador ao teatro nacional. Esta auditoria do Tribunal de Contas não serviu para nada?

SOMAR ANOS


«A nossa vida é uma vida de relações com muitas pessoas que pode acontecer termos encontrado no nosso percurso, por exemplo na vida escolar, e que findo esse encontro não mais voltámos a encontrar. Estas relações formam um todo de relacionamentos que nos estruturam a vida. Falo de pessoas conhecidas. Mas há as milhentas pessoas que nunca encontrámos mas sabemos que existem - actores, políticos, artistas, pensadores, cientistas. Mas a morte sucessiva dessas ligações dá-nos o choque do efémero e irrepetível dessa estrutura. O acaso, a contingência destes múltiplos encontros agravam a contingência da nossa própria vida. Cada elemento era um ponto de referência que tornava forte, consistente o nosso estar no mundo. E dia a dia vamos sabendo que essas referências vão desaparecendo - os professores que tivemos, os colegas que realizaram connosco um percurso da vida, os amigos com quem convivemos. E então explode num estampido a revelação de que estamos mais sós, de que o nosso estar no mundo é provisório, de que o mundo que construímos com os outros não tem consistência nenhuma e não tem por isso significação.»

Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 3, 29 de Novembro de 1981

SOMAR ANOS


«A nossa vida é uma vida de relações com muitas pessoas que pode acontecer termos encontrado no nosso percurso, por exemplo na vida escolar, e que findo esse encontro não mais voltámos a encontrar. Estas relações formam um todo de relacionamentos que nos estruturam a vida. Falo de pessoas conhecidas. Mas há as milhentas pessoas que nunca encontrámos mas sabemos que existem - actores, políticos, artistas, pensadores, cientistas. Mas a morte sucessiva dessas ligações dá-nos o choque do efémero e irrepetível dessa estrutura. O acaso, a contingência destes múltiplos encontros agravam a contingência da nossa própria vida. Cada elemento era um ponto de referência que tornava forte, consistente o nosso estar no mundo. E dia a dia vamos sabendo que essas referências vão desaparecendo - os professores que tivemos, os colegas que realizaram connosco um percurso da vida, os amigos com quem convivemos. E então explode num estampido a revelação de que estamos mais sós, de que o nosso estar no mundo é provisório, de que o mundo que construímos com os outros não tem consistência nenhuma e não tem por isso significação.»

Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 3, 29 de Novembro de 1981

28.11.11

COISAS BOAS



NOTA: em português acordográfico segundo alguns leitores.

COISAS BOAS



NOTA: em português acordográfico segundo alguns leitores.

O FERIADO DA ROTUNDA

Boa ideia a de acabar com o feriado do 5 de Outubro. Para que é que se há-de continuar a consagrar uma ditadura urbano-depressiva que teve de esperar para ser derrubada por outra?

O FERIADO DA ROTUNDA

Boa ideia a de acabar com o feriado do 5 de Outubro. Para que é que se há-de continuar a consagrar uma ditadura urbano-depressiva que teve de esperar para ser derrubada por outra?

27.11.11

O FADO NASCEU UM DIA


De Bali, na Indonésia, chegaram imagens de António Costa - num inglês miserável - a defender o fado. Costa apoderou-se habilmente desta campanha e apareceu como grande paladino do evento (o tal país de eventos, uma canga de que não nos conseguimos livrar), juntamente com o voluntarioso Vieira Nery. Mas estas coisas têm uma "história" e um princípio. E não foi Costa que o gizou. Seis anos depois, o Pedro Santana Lopes está de parabéns.

O FADO NASCEU UM DIA


De Bali, na Indonésia, chegaram imagens de António Costa - num inglês miserável - a defender o fado. Costa apoderou-se habilmente desta campanha e apareceu como grande paladino do evento (o tal país de eventos, uma canga de que não nos conseguimos livrar), juntamente com o voluntarioso Vieira Nery. Mas estas coisas têm uma "história" e um princípio. E não foi Costa que o gizou. Seis anos depois, o Pedro Santana Lopes está de parabéns.

GRANDEZA



Dvorak, Lied der Rusalka an den Mond. Renée Fleming. Berliner Phil. Ion Marin.

GRANDEZA



Dvorak, Lied der Rusalka an den Mond. Renée Fleming. Berliner Phil. Ion Marin.

26.11.11

O CORAÇÃO DE OTELO

Mário Soares aludiu ao "bom coração" que Otelo possui apesar da pesada propensão para a "asneira", património mais recentemente comum a ambos. Até Ramalho Eanes se referiu ao mesmo Otelo como alguém com o "coração ao pé da boca". O mal de Otelo é, como se tem visto nos últimos dias, um mal genérico da pátria - exibir o coração, talvez bom, demasiado perto da boca. O país anda embotado em opiniões, quase tantas como o dinheiro que não tem. Desde a suprema magistratura ao último articulista, são muitos os que nos têm brindado com o seu "solucionismo" compulsivo para a crise. Sucede que a crise - no país e na Europa - não se resolve por a opinião pública ter sido tomada por uma espécie de imenso coração de Otelo colectivo, pronto a derramar na primeira palestra, na primeira emissão televisiva, no primeiro artigo ou manifesto de jornal. Muitos estiveram calados, ou em palavrosas intermitências de circunstância, durante os últimos seis anos mas, em apenas cinco meses, descobriram, como Otelo, que tinham, afinal, um "coração" ao pé da boca. Um país com "corações" assim dificilmente chega a lado algum.

O CORAÇÃO DE OTELO

Mário Soares aludiu ao "bom coração" que Otelo possui apesar da pesada propensão para a "asneira", património mais recentemente comum a ambos. Até Ramalho Eanes se referiu ao mesmo Otelo como alguém com o "coração ao pé da boca". O mal de Otelo é, como se tem visto nos últimos dias, um mal genérico da pátria - exibir o coração, talvez bom, demasiado perto da boca. O país anda embotado em opiniões, quase tantas como o dinheiro que não tem. Desde a suprema magistratura ao último articulista, são muitos os que nos têm brindado com o seu "solucionismo" compulsivo para a crise. Sucede que a crise - no país e na Europa - não se resolve por a opinião pública ter sido tomada por uma espécie de imenso coração de Otelo colectivo, pronto a derramar na primeira palestra, na primeira emissão televisiva, no primeiro artigo ou manifesto de jornal. Muitos estiveram calados, ou em palavrosas intermitências de circunstância, durante os últimos seis anos mas, em apenas cinco meses, descobriram, como Otelo, que tinham, afinal, um "coração" ao pé da boca. Um país com "corações" assim dificilmente chega a lado algum.

PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE



A biografia. Na RTP2, às 21 horas.

PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE



A biografia. Na RTP2, às 21 horas.

FARTO FADO

Felizmente termina hoje, em Bali, a saga do fado. Até eu, que gosto de fado, já estou farto de tanto fado e de uma candidatura cuja "história" ainda um dia será convenientemente contada.

FARTO FADO

Felizmente termina hoje, em Bali, a saga do fado. Até eu, que gosto de fado, já estou farto de tanto fado e de uma candidatura cuja "história" ainda um dia será convenientemente contada.

LAXISMOS, EGOÍSMOS

Enquanto por cá a "massa crítica" socialista anda pelas ruas da amargura (até a aparentemente mais lúcida o que não quer dizer que outras sejam melhores), vale a pena ler o antigo conselheiro de Mitterrand, Jacques Attali sobre a Europa. «C'est à nouveau au tour de l'Allemagne de tenir dans sa main l'arme du suicide collectif du continent le plus avancé du monde.Si elle refuse d'accepter la voie étroite qui passe par le rachat par la BCE desobligations arrivées à maturité, suivi de l'émission d'une dette souveraine européenne, remboursée par deux points de TVA européenne, et d'une réforme des traités permettant de mieux contrôler les laxismes des uns et les égoïsmes des autres, la catastrophe aura lieu.»

LAXISMOS, EGOÍSMOS

Enquanto por cá a "massa crítica" socialista anda pelas ruas da amargura (até a aparentemente mais lúcida o que não quer dizer que outras sejam melhores), vale a pena ler o antigo conselheiro de Mitterrand, Jacques Attali sobre a Europa. «C'est à nouveau au tour de l'Allemagne de tenir dans sa main l'arme du suicide collectif du continent le plus avancé du monde.Si elle refuse d'accepter la voie étroite qui passe par le rachat par la BCE desobligations arrivées à maturité, suivi de l'émission d'une dette souveraine européenne, remboursée par deux points de TVA européenne, et d'une réforme des traités permettant de mieux contrôler les laxismes des uns et les égoïsmes des autres, la catastrophe aura lieu.»

25.11.11

O LADO DA DECÊNCIA

«Uma atitude decente é assumirmos todos as nossas responsabilidades. Não tenho ilusões: quem está de fora (a esquerda parlamentar) vai comportar-se como se tivesse chegado agora de Madagáscar; senadores e oportunistas vão comportar-se como sempre se têm comportado- cuidando dos seus interesses pessoais em nome "do povo". Os revolucionários quererão fazer o que sabem fazer: escolher pelos outros. Escolher um lado não significa escolher uma facção. Significa não fazer a escolha fácil, a que as circunstâncias sugerem como melhor para o nosso futuro individual. Escolher um lado significa ter dúvidas e esperar que essa escolha as possa resolver - o contrário é o fanatismo egoísta. Na perigosa situação actual, como não sei o que o actual governo poderia estar a fazer de diferente, escolho o lado da opção actual. Não é o lado do partido ou do governo, é o lado da decência.»

Filipe Nunes Vicente, Lathe Biosas

O LADO DA DECÊNCIA

«Uma atitude decente é assumirmos todos as nossas responsabilidades. Não tenho ilusões: quem está de fora (a esquerda parlamentar) vai comportar-se como se tivesse chegado agora de Madagáscar; senadores e oportunistas vão comportar-se como sempre se têm comportado- cuidando dos seus interesses pessoais em nome "do povo". Os revolucionários quererão fazer o que sabem fazer: escolher pelos outros. Escolher um lado não significa escolher uma facção. Significa não fazer a escolha fácil, a que as circunstâncias sugerem como melhor para o nosso futuro individual. Escolher um lado significa ter dúvidas e esperar que essa escolha as possa resolver - o contrário é o fanatismo egoísta. Na perigosa situação actual, como não sei o que o actual governo poderia estar a fazer de diferente, escolho o lado da opção actual. Não é o lado do partido ou do governo, é o lado da decência.»

Filipe Nunes Vicente, Lathe Biosas

É SÓ ISTO


O José Paulo Fafe decerto não se importa que lhe furte tudo.

«NO DIA em que se cumprem trinta e seis anos após o "25 de Novembro" e antes que surja o inefável Lourenço a tentar colher os louros que não lhe pertencem, aqui fica a homenagem devida a um homem a quem o País muito deve: António Ramalho Eanes

Adenda: Mais logo, na SEDES, Rua Duque de Palmela, 2, 4º dtº, em Lisboa. Conferência proferida pelo General Ramalho Eanes subordinada ao tema "Portugal, que futuro?". Às 18.00.

É SÓ ISTO


O José Paulo Fafe decerto não se importa que lhe furte tudo.

«NO DIA em que se cumprem trinta e seis anos após o "25 de Novembro" e antes que surja o inefável Lourenço a tentar colher os louros que não lhe pertencem, aqui fica a homenagem devida a um homem a quem o País muito deve: António Ramalho Eanes

Adenda: Mais logo, na SEDES, Rua Duque de Palmela, 2, 4º dtº, em Lisboa. Conferência proferida pelo General Ramalho Eanes subordinada ao tema "Portugal, que futuro?". Às 18.00.

24.11.11

OS MANDARINS

As direcções partidárias mudam e tornam a mudar. Os governos mudam e tornam a mudar. Mas os mandarins sindicais Carvalho da Silva e Proença ficam. Ficam e teorizam abundantemente. E as televisões dão-lhes corda um dia inteiro. Ouvimos as criaturas exibir o seu extraordinário dom da ubiquidade juntas e separadas, separadas e juntas. Finalmente acabaram por ter o "enquadramento intelectual" da vetusta Quadratura do Círculo, o programa de comentarismo político mais chato do mundo. Estão, aliás, adequados uns para os outros. Ruben Andresen Leitão, porventura um dos escritores portugueses do século XX que melhor nos conheceu e ilustrou, escreve no seu D. Pedro V que «em Portugal a teoria abafa qualquer tentativa prática e todo o nosso condicionamento político, educacional, etc. não nos dá a possibilidade de acção de que carecemos; teorizar de mais é o nosso grande defeito e é aquilo que sempre nos perdeu.» Mas vale a pena tentar explicar isto a um doutorado do ISCTE como da Silva ou a um soba socialista como Proença? Não vale.

OS MANDARINS

As direcções partidárias mudam e tornam a mudar. Os governos mudam e tornam a mudar. Mas os mandarins sindicais Carvalho da Silva e Proença ficam. Ficam e teorizam abundantemente. E as televisões dão-lhes corda um dia inteiro. Ouvimos as criaturas exibir o seu extraordinário dom da ubiquidade juntas e separadas, separadas e juntas. Finalmente acabaram por ter o "enquadramento intelectual" da vetusta Quadratura do Círculo, o programa de comentarismo político mais chato do mundo. Estão, aliás, adequados uns para os outros. Ruben Andresen Leitão, porventura um dos escritores portugueses do século XX que melhor nos conheceu e ilustrou, escreve no seu D. Pedro V que «em Portugal a teoria abafa qualquer tentativa prática e todo o nosso condicionamento político, educacional, etc. não nos dá a possibilidade de acção de que carecemos; teorizar de mais é o nosso grande defeito e é aquilo que sempre nos perdeu.» Mas vale a pena tentar explicar isto a um doutorado do ISCTE como da Silva ou a um soba socialista como Proença? Não vale.

MADE GLORIOUS SUMMER


Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.

Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums chang'd to merry meetings,

Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visag'd war hath smooth'd his wrinkled front.


Shakespeare, Richard III

MADE GLORIOUS SUMMER


Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.

Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums chang'd to merry meetings,

Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visag'd war hath smooth'd his wrinkled front.


Shakespeare, Richard III

E SE FOSSEM DAR BANHO AO CÃO?


E SE FOSSEM DAR BANHO AO CÃO?


23.11.11

SEI LÁ

A Joaninha Amaral Dias tem tanto de bonita como de politicamente frívola. Ornamenta muito bem tanto uma mesa quanto um manifesto ou um "novo paradigma".

SEI LÁ

A Joaninha Amaral Dias tem tanto de bonita como de politicamente frívola. Ornamenta muito bem tanto uma mesa quanto um manifesto ou um "novo paradigma".

SÁBIOS CONSELHOS

«O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»

Mário Soares, Primeiro-Ministro, 15 de Maio de 1984 (in A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)

SÁBIOS CONSELHOS

«O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»

Mário Soares, Primeiro-Ministro, 15 de Maio de 1984 (in A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)

O MANIFESTO ANTI-REFORMADOR



Parece que foi lançado um "manifesto". À cabeça dele está o patriarca da igreja ortodoxa do regime, o glorioso dr. Mário Soares. Fora o Medeiros Ferreira - meu Amigo e com quem assinei o Manifesto Reformador de 1979 - os outros oficiantes não me inspiram grande consideração. Para não dizer nenhuma.

Foto: Ephemera

Adenda: A "fase" do "pensamento mágico" à conta de um "novo paradigma" (agora não há praticamente ninguém que não queira sugerir novos paradigmas nem que seja na confecção de saladas de frango). Não há pachorra.

O MANIFESTO ANTI-REFORMADOR



Parece que foi lançado um "manifesto". À cabeça dele está o patriarca da igreja ortodoxa do regime, o glorioso dr. Mário Soares. Fora o Medeiros Ferreira - meu Amigo e com quem assinei o Manifesto Reformador de 1979 - os outros oficiantes não me inspiram grande consideração. Para não dizer nenhuma.

Foto: Ephemera

Adenda: A "fase" do "pensamento mágico" à conta de um "novo paradigma" (agora não há praticamente ninguém que não queira sugerir novos paradigmas nem que seja na confecção de saladas de frango). Não há pachorra.

22.11.11

"CIRCENSES" SEM "PANEM"

Não acompanho a Suzana Toscano nisto. E não, não é «a prova provada de que aquilo na Madeira é tudo um disparate de despesa deitada à rua». Ou que não se trata de um «investimento» no turismo local. Será despesa e porventura de investimento. Mas a circunstância favorece a manifesta obscenidade da dita despesa e do dito investimento (arrematado pela maravilhosa via do ajuste directo) dado o que espera (e se espera da) Madeira no curto e no médio prazo. A Suzana imagina o que se diria e escreveria se, por exemplo, o primeiro-ministro decidisse mandar erguer uma árvore de natal de 30 metros de altura, em São Bento, toda iluminada, ou sugerisse 15 minutos de fogo de artifício a partir do Jardim da Estrela para consolo dos turistas amantes da Lisboa do eléctrico 28?

"CIRCENSES" SEM "PANEM"

Não acompanho a Suzana Toscano nisto. E não, não é «a prova provada de que aquilo na Madeira é tudo um disparate de despesa deitada à rua». Ou que não se trata de um «investimento» no turismo local. Será despesa e porventura de investimento. Mas a circunstância favorece a manifesta obscenidade da dita despesa e do dito investimento (arrematado pela maravilhosa via do ajuste directo) dado o que espera (e se espera da) Madeira no curto e no médio prazo. A Suzana imagina o que se diria e escreveria se, por exemplo, o primeiro-ministro decidisse mandar erguer uma árvore de natal de 30 metros de altura, em São Bento, toda iluminada, ou sugerisse 15 minutos de fogo de artifício a partir do Jardim da Estrela para consolo dos turistas amantes da Lisboa do eléctrico 28?

GRANDES TÍTULOS

GRANDES TÍTULOS

HUBRIS


Há quarenta e oito anos, neste dia, um bonito casal americano, nada convencional, chegava a Dallas. Era a última viagem presidencial de John F. Kennedy. Gore Vidal, vagamente "aparentado" com Jackie, conta que, uma vez, numa festa onde estava com Tennessee Williams passou por eles o jovem senador Kennedy cuja visão inspirou ao dramaturgo o seguinte comentário: "que belo traseiro!". No filme homónimo de Oliver Stone, Nixon (Anthony Hopkins) às tantas afirma que JFK representava o que os americanos gostariam de ser, e ele, Nixon, o que eles eram na realidade. Jack era novo, bonito, libertino, inteligente e rico. Levou para a Casa Branca o glamour e a alegria trágica da sua vida pessoal - a oficial e a outra - ao lado de uma jovem e bela primeira-dama. Os filhos filhos eram igualmente belos e fotogénicos. Nunca o conseguimos imaginar velho.

HUBRIS


Há quarenta e oito anos, neste dia, um bonito casal americano, nada convencional, chegava a Dallas. Era a última viagem presidencial de John F. Kennedy. Gore Vidal, vagamente "aparentado" com Jackie, conta que, uma vez, numa festa onde estava com Tennessee Williams passou por eles o jovem senador Kennedy cuja visão inspirou ao dramaturgo o seguinte comentário: "que belo traseiro!". No filme homónimo de Oliver Stone, Nixon (Anthony Hopkins) às tantas afirma que JFK representava o que os americanos gostariam de ser, e ele, Nixon, o que eles eram na realidade. Jack era novo, bonito, libertino, inteligente e rico. Levou para a Casa Branca o glamour e a alegria trágica da sua vida pessoal - a oficial e a outra - ao lado de uma jovem e bela primeira-dama. Os filhos filhos eram igualmente belos e fotogénicos. Nunca o conseguimos imaginar velho.

QUEM BEBE PELO GARGALO COMPRA A GARRAFA

«Jung escreveu que aquilo que não é querido nem desejado não precisa de ser interdito. Bom, mas saberemos nós aquilo que queremos e desejamos? A noção de «inconsciente» não passa precisamente pela ideia de que não sabemos? Proibir aquilo que desconhecemos pode ser excesso de zelo, mas não é totalmente absurdo. Por outro lado, um interdito provoca necessariamente um desejo daquilo que foi interditado. Será esse desejo «genuíno»? Mas quem é que decide quais são os desejos genuínos e quais os fictícios? Nos tempos da Lei Seca é que havia aquela grande frase: Antes a lei seca do que não haver álcool.»

Pedro Mexia

QUEM BEBE PELO GARGALO COMPRA A GARRAFA

«Jung escreveu que aquilo que não é querido nem desejado não precisa de ser interdito. Bom, mas saberemos nós aquilo que queremos e desejamos? A noção de «inconsciente» não passa precisamente pela ideia de que não sabemos? Proibir aquilo que desconhecemos pode ser excesso de zelo, mas não é totalmente absurdo. Por outro lado, um interdito provoca necessariamente um desejo daquilo que foi interditado. Será esse desejo «genuíno»? Mas quem é que decide quais são os desejos genuínos e quais os fictícios? Nos tempos da Lei Seca é que havia aquela grande frase: Antes a lei seca do que não haver álcool.»

Pedro Mexia

21.11.11

CANTE OU ENCANTE, CATARINA


CANTE OU ENCANTE, CATARINA


UMA OBSCENIDADE

Deus sabe como gosto da Madeira e do Porto Santo. Mas três milhões de euros para fogo de artifício e decorações de natal é, nas actuais circunstâncias do país e da Região Autónoma em especial, pura obscenidade.

UMA OBSCENIDADE

Deus sabe como gosto da Madeira e do Porto Santo. Mas três milhões de euros para fogo de artifício e decorações de natal é, nas actuais circunstâncias do país e da Região Autónoma em especial, pura obscenidade.

SETENTA ANOS


«E a coragem? -É dizer o que se pensa. Se não disser o que pensa, não é interessante. As pessoas vão à procura de uma diferença. Não se trata de fazer uma diferença. Há uns tontaços a fazer isso pelos jornais. Ninguém os leva a sério. O grande problema de se tentar ser original — não estou a falar dos que são mesmo — inventar coisas para ser diferente e depois ter um mínimo de coerência. As coisas têm de ligar umas com as outras. Não têm que inventar discordâncias para se fazerem originais. Mas também não devem fazer o contrário. E o contacto com aqueles sobre que se escreve? - Não vejo por que é que um colunista deva ser capado politicamente. O que acho é que não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre que estive dentro de alguma coisa, parei — tanto durante o Sá Carneiro, como durante o MASP. Não escrevi. Nem isso era possível com nenhum dos dois. Deixei de escrever em 1979, um ano antes de estar no Governo. Mas quando voltou teve de escrever sobre pessoas com quem tinha estado. Isto é uma máquina de acumulação de inimigos? - Definitivamente não. Há um tempo de irritação, que as pessoas têm, mas aquelas que têm algum carácter, liberdade de espírito, 15 dias, dois meses depois, digerem e não pensam mais nisso. Até acham graça.»

Vasco Pulido Valente em entrevista a Pedro Lomba, Público

SETENTA ANOS


«E a coragem? -É dizer o que se pensa. Se não disser o que pensa, não é interessante. As pessoas vão à procura de uma diferença. Não se trata de fazer uma diferença. Há uns tontaços a fazer isso pelos jornais. Ninguém os leva a sério. O grande problema de se tentar ser original — não estou a falar dos que são mesmo — inventar coisas para ser diferente e depois ter um mínimo de coerência. As coisas têm de ligar umas com as outras. Não têm que inventar discordâncias para se fazerem originais. Mas também não devem fazer o contrário. E o contacto com aqueles sobre que se escreve? - Não vejo por que é que um colunista deva ser capado politicamente. O que acho é que não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre que estive dentro de alguma coisa, parei — tanto durante o Sá Carneiro, como durante o MASP. Não escrevi. Nem isso era possível com nenhum dos dois. Deixei de escrever em 1979, um ano antes de estar no Governo. Mas quando voltou teve de escrever sobre pessoas com quem tinha estado. Isto é uma máquina de acumulação de inimigos? - Definitivamente não. Há um tempo de irritação, que as pessoas têm, mas aquelas que têm algum carácter, liberdade de espírito, 15 dias, dois meses depois, digerem e não pensam mais nisso. Até acham graça.»

Vasco Pulido Valente em entrevista a Pedro Lomba, Público

20.11.11

A INFORMAÇÃO SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Parece esdrúxula qualquer "recomendação" para diminuir o espaço de informação nas televisões. Elas praticam-na diariamente. Quanto à tvi, só falta acrescentar ao post do Zé Mendonça da Cruz que Júlio Magalhães foi para intervalo... aos cinco (5) minutos.

A INFORMAÇÃO SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Parece esdrúxula qualquer "recomendação" para diminuir o espaço de informação nas televisões. Elas praticam-na diariamente. Quanto à tvi, só falta acrescentar ao post do Zé Mendonça da Cruz que Júlio Magalhães foi para intervalo... aos cinco (5) minutos.

MENOS UM

Os espanhóis acabaram, através do voto, com o derradeiro abencerragem que ainda governava na Europa em nome da "esquerda moderna". Tal coisa foi inventada nos anos 90, em Inglaterra, pelo inenarrável e rapace Blair. Teve seguidores em Portugal (Guterres e Sócrates) e em Espanha, Zapatero. Guterres, em 2002, e Zapatero, agora, não se apresentaram ao eleitorado depois do malogrado exercício. Sócrates foi o único que aceitou dar a cara, em Junho, no fim. Os socialistas europeus, com a possibilidade de François Hollande chegar ao Eliseu em 2012, devem fechar definitivamente esta página infeliz da sua história marcada pelo arrivismo, pela demagogia e pelo "plástico". Como escreveu o João Pereira Coutinho, «enquanto a economia afocinhava com uma bolha imobiliária que toda a gente via crescer e rebentar, Zapatero entretinha-se a ser ‘moderno'. Casava homossexuais; ressuscitava os fantasmas do franquismo; alimentava a fogueira autonómica dos nacionalismos; e etc. etc. Hoje, quando os espanhóis se livrarem da criatura, ficarão com um país economicamente destroçado, onde metade da população jovem não tem emprego. Mas ficarão sem Zapatero. É um começo. Aliás, se a crise servir para afastar estes comediantes da arena, nem tudo terá sido em vão.»

MENOS UM

Os espanhóis acabaram, através do voto, com o derradeiro abencerragem que ainda governava na Europa em nome da "esquerda moderna". Tal coisa foi inventada nos anos 90, em Inglaterra, pelo inenarrável e rapace Blair. Teve seguidores em Portugal (Guterres e Sócrates) e em Espanha, Zapatero. Guterres, em 2002, e Zapatero, agora, não se apresentaram ao eleitorado depois do malogrado exercício. Sócrates foi o único que aceitou dar a cara, em Junho, no fim. Os socialistas europeus, com a possibilidade de François Hollande chegar ao Eliseu em 2012, devem fechar definitivamente esta página infeliz da sua história marcada pelo arrivismo, pela demagogia e pelo "plástico". Como escreveu o João Pereira Coutinho, «enquanto a economia afocinhava com uma bolha imobiliária que toda a gente via crescer e rebentar, Zapatero entretinha-se a ser ‘moderno'. Casava homossexuais; ressuscitava os fantasmas do franquismo; alimentava a fogueira autonómica dos nacionalismos; e etc. etc. Hoje, quando os espanhóis se livrarem da criatura, ficarão com um país economicamente destroçado, onde metade da população jovem não tem emprego. Mas ficarão sem Zapatero. É um começo. Aliás, se a crise servir para afastar estes comediantes da arena, nem tudo terá sido em vão.»

UM CHEFE DE ESTADO MODERNO

Tinha apenas vinte e quatro anos quando morreu. A sabedoria nem sempre chega na última idade como defendia Gide.

UM CHEFE DE ESTADO MODERNO

Tinha apenas vinte e quatro anos quando morreu. A sabedoria nem sempre chega na última idade como defendia Gide.

A INGENUIDADE OCIDENTAL


Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da ingenuidade ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? Pois bem. Depois da exibição de Mubarak numa jaula, moribundo, a ser "julgado", o Egipto persiste em dar provas da sua disposição "primaveril" para tudo menos para a democracia. A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

A INGENUIDADE OCIDENTAL


Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da ingenuidade ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? Pois bem. Depois da exibição de Mubarak numa jaula, moribundo, a ser "julgado", o Egipto persiste em dar provas da sua disposição "primaveril" para tudo menos para a democracia. A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais pura ignorância, aquela que, aos poucos, vai enterrando uma certa "ideia de ocidente" à custa da tolice multicultural.

19.11.11

NÃO SÃO ROSAS, SENHOR


Esta semana foi fértil em prosas inflamadas, em entrevistas disparatadas e em opiniões mais e menos respeitáveis sobre serviço público de comunicação social, com particular realce para a televisão. Provavelmente consegue-se a partir disso tudo, e pelo respigar de uma frase ou outra retirada de diferentes autores, uma "redacção" equilibrada acerca do tema. Nem uns têm toda a razão do seu lado, nem os outros têm toda a desrazão do seu. A coisa serviu para que o "sistema" (sim, em torno disto existe uma ecologia muito específica quase sempre reservada aos mesmos) reagisse e para que velhos porta-vozes de velhas "teorias" saltassem dos jazigos de família para apanhar um pouco de ar fresco. Ou para que novos porta-vozes de novas "teorias" se exibissem à conta de dois ou três equívocos. Ora as coisas são como são. Como diz o autor do livro ali à direita, convém frequentar a escola da realidade. E quem decide vai a votos e anda nessa escola que, ainda por cima, está longe de ser gratuita. Não são rosas, senhor, mas é a democracia. Com todas as suas imperfeições e jubilações.

NÃO SÃO ROSAS, SENHOR


Esta semana foi fértil em prosas inflamadas, em entrevistas disparatadas e em opiniões mais e menos respeitáveis sobre serviço público de comunicação social, com particular realce para a televisão. Provavelmente consegue-se a partir disso tudo, e pelo respigar de uma frase ou outra retirada de diferentes autores, uma "redacção" equilibrada acerca do tema. Nem uns têm toda a razão do seu lado, nem os outros têm toda a desrazão do seu. A coisa serviu para que o "sistema" (sim, em torno disto existe uma ecologia muito específica quase sempre reservada aos mesmos) reagisse e para que velhos porta-vozes de velhas "teorias" saltassem dos jazigos de família para apanhar um pouco de ar fresco. Ou para que novos porta-vozes de novas "teorias" se exibissem à conta de dois ou três equívocos. Ora as coisas são como são. Como diz o autor do livro ali à direita, convém frequentar a escola da realidade. E quem decide vai a votos e anda nessa escola que, ainda por cima, está longe de ser gratuita. Não são rosas, senhor, mas é a democracia. Com todas as suas imperfeições e jubilações.

18.11.11

OUTRO TEMPO, OUTRA GENTE


Tenho andado a ler este livro. António Barreto chegou à Suiça em 1963, com 20 anos. Não havia "zonas de conforto". Nem no Portugal de chumbo de Salazar, nem no país de exílio. Barreto fez de tudo um pouco. Até estudar apesar da "falta de tempo". Foi «vendedor de móveis no Grand Passage, mudanças de casas e de escritórios, carregador nos correios ou nos caminhos de ferro, modelo para pintores, distribuição de jornais, criado de café e restaurante, porteiro de hotel, recepcionista de noite, ajudante de tipógrafo e impressor de offset...» Outro tempo. Outra gente.

OUTRO TEMPO, OUTRA GENTE


Tenho andado a ler este livro. António Barreto chegou à Suiça em 1963, com 20 anos. Não havia "zonas de conforto". Nem no Portugal de chumbo de Salazar, nem no país de exílio. Barreto fez de tudo um pouco. Até estudar apesar da "falta de tempo". Foi «vendedor de móveis no Grand Passage, mudanças de casas e de escritórios, carregador nos correios ou nos caminhos de ferro, modelo para pintores, distribuição de jornais, criado de café e restaurante, porteiro de hotel, recepcionista de noite, ajudante de tipógrafo e impressor de offset...» Outro tempo. Outra gente.

A QUALIDADE DA DEMOCRACIA


Numa semana em que tanto se falou de "serviço público" de televisão, tivemos ontem (e, presumo, que continue hoje) fartos exemplos do que ele, na vertente "informação", não deve ser. Por razões insondáveis da acção e da investigação criminais portuguesas, as televisões acompanharam, praticamente ao ritmo da "secret house", o trabalho da PJ, de um juiz de instrução criminal, de um procurador da República e de um delegado da Ordem dos Advogados que andaram a recolher indícios nas casas de um arguido, uma em Lisboa e a outra no Algarve. Não falharam nas horas, nos sítios, nos circuitos. Isto quer dizer que sabiam. E se sabiam, foi porque alguém os informou com pormenor. Fez-me lembrar os noticiários a que assisti diariamente, durante um mês, em dois países contíguos da América Latina, a Guatemala e o Salvador, há para aí uns dez anos. Mas esses países tinham saído de guerras civis, estavam desprovidos de uma sociedade civil minimamente estruturada e tinham instituições frágeis e corruptas. No meio disto tudo, não sei quem esteve pior no referido "momento secret house". Se a "vociferante matilha do espectáculo", se a "justiça". Esta promiscuidade doentia e tropical revela a qualidade de uma democracia. Ou a falta dela.

A QUALIDADE DA DEMOCRACIA


Numa semana em que tanto se falou de "serviço público" de televisão, tivemos ontem (e, presumo, que continue hoje) fartos exemplos do que ele, na vertente "informação", não deve ser. Por razões insondáveis da acção e da investigação criminais portuguesas, as televisões acompanharam, praticamente ao ritmo da "secret house", o trabalho da PJ, de um juiz de instrução criminal, de um procurador da República e de um delegado da Ordem dos Advogados que andaram a recolher indícios nas casas de um arguido, uma em Lisboa e a outra no Algarve. Não falharam nas horas, nos sítios, nos circuitos. Isto quer dizer que sabiam. E se sabiam, foi porque alguém os informou com pormenor. Fez-me lembrar os noticiários a que assisti diariamente, durante um mês, em dois países contíguos da América Latina, a Guatemala e o Salvador, há para aí uns dez anos. Mas esses países tinham saído de guerras civis, estavam desprovidos de uma sociedade civil minimamente estruturada e tinham instituições frágeis e corruptas. No meio disto tudo, não sei quem esteve pior no referido "momento secret house". Se a "vociferante matilha do espectáculo", se a "justiça". Esta promiscuidade doentia e tropical revela a qualidade de uma democracia. Ou a falta dela.

ACABAR COM UMA RIDÍCULA ILUSÃO

«Em 37 anos não apareceu uma única obra decente de dramaturgia portuguesa. Apareceram romances em grande quantidade, apareceu poesia, apareceram livros de história ou de memórias. Não apareceu uma única peça digna desse nome. Até o Teatro Nacional D. Maria II, na impossibilidade de se ficar eternamente no Frei Luís de Sousa, apresenta geralmente traduções. De resto, não lhe falta só dramaturgia portuguesa. Também lhe falta público. Uma noite no D. Maria é uma noite soturna. Francisco José Viegas cortou o orçamento (um milhão de euros) deste longo equívoco. Foi inteiramente justo. E, quando Diogo Infante resolveu recorrer à intimidação, não hesitou em o demitir. Chegou a altura de acabar com esta ridícula ilusão que em Portugal se chama "teatro".»

Vasco Pulido Valente, Público

ACABAR COM UMA RIDÍCULA ILUSÃO

«Em 37 anos não apareceu uma única obra decente de dramaturgia portuguesa. Apareceram romances em grande quantidade, apareceu poesia, apareceram livros de história ou de memórias. Não apareceu uma única peça digna desse nome. Até o Teatro Nacional D. Maria II, na impossibilidade de se ficar eternamente no Frei Luís de Sousa, apresenta geralmente traduções. De resto, não lhe falta só dramaturgia portuguesa. Também lhe falta público. Uma noite no D. Maria é uma noite soturna. Francisco José Viegas cortou o orçamento (um milhão de euros) deste longo equívoco. Foi inteiramente justo. E, quando Diogo Infante resolveu recorrer à intimidação, não hesitou em o demitir. Chegou a altura de acabar com esta ridícula ilusão que em Portugal se chama "teatro".»

Vasco Pulido Valente, Público

17.11.11

UMA BOA ESCOLHA

O João Mota é um grande nome do teatro português, discreto e competente. Se aceitar, o D. Maria fica bem entregue.

UMA BOA ESCOLHA

O João Mota é um grande nome do teatro português, discreto e competente. Se aceitar, o D. Maria fica bem entregue.

16.11.11

A PORTA DE SAÍDA

Quando Diogo Infante acedeu à direcção do D. Maria, escrevi aqui que a criatura «deixou o Maria Matos supostamente porque a CML não lhe dava dinheiro. A CML na altura desmentiu e deu a entender que o actor tinha uma "agenda". Tinha, de facto. Era o Teatro Nacional D. Maria. Infante é agora, de direito, o director artístico da vetusta instituição. E concedeu uma entrevista ao Expresso em que, justamente, volta a queixar-se da mesmíssima falta de dinheiro. Dão-lhe um milhão e meio (mais quinhentos mil euros que davam a António Lagarto antes do episódio Fragateiro e não consta que a casa tivesse ido abaixo ou sequer se ouviram suspiros melancólicos como este) mas sobre programação (por que ele é responsável), nada. O Estado, aliás, não lhe paga mais de sete mil euros brutos para vir a público proferir banalidades ou sublimes tiradas sobre o "futuro" do Teatro como quando afirma que pretende "mudar os estofos dos sofás e que o Sr. 1º Ministro vai oferecer uma carpete nova para o Salão Nobre."» Ignoro se Infante chegou a mudar os estofos dos sofás ou se Sócrates - era esse o primeiro-ministro a quem ele aludia - lhe ofereceu uma carpete nova para o Salão Nobre. Sei, no entanto, que Infante voltou ao queixume e que, desta vez, obteve a indicaçao que estava há muito a pedir. A da porta de saída.

A PORTA DE SAÍDA

Quando Diogo Infante acedeu à direcção do D. Maria, escrevi aqui que a criatura «deixou o Maria Matos supostamente porque a CML não lhe dava dinheiro. A CML na altura desmentiu e deu a entender que o actor tinha uma "agenda". Tinha, de facto. Era o Teatro Nacional D. Maria. Infante é agora, de direito, o director artístico da vetusta instituição. E concedeu uma entrevista ao Expresso em que, justamente, volta a queixar-se da mesmíssima falta de dinheiro. Dão-lhe um milhão e meio (mais quinhentos mil euros que davam a António Lagarto antes do episódio Fragateiro e não consta que a casa tivesse ido abaixo ou sequer se ouviram suspiros melancólicos como este) mas sobre programação (por que ele é responsável), nada. O Estado, aliás, não lhe paga mais de sete mil euros brutos para vir a público proferir banalidades ou sublimes tiradas sobre o "futuro" do Teatro como quando afirma que pretende "mudar os estofos dos sofás e que o Sr. 1º Ministro vai oferecer uma carpete nova para o Salão Nobre."» Ignoro se Infante chegou a mudar os estofos dos sofás ou se Sócrates - era esse o primeiro-ministro a quem ele aludia - lhe ofereceu uma carpete nova para o Salão Nobre. Sei, no entanto, que Infante voltou ao queixume e que, desta vez, obteve a indicaçao que estava há muito a pedir. A da porta de saída.

UMA COISA GRAVE

Que pessoas não excessivamente informadas pensem ou formulem que os recursos públicos são ilimitados, é uma coisa. Que pessoas com responsabilidades políticas, designadamente deputados, pensem e formulem o mesmo, é outra coisa. Uma coisa grave.

UMA COISA GRAVE

Que pessoas não excessivamente informadas pensem ou formulem que os recursos públicos são ilimitados, é uma coisa. Que pessoas com responsabilidades políticas, designadamente deputados, pensem e formulem o mesmo, é outra coisa. Uma coisa grave.

FAZER O QUE É PRECISO FAZER



Com um abraço especial para o trabalhador incansável e para o patriota que é o Carlos Moedas.

FAZER O QUE É PRECISO FAZER



Com um abraço especial para o trabalhador incansável e para o patriota que é o Carlos Moedas.

15.11.11

O REGRESSO DO EMPLASTRO

O grande momento da noite televisiva transmitida a partir de Benfica foi, sem dúvida, o regresso do "emplastro". Lá andava ele a rondar todas as câmaras de todas as televisões, silencioso e estático, antes da coisa começar. Os adeptos ruidosos que aparecem a pular no fim, sem conseguir dizer coisa com coisa, têm algo a aprender com o nosso homem.

O REGRESSO DO EMPLASTRO

O grande momento da noite televisiva transmitida a partir de Benfica foi, sem dúvida, o regresso do "emplastro". Lá andava ele a rondar todas as câmaras de todas as televisões, silencioso e estático, antes da coisa começar. Os adeptos ruidosos que aparecem a pular no fim, sem conseguir dizer coisa com coisa, têm algo a aprender com o nosso homem.

COMO SE TIVÉSSEMOS TODO O TEMPO DO MUNDO


«Embora tenha asseverado que a UEM necessita de uma dimensão política, Merkel fala como se tivéssemos todo o tempo do mundo, quando a situação do mercado financeiro se esfarela a cada dia, a cada hora. Ontem, a dívida italiana de referência manteve-se perto dos 7%, (mesmo com Mario Monti indigitado para PM), e a dívida espanhola rompeu para cima dos 6%, entrando na zona vermelha. Em França, aguarda-se apenas o dia em que o lapso da Standard & Poor's se torne realidade, e o país perca a classificação AAA. O mercado financeiro é global. Nele se transmitem, sem barreiras, as esperanças, mas sobretudo os pânicos. No ponto em que estamos só uma resposta global e unida da Europa, que passe pela intervenção ilimitada do BCE, ou variantes como as propostas por Soros ou Münchau, poderão acalmar a crise, dando tempo para os Eurobonds e a reforma dos Tratados no sentido do federalismo económico e político. Mas sem a concordância alemã, estas decisões nunca poderão ser tomadas. Só Berlim poderá impedir uma reacção em cadeia que fira duramente o sistema financeiro internacional, e as perspectivas de um futuro decente para todos os europeus, e muitos outros milhões no resto do mundo.»

Viriato Soromenho-Marques, DN

COMO SE TIVÉSSEMOS TODO O TEMPO DO MUNDO


«Embora tenha asseverado que a UEM necessita de uma dimensão política, Merkel fala como se tivéssemos todo o tempo do mundo, quando a situação do mercado financeiro se esfarela a cada dia, a cada hora. Ontem, a dívida italiana de referência manteve-se perto dos 7%, (mesmo com Mario Monti indigitado para PM), e a dívida espanhola rompeu para cima dos 6%, entrando na zona vermelha. Em França, aguarda-se apenas o dia em que o lapso da Standard & Poor's se torne realidade, e o país perca a classificação AAA. O mercado financeiro é global. Nele se transmitem, sem barreiras, as esperanças, mas sobretudo os pânicos. No ponto em que estamos só uma resposta global e unida da Europa, que passe pela intervenção ilimitada do BCE, ou variantes como as propostas por Soros ou Münchau, poderão acalmar a crise, dando tempo para os Eurobonds e a reforma dos Tratados no sentido do federalismo económico e político. Mas sem a concordância alemã, estas decisões nunca poderão ser tomadas. Só Berlim poderá impedir uma reacção em cadeia que fira duramente o sistema financeiro internacional, e as perspectivas de um futuro decente para todos os europeus, e muitos outros milhões no resto do mundo.»

Viriato Soromenho-Marques, DN

14.11.11

O CASO CAMPOS

Ao passar pela RTP Informação, deparo com Manuel Maria Carrilho a falar de responsabilidade a propósito do deputado do seu partido, Paulo Campos, como se todas as pessoas soubessem o que significa assumi-la. Dá ideia que Campos rasurou o passado recente, retirando-se dele, e que aterrou no parlamento vindo directamente de Marte num imaginário tgv voador. Um caso a seguir.

Adenda: E depois há isto.

O CASO CAMPOS

Ao passar pela RTP Informação, deparo com Manuel Maria Carrilho a falar de responsabilidade a propósito do deputado do seu partido, Paulo Campos, como se todas as pessoas soubessem o que significa assumi-la. Dá ideia que Campos rasurou o passado recente, retirando-se dele, e que aterrou no parlamento vindo directamente de Marte num imaginário tgv voador. Um caso a seguir.

Adenda: E depois há isto.

UM LIVRO E UMA GERAÇÃO

Mais tarde, alguma desta gente, como Salazar previu, estava no poder. Uns mais iludidos do que outros. Barreto e Medeiros "iniciaram-se" logo em 1975. A seguir integraram o 1º governo de Mário Soares. Barreto provoca o primeiro corte epistemológico-político do novo regime com a chamada "lei Barreto". É derrotado pela ideologia. Saem ele e Medeiros, então MNE, depois deste ter solicitado formalmente a adesão à Europa. Em 1979 estão de novo juntos no Manifesto Reformador. Querem maior flexibilidade do regime e da economia. Reclamam a liderança institucional do Presidente da República. Medeiros compromete-se com Eanes. Barreto afasta-se. O PS de Guterres volta a uni-los ainda que brevemente. A recusa do "socratismo" também, Benavente incluída. O resto da história - e dos outros - é mais ou menos conhecida. Não fizeram "história" partidária porque os partidos foram capturados por outras coisas onde não havia lugar para "pátrias utópicas" ou biografias. Mas é seguramente da história de uma geração diferente que este livro fala. E de amigos meus.

UM LIVRO E UMA GERAÇÃO

Mais tarde, alguma desta gente, como Salazar previu, estava no poder. Uns mais iludidos do que outros. Barreto e Medeiros "iniciaram-se" logo em 1975. A seguir integraram o 1º governo de Mário Soares. Barreto provoca o primeiro corte epistemológico-político do novo regime com a chamada "lei Barreto". É derrotado pela ideologia. Saem ele e Medeiros, então MNE, depois deste ter solicitado formalmente a adesão à Europa. Em 1979 estão de novo juntos no Manifesto Reformador. Querem maior flexibilidade do regime e da economia. Reclamam a liderança institucional do Presidente da República. Medeiros compromete-se com Eanes. Barreto afasta-se. O PS de Guterres volta a uni-los ainda que brevemente. A recusa do "socratismo" também, Benavente incluída. O resto da história - e dos outros - é mais ou menos conhecida. Não fizeram "história" partidária porque os partidos foram capturados por outras coisas onde não havia lugar para "pátrias utópicas" ou biografias. Mas é seguramente da história de uma geração diferente que este livro fala. E de amigos meus.

13.11.11

OUTRA COISA QUALQUER


Quando frequentei as fileiras militares, não me passava pela cabeça que, encerrados o PREC, os SUV ("soldados unidos vencerão") e os juramentos de bandeira de punho erguido, os militares voltariam a desfiles e a manifestações. E, muito menos, que terminassem a bravata com uma vaia ao seu Comandante Supremo. Nesse exacto momento deixaram a condição militar e passaram a ser outra coisa qualquer. Militares é que não.

Adenda (do leitor Alves Pimenta): «Viu o Vasco Lourenço a ser "entrevistado" na TVI24? A "entrevistadora" conseguiu a proeza de não perguntar:
- qual o objectivo concreto da manifestação?
- que perseguições está o Governo a mover aos militares?
- por que motivo os militares têm o direito de passar ao lado da situação económica do país? Quanto ao "entrevistado", esteve sempre à altura do QI que lhe é geralmente reconhecido, fazendo jus à eternização como presidente da A25A. Que país, este! »

OUTRA COISA QUALQUER


Quando frequentei as fileiras militares, não me passava pela cabeça que, encerrados o PREC, os SUV ("soldados unidos vencerão") e os juramentos de bandeira de punho erguido, os militares voltariam a desfiles e a manifestações. E, muito menos, que terminassem a bravata com uma vaia ao seu Comandante Supremo. Nesse exacto momento deixaram a condição militar e passaram a ser outra coisa qualquer. Militares é que não.

Adenda (do leitor Alves Pimenta): «Viu o Vasco Lourenço a ser "entrevistado" na TVI24? A "entrevistadora" conseguiu a proeza de não perguntar:
- qual o objectivo concreto da manifestação?
- que perseguições está o Governo a mover aos militares?
- por que motivo os militares têm o direito de passar ao lado da situação económica do país? Quanto ao "entrevistado", esteve sempre à altura do QI que lhe é geralmente reconhecido, fazendo jus à eternização como presidente da A25A. Que país, este! »

SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO


É, por exemplo, isto. A propósito, a Gulbenkian começou a editar as Obras Completas do homem. Já vi por lá a Heterodoxia, um dos meus preferidos. «O homem é uma realidade dividida. O respeito pela sua divisão é Heterodoxia.» (1949)

SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO


É, por exemplo, isto. A propósito, a Gulbenkian começou a editar as Obras Completas do homem. Já vi por lá a Heterodoxia, um dos meus preferidos. «O homem é uma realidade dividida. O respeito pela sua divisão é Heterodoxia.» (1949)

12.11.11

UM MAU PRECEDENTE


Na Grécia e na Itália os respectivos chefes de governo (goste-se muito, pouco ou nada deles) foram substituídos por pessoas escolhidas pelas "circunstâncias ocorrentes", como diria Salazar, e não pelo voto. É um mau precedente que não costuma dar grandes resultados.