29.11.06

COMO NÃO

A 11 de Fevereiro de 2007.

COMO NÃO

A 11 de Fevereiro de 2007.

O BRUXO


O "Sô Zé" foi ontem ouvido na PJ por causa de bombas. Vai daí, e como é da praxe sempre que se aproxima o dia 4 de Dezembro - num anúncio à revista Focus, no RCP, fala-se de 1 de Dezembro... - regressou a "teoria da conspiração". Quem ouve, olha e presta alguma atenção ao "Sô Zé" apercebe-se que o homem transpira credibilidade por todo o lado e que, depois de ter passado, enquanto José Esteves, ex-bombista, por tudo quanto é polícia e comissões de inquérito, só agora, em 2006, se fez finalmente luz. Está-se mesmo a ver, não é verdade? "Sô Zé" deve estar precisado de clientes, o que é de toda a legitimidade. E a recorrente "teoria da conspiração" também. Até parece que é bruxo.

O BRUXO


O "Sô Zé" foi ontem ouvido na PJ por causa de bombas. Vai daí, e como é da praxe sempre que se aproxima o dia 4 de Dezembro - num anúncio à revista Focus, no RCP, fala-se de 1 de Dezembro... - regressou a "teoria da conspiração". Quem ouve, olha e presta alguma atenção ao "Sô Zé" apercebe-se que o homem transpira credibilidade por todo o lado e que, depois de ter passado, enquanto José Esteves, ex-bombista, por tudo quanto é polícia e comissões de inquérito, só agora, em 2006, se fez finalmente luz. Está-se mesmo a ver, não é verdade? "Sô Zé" deve estar precisado de clientes, o que é de toda a legitimidade. E a recorrente "teoria da conspiração" também. Até parece que é bruxo.

COSÌ FAN TUTTE ?


Dizem-me que o director do Teatro Nacional de São Carlos, Paolo Pinamonti, exprimiu publica e formalmente a intenção de não prosseguir nas funções quando expirar o seu contrato na primavera de 2007. O neo-realismo tardio, em vigor na Ajuda, precipitou as coisas. Estou à vontade porque há três anos e meio deixei o Teatro pela impotência face à Ajuda- nessa altura era outra - e porque percebi que só se podia dirigir uma casa daquelas em regime de ditadura. Entretanto tudo piorou e toda aquela improvisação organizada acabará, um dia, por se estatelar graças aos comissários externos e internos que cuidam mais de si do que da causa do Teatro. Se eu fosse o Paolo Pinamonti, esperava sentado para ver o que é que dizem aqueles que, desde 2001, tanto o bajularam sem hesitações. Falo de quem o nomeou - o sr. José Sasportes e respectiva camarilha político-burocrática -, de quem o apoiou sem reservas a partir do Palácio de Belém do dr. Jorge Sampaio- o próprio incluído - e de outras "figuras" da nomenclatura "musical" portuguesa que me dispenso de nomear. Pinamonti, agora sim, precisa destes apoios para fazer frente ao equívoco instalado no ministério da Cultura cuja face mais paradoxal (ou talvez não) é o secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho, outro grande nome da "cultura musical portuguesa contemporânea", formado na boa escola da ex-RDA. Ou os socialistas limitam-se a defender os seus "mais seus" e só protegem os outros apenas quando a eles lhes convêm? Que dirá o "mecenas exclusivo" desta telenovela mexicana, logo hoje, em dia de "gala"?

COSÌ FAN TUTTE ?


Dizem-me que o director do Teatro Nacional de São Carlos, Paolo Pinamonti, exprimiu publica e formalmente a intenção de não prosseguir nas funções quando expirar o seu contrato na primavera de 2007. O neo-realismo tardio, em vigor na Ajuda, precipitou as coisas. Estou à vontade porque há três anos e meio deixei o Teatro pela impotência face à Ajuda- nessa altura era outra - e porque percebi que só se podia dirigir uma casa daquelas em regime de ditadura. Entretanto tudo piorou e toda aquela improvisação organizada acabará, um dia, por se estatelar graças aos comissários externos e internos que cuidam mais de si do que da causa do Teatro. Se eu fosse o Paolo Pinamonti, esperava sentado para ver o que é que dizem aqueles que, desde 2001, tanto o bajularam sem hesitações. Falo de quem o nomeou - o sr. José Sasportes e respectiva camarilha político-burocrática -, de quem o apoiou sem reservas a partir do Palácio de Belém do dr. Jorge Sampaio- o próprio incluído - e de outras "figuras" da nomenclatura "musical" portuguesa que me dispenso de nomear. Pinamonti, agora sim, precisa destes apoios para fazer frente ao equívoco instalado no ministério da Cultura cuja face mais paradoxal (ou talvez não) é o secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho, outro grande nome da "cultura musical portuguesa contemporânea", formado na boa escola da ex-RDA. Ou os socialistas limitam-se a defender os seus "mais seus" e só protegem os outros apenas quando a eles lhes convêm? Que dirá o "mecenas exclusivo" desta telenovela mexicana, logo hoje, em dia de "gala"?

O ESFORÇO

Nem que fosse apenas um.

O ESFORÇO

Nem que fosse apenas um.

NÃO TEMER

Para apenas duzentos e cinquenta fiéis cristãos, num país de milhões de muçulmanos, o Papa reafirmou o que é necessário reafirmar:

"Con questa visita ho voluto far sentire l’amore e la vicinanza spirituale non solo miei, ma della Chiesa universale alla comunità cristiana che qui, in Turchia, è davvero una piccola minoranza ed affronta ogni giorno non poche sfide e difficoltà. Con salda fiducia cantiamo, insieme a Maria, il “magnificat” della lode e del ringraziamento a Dio, che guarda l’umiltà della sua serva (cfr Lc 1,47-48). Cantiamolo con gioia anche quando siamo provati da difficoltà e pericoli, come attesta la bella testimonianza del sacerdote romano Don Andrea Santoro, che mi piace ricordare anche in questa nostra celebrazione. Maria ci insegna che fonte della nostra gioia ed unico nostro saldo sostegno è Cristo, e ci ripete le sue parole: “Non temete” (Mc 6,50), “Io sono con voi” (Mt 28,20). E tu, Madre della Chiesa, accompagna sempre il nostro cammino! Santa Maria Madre di Dio prega per noi! Aziz Meryem Mesih’in Annesi bizim için Dua et”. Amen."

Bento XVI, em Éfeso, no Santuário Mariano Di MERYEM ANA EVÌ

NÃO TEMER

Para apenas duzentos e cinquenta fiéis cristãos, num país de milhões de muçulmanos, o Papa reafirmou o que é necessário reafirmar:

"Con questa visita ho voluto far sentire l’amore e la vicinanza spirituale non solo miei, ma della Chiesa universale alla comunità cristiana che qui, in Turchia, è davvero una piccola minoranza ed affronta ogni giorno non poche sfide e difficoltà. Con salda fiducia cantiamo, insieme a Maria, il “magnificat” della lode e del ringraziamento a Dio, che guarda l’umiltà della sua serva (cfr Lc 1,47-48). Cantiamolo con gioia anche quando siamo provati da difficoltà e pericoli, come attesta la bella testimonianza del sacerdote romano Don Andrea Santoro, che mi piace ricordare anche in questa nostra celebrazione. Maria ci insegna che fonte della nostra gioia ed unico nostro saldo sostegno è Cristo, e ci ripete le sue parole: “Non temete” (Mc 6,50), “Io sono con voi” (Mt 28,20). E tu, Madre della Chiesa, accompagna sempre il nostro cammino! Santa Maria Madre di Dio prega per noi! Aziz Meryem Mesih’in Annesi bizim için Dua et”. Amen."

Bento XVI, em Éfeso, no Santuário Mariano Di MERYEM ANA EVÌ
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SEMPRE O MESMO

O sr. Madaíl anunciou, como se fosse uma novidade, que se recandidata a presidente da federação portuguesa da bola. Tenciona, disse ele, levar consigo o sr. Hermínio Loureiro que sucedeu ao major de mesmo apelido, ou seja, vai tudo dar ao mesmo. Na "sociedade portuguesa de autores", o baladeiro "abrilista" Manuel Freire ganhou a uma caricatura do que foi António Victorino de Almeida, outra previsibilidade. País monótono este, sempre de mal a pior, sempre o mesmo.

SEMPRE O MESMO

O sr. Madaíl anunciou, como se fosse uma novidade, que se recandidata a presidente da federação portuguesa da bola. Tenciona, disse ele, levar consigo o sr. Hermínio Loureiro que sucedeu ao major de mesmo apelido, ou seja, vai tudo dar ao mesmo. Na "sociedade portuguesa de autores", o baladeiro "abrilista" Manuel Freire ganhou a uma caricatura do que foi António Victorino de Almeida, outra previsibilidade. País monótono este, sempre de mal a pior, sempre o mesmo.

EXERCÍCIOS DE CALENDÁRIO

Se bem percebi, logo mais à noitinha, depois da cimeira da NATO em Riga, Jacques Chirac pretende festejar o seu 74º aniversário com um jantar com o lúgubre Putin. Eu, que celebro menos vinte e oito do que ele e que sobrevivo há vinte e nove ao antigo cardeal patricarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, também nascido a 29 de Novembro, não tenciono jantar com ninguém. No ano em que Cerejeira passou para a Casa do Senhor, eu andava no D. Pedro V a "licear". A meio da tarde do dia 29, à falta de melhor, telefonei à minha colega e amiga Anabela - que será feito dela? - e convidei-a para um chá na Pastelaria Ferrari, entretanto desaparecida no incêndio do Chiado. Em Agosto desse ano remoto, enquanto Cerejeira agonizava na Buraca, estive sozinho, durante duas semanas, em Londres. Achava-me, com alguma razão "Mnemónica", perito em inglês e subtil. Tinha a infinita paciência - foi o que me valeu desde aí até aos trinta e muitos - para visitar, perscrutar e escutar tudo o que cheirasse minimamente a história, a música dita erudita, a imóveis com pilhéria ou griffe, etc. Londres foi literalmente esventrada por mim e, um regresso no final da década de noventa, não me deu particulares saudades. Passaram anos, gentes, sítios, amores, circunstâncias, amigos, eu. Há dez exactos anos, em 96, pela fresquinha, apanhei um avião para Paris e, à tarde, estava no Grand Palais, depois de uma boa "molha", a olhar para os retratos de Picasso. Dias antes, o também aniversariante Chirac tinha removido o autor de "A condição humana" para o Panteão. Havia Malraux por todo o lado, do metro às exposições e às livrarias. Tentei não perder nenhum e trouxe o que pude sobre esse extraordinário animal esquisito. Fui sozinho, como irei amanhã, que é a melhor maneira de encontrar a cidade e de me rever numa década para pensar a próxima, se ela vier. Se falo hoje aqui alarve e excepcionalmente sobre a minha pessoa, é porque os meus melhores momentos dos quarenta e cinco foram passados justamente aqui, "junto" de tanta gente que não conheço, de outros que já conheci e de alguns que espero vir a conhecer e que é como se os conhecesse desde sempre. Por exemplo, quando alguém nos "apanha" tão bem - "o caso mais amor-ódio que eu conheço na blogoesfera" -, que mais pode um homem querer quando, como escreve o Gore Vidal nas suas derradeiras memórias, "I now move, graciously, I hope, toward the door marked Exit"? Não há jantar mas estão todos convidados cá por dentro, no que resta. Cheers.

EXERCÍCIOS DE CALENDÁRIO

Se bem percebi, logo mais à noitinha, depois da cimeira da NATO em Riga, Jacques Chirac pretende festejar o seu 74º aniversário com um jantar com o lúgubre Putin. Eu, que celebro menos vinte e oito do que ele e que sobrevivo há vinte e nove ao antigo cardeal patricarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, também nascido a 29 de Novembro, não tenciono jantar com ninguém. No ano em que Cerejeira passou para a Casa do Senhor, eu andava no D. Pedro V a "licear". A meio da tarde do dia 29, à falta de melhor, telefonei à minha colega e amiga Anabela - que será feito dela? - e convidei-a para um chá na Pastelaria Ferrari, entretanto desaparecida no incêndio do Chiado. Em Agosto desse ano remoto, enquanto Cerejeira agonizava na Buraca, estive sozinho, durante duas semanas, em Londres. Achava-me, com alguma razão "Mnemónica", perito em inglês e subtil. Tinha a infinita paciência - foi o que me valeu desde aí até aos trinta e muitos - para visitar, perscrutar e escutar tudo o que cheirasse minimamente a história, a música dita erudita, a imóveis com pilhéria ou griffe, etc. Londres foi literalmente esventrada por mim e, um regresso no final da década de noventa, não me deu particulares saudades. Passaram anos, gentes, sítios, amores, circunstâncias, amigos, eu. Há dez exactos anos, em 96, pela fresquinha, apanhei um avião para Paris e, à tarde, estava no Grand Palais, depois de uma boa "molha", a olhar para os retratos de Picasso. Dias antes, o também aniversariante Chirac tinha removido o autor de "A condição humana" para o Panteão. Havia Malraux por todo o lado, do metro às exposições e às livrarias. Tentei não perder nenhum e trouxe o que pude sobre esse extraordinário animal esquisito. Fui sozinho, como irei amanhã, que é a melhor maneira de encontrar a cidade e de me rever numa década para pensar a próxima, se ela vier. Se falo hoje aqui alarve e excepcionalmente sobre a minha pessoa, é porque os meus melhores momentos dos quarenta e cinco foram passados justamente aqui, "junto" de tanta gente que não conheço, de outros que já conheci e de alguns que espero vir a conhecer e que é como se os conhecesse desde sempre. Por exemplo, quando alguém nos "apanha" tão bem - "o caso mais amor-ódio que eu conheço na blogoesfera" -, que mais pode um homem querer quando, como escreve o Gore Vidal nas suas derradeiras memórias, "I now move, graciously, I hope, toward the door marked Exit"? Não há jantar mas estão todos convidados cá por dentro, no que resta. Cheers.

28.11.06

MITOMANIA


Enquanto a OTA vai e vem, o ministro Lino tenciona investir - a ANA por ele, o que vai dar exactamente ao mesmo bolso - quase quatrocentos milhões de euros na Portela. Em 2010, o actual aeroporto estará mais "extenso" para, teoricamente sete anos depois, o respectivo terreno ser vendido a retalho para a preciosa OTA, a 50 km de Lisboa, poder funcionar. Afinal, o recorrente "esforço nacional" que serve para que não se possa mexer uma palha, não é para todos. A OTA tem sido pretexto para todos os estudos do mundo, para todos os projectos do mundo, para todas a baboseiras do mundo. Já nasce, se nascer, obsoleto, torto e misterioso. A mitomania betoneira do ministro Lino sai-nos cara. Dê a coisa para onde der.

MITOMANIA


Enquanto a OTA vai e vem, o ministro Lino tenciona investir - a ANA por ele, o que vai dar exactamente ao mesmo bolso - quase quatrocentos milhões de euros na Portela. Em 2010, o actual aeroporto estará mais "extenso" para, teoricamente sete anos depois, o respectivo terreno ser vendido a retalho para a preciosa OTA, a 50 km de Lisboa, poder funcionar. Afinal, o recorrente "esforço nacional" que serve para que não se possa mexer uma palha, não é para todos. A OTA tem sido pretexto para todos os estudos do mundo, para todos os projectos do mundo, para todas a baboseiras do mundo. Já nasce, se nascer, obsoleto, torto e misterioso. A mitomania betoneira do ministro Lino sai-nos cara. Dê a coisa para onde der.

FITAS

O dr. Alfredo Barroso, alguém que foi um notável - apesar de "politiqueiro"- chefe da Casa Civil de um presidente da República, estava num "frente-a-frente" televisivo com Paula Teixeira da Cruz a discutir a câmara de Lisboa. Não lhe ocorreu melhor arremesso do que os queixumes diários do vereador "bloquista" Sá Fernandes vertidos num jornal. Aliás, não se percebe bem o que é que esta quixotesca figura (inicialmente apoiada por tanto notável lisboeta e depois reduzida a mera toupeira dos drs. Louçã e Portas) lá está a fazer. Dá-me ideia que a rua lhe assenta melhor. Porém, voltando ao dr. Barroso, vejo-o muito preocupado com as contratações de assessores deste e daquele para esta e aquela administração municipal, ainda por cima coisas que não são da responsabilidade deste atribulado mandato de toda a vereação. O moralismo tardio do dr. Barroso, nesta altura colectiva do campeonato, tem o seu quê de irónico. Queria que os outros contratassem quem? Os seus amigos? Ou os amigos deles? Ou passa pela cabeça de alguém que o partido que no momento serve o regime, seja numa autarquia, seja no governo, peça voluntários para aqueles cargos? O dr. Alfredo Barroso, que possui uma vasta experiência na matéria, de São Bento a Belém, passando pela extraordinária Fundação São Carlos, mais valia ter estado caladinho. Escreva mais, que é o que ainda faz melhor, e ouça ópera. Deixe-se de fitas.

FITAS

O dr. Alfredo Barroso, alguém que foi um notável - apesar de "politiqueiro"- chefe da Casa Civil de um presidente da República, estava num "frente-a-frente" televisivo com Paula Teixeira da Cruz a discutir a câmara de Lisboa. Não lhe ocorreu melhor arremesso do que os queixumes diários do vereador "bloquista" Sá Fernandes vertidos num jornal. Aliás, não se percebe bem o que é que esta quixotesca figura (inicialmente apoiada por tanto notável lisboeta e depois reduzida a mera toupeira dos drs. Louçã e Portas) lá está a fazer. Dá-me ideia que a rua lhe assenta melhor. Porém, voltando ao dr. Barroso, vejo-o muito preocupado com as contratações de assessores deste e daquele para esta e aquela administração municipal, ainda por cima coisas que não são da responsabilidade deste atribulado mandato de toda a vereação. O moralismo tardio do dr. Barroso, nesta altura colectiva do campeonato, tem o seu quê de irónico. Queria que os outros contratassem quem? Os seus amigos? Ou os amigos deles? Ou passa pela cabeça de alguém que o partido que no momento serve o regime, seja numa autarquia, seja no governo, peça voluntários para aqueles cargos? O dr. Alfredo Barroso, que possui uma vasta experiência na matéria, de São Bento a Belém, passando pela extraordinária Fundação São Carlos, mais valia ter estado caladinho. Escreva mais, que é o que ainda faz melhor, e ouça ópera. Deixe-se de fitas.

NOI SIAMO FORTI


Vinha no carro e surge-me a voz desse peculiar bispo das Forças Armadas que é D. Januário Torgal Ferreira. Bento XVI acabara de aterrar em Ancara. D. Januário referia-se à "coragem" do Papa - dando a entender que, se fosse ele, ficava quietinho - e rematou com esta pérola: se o Papa fosse "assassinado, morria no seu posto". D. Januário não entende - nem os freis Bento Domingues desta vida - que Joseph Ratzinger não vai à Turquia para se exibir ou penitenciar. Não é da sua índole nem uma coisa nem a outra. A sua visita é política e é religiosa, e destina-se a marcar uma fronteira inquebrantável. O seu encontro com a hiper-minoria católica turca tem um significado extraordinário e representa a consagração prática da doutrina do "grão de mostarda" que guia Bento XVI. O Papa é avesso às multidões mas não as evita. Prefere que a fé e a palavra de Cristo se espalhem a partir de pequenos núcleos, sobretudo no meio da hostilidade ignorante e da intelectualidade desonesta. Basta ver, por exemplo, como os media se referem sempre às "chamas ateadas pelo Papa" numa subserviência patética perante a "correcção" política e o "multiculturalismo". Ratzinger apenas não se curva perante a intolerância irracional. Por definição, todos aqueles que o agredirem pelo verbo ou o tentarem pela força, são homens abençoados pelo Papa. A esperança é mais forte que o rancor. E a fé moldada pela razão também. "Nós somos fortes", como lembrou Ratzinger em Setembro. Boa viagem.

NOI SIAMO FORTI


Vinha no carro e surge-me a voz desse peculiar bispo das Forças Armadas que é D. Januário Torgal Ferreira. Bento XVI acabara de aterrar em Ancara. D. Januário referia-se à "coragem" do Papa - dando a entender que, se fosse ele, ficava quietinho - e rematou com esta pérola: se o Papa fosse "assassinado, morria no seu posto". D. Januário não entende - nem os freis Bento Domingues desta vida - que Joseph Ratzinger não vai à Turquia para se exibir ou penitenciar. Não é da sua índole nem uma coisa nem a outra. A sua visita é política e é religiosa, e destina-se a marcar uma fronteira inquebrantável. O seu encontro com a hiper-minoria católica turca tem um significado extraordinário e representa a consagração prática da doutrina do "grão de mostarda" que guia Bento XVI. O Papa é avesso às multidões mas não as evita. Prefere que a fé e a palavra de Cristo se espalhem a partir de pequenos núcleos, sobretudo no meio da hostilidade ignorante e da intelectualidade desonesta. Basta ver, por exemplo, como os media se referem sempre às "chamas ateadas pelo Papa" numa subserviência patética perante a "correcção" política e o "multiculturalismo". Ratzinger apenas não se curva perante a intolerância irracional. Por definição, todos aqueles que o agredirem pelo verbo ou o tentarem pela força, são homens abençoados pelo Papa. A esperança é mais forte que o rancor. E a fé moldada pela razão também. "Nós somos fortes", como lembrou Ratzinger em Setembro. Boa viagem.

27.11.06

IR PARA DENTRO

Para acabar o dia em beleza, depois de uma valente chuvada e cão a dar-lhe para cheirar "saídas", aparece na televisão oficiosa o esplêndido Mariano Gago, da ciência e ensino superior, bem como uma enxurrada de reitores e de estudantes vestidos de corvos. O Eduardo Pitta, em mais um dos seus periódicos acessos "socráticos", pede imaginação às universidades, sonhando porventura com Stanfords, empresas e "sociedades civis" que manifestamente não existem por perto. Nem isto tudo, nem política. Como o seu amigo Armando, "vou para dentro". "E é o que tenho feito até hoje. Ir para dentro."

Adenda da meia-noite: Foi preciso um ministro do dr. Salazar para "chamar à pedra" o ministro Gago. Se a comissão a que Adriano Moreira presidiu gastou 3 milhões de euros/ano, por causa das suas várias sub-comissões, foi porque alguém lhe deu esse dinheiro. A data mencionada pelo ex-ministro do Ultramar, 1998, para o início das actividades da comissão que chefiou, coincide com um governo de que fazia parte o actual ministro Gago. O famoso "esforço nacional", a cartilha socrática em vigor que Mariano Gago repetiu à exaustão, arrasará com tudo no ano que chega daqui a um mês. Vão ver.

IR PARA DENTRO

Para acabar o dia em beleza, depois de uma valente chuvada e cão a dar-lhe para cheirar "saídas", aparece na televisão oficiosa o esplêndido Mariano Gago, da ciência e ensino superior, bem como uma enxurrada de reitores e de estudantes vestidos de corvos. O Eduardo Pitta, em mais um dos seus periódicos acessos "socráticos", pede imaginação às universidades, sonhando porventura com Stanfords, empresas e "sociedades civis" que manifestamente não existem por perto. Nem isto tudo, nem política. Como o seu amigo Armando, "vou para dentro". "E é o que tenho feito até hoje. Ir para dentro."

Adenda da meia-noite: Foi preciso um ministro do dr. Salazar para "chamar à pedra" o ministro Gago. Se a comissão a que Adriano Moreira presidiu gastou 3 milhões de euros/ano, por causa das suas várias sub-comissões, foi porque alguém lhe deu esse dinheiro. A data mencionada pelo ex-ministro do Ultramar, 1998, para o início das actividades da comissão que chefiou, coincide com um governo de que fazia parte o actual ministro Gago. O famoso "esforço nacional", a cartilha socrática em vigor que Mariano Gago repetiu à exaustão, arrasará com tudo no ano que chega daqui a um mês. Vão ver.

QUESTÕES DE PROTECÇÃO


Mário Crespo fez uma excelente entrevista a Augusto Santos Silva, na SIC Notícias, sobre a "entidade reguladora da comunicação social" e os seus extraordinários poderes reguladores e interruptores em preparação. Santos Silva falou de "escolha" do espectador, dos seus "direitos" e das "grelhas" programadas com 48 horas de antecedência, ao que Crespo ripostou com a BBC onde chegam a fazer dezenas de alterações de programação por dia nos seus vários canais sem que o espectador sinta necessidade de ser "protegido". A grande preocupação de Santos Silva é a pornografia "em canal aberto", quando inteiros serviços noticiosos e talk shows indescritíveis não passam de pura pornografia intelectual e visual. De acordo com o ministro, a "intervenção" da dita "entidade" far-se-á para proteger os espectadores de televisão de alegadas extravagâncias cuja definição fica a cargo da "entidade" dita independente só porque é "escolhida" pelo Parlamento. Pois. E quem é que protege os espectadores da "entidade" e do senhor ministro?

QUESTÕES DE PROTECÇÃO


Mário Crespo fez uma excelente entrevista a Augusto Santos Silva, na SIC Notícias, sobre a "entidade reguladora da comunicação social" e os seus extraordinários poderes reguladores e interruptores em preparação. Santos Silva falou de "escolha" do espectador, dos seus "direitos" e das "grelhas" programadas com 48 horas de antecedência, ao que Crespo ripostou com a BBC onde chegam a fazer dezenas de alterações de programação por dia nos seus vários canais sem que o espectador sinta necessidade de ser "protegido". A grande preocupação de Santos Silva é a pornografia "em canal aberto", quando inteiros serviços noticiosos e talk shows indescritíveis não passam de pura pornografia intelectual e visual. De acordo com o ministro, a "intervenção" da dita "entidade" far-se-á para proteger os espectadores de televisão de alegadas extravagâncias cuja definição fica a cargo da "entidade" dita independente só porque é "escolhida" pelo Parlamento. Pois. E quem é que protege os espectadores da "entidade" e do senhor ministro?

UM LIVRO, UM HOMEM


A beleza, a história, a melancolia de um olhar pessoal sobre uma das mais belas cidades do mundo. A palavra, a fé e o conhecimento profundo dos homens, sem ilusões nem temores reverenciais em relação ao essencial.

UM LIVRO, UM HOMEM


A beleza, a história, a melancolia de um olhar pessoal sobre uma das mais belas cidades do mundo. A palavra, a fé e o conhecimento profundo dos homens, sem ilusões nem temores reverenciais em relação ao essencial.

AS CONTINHAS -2


Ele há dinheiro para tudo e para nada. Estranho país, estranho Estado e estranho regime que permite que se façam as contas mais inverosímeis para os mais desvairados propósitos, típicos de novos-ricos. E reposições e responsabilidade financeira, moita?

AS CONTINHAS -2


Ele há dinheiro para tudo e para nada. Estranho país, estranho Estado e estranho regime que permite que se façam as contas mais inverosímeis para os mais desvairados propósitos, típicos de novos-ricos. E reposições e responsabilidade financeira, moita?

"ROAD TO NOWHERE"

O senhor engenheiro foi "inaugurar" umas obras quaisquer supostamente concluídas na IC19. Afinal, parece que ainda não estavam exactamente concluídas. O ministro Lino apareceu, inevitavelmente enquadrado pelo powerpoint, a explicar o betão à volta de Lisboa para "facilitar" o trânsito. Sina das nossas estradas: sempre em obras, sempre em alargamentos, nunca definitivas, nunca seguras. As que não estão em obras, encerram por causa da chuva e dos rios, e algumas pontes caem sem mais. Este país, sempre à beira do último abismo mais colorido, lembra-me uma velha canção, "road to nowhere". Já estivemos mais longe.

"ROAD TO NOWHERE"

O senhor engenheiro foi "inaugurar" umas obras quaisquer supostamente concluídas na IC19. Afinal, parece que ainda não estavam exactamente concluídas. O ministro Lino apareceu, inevitavelmente enquadrado pelo powerpoint, a explicar o betão à volta de Lisboa para "facilitar" o trânsito. Sina das nossas estradas: sempre em obras, sempre em alargamentos, nunca definitivas, nunca seguras. As que não estão em obras, encerram por causa da chuva e dos rios, e algumas pontes caem sem mais. Este país, sempre à beira do último abismo mais colorido, lembra-me uma velha canção, "road to nowhere". Já estivemos mais longe.

À PORTA


Finalmente um pouco de bom senso na União Europeia.

À PORTA


Finalmente um pouco de bom senso na União Europeia.

OPART OU O RAIO QUE OS PARTA?


Por uma entrevista escorreita no Actual, o suplemento "cultural" do Expresso, percebi que os directores do Teatro Nacional de São Carlos e da Companhia Nacional de Bailado, respectivamente Paolo Pinamonti e Ana Pereira Caldas, ficaram fora dos preparativos do novo organismo que vai juntar aqueles dois e que passará a ter a natureza de "entidade pública empresarial". Como não há dinheiro - o TNSC vai "cortar" cerca de 20% da programação inicial, tanto quanto o corte orçamental sofrido -, Pinamonti, com inegável realismo, menciona o eventual recurso a empréstimos bancários por parte da "entidade", os inevitáveis despedimentos e reestruturações (diria antes estruturações porque não existe nenhuma) em matéria de pessoal e outras atribulações que prometem tudo menos espectáculos a sério que é para isso que ambos, TNSC e CNB, existem. A coisa está entregue a uma comissão vinda directamente de Marte e do interesse particular de alguns dos seus membros, cuja composição, à partida, não augura nada de bom. Mário Vieira de Carvalho, o secretário de Estado de Pires de Lima, tutela esta peripécia e, suponho, dirige-a. Ao menos, Pinamonti e Pereira Caldas tinham ideias e projectos concretos. A pior coisa que podia acontecer ao TNSC - e só falo deste porque o conheço razoavelmente bem - era voltar aos tempos da infeliz Fundação São Carlos. Aí, sim, foi um "fartar vilanagem" e mordomias tão esdrúxulas quanto inúteis: cada vez que faltava dinheiro, recorria-se ao empréstimo. Quando veio o instituto público e acabou a Fundação, em 97/98, o défice que entretanto o Estado foi forçado a regularizar, chegava aos 200 mil contos, a preços da época. É para esse tempo - versão "esquerda moderna" de "vacas gordas" entremeadas com "vacas escanzeladas" gerida por uns quantos "amigos de Peniche" - que Vieira de Carvalho e a sua comissãozinha amestrada querem voltar?

OPART OU O RAIO QUE OS PARTA?


Por uma entrevista escorreita no Actual, o suplemento "cultural" do Expresso, percebi que os directores do Teatro Nacional de São Carlos e da Companhia Nacional de Bailado, respectivamente Paolo Pinamonti e Ana Pereira Caldas, ficaram fora dos preparativos do novo organismo que vai juntar aqueles dois e que passará a ter a natureza de "entidade pública empresarial". Como não há dinheiro - o TNSC vai "cortar" cerca de 20% da programação inicial, tanto quanto o corte orçamental sofrido -, Pinamonti, com inegável realismo, menciona o eventual recurso a empréstimos bancários por parte da "entidade", os inevitáveis despedimentos e reestruturações (diria antes estruturações porque não existe nenhuma) em matéria de pessoal e outras atribulações que prometem tudo menos espectáculos a sério que é para isso que ambos, TNSC e CNB, existem. A coisa está entregue a uma comissão vinda directamente de Marte e do interesse particular de alguns dos seus membros, cuja composição, à partida, não augura nada de bom. Mário Vieira de Carvalho, o secretário de Estado de Pires de Lima, tutela esta peripécia e, suponho, dirige-a. Ao menos, Pinamonti e Pereira Caldas tinham ideias e projectos concretos. A pior coisa que podia acontecer ao TNSC - e só falo deste porque o conheço razoavelmente bem - era voltar aos tempos da infeliz Fundação São Carlos. Aí, sim, foi um "fartar vilanagem" e mordomias tão esdrúxulas quanto inúteis: cada vez que faltava dinheiro, recorria-se ao empréstimo. Quando veio o instituto público e acabou a Fundação, em 97/98, o défice que entretanto o Estado foi forçado a regularizar, chegava aos 200 mil contos, a preços da época. É para esse tempo - versão "esquerda moderna" de "vacas gordas" entremeadas com "vacas escanzeladas" gerida por uns quantos "amigos de Peniche" - que Vieira de Carvalho e a sua comissãozinha amestrada querem voltar?

26.11.06

"ENTRE NÓS E AS PALAVRAS"

Ao fim do dia da morte de Mário Cesariny, já vi o Chefe de Estado manifestar-se, já li uma declaração de Isabel Pires de Lima e já escutei a bela voz de Manuel Alegre. Do PC, não há muito a esperar. Cesariny foi sempre refractário ao cânone imposto pelo partido e pelos seus bonzos intelectuais, antes e depois "de Abril". Do PS ou do PSD, talvez devesse vir qualquer coisa. Finalmente, quiçá à conta das listas internas que muito o devem preocupar como se o partido fosse um organismo vivo, até à hora em que escrevo, não se ouviu um murmúrio do gabinete de José Sócrates. Não haverá lá ninguém que saiba ler e escrever?

"ENTRE NÓS E AS PALAVRAS"

Ao fim do dia da morte de Mário Cesariny, já vi o Chefe de Estado manifestar-se, já li uma declaração de Isabel Pires de Lima e já escutei a bela voz de Manuel Alegre. Do PC, não há muito a esperar. Cesariny foi sempre refractário ao cânone imposto pelo partido e pelos seus bonzos intelectuais, antes e depois "de Abril". Do PS ou do PSD, talvez devesse vir qualquer coisa. Finalmente, quiçá à conta das listas internas que muito o devem preocupar como se o partido fosse um organismo vivo, até à hora em que escrevo, não se ouviu um murmúrio do gabinete de José Sócrates. Não haverá lá ninguém que saiba ler e escrever?

A IGREJA E O MUNDO - 2

Por causa do passamento de Mário Cesariny (vai ser interessante acompanhar o "movimento das piranhas" que se vão "atirar" ao espólio do pintor), falei no José Manuel dos Santos, seu amigo de muitos anos feito. Por isso, aguardo com natural expectativa a sua "Impressão Digital" da próxima semana no Expresso. Já a de sábado, 25 de Novembro, me merece alguns comentários. Sob o título "O Referendo", o José Manuel, com a habilidade e a elegância de sempre, reduz a questão do aborto - ele, com a mesma eloquência que atribui ao cardeal patriarca de Lisboa, refere-se sempre delicadamente a "IVG" - como uma questão religiosa onde o direito e a supremacia do Estado laico e democrático deve ser inquestionável perante uma Igreja "intransigente" acerca do livre arbítrio humano. E coloca os adeptos do "não" num mesmo registo, "uma voz onde não há lugar para uma distância ao ódio". Apesar de não ser católico, o Zé Manel deve saber tão bem como eu que há tantos caminhos para Deus quanto há homens. Dito isto, nem todos aqueles que votarão "não" no referendo anunciado o farão por causa do que defende a Igreja, mas apesar disso. Aliás, não se esperaria que a Igreja pugnasse por outra coisa, mesmo quando o cardeal patriarca fala em "questão de consciência". A Igreja cumpre o seu papel com os mesmíssimos direitos que assistem aos indivíduos e associações que perpetram pelo "sim". Tem muita influência, é demasiado "institucional"? É natural que tenha e que seja, por razões já de há muito debatidas. Não pode é ter qualquer capitis diminutio em relação a outros movimentos de natureza "laica". Digo isto com o à vontade de quem é favorável à aplicação da lei em vigor, ao criar de condições para esse efeito e que é contra a banalização do aborto, em pleno século XXI, como remédio para um descuido, para um atrevimento ou para a mera ignorância. Não há nenhum arquétipo feminino, por muito respeito ele me mereça, que se sobreponha a um outro arquétipo que escolha o "direito à vida", e vice-versa. Por isso apoio as excepções legais. E, só para terminar, não creio que a Igreja exerça qualquer soberania "sobre os corpos e as almas" e que tema perdê-la. Para além das contingências e do relativismo, a Igreja sobreviverá - sobretudo esta, de Ratzinger - e, com ela, milhões de católicos "pecadores" que encontram ali o conforto espiritual e ético que, infelizmente, até o "Estado social de direito" não consegue dar. Há, pois, vida para além de um simples "sim" ou de um simples "não".

A IGREJA E O MUNDO - 2

Por causa do passamento de Mário Cesariny (vai ser interessante acompanhar o "movimento das piranhas" que se vão "atirar" ao espólio do pintor), falei no José Manuel dos Santos, seu amigo de muitos anos feito. Por isso, aguardo com natural expectativa a sua "Impressão Digital" da próxima semana no Expresso. Já a de sábado, 25 de Novembro, me merece alguns comentários. Sob o título "O Referendo", o José Manuel, com a habilidade e a elegância de sempre, reduz a questão do aborto - ele, com a mesma eloquência que atribui ao cardeal patriarca de Lisboa, refere-se sempre delicadamente a "IVG" - como uma questão religiosa onde o direito e a supremacia do Estado laico e democrático deve ser inquestionável perante uma Igreja "intransigente" acerca do livre arbítrio humano. E coloca os adeptos do "não" num mesmo registo, "uma voz onde não há lugar para uma distância ao ódio". Apesar de não ser católico, o Zé Manel deve saber tão bem como eu que há tantos caminhos para Deus quanto há homens. Dito isto, nem todos aqueles que votarão "não" no referendo anunciado o farão por causa do que defende a Igreja, mas apesar disso. Aliás, não se esperaria que a Igreja pugnasse por outra coisa, mesmo quando o cardeal patriarca fala em "questão de consciência". A Igreja cumpre o seu papel com os mesmíssimos direitos que assistem aos indivíduos e associações que perpetram pelo "sim". Tem muita influência, é demasiado "institucional"? É natural que tenha e que seja, por razões já de há muito debatidas. Não pode é ter qualquer capitis diminutio em relação a outros movimentos de natureza "laica". Digo isto com o à vontade de quem é favorável à aplicação da lei em vigor, ao criar de condições para esse efeito e que é contra a banalização do aborto, em pleno século XXI, como remédio para um descuido, para um atrevimento ou para a mera ignorância. Não há nenhum arquétipo feminino, por muito respeito ele me mereça, que se sobreponha a um outro arquétipo que escolha o "direito à vida", e vice-versa. Por isso apoio as excepções legais. E, só para terminar, não creio que a Igreja exerça qualquer soberania "sobre os corpos e as almas" e que tema perdê-la. Para além das contingências e do relativismo, a Igreja sobreviverá - sobretudo esta, de Ratzinger - e, com ela, milhões de católicos "pecadores" que encontram ali o conforto espiritual e ético que, infelizmente, até o "Estado social de direito" não consegue dar. Há, pois, vida para além de um simples "sim" ou de um simples "não".

MAIS DO MESMO

Aquele homem da protecção civil, Gil Martins, tem mais cara de quem atrai catástrofes do que de quem as combate. E a conversa dos "alertas" arco-íris já cansa.

MAIS DO MESMO

Aquele homem da protecção civil, Gil Martins, tem mais cara de quem atrai catástrofes do que de quem as combate. E a conversa dos "alertas" arco-íris já cansa.

RESPEITINHO

Mais um momento albanês no PS, com as listas de Sócrates para os órgãos nacionais do partido aprovadas sem um votinho contra. O PS assemelha-se a uma repartição pública dos anos de chumbo. O chefe à frente, isolado, numa secretária, e os funcionários todos alinhadinhos em filas de três, quatro ou cinco, sem poderem levantar o cu da cadeira sem pedir licença. A única novidade foi o dr. Santos Silva "saltar" para o lugar do dr. Jorge Coelho. O seu papel como "grande controleiro" dos media já merecia uma prebenda.

RESPEITINHO

Mais um momento albanês no PS, com as listas de Sócrates para os órgãos nacionais do partido aprovadas sem um votinho contra. O PS assemelha-se a uma repartição pública dos anos de chumbo. O chefe à frente, isolado, numa secretária, e os funcionários todos alinhadinhos em filas de três, quatro ou cinco, sem poderem levantar o cu da cadeira sem pedir licença. A única novidade foi o dr. Santos Silva "saltar" para o lugar do dr. Jorge Coelho. O seu papel como "grande controleiro" dos media já merecia uma prebenda.

MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS 1923-2006


A última vez que vi o Cesariny, aconteceu depois da estreia de "Um Auto para Jerusalém", há quatro anos, no D. Maria II. Fui com o José Manuel dos Santos e, já não me lembro bem em que circunstâncias, um pequeno grupo reuniu-se em torno da estátua do António José de Almeida à espera que o homem aparecesse, e lá fomos todos para a casa/atelier arranjada pelo João Soares ao Cesariny, ali para os lados do mausoléu da Caixa Geral de Depósitos. Há já seguramente alguns anos que o Cesariny não fodia nem podia com este pequeno "reino cadaveroso" em que estamos atolados. Fodia-se mais e mais livremente na ditadura, por causa do "interdito" e da polícia, e a tropa dava-se a outros "passeios" pelo Rossio. Havia menos medo do outro, afinal o mesmo. Estar para aqui a debitar palavras bonitas na morte de Cesariny daria direito a que ele me mandasse tranquilamente para o caralho. Lá onde agora repousa, irrequieto e livre para sempre, o Cesariny está melhor do que nós, os seus eunucos, amor-ódio de estimação, sem os quais não valia a pena ter escrito nada. Gloriosa vida eterna a um dos poucos que a merece.

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS 1923-2006


A última vez que vi o Cesariny, aconteceu depois da estreia de "Um Auto para Jerusalém", há quatro anos, no D. Maria II. Fui com o José Manuel dos Santos e, já não me lembro bem em que circunstâncias, um pequeno grupo reuniu-se em torno da estátua do António José de Almeida à espera que o homem aparecesse, e lá fomos todos para a casa/atelier arranjada pelo João Soares ao Cesariny, ali para os lados do mausoléu da Caixa Geral de Depósitos. Há já seguramente alguns anos que o Cesariny não fodia nem podia com este pequeno "reino cadaveroso" em que estamos atolados. Fodia-se mais e mais livremente na ditadura, por causa do "interdito" e da polícia, e a tropa dava-se a outros "passeios" pelo Rossio. Havia menos medo do outro, afinal o mesmo. Estar para aqui a debitar palavras bonitas na morte de Cesariny daria direito a que ele me mandasse tranquilamente para o caralho. Lá onde agora repousa, irrequieto e livre para sempre, o Cesariny está melhor do que nós, os seus eunucos, amor-ódio de estimação, sem os quais não valia a pena ter escrito nada. Gloriosa vida eterna a um dos poucos que a merece.

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

A IGREJA E O MUNDO - 1


O papa Bento XVI está, a partir de terça-feira, na Turquia. A visita à "Porta" tem um significado simbólico fundamental, num país em que, apesar da declarada laicidade do Estado, ser cristão é tomado publicamente como uma afronta. Ratzinger não vai à Turquia "redimir-se" do discurso de Ratisbona. Vai, suponho, explicar às autoridades religiosas e políticas - o sr. Erdogan parece que vai arranjar uns minutinhos - que, não obstante o "diálogo" entre religiões (a esmagadora maioria é muçulmana) e até prova em contrário, foi o cristianismo irradiado a partir de Roma, erguido sobre os escombros do império romano e que comporta a liberdade pela fé e pela razão, o verdadeiro "sucessor" dessa civilização imortal. Nada disto encontramos numa Turquia oficiosa que se esforça por ser europeia enquanto nas profundezas rosna contra o mundo criado a ocidente. Por isso, e como o cardeal Raztinger, sou adversário da adesão da Turquia à União Europeia. O "alargamento" está a ser levado longe demais e, não tarda, ainda temos a Rússia do sinistro Putin a assinar "acordos de cooperação" privilegiada com Bruxelas que, por ser mais burocrática do que política, parece disposta a tudo para assegurar o "sucesso" de uma diplomacia sem espinha dorsal. Bento XVI , como nas palavras do Senhor - "convertei-vos ou perecereis todos" - confirmará à Turquia e ao mundo, uma vez mais, o inderrogável lema do pontificado do seu antecessor: "não tenhais medo, abri os vossos corações a Cristo".

A IGREJA E O MUNDO - 1


O papa Bento XVI está, a partir de terça-feira, na Turquia. A visita à "Porta" tem um significado simbólico fundamental, num país em que, apesar da declarada laicidade do Estado, ser cristão é tomado publicamente como uma afronta. Ratzinger não vai à Turquia "redimir-se" do discurso de Ratisbona. Vai, suponho, explicar às autoridades religiosas e políticas - o sr. Erdogan parece que vai arranjar uns minutinhos - que, não obstante o "diálogo" entre religiões (a esmagadora maioria é muçulmana) e até prova em contrário, foi o cristianismo irradiado a partir de Roma, erguido sobre os escombros do império romano e que comporta a liberdade pela fé e pela razão, o verdadeiro "sucessor" dessa civilização imortal. Nada disto encontramos numa Turquia oficiosa que se esforça por ser europeia enquanto nas profundezas rosna contra o mundo criado a ocidente. Por isso, e como o cardeal Raztinger, sou adversário da adesão da Turquia à União Europeia. O "alargamento" está a ser levado longe demais e, não tarda, ainda temos a Rússia do sinistro Putin a assinar "acordos de cooperação" privilegiada com Bruxelas que, por ser mais burocrática do que política, parece disposta a tudo para assegurar o "sucesso" de uma diplomacia sem espinha dorsal. Bento XVI , como nas palavras do Senhor - "convertei-vos ou perecereis todos" - confirmará à Turquia e ao mundo, uma vez mais, o inderrogável lema do pontificado do seu antecessor: "não tenhais medo, abri os vossos corações a Cristo".

NÓS E OS OUTROS


Ontem, antes de ir ver o novo James Bond, apareceu-me na televisão o nosso 1º ministro, com aquela máscara plastico-sorridente que ele coloca quando está a fazer propaganda, com o gesto característico das mãos juntas a acompanhar o "discurso", ora para a direita, ora para a esquerda. Que me dizia ele? Tentava, se bem percebi, demonstrar-me as virtudes do TGV Madrid-Lisboa, ida e volta. Já estou a imaginar os comboios a abarrotar de passageiros para trás e para diante, de manhã à noite, deslizando sobre carris que, à primeira tromba de água, ficam submersos. Para além do trivial e dos "interesses", o que é que português comum espera da vitesse que o ligará à sumptuosa Madrid? Ir e vir mais deprimido do que quando deixou Lisboa? Ficar por lá? Sonhar-se, por umas horas, espanhol e, por consequência, europeu? Contentinhos, os socialistas que governam a Ibéria voltaram aos respectivos mundos. Não são estas "cimeiras" de chacha que mudam a natureza das coisas. Eles continuarão eles e nós, para mal dos nossos pecados, nós.

NÓS E OS OUTROS


Ontem, antes de ir ver o novo James Bond, apareceu-me na televisão o nosso 1º ministro, com aquela máscara plastico-sorridente que ele coloca quando está a fazer propaganda, com o gesto característico das mãos juntas a acompanhar o "discurso", ora para a direita, ora para a esquerda. Que me dizia ele? Tentava, se bem percebi, demonstrar-me as virtudes do TGV Madrid-Lisboa, ida e volta. Já estou a imaginar os comboios a abarrotar de passageiros para trás e para diante, de manhã à noite, deslizando sobre carris que, à primeira tromba de água, ficam submersos. Para além do trivial e dos "interesses", o que é que português comum espera da vitesse que o ligará à sumptuosa Madrid? Ir e vir mais deprimido do que quando deixou Lisboa? Ficar por lá? Sonhar-se, por umas horas, espanhol e, por consequência, europeu? Contentinhos, os socialistas que governam a Ibéria voltaram aos respectivos mundos. Não são estas "cimeiras" de chacha que mudam a natureza das coisas. Eles continuarão eles e nós, para mal dos nossos pecados, nós.

25.11.06

LOBO DA DECÊNCIA E DA PERSEVERANÇA

"Diz a Agustina que as pessoas que amam os cães são as mais egoístas sobre a terra. E ela gosta de cães. Porque os cães são uns mestres de zelar pelo que é teu, a família, os bens, as emoções profundas, mesmo quando tu te desleixas ou adoeces? Lobo da decência e da perseverança, o cão. Causa amante, contra toda a evidência, um cão. Ars longa, vita brevis. Sobretudo a dos cães. Tenho medo de quem tem medo de cães."

Maria Velho da Costa, in Livro do Meio

LOBO DA DECÊNCIA E DA PERSEVERANÇA

"Diz a Agustina que as pessoas que amam os cães são as mais egoístas sobre a terra. E ela gosta de cães. Porque os cães são uns mestres de zelar pelo que é teu, a família, os bens, as emoções profundas, mesmo quando tu te desleixas ou adoeces? Lobo da decência e da perseverança, o cão. Causa amante, contra toda a evidência, um cão. Ars longa, vita brevis. Sobretudo a dos cães. Tenho medo de quem tem medo de cães."

Maria Velho da Costa, in Livro do Meio

ONDE É QUE ESTAVA?


Também segundo o Expresso, nenhum político das actuais fornadas se dignou felicitar Eanes por ocasião do seu doutoramento, à excepção de Cavaco Silva. Pelo contrário, foi dada importância mediática à deslocação do dr. Sampaio à Casa-Museu João Soares, em Cortes, Leiria, onde proferiu uma banalíssima prédica "sergiana" sobre educação. Sampaio, aliás, nem sequer se preocupou com um módico de nojo depois de deixar Belém. Anda mais frenético do que quando foi presidente, da Câmara e do Estado, secretário-geral do PS ou membro do MES. O regime cuida bem dos seus e esquece com facilidade aqueles que lhe propiciaram a entrada definitiva no lance democrático em 25 de Novembro de 1975. Já agora, onde é que estaria Jorge Sampaio nesse dia?

ONDE É QUE ESTAVA?


Também segundo o Expresso, nenhum político das actuais fornadas se dignou felicitar Eanes por ocasião do seu doutoramento, à excepção de Cavaco Silva. Pelo contrário, foi dada importância mediática à deslocação do dr. Sampaio à Casa-Museu João Soares, em Cortes, Leiria, onde proferiu uma banalíssima prédica "sergiana" sobre educação. Sampaio, aliás, nem sequer se preocupou com um módico de nojo depois de deixar Belém. Anda mais frenético do que quando foi presidente, da Câmara e do Estado, secretário-geral do PS ou membro do MES. O regime cuida bem dos seus e esquece com facilidade aqueles que lhe propiciaram a entrada definitiva no lance democrático em 25 de Novembro de 1975. Já agora, onde é que estaria Jorge Sampaio nesse dia?

"SOBRA INEVITAVELMENTE"

"Hoje qualquer diletante se permite criticar Marques Mendes. Não se preocupam com certeza com a realidade do mundo. No PSD, Cavaco é intocável, mesmo quando em duas frases arrasa a política do partido. A maioria absoluta e o regimento da Assembleia reduzem o debate a uma formalidade sem sentido. E a televisão, com a sua geral repugnância por política, escolhe aleatoriamente uns soundbytes. Se Marques Mendes não se ouve, é porque não se consegue fazer ouvir. Nem ele, nem o PC, o Bloco ou CDS. O país, de resto, anda resignado ao tratamento que o "Eixo do Bem" lhe impôs. Mas, se o tratamento falhar, como falhará, sobra inevitavelmente o PSD, agora educado pelo dr. Cavaco e pelo eng. Sócrates, seu pupilo. Venha, entretanto, o que vier nas sondagens."

Vasco Pulido Valente, in Público

Adenda: Por outras palavras, já tinha pensado nisto aqui , aqui e aqui.

"SOBRA INEVITAVELMENTE"

"Hoje qualquer diletante se permite criticar Marques Mendes. Não se preocupam com certeza com a realidade do mundo. No PSD, Cavaco é intocável, mesmo quando em duas frases arrasa a política do partido. A maioria absoluta e o regimento da Assembleia reduzem o debate a uma formalidade sem sentido. E a televisão, com a sua geral repugnância por política, escolhe aleatoriamente uns soundbytes. Se Marques Mendes não se ouve, é porque não se consegue fazer ouvir. Nem ele, nem o PC, o Bloco ou CDS. O país, de resto, anda resignado ao tratamento que o "Eixo do Bem" lhe impôs. Mas, se o tratamento falhar, como falhará, sobra inevitavelmente o PSD, agora educado pelo dr. Cavaco e pelo eng. Sócrates, seu pupilo. Venha, entretanto, o que vier nas sondagens."

Vasco Pulido Valente, in Público

Adenda: Por outras palavras, já tinha pensado nisto aqui , aqui e aqui.

31 DA ARMADA


Saúdo o novíssimo "31 da Armada", recheado de bons velhos e recentes bloggers. Sem querer citar ninguém, todos não somos demais contra o caminho que esta treta está a levar. E, tal como o natal, é "25 de Novembro" sempre que um Homem quiser ou precisar.

31 DA ARMADA


Saúdo o novíssimo "31 da Armada", recheado de bons velhos e recentes bloggers. Sem querer citar ninguém, todos não somos demais contra o caminho que esta treta está a levar. E, tal como o natal, é "25 de Novembro" sempre que um Homem quiser ou precisar.

NÃO HAVIA NECESSIDADE


De acordo com o Expresso, o governo prepara-se para "deixar" que o sucedâneo da nefanda "alta autoridade para a comunicação social", a "entidade reguladora", interpele, em plena emissão, as televisões no caso de estarem em "incumprimento dos limites à liberdade de programação". Que raio de coisa é esta? Não esperava, embora não espere nunca nada de ninguém, que os "socialistas", pela mão do sociólogo Santos Silva, alinhassem numa de "diácono Remédios" serôdio. A paz dos cemitérios em vigor, ou o "eixo do bem", nas palavras de Vasco Pulido Valente, não concede um átomo de importância a isto. Fosse o governo anterior a ter esta maravilhosa ideia e quantas "sms" não andariam para aí já a circular. Os que agora se calam, são, pelos vistos, os mesmos que andam a carpir pela "perda" da Festa da Música e que a comparam estupidamente com Bayreuth ou Edimburgo sem se rirem. Não havia necessidade.

NÃO HAVIA NECESSIDADE


De acordo com o Expresso, o governo prepara-se para "deixar" que o sucedâneo da nefanda "alta autoridade para a comunicação social", a "entidade reguladora", interpele, em plena emissão, as televisões no caso de estarem em "incumprimento dos limites à liberdade de programação". Que raio de coisa é esta? Não esperava, embora não espere nunca nada de ninguém, que os "socialistas", pela mão do sociólogo Santos Silva, alinhassem numa de "diácono Remédios" serôdio. A paz dos cemitérios em vigor, ou o "eixo do bem", nas palavras de Vasco Pulido Valente, não concede um átomo de importância a isto. Fosse o governo anterior a ter esta maravilhosa ideia e quantas "sms" não andariam para aí já a circular. Os que agora se calam, são, pelos vistos, os mesmos que andam a carpir pela "perda" da Festa da Música e que a comparam estupidamente com Bayreuth ou Edimburgo sem se rirem. Não havia necessidade.

24.11.06

GEDEÃO

Eu sou o homem. O Homem.
Desço ao mar e subo ao céu.
Não há temores que me domem
É tudo meu, tudo meu.


GEDEÃO

Eu sou o homem. O Homem.
Desço ao mar e subo ao céu.
Não há temores que me domem
É tudo meu, tudo meu.


A PROPAGANDA...

... não tem preço. E este ministro até não é mau.

A PROPAGANDA...

... não tem preço. E este ministro até não é mau.

OTA, TGV...?

Em apenas três semanas, a circulação ferroviária foi interrompida duas vezes pela natureza. Na linha do norte e na linha do oeste, com os vetustos carris invadidos pela água. O senhor que está a "preparar" a OTA já "alargou" a previsão de povo no aeroporto para 25 milhões que é como quem diz, as habituais "derrapagens" continuarão se o louco projecto avançar. Há um ano, um candidato presidencial, por sinal eleito, tinha muitas dúvidas sobre a "relação custo/benefício" e sobre os "estudos" justificativos da OTA e do TGV. Espero que, ao menos, essas dúvidas persistam.

OTA, TGV...?

Em apenas três semanas, a circulação ferroviária foi interrompida duas vezes pela natureza. Na linha do norte e na linha do oeste, com os vetustos carris invadidos pela água. O senhor que está a "preparar" a OTA já "alargou" a previsão de povo no aeroporto para 25 milhões que é como quem diz, as habituais "derrapagens" continuarão se o louco projecto avançar. Há um ano, um candidato presidencial, por sinal eleito, tinha muitas dúvidas sobre a "relação custo/benefício" e sobre os "estudos" justificativos da OTA e do TGV. Espero que, ao menos, essas dúvidas persistam.

O DR. CAMPOS

Impensável, Francisco? Nada do que brota da excelsa cabeça do dr. Campos deve ser levado à conta de um pensamento. O dr. Campos tem o dom de alternar, mesmo em um só dia, as suas distintas opiniões. O dr. Campos, se fosse ministro de Pedro Santana Lopes, já teria provocado um pequeno tumulto e cabeças várias já estariam a ser reclamadas. Todavia, como vivemos em tempos de "silêncios estratégicos", o dr. Campos pode persistir na sua curiosa visão do mundo que ninguém leva a mal.

O DR. CAMPOS

Impensável, Francisco? Nada do que brota da excelsa cabeça do dr. Campos deve ser levado à conta de um pensamento. O dr. Campos tem o dom de alternar, mesmo em um só dia, as suas distintas opiniões. O dr. Campos, se fosse ministro de Pedro Santana Lopes, já teria provocado um pequeno tumulto e cabeças várias já estariam a ser reclamadas. Todavia, como vivemos em tempos de "silêncios estratégicos", o dr. Campos pode persistir na sua curiosa visão do mundo que ninguém leva a mal.

AFUNDAÇÃO NACIONAL


Enquanto o país se afunda com a água que brota da terra, do mar e do céu, decorre uma "cimeira ibérica" em Badajoz, certamente um momento político ímpar para a sobrevivência nacional. Por outro lado, o governo "comemorou" um ano de plano tecnológico, com o dr. Zorrinho, o "coordenador", muito contente. Que pena que o plano tecnológico não aproveite ao país que, ontem como hoje, aguenta estoicamente as desventuras da natureza. Não se esqueçam dos caramelos, sim?

AFUNDAÇÃO NACIONAL


Enquanto o país se afunda com a água que brota da terra, do mar e do céu, decorre uma "cimeira ibérica" em Badajoz, certamente um momento político ímpar para a sobrevivência nacional. Por outro lado, o governo "comemorou" um ano de plano tecnológico, com o dr. Zorrinho, o "coordenador", muito contente. Que pena que o plano tecnológico não aproveite ao país que, ontem como hoje, aguenta estoicamente as desventuras da natureza. Não se esqueçam dos caramelos, sim?

PARA SEMPRE?


Caramba, Fernanda, grande prosa: perceber nas entrelinhas do escurinho do cinema, de um livro, nas rugas prematuras do rosto que "para sempre não há", apenas, como escreveu Vergílio Ferreira, uma porra de uma quantidade imensa e inútil de nós que "acontece no acontecer" e que é só devastação.

PARA SEMPRE?


Caramba, Fernanda, grande prosa: perceber nas entrelinhas do escurinho do cinema, de um livro, nas rugas prematuras do rosto que "para sempre não há", apenas, como escreveu Vergílio Ferreira, uma porra de uma quantidade imensa e inútil de nós que "acontece no acontecer" e que é só devastação.

O FIM DA POLÍTICA


Também fiz o mesmo que o João, só que na FNAC do Colombo. Retive do prefácio da Constança Cunha e Sá a nostalgia pelo fim da política que representou, de alguma forma, a derrota de Soares 3 e a emergência de Cavaco 1. O Cavaco 2, se existir, terá de rever os velhos manuais da dita para que a história o registe como político e não apenas como um homem muito competente. Quanto ao resto, concordo com o João, apesar de saber mais umas coisinhas do que ele, mas isso fica para umas memórias quaisquer. "1. Os membros do MASP 3 detestavam-se e o ambiente era de cortar à faca. 2. A estrutura do MASP 3 era caracterizada pelo amadorismo e por grandes carências ao nível operacional e logístico.3. Soares foi sempre o principal adversário de si mesmo. Nunca percebeu que 2006 é a era do Cabo , da Internet e das Tv's Privadas e não como em 86 , do monopólio da Rádio e Tv Publica e dos jornais em que ainda estavam lá os seus amigos". Se me permite, só mais um número 4: a ausência do PS oficial, no "terreno", já a pensar na "cooperação estratégica".

O FIM DA POLÍTICA


Também fiz o mesmo que o João, só que na FNAC do Colombo. Retive do prefácio da Constança Cunha e Sá a nostalgia pelo fim da política que representou, de alguma forma, a derrota de Soares 3 e a emergência de Cavaco 1. O Cavaco 2, se existir, terá de rever os velhos manuais da dita para que a história o registe como político e não apenas como um homem muito competente. Quanto ao resto, concordo com o João, apesar de saber mais umas coisinhas do que ele, mas isso fica para umas memórias quaisquer. "1. Os membros do MASP 3 detestavam-se e o ambiente era de cortar à faca. 2. A estrutura do MASP 3 era caracterizada pelo amadorismo e por grandes carências ao nível operacional e logístico.3. Soares foi sempre o principal adversário de si mesmo. Nunca percebeu que 2006 é a era do Cabo , da Internet e das Tv's Privadas e não como em 86 , do monopólio da Rádio e Tv Publica e dos jornais em que ainda estavam lá os seus amigos". Se me permite, só mais um número 4: a ausência do PS oficial, no "terreno", já a pensar na "cooperação estratégica".

"O MEIO, À LUPA, SEM LICENÇA"




"Não admira que "O Livro do Meio" seja motivo de escândalo e atrabile. O país dos interditos convive mal com movimentos de câmara lenta. O rumor surdo da perplexidade traduz as reticências de regra. Afinal, o que é que leva dois autores consagrados, Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa, nascidos ambos em 1938, à desabusada escavação da infância? Por que é que, sem perder Laclos de vista, foram ambos induzidos à narrativa da intriga? Valmont e a Merteuil trocaram o castelo de Madame de Rosemond pelo British Quintal? (O British Quintal é o jardim da casa de Maria Velho da Costa.) Pergunta ela: "E que fizemos à Merteuil e ao Visconde? / Devem ter-se tolhido com a tua abominação da aristocracia, a querela de classes, o Terror." (p. 308) A questão não é inocente. E o protocolo não engana: nos interstícios do passado insinua-se a prova do quotidiano. Leitura do mundo: obras, autores, prémios, família, castas, ódios, equívocos, querela, política, dinheiro. O Meio à lupa, sem licença, entre 4 de Fevereiro e 29 de Junho do ano em curso. Tão simples como isto."

Eduardo Pitta, in Mil Folhas, Público

"O MEIO, À LUPA, SEM LICENÇA"




"Não admira que "O Livro do Meio" seja motivo de escândalo e atrabile. O país dos interditos convive mal com movimentos de câmara lenta. O rumor surdo da perplexidade traduz as reticências de regra. Afinal, o que é que leva dois autores consagrados, Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa, nascidos ambos em 1938, à desabusada escavação da infância? Por que é que, sem perder Laclos de vista, foram ambos induzidos à narrativa da intriga? Valmont e a Merteuil trocaram o castelo de Madame de Rosemond pelo British Quintal? (O British Quintal é o jardim da casa de Maria Velho da Costa.) Pergunta ela: "E que fizemos à Merteuil e ao Visconde? / Devem ter-se tolhido com a tua abominação da aristocracia, a querela de classes, o Terror." (p. 308) A questão não é inocente. E o protocolo não engana: nos interstícios do passado insinua-se a prova do quotidiano. Leitura do mundo: obras, autores, prémios, família, castas, ódios, equívocos, querela, política, dinheiro. O Meio à lupa, sem licença, entre 4 de Fevereiro e 29 de Junho do ano em curso. Tão simples como isto."

Eduardo Pitta, in Mil Folhas, Público