30.9.10

ESTADO

De necedade.

ESTADO

De necedade.

DEDICÁCIA AO REGIME



A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.


Jorge de Sena, 7.12.71

DEDICÁCIA AO REGIME



A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.


Jorge de Sena, 7.12.71

BIPOLARIDADE PERIGOSA

Este sujeito é o mesmo de há oito dias, em Nova Iorque? Ele terá mesmo uma cabeça onde se passe alguma coisa? Definitivamente trata-se de um homem perigoso.

BIPOLARIDADE PERIGOSA

Este sujeito é o mesmo de há oito dias, em Nova Iorque? Ele terá mesmo uma cabeça onde se passe alguma coisa? Definitivamente trata-se de um homem perigoso.

CRETINICE COMEMOREIRA

No tempo em que o país ainda era vivo, a propósito de umas celebrações camonianas, cobriu-se de grandes tarjas negras a estátua do bardo no Largo do mesmo nome. Era o que devia ser feito no 5 de Outubro por todo o lado. Não por a monarquia ter sido deposta (coitada, também já era um cadáver em férias) mas porque comemorar o que quer que seja, nas actuais circunstâncias, ressuma a um verdadeiro insulto ao "povo". Como se isto não bastasse, os bonzos da comissão das comemorações pretendem que o "povo", num transporte tão eminentemente patriótico como cretino, cante o hino às tantas horas, de norte a sul. Desculpem-me o plebeísmo, mas a isto só se pode responder com um não menos solene "bardamerda".

CRETINICE COMEMOREIRA

No tempo em que o país ainda era vivo, a propósito de umas celebrações camonianas, cobriu-se de grandes tarjas negras a estátua do bardo no Largo do mesmo nome. Era o que devia ser feito no 5 de Outubro por todo o lado. Não por a monarquia ter sido deposta (coitada, também já era um cadáver em férias) mas porque comemorar o que quer que seja, nas actuais circunstâncias, ressuma a um verdadeiro insulto ao "povo". Como se isto não bastasse, os bonzos da comissão das comemorações pretendem que o "povo", num transporte tão eminentemente patriótico como cretino, cante o hino às tantas horas, de norte a sul. Desculpem-me o plebeísmo, mas a isto só se pode responder com um não menos solene "bardamerda".

A TUDOLOGIA


Devia haver um corte da ordem dos 5 a 100% nos "tudólogos" que, desde ontem, aparecem nas televisões a parafrasear as "medidas". Ainda agora Constança Cunha e Sá, armada em reputada especialista em despesa pública, praticamente sugeriu a intervenção da servilusa em relação aos funcionários públicos, os novos "sidosos" do regime, desde os órgãos de soberania até ao coveiro da última junta de freguesia. Que não chega, diz ela. E de "tudólogos", como esta querida, não chega?

A TUDOLOGIA


Devia haver um corte da ordem dos 5 a 100% nos "tudólogos" que, desde ontem, aparecem nas televisões a parafrasear as "medidas". Ainda agora Constança Cunha e Sá, armada em reputada especialista em despesa pública, praticamente sugeriu a intervenção da servilusa em relação aos funcionários públicos, os novos "sidosos" do regime, desde os órgãos de soberania até ao coveiro da última junta de freguesia. Que não chega, diz ela. E de "tudólogos", como esta querida, não chega?

O HOMEM DESFOCADO

Parece que houve debate parlamentar com Sócrates. Ainda tem cara para aparecer em público? E outros para falarem com ele?

O HOMEM DESFOCADO

Parece que houve debate parlamentar com Sócrates. Ainda tem cara para aparecer em público? E outros para falarem com ele?

A FACTURA DO DESLUMBRADO


«O deslumbramento é sempre a outra face de uma ofuscação, de um dogma, de uma cegueira. O deslumbrado olha, mas é incapaz de ver. Quando hoje analisamos a crise que temos vivido nos últimos anos, percebe-se que não foi por falta de saber que não se viu o que lá vinha, mas por excesso de deslumbramento: porque o deslumbramento desvaloriza a prudência, inutiliza o conhecimento e dilui o saber. E esta crise foi, em grande medida, a consequência de um duplo deslumbramento: com a nova finança e a sua delirante criatividade, com as novas tecnologias e as suas mirabolantes promessas, que se impuseram com uma tóxica cumplicidade. Foi este duplo deslumbramento que cegou e manietou tanta gente. E é ainda ele que, hoje, leva muitos a pensar que será com a retoma dos factores que provocaram a crise que se sairá dela. Isso acontece porque o deslumbramento, ao desprezar o passado e ao ignorar o futuro, vive e faz viver num presente completamente virtual. Num presente que é feito de activismo sem estratégia, colado a um imperativo de modernidade que se apresenta como um acelerador de tudo, mas que, na realidade, ninguém vislumbra ao que conduz. Ser moderno tornou-se simplesmente nisto, em ser deslumbrado!...»

Manuel Maria Carrilho, DN

A FACTURA DO DESLUMBRADO


«O deslumbramento é sempre a outra face de uma ofuscação, de um dogma, de uma cegueira. O deslumbrado olha, mas é incapaz de ver. Quando hoje analisamos a crise que temos vivido nos últimos anos, percebe-se que não foi por falta de saber que não se viu o que lá vinha, mas por excesso de deslumbramento: porque o deslumbramento desvaloriza a prudência, inutiliza o conhecimento e dilui o saber. E esta crise foi, em grande medida, a consequência de um duplo deslumbramento: com a nova finança e a sua delirante criatividade, com as novas tecnologias e as suas mirabolantes promessas, que se impuseram com uma tóxica cumplicidade. Foi este duplo deslumbramento que cegou e manietou tanta gente. E é ainda ele que, hoje, leva muitos a pensar que será com a retoma dos factores que provocaram a crise que se sairá dela. Isso acontece porque o deslumbramento, ao desprezar o passado e ao ignorar o futuro, vive e faz viver num presente completamente virtual. Num presente que é feito de activismo sem estratégia, colado a um imperativo de modernidade que se apresenta como um acelerador de tudo, mas que, na realidade, ninguém vislumbra ao que conduz. Ser moderno tornou-se simplesmente nisto, em ser deslumbrado!...»

Manuel Maria Carrilho, DN

29.9.10

E AGORA?

Cá estamos. Aflitos, como se escreve no livro ali à direita.

E AGORA?

Cá estamos. Aflitos, como se escreve no livro ali à direita.

GRANDE BESTA

O ancião.

GRANDE BESTA

O ancião.

PARA CONTRABALANÇAR


No "pacote" de Sócrates devia estar incluída a demissão de alguns ministros e secretários de Estado, a saber, prof. Mendonça e ajudantes, Ana Jorge e ajudantes, Helena André e ajudantes, Maria Isabel Vilar e ajudantes, todos por acção, e Amado, Martins e Gago por inutilidade superveniente. A todos seria oferecido um livrinho de Manuel Alegre, devidamente autografado, a título de castigo. O de Sócrates, o castigo, fica para outra altura.

PARA CONTRABALANÇAR


No "pacote" de Sócrates devia estar incluída a demissão de alguns ministros e secretários de Estado, a saber, prof. Mendonça e ajudantes, Ana Jorge e ajudantes, Helena André e ajudantes, Maria Isabel Vilar e ajudantes, todos por acção, e Amado, Martins e Gago por inutilidade superveniente. A todos seria oferecido um livrinho de Manuel Alegre, devidamente autografado, a título de castigo. O de Sócrates, o castigo, fica para outra altura.

TRABALHAI, PERSEVERAI E POUPAI


Na Maçonaria recomenda-se trabalho e perseverança: "trabalhai e perseverai". O Doutor Salazar, sempre recorrente em momentos de aperto, acrescentaria poupança: "produzir e poupar manda Salazar". Poupai, pois, que é coisa para que não estais adestrados há, pelo menos, quinze anos graças à inconsequência socialista.

TRABALHAI, PERSEVERAI E POUPAI


Na Maçonaria recomenda-se trabalho e perseverança: "trabalhai e perseverai". O Doutor Salazar, sempre recorrente em momentos de aperto, acrescentaria poupança: "produzir e poupar manda Salazar". Poupai, pois, que é coisa para que não estais adestrados há, pelo menos, quinze anos graças à inconsequência socialista.

RESTINHO


Medidas duras e indispensáveis? Com certeza. Pena é que tenham sido anunciadas por quem jurou consecutivamente que as não ia tomar naquelas tendinhas da propaganda. Fosse este lugar um país sério e tamanha língua de pau teria a sua paga política. Assim sendo, a costumada mansidão, o consumo e o "povo" pagarão o resto com o restinho que lhes restar.

Adenda: Nogueira Leite, pelo PSD, fez bem em lembrar que não basta pôr cobro ao glorioso "investimento público" aplaudido pelo PS, pelo PC e pelo Bloco. Também as famosas "parcerias público-privadas" ou "público-público" devem ser postas rapidamente de lado. Era a "velha" que era "velha", não era? Há um ano fizeram tudo para a desacreditar. Agora tomem lá (tomemos lá, liberalóides de pacotilha incluídos: ou julgam que isto não se "comunica"?).

RESTINHO


Medidas duras e indispensáveis? Com certeza. Pena é que tenham sido anunciadas por quem jurou consecutivamente que as não ia tomar naquelas tendinhas da propaganda. Fosse este lugar um país sério e tamanha língua de pau teria a sua paga política. Assim sendo, a costumada mansidão, o consumo e o "povo" pagarão o resto com o restinho que lhes restar.

Adenda: Nogueira Leite, pelo PSD, fez bem em lembrar que não basta pôr cobro ao glorioso "investimento público" aplaudido pelo PS, pelo PC e pelo Bloco. Também as famosas "parcerias público-privadas" ou "público-público" devem ser postas rapidamente de lado. Era a "velha" que era "velha", não era? Há um ano fizeram tudo para a desacreditar. Agora tomem lá (tomemos lá, liberalóides de pacotilha incluídos: ou julgam que isto não se "comunica"?).

EM SÍNTESE



Adenda: Para "ajudar" alguns leitores sempre afoitos contra o PR, talvez este post ajude a perceber alguma coisa se não se tratar de cegos de profissão.

EM SÍNTESE



Adenda: Para "ajudar" alguns leitores sempre afoitos contra o PR, talvez este post ajude a perceber alguma coisa se não se tratar de cegos de profissão.

MAIS LIXO


Estão à espera de quê para demitir estes tipos? Ou para extinguir empresas ditas públicas (ou seja, que existem por causa e em função do "soberano") que não passam de albergues para os passageiros precários do vasto comboio político-partidário dos últimos trinta anos quando se passeiam entre estações, ou seja, entre governos?

MAIS LIXO


Estão à espera de quê para demitir estes tipos? Ou para extinguir empresas ditas públicas (ou seja, que existem por causa e em função do "soberano") que não passam de albergues para os passageiros precários do vasto comboio político-partidário dos últimos trinta anos quando se passeiam entre estações, ou seja, entre governos?

28.9.10

TRAUMAS


Aos Trabalhistas ingleses aconteceu o mesmo que vai acontecer ao PS. Passará muito tempo e varrerão muitos chefes até, respectivamente, conseguirem superar os traumas Blair e Sócrates.

TRAUMAS


Aos Trabalhistas ingleses aconteceu o mesmo que vai acontecer ao PS. Passará muito tempo e varrerão muitos chefes até, respectivamente, conseguirem superar os traumas Blair e Sócrates.

O DONO DA DELEGAÇÃO E O APRENDIZ DE FEITICEIRO

Passos Coelho esteve reunido com vinte economistas. Aparentemente para "preparar" o encontro com Cavaco Silva. Passos julgará que vai a alguma prova oral? Tamanha exibição pública de insegurança só serve uma pessoa, aquela que paira sobre a delegação do PS chefiada pelo astuto ancião Almeida Santos. O dono dela, aliás.

Adenda: Medeiros Ferreira, na sicn, apelidou Passos e o dono dos outros de adolescentes retardados. É uma bela síntese analítica. Tal como ter referido como boa a iniciativa do PR, uma maneira indirecta de chamar ao candidato do PE e do PS adolescente retardado. Que ainda por cima se exprime tão mal como perpetra versos.

O DONO DA DELEGAÇÃO E O APRENDIZ DE FEITICEIRO

Passos Coelho esteve reunido com vinte economistas. Aparentemente para "preparar" o encontro com Cavaco Silva. Passos julgará que vai a alguma prova oral? Tamanha exibição pública de insegurança só serve uma pessoa, aquela que paira sobre a delegação do PS chefiada pelo astuto ancião Almeida Santos. O dono dela, aliás.

Adenda: Medeiros Ferreira, na sicn, apelidou Passos e o dono dos outros de adolescentes retardados. É uma bela síntese analítica. Tal como ter referido como boa a iniciativa do PR, uma maneira indirecta de chamar ao candidato do PE e do PS adolescente retardado. Que ainda por cima se exprime tão mal como perpetra versos.

UM PINGO AGRIDOCE

Não sou fanático da social-democracia nem deixo de ser. Mas estas coisas do António Barreto parecem revelar que, afinal, ele nunca viveu verdadeiramente em Portugal. A ideia é empurrar as pessoas ainda mais para o fundo à conta de uma tese?

UM PINGO AGRIDOCE

Não sou fanático da social-democracia nem deixo de ser. Mas estas coisas do António Barreto parecem revelar que, afinal, ele nunca viveu verdadeiramente em Portugal. A ideia é empurrar as pessoas ainda mais para o fundo à conta de uma tese?

A CABEÇA VAZIA DE JANUS


A cabeça de Janus às presidenciais apoiada por Sócrates e Louçã, consistentemente tão mau poeta quanto péssimo político, veio verberar o Presidente da República por receber os partidos. Segundo esta inocuidade caçadora e versejadora, Cavaco está impedido de exercer as suas funções porque, qualquer acção ou omissão sua, é campanha eleitoral. Alegre é sempre um mau candidato, seja à presidência do Burundi, seja ao que for. Consequentemente podia fazer um esforço para não se notar tanto o vazio.

A CABEÇA VAZIA DE JANUS


A cabeça de Janus às presidenciais apoiada por Sócrates e Louçã, consistentemente tão mau poeta quanto péssimo político, veio verberar o Presidente da República por receber os partidos. Segundo esta inocuidade caçadora e versejadora, Cavaco está impedido de exercer as suas funções porque, qualquer acção ou omissão sua, é campanha eleitoral. Alegre é sempre um mau candidato, seja à presidência do Burundi, seja ao que for. Consequentemente podia fazer um esforço para não se notar tanto o vazio.

Ó COUSAS, TODAS VÃS


Já não confio nem creo,
Já confiei e já cri:
mal assi, e mal assi.


Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
Qual é tal coração qu'em vós confia?

Sá de Miranda

(«A arte poética de Sá de Miranda, que aflora logo como um sopro novo nos seus poemas «tradicionais» do
Cancioneiro Geral, é precisamente esta, de que não digamos que estamos isentos, apesar de os suicídios expiatórios de Antero e Sá-Carneiro terem propiciado a heteronímia, conservada em álcool até aos limites do fígado, de Fernando Pessoa: a arte, dolorosa e triste, de ser moderno em Portugal.»
Jorge de Sena)

Ó COUSAS, TODAS VÃS


Já não confio nem creo,
Já confiei e já cri:
mal assi, e mal assi.


Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
Qual é tal coração qu'em vós confia?

Sá de Miranda

(«A arte poética de Sá de Miranda, que aflora logo como um sopro novo nos seus poemas «tradicionais» do
Cancioneiro Geral, é precisamente esta, de que não digamos que estamos isentos, apesar de os suicídios expiatórios de Antero e Sá-Carneiro terem propiciado a heteronímia, conservada em álcool até aos limites do fígado, de Fernando Pessoa: a arte, dolorosa e triste, de ser moderno em Portugal.»
Jorge de Sena)

LÓGICA


Wittgenstein não tinha meramente génio ou o sentido do dever do génio. Tinha dinheiro, era meticuloso e não suportava chatos: estúpidos ou intelectuais. Dava-se ao luxo de deambular, num "silêncio agitado" como um "animal selvagem", três horas seguidas diante de um Bertrand Russell perplexo e apaixonado por uma sujeita com um nome improvável (Ottoline), discorrendo. «É sobre lógica ou sobre os seus pecados que está para aí a falar?», perguntou-lhe o outro. «É sobre as duas coisas.» E com isto acordei. Tem lógica.

LÓGICA


Wittgenstein não tinha meramente génio ou o sentido do dever do génio. Tinha dinheiro, era meticuloso e não suportava chatos: estúpidos ou intelectuais. Dava-se ao luxo de deambular, num "silêncio agitado" como um "animal selvagem", três horas seguidas diante de um Bertrand Russell perplexo e apaixonado por uma sujeita com um nome improvável (Ottoline), discorrendo. «É sobre lógica ou sobre os seus pecados que está para aí a falar?», perguntou-lhe o outro. «É sobre as duas coisas.» E com isto acordei. Tem lógica.

27.9.10

SÚPLICAS INATENDIDAS

O orçamento para 2011, que tantas súplicas inatendidas tem provocado, entrará em vigor quando? Em Junho? O actual entrou em vigor em Maio e ninguém morreu de indignação. Foram quatro ou cinco meses a "duodécimos". Agora rasgam-se fatos, soerguem-se sobrancelhas e dizem-se disparates em Nova Iorque e nos Açores como se o orçamento fosse a nova caravela fantasmagórica do Gama. Há que pôr rapidamente em sentido, e calada, toda esta tropa fandanga irresponsável e torpe. Estes burros, em suma.

SÚPLICAS INATENDIDAS

O orçamento para 2011, que tantas súplicas inatendidas tem provocado, entrará em vigor quando? Em Junho? O actual entrou em vigor em Maio e ninguém morreu de indignação. Foram quatro ou cinco meses a "duodécimos". Agora rasgam-se fatos, soerguem-se sobrancelhas e dizem-se disparates em Nova Iorque e nos Açores como se o orçamento fosse a nova caravela fantasmagórica do Gama. Há que pôr rapidamente em sentido, e calada, toda esta tropa fandanga irresponsável e torpe. Estes burros, em suma.

OS DIAS CINZENTOS DE MÁRIO DIONÍSIO


Todas estas justas homenagens a Mário Dionísio incluem a menção da sua passagem, no PREC, como docente na Faculdade de Letras de Lisboa? É que mesmo as melhores almas têm (ou tiveram) os seus dias. Cinzentos.

OS DIAS CINZENTOS DE MÁRIO DIONÍSIO


Todas estas justas homenagens a Mário Dionísio incluem a menção da sua passagem, no PREC, como docente na Faculdade de Letras de Lisboa? É que mesmo as melhores almas têm (ou tiveram) os seus dias. Cinzentos.

ENERGIAS RENOVÁVEIS

Este extraordinário cv - «at the age of 18 he went to Coimbra, where he earned a degree in civil engineering (and) received an MBA in 2005 from the Lisbon University Institute»: que diabo será este LUI? - também terá sido patrocinado pela inefável edp que, por sua vez, patrocina a "cátedra" de Manuel Pinho nos EUA?

ENERGIAS RENOVÁVEIS

Este extraordinário cv - «at the age of 18 he went to Coimbra, where he earned a degree in civil engineering (and) received an MBA in 2005 from the Lisbon University Institute»: que diabo será este LUI? - também terá sido patrocinado pela inefável edp que, por sua vez, patrocina a "cátedra" de Manuel Pinho nos EUA?

DO LIXO


Aos bocadinhos, Pacheco Pereira falou do lixo que é, genericamente, a vida pública portuguesa e de alguns dos seus protagonistas. Esqueceu-se, porém, de uma das mais eminentes carroças dele, o comentadeiro edil António Costa. Costa, putativo e desejado sucessor de Sócrates por algumas almas penadas do partido albanês, é um dos maiores cúmplices daquilo em que se tornou o PS e da cobardia genérica que dele se apoderou nos derradeiros cinco anos. Manuel Alegre, o "corajoso", é, aliás, a derradeira captura. Na semana transacta, Costa deu exemplo deste embotamento generalizado a propósito do "episódio Carrilho". Apenas lhe ocorreu informar que já tinha falado, em tempos, com o embaixador de Portugal na Índia, Castro Mendes, a propósito da candidatura do fado a património imaterial da UNESCO. A que título o fez? É amigo dele? Conversa da treta ou de café? Duplicidade? Nesses "tempos", há nove meses, o embaixador de Portugal na UNESCO era (ainda é, mesmo de saída) Carrilho e não consta que Costa tivesse protagonizado grandes iniciativas acerca da matéria. De Costa, entretanto, não brotou o mais vago murmúrio sobre o fundo do "episódio Carrilho" (Sócrates), tão somente uma outra evidência do lixo a que alude Pacheco (que também nada disse) e que o vago edil, putativamente sediado no Intendente, apascenta com uma complacência partidária que o define, de facto, como um bom delfim.

Adenda: Li por aí que quando a comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros foi informada pela primeira vez do movimento diplomático, nada havia em relação à UNESCO. Às vezes, apanha-se mesmo mais depressa um mentiroso (ou dois) do que um coxo. Não é só coisa "popular".

DO LIXO


Aos bocadinhos, Pacheco Pereira falou do lixo que é, genericamente, a vida pública portuguesa e de alguns dos seus protagonistas. Esqueceu-se, porém, de uma das mais eminentes carroças dele, o comentadeiro edil António Costa. Costa, putativo e desejado sucessor de Sócrates por algumas almas penadas do partido albanês, é um dos maiores cúmplices daquilo em que se tornou o PS e da cobardia genérica que dele se apoderou nos derradeiros cinco anos. Manuel Alegre, o "corajoso", é, aliás, a derradeira captura. Na semana transacta, Costa deu exemplo deste embotamento generalizado a propósito do "episódio Carrilho". Apenas lhe ocorreu informar que já tinha falado, em tempos, com o embaixador de Portugal na Índia, Castro Mendes, a propósito da candidatura do fado a património imaterial da UNESCO. A que título o fez? É amigo dele? Conversa da treta ou de café? Duplicidade? Nesses "tempos", há nove meses, o embaixador de Portugal na UNESCO era (ainda é, mesmo de saída) Carrilho e não consta que Costa tivesse protagonizado grandes iniciativas acerca da matéria. De Costa, entretanto, não brotou o mais vago murmúrio sobre o fundo do "episódio Carrilho" (Sócrates), tão somente uma outra evidência do lixo a que alude Pacheco (que também nada disse) e que o vago edil, putativamente sediado no Intendente, apascenta com uma complacência partidária que o define, de facto, como um bom delfim.

Adenda: Li por aí que quando a comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros foi informada pela primeira vez do movimento diplomático, nada havia em relação à UNESCO. Às vezes, apanha-se mesmo mais depressa um mentiroso (ou dois) do que um coxo. Não é só coisa "popular".

26.9.10

O PAÍS DE SÓCRATES

«O meu país é um país que acredita no primado do direito», disse o regedor nas Nações Unidas. Deve ser um país dele. Exclusivamente dele. Que não existe.

O PAÍS DE SÓCRATES

«O meu país é um país que acredita no primado do direito», disse o regedor nas Nações Unidas. Deve ser um país dele. Exclusivamente dele. Que não existe.

UM PRESIDENTE NUM CONTEXTO "SEMI"


Escreve Vasco Pulido Valente: «O que admira é que os constituintes, por espírito republicano e parlamentar (e, argumentam eles, para evitar uma nova ditadura), tenham diminuído até à inexistência prática o papel do único magistrado da nação com legitimidade pessoal. Isto não veio do "estrangeiro" ou é o resultado do parasitismo de Estado tão tradicionalmente indígena. Isto demonstra o ódio atávico do país a toda a forma de autoridade e a sua velha persistência em impedir que alguém verdadeiramente mande nele. Na pior crise do Portugal contemporâneo, andamos por aí sem rei, nem roque. Cavaco não conta. E o nosso destino passou para as mãos de um principiante sobre o imaturo e de um funcionário do PS iletrado e cego, que se chama Sócrates. Mas nós gostamos.» Como eu não gosto, há aqui três coisas. A primeira - e é o que se tem defendido persistentemente neste blogue - consiste em acabar com este regime "semi" tudo e "semi" nada que nos conduziu a isto juntamente com a endémica periferia típica de pobres materiais e de espírito. A segunda, é que, neste contexto "semi", agravado pelo comportamento irresponsável dos partidos (todos, uns mais do que outros, mas todos) e pelo analfabetismo funcional do poder executivo e parlamentar (até há menos de um ano absoluto, convém não esquecer), o PR funciona como um estabilizador. Cavaco não impediu o governo de governar e de ser "julgado" pelo "povo" da mesma maneira que não cerceou ou impeliu a oposição a fazer o que quis e com quem quis. O resultado do "julgamento " popular foi, repito, há um ano e o presidente não foi ouvido nem achado nele. Cavaco não é Soares e, por consequência, não "conspira". E Soares, como é fácil recordar, fez do chavão "moderador e árbitro" uma gloriosa metáfora, não impedindo, mesmo com todas as "conspirações" do mundo, duas maiorias absolutas que lhe eram politicamente adversas ou um governo minoritário do seu partido de origem. Se Cavaco se tivesse "resignado", no ambiente "semi" em que vive e que jurou cumprir, não tinha dito o que foi dizendo ao longo deste mandato. Todavia, ao contrário de Sócrates e de outros distintos oficiantes da nomenclatura e da propaganda, Cavaco não parou no tempo, em 2007, antes da crise, como se nada se tivesse passado entretanto. Basta lê-lo e ouvi-lo. Podia ter feito mais e diferente? Podia. Como nós podíamos ter feito há um ano nas eleições legislativas e, como se nota, não fizemos. Resta uma terceira coisa. A reeleição de Cavaco tem, por tudo isto e neste famoso contexto, uma importância que não tiveram as reeleições de Soares ou de Sampaio (excluo Eanes porque os poderes presidenciais em 1980 eram outros que muitos dos que agora mordem as canelas de Cavaco - VPV, "político" ao tempo, incluído - não descansaram enquanto não os removeram: talvez por isso seja intelectualmente mais honesto sugerir um mandato único mais longo). Basta pensar no candidato que já por aí anda e que, no dizer das sondagens, é o que está menos afastado de Cavaco apesar das distâncias. Esse candidato é apoiado oficialmente pelo PS fascistóide de Sócrates e pelo delirante Bloco do dr. Louçã, do sr. Fazenda e da D. Drago. É possível alguém com dois dedos de testa resignar-se a isto?

UM PRESIDENTE NUM CONTEXTO "SEMI"


Escreve Vasco Pulido Valente: «O que admira é que os constituintes, por espírito republicano e parlamentar (e, argumentam eles, para evitar uma nova ditadura), tenham diminuído até à inexistência prática o papel do único magistrado da nação com legitimidade pessoal. Isto não veio do "estrangeiro" ou é o resultado do parasitismo de Estado tão tradicionalmente indígena. Isto demonstra o ódio atávico do país a toda a forma de autoridade e a sua velha persistência em impedir que alguém verdadeiramente mande nele. Na pior crise do Portugal contemporâneo, andamos por aí sem rei, nem roque. Cavaco não conta. E o nosso destino passou para as mãos de um principiante sobre o imaturo e de um funcionário do PS iletrado e cego, que se chama Sócrates. Mas nós gostamos.» Como eu não gosto, há aqui três coisas. A primeira - e é o que se tem defendido persistentemente neste blogue - consiste em acabar com este regime "semi" tudo e "semi" nada que nos conduziu a isto juntamente com a endémica periferia típica de pobres materiais e de espírito. A segunda, é que, neste contexto "semi", agravado pelo comportamento irresponsável dos partidos (todos, uns mais do que outros, mas todos) e pelo analfabetismo funcional do poder executivo e parlamentar (até há menos de um ano absoluto, convém não esquecer), o PR funciona como um estabilizador. Cavaco não impediu o governo de governar e de ser "julgado" pelo "povo" da mesma maneira que não cerceou ou impeliu a oposição a fazer o que quis e com quem quis. O resultado do "julgamento " popular foi, repito, há um ano e o presidente não foi ouvido nem achado nele. Cavaco não é Soares e, por consequência, não "conspira". E Soares, como é fácil recordar, fez do chavão "moderador e árbitro" uma gloriosa metáfora, não impedindo, mesmo com todas as "conspirações" do mundo, duas maiorias absolutas que lhe eram politicamente adversas ou um governo minoritário do seu partido de origem. Se Cavaco se tivesse "resignado", no ambiente "semi" em que vive e que jurou cumprir, não tinha dito o que foi dizendo ao longo deste mandato. Todavia, ao contrário de Sócrates e de outros distintos oficiantes da nomenclatura e da propaganda, Cavaco não parou no tempo, em 2007, antes da crise, como se nada se tivesse passado entretanto. Basta lê-lo e ouvi-lo. Podia ter feito mais e diferente? Podia. Como nós podíamos ter feito há um ano nas eleições legislativas e, como se nota, não fizemos. Resta uma terceira coisa. A reeleição de Cavaco tem, por tudo isto e neste famoso contexto, uma importância que não tiveram as reeleições de Soares ou de Sampaio (excluo Eanes porque os poderes presidenciais em 1980 eram outros que muitos dos que agora mordem as canelas de Cavaco - VPV, "político" ao tempo, incluído - não descansaram enquanto não os removeram: talvez por isso seja intelectualmente mais honesto sugerir um mandato único mais longo). Basta pensar no candidato que já por aí anda e que, no dizer das sondagens, é o que está menos afastado de Cavaco apesar das distâncias. Esse candidato é apoiado oficialmente pelo PS fascistóide de Sócrates e pelo delirante Bloco do dr. Louçã, do sr. Fazenda e da D. Drago. É possível alguém com dois dedos de testa resignar-se a isto?

UM REGEDOR EM NOVA IORQUE, 2

O regedor passou por Nova Iorque e talvez corra, a esta hora, na Vasco da Gama. Lá ameaçou demitir-se. Nova Iorque não é Sacavém. Tal como a realidade não é a cabeça do funesto regedor. Ela avança, mesmo sem esperar pela segunda-feira que, pelos vistos, será negra. A situação é excelente, como referia o desdentado Mao, de lenço ao pescoço, contemplando os destroços da velha China.

UM REGEDOR EM NOVA IORQUE, 2

O regedor passou por Nova Iorque e talvez corra, a esta hora, na Vasco da Gama. Lá ameaçou demitir-se. Nova Iorque não é Sacavém. Tal como a realidade não é a cabeça do funesto regedor. Ela avança, mesmo sem esperar pela segunda-feira que, pelos vistos, será negra. A situação é excelente, como referia o desdentado Mao, de lenço ao pescoço, contemplando os destroços da velha China.

25.9.10

UM FAZER DE MORTO

Como é que um totó desta envergadura pode ser director de informação do canal generalista português com maiores níveis de audiência? Se calhar é por isso. Como recomendava o boneco do dr. Jorge Coelho na "contra-informação", aqui há uns anos, deve dar-se ao povo o que povo quer.

UM FAZER DE MORTO

Como é que um totó desta envergadura pode ser director de informação do canal generalista português com maiores níveis de audiência? Se calhar é por isso. Como recomendava o boneco do dr. Jorge Coelho na "contra-informação", aqui há uns anos, deve dar-se ao povo o que povo quer.

GRANDEZA



Bach: Missa. Agnus Dei. Hertha Töpper. Karl Richter. «Bach est la seul chose qui vous donne l'impression que l'univers n'est pas raté. Tout y est profond, réel, sans théâtre. S'il y a un absolu, c'est Bach (Cioran).»

GRANDEZA



Bach: Missa. Agnus Dei. Hertha Töpper. Karl Richter. «Bach est la seul chose qui vous donne l'impression que l'univers n'est pas raté. Tout y est profond, réel, sans théâtre. S'il y a un absolu, c'est Bach (Cioran).»

DECIDIDOS ATÉ ONDE IR NÃO DEVEMOS IR MAIS ALÉM

Wittgenstein termina o afamado Tractatus com a não menos afamada frase que postula silêncio acerca daquilo de que não se pode falar. Aqui não se trata propriamente de não poder falar - é mais evitar a tagarelice. Gosto muito de Santana Lopes mas às vezes parece que se esqueceu da humilhação eleitoral a que Sócrates o sujeitou há cinco anos. Por isso, talvez o leitor Aires Vilela tenha razão quando escreve, e passo a citar, que «Santana já veio declarar na RTP que Passos Coelho foi infeliz ao dizer que não fala mais com o Sócrates sem ser perante testemunhas. Como se Santana não soubesse do que é capaz o grande aldrabão que nos desgoverna. A patetice devia ter limites, caramba!» Não iria tão longe, caramba.

DECIDIDOS ATÉ ONDE IR NÃO DEVEMOS IR MAIS ALÉM

Wittgenstein termina o afamado Tractatus com a não menos afamada frase que postula silêncio acerca daquilo de que não se pode falar. Aqui não se trata propriamente de não poder falar - é mais evitar a tagarelice. Gosto muito de Santana Lopes mas às vezes parece que se esqueceu da humilhação eleitoral a que Sócrates o sujeitou há cinco anos. Por isso, talvez o leitor Aires Vilela tenha razão quando escreve, e passo a citar, que «Santana já veio declarar na RTP que Passos Coelho foi infeliz ao dizer que não fala mais com o Sócrates sem ser perante testemunhas. Como se Santana não soubesse do que é capaz o grande aldrabão que nos desgoverna. A patetice devia ter limites, caramba!» Não iria tão longe, caramba.

COMO NUM VERSO DE HERBERTO HELDER*


Paulo Portas terrestre ao Expresso: «a reeleição de Cavaco Silva será também a derrota do candidato apoiado pelo PS e pelo BE e isso tem um significado.»

*Poeta português contemporâneo que não se pode confundir, a não ser a título de cegueira profissional ou de analfabetismo crónico, com versejadores da "escola" do candidato apoiado pelo BE e pelo PS.

COMO NUM VERSO DE HERBERTO HELDER*


Paulo Portas terrestre ao Expresso: «a reeleição de Cavaco Silva será também a derrota do candidato apoiado pelo PS e pelo BE e isso tem um significado.»

*Poeta português contemporâneo que não se pode confundir, a não ser a título de cegueira profissional ou de analfabetismo crónico, com versejadores da "escola" do candidato apoiado pelo BE e pelo PS.

CARLOS CASTRISMO MATINAL


Acordei com a voz de Pedro Rolo Duarte e de João Gobern na antena1 (há-de aparecer em podcast). Hesitante entre "bordel" e "hotel" babilónia, por minha culpa, Pedro começou o programa por me referir como "amigo" do (voltou a hesitar) doutor ("pronto, dr.") Manuel Maria Carrilho que, mais adiante, classificaria como "o pior da semana". A isto Gobern (com assinalável bom gosto e depois de uns minutos a regalar-se com a circunstância de ser o "1º" dos diáconos da bola no jornal Record - que categoria!) replicou: "não terás uma questão mal resolvida com a mulher dele"? Disse que não, o Pedro. Depois das antenas parabólicas do outro, as mulheres dos outros. O Pedro - que conheço e estimo desde os idos de setentas e muitos/oitentas quando ele usava uma farta cabeleira à Jimi Hendrix - tinha a estrita obrigação, pelo que fez e proporcionou em muitas saudosas publicações, de estar já noutras alturas e de deixar-se de vulgaridades (ou de dar azo a que o seu colega alarvemente as perpetre) as quais, mais do que merecerem uma resposta, apenas reclamam um bom par de bofetadas. A bofetada sempre teve a vantagem de, uma vez bem assente, poder seguir-se em frente e não se falar mais nisso. Digamos que faz parte da aprendizagem. Quanto ao meu "amigo" MMC, o Pedro tem de dobrar a língua. Para ele, Carrilho é o professor doutor Manuel Maria Carrilho.

CARLOS CASTRISMO MATINAL


Acordei com a voz de Pedro Rolo Duarte e de João Gobern na antena1 (há-de aparecer em podcast). Hesitante entre "bordel" e "hotel" babilónia, por minha culpa, Pedro começou o programa por me referir como "amigo" do (voltou a hesitar) doutor ("pronto, dr.") Manuel Maria Carrilho que, mais adiante, classificaria como "o pior da semana". A isto Gobern (com assinalável bom gosto e depois de uns minutos a regalar-se com a circunstância de ser o "1º" dos diáconos da bola no jornal Record - que categoria!) replicou: "não terás uma questão mal resolvida com a mulher dele"? Disse que não, o Pedro. Depois das antenas parabólicas do outro, as mulheres dos outros. O Pedro - que conheço e estimo desde os idos de setentas e muitos/oitentas quando ele usava uma farta cabeleira à Jimi Hendrix - tinha a estrita obrigação, pelo que fez e proporcionou em muitas saudosas publicações, de estar já noutras alturas e de deixar-se de vulgaridades (ou de dar azo a que o seu colega alarvemente as perpetre) as quais, mais do que merecerem uma resposta, apenas reclamam um bom par de bofetadas. A bofetada sempre teve a vantagem de, uma vez bem assente, poder seguir-se em frente e não se falar mais nisso. Digamos que faz parte da aprendizagem. Quanto ao meu "amigo" MMC, o Pedro tem de dobrar a língua. Para ele, Carrilho é o professor doutor Manuel Maria Carrilho.

UMA BOA VASSOURADA


«No seu pior, o FMI não deixaria de pôr as finanças em ordem, ou a caminho de uma certa ordem, façanha de que, por razões de oportunismo, os nossos partidos não são obviamente capazes. Mas talvez fizesse mais. Talvez convencesse o eleitorado da irremediável irresponsabilidade do regime e dos políticos que hoje o exploram e conduzem. Não acredito que, a seguir ao sarilho em que nos meteram e à cura brutal de uma intervenção estrangeira, os portugueses continuassem a votar imperturbavelmente no desastroso sr. Sócrates ou no sr. Passos Coelho e na tropa-fandanga que os segue e aplaude. Há limites, mesmo para a tradicional mansidão indígena. Com alguma sorte, uma boa vassourada permitiria um recomeço. E nós precisamos de um recomeço.»

Vasco Pulido Valente, Público

UMA BOA VASSOURADA


«No seu pior, o FMI não deixaria de pôr as finanças em ordem, ou a caminho de uma certa ordem, façanha de que, por razões de oportunismo, os nossos partidos não são obviamente capazes. Mas talvez fizesse mais. Talvez convencesse o eleitorado da irremediável irresponsabilidade do regime e dos políticos que hoje o exploram e conduzem. Não acredito que, a seguir ao sarilho em que nos meteram e à cura brutal de uma intervenção estrangeira, os portugueses continuassem a votar imperturbavelmente no desastroso sr. Sócrates ou no sr. Passos Coelho e na tropa-fandanga que os segue e aplaude. Há limites, mesmo para a tradicional mansidão indígena. Com alguma sorte, uma boa vassourada permitiria um recomeço. E nós precisamos de um recomeço.»

Vasco Pulido Valente, Público

24.9.10

FILOSOFIA DA LINGUAGEM

Passos diz que não volta a falar a sós com Sócrates. Carrilho afirmou que passará a ter mais cuidado sempre que tiver de abordar Luís Amado. O que é que terão Sócrates e Amado em comum para unirem, na cautela, seres tão diversos quanto Passos e Carrilho?

FILOSOFIA DA LINGUAGEM

Passos diz que não volta a falar a sós com Sócrates. Carrilho afirmou que passará a ter mais cuidado sempre que tiver de abordar Luís Amado. O que é que terão Sócrates e Amado em comum para unirem, na cautela, seres tão diversos quanto Passos e Carrilho?

UM LIVRO PARA COMPREENDER O PESSOAL DO CALÇADÃO, DE PORTUGAL A NOVA IORQUE

Que diabo são o Diabo e os seus anjos?

UM LIVRO PARA COMPREENDER O PESSOAL DO CALÇADÃO, DE PORTUGAL A NOVA IORQUE

Que diabo são o Diabo e os seus anjos?

TRAQUINAS IRRESPONSÁVEIS

Pela primeira vez em cinco anos, Sócrates falou em demissão por causa do orçamento. Fê-lo em Nova Iorque, e não em Matosinhos, o que denota a dimensão de estadista e o sentido das responsabilidades - os credores ficaram a conhecê-lo melhor e talvez se revele isso logo pela fresquinha de segunda-feira. Mas, para a paróquia, trata-se de mais uma peça no jogo que trava com Passos Coelho, o brincalhão do outro lado. Não havendo, pelas regras, eleições antecipadas, o estado da arte fica nas mãos (que lindas mãos!) do parlamento. A Cavaco, a única pessoa a desempenhar funções políticas em quem se pode confiar, basta chamá-los a todos para depois os exibir publicamente como irresponsáveis que são. E o país que tire as devidas conclusões.

TRAQUINAS IRRESPONSÁVEIS

Pela primeira vez em cinco anos, Sócrates falou em demissão por causa do orçamento. Fê-lo em Nova Iorque, e não em Matosinhos, o que denota a dimensão de estadista e o sentido das responsabilidades - os credores ficaram a conhecê-lo melhor e talvez se revele isso logo pela fresquinha de segunda-feira. Mas, para a paróquia, trata-se de mais uma peça no jogo que trava com Passos Coelho, o brincalhão do outro lado. Não havendo, pelas regras, eleições antecipadas, o estado da arte fica nas mãos (que lindas mãos!) do parlamento. A Cavaco, a única pessoa a desempenhar funções políticas em quem se pode confiar, basta chamá-los a todos para depois os exibir publicamente como irresponsáveis que são. E o país que tire as devidas conclusões.

FRONTEIRAS DE PORTUGAL


FRONTEIRAS DE PORTUGAL


TÉNIAS QUE TOCAM FLAUTA


Como se não bastassem os males gerais da pátria - dirigida e candidata a ser dirigida por megalómanos e puros vendedores ambulantes de farturas -, também temos o videirismo como forma de vida, passe a redundância. E quando se mexe no videirismo, acorre inevitavelmente alguém para defender a sua forma de vida e a dos seus. Chama-se a isto (na literatura, na política, nos jornais, nas televisões, nos prostíbulos, em suma) "meio". O "meio" defende-se atacando e emitindo grunhos sob a forma de firewalls para ter a certeza que ninguém penetra nos seus tão inexpugnáveis como infrequentáveis domínios. São aquilo que Carrilho designa por parasitas da actualidade. Estes parasitas - como vivem há muito alojados em tudo o que "dá" seja em que área for - estão sempre "em cima" de qualquer coisa ou de alguém que "dê". O Zé Ribeiro da Fonte tinha uma frase para isto - onde nós não estivermos, outros estarão por nós. Os parasitas da actualidade levam isto ao pé da letra. Encarregam-se de esmagar, por infecção já que não são expelidas como as ténias, tudo onde se alojam. Pergunta o leitor estupefacto: isto é para quem ou a que propósito? Não se preocupe, amável leitor. Elas, as ténias infectas, sabem perfeitamente onde estão. «J'irai vous applaudir lorsque vous serez enfin devenu un vrai monstre, que vous aurez payé, aux sorcières, ce qu'il faut, leur prix, pour qu'elles vous transmutent, éclosent, en vrai phénomène. En ténia qui joue de la flûte.»

TÉNIAS QUE TOCAM FLAUTA


Como se não bastassem os males gerais da pátria - dirigida e candidata a ser dirigida por megalómanos e puros vendedores ambulantes de farturas -, também temos o videirismo como forma de vida, passe a redundância. E quando se mexe no videirismo, acorre inevitavelmente alguém para defender a sua forma de vida e a dos seus. Chama-se a isto (na literatura, na política, nos jornais, nas televisões, nos prostíbulos, em suma) "meio". O "meio" defende-se atacando e emitindo grunhos sob a forma de firewalls para ter a certeza que ninguém penetra nos seus tão inexpugnáveis como infrequentáveis domínios. São aquilo que Carrilho designa por parasitas da actualidade. Estes parasitas - como vivem há muito alojados em tudo o que "dá" seja em que área for - estão sempre "em cima" de qualquer coisa ou de alguém que "dê". O Zé Ribeiro da Fonte tinha uma frase para isto - onde nós não estivermos, outros estarão por nós. Os parasitas da actualidade levam isto ao pé da letra. Encarregam-se de esmagar, por infecção já que não são expelidas como as ténias, tudo onde se alojam. Pergunta o leitor estupefacto: isto é para quem ou a que propósito? Não se preocupe, amável leitor. Elas, as ténias infectas, sabem perfeitamente onde estão. «J'irai vous applaudir lorsque vous serez enfin devenu un vrai monstre, que vous aurez payé, aux sorcières, ce qu'il faut, leur prix, pour qu'elles vous transmutent, éclosent, en vrai phénomène. En ténia qui joue de la flûte.»

«MARAVILHAS NATURAIS DO SOCRATAL»


«Na "gala" das Maravilhas Naturais de Portugal (RTP1), estiveram em destaque três membros do PS-Governo: António Vitorino, Carlos César e um secretário de Estado. Alguém referiu nos media esta maravilhosa naturalização do Socratal?

Carlos Queirós foi despedido com intervenção violenta do secretário Laurentino Dias. Alguém mencionou que foi Sócrates, ele mesmo, quem mandou despedir?

Apareceu uma carta de Edite Estrela pró-Alegre e anti-Cavaco. Alguém perguntou pela autorização de Sócrates, ele mesmo, à carta?

Sócrates anda há seis anos em propaganda no Socratal, a que chamou na quarta-feira o "país real". Além de Bernardo Ferrão (SIC), alguém o interroga sobre o que se passa cá em baixo, em Portugal?

Manuel M. Carrilho foi despedido sem justa causa da UNESCO. Além de Carrilho, alguém mencionou que foi Sócrates, ele mesmo, quem mandou despedir?»

Eduardo Cintra Torres, Público

«MARAVILHAS NATURAIS DO SOCRATAL»


«Na "gala" das Maravilhas Naturais de Portugal (RTP1), estiveram em destaque três membros do PS-Governo: António Vitorino, Carlos César e um secretário de Estado. Alguém referiu nos media esta maravilhosa naturalização do Socratal?

Carlos Queirós foi despedido com intervenção violenta do secretário Laurentino Dias. Alguém mencionou que foi Sócrates, ele mesmo, quem mandou despedir?

Apareceu uma carta de Edite Estrela pró-Alegre e anti-Cavaco. Alguém perguntou pela autorização de Sócrates, ele mesmo, à carta?

Sócrates anda há seis anos em propaganda no Socratal, a que chamou na quarta-feira o "país real". Além de Bernardo Ferrão (SIC), alguém o interroga sobre o que se passa cá em baixo, em Portugal?

Manuel M. Carrilho foi despedido sem justa causa da UNESCO. Além de Carrilho, alguém mencionou que foi Sócrates, ele mesmo, quem mandou despedir?»

Eduardo Cintra Torres, Público

RIBEIRO LULA DA SILVA E CASTRO


Numa entrevista à regimental Flor Pedroso, Ribeiro e Castro (podia ser a minha padeira mas é Ribeiro e Castro), sugere a Cavaco que seja «mais Lula da Silva», mais «político» e menos «economista». É isto o que a "direita da direita" tem para oferecer ao país, um tontinho dum louvaminheiro do plutocrata "petralhista" Lula da Silva? É caso para recomendar a Castro, pensador durante quinze dias, que podia ser mais inteligente e menos Ribeiro e Castro.

RIBEIRO LULA DA SILVA E CASTRO


Numa entrevista à regimental Flor Pedroso, Ribeiro e Castro (podia ser a minha padeira mas é Ribeiro e Castro), sugere a Cavaco que seja «mais Lula da Silva», mais «político» e menos «economista». É isto o que a "direita da direita" tem para oferecer ao país, um tontinho dum louvaminheiro do plutocrata "petralhista" Lula da Silva? É caso para recomendar a Castro, pensador durante quinze dias, que podia ser mais inteligente e menos Ribeiro e Castro.

CONTRA A DOXA


Estava a desfrutar da erudição histórica de Filipe Ribeiro de Meneses com o som dos "quadratura" como fundo. A coisa começou no metro e passou para o PS e o PSD, os dos calçadões de Agosto. Desliguei. E pensei que, cada vez mais, só se pode ser erudito cá dentro com profundo distanciamento, sempre doloroso, de tudo e de todos. Físico, ético, político e, sobretudo, cultural. A doxa partidária, limitadíssima, já não convence ninguém.

CONTRA A DOXA


Estava a desfrutar da erudição histórica de Filipe Ribeiro de Meneses com o som dos "quadratura" como fundo. A coisa começou no metro e passou para o PS e o PSD, os dos calçadões de Agosto. Desliguei. E pensei que, cada vez mais, só se pode ser erudito cá dentro com profundo distanciamento, sempre doloroso, de tudo e de todos. Físico, ético, político e, sobretudo, cultural. A doxa partidária, limitadíssima, já não convence ninguém.

23.9.10

PASSOS PEDESTRE


O dr. Passos, contrariamente ao que parece, está apenas relativamente interessado no orçamento. O orçamento é um pretexto de que ele precisa para se estabelecer como líder do PSD, devidamente instigado por esse prodígio intelectual luso-árabe que é Ângelo Correia. Este e mais dois ou três oráculos obscuros terão convencido Passos a não ceder no orçamento e, se tal for necessário para preservar Passos, a acabar por o inviabilizar. Por causa do "interesse nacional"? Não. A coisa é mais pedestre. Passos e os seus - e Ângelo, desde a conspiração dos pregos na rua de 1981, é um reputado especialista em teorias dela - pretendem demonstrar que são "autónomos" de Cavaco e que, mais do que isso, receiam ficar "reféns" num segundo mandato do PR. Todavia, alguém poderia tentar explicar duas coisas a Passos. A primeira, dado o estado comatoso como nos apresentamos lá fora perante os credores, é que ninguém perceberia uma trapalhada doméstica por causa de ciúmes e de infantis necessidades de afirmação. A segunda, e aí entra Sócrates e a sua incansável trupe comunicacional, consiste em Passos ficar com o odioso de ter empurrado o país precisamente nos dois centímetros que faltavam aos quilómetros do outro para caírmos no abismo.

PASSOS PEDESTRE


O dr. Passos, contrariamente ao que parece, está apenas relativamente interessado no orçamento. O orçamento é um pretexto de que ele precisa para se estabelecer como líder do PSD, devidamente instigado por esse prodígio intelectual luso-árabe que é Ângelo Correia. Este e mais dois ou três oráculos obscuros terão convencido Passos a não ceder no orçamento e, se tal for necessário para preservar Passos, a acabar por o inviabilizar. Por causa do "interesse nacional"? Não. A coisa é mais pedestre. Passos e os seus - e Ângelo, desde a conspiração dos pregos na rua de 1981, é um reputado especialista em teorias dela - pretendem demonstrar que são "autónomos" de Cavaco e que, mais do que isso, receiam ficar "reféns" num segundo mandato do PR. Todavia, alguém poderia tentar explicar duas coisas a Passos. A primeira, dado o estado comatoso como nos apresentamos lá fora perante os credores, é que ninguém perceberia uma trapalhada doméstica por causa de ciúmes e de infantis necessidades de afirmação. A segunda, e aí entra Sócrates e a sua incansável trupe comunicacional, consiste em Passos ficar com o odioso de ter empurrado o país precisamente nos dois centímetros que faltavam aos quilómetros do outro para caírmos no abismo.