O que é que leva Nuno Morais Sarmento a ressuscitar dos mortos para "explicar" a Mário Crespo, com um detalhe até agora nunca alcançado por nenhum dos "protagonistas", o assunto "casino de Lisboa"? O presidente da Comissão Europeia, a origem do actual estado moribundo da "direita"?
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
29.2.08
A ORIGEM DO MAL
O que é que leva Nuno Morais Sarmento a ressuscitar dos mortos para "explicar" a Mário Crespo, com um detalhe até agora nunca alcançado por nenhum dos "protagonistas", o assunto "casino de Lisboa"? O presidente da Comissão Europeia, a origem do actual estado moribundo da "direita"?
SONDADOS
Segundo as sondagens, Menezes é um anão comparado com Sócrates. Também de acordo com as mesmas sondagens, o PS ganha sempre, sem maioria absoluta, o PSD desce sempre e o governo está aquém das expectativas. Todavia, os que responderam às sondagens entendem que, em geral, o governo é mau, as perspectivas são más, os protagonistas são fracos. Sem as subtilezas dos comentadores e dos bloggers, os sondados olham para o país sem um módico de confiança e com relativo asco. Tudo somado, e à falta de melhor, Sócrates fica e Menezes claramente não presta, perdido no seu labirinto idiota sobre a publicidade na RTP. Os sondados estão resignados como gado a caminho do matadouro. Suportam Sócrates com o mesmo enfado inevitável com que Sócrates os suporta a eles. Razão tinha Herculano. Isto dá mesmo vontade de morrer.
SONDADOS
Segundo as sondagens, Menezes é um anão comparado com Sócrates. Também de acordo com as mesmas sondagens, o PS ganha sempre, sem maioria absoluta, o PSD desce sempre e o governo está aquém das expectativas. Todavia, os que responderam às sondagens entendem que, em geral, o governo é mau, as perspectivas são más, os protagonistas são fracos. Sem as subtilezas dos comentadores e dos bloggers, os sondados olham para o país sem um módico de confiança e com relativo asco. Tudo somado, e à falta de melhor, Sócrates fica e Menezes claramente não presta, perdido no seu labirinto idiota sobre a publicidade na RTP. Os sondados estão resignados como gado a caminho do matadouro. Suportam Sócrates com o mesmo enfado inevitável com que Sócrates os suporta a eles. Razão tinha Herculano. Isto dá mesmo vontade de morrer.
«MAL-ESTAR DIFUSO»
«Alexandre Herculano, o maior "intelectual" do liberalismo, que passara pelo exílio e combatera no cerco do Porto, deixou, já em agonia, um último juízo sobre a Pátria: "Isto dá vontade de morrer." D. Carlos, que foi de facto o último rei e o último reformador da Monarquia, achava Portugal uma "piolheira" e os portugueses, fatalmente, uma "choldra". Os republicanos não estimavam nem o país, nem a República e acabaram, quase sem excepção, "desiludidos". Basta ler uma dúzia de páginas dos Discursos para constatar o infinito desprezo que Salazar tinha por nós. Do PREC ficou o absurdo cadáver do PC. E esta democracia anda agora a chorar abjectamente o seu fracasso. Verdade que a famosa frase de Herculano é apócrifa (inventada por Bulhão Pato) e que D. Carlos só em privado se alargava sobre o seu reino. De qualquer maneira, não há dúvida de que Portugal sempre gostou muito pouco de si próprio.Com uma certa razão, convém admitir. Desde o princípio do século XVIII que Portugal quis ser "como a Europa" e até hoje infelizmente não conseguiu. A cada revolução, a cada guerra civil, a cada regime, o indígena prestável, alfabeto e "modernizante" supunha que chegara "o dia". E "o dia" invariavelmente não chegava. A sociedade ia, como é óbvio, mudando: devagar, com dificuldade, aos sacões. Só que a distância que nos separava da Europa não diminuía. Os modelos não faltavam: ou modelo universal da França (até à República); ou os mais modestos modelos de países pequenos como a Bélgica no século XIX e a Suécia a seguir. O português copiava com devoção o que via "lá fora". Mas não saía da sua inferioridade e do seu atraso. No meio desta persistente desgraça, Portugal julgou três vezes que se aproximava da Europa: durante os primeiros tempos da "Regeneração", durante o "fontismo" e durante o "cavaquismo". Ao todo, trinta e tal anos de uma ordem política "civilizada" e de um crescimento económico razoável. Mesmo assim, os fundamentos destes raríssimos milagres não eram sólidos. Nos três casos (embora com um ligeiro atraso), uma crise financeira pôs fim à festa e voltou a velha angústia nacional, a que por aí se convencionou chamar "mal-estar difuso". O "mal-estar difuso" é simplesmente o regresso à realidade. Portugal não tem meios para o Estado-providência e a espécie de vida que os portugueses reclamam. E, como não tem, toda a gente se agita e ninguém faz nada com sentido. Esta fase também é conhecida.»
Vasco Pulido Valente, in Público
«MAL-ESTAR DIFUSO»
«Alexandre Herculano, o maior "intelectual" do liberalismo, que passara pelo exílio e combatera no cerco do Porto, deixou, já em agonia, um último juízo sobre a Pátria: "Isto dá vontade de morrer." D. Carlos, que foi de facto o último rei e o último reformador da Monarquia, achava Portugal uma "piolheira" e os portugueses, fatalmente, uma "choldra". Os republicanos não estimavam nem o país, nem a República e acabaram, quase sem excepção, "desiludidos". Basta ler uma dúzia de páginas dos Discursos para constatar o infinito desprezo que Salazar tinha por nós. Do PREC ficou o absurdo cadáver do PC. E esta democracia anda agora a chorar abjectamente o seu fracasso. Verdade que a famosa frase de Herculano é apócrifa (inventada por Bulhão Pato) e que D. Carlos só em privado se alargava sobre o seu reino. De qualquer maneira, não há dúvida de que Portugal sempre gostou muito pouco de si próprio.Com uma certa razão, convém admitir. Desde o princípio do século XVIII que Portugal quis ser "como a Europa" e até hoje infelizmente não conseguiu. A cada revolução, a cada guerra civil, a cada regime, o indígena prestável, alfabeto e "modernizante" supunha que chegara "o dia". E "o dia" invariavelmente não chegava. A sociedade ia, como é óbvio, mudando: devagar, com dificuldade, aos sacões. Só que a distância que nos separava da Europa não diminuía. Os modelos não faltavam: ou modelo universal da França (até à República); ou os mais modestos modelos de países pequenos como a Bélgica no século XIX e a Suécia a seguir. O português copiava com devoção o que via "lá fora". Mas não saía da sua inferioridade e do seu atraso. No meio desta persistente desgraça, Portugal julgou três vezes que se aproximava da Europa: durante os primeiros tempos da "Regeneração", durante o "fontismo" e durante o "cavaquismo". Ao todo, trinta e tal anos de uma ordem política "civilizada" e de um crescimento económico razoável. Mesmo assim, os fundamentos destes raríssimos milagres não eram sólidos. Nos três casos (embora com um ligeiro atraso), uma crise financeira pôs fim à festa e voltou a velha angústia nacional, a que por aí se convencionou chamar "mal-estar difuso". O "mal-estar difuso" é simplesmente o regresso à realidade. Portugal não tem meios para o Estado-providência e a espécie de vida que os portugueses reclamam. E, como não tem, toda a gente se agita e ninguém faz nada com sentido. Esta fase também é conhecida.»
Vasco Pulido Valente, in Público
ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS
Este post do Tomás Vasques é enternecedor. É evidente que, seja lá quem for o autor, toda a gente é livre de abrir um blogue. Desconheço se existem "assessores do governo" que sustentam blogues nem isso me interessa nada. Limito-me a avaliar os conteúdos da mesma forma que avaliam os meus. A diferença é que eu não telefono a ninguém - a não ser que conheça, como é o teu caso ou o do Eduardo - para "comentar" sem que, do outro lado, saibam perfeitamente quem eu sou e como é que ali cheguei. Não sou "anónimo" nem recorro a pseudónimo. Esse género de "liberdades" são adequadas a imaturos. Há, no entanto, para aí quem as tome sem mais. Isto sou eu a falar e sou velho. E este país não é para velhos.
Adenda: Quando eu quiser falar de mim, escrevo umas memórias. O blogue não é o meu "gabinete do utente" privativo. Não serve para exibir a minha gloriosa pessoa ou "obra" - não sou tal coisa nem possuo uma -, nem serve para falar daquilo que faço profissionalmente. I'm not my own subject.
ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS
Este post do Tomás Vasques é enternecedor. É evidente que, seja lá quem for o autor, toda a gente é livre de abrir um blogue. Desconheço se existem "assessores do governo" que sustentam blogues nem isso me interessa nada. Limito-me a avaliar os conteúdos da mesma forma que avaliam os meus. A diferença é que eu não telefono a ninguém - a não ser que conheça, como é o teu caso ou o do Eduardo - para "comentar" sem que, do outro lado, saibam perfeitamente quem eu sou e como é que ali cheguei. Não sou "anónimo" nem recorro a pseudónimo. Esse género de "liberdades" são adequadas a imaturos. Há, no entanto, para aí quem as tome sem mais. Isto sou eu a falar e sou velho. E este país não é para velhos.
Adenda: Quando eu quiser falar de mim, escrevo umas memórias. O blogue não é o meu "gabinete do utente" privativo. Não serve para exibir a minha gloriosa pessoa ou "obra" - não sou tal coisa nem possuo uma -, nem serve para falar daquilo que faço profissionalmente. I'm not my own subject.
SIMONE
Vi a entrevista de Simone de Oliveira na RTP. Gosto dela. É uma mulher com força, corajosa e livre. Por isso mesmo, podia ter-se poupado ao "momento anti-fascista" com que começou a entrevista. Simone começou e floresceu na "ditadura", uma "ditadura" que lhe permitiu ir a Espanha cantar Ary dos Santos e que a celebrou. Quando regressou, foi recebida em apoteose, em Santa Apolónia, provavelmente pelos mesmos que, cinco anos depois, esperaram Mário Soares vindo de Paris e que, dias antes da revolução, aplaudiram vibrantemente o então presidente do Conselho, Marcello Caetano, no Estádio Nacional. O nosso "povo" sempre foi assim: muito "patriota" com quem está. Simone, como explicou, vota PS, um PS que, agora no governo, se "esqueceu" dela nos cinquenta anos da sua carreira. Lembro-me de Simone, em 1980, na sede da recandidatura do General Eanes a cantar a canção do vídeo, um poema de Eugénio de Andrade. As coisas são o que são e foram o que foram. E a Simone é uma referência da música dita ligeira portuguesa, acima de qualquer regime. Não tem por que se arrepender de nada.
SIMONE
Vi a entrevista de Simone de Oliveira na RTP. Gosto dela. É uma mulher com força, corajosa e livre. Por isso mesmo, podia ter-se poupado ao "momento anti-fascista" com que começou a entrevista. Simone começou e floresceu na "ditadura", uma "ditadura" que lhe permitiu ir a Espanha cantar Ary dos Santos e que a celebrou. Quando regressou, foi recebida em apoteose, em Santa Apolónia, provavelmente pelos mesmos que, cinco anos depois, esperaram Mário Soares vindo de Paris e que, dias antes da revolução, aplaudiram vibrantemente o então presidente do Conselho, Marcello Caetano, no Estádio Nacional. O nosso "povo" sempre foi assim: muito "patriota" com quem está. Simone, como explicou, vota PS, um PS que, agora no governo, se "esqueceu" dela nos cinquenta anos da sua carreira. Lembro-me de Simone, em 1980, na sede da recandidatura do General Eanes a cantar a canção do vídeo, um poema de Eugénio de Andrade. As coisas são o que são e foram o que foram. E a Simone é uma referência da música dita ligeira portuguesa, acima de qualquer regime. Não tem por que se arrepender de nada.
28.2.08
DA RESPEITOSA IRREVERÊNCIA
«Qualquer trabalhador por conta de outrem, docente universitário ou jornalista, empregado de livraria ou contabilista, funcionário público ou quadro de empresa, não pode ignorar o feedback das suas irreverências face à imagem do empregador.» Muito bem. Então o Eduardo defende que, na dúvida, é melhor que "qualquer trabalhador por conta de outrem, docente universitário ou jornalista, empregado de livraria ou contabilista, funcionário público ou quadro de empresa", não escreva em blogues ou, em alternativa condescendente, possa escrever mas apenas sobre a Oprah, touradas, futebol, Catarina Furtado (estas quatro categorias estão evidentemente interditas a jornalistas), frangos no churrasco ou autores "consensuais" como Paulo Coelho ou Margarida Rebelo Pinto (estes dois estão vedados aos empregados de livraria)? Ou que se reforme para poder escrever livremente e sem problemas de "imagem"? Ou que mude para Marte? Esclareça lá.
DA RESPEITOSA IRREVERÊNCIA
«Qualquer trabalhador por conta de outrem, docente universitário ou jornalista, empregado de livraria ou contabilista, funcionário público ou quadro de empresa, não pode ignorar o feedback das suas irreverências face à imagem do empregador.» Muito bem. Então o Eduardo defende que, na dúvida, é melhor que "qualquer trabalhador por conta de outrem, docente universitário ou jornalista, empregado de livraria ou contabilista, funcionário público ou quadro de empresa", não escreva em blogues ou, em alternativa condescendente, possa escrever mas apenas sobre a Oprah, touradas, futebol, Catarina Furtado (estas quatro categorias estão evidentemente interditas a jornalistas), frangos no churrasco ou autores "consensuais" como Paulo Coelho ou Margarida Rebelo Pinto (estes dois estão vedados aos empregados de livraria)? Ou que se reforme para poder escrever livremente e sem problemas de "imagem"? Ou que mude para Marte? Esclareça lá.
SEM SAÍDA
«O verdadeiro retrato de Portugal não foi dado pelo documento da Sedes ou pelas suas radiosas antecipações. Foi dado, sim, pelas velhas "Novas Fronteiras" do eng. Sócrates e pela triste realidade que por lá se passeou. O optimismo balofo de um primeiro-ministro em campanha, o relato interminável das suas extraordinárias "medidas", os desafios inconsequentes a uma oposição que não existe e a habitual unanimidade que rodeia o poder mostram, com inesperada crueza, a mediocridade reinante e o resultado deprimente de três anos de propaganda. Infelizmente, o aparente autismo do primeiro-ministro não choca, como se tem dito, com as misérias do "país real": pelo contrário, a sua arrogância e a impunidade de que continua a gozar são o melhor reflexo da situação nacional. Por muito que isso lhe custe, o seu Governo não é um "marco" histórico que estabelece a diferença entre um lamentável "antes" e um radioso "depois": limita-se a ser um fruto do que aconteceu "antes" que continua irremediavelmente ligado às circunstâncias que o fizeram nascer. Agora, como no passado, a sua imagem depende essencialmente dos episódios e das trapalhadas em que se vai afundando o PSD. O eng. Sócrates, esse reformador determinado que a propaganda inventou, não é mais do que um sofrível gestor de um sistema desacreditado que ele, à custa de algumas medidas avulsas e de anúncios intermitentes, acha que modernizou. A modernização, ou, melhor dizendo, a modernidade de que este Governo se reclama reduz-se a um inventário sem rasgo que o primeiro-ministro vai debitando num esforço desesperado de apresentar obra feita. A 18 meses das legislativas, a determinação do reformador cedeu o lugar às necessidades de uma campanha e aos habituais recuos que antecedem as eleições. Não há futuro, como se tem dito, porque o futuro não costuma aparecer no meio de cálculos de mercearia e de pequenos balanços parciais que não apontam para nenhuma política. O futuro, como se depreende de todo este falso optimismo, é uma desagradável incógnita que não se compadece com estas pobres sessões que marcam o arranque de uma longa campanha. E depois há os factos simples, objectivos e verificáveis, que não são simples nem objectivos e que, infelizmente, nunca se verificaram. Ou seja, os factos que justificam este tipo de proclamações: "O rendimento disponível aumentou, baixou o insucesso escolar, baixou o abandono escolar e o salário mínimo teve o maior aumento da década." Infelizmente, este país das maravilhas só pode aparecer nos discursos do primeiro-ministro, porque o país se encontra, de facto, numa situação sem saída.»
Constança Cunha e Sá, in Público
SEM SAÍDA
«O verdadeiro retrato de Portugal não foi dado pelo documento da Sedes ou pelas suas radiosas antecipações. Foi dado, sim, pelas velhas "Novas Fronteiras" do eng. Sócrates e pela triste realidade que por lá se passeou. O optimismo balofo de um primeiro-ministro em campanha, o relato interminável das suas extraordinárias "medidas", os desafios inconsequentes a uma oposição que não existe e a habitual unanimidade que rodeia o poder mostram, com inesperada crueza, a mediocridade reinante e o resultado deprimente de três anos de propaganda. Infelizmente, o aparente autismo do primeiro-ministro não choca, como se tem dito, com as misérias do "país real": pelo contrário, a sua arrogância e a impunidade de que continua a gozar são o melhor reflexo da situação nacional. Por muito que isso lhe custe, o seu Governo não é um "marco" histórico que estabelece a diferença entre um lamentável "antes" e um radioso "depois": limita-se a ser um fruto do que aconteceu "antes" que continua irremediavelmente ligado às circunstâncias que o fizeram nascer. Agora, como no passado, a sua imagem depende essencialmente dos episódios e das trapalhadas em que se vai afundando o PSD. O eng. Sócrates, esse reformador determinado que a propaganda inventou, não é mais do que um sofrível gestor de um sistema desacreditado que ele, à custa de algumas medidas avulsas e de anúncios intermitentes, acha que modernizou. A modernização, ou, melhor dizendo, a modernidade de que este Governo se reclama reduz-se a um inventário sem rasgo que o primeiro-ministro vai debitando num esforço desesperado de apresentar obra feita. A 18 meses das legislativas, a determinação do reformador cedeu o lugar às necessidades de uma campanha e aos habituais recuos que antecedem as eleições. Não há futuro, como se tem dito, porque o futuro não costuma aparecer no meio de cálculos de mercearia e de pequenos balanços parciais que não apontam para nenhuma política. O futuro, como se depreende de todo este falso optimismo, é uma desagradável incógnita que não se compadece com estas pobres sessões que marcam o arranque de uma longa campanha. E depois há os factos simples, objectivos e verificáveis, que não são simples nem objectivos e que, infelizmente, nunca se verificaram. Ou seja, os factos que justificam este tipo de proclamações: "O rendimento disponível aumentou, baixou o insucesso escolar, baixou o abandono escolar e o salário mínimo teve o maior aumento da década." Infelizmente, este país das maravilhas só pode aparecer nos discursos do primeiro-ministro, porque o país se encontra, de facto, numa situação sem saída.»
Constança Cunha e Sá, in Público
O TRIUNFO DOS PORCOS
Entrou hoje em vigor a nova lei dos vínculos, carreiras e remunerações da função pública. Reduz a três as carreiras às quais, no entanto, se devem somar as seis "especiais" cujo vínculo de nomeação permanente se mantém já que, a seu tempo - sim, isto tudo é para ser "regulamentado" em seis meses -, o Estado prevê sujeitar os seus servidores a um "contrato de trabalho em funções públicas". Até aqui, podemos estar de acordo, apesar do texto ser confuso, baço e "burocrata", de todo "simplex". Acontece que, se nem toda a lei começa já a aplicar-se, há uma parte a resolver até 15 de Março. O governo criou um novo sistema de avaliação que, julgo, deve estar a correr. E, na sequência dessa avaliação que ainda está a correr, os que devem e podem terão de indicar a "fatia" dos respectivos serventuários com direito a prémio e a progredir na sua carreira. Estes "excelentes" não podem exceder cinco por cento. Esta é uma das partes más de uma lei que nem o presidente da República percebeu muito bem. Em quinze dias, os dirigentes vão escolher o seu "quadro de honra". Com a pressa, é de esperar o pior. Está criado um ambiente dentro da administração pública, e contra ela, que propicia o triunfo da mais abjecta sabujice, da bufaria e do amiguismo. O terreno é fértil para os intelectualmente desonestos e para os dissimulados se distinguirem, quer escolham, quer sejam escolhidos. Espero que esta legislação prolixa, cuja "razão" não ponho em causa, não venha, no fim, a significar o triunfo dos porcos.
O TRIUNFO DOS PORCOS
Entrou hoje em vigor a nova lei dos vínculos, carreiras e remunerações da função pública. Reduz a três as carreiras às quais, no entanto, se devem somar as seis "especiais" cujo vínculo de nomeação permanente se mantém já que, a seu tempo - sim, isto tudo é para ser "regulamentado" em seis meses -, o Estado prevê sujeitar os seus servidores a um "contrato de trabalho em funções públicas". Até aqui, podemos estar de acordo, apesar do texto ser confuso, baço e "burocrata", de todo "simplex". Acontece que, se nem toda a lei começa já a aplicar-se, há uma parte a resolver até 15 de Março. O governo criou um novo sistema de avaliação que, julgo, deve estar a correr. E, na sequência dessa avaliação que ainda está a correr, os que devem e podem terão de indicar a "fatia" dos respectivos serventuários com direito a prémio e a progredir na sua carreira. Estes "excelentes" não podem exceder cinco por cento. Esta é uma das partes más de uma lei que nem o presidente da República percebeu muito bem. Em quinze dias, os dirigentes vão escolher o seu "quadro de honra". Com a pressa, é de esperar o pior. Está criado um ambiente dentro da administração pública, e contra ela, que propicia o triunfo da mais abjecta sabujice, da bufaria e do amiguismo. O terreno é fértil para os intelectualmente desonestos e para os dissimulados se distinguirem, quer escolham, quer sejam escolhidos. Espero que esta legislação prolixa, cuja "razão" não ponho em causa, não venha, no fim, a significar o triunfo dos porcos.
27.2.08
NÃO ACERTA
O ministro da agricultura, uma figura esquecível do universo "socrático", acusou Paulo Portas de "caloteiro". O ministro - recordo -, das poucas vezes que abriu a boca, manifestou algumas dificuldades em lidar com o português: nunca diz "possamos", diz "póssamos". Agora falou como se tivesse deixado crescer a unha do dedo mindinho. Não acerta.
Adenda: Comentadores "esclarecem" que foi Portas quem primeiro chamou caloteiro ao ministro por causa da pasta que ele tutela. Sucede que Portas não é membro do governo do país. É chefe de um partido da oposição e não recorreu a adjectivação muito diversa a que não tivesse recorrido no passado, em bancadas parlamentares ou nos jornais. O que já me parece trinta vezes pior do que os jogos florais entre estes dois, é este post "avarinado" de Ana Gomes, com um argumentário de sarjeta indigno de alguém que representa Portugal no Parlamento europeu. Não é conversa de senhora. É coisa de "gaja".
NÃO ACERTA
O ministro da agricultura, uma figura esquecível do universo "socrático", acusou Paulo Portas de "caloteiro". O ministro - recordo -, das poucas vezes que abriu a boca, manifestou algumas dificuldades em lidar com o português: nunca diz "possamos", diz "póssamos". Agora falou como se tivesse deixado crescer a unha do dedo mindinho. Não acerta.
Adenda: Comentadores "esclarecem" que foi Portas quem primeiro chamou caloteiro ao ministro por causa da pasta que ele tutela. Sucede que Portas não é membro do governo do país. É chefe de um partido da oposição e não recorreu a adjectivação muito diversa a que não tivesse recorrido no passado, em bancadas parlamentares ou nos jornais. O que já me parece trinta vezes pior do que os jogos florais entre estes dois, é este post "avarinado" de Ana Gomes, com um argumentário de sarjeta indigno de alguém que representa Portugal no Parlamento europeu. Não é conversa de senhora. É coisa de "gaja".
DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA - 3
Alguns comentadores do post anterior indignaram-se pela minha desconfiança em relação ao dr. Menezes. Confesso que não vi a sua entrevista à SIC Notícias. Só ouvi o disparate sobre o referendo do tratado de Lisboa (foi graças a ele que houve ratificação parlamentar, ele é que "obrigou" o PS, etc....) e desliguei a televisão. O que o dr. Menezes diz ou faz nunca me interessou nem jamais me interessará. Bastou-me ouvir, logo de manhã, antes de sair de Lisboa, o sr. Ribau na rádio. O sr. Ribau é o secretário-geral do PSD escolhido pelo dr. Menezes. Pretende arrastar o partido para uma manifestação geral de professores. A isto eu chamo oportunismo sem um pingo de ganho político. Não os mudem, não.
DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA - 3
Alguns comentadores do post anterior indignaram-se pela minha desconfiança em relação ao dr. Menezes. Confesso que não vi a sua entrevista à SIC Notícias. Só ouvi o disparate sobre o referendo do tratado de Lisboa (foi graças a ele que houve ratificação parlamentar, ele é que "obrigou" o PS, etc....) e desliguei a televisão. O que o dr. Menezes diz ou faz nunca me interessou nem jamais me interessará. Bastou-me ouvir, logo de manhã, antes de sair de Lisboa, o sr. Ribau na rádio. O sr. Ribau é o secretário-geral do PSD escolhido pelo dr. Menezes. Pretende arrastar o partido para uma manifestação geral de professores. A isto eu chamo oportunismo sem um pingo de ganho político. Não os mudem, não.
26.2.08
PACTO DE SILÊNCIO
O dr. Menezes convocou umas quantas eminências do PSD e "independentes" para lhes comunicar que ia romper o "pacto" sobre justiça, assinado por Marques Mendes com o PS. Não gosto de "pactos". Normalmente servem apenas para a propaganda de quem está "por cima". Todavia, uma vez subscritos, devem ser cumpridos. Mesmo que seja na justiça onde, como se sabe, praticamente já não há remédio. Mais do que a insustentável leveza de Menezes que está a conduzir alegremente o PSD para o abismo, é notável que nenhuma daquelas eminências se tenha manifestado contra a leviandade do líder. Menezes é mau, muito mau. E, nem por isso, deixa de estar bem acompanhado.
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PACTO DE SILÊNCIO
O dr. Menezes convocou umas quantas eminências do PSD e "independentes" para lhes comunicar que ia romper o "pacto" sobre justiça, assinado por Marques Mendes com o PS. Não gosto de "pactos". Normalmente servem apenas para a propaganda de quem está "por cima". Todavia, uma vez subscritos, devem ser cumpridos. Mesmo que seja na justiça onde, como se sabe, praticamente já não há remédio. Mais do que a insustentável leveza de Menezes que está a conduzir alegremente o PSD para o abismo, é notável que nenhuma daquelas eminências se tenha manifestado contra a leviandade do líder. Menezes é mau, muito mau. E, nem por isso, deixa de estar bem acompanhado.
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A QUERELA
Na querela Maria de Lurdes Rodrigues/professores é difícil entrar. O "eduquês", uma especialidade destes trinta anos de democracia, distinguiu-se precisamente por criar um mundo muito seu, fechado e corporativo, que a vasta rede de sindicatos de professores anima. Não é seguro que esse mundo tenha acompanhado o mundo cá fora. Basta ver o espanto e a legítima revolta dos professores quando, em vez de turmas de meninos e meninas, dão de caras com gangs de badalhocos ignorantes e promíscuos dispostos a vandalizar as escolas porque sim. O professor - muito por sua culpa e por culpa das "técnicas pedagógicas progressistas" - viu minada a sua autoridade perante os alunos e, em casos extremos, perante pais de alunos que são piores que os filhos. A demagogia associada às "novas oportunidades" é apenas mais um prolongamento da velha retórica optimista de que não há maus rapazes. Há. E o "sistema" não está preparado para os enfrentar. As "reformas" de Maria de Lurdes Rodrigues revelam essa impreparação e esse irrealismo ao atirar com mais burocracia para cima de uma burocracia cheia de vícios acumulados em décadas de complacência e de desleixo. A ministra tem alguma razão e os professores também, mas o círculo é mesmo vicioso. Sem disciplina e autoridade impostas nas escolas, mesmo ao arrepio da mítica "autonomia" dos professores e das ditas escolas, a educação não muda e não prepara os meninos e as meninas (os que desejam preparar-se) para o "futuro". A querela em curso - que já anda pelos tribunais como se os tribunais "governassem" - não muda um átomo da natureza das coisas. E, sobretudo, não muda a natureza dos homens. Isto é mais básico do que o ensino com o mesmo nome.
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A QUERELA
Na querela Maria de Lurdes Rodrigues/professores é difícil entrar. O "eduquês", uma especialidade destes trinta anos de democracia, distinguiu-se precisamente por criar um mundo muito seu, fechado e corporativo, que a vasta rede de sindicatos de professores anima. Não é seguro que esse mundo tenha acompanhado o mundo cá fora. Basta ver o espanto e a legítima revolta dos professores quando, em vez de turmas de meninos e meninas, dão de caras com gangs de badalhocos ignorantes e promíscuos dispostos a vandalizar as escolas porque sim. O professor - muito por sua culpa e por culpa das "técnicas pedagógicas progressistas" - viu minada a sua autoridade perante os alunos e, em casos extremos, perante pais de alunos que são piores que os filhos. A demagogia associada às "novas oportunidades" é apenas mais um prolongamento da velha retórica optimista de que não há maus rapazes. Há. E o "sistema" não está preparado para os enfrentar. As "reformas" de Maria de Lurdes Rodrigues revelam essa impreparação e esse irrealismo ao atirar com mais burocracia para cima de uma burocracia cheia de vícios acumulados em décadas de complacência e de desleixo. A ministra tem alguma razão e os professores também, mas o círculo é mesmo vicioso. Sem disciplina e autoridade impostas nas escolas, mesmo ao arrepio da mítica "autonomia" dos professores e das ditas escolas, a educação não muda e não prepara os meninos e as meninas (os que desejam preparar-se) para o "futuro". A querela em curso - que já anda pelos tribunais como se os tribunais "governassem" - não muda um átomo da natureza das coisas. E, sobretudo, não muda a natureza dos homens. Isto é mais básico do que o ensino com o mesmo nome.
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25.2.08
MAIS UM
A melhor maneira de "passar por cima" da questão "casino de Lisboa" enquanto sintoma potencial de tráfico de influências e da fraca qualidade de vida da democracia, é abrir um inquérito. Foi o que fez a PGR. É apenas mais um.
MAIS UM
A melhor maneira de "passar por cima" da questão "casino de Lisboa" enquanto sintoma potencial de tráfico de influências e da fraca qualidade de vida da democracia, é abrir um inquérito. Foi o que fez a PGR. É apenas mais um.
O ENTERTAINER
O cirurgião Eduardo Barroso - membro de uma ilustre família burguesa e anti-fascista e que trata por tu, aos beijinhos, amigos de infância como Marcelo - demitiu-se de presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST). Há dias, a revista Visão revelava quanto é que o famoso cirurgião recebia de prebenda pelos transplantes realizados. Numa entrevista à televisão, deu depois a entender que era preciso "compor" os salários de miséria - dos médicos, naturalmente - pagos no SNS. Os "prémios" pagos destinavam-se, segundo ele, a "compensar" esta indigência que ele atribuía a si próprio e, simpaticamente, aos colegas. Barroso é mais um entertainer do regime ao lado de tantos outros. Tem este talento com as mãos, cozinha, fuma charutos e, condição fundamental para entertainer, gosta de futebol, coisa que comenta, com aquela voz irritante que Deus lhe deu, onde calha. O homem até pode ser uma sumidade daquelas de que os cemitérios estão cheios. Todavia, não sei porquê, não confio nele. É tagarela em demasia para o meu gosto e, sobretudo, para a sua "arte". Fez bem em sair.
O ENTERTAINER
O cirurgião Eduardo Barroso - membro de uma ilustre família burguesa e anti-fascista e que trata por tu, aos beijinhos, amigos de infância como Marcelo - demitiu-se de presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST). Há dias, a revista Visão revelava quanto é que o famoso cirurgião recebia de prebenda pelos transplantes realizados. Numa entrevista à televisão, deu depois a entender que era preciso "compor" os salários de miséria - dos médicos, naturalmente - pagos no SNS. Os "prémios" pagos destinavam-se, segundo ele, a "compensar" esta indigência que ele atribuía a si próprio e, simpaticamente, aos colegas. Barroso é mais um entertainer do regime ao lado de tantos outros. Tem este talento com as mãos, cozinha, fuma charutos e, condição fundamental para entertainer, gosta de futebol, coisa que comenta, com aquela voz irritante que Deus lhe deu, onde calha. O homem até pode ser uma sumidade daquelas de que os cemitérios estão cheios. Todavia, não sei porquê, não confio nele. É tagarela em demasia para o meu gosto e, sobretudo, para a sua "arte". Fez bem em sair.
ESTE LIVRO NÃO É PARA ANALFABETOS
Ao que ficou reduzido o livro de Cormac, em duas linhas do Público online: "Este País não é para Velhos", a adaptação de um romance de Cormac McCarthy que conta a história de um negócio de droga que dá para o torto, no sul do Texas." Que estupidez.
ESTE LIVRO NÃO É PARA ANALFABETOS
Ao que ficou reduzido o livro de Cormac, em duas linhas do Público online: "Este País não é para Velhos", a adaptação de um romance de Cormac McCarthy que conta a história de um negócio de droga que dá para o torto, no sul do Texas." Que estupidez.
JEJUM DE IMAGENS E PALAVRAS
«O Papa pediu há dias, no encontro quaresmal com o clero de Roma a 7 de Fevereiro, um "jejum de imagens e palavras". A sociedade mediática criou uma embriaguez de estímulos que embrulha e asfixia, manipula e embrutece. É preciso lidar com ela como com a poluição. Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro.»
João César das Neves, Diário de Notícias
JEJUM DE IMAGENS E PALAVRAS
«O Papa pediu há dias, no encontro quaresmal com o clero de Roma a 7 de Fevereiro, um "jejum de imagens e palavras". A sociedade mediática criou uma embriaguez de estímulos que embrulha e asfixia, manipula e embrutece. É preciso lidar com ela como com a poluição. Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro.»
João César das Neves, Diário de Notícias
24.2.08
A DÉCIMA SEXTA MARCA
«Em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza. O risco abrange tanto crianças que vivem com adultos desempregados como as que vivem em lares onde não há desemprego. Neste caso, Portugal está em penúltimo lugar e é apenas ultrapassado pela Polónia - ambos com mais de 20 por cento de risco de exposição à pobreza - de uma tabela liderada pela Finlândia e Suécia, com sete por cento de risco.» Será esta a 16ª "marca do Portugal moderno" que Sócrates e os fiéis se esqueceram de mencionar na apoteose privada dos três anos de governo?
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PS,
Regime
A DÉCIMA SEXTA MARCA
«Em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza. O risco abrange tanto crianças que vivem com adultos desempregados como as que vivem em lares onde não há desemprego. Neste caso, Portugal está em penúltimo lugar e é apenas ultrapassado pela Polónia - ambos com mais de 20 por cento de risco de exposição à pobreza - de uma tabela liderada pela Finlândia e Suécia, com sete por cento de risco.» Será esta a 16ª "marca do Portugal moderno" que Sócrates e os fiéis se esqueceram de mencionar na apoteose privada dos três anos de governo?
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José Sócrates,
PS,
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DA CREDIBILIDADE
Sócrates não me interessa. Nem humana nem politicamente. Na pregação que fez aos fiéis sentados na FIL, ficou claro que já não tem nada de novo para oferecer daqui até 2009. Sobressaiu, todavia, o termo credibilidade. Sócrates e os seus fazedores de fichas estão convencidos de que, desde que o país esteja devidamente anestesiado e com a tragédia Menezes a continuar por aí, basta-lhe falar em credibilidade para que ela exista. Não existe. Só que Sócrates "vive" deste tropismo. Acredita, com alguma razão, que é o melhor do que não presta.
DA CREDIBILIDADE
Sócrates não me interessa. Nem humana nem politicamente. Na pregação que fez aos fiéis sentados na FIL, ficou claro que já não tem nada de novo para oferecer daqui até 2009. Sobressaiu, todavia, o termo credibilidade. Sócrates e os seus fazedores de fichas estão convencidos de que, desde que o país esteja devidamente anestesiado e com a tragédia Menezes a continuar por aí, basta-lhe falar em credibilidade para que ela exista. Não existe. Só que Sócrates "vive" deste tropismo. Acredita, com alguma razão, que é o melhor do que não presta.
DEMOCRACIA DE TELEPONTO
«A liberdade de expressão [está] reservada apenas a quem fala com teleponto ao Portugal sentado?» Quem "condiciona" o PS, leva.
DEMOCRACIA DE TELEPONTO
«A liberdade de expressão [está] reservada apenas a quem fala com teleponto ao Portugal sentado?» Quem "condiciona" o PS, leva.
23.2.08
DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA - 2
«... o que dos Portugueses digo e repito: que me incomodam, que deles tenho ânsias de me afastar, que me fartei da bovina palha com que vão entretendo uma existência sem risco, de espinha dobrada em salamaleques perante gente que lhes cospe em cima, os manipula miseravelmente, os enche de futebol, tinto e tremoços.»
Miguel Castelo-Branco, in Combustões
«Onde há cada vez menos debate político há cada vez mais Lili Caneças da República, o interesse do país e dos portugueses está a dar lugar a esta procissão de personagens que descobriram que podiam ser vaidosas. A Justiça é uma desgraça mas os procuradores nunca foram tão famosos e capazes de resolver todos os males da sociedade, o inspector-geral da ASAE cuida do que comemos para sua fama e proveito, o director-geral da Saúde garante que respiramos melhor. Do outro lado estão os milhões de portugueses que ganham mal e assistem impavidamente à retenção na fonte do fisco de uma parte cada vez maior dos seus rendimentos, para os quais passou a haver duas séries de telenovelas, as telenovelas da SIC e da TVI e as produzidas pelas Lili Caneças da República.»
in O Jumento
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DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA - 2
«... o que dos Portugueses digo e repito: que me incomodam, que deles tenho ânsias de me afastar, que me fartei da bovina palha com que vão entretendo uma existência sem risco, de espinha dobrada em salamaleques perante gente que lhes cospe em cima, os manipula miseravelmente, os enche de futebol, tinto e tremoços.»
Miguel Castelo-Branco, in Combustões
«Onde há cada vez menos debate político há cada vez mais Lili Caneças da República, o interesse do país e dos portugueses está a dar lugar a esta procissão de personagens que descobriram que podiam ser vaidosas. A Justiça é uma desgraça mas os procuradores nunca foram tão famosos e capazes de resolver todos os males da sociedade, o inspector-geral da ASAE cuida do que comemos para sua fama e proveito, o director-geral da Saúde garante que respiramos melhor. Do outro lado estão os milhões de portugueses que ganham mal e assistem impavidamente à retenção na fonte do fisco de uma parte cada vez maior dos seus rendimentos, para os quais passou a haver duas séries de telenovelas, as telenovelas da SIC e da TVI e as produzidas pelas Lili Caneças da República.»
in O Jumento
in O Jumento
DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA
O João Miranda coloca, com graça, a questão da "revolta nacional". Acontece que já não há daquilo com que se costuma fazer "revoltas", embora, como se escreve na "carta da semana" do Expresso dirigida ao paisano Miguel Sousa Tavares, ter-se-ão já interrogado por que é que acontecem pronunciamentos militares, desde 1817, «quando estão criadas as condições, independentemente da Uniões Europeias ou afins?»
DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA
O João Miranda coloca, com graça, a questão da "revolta nacional". Acontece que já não há daquilo com que se costuma fazer "revoltas", embora, como se escreve na "carta da semana" do Expresso dirigida ao paisano Miguel Sousa Tavares, ter-se-ão já interrogado por que é que acontecem pronunciamentos militares, desde 1817, «quando estão criadas as condições, independentemente da Uniões Europeias ou afins?»
DEIXAR ENTRAR A REALIDADE
O PS e o senhor engenheiro estão a promover "15 marcas para um Portugal moderno". Trata-se de "comemorar" três anos disto no governo. Estas estimáveis criaturas do PS e demais "independentes" que acreditam no pai natal, persistem em propagandear uma construção que só existe nas suas imaginativas cabeças. Não estará na hora de, em vez dessa construção em power point, deixar entrar a realidade?
DEIXAR ENTRAR A REALIDADE
O PS e o senhor engenheiro estão a promover "15 marcas para um Portugal moderno". Trata-se de "comemorar" três anos disto no governo. Estas estimáveis criaturas do PS e demais "independentes" que acreditam no pai natal, persistem em propagandear uma construção que só existe nas suas imaginativas cabeças. Não estará na hora de, em vez dessa construção em power point, deixar entrar a realidade?
IL NE RESTE QUE LE PIRE
Il faut savoir encore sourire
Quand le meilleur s'est retiré
Et qu'il ne reste que le pire
Dans une vie bête à pleurer
Il faut savoir, coûte que coûte
Garder toute sa dignité
Et malgré ce qu'il nous en coûte
S'en aller sans se retourner
Face au destin qui nous désarme
Et devant le bonheur perdu
Il faut savoir cacher ses larmes
Mais moi, mon cœur, je n'ai pas su
Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher l'air pitoyable
Mais partir sans faire de bruit
Il faut savoir cacher sa peine
Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour
Il faut savoir rester de glace
Et taire un cœur qui meurt déjà
Il faut savoir garder la face
Mais moi, mon cœur, je t'aime trop
Mais moi, je ne peux pas
Il faut savoir mais moi
Je ne sais pas...
IL NE RESTE QUE LE PIRE
Il faut savoir encore sourire
Quand le meilleur s'est retiré
Et qu'il ne reste que le pire
Dans une vie bête à pleurer
Il faut savoir, coûte que coûte
Garder toute sa dignité
Et malgré ce qu'il nous en coûte
S'en aller sans se retourner
Face au destin qui nous désarme
Et devant le bonheur perdu
Il faut savoir cacher ses larmes
Mais moi, mon cœur, je n'ai pas su
Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher l'air pitoyable
Mais partir sans faire de bruit
Il faut savoir cacher sa peine
Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour
Il faut savoir rester de glace
Et taire un cœur qui meurt déjà
Il faut savoir garder la face
Mais moi, mon cœur, je t'aime trop
Mais moi, je ne peux pas
Il faut savoir mais moi
Je ne sais pas...
ÇA NE VEUT PLUS RIEN DIRE DU TOUT
Há dias, a propósito de uma entrevista de Aznavour na RTP, lembrei-me que hoje se vai sentir a falta do Eduardo Prado Coelho. Quem , melhor do que ele, poderia descrever uma entrada «nesse lugar mítico de Saint-Germain que é o café Les Deux Magots e, depois de passar a demorada porta giratória», voltar-se para a esquerda e dirigir-se «até à mesa do fundo, não a da janela, espera, mas a outra ao lado, debaixo do enorme espelho empalidecido pelos muitos rostos que nele desapareceram um dia?» Quem, melhor do que ele, observaria «debaixo do espelho, uma fotografia onde se vê o espelho em que neste momento me vejo, e à frente dele, com um livro aberto sobre a mesa, absorta na leitura, está ela, está o retrato de Simone du Beauvoir?» E, quem, assim ao sentar-se «nesta mesa, exactamente a mesma», estará «exactamente naquele lugar onde estava, e continuará a estar a Beauvoir, numa tarde de inverno há sessenta anos», quando «os gestos encaixam uns nos outros.?» Não, eu que tanto amo Paris não sei falar dela porque das tantas vezes que lá fui ela ainda não me conseguiu "falar" como eu desejo que ela me fale. Como numa canção escrita por Aznavour, há tanto tempo como no tempo estático da minha vida, «il faudra bien que je retrouve ma raison/mon insouciance, et mes élans de joie/que je parte à jamais pour échapper à toi.» Ou noutra, à espera que a porta do café, do Le Palace, rode de novo: «viens, découvrons, toi et moi, les plaisirs démodés/mon coeur contre ton coeur, malgré les rythmes fous/je veux sentir mon corps par ton corps/épousé/dansons, joue contre joue/dansons, joue contre joue/viens, noyés dans la cohue, mais dissociés du bruit/comme si sur la terre il n'y avait que nous/plissant les yeux mi-clos jusqu'au bout de la nuit.» Aznavour, no silêncio obsceno e gigantesco do Pavilhão Atlântico, vem falar-me de um tempo «que les moins de vingt ans/ne peuvent pas connaître», de um tempo em que «nous étions quelques-uns/qui attendions la gloire» porque «on était jeunes, on était fous.» O Eduardo escreveria: «o que quer dizer que estas palavras estão certas como um tempo que foi e é para sempre a beleza de ter sido.» O que, dito por Aznavour, na rouquidão desse tempo que foi e que passa pela sua voz, pela minha vida, «ça ne veut plus rien dire du tout.»
ÇA NE VEUT PLUS RIEN DIRE DU TOUT
Há dias, a propósito de uma entrevista de Aznavour na RTP, lembrei-me que hoje se vai sentir a falta do Eduardo Prado Coelho. Quem , melhor do que ele, poderia descrever uma entrada «nesse lugar mítico de Saint-Germain que é o café Les Deux Magots e, depois de passar a demorada porta giratória», voltar-se para a esquerda e dirigir-se «até à mesa do fundo, não a da janela, espera, mas a outra ao lado, debaixo do enorme espelho empalidecido pelos muitos rostos que nele desapareceram um dia?» Quem, melhor do que ele, observaria «debaixo do espelho, uma fotografia onde se vê o espelho em que neste momento me vejo, e à frente dele, com um livro aberto sobre a mesa, absorta na leitura, está ela, está o retrato de Simone du Beauvoir?» E, quem, assim ao sentar-se «nesta mesa, exactamente a mesma», estará «exactamente naquele lugar onde estava, e continuará a estar a Beauvoir, numa tarde de inverno há sessenta anos», quando «os gestos encaixam uns nos outros.?» Não, eu que tanto amo Paris não sei falar dela porque das tantas vezes que lá fui ela ainda não me conseguiu "falar" como eu desejo que ela me fale. Como numa canção escrita por Aznavour, há tanto tempo como no tempo estático da minha vida, «il faudra bien que je retrouve ma raison/mon insouciance, et mes élans de joie/que je parte à jamais pour échapper à toi.» Ou noutra, à espera que a porta do café, do Le Palace, rode de novo: «viens, découvrons, toi et moi, les plaisirs démodés/mon coeur contre ton coeur, malgré les rythmes fous/je veux sentir mon corps par ton corps/épousé/dansons, joue contre joue/dansons, joue contre joue/viens, noyés dans la cohue, mais dissociés du bruit/comme si sur la terre il n'y avait que nous/plissant les yeux mi-clos jusqu'au bout de la nuit.» Aznavour, no silêncio obsceno e gigantesco do Pavilhão Atlântico, vem falar-me de um tempo «que les moins de vingt ans/ne peuvent pas connaître», de um tempo em que «nous étions quelques-uns/qui attendions la gloire» porque «on était jeunes, on était fous.» O Eduardo escreveria: «o que quer dizer que estas palavras estão certas como um tempo que foi e é para sempre a beleza de ter sido.» O que, dito por Aznavour, na rouquidão desse tempo que foi e que passa pela sua voz, pela minha vida, «ça ne veut plus rien dire du tout.»
22.2.08
PINTO DA COSTA
Só num país pindérico como o nosso é que é possível constituir uma trama judicial em torno do despeito.
PINTO DA COSTA
Só num país pindérico como o nosso é que é possível constituir uma trama judicial em torno do despeito.
TRISTE FIGURA
Estas baboseiras da eurodeputada Assunção Esteves seriam cómicas se não fossem reveladoras da tremenda inconsciência "bruxelense", correcta e politicamente irresponsável. Em que mundo vive esta gente?
TRISTE FIGURA
Estas baboseiras da eurodeputada Assunção Esteves seriam cómicas se não fossem reveladoras da tremenda inconsciência "bruxelense", correcta e politicamente irresponsável. Em que mundo vive esta gente?
MAU TEMPO
Não são apenas os generais ou um blogger famoso de passagem pelo supermercado que pressentem que o país das maravilhas do senhor engenheiro só existe na cabeça dele. A SEDES - uma agremiação insuspeita cujos principais dirigentes pertencem ao "centrão" e da qual sou sócio - à semelhança do que tinha feito na "era Santana Lopes", produziu este documento de reflexão (alguém está interessado em "reflectir"?) sobre o tempo que passa. Mau tempo, sem dúvida.
Adenda: O Filipe Nunes Vicente - que, juntamente com outros bloggers, se nomeou uma espécie de alto comissário do governo para a blogosfera - vem criticar a SEDES por ter produzido um chorrilho de lugares-comuns recolhidos na sarjeta. Acontece que há mais sarjeta neste país infeliz do que "novas oportunidades", "simplex" e "planos tecnológicos" nos quais, pelos vistos, o Filipe acredita piamente. E, de facto, isso (a sarjeta) é mesmo um trágico lugar-comum, uma banalidade inelutável, um pathos para a maioria que não tem a sorte de, sequer, poder aspirar a conhecer os clássicos ou aceder aos mistérios da "esquerda moderna". Não seja, pois, tão pileca que lhe assenta mal.
MAU TEMPO
Não são apenas os generais ou um blogger famoso de passagem pelo supermercado que pressentem que o país das maravilhas do senhor engenheiro só existe na cabeça dele. A SEDES - uma agremiação insuspeita cujos principais dirigentes pertencem ao "centrão" e da qual sou sócio - à semelhança do que tinha feito na "era Santana Lopes", produziu este documento de reflexão (alguém está interessado em "reflectir"?) sobre o tempo que passa. Mau tempo, sem dúvida.
Adenda: O Filipe Nunes Vicente - que, juntamente com outros bloggers, se nomeou uma espécie de alto comissário do governo para a blogosfera - vem criticar a SEDES por ter produzido um chorrilho de lugares-comuns recolhidos na sarjeta. Acontece que há mais sarjeta neste país infeliz do que "novas oportunidades", "simplex" e "planos tecnológicos" nos quais, pelos vistos, o Filipe acredita piamente. E, de facto, isso (a sarjeta) é mesmo um trágico lugar-comum, uma banalidade inelutável, um pathos para a maioria que não tem a sorte de, sequer, poder aspirar a conhecer os clássicos ou aceder aos mistérios da "esquerda moderna". Não seja, pois, tão pileca que lhe assenta mal.
21.2.08
UM BLOGUE

Pelo Atlântico descubro um blogue destinado a lembrar Francisco Lucas Pires nos dez anos do seu desaparecimento. FLP foi meu professor e alguém com quem conversei e aprendi muito fora dessa circunstância académica. Era um intelectual inteiro, um homem justo e bom que faz falta a esta democracia descerebrada. Esta homenagem talvez ajude as gerações mais novas a entenderem que a política pós-25 nem sempre foi um local mal frequentado. Já agora, que se reeditem os seus livros e se publiquem inéditos.
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Francisco Lucas Pires
UM BLOGUE

Pelo Atlântico descubro um blogue destinado a lembrar Francisco Lucas Pires nos dez anos do seu desaparecimento. FLP foi meu professor e alguém com quem conversei e aprendi muito fora dessa circunstância académica. Era um intelectual inteiro, um homem justo e bom que faz falta a esta democracia descerebrada. Esta homenagem talvez ajude as gerações mais novas a entenderem que a política pós-25 nem sempre foi um local mal frequentado. Já agora, que se reeditem os seus livros e se publiquem inéditos.
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Francisco Lucas Pires
RIBEIRO, O OUTRO E O MESMO
Augusto M. Seabra sobre Pinto Ribeiro, a grande "esperança" da esquerda na cultura. «José António Pinto Ribeiro tem a seu desfavor dois óbices de monta. O primeiro, é a sua proximidade a Berardo, sendo que era inclusive o elemento do Conselho de Administração da Fundação por acordo de ambas as partes – e foi péssima entrada na matéria o próprio Berardo ter feito saber que tinha sido Pinto Ribeiro a telefonar-lhe a comunicar a sua nomeação e que ele era como “um médico que dá consultas à borla”. A segunda é a sua proximidade como advogado ou mesmo sócio a algumas figuras artísticas ou empresas culturais das que tem maior capacidade de discurso e pressão pública.» Até agora, a invisibilidade do ministro que "podia ser o que ele quisesse" aumenta a suspeita de que não foi este Ribeiro que Alexandre Melo "soprou" aos ouvidos do chefe do governo. Será que, afinal, havia mesmo o outro?
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José António Pinto Ribeiro
RIBEIRO, O OUTRO E O MESMO
Augusto M. Seabra sobre Pinto Ribeiro, a grande "esperança" da esquerda na cultura. «José António Pinto Ribeiro tem a seu desfavor dois óbices de monta. O primeiro, é a sua proximidade a Berardo, sendo que era inclusive o elemento do Conselho de Administração da Fundação por acordo de ambas as partes – e foi péssima entrada na matéria o próprio Berardo ter feito saber que tinha sido Pinto Ribeiro a telefonar-lhe a comunicar a sua nomeação e que ele era como “um médico que dá consultas à borla”. A segunda é a sua proximidade como advogado ou mesmo sócio a algumas figuras artísticas ou empresas culturais das que tem maior capacidade de discurso e pressão pública.» Até agora, a invisibilidade do ministro que "podia ser o que ele quisesse" aumenta a suspeita de que não foi este Ribeiro que Alexandre Melo "soprou" aos ouvidos do chefe do governo. Será que, afinal, havia mesmo o outro?
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COSTA NO SEU LABIRINTO

Deve ser duro para um politicão como António Costa estar à frente de uma autarquia na qual não só não pode fazer nada, como tem de espremer-se como contabilista. Tudo, aliás, começou mal. A lei das finanças locais (dele) da qual, ironicamente, é a primeira vítima, poucos votos, uma assembleia municipal em sentido contrário, Roseta, o "Zé", o invisível dr. Negrão e a sombra das derradeiras presidências pairam sobre Costa como abutres. Custa muito criar espaço próprio no deserto "socrático". O que Costa seguramente nunca pensou foi que custasse tanto. Habitua-te, pá.
COSTA NO SEU LABIRINTO

Deve ser duro para um politicão como António Costa estar à frente de uma autarquia na qual não só não pode fazer nada, como tem de espremer-se como contabilista. Tudo, aliás, começou mal. A lei das finanças locais (dele) da qual, ironicamente, é a primeira vítima, poucos votos, uma assembleia municipal em sentido contrário, Roseta, o "Zé", o invisível dr. Negrão e a sombra das derradeiras presidências pairam sobre Costa como abutres. Custa muito criar espaço próprio no deserto "socrático". O que Costa seguramente nunca pensou foi que custasse tanto. Habitua-te, pá.
A ZONA J DO PSD
No dia em que Sócrates se comemorou, armado em Obama de trazer por casa, o pobre dr. Menezes arrastou-se pela "zona J", a Chelas. E lá terá dito, a propósito dos dinheiros da Somague, que aquilo não eram coisas do "seu" PSD. O país agradeceu a informação até porque ninguém ainda tinha conseguido perceber qual era o PSD do dr. Menezes. É que se o "seu" PSD é aquilo que tem sido, mais a recuperação dos desastres de tráfego de Barroso e Lopes, então mais vale fechar a porta. A debandada de Barroso constituiu - convém recordar - o acto fundador da mediocridade subsequente. Menezes e o "seu" PSD são a "zona J". Pior é impossível.
A ZONA J DO PSD
No dia em que Sócrates se comemorou, armado em Obama de trazer por casa, o pobre dr. Menezes arrastou-se pela "zona J", a Chelas. E lá terá dito, a propósito dos dinheiros da Somague, que aquilo não eram coisas do "seu" PSD. O país agradeceu a informação até porque ninguém ainda tinha conseguido perceber qual era o PSD do dr. Menezes. É que se o "seu" PSD é aquilo que tem sido, mais a recuperação dos desastres de tráfego de Barroso e Lopes, então mais vale fechar a porta. A debandada de Barroso constituiu - convém recordar - o acto fundador da mediocridade subsequente. Menezes e o "seu" PSD são a "zona J". Pior é impossível.
20.2.08
TRÊS ANOS
O "yes, we can" do senhor Obama dá, em português técnico, "sim, vamos conseguir". O tabuzinho acabou.
TRÊS ANOS
O "yes, we can" do senhor Obama dá, em português técnico, "sim, vamos conseguir". O tabuzinho acabou.
O RETRATO
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O Miguel - e, pela primeira vez, não concordamos - desanca a chamada "geração de 70" num estilo delicioso que só a evoca. Fá-lo a dobrar. Porquê esta inesperada acrimónia contra aqueles que ficaram conhecidos como os "vencidos da vida"? Porque não gostavam do "povo"? Porque não apreciavam a inépcia do regime? Porque desconfiavam dos nossos pobres monárquicos, como lhes chamou, depois, Salazar? Porque perceberam que, após 1580, pouco mais temos andado a fazer do que a pastar a vaca? Porque intuiram que, apesar do desejo larvar de um "salvador", isto jamais se salvaria? Porque, no realismo do excesso das suas heroínas e dos seus heróis romanescos, retrataram uma sociedade oca e hipócrita que se perpetuou? Porque, no seu desespero poético-político, levado ao extremo, um deles, Antero, desistiu sentado num banco de jardim em Ponta Delgada? Porque o mais brilhante deles todos, Eça, execrava a "pátria" ao mesmo tempo que a representava lá fora? Porque, num dos poucos acessos aproveitáveis, Junqueiro berrou, feito louco, o "finis patriae"? Porque Oliveira Martins tentou e falhou melhor no governo, como que antecipando o "tenta e fracassa, tenta outra vez e fracassa melhor" do Beckett, esse genial leitor da malaise contemporânea sempre à espera do que não sabe por que espera? D. Carlos, amigo de Ramalho, seria seguramente um homem da "geração" não fosse a sua posição institucional. Diplomata, cosmopolita e livre, desconfiado dos monárquicos que ornamentavam o regime, o rei foi um verdadeiro monumento político aos "vencidos da vida". Não acabou ele abatido, pelas costas, pela "piolheira", pelos libertadores do "povo"? Não, Miguel, os homens da "geração de 70" já encontraram um país delapidado e, por isso, diminuído e ridículo que persiste. Sem eles, a evidência do primitivismo do Estado e da sociedade jamais teria sido tão clara como na luz e sombra das palavras, mais de sofrimento do que de gozo, dessa "geração" perdida. Não é por causa dos "vencidos da vida" - essa casta lucidamente amargurada tão afinal consciente da nossa inconsciência - que nós estamos como estamos. Os verdadeiros "vencidos da vida" somos nós. Eles limitaram-se a tirar o retrato.
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O RETRATO

O Miguel - e, pela primeira vez, não concordamos - desanca a chamada "geração de 70" num estilo delicioso que só a evoca. Fá-lo a dobrar. Porquê esta inesperada acrimónia contra aqueles que ficaram conhecidos como os "vencidos da vida"? Porque não gostavam do "povo"? Porque não apreciavam a inépcia do regime? Porque desconfiavam dos nossos pobres monárquicos, como lhes chamou, depois, Salazar? Porque perceberam que, após 1580, pouco mais temos andado a fazer do que a pastar a vaca? Porque intuiram que, apesar do desejo larvar de um "salvador", isto jamais se salvaria? Porque, no realismo do excesso das suas heroínas e dos seus heróis romanescos, retrataram uma sociedade oca e hipócrita que se perpetuou? Porque, no seu desespero poético-político, levado ao extremo, um deles, Antero, desistiu sentado num banco de jardim em Ponta Delgada? Porque o mais brilhante deles todos, Eça, execrava a "pátria" ao mesmo tempo que a representava lá fora? Porque, num dos poucos acessos aproveitáveis, Junqueiro berrou, feito louco, o "finis patriae"? Porque Oliveira Martins tentou e falhou melhor no governo, como que antecipando o "tenta e fracassa, tenta outra vez e fracassa melhor" do Beckett, esse genial leitor da malaise contemporânea sempre à espera do que não sabe por que espera? D. Carlos, amigo de Ramalho, seria seguramente um homem da "geração" não fosse a sua posição institucional. Diplomata, cosmopolita e livre, desconfiado dos monárquicos que ornamentavam o regime, o rei foi um verdadeiro monumento político aos "vencidos da vida". Não acabou ele abatido, pelas costas, pela "piolheira", pelos libertadores do "povo"? Não, Miguel, os homens da "geração de 70" já encontraram um país delapidado e, por isso, diminuído e ridículo que persiste. Sem eles, a evidência do primitivismo do Estado e da sociedade jamais teria sido tão clara como na luz e sombra das palavras, mais de sofrimento do que de gozo, dessa "geração" perdida. Não é por causa dos "vencidos da vida" - essa casta lucidamente amargurada tão afinal consciente da nossa inconsciência - que nós estamos como estamos. Os verdadeiros "vencidos da vida" somos nós. Eles limitaram-se a tirar o retrato.
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19.2.08
LAPSO
Até Mário Crespo se engasgou ao explicar a presença do politólogo André Freire no seu "Jornal" para comentar, saiu-lhe, "a comunicação, o discurso... a entrevista" de Sócrates. Este lapso freudiano de Crespo acaba por dar o nome real da coisa: comunicação, discurso e não entrevista. Os seus dois tristes colegas apenas fizeram de paus de cabeleira. Comprometidos como os originais.
LAPSO
Até Mário Crespo se engasgou ao explicar a presença do politólogo André Freire no seu "Jornal" para comentar, saiu-lhe, "a comunicação, o discurso... a entrevista" de Sócrates. Este lapso freudiano de Crespo acaba por dar o nome real da coisa: comunicação, discurso e não entrevista. Os seus dois tristes colegas apenas fizeram de paus de cabeleira. Comprometidos como os originais.
7 VALORES
Miguel Sousa Tavares - grande escritor português contemporâneo e que deu "17" ao "monólogo do vaqueiro" de Sócrates - na TVI: "interviu" em vez de interveio. 7 valores.
7 VALORES
Miguel Sousa Tavares - grande escritor português contemporâneo e que deu "17" ao "monólogo do vaqueiro" de Sócrates - na TVI: "interviu" em vez de interveio. 7 valores.
FARSA - 3
Esta decisão do Tribunal Constitucional confirma que a plutocracia substitui, com facilidade, a democracia. Pena é que seja um homem como Vieira de Castro - que, por razões de saúde nem sequer se pode defender - a pagar simbolicamente a factura e que Arnaut, uma triste e inimitável figura, saia ileso. E atenção. Isto passou-se com o PSD como podia ter-se passado com qualquer outro partido do regime. Todos têm o seu Arnaut de estimação e idêntico amor ao betão. O betão é o sal da nossa democracia de opereta.
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PSD,
Regime,
sociedade
FARSA - 3
Esta decisão do Tribunal Constitucional confirma que a plutocracia substitui, com facilidade, a democracia. Pena é que seja um homem como Vieira de Castro - que, por razões de saúde nem sequer se pode defender - a pagar simbolicamente a factura e que Arnaut, uma triste e inimitável figura, saia ileso. E atenção. Isto passou-se com o PSD como podia ter-se passado com qualquer outro partido do regime. Todos têm o seu Arnaut de estimação e idêntico amor ao betão. O betão é o sal da nossa democracia de opereta.
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FARSA - 2
A ignorância é de tal ordem - e atrevida - que um anónimo comentador do post anterior julgou que eu estava a "recolocar" metaforicamente a foto do Doutor Salazar por o querer de volta. Posso admirar intelectualmente a figura, mas condeno o "salazarismo", aquilo que sobrou dos "tempos áureos", na expressão de Franco Nogueira. É esse "salazarismo" evanescente que persiste, por exemplo, na pessoa do actual chefe do governo, no "espírito de corte" e na "política de espírito" em vigor, sublimado canhestramente em tantos artigos de jornal, em alguns blogues, em tantos "comentadores". Nomeiam-se "democratas" mas são meros "salazarinhos" desprovidos de Salazar. E, lá onde eles são "democratas", eu, naturalmente, só posso ser anti-democrata. Aliás, deve-se fugir a sete pés daqueles que passam a vida com o credo democrático na boca e o pretendem impingir aos outros. Deve ser o caso do anónimo que desconhece que a foto é de Eduardo Gageiro e foi tirada nas instalações da PIDE, no "25".
FARSA - 2
A ignorância é de tal ordem - e atrevida - que um anónimo comentador do post anterior julgou que eu estava a "recolocar" metaforicamente a foto do Doutor Salazar por o querer de volta. Posso admirar intelectualmente a figura, mas condeno o "salazarismo", aquilo que sobrou dos "tempos áureos", na expressão de Franco Nogueira. É esse "salazarismo" evanescente que persiste, por exemplo, na pessoa do actual chefe do governo, no "espírito de corte" e na "política de espírito" em vigor, sublimado canhestramente em tantos artigos de jornal, em alguns blogues, em tantos "comentadores". Nomeiam-se "democratas" mas são meros "salazarinhos" desprovidos de Salazar. E, lá onde eles são "democratas", eu, naturalmente, só posso ser anti-democrata. Aliás, deve-se fugir a sete pés daqueles que passam a vida com o credo democrático na boca e o pretendem impingir aos outros. Deve ser o caso do anónimo que desconhece que a foto é de Eduardo Gageiro e foi tirada nas instalações da PIDE, no "25".
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«SESSÃO DE PROPAGANDA»
«Talvez porque houve um acordo prévio entre a SIC, o Expresso e o primeiro-ministro, ninguém se atreveu a mencionar assuntos tão prosaicos como desigualdade, inflação, salários reais, pensões de reforma, justiça, administração central e local, corrupção, autoritarismo e por aí fora. Nem a pronunciar o irritante nome de Manuel Alegre. A SIC e Sócrates trataram o país como um comício do PS. Isto é, com segurança e com desprezo.»
Vasco Pulido Valente, in Público
Adenda: O Expresso pediu a estes jarrões que "comentassem". O "safou-se" da "conclusão" é bastante eloquente. Estão bem uns para os outros, banais e previsíveis como o visionado. E é isto a "opinião que se publica" do regime. Antes a Cilinha Supico Pinto. Ao menos nunca enganou ninguém.
Vasco Pulido Valente, in Público
Adenda: O Expresso pediu a estes jarrões que "comentassem". O "safou-se" da "conclusão" é bastante eloquente. Estão bem uns para os outros, banais e previsíveis como o visionado. E é isto a "opinião que se publica" do regime. Antes a Cilinha Supico Pinto. Ao menos nunca enganou ninguém.
«SESSÃO DE PROPAGANDA»
«Talvez porque houve um acordo prévio entre a SIC, o Expresso e o primeiro-ministro, ninguém se atreveu a mencionar assuntos tão prosaicos como desigualdade, inflação, salários reais, pensões de reforma, justiça, administração central e local, corrupção, autoritarismo e por aí fora. Nem a pronunciar o irritante nome de Manuel Alegre. A SIC e Sócrates trataram o país como um comício do PS. Isto é, com segurança e com desprezo.»
Vasco Pulido Valente, in Público
Adenda: O Expresso pediu a estes jarrões que "comentassem". O "safou-se" da "conclusão" é bastante eloquente. Estão bem uns para os outros, banais e previsíveis como o visionado. E é isto a "opinião que se publica" do regime. Antes a Cilinha Supico Pinto. Ao menos nunca enganou ninguém.
Vasco Pulido Valente, in Público
Adenda: O Expresso pediu a estes jarrões que "comentassem". O "safou-se" da "conclusão" é bastante eloquente. Estão bem uns para os outros, banais e previsíveis como o visionado. E é isto a "opinião que se publica" do regime. Antes a Cilinha Supico Pinto. Ao menos nunca enganou ninguém.
18.2.08
UM PAÍS ARRUMADINHO
Dizem-me que o senhor 1º ministro, no seu momento "SIC", não falou das inundações nem do "outro" país que as suporta, tão diferente do país arrumadinho que ele tem na cabeça. Estava, aliás, bem blindado pelos perguntistas do regime. Ainda apanhei os "comentaristas" do costume, o sr. Bettencourt, o sr. Delgado e o historiador Costa Pinto, sempre agarrado ao tempo que passa. Não sei o que é que Saarsfield Cabral estava a fazer no meio destas eminências de opinião previsível. Em suma, não devo ter perdido nada.
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UM PAÍS ARRUMADINHO
Dizem-me que o senhor 1º ministro, no seu momento "SIC", não falou das inundações nem do "outro" país que as suporta, tão diferente do país arrumadinho que ele tem na cabeça. Estava, aliás, bem blindado pelos perguntistas do regime. Ainda apanhei os "comentaristas" do costume, o sr. Bettencourt, o sr. Delgado e o historiador Costa Pinto, sempre agarrado ao tempo que passa. Não sei o que é que Saarsfield Cabral estava a fazer no meio destas eminências de opinião previsível. Em suma, não devo ter perdido nada.
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FICÇÃO ?
Registo a circunstância de o Eduardo se ter "esquecido" deste post. Actualizo-o, então. No dia imediato a tê-lo escrito, o autor do telefonema - "Miguel Abrantes" - voltou a telefonar, desta vez para o meu telemóvel, através de "número privado". Tornei a convidá-lo a dar a cara com um café. Ficou para quando "vier a Lisboa". Quanto ao "sumo" da questão, nada e muita gargalhada. Um bom tema para um futuro romance do Viegas, com o inspector Ramos e e algum novo "colega" do SIS. Ficção pura, claro.
FICÇÃO ?
Registo a circunstância de o Eduardo se ter "esquecido" deste post. Actualizo-o, então. No dia imediato a tê-lo escrito, o autor do telefonema - "Miguel Abrantes" - voltou a telefonar, desta vez para o meu telemóvel, através de "número privado". Tornei a convidá-lo a dar a cara com um café. Ficou para quando "vier a Lisboa". Quanto ao "sumo" da questão, nada e muita gargalhada. Um bom tema para um futuro romance do Viegas, com o inspector Ramos e e algum novo "colega" do SIS. Ficção pura, claro.
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