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16.6.14

Grandeza teutónica


 


Wagner: Die Walküre, Bayreuth 1992. Daniel Barenboim.

13.7.13

Grandeza


 


Herbert von Karajan dirige a abertura de O Navio Fantasma, de Richard Wagner

3.3.13

Parsifal, a decantação espiritual de Wagner


 


O leitor Marques, uma presença assídua no eixo oparático Gulbenkian-Met, traduz com eloquência as magníficas seis horas passadas no sossego desassossegado do último Wagner, longe da doxa e da trivialidade. «Não sei se haverá este ano muito mais momentos desta qualidade e elevação na vida cultural de que dispomos por estes lados, senão simplesmente na vida de que dispomos. Kaufmann genial, restantes entre o muito bom e o excelente, encenação "moderna", mas não intrusiva, como alguns desastres que temos visto nessa área. Quanto ao Parsifal, permito-me ir buscar a tempos idos uma referência a um pequeno livro da colecção "Solfèges", sobre Mozart, de Jean- Victor Hocquard, mozartiano fanático (há fanatismos aceitáveis e compartilháveis), livrinho esse que serviu de vademecum para uma exposição e manifestações várias em comemoração do nascimento do Wolfgang que alguns colegas e este comentador organizaram na Faculdade de Letras em 1956(!). Ora nesse magnífico livrinho fala-se, das obras mozartianas, de "decantação espiritual". Se a expressão é certeira para o Quinteto com clarinete ou para o Rondó K. 511, por exemplo, tambem o é para o Parsifal, noutra perspectiva. No Mozart, são casos de absoluta transcendência musical. No Wagner, aplicá-la-ia à obra que sintetiza a sua visão da Redenção, conclusão triunfal de caminhos em que pecadores ou ignorantes se transformam em seres de abnegação (Kundry) e heróica espiritualidade (o próprio Parsifal). Essa espiritualidade, aliás de inspiração claramente cristã, é a "decantação" final do Wagner numa obra que, alem da evidente relevância musical, é uma importante síntese de valores da Civilização a que pertencemos e da qual não temos (como às vezes parece) que nos envergonhar.»

31.3.12

«De todos, sou o mais triste»


 


Wagner, Die Walküre: Nina Stemme, Vitalij Kowaljow, Daniel Barenboim. Teatro alla Scala, 2010.

11.2.12

O fim da jornada


 


Com o Crepúsculo dos Deuses - transmitido em directo da Ópera de Nova Iorque pela Gulbenkian a partir das 17 horas - termina a saga do Anel de Wagner na nova produção do canadiano Lepage para o Met. Wagner concebeu a tetralogia para ser apresentada de seguida. As nossas "elites" (políticas, laborais, empresariais, televisivas, jornalísticas, cuturais etc. etc.) deviam ser fechadas numa sala durante mais de vinte e seis horas e serem obrigadas a ver as quatro óperas que constituem o Anel, sem levantar o rabo da cadeira, e lendo atentamente a legendagem no caso de não entenderem o alemão. Talvez as ajudasse mais do que ler jornais, ouvir comentadores e ver telejornais.

6.11.11

WAGNER/SINOPOLI



Richard Wagner: Os Mestres Cantores de Nuremberga - Abertura. Staatskapelle Dresden. Giuseppe Sinopoli. 1998, Tokyo (do leitor Joaquim Costa)

WAGNER/SINOPOLI



Richard Wagner: Os Mestres Cantores de Nuremberga - Abertura. Staatskapelle Dresden. Giuseppe Sinopoli. 1998, Tokyo (do leitor Joaquim Costa)

5.11.11

O PRINCÍPIO DO FIM



Prossegue esta tarde, a partir das 16 horas, na Gulbenkian, a saga dos Nibelungos transmitida directamente do Met de Nova Iorque. Depois de O Ouro do Reno e de A Valquíria, Siegfried, a terceira jornada do Anel do Nibelungo de Wagner fornece cerca de cinco horas de espectáculo. Siegfried é o herói forjado no amor incestuoso de Siegmund e Siegfried, aquele que vai despertar a valquíria adormecida e protegida pelas chamas a quem Wotan retirou todos os poderes no final da jornada anterior. Siegfried é um estarola frívolo que só é herói graças à espada Notung e à vigilância dos deuses. Os verdadeiros "heróis" desta terceira jornada são Wotan/ o Viajante, o ressentido Alberich e Brühnhilde, a valquíria que, coitada, vai experimentar os equívocos do amor. Erde regressa do seu sono eterno para, com Wotan, o viajante, discutirem o crepúsculo dos deuses que se vai seguir uma vez quebrada a lança protectora do deus pelo rapazola Siegfried. Está tudo resumido nessa quebra voluntária da lança por parte de Wotan. É o princípio do fim.

O PRINCÍPIO DO FIM



Prossegue esta tarde, a partir das 16 horas, na Gulbenkian, a saga dos Nibelungos transmitida directamente do Met de Nova Iorque. Depois de O Ouro do Reno e de A Valquíria, Siegfried, a terceira jornada do Anel do Nibelungo de Wagner fornece cerca de cinco horas de espectáculo. Siegfried é o herói forjado no amor incestuoso de Siegmund e Siegfried, aquele que vai despertar a valquíria adormecida e protegida pelas chamas a quem Wotan retirou todos os poderes no final da jornada anterior. Siegfried é um estarola frívolo que só é herói graças à espada Notung e à vigilância dos deuses. Os verdadeiros "heróis" desta terceira jornada são Wotan/ o Viajante, o ressentido Alberich e Brühnhilde, a valquíria que, coitada, vai experimentar os equívocos do amor. Erde regressa do seu sono eterno para, com Wotan, o viajante, discutirem o crepúsculo dos deuses que se vai seguir uma vez quebrada a lança protectora do deus pelo rapazola Siegfried. Está tudo resumido nessa quebra voluntária da lança por parte de Wotan. É o princípio do fim.

21.8.11

EQUILÍBRIO



A água do mar - como é próprio da natureza que é sábia - fica mais quente depois da tempestade ou da sua ameaça. Do sol passa-se, sem dar por isso, de novo à tempestade ou à sua ameaça. Talvez haja um equílibrio misterioso nisto tudo. Como na música de Wagner ouvida no carro.

Clip: Wagner, Rienzi (abertura) London Philharmonic Orchestra. Klaus Tennstedt.

EQUILÍBRIO



A água do mar - como é próprio da natureza que é sábia - fica mais quente depois da tempestade ou da sua ameaça. Do sol passa-se, sem dar por isso, de novo à tempestade ou à sua ameaça. Talvez haja um equílibrio misterioso nisto tudo. Como na música de Wagner ouvida no carro.

Clip: Wagner, Rienzi (abertura) London Philharmonic Orchestra. Klaus Tennstedt.

6.8.11

O CREPÚSCULO DOS DEUSES




Na versão de Simon Rattle para o Festival d'Aix-en-Provence, passa às 19.30 no canal Mezzo. Ben Heppner (Siegfried), Gerd Grochowski (Gunther), Mikhail Petrenko (Hagen), Dale Duesing (Alberich), Katarina Dalayman (Brünnhilde), Emma Vetter (Gutrune), Anne Sofie von Otter (Waltraute), Maria Radner (Norn 1), Lilli Paasikivi (Norn 2), Miranda Keys (Norn 3), Anna Siminska (Woglinde), Eva Vogel (Wellgunde), Maria Radner (Flosshilde). Rundfunkchor Berlin, Berliner Philharmoniker. Encenação de Stéphane Braunschweig. Brünnhilde - aqui interpretada pela excelente Dalayman que vi no papel titular de A Valquíria na Ópera da Bastilha -, no Crepúsculo, afirma que toda a gente a traiu. O "saber" que Wotan - o pai, o deus fundador e final - lhe havia outorgado, não serviu de nada num mundo de ganância, de estupidez, de egoísmo e de sofrimento. A sua entrega às chamas devoradoras dos deuses em queda é eloquentemente simbólica depois do assassinato de Siegfried. Tal como a devolução do ouro ao Reno com que termina a longa narrativa do Anel. Afinal, dos acordes finais do Crepúsculo, e já sem deuses ou homens, em plena apoteose vazia, emerge uma esperança - a esperança da serenidade.

O CREPÚSCULO DOS DEUSES




Na versão de Simon Rattle para o Festival d'Aix-en-Provence, passa às 19.30 no canal Mezzo. Ben Heppner (Siegfried), Gerd Grochowski (Gunther), Mikhail Petrenko (Hagen), Dale Duesing (Alberich), Katarina Dalayman (Brünnhilde), Emma Vetter (Gutrune), Anne Sofie von Otter (Waltraute), Maria Radner (Norn 1), Lilli Paasikivi (Norn 2), Miranda Keys (Norn 3), Anna Siminska (Woglinde), Eva Vogel (Wellgunde), Maria Radner (Flosshilde). Rundfunkchor Berlin, Berliner Philharmoniker. Encenação de Stéphane Braunschweig. Brünnhilde - aqui interpretada pela excelente Dalayman que vi no papel titular de A Valquíria na Ópera da Bastilha -, no Crepúsculo, afirma que toda a gente a traiu. O "saber" que Wotan - o pai, o deus fundador e final - lhe havia outorgado, não serviu de nada num mundo de ganância, de estupidez, de egoísmo e de sofrimento. A sua entrega às chamas devoradoras dos deuses em queda é eloquentemente simbólica depois do assassinato de Siegfried. Tal como a devolução do ouro ao Reno com que termina a longa narrativa do Anel. Afinal, dos acordes finais do Crepúsculo, e já sem deuses ou homens, em plena apoteose vazia, emerge uma esperança - a esperança da serenidade.

4.10.09

BEHRENS E O ANEL: NÃO HÁ LUGAR PARA A ESPERANÇA NEM PARA A REDENÇÃO



Richard Wagner, Götterdämmerung. Siegfried Jerusalem, Hildegard Behrens. MET, NYC. James Levine, 1991. Como diz um leitor, «e quantas mais despedidas, quantas mais viagens em busca de aventuras e glórias não acabam em fracassos, traições e tragédias. Actualidade do Anel, onde não há lugar para a esperança nem para a redenção.»

BEHRENS E O ANEL: NÃO HÁ LUGAR PARA A ESPERANÇA NEM PARA A REDENÇÃO



Richard Wagner, Götterdämmerung. Siegfried Jerusalem, Hildegard Behrens. MET, NYC. James Levine, 1991. Como diz um leitor, «e quantas mais despedidas, quantas mais viagens em busca de aventuras e glórias não acabam em fracassos, traições e tragédias. Actualidade do Anel, onde não há lugar para a esperança nem para a redenção.»