30.11.08

O GLORIOSO TITANIC

António Barreto: «O Governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do Governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?» Todavia, o sr. Canas, ontem, depois de uma reunião do politburo do PS, com aquela boquinha de cu de galinha, garantiu que tudo está como devia estar na "socralândia" e que não passa pela cabeça de nenhum "camarada" - sobretudo dos poucos a quem sobra uma cabeça - concorrer com o "camarada secretário-geral". Também assegurou que Maria de Lurdes Rodrigues está no caminho adequado. Só não explicou em que direcção. Têm, porém, sorte o sr. Canas e a fantasia eucaliptal de que ele é porta-voz (por favor, nunca o removam). Como escreve Pulido Valente, «a força de Sócrates vem da eficácia com que conseguiu meter o PS na ordem, da autoridade prussiana com que trata o Governo e do grande zelo com que policia os portugueses. Numa época ameaçadora e turva, o país prefere, como sempre preferiu, um "homem de pulso", mesmo gasto e pouco amado, a qualquer herói de circunstância, com um exército em revolta atrás de si. E é por isso que o PSD paradoxalmente mais se afunda quanto mais procura a salvação.» Este é, em suma, o glorioso "Titanic" em que navegamos. Sem salva-vidas que salve seja quem for.

O GLORIOSO TITANIC

António Barreto: «O Governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do Governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?» Todavia, o sr. Canas, ontem, depois de uma reunião do politburo do PS, com aquela boquinha de cu de galinha, garantiu que tudo está como devia estar na "socralândia" e que não passa pela cabeça de nenhum "camarada" - sobretudo dos poucos a quem sobra uma cabeça - concorrer com o "camarada secretário-geral". Também assegurou que Maria de Lurdes Rodrigues está no caminho adequado. Só não explicou em que direcção. Têm, porém, sorte o sr. Canas e a fantasia eucaliptal de que ele é porta-voz (por favor, nunca o removam). Como escreve Pulido Valente, «a força de Sócrates vem da eficácia com que conseguiu meter o PS na ordem, da autoridade prussiana com que trata o Governo e do grande zelo com que policia os portugueses. Numa época ameaçadora e turva, o país prefere, como sempre preferiu, um "homem de pulso", mesmo gasto e pouco amado, a qualquer herói de circunstância, com um exército em revolta atrás de si. E é por isso que o PSD paradoxalmente mais se afunda quanto mais procura a salvação.» Este é, em suma, o glorioso "Titanic" em que navegamos. Sem salva-vidas que salve seja quem for.

29.11.08

A VIDA A DOIS ANOS DOS CINQUENTA




«Não há transição. A infalibilidade e a confiança perdem-se de repente. Ontem corria tudo bem, hoje corre tudo mal. Ontem não se fazia um erro, hoje só se fazem erros. A pessoa é a mesma: o corpo e a cabeça. As circunstâncias são as mesmas, os outros são os mesmos. Por mais que se procure, nada mudou. Só mudou o efeito que se produz no mundo. Um homem deita-se com o mundo aos pés e acorda com ele às costas. As mulheres fogem, os amigos desaparecem, os telefones desligam-se. Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, não se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas já não acontecem onde aconteciam.(...) Um pequeno pânico instala-se. Ao princípio pensou-se que era um estado passageiro, uma época de azar ou de mau jeito. Mas depois o estado não passa, a sorte não vem e o mau jeito continua. Conta-se com angústia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra. Deixa-se de ter quarenta e três ou quarenta e sete anos e têm-se treze anos até aos sessenta ou dezoito até aos sessenta e cinco. E não será optimismo os sessenta e cinco? E vale a pena? Acontecem coisas aos sessenta e cinco? Não com certeza as que acontecem aos trinta.(...) Eu penetrei na impropriamente chamada meia idade desta maneira: ou seja, aflito. O céu caiu-me em cima sem aviso. Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam. Mas precisamente eu não pretendia encaminhar-me. Deus sabe que eu nunca fui assim.»

Vasco Pulido Valente, Retratos e Auto-Retratos, Assírio & Alvim

(Clip: Renato Bruson,Verdi, Macbeth. Ópera de Berlim, 1987)

A VIDA A DOIS ANOS DOS CINQUENTA




«Não há transição. A infalibilidade e a confiança perdem-se de repente. Ontem corria tudo bem, hoje corre tudo mal. Ontem não se fazia um erro, hoje só se fazem erros. A pessoa é a mesma: o corpo e a cabeça. As circunstâncias são as mesmas, os outros são os mesmos. Por mais que se procure, nada mudou. Só mudou o efeito que se produz no mundo. Um homem deita-se com o mundo aos pés e acorda com ele às costas. As mulheres fogem, os amigos desaparecem, os telefones desligam-se. Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, não se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas já não acontecem onde aconteciam.(...) Um pequeno pânico instala-se. Ao princípio pensou-se que era um estado passageiro, uma época de azar ou de mau jeito. Mas depois o estado não passa, a sorte não vem e o mau jeito continua. Conta-se com angústia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra. Deixa-se de ter quarenta e três ou quarenta e sete anos e têm-se treze anos até aos sessenta ou dezoito até aos sessenta e cinco. E não será optimismo os sessenta e cinco? E vale a pena? Acontecem coisas aos sessenta e cinco? Não com certeza as que acontecem aos trinta.(...) Eu penetrei na impropriamente chamada meia idade desta maneira: ou seja, aflito. O céu caiu-me em cima sem aviso. Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam. Mas precisamente eu não pretendia encaminhar-me. Deus sabe que eu nunca fui assim.»

Vasco Pulido Valente, Retratos e Auto-Retratos, Assírio & Alvim

(Clip: Renato Bruson,Verdi, Macbeth. Ópera de Berlim, 1987)

28.11.08

O PIONEIRO


«[Maria de Lurdes Rodrigues] garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS. "É tocante."»

Jornal Público

O PIONEIRO


«[Maria de Lurdes Rodrigues] garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS. "É tocante."»

Jornal Público

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 4

"Corno" poderia ser a nova designação de "contribuinte". Se o Estado "avalizar" um banco que se dedica a gerir fortunas privadas, que nome é que quer que lhe chamem?

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 4

"Corno" poderia ser a nova designação de "contribuinte". Se o Estado "avalizar" um banco que se dedica a gerir fortunas privadas, que nome é que quer que lhe chamem?

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 3

O "jornal" dirigido pelo sr. Tadeu serviu há dias de "mote" para derrames deste género. O mesmo "jornal" fez hoje capa com a mesma conversa, mudando os alegados beneficiados e o montante em causa. Ainda não vi ninguém da matilha comentadeira "comentar" o assunto com a mesma fogosidade com que se atiraram ao Presidente da República. Depois do mel de Santana (para recorrer a uma "ideia" do dr. João Soares), chegou o mel de Sócrates?

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 3

O "jornal" dirigido pelo sr. Tadeu serviu há dias de "mote" para derrames deste género. O mesmo "jornal" fez hoje capa com a mesma conversa, mudando os alegados beneficiados e o montante em causa. Ainda não vi ninguém da matilha comentadeira "comentar" o assunto com a mesma fogosidade com que se atiraram ao Presidente da República. Depois do mel de Santana (para recorrer a uma "ideia" do dr. João Soares), chegou o mel de Sócrates?

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 2



Um lamentável "erro de script" apagou o Dulcamara que aqui estava de manhã. Infelizmente para mim - e para alguma gente que se cruzou comigo ao longo da vida e que eu tinha por amiga - possuo uma "memória de elefante". Repito, pois, a ideia. A vida político-partidária portuguesa está cheia de Dulcamaras. No PS manda o "Dulcamara do Magalhães" o que impede demais candidatos ao papel do famoso "doutor" de aparecer. No PSD, não faltam candidatos ao papel do charlatão da ópera de Donizetti. De jovens "promessas" com quase cinquenta anos a qualificados caciques locais. Une-os o ódio ao "estilo" insosso da dra. Ferreira Leite, por natureza a anti-vendedora de "elixir". Talvez tenham razão. A Dulcamaras responde-se... com Dulcamaras. Avancem.

(Clip: Simón Orfila, L'Elisir d'amore, de Gaetano Donizetti, Teatro Liceu de Barcelona, 2004)

UM PAÍS DE DULCAMARAS - 2



Um lamentável "erro de script" apagou o Dulcamara que aqui estava de manhã. Infelizmente para mim - e para alguma gente que se cruzou comigo ao longo da vida e que eu tinha por amiga - possuo uma "memória de elefante". Repito, pois, a ideia. A vida político-partidária portuguesa está cheia de Dulcamaras. No PS manda o "Dulcamara do Magalhães" o que impede demais candidatos ao papel do famoso "doutor" de aparecer. No PSD, não faltam candidatos ao papel do charlatão da ópera de Donizetti. De jovens "promessas" com quase cinquenta anos a qualificados caciques locais. Une-os o ódio ao "estilo" insosso da dra. Ferreira Leite, por natureza a anti-vendedora de "elixir". Talvez tenham razão. A Dulcamaras responde-se... com Dulcamaras. Avancem.

(Clip: Simón Orfila, L'Elisir d'amore, de Gaetano Donizetti, Teatro Liceu de Barcelona, 2004)

UM PAÍS DE DULCAMARAS


Ao passar num quiosque, reparo que Ricardo Costa, um dos mais proeminentes "jornalistas" do regime, vai "circular" dentro da galáxia Balsemão. Passa da SIC para adjunto do Expresso onde já lá está outra notabilidade, íntima do poder, o do laço. Talvez por isso seja oportuno recordar as palavras de Ramalho Ortigão em 1873, nas Farpas, enviadas por um leitor amável.


«A Imprensa de Lisboa não tem opinião. Aqueles que dos seus membros que por excepção pressentem as ideias próprias, vivas, originais zumbindo-lhes importunamente no cérebro, enxotam-nas como vespas venenosas. É que a missão do jornalismo português não é ter ideias suas, é transmitir a ideia dos outros. Por tal razão em Lisboa o homem que pensa não é o homem que escreve. O jornalista nunca se concentra, nunca se recolhe com o seu problema para o meditar, para o estudar, para o resolver. Nunca procura a verdade. Procura apenas a solução achada pelo público dele, pelo seu partido político, pelos consócios do seu clube, pelos seus amigos, pelos seus protectores (...). O jornal não é uma fonte de crítica, de análise, de investigação (...) O jornalista é o aguadeiro submisso e fiel da opinião. Não dirige, não a corrige, não a modifica, não a tempera(...). A Imprensa periódica é simplesmente o cano.» Esgoto, acrescento eu.

UM PAÍS DE DULCAMARAS


Ao passar num quiosque, reparo que Ricardo Costa, um dos mais proeminentes "jornalistas" do regime, vai "circular" dentro da galáxia Balsemão. Passa da SIC para adjunto do Expresso onde já lá está outra notabilidade, íntima do poder, o do laço. Talvez por isso seja oportuno recordar as palavras de Ramalho Ortigão em 1873, nas Farpas, enviadas por um leitor amável.


«A Imprensa de Lisboa não tem opinião. Aqueles que dos seus membros que por excepção pressentem as ideias próprias, vivas, originais zumbindo-lhes importunamente no cérebro, enxotam-nas como vespas venenosas. É que a missão do jornalismo português não é ter ideias suas, é transmitir a ideia dos outros. Por tal razão em Lisboa o homem que pensa não é o homem que escreve. O jornalista nunca se concentra, nunca se recolhe com o seu problema para o meditar, para o estudar, para o resolver. Nunca procura a verdade. Procura apenas a solução achada pelo público dele, pelo seu partido político, pelos consócios do seu clube, pelos seus amigos, pelos seus protectores (...). O jornal não é uma fonte de crítica, de análise, de investigação (...) O jornalista é o aguadeiro submisso e fiel da opinião. Não dirige, não a corrige, não a modifica, não a tempera(...). A Imprensa periódica é simplesmente o cano.» Esgoto, acrescento eu.

27.11.08

RÁDIO BLOGGER

Mais logo, no RCP, a partir das 23h, troco "impressões" com um ilustre militante do PS de Lisboa e membro do Câmara de Comuns. A avaliar por esta prosa, promete.

RÁDIO BLOGGER

Mais logo, no RCP, a partir das 23h, troco "impressões" com um ilustre militante do PS de Lisboa e membro do Câmara de Comuns. A avaliar por esta prosa, promete.

LELLO, UM IAGO DE PROVÍNCIA

«Se num primeiro momento houve quem visse no BPN uma espécie de Casa Pia do PSD, há agora quem, através dos Dias Loureiros de serviço, pretenda traçar o epitáfio do cavaquismo, colando o actual Presidente da República a uma "história de polícia" que, em última análise, traria à luz do dia o reverso do seu sucesso como primeiro-ministro. Esta subtil tese esconde, no entanto, objectivos bastante mais comezinhos, ocultando essencialmente a necessidade de fragilizar a única figura de Estado que goza de algum prestígio. Não por acaso, ainda esta semana, o dr. Lello, esse maître à penser do primeiro-ministro, se sentiu obrigado a negar a participação do PS na campanha de rumores e de insinuações que foi criada à volta do prof. Cavaco Silva. E por que haveria o PS de estar envolvido numa campanha destas? Para disfarçar a incompetência do seu governador do Banco de Portugal, que se considera alvo de um "linchamento público" só porque não foi capaz de exercer as suas funções? Para desviar as atenções dos péssimos resultados da sua política? Para que não se saiba que o fabuloso Teixeira dos Santos foi considerado o pior ministro das Finanças da Europa pelo Financial Times? Para silenciar a crise na Educação e os protestos dos professores? Ou, voltando ao princípio, para fragilizar uma das poucas vozes deste país que o Governo não consegue controlar? Se a resposta não fosse óbvia, o dr. Lello não se teria sentido obrigado a desmenti-la. Há desmentidos que se desmentem a si próprios.»

Constança Cunha e Sá, Público

LELLO, UM IAGO DE PROVÍNCIA

«Se num primeiro momento houve quem visse no BPN uma espécie de Casa Pia do PSD, há agora quem, através dos Dias Loureiros de serviço, pretenda traçar o epitáfio do cavaquismo, colando o actual Presidente da República a uma "história de polícia" que, em última análise, traria à luz do dia o reverso do seu sucesso como primeiro-ministro. Esta subtil tese esconde, no entanto, objectivos bastante mais comezinhos, ocultando essencialmente a necessidade de fragilizar a única figura de Estado que goza de algum prestígio. Não por acaso, ainda esta semana, o dr. Lello, esse maître à penser do primeiro-ministro, se sentiu obrigado a negar a participação do PS na campanha de rumores e de insinuações que foi criada à volta do prof. Cavaco Silva. E por que haveria o PS de estar envolvido numa campanha destas? Para disfarçar a incompetência do seu governador do Banco de Portugal, que se considera alvo de um "linchamento público" só porque não foi capaz de exercer as suas funções? Para desviar as atenções dos péssimos resultados da sua política? Para que não se saiba que o fabuloso Teixeira dos Santos foi considerado o pior ministro das Finanças da Europa pelo Financial Times? Para silenciar a crise na Educação e os protestos dos professores? Ou, voltando ao princípio, para fragilizar uma das poucas vozes deste país que o Governo não consegue controlar? Se a resposta não fosse óbvia, o dr. Lello não se teria sentido obrigado a desmenti-la. Há desmentidos que se desmentem a si próprios.»

Constança Cunha e Sá, Público

BENGALADAS

Alfredo Barroso regressou aos tempos em que pretendia desfilar no Chiado à espera de encontrar Manuel Maria Carrilho para lhe enfiar umas bengaladas. Também sou adepto desse saudável "método fin de siècle" apenas divergindo profundamente acerca das cabeças a alvejar. Barroso está, desde os anos Guterres, naquele clássico dilema do filósofo: sempre o mesmo querer e não querer o mesmo. Não vai tão longe como Alegre porque, ao contrário deste, não tem público. De resto, tem sempre o cuidado de terminar as suas bengaladas "virtuais" no PS de Sócrates com uns mimos "correctos" contra o PSD e, agora, contra Cavaco, um hábito que vem dos tempos em que ele, o seu tio e outros cortesãos se passeavam nos jardins do Palácio de Belém em cogitações, meio divertidas, meio sérias, sobre o que é que haviam de arranjar para "chatear o gajo". Dedique-se antes ao Camilo.

BENGALADAS

Alfredo Barroso regressou aos tempos em que pretendia desfilar no Chiado à espera de encontrar Manuel Maria Carrilho para lhe enfiar umas bengaladas. Também sou adepto desse saudável "método fin de siècle" apenas divergindo profundamente acerca das cabeças a alvejar. Barroso está, desde os anos Guterres, naquele clássico dilema do filósofo: sempre o mesmo querer e não querer o mesmo. Não vai tão longe como Alegre porque, ao contrário deste, não tem público. De resto, tem sempre o cuidado de terminar as suas bengaladas "virtuais" no PS de Sócrates com uns mimos "correctos" contra o PSD e, agora, contra Cavaco, um hábito que vem dos tempos em que ele, o seu tio e outros cortesãos se passeavam nos jardins do Palácio de Belém em cogitações, meio divertidas, meio sérias, sobre o que é que haviam de arranjar para "chatear o gajo". Dedique-se antes ao Camilo.

26.11.08

O EVANGELISTA DE OCASIÃO

Sá Fernandes, o antigo "Zé-é-que-sabe", "passou-se" para o PS. Se houvesse dúvidas acerca da transumância, a patética entrevista que concede na parte traseira do DN ao João Pedro Henriques acaba com as dúvidas. É um misto de cretinice política com oportunismo. Como é que um tipo que é vereador numa câmara que se caracteriza pela inacção pode afirmar que "este PS tem sido muito bom para Lisboa"? Ou que "este mandato tem sido extraordinário em termos de concretização de promessas"? Bem feito para aqueles que, com credulidade, acreditaram em mais um pequeno evangelista de ocasião.

O EVANGELISTA DE OCASIÃO

Sá Fernandes, o antigo "Zé-é-que-sabe", "passou-se" para o PS. Se houvesse dúvidas acerca da transumância, a patética entrevista que concede na parte traseira do DN ao João Pedro Henriques acaba com as dúvidas. É um misto de cretinice política com oportunismo. Como é que um tipo que é vereador numa câmara que se caracteriza pela inacção pode afirmar que "este PS tem sido muito bom para Lisboa"? Ou que "este mandato tem sido extraordinário em termos de concretização de promessas"? Bem feito para aqueles que, com credulidade, acreditaram em mais um pequeno evangelista de ocasião.

GRANDEZA



Fiorenza Cossotto, Domingo: Verdi, Il Trovatore. Ópera de Viena, 1978, Karajan. Para fugir ao esterco, ou como escrevia alguém num comentário, "quando já pouco ou nada resta, a arte é a "ultima ratio"para nos mantermos vivos."

GRANDEZA



Fiorenza Cossotto, Domingo: Verdi, Il Trovatore. Ópera de Viena, 1978, Karajan. Para fugir ao esterco, ou como escrevia alguém num comentário, "quando já pouco ou nada resta, a arte é a "ultima ratio"para nos mantermos vivos."

É NECESSÁRIO EXPLICADOR?

Aos poucos, como aconteceu com outro PR por causa de Macau, vai-se montando um cerco a Cavaco. Biltres de diversas extracções - uns mais "delicados" do que outros, mas a maioria a precisar de sangue e de "notícias" frescas para vender o respectivo peixe e "encobrir" o manto diáfano da fantasia que nos governa - insistem em "ligar" o Chefe de Estado ao tema BPN. Não é preciso ter trabalhado em "informações" - e eu trabalhei, nas militares, no tempo em que elas eram vivas - para entender o que é que se está a tentar perpetrar e porquê. Tenho pena que haja gente séria a fazer proselitismo com isto. Ou outros, como Alfredo Barroso, que na sua qualidade de ex-chefe da Casa Civil de Soares, deve saber perfeitamente do que é que estou a falar. Basta, no entanto, olhar à nossa volta - Parlamento, governo, gabinetes, partidos, elites da administração pública, banca - para ver como Macau acabou em bem. Em certo sentido, Cavaco é um "corpo estranho" a este regime. Mais. É o único órgão eleito directamente pelo povo - as autarquias não contam para nada a não ser para afundar mais o regime e à Madeira "já chegaram" - que não foi "absorvido" pelo absolutismo democrático em vigor. É necessário explicador?

É NECESSÁRIO EXPLICADOR?

Aos poucos, como aconteceu com outro PR por causa de Macau, vai-se montando um cerco a Cavaco. Biltres de diversas extracções - uns mais "delicados" do que outros, mas a maioria a precisar de sangue e de "notícias" frescas para vender o respectivo peixe e "encobrir" o manto diáfano da fantasia que nos governa - insistem em "ligar" o Chefe de Estado ao tema BPN. Não é preciso ter trabalhado em "informações" - e eu trabalhei, nas militares, no tempo em que elas eram vivas - para entender o que é que se está a tentar perpetrar e porquê. Tenho pena que haja gente séria a fazer proselitismo com isto. Ou outros, como Alfredo Barroso, que na sua qualidade de ex-chefe da Casa Civil de Soares, deve saber perfeitamente do que é que estou a falar. Basta, no entanto, olhar à nossa volta - Parlamento, governo, gabinetes, partidos, elites da administração pública, banca - para ver como Macau acabou em bem. Em certo sentido, Cavaco é um "corpo estranho" a este regime. Mais. É o único órgão eleito directamente pelo povo - as autarquias não contam para nada a não ser para afundar mais o regime e à Madeira "já chegaram" - que não foi "absorvido" pelo absolutismo democrático em vigor. É necessário explicador?

25.11.08

TRISTEZAS

Ignorava que o antigo brigadeiro Pires Veloso sabia escrever. Livros, por exemplo. Para os mais novos (e como a blogosfera é mais infantil do que se julga), Pires Veloso foi comandante da região militar do Norte nos idos do PREC. Gostava de ter ido mais longe do que foi, mas a vida é mesmo assim. Cruel. Todavia, andou devidamente apascentado pelo PS e pelo PSD que, na altura, lhe criaram a ilusão de que tinha importância. Fizeram o mesmo a Pinheiro de Azevedo, aliás. Veloso nunca perdoou a alguns camaradas de armas ter ficado para trás. Sobretudo a Eanes. Parece que agora escreveu o "livro do seu ressentimento". Faz de Eanes - só quem não conhece Eanes é que pode dizer barbaridades destas - um "amigo" do PC e pretende retirar-lhe o papel que aquele efectivamente desempenhou no "25 de Novembro". É pena que Mário Soares empreste a sua Fundação para apresentação da "obra" de Veloso em Lisboa. Só que Soares está cada vez mais Soares "Ferreira Alves" e menos Mário Soares. E, aí, tudo pode acontecer. Até dar guarida a tristezas destas.

TRISTEZAS

Ignorava que o antigo brigadeiro Pires Veloso sabia escrever. Livros, por exemplo. Para os mais novos (e como a blogosfera é mais infantil do que se julga), Pires Veloso foi comandante da região militar do Norte nos idos do PREC. Gostava de ter ido mais longe do que foi, mas a vida é mesmo assim. Cruel. Todavia, andou devidamente apascentado pelo PS e pelo PSD que, na altura, lhe criaram a ilusão de que tinha importância. Fizeram o mesmo a Pinheiro de Azevedo, aliás. Veloso nunca perdoou a alguns camaradas de armas ter ficado para trás. Sobretudo a Eanes. Parece que agora escreveu o "livro do seu ressentimento". Faz de Eanes - só quem não conhece Eanes é que pode dizer barbaridades destas - um "amigo" do PC e pretende retirar-lhe o papel que aquele efectivamente desempenhou no "25 de Novembro". É pena que Mário Soares empreste a sua Fundação para apresentação da "obra" de Veloso em Lisboa. Só que Soares está cada vez mais Soares "Ferreira Alves" e menos Mário Soares. E, aí, tudo pode acontecer. Até dar guarida a tristezas destas.

BRIGADAS


Não simpatizo nada com a figura política de Dias Loureiro e não aplaudi a sua escolha para o malfadado Conselho de Estado. Mas ainda consigo simpatizar menos com as diversas brigadas kitsch-policiais dedicadas à eugenia política - colocadas disciplinadamente às ordens do dr. Louçã e que visam mais longe e mais alto, como qualquer analfabeto já percebeu - brigadas essas que, segundo julgo saber, não só não conduzem a acção penal como não estão legalmente habilitados para efectuar uma investigação criminal. Poupem-se ao ridículo.

BRIGADAS


Não simpatizo nada com a figura política de Dias Loureiro e não aplaudi a sua escolha para o malfadado Conselho de Estado. Mas ainda consigo simpatizar menos com as diversas brigadas kitsch-policiais dedicadas à eugenia política - colocadas disciplinadamente às ordens do dr. Louçã e que visam mais longe e mais alto, como qualquer analfabeto já percebeu - brigadas essas que, segundo julgo saber, não só não conduzem a acção penal como não estão legalmente habilitados para efectuar uma investigação criminal. Poupem-se ao ridículo.

SÓCRATES EX MACHINA

A OCDE reviu em baixa e em alta os indicadores que interessam para 2009, respectivamente, o crescimento e o desemprego. Para todos os países membros. Sócrates veio a correr afirmar que, ao pé de outros, até não estamos mal e que com o mal dos outros podemos nós bem. Foi em Trás-os-Montes onde esteve a lançar betão. Mas podia ter sido na estratosfera onde ele ameaça entrar mais rapidamente do que a velocidade que se há-de alcançar nas auto-estradas do Marão.

SÓCRATES EX MACHINA

A OCDE reviu em baixa e em alta os indicadores que interessam para 2009, respectivamente, o crescimento e o desemprego. Para todos os países membros. Sócrates veio a correr afirmar que, ao pé de outros, até não estamos mal e que com o mal dos outros podemos nós bem. Foi em Trás-os-Montes onde esteve a lançar betão. Mas podia ter sido na estratosfera onde ele ameaça entrar mais rapidamente do que a velocidade que se há-de alcançar nas auto-estradas do Marão.

TEMPOS DIFÍCEIS E DE AUTORIDADE



«Só muito tarde na vida fui visitar o Escorial. Durante muitos anos, não tinha curiosidade. Há cerca de trinta anos, depois de a ouvir pela primeira vez, apaixonei-me pela ópera “Don Carlo”, de Verdi. Uma parte passa-se neste palácio, mandado construir por Filipe II, que ali morreu. Não descansei enquanto não fui visitar. É de grande beleza severa e rude. Tem uma estética de tempos difíceis e de autoridade.»

António Barreto, Jacarandá


(Clip: Don Carlo, Verdi, início do III Acto (Auto de Fé). Festival de Salzburgo, 1986. Dirige Herbert von Karajan)

TEMPOS DIFÍCEIS E DE AUTORIDADE



«Só muito tarde na vida fui visitar o Escorial. Durante muitos anos, não tinha curiosidade. Há cerca de trinta anos, depois de a ouvir pela primeira vez, apaixonei-me pela ópera “Don Carlo”, de Verdi. Uma parte passa-se neste palácio, mandado construir por Filipe II, que ali morreu. Não descansei enquanto não fui visitar. É de grande beleza severa e rude. Tem uma estética de tempos difíceis e de autoridade.»

António Barreto, Jacarandá


(Clip: Don Carlo, Verdi, início do III Acto (Auto de Fé). Festival de Salzburgo, 1986. Dirige Herbert von Karajan)

25 DE NOVEMBRO: PRECISA-SE


«Diz-se que Medina Carreira terá avaliado em dois mil milhões de contos o montante de dinheiros mal parados recebidos da Europa por Portugal ao longo de vinte e cinco anos; ou seja, mais de setenta milhões de contos desaparecidos, dados, esbanjados, mal aplicados e desviados anualmente pelas curibecas agora finalmente postas a descoberto pelas primeiras [e tremendas] revelações do escândalo que abala o país. Compreende-se, assim, o atraso, a impreparação, a falta de competitividade das empresas e dos trabalhadores portugueses. Se a esta soma quase cósmica aduzirmos os milhões de milhões de contos gastos anualmente com a fulanagem inútil que serve os aparelhos partidários - os eurodeputados, os deputados, os presidentes de câmaras, as assessorias (vulgo boys), as aquisições de serviços a familiares, amigos, primos e protegidos - trememos de espanto e indignação. Portugal não pode sobreviver se continuar entregue a tal camarilha devorista. Temos sido, literalmente, sugados até ao tutano por gente que nem para arrumadores de cinema presta. Tempos houve em que o Estado era rico, pagava mal aos seus servidores e dava o exemplo a um país pobre. Hoje, com o Estado pobre, brincamos impudicamente com a pobreza sem esperança de um país definitivamente encostado à berma da história e pagamos regiamente a funcionários de partidos que ainda têm o supino atrevimento de chamar parasitas aos funcionários do Estado. O sistema, como está a funcionar, parece estar a fazer tudo para despertar messianismos.»

Miguel Castelo-Branco, Combustões

25 DE NOVEMBRO: PRECISA-SE


«Diz-se que Medina Carreira terá avaliado em dois mil milhões de contos o montante de dinheiros mal parados recebidos da Europa por Portugal ao longo de vinte e cinco anos; ou seja, mais de setenta milhões de contos desaparecidos, dados, esbanjados, mal aplicados e desviados anualmente pelas curibecas agora finalmente postas a descoberto pelas primeiras [e tremendas] revelações do escândalo que abala o país. Compreende-se, assim, o atraso, a impreparação, a falta de competitividade das empresas e dos trabalhadores portugueses. Se a esta soma quase cósmica aduzirmos os milhões de milhões de contos gastos anualmente com a fulanagem inútil que serve os aparelhos partidários - os eurodeputados, os deputados, os presidentes de câmaras, as assessorias (vulgo boys), as aquisições de serviços a familiares, amigos, primos e protegidos - trememos de espanto e indignação. Portugal não pode sobreviver se continuar entregue a tal camarilha devorista. Temos sido, literalmente, sugados até ao tutano por gente que nem para arrumadores de cinema presta. Tempos houve em que o Estado era rico, pagava mal aos seus servidores e dava o exemplo a um país pobre. Hoje, com o Estado pobre, brincamos impudicamente com a pobreza sem esperança de um país definitivamente encostado à berma da história e pagamos regiamente a funcionários de partidos que ainda têm o supino atrevimento de chamar parasitas aos funcionários do Estado. O sistema, como está a funcionar, parece estar a fazer tudo para despertar messianismos.»

Miguel Castelo-Branco, Combustões

JÁ CHEGA

Por falar em Constâncio. Espera-se (deseja-se) que o governo não "invista" mais dinheiro dos contribuintes em mais um gesto de socialismo serôdio, e que não "nacionalize" um tal de BPP. Quem o criou, que o aguente. Não caia, porém, no nosso colo. Já chega.

JÁ CHEGA

Por falar em Constâncio. Espera-se (deseja-se) que o governo não "invista" mais dinheiro dos contribuintes em mais um gesto de socialismo serôdio, e que não "nacionalize" um tal de BPP. Quem o criou, que o aguente. Não caia, porém, no nosso colo. Já chega.

COITADINHO

Parece que Constâncio se queixou de estar a ser "alvo" de um "linchamento público". Tenho tanta pena dele...

COITADINHO

Parece que Constâncio se queixou de estar a ser "alvo" de um "linchamento público". Tenho tanta pena dele...

24.11.08

O EX-ALFERES E O VELHO MINISTRO


Em três televisões, três entrevistas. Constâncio foi à RTP. Jerónimo à TVI e Rui Patrício, o derradeiro MNE do Estado Novo, tentou falar com Mário Crespo na SIC-Notícias. Ainda cheguei a tempo - os outros dois "crónicos" não me interessam nada - de ouvir Patrício perguntar a um Crespo que lhe "atirara" (e que puxou de um calhamaço qualquer) com a opinião da "diplomacia americana" sobre o Portugal de então, se a diplomacia dos EUA serve de exemplo para quem quer que seja. Sobretudo depois do Iraque. O ex-alferes Crespo ficou com aquele sorriso improvável que teve ocasião de exibir, há dias, nas ruas Washington, quando andou de braço dado com Costa Ribas a celebrar Obama para a tv do dr. Balsemão. Um sorriso, como ele mesmo diria, a não perder.

O EX-ALFERES E O VELHO MINISTRO


Em três televisões, três entrevistas. Constâncio foi à RTP. Jerónimo à TVI e Rui Patrício, o derradeiro MNE do Estado Novo, tentou falar com Mário Crespo na SIC-Notícias. Ainda cheguei a tempo - os outros dois "crónicos" não me interessam nada - de ouvir Patrício perguntar a um Crespo que lhe "atirara" (e que puxou de um calhamaço qualquer) com a opinião da "diplomacia americana" sobre o Portugal de então, se a diplomacia dos EUA serve de exemplo para quem quer que seja. Sobretudo depois do Iraque. O ex-alferes Crespo ficou com aquele sorriso improvável que teve ocasião de exibir, há dias, nas ruas Washington, quando andou de braço dado com Costa Ribas a celebrar Obama para a tv do dr. Balsemão. Um sorriso, como ele mesmo diria, a não perder.

OPINIÃO INSUSPEITA DE "CAVAQUISMO" E DE "IDIOTISMO"

«BPN: Cavaco Silva contra "tentativas de associar" o seu nome ao banco». Fez bem. Já lhe basta o incómodo de ver seus antigos colaboradores e amigos envolvidos na comprometedora história. Os titulares de cargos políticos, a começar pelo Presidente da República, também têm o direito de defender o seu bom nome e reputação contra as acções de "smearing" que muita imprensa pratica. Ao contrário do que pretende uma visão absolutista da liberdade de imprensa, os políticos não perdem o direito à honra só pelo facto de o serem.»

Nota de leitura: A tendência de quem escreve nos jornais, fala nas televisões, perpetra em blogues ou de quem é serventuário de partidos e de corporações, é para colocar a correr a lebre que melhor serve a respectiva narrativa. Insistir neste tema, sobretudo nos termos em que a insistência é realizada, é, por exemplo, seguir a "narrativa" do evangelista Louçã que passa a vida a exigir cabeças exibidas em bandejas regimentais. E mantenho. Pendant que ça dure, Sócrates inexiste politicamente. Basta estar minimamente atento aos sinais dos "socráticos-sempre-de-serviço". Muitos até são do PSD.

OPINIÃO INSUSPEITA DE "CAVAQUISMO" E DE "IDIOTISMO"

«BPN: Cavaco Silva contra "tentativas de associar" o seu nome ao banco». Fez bem. Já lhe basta o incómodo de ver seus antigos colaboradores e amigos envolvidos na comprometedora história. Os titulares de cargos políticos, a começar pelo Presidente da República, também têm o direito de defender o seu bom nome e reputação contra as acções de "smearing" que muita imprensa pratica. Ao contrário do que pretende uma visão absolutista da liberdade de imprensa, os políticos não perdem o direito à honra só pelo facto de o serem.»

Nota de leitura: A tendência de quem escreve nos jornais, fala nas televisões, perpetra em blogues ou de quem é serventuário de partidos e de corporações, é para colocar a correr a lebre que melhor serve a respectiva narrativa. Insistir neste tema, sobretudo nos termos em que a insistência é realizada, é, por exemplo, seguir a "narrativa" do evangelista Louçã que passa a vida a exigir cabeças exibidas em bandejas regimentais. E mantenho. Pendant que ça dure, Sócrates inexiste politicamente. Basta estar minimamente atento aos sinais dos "socráticos-sempre-de-serviço". Muitos até são do PSD.

A CALHAR

Ao "lado dos afectos" retribui-se com o "lado dos afectos". Há tempos, Dias Loureiro, por causa do livrinho do "menino de ouro", veio dizer que "o optimismo de Sócrates faz muito bem a Portugal". Ao permitir-se andar na "crista da onda", Loureiro, voluntariamente ou não, deixa o caminho livre para Sócrates irradiar o seu "optimismo" sobre a pátria numa altura de aperto. Passámos a semana passada a "discutir" uma fala errada de Ferreira Leite e entramos nesta suspensos da "novela" Dias Loureiro. Logo mais até Constâncio vai fazer a sua "perninha" numa entrevista a Judite de Sousa, o "diário da manhã" falado do regime. Nestes momentos, interessa não apenas ver quem perde com certas situações mas também quem ganha com a sua indefinição. O BPN, independentemente das questões de polícia, é ou não é um assunto politicamente jeitoso? Como diria uma vendedora de castanhas da Rua Augusta perante a chegada do frio, veio mesmo a calhar.

A CALHAR

Ao "lado dos afectos" retribui-se com o "lado dos afectos". Há tempos, Dias Loureiro, por causa do livrinho do "menino de ouro", veio dizer que "o optimismo de Sócrates faz muito bem a Portugal". Ao permitir-se andar na "crista da onda", Loureiro, voluntariamente ou não, deixa o caminho livre para Sócrates irradiar o seu "optimismo" sobre a pátria numa altura de aperto. Passámos a semana passada a "discutir" uma fala errada de Ferreira Leite e entramos nesta suspensos da "novela" Dias Loureiro. Logo mais até Constâncio vai fazer a sua "perninha" numa entrevista a Judite de Sousa, o "diário da manhã" falado do regime. Nestes momentos, interessa não apenas ver quem perde com certas situações mas também quem ganha com a sua indefinição. O BPN, independentemente das questões de polícia, é ou não é um assunto politicamente jeitoso? Como diria uma vendedora de castanhas da Rua Augusta perante a chegada do frio, veio mesmo a calhar.

23.11.08

CAPACIDADE DE PREVISÃO


«Isto é só para safados.»

Salazar a Franco Nogueira, 1966

CAPACIDADE DE PREVISÃO


«Isto é só para safados.»

Salazar a Franco Nogueira, 1966

DO FINGIMENTO


Com a mesma displicência irresponsável e cara de pau com que há uma semana recusou uma comissão de inquérito parlamentar ao "caso BPN", Alberto Martins veio agora "desblindá-lo" com o argumento - já válido há oito dias quando usou o contrário - de que não prejudica a investigação criminal em curso. Há muita gente, por sinal respeitável, que acha que não devia existir inquérito parlamentar. Sucede que o PS, através do governo, nacionalizou o BPN e "injectou", via CGD, uma pipa de massa na casa falida que foi de Oliveira e Costa. Ninguém ignora de onde é que vem parte substancial dessa massa. Dinheiro por que, pelos vistos, praticamente todo o sistema bancário nacional já suspira. Seja em cash, seja em forma de aval. Nestes termos, o BPN passou a ser um assunto que interessa aos contribuintes, sobretudo àqueles que nunca tiveram dinheiro para abrir "contas a prazo" num "banco de negócios" que remunerava como a falecida D. Branca. Enquanto criação político-financeira do regime, o BPN ultrapassou a peripécia do amiguismo circular que une pessoal de diversos partidos, a começar pelo PSD e pelo PS. Eles criam uma comissão parlamentar, nem que seja para fingir que é a sério, e nós podemos perfeitamente fingir que acreditamos nela. Da mesma forma que temos de fingir que acreditamos na "supervisão" bancária do dr. Constâncio e ele finge que a realiza. E antes que a lama comece a ser atirada pelas ventoínhas do costume (como já está a ser pelo zoo mediático), ficava bem ao dr. Dias Loureiro abandonar o Conselho de Estado pelo seu próprio pé. A filha de putice - a mesma que manchou a honra de uma data de gente quando "lançaram" o "caso Casa Pia" - não perde uma linha ou uma fala onde Cavaco não apareça a propósito desta história. Até Loureiro teve o mau gosto de invocar na televisão os vinte e três anos de amizade com o Chefe de Estado como se isso tivesse a ver com o tema da entrevista. Para começar -e como no "caso Casa Pia" - já há um detido para consolo dos aflitos. Oxalá não seja só para imolar como um cordeiro na Páscoa.

Adenda: Esta idiotice não é digna do João Miranda. É só o que me ocorre para não ser malcriado.

DO FINGIMENTO


Com a mesma displicência irresponsável e cara de pau com que há uma semana recusou uma comissão de inquérito parlamentar ao "caso BPN", Alberto Martins veio agora "desblindá-lo" com o argumento - já válido há oito dias quando usou o contrário - de que não prejudica a investigação criminal em curso. Há muita gente, por sinal respeitável, que acha que não devia existir inquérito parlamentar. Sucede que o PS, através do governo, nacionalizou o BPN e "injectou", via CGD, uma pipa de massa na casa falida que foi de Oliveira e Costa. Ninguém ignora de onde é que vem parte substancial dessa massa. Dinheiro por que, pelos vistos, praticamente todo o sistema bancário nacional já suspira. Seja em cash, seja em forma de aval. Nestes termos, o BPN passou a ser um assunto que interessa aos contribuintes, sobretudo àqueles que nunca tiveram dinheiro para abrir "contas a prazo" num "banco de negócios" que remunerava como a falecida D. Branca. Enquanto criação político-financeira do regime, o BPN ultrapassou a peripécia do amiguismo circular que une pessoal de diversos partidos, a começar pelo PSD e pelo PS. Eles criam uma comissão parlamentar, nem que seja para fingir que é a sério, e nós podemos perfeitamente fingir que acreditamos nela. Da mesma forma que temos de fingir que acreditamos na "supervisão" bancária do dr. Constâncio e ele finge que a realiza. E antes que a lama comece a ser atirada pelas ventoínhas do costume (como já está a ser pelo zoo mediático), ficava bem ao dr. Dias Loureiro abandonar o Conselho de Estado pelo seu próprio pé. A filha de putice - a mesma que manchou a honra de uma data de gente quando "lançaram" o "caso Casa Pia" - não perde uma linha ou uma fala onde Cavaco não apareça a propósito desta história. Até Loureiro teve o mau gosto de invocar na televisão os vinte e três anos de amizade com o Chefe de Estado como se isso tivesse a ver com o tema da entrevista. Para começar -e como no "caso Casa Pia" - já há um detido para consolo dos aflitos. Oxalá não seja só para imolar como um cordeiro na Páscoa.

Adenda: Esta idiotice não é digna do João Miranda. É só o que me ocorre para não ser malcriado.

HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS*

«Uma pessoa abre o jornal ou liga a televisão e revê, pasmado, a velha propaganda antidemocrática de 1930. Umas vezes, subtil; outras vezes, muito taxativa e franca. Umas vezes, melancólica, outras vezes, quase triunfante. A miséria geral e perspectiva de uma miséria maior, a fraqueza do regime e uma irritação crescente anunciam o caos. Manifestamente, a bota deixou de rimar com a perdigota.»

Vasco Pulido Valente, Público


«Em tempos de crise, mais do que nunca é preciso não desistir de olhar as coisas com um olhar crítico, até porque proliferam nesta altura as piores das "soluções", os piores dos aproveitamentos, e cresce a mediocridade. E nós estamos a ser governados tão mediocremente que todo o pessimismo é pouco. Os tempos estão difíceis, mas os que nos vêm outra vez com o Marx deles, e com o Estado e com o "diálogo", estão-nos a vender produtos tão tóxicos como o subprime. Parece uma Alemanha de Weimar cansada e ainda mais triste.»

José Pacheco Pereira, idem

*Título de um livro de Hannah Arendt traduzido na Relógio D'Água
.

HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS*

«Uma pessoa abre o jornal ou liga a televisão e revê, pasmado, a velha propaganda antidemocrática de 1930. Umas vezes, subtil; outras vezes, muito taxativa e franca. Umas vezes, melancólica, outras vezes, quase triunfante. A miséria geral e perspectiva de uma miséria maior, a fraqueza do regime e uma irritação crescente anunciam o caos. Manifestamente, a bota deixou de rimar com a perdigota.»

Vasco Pulido Valente, Público


«Em tempos de crise, mais do que nunca é preciso não desistir de olhar as coisas com um olhar crítico, até porque proliferam nesta altura as piores das "soluções", os piores dos aproveitamentos, e cresce a mediocridade. E nós estamos a ser governados tão mediocremente que todo o pessimismo é pouco. Os tempos estão difíceis, mas os que nos vêm outra vez com o Marx deles, e com o Estado e com o "diálogo", estão-nos a vender produtos tão tóxicos como o subprime. Parece uma Alemanha de Weimar cansada e ainda mais triste.»

José Pacheco Pereira, idem

*Título de um livro de Hannah Arendt traduzido na Relógio D'Água
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ÓPERA VIVA



Ainda há lugares neste mundo - e a coisa é apenas do mês passado, em Parma - onde a ópera é uma festa e não um imenso velório cheio de ignorantes presunçosos. Cantam Leo Nucci e Desirée Rancatore, Verdi, Rigoletto.

ÓPERA VIVA



Ainda há lugares neste mundo - e a coisa é apenas do mês passado, em Parma - onde a ópera é uma festa e não um imenso velório cheio de ignorantes presunçosos. Cantam Leo Nucci e Desirée Rancatore, Verdi, Rigoletto.

22.11.08

AUTO-RETRATO

Num "documento de orientação" para as "directas"do PP onde é o único candidato à liderança. Paulo Portas retoma o velho princípio - que valeu, na altura, quatro por centro dos votos - de o CDS estar "disponível" para o PS ou para o PSD, consoante quem ganhar em 2009. Afinal, para que é que mandou entregar o retrato de Freitas do Amaral no Rato?

AUTO-RETRATO

Num "documento de orientação" para as "directas"do PP onde é o único candidato à liderança. Paulo Portas retoma o velho princípio - que valeu, na altura, quatro por centro dos votos - de o CDS estar "disponível" para o PS ou para o PSD, consoante quem ganhar em 2009. Afinal, para que é que mandou entregar o retrato de Freitas do Amaral no Rato?

HORNE



Marilyn Horne, Tancredi, Rossini (Ópera de Roma, 1977)

HORNE



Marilyn Horne, Tancredi, Rossini (Ópera de Roma, 1977)

"JE TE VEUX"



Jessye Norman canta Erik Satie (França, 1984)

"JE TE VEUX"



Jessye Norman canta Erik Satie (França, 1984)

SOCIALISTAS NA SARJETA


Mitterrand, como é próprio do Príncipe, acabou com o PS francês. Jospin até pelo farsante Le Pen foi humilhado. Décadas antes, e num daqueles golpes de génio que distinguem os grandes homens dos gnomos, Mitterrand - que tinha entrado num congresso dos vários grupelhos socialistas que vegetavam à sombra da triste memória da IV República à frente de um deles - saiu de lá secretário-geral do PSF, disposto a servir-se da Constituição de De Gaulle em proveito da sua ambição. Aguentou uns anitos e, em 1981, chegou lá. O resto conhece-se. Agora o que resta do PSF balança entre duas senhoras, qual delas a mais horripilante. Ségolène (de plástico como outros congéneres de serviço) e a filha de Delors (com um semblante assustador) são a imagem miserável do socialismo francês desfeito às mãos desse inteligente "usurpador" de socialistas chamado Nicolas Sarkozy. Por muito que asneire, Ségolène e a outra são o melhor penhor para o presidente francês. É isso mesmo. Não é Hillary quem quer.

SOCIALISTAS NA SARJETA


Mitterrand, como é próprio do Príncipe, acabou com o PS francês. Jospin até pelo farsante Le Pen foi humilhado. Décadas antes, e num daqueles golpes de génio que distinguem os grandes homens dos gnomos, Mitterrand - que tinha entrado num congresso dos vários grupelhos socialistas que vegetavam à sombra da triste memória da IV República à frente de um deles - saiu de lá secretário-geral do PSF, disposto a servir-se da Constituição de De Gaulle em proveito da sua ambição. Aguentou uns anitos e, em 1981, chegou lá. O resto conhece-se. Agora o que resta do PSF balança entre duas senhoras, qual delas a mais horripilante. Ségolène (de plástico como outros congéneres de serviço) e a filha de Delors (com um semblante assustador) são a imagem miserável do socialismo francês desfeito às mãos desse inteligente "usurpador" de socialistas chamado Nicolas Sarkozy. Por muito que asneire, Ségolène e a outra são o melhor penhor para o presidente francês. É isso mesmo. Não é Hillary quem quer.

VANITAS

VANITAS

21.11.08

ERA ASSIM A VIDA DELE

Dias Loureiro esteve a contar a Judite de Sousa alguns "aspectos" da sua vida nos derradeiros treze anos. O PS "fechou-lhe" a AR mas "abriu-lhe" a RTP. Ficámos a saber - como se isso ou a peça mesquinha da TVI interessassem para alguma coisa - que o homem "percebe" de cimentos, de novas tecnologias, de máquinas ATM e de Marrocos. Sobretudo de Marrocos. E que se fartou de dar bons conselhos ao dr. Oliveira e Costa que, manifestamente, não os seguiu. Os próximos dias ditarão se Loureiro, para além disto, sempre é a sumidade política que o regime exibe como pièce de résistance ou alguém que perdeu as suas graças.

ERA ASSIM A VIDA DELE

Dias Loureiro esteve a contar a Judite de Sousa alguns "aspectos" da sua vida nos derradeiros treze anos. O PS "fechou-lhe" a AR mas "abriu-lhe" a RTP. Ficámos a saber - como se isso ou a peça mesquinha da TVI interessassem para alguma coisa - que o homem "percebe" de cimentos, de novas tecnologias, de máquinas ATM e de Marrocos. Sobretudo de Marrocos. E que se fartou de dar bons conselhos ao dr. Oliveira e Costa que, manifestamente, não os seguiu. Os próximos dias ditarão se Loureiro, para além disto, sempre é a sumidade política que o regime exibe como pièce de résistance ou alguém que perdeu as suas graças.

FINALMENTE...


Uma boa notícia.

FINALMENTE...


Uma boa notícia.

RIDÍCULO


1.Deviam explicar aos políticos e demais "elites" nacionais que não é por não usarem gravata em reuniões inúteis que a massa bruta lhes toma mais respeito. Para além da encenação, é apenas ridículo.
2. É igualmente ridículo ir a casa dos pais de um político fazer perguntas de chacha à pobre da mãe que não tem nada a ver com o "filme".
3. Estar sempre a associar Cavaco Silva a pessoas que com ele colaboraram no passado e cujas vidas foram orientadas como essas pessoas muito bem entenderam, não é apenas ridículo. É o que é.

RIDÍCULO


1.Deviam explicar aos políticos e demais "elites" nacionais que não é por não usarem gravata em reuniões inúteis que a massa bruta lhes toma mais respeito. Para além da encenação, é apenas ridículo.
2. É igualmente ridículo ir a casa dos pais de um político fazer perguntas de chacha à pobre da mãe que não tem nada a ver com o "filme".
3. Estar sempre a associar Cavaco Silva a pessoas que com ele colaboraram no passado e cujas vidas foram orientadas como essas pessoas muito bem entenderam, não é apenas ridículo. É o que é.

O RUMOR DA LÍNGUA

Reproduzo na íntegra - e com a devida vénia - a crónica de Vasco Pulido Valente tal como aparece editada no Público online. Há uma parte, a primeira, escrita em português escorreito, na qual a Dra. Ferreira Leite é pura e definitivamente arrumada na "tradição autoritária" nacional que, entre outros, produziu João Franco, Sidónio, Salazar, Cavaco e (esquecimento imperdoável do autor) o "tecnológico" Sócrates e a ex-anarquista do "Batalha", Lurdes Rodrigues. Depois, segue-se um texto que ressuma a latim misturado com outra "língua viva". É o estranho e improvável "rumor da língua" como que a brincar aos significados e aos significantes à semelhança de meio "país" virtual que parece não ter mais nada para fazer.


«Se a dr.ª Manuela Ferreira Leite estava, ou não, a tentar ser irónica não interessa nada ou muito pouco. A ideia de uma ditadura provisória para resolver, fácil e expeditivamente, problemas que não se conseguem resolver de outra maneira não é uma ideia nova. Vem da velha Monarquia Constitucional. Quando um governo ficava imobilizado pelo excesso de virulência da oposição (no parlamento, na imprensa ou na rua), o rei mandava os deputados para casa - sem tocar, em princípio, na liberdade de imprensa ou de reunião - e o governo fazia em sossego o seu serviço, suspendendo um jornal aqui e ali ou proibindo as manifestações que lhe pareciam mais perigosas. No fim voltava tudo ao mesmo. O rei convocava o parlamento (em geral fabricado para a ocasião) e o parlamento passava, à inglesa, um "bill de indemnidade" ao governo. Este exercício era conhecido pelo nome de "ditadura administrativa" e deu uma grande contribuição para a queda da Monarquia. As gaffes da dr.ª Manuela Ferreira Leite (com ou sem "ironia") revelam uma tendência especial para a "ditadura administrativa". Educada politicamente no espírito autoritário do "cavaquismo", e boa discípula do mestre, sofre com irritação os vexames da democracia. Os jornais não publicam o que ela quer, os professores resistem à ministra e até a lei "transforma o polícia em palhaço": Portugal inteiro parece incontrolável. Pensando não só em Sócrates, Manuela Ferreira Leite começou a ver as dificuldades de reformar o país com as restrições que existem. Como, de facto, reformar a justiça sem os juízes? Como reformar a saúde sem os médicos? No fundo do seu coração, Manuela Ferreira Leite não sabe. Sabe apenas que não há reformas sem eles, nem com eles. A "ironia" não foi uma ironia. Foi um desabafo: se a deixassem a ela e às pessoas como ela (com inteligência, visão e capacidade) mandar a sério, bastavam seis meses para pôr as coisas "na ordem". Mas daí a pedir, ou a sugerir, uma ditadura vai um abismo. Infelizmente, é com declarações destas que se chega pouco a pouco ao descrédito da democracia. A imagem da democracia como um reino de interesses particulares, que impedem o progresso e anulam a razão, embora antiga, não perdeu ainda a sua eficácia. E, com os desastres que se preparam, não precisa de ajuda para dissolver os restos de respeito pelo regime. Lorer summy nit ex eros nibh exerat. Ut vel utpat. Ut lumsand pisim iustism doloreetuer summod ea aliquisl dolore duis euisit nullamcons nostrud ex ent euis nisit accum exer sis nonsequam vel iuscilis nummy niam in ulla feum zzrillaor sum niatue min ut augiatis nullaor ip euguerit ilissit, verostie tis erilisciniam dit ullaortie faccumsandio Lor senim zzril eratum nismodiatem ipit auguerat praesto dionseq ismod tinit ipit wisit, secte ming eraessi tat aci blam volore dolortin henim aliquis equam quis nim zzrit alit auguer sumsandipit, quiscing er sit nonsed ex ea acidunt lum num delit nim quisi tem quat. Duis alit inibh ero dolorem at. Ut dunt lorer aliquam quisl euis alit alit alit niam vel duipsum nim dionse dit lut ipsummo olessis nulluptat, quat. Ut iure mincipi ismod tio consequat ad te dunt vullan et nibh enit adigna atis non exer sent alisismod min ulluptatum incil illa feuguer sit, commy nit, volore magna at. Lore ming er susci ent ut vel dolore consequate dolor sisit dolorper sim adipsum adio dolore tat, commy nons etum ip exerostrud euiscid issecte mod mod mod magna feugiam veliquat, sum velisl exero diamet, quat nonsequ psusci el dipit autetum dipisim accum adit nullum veriureet incing elit aciliquat, conullamcons nonsed eumsandre velit in vel ut adipit ipsuscilla ad magna consenim ad tie verit wismolore vulputatue modionse tat prat. Ut wis nismodiamcon enim ecte dolore tisl ut la feugue doluptat ipit am dolessectet, velent la commodion henit la atie cortie eu feugiam et vullaor ing exeraes equis nim nit, susci ero odio del esto do dignismod ex eliquat iliquate erillum zzril dolore dionseq iscilit autat. Ut lametummod et landit dolesto consectetum et, quis aut inisim augue eriure tatuer secte velit nonse dolortis enibh enisim venibh eu feui tie deliquatinim am, con utet, quat. Ut la faccum ad elenim vel dolortio dui blamcommy nim zzriure er ipsusci uissi.Duis nulputem niamcon ero endre dolorerillan ex ecte tie doluptat lor ad modolor alis dunt praesequi bla feum nosto odoluptat. Duis niamcorem ent nullutpat lan hendre feu facin vullum dit auguer am, quisi eum ex ero odolore faccum vel doloboreril ipisim do eu feugue dolortie dit alis et la feugiam ex eraessectem dunt autpat velisl ulputpat.Lor si blaorper at etum ipisisl ullan hent nulla feuisse dunt atum iustrud dionsequate vullamet dolore ting ex ex eliquam, cons non eugiam iustie dolor iurero et alit lutatie faccummy nulla accum vullan venis alit ea facip euisl ute commy nullam doloreet lum»

O RUMOR DA LÍNGUA

Reproduzo na íntegra - e com a devida vénia - a crónica de Vasco Pulido Valente tal como aparece editada no Público online. Há uma parte, a primeira, escrita em português escorreito, na qual a Dra. Ferreira Leite é pura e definitivamente arrumada na "tradição autoritária" nacional que, entre outros, produziu João Franco, Sidónio, Salazar, Cavaco e (esquecimento imperdoável do autor) o "tecnológico" Sócrates e a ex-anarquista do "Batalha", Lurdes Rodrigues. Depois, segue-se um texto que ressuma a latim misturado com outra "língua viva". É o estranho e improvável "rumor da língua" como que a brincar aos significados e aos significantes à semelhança de meio "país" virtual que parece não ter mais nada para fazer.


«Se a dr.ª Manuela Ferreira Leite estava, ou não, a tentar ser irónica não interessa nada ou muito pouco. A ideia de uma ditadura provisória para resolver, fácil e expeditivamente, problemas que não se conseguem resolver de outra maneira não é uma ideia nova. Vem da velha Monarquia Constitucional. Quando um governo ficava imobilizado pelo excesso de virulência da oposição (no parlamento, na imprensa ou na rua), o rei mandava os deputados para casa - sem tocar, em princípio, na liberdade de imprensa ou de reunião - e o governo fazia em sossego o seu serviço, suspendendo um jornal aqui e ali ou proibindo as manifestações que lhe pareciam mais perigosas. No fim voltava tudo ao mesmo. O rei convocava o parlamento (em geral fabricado para a ocasião) e o parlamento passava, à inglesa, um "bill de indemnidade" ao governo. Este exercício era conhecido pelo nome de "ditadura administrativa" e deu uma grande contribuição para a queda da Monarquia. As gaffes da dr.ª Manuela Ferreira Leite (com ou sem "ironia") revelam uma tendência especial para a "ditadura administrativa". Educada politicamente no espírito autoritário do "cavaquismo", e boa discípula do mestre, sofre com irritação os vexames da democracia. Os jornais não publicam o que ela quer, os professores resistem à ministra e até a lei "transforma o polícia em palhaço": Portugal inteiro parece incontrolável. Pensando não só em Sócrates, Manuela Ferreira Leite começou a ver as dificuldades de reformar o país com as restrições que existem. Como, de facto, reformar a justiça sem os juízes? Como reformar a saúde sem os médicos? No fundo do seu coração, Manuela Ferreira Leite não sabe. Sabe apenas que não há reformas sem eles, nem com eles. A "ironia" não foi uma ironia. Foi um desabafo: se a deixassem a ela e às pessoas como ela (com inteligência, visão e capacidade) mandar a sério, bastavam seis meses para pôr as coisas "na ordem". Mas daí a pedir, ou a sugerir, uma ditadura vai um abismo. Infelizmente, é com declarações destas que se chega pouco a pouco ao descrédito da democracia. A imagem da democracia como um reino de interesses particulares, que impedem o progresso e anulam a razão, embora antiga, não perdeu ainda a sua eficácia. E, com os desastres que se preparam, não precisa de ajuda para dissolver os restos de respeito pelo regime. Lorer summy nit ex eros nibh exerat. Ut vel utpat. Ut lumsand pisim iustism doloreetuer summod ea aliquisl dolore duis euisit nullamcons nostrud ex ent euis nisit accum exer sis nonsequam vel iuscilis nummy niam in ulla feum zzrillaor sum niatue min ut augiatis nullaor ip euguerit ilissit, verostie tis erilisciniam dit ullaortie faccumsandio Lor senim zzril eratum nismodiatem ipit auguerat praesto dionseq ismod tinit ipit wisit, secte ming eraessi tat aci blam volore dolortin henim aliquis equam quis nim zzrit alit auguer sumsandipit, quiscing er sit nonsed ex ea acidunt lum num delit nim quisi tem quat. Duis alit inibh ero dolorem at. Ut dunt lorer aliquam quisl euis alit alit alit niam vel duipsum nim dionse dit lut ipsummo olessis nulluptat, quat. Ut iure mincipi ismod tio consequat ad te dunt vullan et nibh enit adigna atis non exer sent alisismod min ulluptatum incil illa feuguer sit, commy nit, volore magna at. Lore ming er susci ent ut vel dolore consequate dolor sisit dolorper sim adipsum adio dolore tat, commy nons etum ip exerostrud euiscid issecte mod mod mod magna feugiam veliquat, sum velisl exero diamet, quat nonsequ psusci el dipit autetum dipisim accum adit nullum veriureet incing elit aciliquat, conullamcons nonsed eumsandre velit in vel ut adipit ipsuscilla ad magna consenim ad tie verit wismolore vulputatue modionse tat prat. Ut wis nismodiamcon enim ecte dolore tisl ut la feugue doluptat ipit am dolessectet, velent la commodion henit la atie cortie eu feugiam et vullaor ing exeraes equis nim nit, susci ero odio del esto do dignismod ex eliquat iliquate erillum zzril dolore dionseq iscilit autat. Ut lametummod et landit dolesto consectetum et, quis aut inisim augue eriure tatuer secte velit nonse dolortis enibh enisim venibh eu feui tie deliquatinim am, con utet, quat. Ut la faccum ad elenim vel dolortio dui blamcommy nim zzriure er ipsusci uissi.Duis nulputem niamcon ero endre dolorerillan ex ecte tie doluptat lor ad modolor alis dunt praesequi bla feum nosto odoluptat. Duis niamcorem ent nullutpat lan hendre feu facin vullum dit auguer am, quisi eum ex ero odolore faccum vel doloboreril ipisim do eu feugue dolortie dit alis et la feugiam ex eraessectem dunt autpat velisl ulputpat.Lor si blaorper at etum ipisisl ullan hent nulla feuisse dunt atum iustrud dionsequate vullamet dolore ting ex ex eliquam, cons non eugiam iustie dolor iurero et alit lutatie faccummy nulla accum vullan venis alit ea facip euisl ute commy nullam doloreet lum»

20.11.08

TUDO OU O SEU NADA

«De entre as centenas de envolvidos [na "Operação Furacão], Oliveira e Costa foi o único a ser detido. Não é coincidência que só tenha sido detido depois de cair em desgraça.» João Miranda, no Blasfémias. E se Oliveira e Costa lhe apetece falar e, por assim dizer, acabou por se "entregar"? Como é habito no regime (e no regime da justiça, em particular), daqui pode vir tudo ou o seu nada.

TUDO OU O SEU NADA

«De entre as centenas de envolvidos [na "Operação Furacão], Oliveira e Costa foi o único a ser detido. Não é coincidência que só tenha sido detido depois de cair em desgraça.» João Miranda, no Blasfémias. E se Oliveira e Costa lhe apetece falar e, por assim dizer, acabou por se "entregar"? Como é habito no regime (e no regime da justiça, em particular), daqui pode vir tudo ou o seu nada.

19.11.08

O CONSELHEIRO


Dias Loureiro, poeta e apresentador de biografias do senhor 1º ministro e seu confesso "admirador", ex-administrador de bancos, ex-ministro e actual conselheiro de Estado não pode continuar "blindado". Não é por ele, com certeza. É o género de figurinha que desprezo. Acontece que foi indicado para o Conselho de Estado por Cavaco Silva, um género de pessoa que costumo estimar. Por isso o Eduardo, desta vez, tem razão.

O CONSELHEIRO


Dias Loureiro, poeta e apresentador de biografias do senhor 1º ministro e seu confesso "admirador", ex-administrador de bancos, ex-ministro e actual conselheiro de Estado não pode continuar "blindado". Não é por ele, com certeza. É o género de figurinha que desprezo. Acontece que foi indicado para o Conselho de Estado por Cavaco Silva, um género de pessoa que costumo estimar. Por isso o Eduardo, desta vez, tem razão.

UM CASAL PERFEITO

Mário Nogueira está muito bem para Maria de Lurdes Rodrigues e Maria de Lurdes Rodrigues está muito bem para Mário Nogueira. Ficarão para a história como os afundadores da educação nacional nos alvores do século XXI em Portugal.

UM CASAL PERFEITO

Mário Nogueira está muito bem para Maria de Lurdes Rodrigues e Maria de Lurdes Rodrigues está muito bem para Mário Nogueira. Ficarão para a história como os afundadores da educação nacional nos alvores do século XXI em Portugal.

SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO -2

1. «Em termos puramente economicistas, há uma lógica de continuidade no propósito de acabar com a Colóquio/Letras depois do fim dado à Colóquio/Artes, à Colóquio/Ciências e ao Ballet Gulbenkian. Actualmente, com o serviço de edições parado, por enquanto não extinto mas parado, a Gulbenkian vê-se reduzida à programação de concertos clássicos, ao museu da colecção do patrono, à episódica realização de exposições temporárias — culminando nesse monumento ao cabotinismo que dá pelo nome de Weltliteratur —, a um Centro de Arte Moderna entretanto desvirtuado da sua função original (e hoje paralisado) e, last but not least, ao serviço de bolsas.» O Eduardo Pitta escreve isto no contexto da putativa e parva remoção de Joana Moraes Varela da direcção da Colóquio-Letras para "adequar" o produto à correcção dos "novos tempos".

2. Sucede que, antes, o Eduardo decidiu alinhar por aquela "tese" peregrina de que a Dra. Ferreira Leite - porque se exprime mal e não tem graça alguma - esconde o fascismo na malinha de mão. O Eduardo fala numa fantástica "tese do cordão sanitário" que, não fosse o caso de sermos amigos, lhe valeria, desde já, um directíssimo bardamerda. Aliás, a foto que ilustra o post nem sequer lembraria ao zelota Santos Silva. Podemos gostar - é um direito, digamos, natural - de Sócrates, da sua sua ficção e, até, da sua notável propaganda tão diligentemente encaixada nos meios tradicionais e não tradicionais de "comunicação social e cultural". O que não devemos é ser desonestos intelectualmente. Talvez na "socrolândia" já valha tudo e eu é que estou desfocado como o personagem de Woody Allen. Talvez.

SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO -2

1. «Em termos puramente economicistas, há uma lógica de continuidade no propósito de acabar com a Colóquio/Letras depois do fim dado à Colóquio/Artes, à Colóquio/Ciências e ao Ballet Gulbenkian. Actualmente, com o serviço de edições parado, por enquanto não extinto mas parado, a Gulbenkian vê-se reduzida à programação de concertos clássicos, ao museu da colecção do patrono, à episódica realização de exposições temporárias — culminando nesse monumento ao cabotinismo que dá pelo nome de Weltliteratur —, a um Centro de Arte Moderna entretanto desvirtuado da sua função original (e hoje paralisado) e, last but not least, ao serviço de bolsas.» O Eduardo Pitta escreve isto no contexto da putativa e parva remoção de Joana Moraes Varela da direcção da Colóquio-Letras para "adequar" o produto à correcção dos "novos tempos".

2. Sucede que, antes, o Eduardo decidiu alinhar por aquela "tese" peregrina de que a Dra. Ferreira Leite - porque se exprime mal e não tem graça alguma - esconde o fascismo na malinha de mão. O Eduardo fala numa fantástica "tese do cordão sanitário" que, não fosse o caso de sermos amigos, lhe valeria, desde já, um directíssimo bardamerda. Aliás, a foto que ilustra o post nem sequer lembraria ao zelota Santos Silva. Podemos gostar - é um direito, digamos, natural - de Sócrates, da sua sua ficção e, até, da sua notável propaganda tão diligentemente encaixada nos meios tradicionais e não tradicionais de "comunicação social e cultural". O que não devemos é ser desonestos intelectualmente. Talvez na "socrolândia" já valha tudo e eu é que estou desfocado como o personagem de Woody Allen. Talvez.