Nas notas de rodapé dos telejornais, fica-se a saber que a UE enviou uns "sábios" (sic) para o acompanhamento das eleições no Congo. Um desses "sábios" é a dra. Ana Gomes, parlamentar europeia conhecida pela sua extrema lucidez, entre outras inúmeras qualidades. O mundo está mesmo perigoso.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
31.7.06
A SÁBIA
Nas notas de rodapé dos telejornais, fica-se a saber que a UE enviou uns "sábios" (sic) para o acompanhamento das eleições no Congo. Um desses "sábios" é a dra. Ana Gomes, parlamentar europeia conhecida pela sua extrema lucidez, entre outras inúmeras qualidades. O mundo está mesmo perigoso.
A DEVASSA
Parece que a DCGI publicou na net a lista dos relapsos em IRS e IRC, com dívidas superiores a determinados montantes. Seguir-se-á a Segurança Social com os "seus" devedores e, em ambos os casos, presume-se que o valor da dívida, para efeitos de pública exposição, irá descendo. Eu entendo que quem não cumpre as suas obrigações tributárias, ou torpedeia as coisas de maneira a não cumprir, é um vígaro. Sobretudo quando se analisa a "qualidade" do devedor, individual ou empresa. Por isso o "sistema" continua a ser suportado fundamentalmente pelos chamados "trabalhadores por conta de outrem" e pelo IVA. Dito isto, parece-me uma falácia este alegado exercício de "combate à fuga e à evasão fiscal". Não será pela via da devassa - um método medieval apenas "actualizado" pelo processamento electrónico de dados - e da pretensa humilhação pública dos devedores - que só serve para excitar o "voyeurismo" alarve que nos é peculiar- que se lá vai. Depois disto, exige-se que, a seu tempo, o Estado dê notícia de quanto é que conseguiu "arrecadar", dos cento e trinta milhões de euros em dívida, à conta desta frivolidade. É o mínimo.
A DEVASSA
Parece que a DCGI publicou na net a lista dos relapsos em IRS e IRC, com dívidas superiores a determinados montantes. Seguir-se-á a Segurança Social com os "seus" devedores e, em ambos os casos, presume-se que o valor da dívida, para efeitos de pública exposição, irá descendo. Eu entendo que quem não cumpre as suas obrigações tributárias, ou torpedeia as coisas de maneira a não cumprir, é um vígaro. Sobretudo quando se analisa a "qualidade" do devedor, individual ou empresa. Por isso o "sistema" continua a ser suportado fundamentalmente pelos chamados "trabalhadores por conta de outrem" e pelo IVA. Dito isto, parece-me uma falácia este alegado exercício de "combate à fuga e à evasão fiscal". Não será pela via da devassa - um método medieval apenas "actualizado" pelo processamento electrónico de dados - e da pretensa humilhação pública dos devedores - que só serve para excitar o "voyeurismo" alarve que nos é peculiar- que se lá vai. Depois disto, exige-se que, a seu tempo, o Estado dê notícia de quanto é que conseguiu "arrecadar", dos cento e trinta milhões de euros em dívida, à conta desta frivolidade. É o mínimo.
A FARSA
Marcelo Rebelo de Sousa, com a habitual displicência domingueira, afirmou que todos nós, portugueses, gostamos muito da Maria João Pires. Mais um bocadinho e Marcelo tricotava um cachecol com as iniciais da pianista para usar ao pescoço: ainda não se livrou completamente do tropismo nacionalista que o atacou aquando do mundial de futebol. Adiante. De facto, não sei se "todos gostamos" de Maria João Pires ou se muitos dos nossos concidadãos sabem sequer de quem se trata. Entre ela e a "escritora" Fátima Lopes, suspeito que a notoriedade estaria encontrada de imediato. Facto é que a Pires não gosta decididamente de nós o que, em parte, revela o seu bom gosto. Já do dinheiro que "nós", contribuintes, lhe fazemos intermitentemente chegar, talvez já goste mais. Mas este é um comentário de mercearia, indigno de uma artista como a Pires. Aqueles apressados que caíram de joelhos aos pés dela e tocaram a rebate contra a afronta que a dita estaria a "sofrer" - a "tortura" - tiveram a resposta pela mão da própria: "Portugal... preocupa-se com sensacionalismo, mentira, intriga, conflito e consumismo". Na realidade e no Público, Pires tentou repôr as coisas numa dimensão de onde elas nunca deveriam ter saído. E, para gáudio de Marcelo e dos exautorados "piristas", Maria João garantiu que "pode trabalhar e colaborar no projecto de Belgais sem gostar de Portugal". Falo apenas por mim. Continuarei a gostar da Pires como sempre gostei - a minha modesta discoteca aí está para o provar - mesmo sabendo que ela não gosta de mim, naquela parte em que também sou, por força das circunstâncias, português. Todo o artista, sobretudo o bom artista, tem algo de farsante. Maria João Pires encerrou, lá do seu Brasil descansativo, a sua pequena farsa doméstica. Ainda bem.
Adenda: Sem link, porém vale a pena ler o "Fio do Horizonte" de hoje, segunda-feira, 31, do Eduardo Prado Coelho no Público: "A pianista". Desta vez acertou.
A FARSA
Marcelo Rebelo de Sousa, com a habitual displicência domingueira, afirmou que todos nós, portugueses, gostamos muito da Maria João Pires. Mais um bocadinho e Marcelo tricotava um cachecol com as iniciais da pianista para usar ao pescoço: ainda não se livrou completamente do tropismo nacionalista que o atacou aquando do mundial de futebol. Adiante. De facto, não sei se "todos gostamos" de Maria João Pires ou se muitos dos nossos concidadãos sabem sequer de quem se trata. Entre ela e a "escritora" Fátima Lopes, suspeito que a notoriedade estaria encontrada de imediato. Facto é que a Pires não gosta decididamente de nós o que, em parte, revela o seu bom gosto. Já do dinheiro que "nós", contribuintes, lhe fazemos intermitentemente chegar, talvez já goste mais. Mas este é um comentário de mercearia, indigno de uma artista como a Pires. Aqueles apressados que caíram de joelhos aos pés dela e tocaram a rebate contra a afronta que a dita estaria a "sofrer" - a "tortura" - tiveram a resposta pela mão da própria: "Portugal... preocupa-se com sensacionalismo, mentira, intriga, conflito e consumismo". Na realidade e no Público, Pires tentou repôr as coisas numa dimensão de onde elas nunca deveriam ter saído. E, para gáudio de Marcelo e dos exautorados "piristas", Maria João garantiu que "pode trabalhar e colaborar no projecto de Belgais sem gostar de Portugal". Falo apenas por mim. Continuarei a gostar da Pires como sempre gostei - a minha modesta discoteca aí está para o provar - mesmo sabendo que ela não gosta de mim, naquela parte em que também sou, por força das circunstâncias, português. Todo o artista, sobretudo o bom artista, tem algo de farsante. Maria João Pires encerrou, lá do seu Brasil descansativo, a sua pequena farsa doméstica. Ainda bem.
Adenda: Sem link, porém vale a pena ler o "Fio do Horizonte" de hoje, segunda-feira, 31, do Eduardo Prado Coelho no Público: "A pianista". Desta vez acertou.
A GUERRA DE LAPTOP
Ouvi no carro que Israel está a fazer um "intervalo" no seu ataque indiscriminado ao Líbano para "tentar perceber" o que se passou em Qana. Miss Rice, entretanto, regressou a casa à espera de melhores dias. E o Conselho Europeu reune-se amanhã para pensar no assunto. Ou seja, o foguetório deverá seguir dentro de momentos. Sem complexos, nem de "esquerda", nem de "direita", continuo a pensar o mesmo deste "conflito". Israel não pode parar de atacar para se defender, mesmo à custa de gente que nada tem a ver com actividades terroristas. E o Hezbollah fará exactamente o mesmo, de forma mais vesga e aleatória, no território judaico. A desculpa extraordinária de que foram lançados panfletos sobre regiões libanesas a avisar os "civis" que o melhor que tinham a fazer era mudar de sítio, como se se tratasse de uma trivialidade ou de uma obrigação, não justifica o que está a acontecer ao País do Cedro. Sobretudo quando se percebe que o "núcleo duro" do Hezbollah está vivo e de boa saúde. Os tolinhos que por aí andam a "tomar partido" - supostamente em nome da "Estátua da Liberdade", passando atestados de "terrorista" e de anti-semita a quem quer que pense de outra maneira -, pretendendo dar lições de superioridade democrática, mais valia estarem calados. Ao perder a cabeça, Israel corre o risco de perder, mais do que a guerra, o processo político que precede a guerra. E isso, contrariamente ao que pensam os " guerrrilheiros de laptop", é que constituiria uma verdadeira tragédia para a região e para o "ocidente" que eles imaginam "acarinhar" com o seu "israelismo" primário.
A GUERRA DE LAPTOP
Ouvi no carro que Israel está a fazer um "intervalo" no seu ataque indiscriminado ao Líbano para "tentar perceber" o que se passou em Qana. Miss Rice, entretanto, regressou a casa à espera de melhores dias. E o Conselho Europeu reune-se amanhã para pensar no assunto. Ou seja, o foguetório deverá seguir dentro de momentos. Sem complexos, nem de "esquerda", nem de "direita", continuo a pensar o mesmo deste "conflito". Israel não pode parar de atacar para se defender, mesmo à custa de gente que nada tem a ver com actividades terroristas. E o Hezbollah fará exactamente o mesmo, de forma mais vesga e aleatória, no território judaico. A desculpa extraordinária de que foram lançados panfletos sobre regiões libanesas a avisar os "civis" que o melhor que tinham a fazer era mudar de sítio, como se se tratasse de uma trivialidade ou de uma obrigação, não justifica o que está a acontecer ao País do Cedro. Sobretudo quando se percebe que o "núcleo duro" do Hezbollah está vivo e de boa saúde. Os tolinhos que por aí andam a "tomar partido" - supostamente em nome da "Estátua da Liberdade", passando atestados de "terrorista" e de anti-semita a quem quer que pense de outra maneira -, pretendendo dar lições de superioridade democrática, mais valia estarem calados. Ao perder a cabeça, Israel corre o risco de perder, mais do que a guerra, o processo político que precede a guerra. E isso, contrariamente ao que pensam os " guerrrilheiros de laptop", é que constituiria uma verdadeira tragédia para a região e para o "ocidente" que eles imaginam "acarinhar" com o seu "israelismo" primário.
30.7.06
PERTURBAÇÕES
1. "BARBÁRIE. Na Cisjordânia, um médico israelita foi esquartejado e colocado na mala do seu próprio carro antes de este ser incendiado. As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa já assumiram a autoria deste assassinato. Perturbador." Digo eu e o Tiago Barbosa Ribeiro.
PERTURBAÇÕES
1. "BARBÁRIE. Na Cisjordânia, um médico israelita foi esquartejado e colocado na mala do seu próprio carro antes de este ser incendiado. As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa já assumiram a autoria deste assassinato. Perturbador." Digo eu e o Tiago Barbosa Ribeiro.
LER NA AREIA
1. Costumo levar para a praia "partes" de jornais. Do Expresso, por exemplo, só levei o suplemento Actual e do Público, o Mil Folhas. O Actual "escolhia" os livros que os portugueses deviam levar para férias, assentando o exercício em dois pressupostos errados. Em primeiro lugar, que os portugueses lêem. Ler, lêem, como pude ver no Algarve, mas oscilam quase exclusivamente entre Dan Brown, Paulo Coelho, Madame Rebelo Pinto e esse naco literário que dá pelo nome de José Rodrigues dos Santos. O resto são jornais desportivos e revistas rosa. Em segundo lugar, parece que é obrigatório ler durante as férias, seja porque não se lê durante todo o ano, seja porque o acto de leitura se pode confundir com um mergulho ou uma sardinhada. Não pode. Para não irmos mais longe, basta consultar as obras de Harold Bloom ou de George Steiner sobre "a leitura" para se perceber a seriedade da coisa. Verdade seja dita que, na realidade, muitos dos livros "aconselhados" só por piedade se podem considerar "literatura". Também, no meio da areia, quem é que verdadeiramente se importa?
2. Ainda no Actual, dou por mim a ler a crónica do meu querido amigo José Manuel dos Santos. Com a "história" que ele tem, com as "histórias" que ele sabe, com o talento memorialístico e de escrita que felizmente possui, não vejo necessidade para prosas como a de ontem, sobre Joana Vasconcelos, que ressumava a um misto de João Miguel Fernandes Jorge com Eduardo Prado Coelho, ambos ligeiramente ainda a meio da faculdade."A fusão do kitsch "ready-made" com o kitsch acrescentado (pelo tricot e pelo crochet, por exemplo) interroga, como diria um semiólogo, o significante e provoca uma erupção de significados. O significante implode e os significados explodem". Zé, tu és bem melhor do que isto.
3. Por falar em Prado Coelho, a sua crónica no Mil Folhas firma esta espantosa doutrina: "Rui Chafes é um dos grandes escritores portugueses". O Chafes é filho de dois professores do meu antigo liceu, a dra. Ondina, da matemática, e o prof. João Chafes, de música e maestro do saudoso coro do D. Pedro V. Quando o Chafes começou a "criar", lembro-me de ter falado com ele para o Semanário. As suas esculturas e as suas instalações revelam, de facto, um artista, porém não fazem desse artista "um grande escritor português", e nem tudo o que dele brota é, como exageradamente refere Prado Coelho, "música". É que depois deixa de ser "crítica" ou "ensaística", e parece mais "encomenda" ou pura divagação de circunstância.
4. Finalmente o Eduardo Pitta, também no Mil Folhas e aqui, coloca uma questão que eu coloco muitas vezes a mim mesmo: "nós por cá não temos termo de comparação, porque, como muitos dos nossos escritores “sérios” fazem questão de sublinhar, o mundo à nossa volta é coisa indigna de literatura. Mas isso é uma originalidade portuguesa. Em que outro país do mundo Rui Nunes e Mafalda Ivo Cruz seriam considerados romancistas?" Ainda se fossem só estes dois.
LER NA AREIA
1. Costumo levar para a praia "partes" de jornais. Do Expresso, por exemplo, só levei o suplemento Actual e do Público, o Mil Folhas. O Actual "escolhia" os livros que os portugueses deviam levar para férias, assentando o exercício em dois pressupostos errados. Em primeiro lugar, que os portugueses lêem. Ler, lêem, como pude ver no Algarve, mas oscilam quase exclusivamente entre Dan Brown, Paulo Coelho, Madame Rebelo Pinto e esse naco literário que dá pelo nome de José Rodrigues dos Santos. O resto são jornais desportivos e revistas rosa. Em segundo lugar, parece que é obrigatório ler durante as férias, seja porque não se lê durante todo o ano, seja porque o acto de leitura se pode confundir com um mergulho ou uma sardinhada. Não pode. Para não irmos mais longe, basta consultar as obras de Harold Bloom ou de George Steiner sobre "a leitura" para se perceber a seriedade da coisa. Verdade seja dita que, na realidade, muitos dos livros "aconselhados" só por piedade se podem considerar "literatura". Também, no meio da areia, quem é que verdadeiramente se importa?
2. Ainda no Actual, dou por mim a ler a crónica do meu querido amigo José Manuel dos Santos. Com a "história" que ele tem, com as "histórias" que ele sabe, com o talento memorialístico e de escrita que felizmente possui, não vejo necessidade para prosas como a de ontem, sobre Joana Vasconcelos, que ressumava a um misto de João Miguel Fernandes Jorge com Eduardo Prado Coelho, ambos ligeiramente ainda a meio da faculdade."A fusão do kitsch "ready-made" com o kitsch acrescentado (pelo tricot e pelo crochet, por exemplo) interroga, como diria um semiólogo, o significante e provoca uma erupção de significados. O significante implode e os significados explodem". Zé, tu és bem melhor do que isto.
3. Por falar em Prado Coelho, a sua crónica no Mil Folhas firma esta espantosa doutrina: "Rui Chafes é um dos grandes escritores portugueses". O Chafes é filho de dois professores do meu antigo liceu, a dra. Ondina, da matemática, e o prof. João Chafes, de música e maestro do saudoso coro do D. Pedro V. Quando o Chafes começou a "criar", lembro-me de ter falado com ele para o Semanário. As suas esculturas e as suas instalações revelam, de facto, um artista, porém não fazem desse artista "um grande escritor português", e nem tudo o que dele brota é, como exageradamente refere Prado Coelho, "música". É que depois deixa de ser "crítica" ou "ensaística", e parece mais "encomenda" ou pura divagação de circunstância.
4. Finalmente o Eduardo Pitta, também no Mil Folhas e aqui, coloca uma questão que eu coloco muitas vezes a mim mesmo: "nós por cá não temos termo de comparação, porque, como muitos dos nossos escritores “sérios” fazem questão de sublinhar, o mundo à nossa volta é coisa indigna de literatura. Mas isso é uma originalidade portuguesa. Em que outro país do mundo Rui Nunes e Mafalda Ivo Cruz seriam considerados romancistas?" Ainda se fossem só estes dois.
29.7.06
O SR. COMENDADOR A DOIS TEMPOS
1. Homens da cepa do sr. comendador Berardo não são propriamente filantropos. Após anos a "ameaçar" levar a sua colecção privada daqui para fora, Berardo negociou com o actual governo a melhor forma - para ele, naturalmente - de isso não acontecer. Para tal, a ministra Pires de Lima teve de passar por sumários vexames públicos produzidos pelo sr. comendador - recordo, entre outros, o mimo de "saloia" - e sujeitar-se à intervenção directa do primeiro-ministro, presumivelmente através de Alexandre Melo, seu assessor para a cultura, para que o famoso "acordo" fosse assinado há dias. O Estado abjurou perante o sr. comendador e obrigou-se a "entrar" com cerca de 500 mil euros/ano para poder exibir as 863 peças que fazem parte da colecção, sem nenhuma certeza de que daqui a dez anos o sr. comendador não lhe apeteça, com a colecção já devidamente valorizada, desaparecer com ela para onde lhe aprouver. Mega Ferreira, o presidente do CCB, hipotecou, com o habitual gosto e alegria de bem servir que o caracteriza, parte significativa da estrutura do Centro para a instalação do "museu/fundação de arte moderna e contemporânea- colecção Berardo" de que este será presidente, com o óbvio direito a nomear e a despedir o respectivo director. Os argumentos utilizados pelo Estado para justificar este "acordo" seriam risíveis se não fossem trágicos. É evidente que não estão em causa, nem a qualidade da colecção Berardo, nem o seu "interesse" cultural. O que parece ser discutível são os termos do "acordo" para o "parceiro" Estado, ou seja, para os contribuintes que supostamente devem usufruir do acervo. Apesar dos beijinhos e abraços, não tenho a certeza de que o "interesse nacional" se tenha sobreposto aos interesses privados e legítimos do sr. comendador. Pelo contrário, penso até que Berardo conseguiu "meter" o governo no seu já vasto espólio, como um vulgar troféu de caça. O sr. comendador só dá um chouriço a quem lhe der um porco.
2. “O acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”, refere uma nota da Presidência da República. Cavaco Silva manifestou dúvidas, nomeadamente, quanto à “distribuição de poderes entre o Estado e o coleccionador”, no caso de o Estado Português efectuar a opção de compra da Colecção Berardo."
2. “O acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”, refere uma nota da Presidência da República. Cavaco Silva manifestou dúvidas, nomeadamente, quanto à “distribuição de poderes entre o Estado e o coleccionador”, no caso de o Estado Português efectuar a opção de compra da Colecção Berardo."
O SR. COMENDADOR A DOIS TEMPOS
1. Homens da cepa do sr. comendador Berardo não são propriamente filantropos. Após anos a "ameaçar" levar a sua colecção privada daqui para fora, Berardo negociou com o actual governo a melhor forma - para ele, naturalmente - de isso não acontecer. Para tal, a ministra Pires de Lima teve de passar por sumários vexames públicos produzidos pelo sr. comendador - recordo, entre outros, o mimo de "saloia" - e sujeitar-se à intervenção directa do primeiro-ministro, presumivelmente através de Alexandre Melo, seu assessor para a cultura, para que o famoso "acordo" fosse assinado há dias. O Estado abjurou perante o sr. comendador e obrigou-se a "entrar" com cerca de 500 mil euros/ano para poder exibir as 863 peças que fazem parte da colecção, sem nenhuma certeza de que daqui a dez anos o sr. comendador não lhe apeteça, com a colecção já devidamente valorizada, desaparecer com ela para onde lhe aprouver. Mega Ferreira, o presidente do CCB, hipotecou, com o habitual gosto e alegria de bem servir que o caracteriza, parte significativa da estrutura do Centro para a instalação do "museu/fundação de arte moderna e contemporânea- colecção Berardo" de que este será presidente, com o óbvio direito a nomear e a despedir o respectivo director. Os argumentos utilizados pelo Estado para justificar este "acordo" seriam risíveis se não fossem trágicos. É evidente que não estão em causa, nem a qualidade da colecção Berardo, nem o seu "interesse" cultural. O que parece ser discutível são os termos do "acordo" para o "parceiro" Estado, ou seja, para os contribuintes que supostamente devem usufruir do acervo. Apesar dos beijinhos e abraços, não tenho a certeza de que o "interesse nacional" se tenha sobreposto aos interesses privados e legítimos do sr. comendador. Pelo contrário, penso até que Berardo conseguiu "meter" o governo no seu já vasto espólio, como um vulgar troféu de caça. O sr. comendador só dá um chouriço a quem lhe der um porco.</span></span>
2. “O acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”, refere uma nota da Presidência da República. Cavaco Silva manifestou dúvidas, nomeadamente, quanto à “distribuição de poderes entre o Estado e o coleccionador”, no caso de o Estado Português efectuar a opção de compra da Colecção Berardo."
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2. “O acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”, refere uma nota da Presidência da República. Cavaco Silva manifestou dúvidas, nomeadamente, quanto à “distribuição de poderes entre o Estado e o coleccionador”, no caso de o Estado Português efectuar a opção de compra da Colecção Berardo."
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TORTURADA - 2
O coro de carpideiras que se formou em torno do episódio Maria João Pires é revelador da imensa fantasia que é o nosso país. Na sua leviandade, não perceberam que jamais esteve em causa a artista, a grande artista, que a Pires é. Belgais é um "projecto" nobre, sem dúvida, numa terra onde quase nada existe, que tem uma gestão para a qual foi canalizado dinheiro público, cerca de dois milhões de euros. A própria Maria João Pires deve ter reparado no exagero da expressão "tortura" - que supostamente o país lhe andava a infligir - e moderou para a ideia de ir "descansar" de Portugal para o Brasil, sem largar a orientação pedagógica e artística de Belgais. Entre nós, por causa da "cultura" salazarenta que vigora em muito boa alma de "esquerda" iluminada e pretensiosa, confunde-se amiúde o respeito pelo temor reverencial. Depois, se se juntar a isso um crónico provincianismo que tanto se baba de gozo por poder exibir um Figo lá fora, como uma pianista genial, sem fazer grandes distinções, e temos o fermento para o "caldo" de uma das raças mais estúpidas da Europa. Ou julgam os seus "defensores" que a Pires os tem em grande conta? Por amor de Deus.
Adenda: Ler, sobre isto, o Eduardo Pitta, presumo que mais "insuspeito" do que eu.
Adenda: Ler, sobre isto, o Eduardo Pitta, presumo que mais "insuspeito" do que eu.
TORTURADA - 2
O coro de carpideiras que se formou em torno do episódio Maria João Pires é revelador da imensa fantasia que é o nosso país. Na sua leviandade, não perceberam que jamais esteve em causa a artista, a grande artista, que a Pires é. Belgais é um "projecto" nobre, sem dúvida, numa terra onde quase nada existe, que tem uma gestão para a qual foi canalizado dinheiro público, cerca de dois milhões de euros. A própria Maria João Pires deve ter reparado no exagero da expressão "tortura" - que supostamente o país lhe andava a infligir - e moderou para a ideia de ir "descansar" de Portugal para o Brasil, sem largar a orientação pedagógica e artística de Belgais. Entre nós, por causa da "cultura" salazarenta que vigora em muito boa alma de "esquerda" iluminada e pretensiosa, confunde-se amiúde o respeito pelo temor reverencial. Depois, se se juntar a isso um crónico provincianismo que tanto se baba de gozo por poder exibir um Figo lá fora, como uma pianista genial, sem fazer grandes distinções, e temos o fermento para o "caldo" de uma das raças mais estúpidas da Europa. Ou julgam os seus "defensores" que a Pires os tem em grande conta? Por amor de Deus.
Adenda: Ler, sobre isto, o Eduardo Pitta, presumo que mais "insuspeito" do que eu.
Adenda: Ler, sobre isto, o Eduardo Pitta, presumo que mais "insuspeito" do que eu.
SENTIDO DO RIDÍCULO
Se houver "força internacional", designadamente patrocinada pela UE, o governo gostava que as nossas gloriosas forças armadas participassem. Sobre isto, Cavaco Silva - cuja palavra é decisiva - ainda não disse nada. Todavia há militares que já disseram qualquer coisa ao abrigo do anonimato. O "grau de prontidão" do nosso material "bélico" anda perto da idade da pedra lascada. Não garante, por isso, um módico de protecção aos putativos heróis nacionais no Médio Oriente. Em suma, é a mesma pinderiquice de sempre que, no caso vertente, só serve para atrapalhar a eventual "força de interposição". Mesmo assim, parece que há quem pretenda colocar Portugal "como um "produtor de segurança e estabilidade" na cena internacional" (sic). Que mal pergunte, mas não haverá por aí ninguém com o mínimo sentido do ridículo?
SENTIDO DO RIDÍCULO
Se houver "força internacional", designadamente patrocinada pela UE, o governo gostava que as nossas gloriosas forças armadas participassem. Sobre isto, Cavaco Silva - cuja palavra é decisiva - ainda não disse nada. Todavia há militares que já disseram qualquer coisa ao abrigo do anonimato. O "grau de prontidão" do nosso material "bélico" anda perto da idade da pedra lascada. Não garante, por isso, um módico de protecção aos putativos heróis nacionais no Médio Oriente. Em suma, é a mesma pinderiquice de sempre que, no caso vertente, só serve para atrapalhar a eventual "força de interposição". Mesmo assim, parece que há quem pretenda colocar Portugal "como um "produtor de segurança e estabilidade" na cena internacional" (sic). Que mal pergunte, mas não haverá por aí ninguém com o mínimo sentido do ridículo?
28.7.06
TORTURADA
Na verdade, Maria João Pires- que aprecia fazer-se passar por modesta e simplória - tem um talento e uma vaidade equivalentes à irritação que, por vezes, provoca. Ainda me lembro, numa das fases mais assanhadas das gentes da "cultura nacional" contra Santana Lopes na SEC, de a pianista ter ido ao Coliseu ler um "manifesto" contra o dito que lhe valeu os ombros de tudo o que é culturo-dependente neste pobre país. Pires socorre-se do seu génio musical para coisas que nada têm a ver com arte e que têm muito a ver com a gestão da vida dela. Gosta de ser bajulada e tem-no sido. Normalmente é o Estado que vai a Belgais e não contrário. Está, por isso, mal habituada. Acha-se subtil e indispensável a uma pátria que, aparentemente, não só não a compreende, como a "tortura". Aprendeu, pelos vistos, com o "exilado" sr. Saramago. Péssima companhia.
TORTURADA
Na verdade, Maria João Pires- que aprecia fazer-se passar por modesta e simplória - tem um talento e uma vaidade equivalentes à irritação que, por vezes, provoca. Ainda me lembro, numa das fases mais assanhadas das gentes da "cultura nacional" contra Santana Lopes na SEC, de a pianista ter ido ao Coliseu ler um "manifesto" contra o dito que lhe valeu os ombros de tudo o que é culturo-dependente neste pobre país. Pires socorre-se do seu génio musical para coisas que nada têm a ver com arte e que têm muito a ver com a gestão da vida dela. Gosta de ser bajulada e tem-no sido. Normalmente é o Estado que vai a Belgais e não contrário. Está, por isso, mal habituada. Acha-se subtil e indispensável a uma pátria que, aparentemente, não só não a compreende, como a "tortura". Aprendeu, pelos vistos, com o "exilado" sr. Saramago. Péssima companhia.
VALE TUDO
A inspirada dupla Bush/Blair, descredibilizada pela magnífica "democratização" do Iraque, vem agora "apoiar" uma "força internacional" para o Médio Oriente que trate de acompanhar um "cessar-fogo". Duvido que alguma das partes esteja interessada em forças internacionais e, muito menos, num cessar-fogo. Israel precisa de se defender, atacando, e o Hezbollah precisa de atacar para se defender e justificar a sua supremacia política sobre os restantes grupos radicais da zona. Fragilizados e envergonhados - nunca mais se ouviu falar de Miss Rice depois de Roma - os EUA e a Inglaterra já estão por tudo, até pela ONU, na qual, com alguma razão, não confiam. É pena que tenhamos chegado a este ponto, praticamente "desarmados" perante o "outro", graças, sobretudo, à estupidez "ocidental" - que, entre outras coisas, vê em Israel uma espécie de baluarte contra o islão quando, na verdade, àquele apenas lhe interessa salvar a pele - e à impertinência assassina do Hamas e do Hezbollah. Ambos - Israel e o Hezbollah, para já - querem naturalmente acabar um com o outro. Por enquanto, apenas estão a conseguir dar cabo de uma nação, o Líbano. E sobre o Líbano, nem os pró-semitas, nem os pró-terroristas, conseguem proferir uma palavra. Para ambos, o que interessa é atacar e defender, e defender e atacar. Vale tudo. Nem que não sobre um cedro no Líbano.
VALE TUDO
A inspirada dupla Bush/Blair, descredibilizada pela magnífica "democratização" do Iraque, vem agora "apoiar" uma "força internacional" para o Médio Oriente que trate de acompanhar um "cessar-fogo". Duvido que alguma das partes esteja interessada em forças internacionais e, muito menos, num cessar-fogo. Israel precisa de se defender, atacando, e o Hezbollah precisa de atacar para se defender e justificar a sua supremacia política sobre os restantes grupos radicais da zona. Fragilizados e envergonhados - nunca mais se ouviu falar de Miss Rice depois de Roma - os EUA e a Inglaterra já estão por tudo, até pela ONU, na qual, com alguma razão, não confiam. É pena que tenhamos chegado a este ponto, praticamente "desarmados" perante o "outro", graças, sobretudo, à estupidez "ocidental" - que, entre outras coisas, vê em Israel uma espécie de baluarte contra o islão quando, na verdade, àquele apenas lhe interessa salvar a pele - e à impertinência assassina do Hamas e do Hezbollah. Ambos - Israel e o Hezbollah, para já - querem naturalmente acabar um com o outro. Por enquanto, apenas estão a conseguir dar cabo de uma nação, o Líbano. E sobre o Líbano, nem os pró-semitas, nem os pró-terroristas, conseguem proferir uma palavra. Para ambos, o que interessa é atacar e defender, e defender e atacar. Vale tudo. Nem que não sobre um cedro no Líbano.
A MORTE
Assisti hoje a um funeral. Depois do velório, o féretro encaminhou-se para o Alto de São João, em Lisboa, onde teve lugar a cremação. Tudo feito com o "profissionalismo" de uma multinacional da especialidade, muito em voga, que trata as "agências" por "lojas" e usa cores vivas. A viúva, minha amiga, e eu, chegámos a tomar um chá numa área destinada ao efeito na qual as capelas mortuárias não têm aquele ar agreste e de abandono habituais, mobiladas com peças de segunda mão. Fazem justiça a uma frase que retive das memórias de Gabriel Garcia Marquez, relativa à publicidade a uma agência funerária às portas da sua aldeia natal: "não tenha pressa, nós esperamos por si". Depois do funeral, dirige-me à secretaria do cemitério - com senhas de presença e "multibanco" - para pedir o número da gaveta do columbário onde se encontram as cinzas do meu pai. Ao meu lado, a agente que tinha tratado do funeral que eu acompanhara, tratava da burocracia relativa à "pós-cremação". Ao telemóvel, perguntava a uma colega se podia "levar este" ("este" era o "meu" defunto) mais tarde, uma vez que a dita colega tinha de se deslocar ao cemitério para acompanhar outra cremação. Se alguma dúvida persistisse acerca do que valemos, as visitas intermitentes a cemitérios servem, pelo menos, para acabar com as dúvidas. Somos pó e ao pó voltamos. Todavia, até o pó já constitui um excelente negócio. Não se morre mais como se morria.
A MORTE
Assisti hoje a um funeral. Depois do velório, o féretro encaminhou-se para o Alto de São João, em Lisboa, onde teve lugar a cremação. Tudo feito com o "profissionalismo" de uma multinacional da especialidade, muito em voga, que trata as "agências" por "lojas" e usa cores vivas. A viúva, minha amiga, e eu, chegámos a tomar um chá numa área destinada ao efeito na qual as capelas mortuárias não têm aquele ar agreste e de abandono habituais, mobiladas com peças de segunda mão. Fazem justiça a uma frase que retive das memórias de Gabriel Garcia Marquez, relativa à publicidade a uma agência funerária às portas da sua aldeia natal: "não tenha pressa, nós esperamos por si". Depois do funeral, dirige-me à secretaria do cemitério - com senhas de presença e "multibanco" - para pedir o número da gaveta do columbário onde se encontram as cinzas do meu pai. Ao meu lado, a agente que tinha tratado do funeral que eu acompanhara, tratava da burocracia relativa à "pós-cremação". Ao telemóvel, perguntava a uma colega se podia "levar este" ("este" era o "meu" defunto) mais tarde, uma vez que a dita colega tinha de se deslocar ao cemitério para acompanhar outra cremação. Se alguma dúvida persistisse acerca do que valemos, as visitas intermitentes a cemitérios servem, pelo menos, para acabar com as dúvidas. Somos pó e ao pó voltamos. Todavia, até o pó já constitui um excelente negócio. Não se morre mais como se morria.
LENDO OUTROS
"De há uns dias para cá tenho pensado muito no Rany. Desde que começou a ofensiva militar no Líbano. Os pais dele (que não conheço mas que, segundo me disse o Rany, rezam por mim com frequência) vivem em Beirute. Assim como toda a família de Rany. Tentei ligar-lhe vezes sucessivas sem sucesso. Até hoje. Falei com ele e percebi que a guerra não é lá longe. Com uma profundíssima tristeza na voz contou que à volta da casa dos pais só existe morte e destruição. As notícias que lhe chegam (ele vive em Amsterdão) são escassas e o meu amigo treme sempre que o telefone toca por achar que vai receber a notícia que teme receber. Os pais do Rany estão em perigo. Assim como toda a família dele. Não há muito a fazer, diz ele. Quando lhe perguntei como estava a família, a resposta foi lacónica: "They are just trying to survive".
In, Da Inquietude
In, Da Inquietude
LENDO OUTROS
"De há uns dias para cá tenho pensado muito no Rany. Desde que começou a ofensiva militar no Líbano. Os pais dele (que não conheço mas que, segundo me disse o Rany, rezam por mim com frequência) vivem em Beirute. Assim como toda a família de Rany. Tentei ligar-lhe vezes sucessivas sem sucesso. Até hoje. Falei com ele e percebi que a guerra não é lá longe. Com uma profundíssima tristeza na voz contou que à volta da casa dos pais só existe morte e destruição. As notícias que lhe chegam (ele vive em Amsterdão) são escassas e o meu amigo treme sempre que o telefone toca por achar que vai receber a notícia que teme receber. Os pais do Rany estão em perigo. Assim como toda a família dele. Não há muito a fazer, diz ele. Quando lhe perguntei como estava a família, a resposta foi lacónica: "They are just trying to survive".
In, Da Inquietude
In, Da Inquietude
27.7.06
"OS AMIGOS DE PENICHE"
Li no Público que uns grupelhos "pacifistas" - os mesmos que, antes do Muro ruir, entendiam que só a NATO é que tinha mísseis maus - promoveram duas patéticas manifestações, uma em Lisboa e outra no Porto, contra Israel. Não é nada recomendável andar de braço dado com estes dinossauros os quais, aliás, devem perturbar imenso as manobras sionistas em curso no Líbano. Agora só falta uma manifestaçãozinha a favor do "outro lado". Os lusos "amigos de Peniche" de Israel, aparentemente em tão nutrido número, de que é que estão à espera para exibirem o seu penchant prudentemente distante?
"OS AMIGOS DE PENICHE"
Li no Público que uns grupelhos "pacifistas" - os mesmos que, antes do Muro ruir, entendiam que só a NATO é que tinha mísseis maus - promoveram duas patéticas manifestações, uma em Lisboa e outra no Porto, contra Israel. Não é nada recomendável andar de braço dado com estes dinossauros os quais, aliás, devem perturbar imenso as manobras sionistas em curso no Líbano. Agora só falta uma manifestaçãozinha a favor do "outro lado". Os lusos "amigos de Peniche" de Israel, aparentemente em tão nutrido número, de que é que estão à espera para exibirem o seu penchant prudentemente distante?
IDEM
"Que alguns idiotas que por aí andam desenterrem a treta do anti-semitismo cada vez que se fala do Médio Oriente é problema deles. Ou melhor, uma maneira, como qualquer outra, de desconversar. O que, a mim, só me dá para dar o troco em desconversa - num debate franco, aberto, como acho que devem ser todas as conversas públicas, sinto-me à vontade para ironizar sobre a pronúncia do Cavaco, as barbas do Papa e, porque não?, o anti-semitismo."
João Morgado Fernandes, in French Kissin'
"A razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos. Lá para trás, foi a prolongada ocupação israelita do Líbano que criou o Hezbollah; agora, com o novo ataque destrutivo ao Líbano, Israel está a entregar ao Hezzbollah o protagonismo de todos os agravos árabes contra o Estado judaico, incluindo na questão palestina."
Vital Moreira, in Causa Nossa
João Morgado Fernandes, in French Kissin'
"A razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos. Lá para trás, foi a prolongada ocupação israelita do Líbano que criou o Hezbollah; agora, com o novo ataque destrutivo ao Líbano, Israel está a entregar ao Hezzbollah o protagonismo de todos os agravos árabes contra o Estado judaico, incluindo na questão palestina."
Vital Moreira, in Causa Nossa
IDEM
"Que alguns idiotas que por aí andam desenterrem a treta do anti-semitismo cada vez que se fala do Médio Oriente é problema deles. Ou melhor, uma maneira, como qualquer outra, de desconversar. O que, a mim, só me dá para dar o troco em desconversa - num debate franco, aberto, como acho que devem ser todas as conversas públicas, sinto-me à vontade para ironizar sobre a pronúncia do Cavaco, as barbas do Papa e, porque não?, o anti-semitismo."
João Morgado Fernandes, in French Kissin'
"A razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos. Lá para trás, foi a prolongada ocupação israelita do Líbano que criou o Hezbollah; agora, com o novo ataque destrutivo ao Líbano, Israel está a entregar ao Hezzbollah o protagonismo de todos os agravos árabes contra o Estado judaico, incluindo na questão palestina."
Vital Moreira, in Causa Nossa
João Morgado Fernandes, in French Kissin'
"A razão por que Israel não convence muita gente só tem a ver com o Hezbollah na medida em que a sua resposta à provocação deste, com o massacre indiscriminado de infra-estruturas e de civis inocentes no Líbano, só veio aumentar as razões de queixa e de ódio antijudaico entre as massas árabes, inclusive no Líbano, sentimentos que ampliam os apoios do Hezbollah e dos movimentos radicais islâmicos. Lá para trás, foi a prolongada ocupação israelita do Líbano que criou o Hezbollah; agora, com o novo ataque destrutivo ao Líbano, Israel está a entregar ao Hezzbollah o protagonismo de todos os agravos árabes contra o Estado judaico, incluindo na questão palestina."
Vital Moreira, in Causa Nossa
"A OPINIÃO PÚBLICA INTERNACIONAL"

Há pouco, na SIC Notícias, um tal Martim Cabral, "especialista", asseverava- vindo directamente de Israel - que a coisa está "para lavar e durar". Que há árabes que enviam "mensagens" ao governo israelita a incitar à luta contra o Hezbollah. Que, apesar da ampla preparação militar dos israelitas - os civis são todos putativos militares -, não contavam com uma guerrilha tão severa por parte dos outros. Que enquanto Israel estiver a zurzir impiedosamente o Herzbollah, mesmo destruindo com método, zelo e persistência um país inteiro, a "opinião pública internacional" estará ao seu lado. Este jargão da "opinião pública internacional", bem como o da "comunidade internacional", intriga-me. Quem é esta misteriosa entidade a quem o sr. Cabral se refere? Como o exemplo mais próximo que temos de "democratização" a expensas da "opinião pública internacional" - o Iraque - custa cerca de cem mortos por dia, é de desconfiar do que pensa a referida "opinião" em relação ao conflito em curso. Para já, nem Israel, nem o Hezbollah, nem a Al- Qaeda - entretanto ressuscitada -, nem a Síria, nem o Irão, parecem muito preocupados com a "opinião pública internacional" e, muito menos, com a nação libanesa. O "humanitarismo" de que se fala em relação aos refugiados - outra "preocupação" da tal "opinião pública internacional - é nojentamente hipócrita. Até parece "natural" - estilo "danos colaterais" leves - que mais de setecentas mil pessoas sejam forçadas a abandonar o que é seu como se fosse uma trivialidade. O bonzinho Guterres, aliás, já veio falar no arroz e nas tendinhas, como lhe competia. E o governo português quer, se for o caso, mandar uns quantos valentões para o sul do Líbano, mais uma vez em nome da mística "opinião pública internacional". Isto tudo é bem mais sério do que parece. No fundo, a "opinião pública internacional" está metida numa enorme trapalhada e, agora, não sabe como sair dela.
"A OPINIÃO PÚBLICA INTERNACIONAL"

Há pouco, na SIC Notícias, um tal Martim Cabral, "especialista", asseverava- vindo directamente de Israel - que a coisa está "para lavar e durar". Que há árabes que enviam "mensagens" ao governo israelita a incitar à luta contra o Hezbollah. Que, apesar da ampla preparação militar dos israelitas - os civis são todos putativos militares -, não contavam com uma guerrilha tão severa por parte dos outros. Que enquanto Israel estiver a zurzir impiedosamente o Herzbollah, mesmo destruindo com método, zelo e persistência um país inteiro, a "opinião pública internacional" estará ao seu lado. Este jargão da "opinião pública internacional", bem como o da "comunidade internacional", intriga-me. Quem é esta misteriosa entidade a quem o sr. Cabral se refere? Como o exemplo mais próximo que temos de "democratização" a expensas da "opinião pública internacional" - o Iraque - custa cerca de cem mortos por dia, é de desconfiar do que pensa a referida "opinião" em relação ao conflito em curso. Para já, nem Israel, nem o Hezbollah, nem a Al- Qaeda - entretanto ressuscitada -, nem a Síria, nem o Irão, parecem muito preocupados com a "opinião pública internacional" e, muito menos, com a nação libanesa. O "humanitarismo" de que se fala em relação aos refugiados - outra "preocupação" da tal "opinião pública internacional - é nojentamente hipócrita. Até parece "natural" - estilo "danos colaterais" leves - que mais de setecentas mil pessoas sejam forçadas a abandonar o que é seu como se fosse uma trivialidade. O bonzinho Guterres, aliás, já veio falar no arroz e nas tendinhas, como lhe competia. E o governo português quer, se for o caso, mandar uns quantos valentões para o sul do Líbano, mais uma vez em nome da mística "opinião pública internacional". Isto tudo é bem mais sério do que parece. No fundo, a "opinião pública internacional" está metida numa enorme trapalhada e, agora, não sabe como sair dela.
A.O.S.
Não percebo nada de numerologia. Certo é que os dias 27 e 28 estiveram sempre ligados à biografia de António de Oliveira Salazar. Nasceu num dia 28, deveu a sua ascensão política ao "28 de Maio", tomou posse como o mais famoso ministro das Finanças do século passado num 27 de Abril, chegou, para aquelas que seriam as últimas férias no Estoril, no dia 27 de Julho de 1968, foi substituído nas funções de presidente do Conselho em 27 de Setembro do mesmo ano e faleceu no dia 27 de Julho de 1970, precisamente há trinta e seis anos. No último ano de lucidez, Salazar recebeu por diversas vezes o seu ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira, e seu biógrafo. "Todos os dias, quase a todas as horas, vejo o fim da minha vida", confessou-lhe em Abril. E, já depois da queda fatal no Estoril, ainda lhe disse: "no dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó". Quando morreu, tinha, na única conta que possuia e onde lhe era depositado o ordenado, 50 contos. Premonitório, sussurrou a Nogueira, dois anos antes da queda, que "chegara ao fim". "Os que vierem depois de mim, vão fazer diferente ou o contrário e contra mim". Era verdade e era necessário que assim fosse. Não o foi completamente porque Caetano estava cercado pelo regime. Mesmo assim, algum "reformismo" de que hoje ainda se sentem os contornos, foram introduzidos nos primeiros anos da década de setenta. "Respirava-se" um pouco melhor. Em quatro anos, uma das corporações apascentadas pela ditadura, a tropa, acabou com ela. O que se seguiu é conhecido. Salazar não deixa ninguém indiferente, pelos piores e pelos melhores motivos. O país que somos em 2006 é, em certo sentido, "salazarento". Aí, o antigo chefe do governo obteve uma vitória póstuma. São ténues os vestígios de uma cultura e de uma qualidade de vida democráticas. Este regime não gerou elites, à excepção de uma ou outra figura que já tinha uma "biografia". É o caso inequívoco de Mário Soares. Na campa rasa do Vimieiro, Salazar quis uma sepultura à altura da sua visão dele próprio e do mundo. As iniciais "A.O.S." encerram simbolicamente uma história que parece nunca acabar.
A.O.S.
Não percebo nada de numerologia. Certo é que os dias 27 e 28 estiveram sempre ligados à biografia de António de Oliveira Salazar. Nasceu num dia 28, deveu a sua ascensão política ao "28 de Maio", tomou posse como o mais famoso ministro das Finanças do século passado num 27 de Abril, chegou, para aquelas que seriam as últimas férias no Estoril, no dia 27 de Julho de 1968, foi substituído nas funções de presidente do Conselho em 27 de Setembro do mesmo ano e faleceu no dia 27 de Julho de 1970, precisamente há trinta e seis anos. No último ano de lucidez, Salazar recebeu por diversas vezes o seu ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira, e seu biógrafo. "Todos os dias, quase a todas as horas, vejo o fim da minha vida", confessou-lhe em Abril. E, já depois da queda fatal no Estoril, ainda lhe disse: "no dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó". Quando morreu, tinha, na única conta que possuia e onde lhe era depositado o ordenado, 50 contos. Premonitório, sussurrou a Nogueira, dois anos antes da queda, que "chegara ao fim". "Os que vierem depois de mim, vão fazer diferente ou o contrário e contra mim". Era verdade e era necessário que assim fosse. Não o foi completamente porque Caetano estava cercado pelo regime. Mesmo assim, algum "reformismo" de que hoje ainda se sentem os contornos, foram introduzidos nos primeiros anos da década de setenta. "Respirava-se" um pouco melhor. Em quatro anos, uma das corporações apascentadas pela ditadura, a tropa, acabou com ela. O que se seguiu é conhecido. Salazar não deixa ninguém indiferente, pelos piores e pelos melhores motivos. O país que somos em 2006 é, em certo sentido, "salazarento". Aí, o antigo chefe do governo obteve uma vitória póstuma. São ténues os vestígios de uma cultura e de uma qualidade de vida democráticas. Este regime não gerou elites, à excepção de uma ou outra figura que já tinha uma "biografia". É o caso inequívoco de Mário Soares. Na campa rasa do Vimieiro, Salazar quis uma sepultura à altura da sua visão dele próprio e do mundo. As iniciais "A.O.S." encerram simbolicamente uma história que parece nunca acabar.
A VOZ DA RAZÃO
Depois da "conferência de Roma" - que os directos intervenientes na violência em curso no Médio Oriente ignoraram olimpicamente - é hoje a vez do Parlamento português "debater" o assunto. Pode ser que, dada a relevância e a reconhecida idoneidade política e intelectual da nossa ilustre deputação, Israel e o Hezbollah parem por uns instantes as confrontações para escutarem a "voz da razão" emitida a partir de Lisboa, São Bento. Se não fosse trágico, era cómico.
A VOZ DA RAZÃO
Depois da "conferência de Roma" - que os directos intervenientes na violência em curso no Médio Oriente ignoraram olimpicamente - é hoje a vez do Parlamento português "debater" o assunto. Pode ser que, dada a relevância e a reconhecida idoneidade política e intelectual da nossa ilustre deputação, Israel e o Hezbollah parem por uns instantes as confrontações para escutarem a "voz da razão" emitida a partir de Lisboa, São Bento. Se não fosse trágico, era cómico.
26.7.06
LENDO AMIGOS
Para poupar nas palavras, remeto para dois posts do Jorge Ferreira: um, sobre a insídia que se abateu abruptamente sobre o José Pacheco Pereira, e o outro sobre a justiça que se abateu sobre o dr. Souto Moura.
LENDO AMIGOS
Para poupar nas palavras, remeto para dois posts do Jorge Ferreira: um, sobre a insídia que se abateu abruptamente sobre o José Pacheco Pereira, e o outro sobre a justiça que se abateu sobre o dr. Souto Moura.
GÉMEOS
Enquanto me deliciava com uma espetada de tamboril, apareceu, numa televisão por cima da minha cabeça, o "patrão" do Hezbollah, cujo nome me escapa. Pareceu-me luzidio, tranquilo e bem dispostinho, por debaixo daqueles óculos bestialmente ocidentalizados e daquela barba hirsuta. Pela legendagem, percebi que o referido senhor pretende ir mais além de Haifa, uma cidade israelita que os seus petardos têm atingido. Do lado contrário, deu-se o caso de os respectivos petardos terem ido de encontro a quatro observadores da ONU, em território libanês, cada vez mais primitivo. Também, ainda a espetada ia a meio, vi um simpático porta-voz do governo de Israel a prometer um inquérito "e tal, e que talvez não tivesse sido bem assim, e tal". Apesar de os israelistas terem melhor aspecto que o senhor do Hezbollah, a digestão do tamboril inflamou as minhas brechas anti-semitas (atenção Eduardo: eu sou daqueles que não têm medo da expressão) que, já de si, são bastante frágeis. À medida que a guerra avança, dá-me ideia que o senhor do Hezbollah e os senhores do lado contrário se aproximam cada vez mais. Epistemologicamente falando, digo eu, quais "gémeos" guerrilheiros e políticos, uma coisa que consta estar na moda. Todavia, perdoe-se-me a pergunta, mas o que é que aqueles "líderes" atarantados (de quê e de quem?) foram fazer a Roma? Para a coisa ter sido perfeita, só faltou mesmo o dr. Barroso e a sua sempre preclara "visão" sobre a "vida internacional". Mandou o eterno valet de chambre Solana que equivale a pouco mais que nada. Isto promete. Pode ser que o Paulo Gorjão - que é "especialista" - me possa esclarecer.
GÉMEOS
Enquanto me deliciava com uma espetada de tamboril, apareceu, numa televisão por cima da minha cabeça, o "patrão" do Hezbollah, cujo nome me escapa. Pareceu-me luzidio, tranquilo e bem dispostinho, por debaixo daqueles óculos bestialmente ocidentalizados e daquela barba hirsuta. Pela legendagem, percebi que o referido senhor pretende ir mais além de Haifa, uma cidade israelita que os seus petardos têm atingido. Do lado contrário, deu-se o caso de os respectivos petardos terem ido de encontro a quatro observadores da ONU, em território libanês, cada vez mais primitivo. Também, ainda a espetada ia a meio, vi um simpático porta-voz do governo de Israel a prometer um inquérito "e tal, e que talvez não tivesse sido bem assim, e tal". Apesar de os israelistas terem melhor aspecto que o senhor do Hezbollah, a digestão do tamboril inflamou as minhas brechas anti-semitas (atenção Eduardo: eu sou daqueles que não têm medo da expressão) que, já de si, são bastante frágeis. À medida que a guerra avança, dá-me ideia que o senhor do Hezbollah e os senhores do lado contrário se aproximam cada vez mais. Epistemologicamente falando, digo eu, quais "gémeos" guerrilheiros e políticos, uma coisa que consta estar na moda. Todavia, perdoe-se-me a pergunta, mas o que é que aqueles "líderes" atarantados (de quê e de quem?) foram fazer a Roma? Para a coisa ter sido perfeita, só faltou mesmo o dr. Barroso e a sua sempre preclara "visão" sobre a "vida internacional". Mandou o eterno valet de chambre Solana que equivale a pouco mais que nada. Isto promete. Pode ser que o Paulo Gorjão - que é "especialista" - me possa esclarecer.
25.7.06
"PAZ DURADOURA"
Na versão presidencial, "Condi" - o nickname de Bush para Condolezza - transmitiu bem o recado. Ao falar constantemente de "paz duradoura", sem se rir, Miss Rice devia fazer-se acompanhar de um "dvd" sobre o Iraque. O Iraque é, nesta hora exacta, o melhor monumento à "paz duradoura" que Bush quer ver instituída no Médio Oriente. Há agora quem pense na UE e em países árabes para tapar o buraco. Rice anda de um lado para o outro, feita barata tonta voluntariosa. Já deve ter percebido que A conversa da "paz" não interessa a nenhum dos interlocutores. Só falta Bush, himself, perceber.
"PAZ DURADOURA"
Na versão presidencial, "Condi" - o nickname de Bush para Condolezza - transmitiu bem o recado. Ao falar constantemente de "paz duradoura", sem se rir, Miss Rice devia fazer-se acompanhar de um "dvd" sobre o Iraque. O Iraque é, nesta hora exacta, o melhor monumento à "paz duradoura" que Bush quer ver instituída no Médio Oriente. Há agora quem pense na UE e em países árabes para tapar o buraco. Rice anda de um lado para o outro, feita barata tonta voluntariosa. Já deve ter percebido que A conversa da "paz" não interessa a nenhum dos interlocutores. Só falta Bush, himself, perceber.
LEBENSRAUM
Andam por aí a circular os habituais "manifestos". Tirando o "manifesto reformador", do António Barreto e do Medeiros Ferreira, de 1979, não me lembro de ter assinado mais algum. Talvez contra a regionalização, concedo. Em geral, sou alérgico por causa da frivolidade do exercício e dos nomes que lá aparecem. Os mais recentes - de que tenho conhecimento - dizem respeito ao Médio Oriente e ao Teatro Rivoli, do Porto. O primeiro abrange "intelectuais" e políticos esquerdinos - mais ou menos os do costume- e um bispo. É um "movimento". Imagino que deve comover imenso os israelistas e demovê-los imediatamente de lutarem pelo seu "Lebensraum". O segundo é mais modesto mas nem por isso menos "significativo". Destina-se a evitar que Rui Rio "venda" o Teatro a privados. É mais tipo "petição". Não falta quase nenhum subsídio-dependente na lista, onde se destacam os grandes sobas Cintra e Silva Melo. Ricardo Pais, na versão de "encenador", também surge. Acontece que ele é o director do Teatro Nacional de São João e não deve estar ali por acaso, apesar de andar mais caladinho do que é seu hábito. É o genéro de rapaz que não costuma dar passos em falso e que gere os seus silêncios tão bem como as suas falas. Por exemplo, quando Lagarto foi corrido do Dona Maria, Pais só se lembrou de dizer qualquer coisinha uns tempos depois. O que nós não fazemos pelo nosso "espaço vital", não é verdade?
LEBENSRAUM
Andam por aí a circular os habituais "manifestos". Tirando o "manifesto reformador", do António Barreto e do Medeiros Ferreira, de 1979, não me lembro de ter assinado mais algum. Talvez contra a regionalização, concedo. Em geral, sou alérgico por causa da frivolidade do exercício e dos nomes que lá aparecem. Os mais recentes - de que tenho conhecimento - dizem respeito ao Médio Oriente e ao Teatro Rivoli, do Porto. O primeiro abrange "intelectuais" e políticos esquerdinos - mais ou menos os do costume- e um bispo. É um "movimento". Imagino que deve comover imenso os israelistas e demovê-los imediatamente de lutarem pelo seu "Lebensraum". O segundo é mais modesto mas nem por isso menos "significativo". Destina-se a evitar que Rui Rio "venda" o Teatro a privados. É mais tipo "petição". Não falta quase nenhum subsídio-dependente na lista, onde se destacam os grandes sobas Cintra e Silva Melo. Ricardo Pais, na versão de "encenador", também surge. Acontece que ele é o director do Teatro Nacional de São João e não deve estar ali por acaso, apesar de andar mais caladinho do que é seu hábito. É o genéro de rapaz que não costuma dar passos em falso e que gere os seus silêncios tão bem como as suas falas. Por exemplo, quando Lagarto foi corrido do Dona Maria, Pais só se lembrou de dizer qualquer coisinha uns tempos depois. O que nós não fazemos pelo nosso "espaço vital", não é verdade?
LENDO OUTROS
De Fernanda Câncio, "a maldita gi." O Ministério Público, às vezes, tem razões que a razão desconhece. Nem mesmo a puramente jurídica.
LENDO OUTROS
De Fernanda Câncio, "a maldita gi." O Ministério Público, às vezes, tem razões que a razão desconhece. Nem mesmo a puramente jurídica.
SETE
O professor Marcelo - de quem tenho saudades de encontrar no Guincho - continua imparável na sua versão mais conhecida, a pantomineira. Este domingo deu nota sete à dra. Maria de Lurdes Rodrigues que, desde a semana passada, anda a ser frita em lume brando, logo a partir do Rato. Já anteriormente tinha dado pesada negativa a Jaime Silva, o homem que, na Agricultura, faz o favor de ir pacientemente explicando ao nosso marialvismo agrícola que já não vivemos nos tempos de Júlio Dinis ou de Sara Beirão. Não é por acaso. Maria de Lurdes e Jaime Silva são dois bons membros do governo que, felizmente, não são perfeitinhos. No caso da primeira, a circunstância de ter como secretário de Estado o dr. Lemos, não a ajuda em nada. Se calhar é para isso mesmo que ele lá está. Marcelo passou um atestado de incompetência política à ministra da Educação que, para utilizar um termo em voga, é manifestamente desproporcionado. Devolvo-lhe, por isso, o sete.
SETE
O professor Marcelo - de quem tenho saudades de encontrar no Guincho - continua imparável na sua versão mais conhecida, a pantomineira. Este domingo deu nota sete à dra. Maria de Lurdes Rodrigues que, desde a semana passada, anda a ser frita em lume brando, logo a partir do Rato. Já anteriormente tinha dado pesada negativa a Jaime Silva, o homem que, na Agricultura, faz o favor de ir pacientemente explicando ao nosso marialvismo agrícola que já não vivemos nos tempos de Júlio Dinis ou de Sara Beirão. Não é por acaso. Maria de Lurdes e Jaime Silva são dois bons membros do governo que, felizmente, não são perfeitinhos. No caso da primeira, a circunstância de ter como secretário de Estado o dr. Lemos, não a ajuda em nada. Se calhar é para isso mesmo que ele lá está. Marcelo passou um atestado de incompetência política à ministra da Educação que, para utilizar um termo em voga, é manifestamente desproporcionado. Devolvo-lhe, por isso, o sete.
A FÁBULA
O verão "lava mais branco", como o "Omo". Para a política nacional, isso é bom. Está desaparecida entre a crise do Médio Oriente e um encontro de 45 minutos, no aeroporto da Portela, com Hugo Chavez, essa pérola castrista que tem petróleo para vender. O secretário de Estado da Administração Pública, pelo contrário, parece que continua, sem desfalecimentos, a "reformar" a dita administração pública. Em resposta ao PSD, o seu gabinete afirmou "não ter certezas" de que tenha existido um aumento "tout court" de funcionários públicos, como relatou uma direcção-geral na tutela do mesmo ministério a que pertence João Figueiredo. Que eu não tenha "certezas tout court" é uma coisa. Que um membro do governo assuma, preto no branco, que as não tem, é mais sério. Estimativas, previsões, cenários, diagnósticos, tudo isso é maravilhso, sobretudo se for exibido com bons métodos publicitários. Sucede que existe, fora deste brando contexto, uma realidade. De resto, é só escolher entre ela e a fábula. Eu posso escolher a fábula. O governo não.
A FÁBULA
O verão "lava mais branco", como o "Omo". Para a política nacional, isso é bom. Está desaparecida entre a crise do Médio Oriente e um encontro de 45 minutos, no aeroporto da Portela, com Hugo Chavez, essa pérola castrista que tem petróleo para vender. O secretário de Estado da Administração Pública, pelo contrário, parece que continua, sem desfalecimentos, a "reformar" a dita administração pública. Em resposta ao PSD, o seu gabinete afirmou "não ter certezas" de que tenha existido um aumento "tout court" de funcionários públicos, como relatou uma direcção-geral na tutela do mesmo ministério a que pertence João Figueiredo. Que eu não tenha "certezas tout court" é uma coisa. Que um membro do governo assuma, preto no branco, que as não tem, é mais sério. Estimativas, previsões, cenários, diagnósticos, tudo isso é maravilhso, sobretudo se for exibido com bons métodos publicitários. Sucede que existe, fora deste brando contexto, uma realidade. De resto, é só escolher entre ela e a fábula. Eu posso escolher a fábula. O governo não.
24.7.06
PROPORÇÕES
Não me apetecia muito voltar à vaca fria. Acontece que o tema da "desproporcionalidade" merece duas ou três observações. Refiro-me, naturalmente, a Israel. Todos nós, no mundo, temos aparentemente uma "questão mal resolvida" com os judeus. E nós, portugueses, em particular. Agora somos muito "solidários" e piedosos com eles - à distância, naturalmente - mas, em devido tempo, com a desculpa religiosa, arrasámos literalmente a dita comunidade, queimando-a e expulsando-a sem hesitação ou melancolia. Quer na cultura, quer na "economia", este "progrom" foi devastador para o "desenvolvimento" e para a "qualificação" da pátria pelo que, para todo o sempre, pagaremos caro esse atrevimento. Por isso, e pela natureza das coisas e dos homens, tudo o que diz respeito aos judeus será sempre despropositado e desmesurado. Trata-se de um povo e de um Estado - Israel - que, por se sentirem permanentemente acossados e perseguidos, estão prontos, a todo o instante, para fazerem emergir o pior de si próprios. A insolência com que, sem olhar a meios, estão a arrasar o Líbano - e o Líbano não é o Hezbollah -, "condescendendo" em corredores humanitários, essa hipocrisia da "comunidade internacional" para lavar tranquilamente as suas mãozinhas, não parece impressionar as boas almas sempre dispostas a dobrar a espinha para o habitual pedido de perdão. Destruir o terrorismo e os seus sequazes não pode ser um pretexto cego para matar indiscriminadamente pessoas que não têm nada a ver com isso e para fazer uma nação regressar a um patamar pouco mais do que primitivo. Com esta atitude, Israel está pôr a tal "comunidade internacional", que tanto o apaparica, a jeito para um novo "9/11", numa altura em que a debilidade diplomática dos EUA está no estado em que está por causa desse estrondoso sucesso contra o "demónio" chamado Iraque. Ou seja, vejo por aí muita gente "preocupada" com Israel como se o Líbano fosse um "trivial pursuit" que não conta. Eu, no meu desprezo geral pelo mundo, ainda consigo pensar em israelitas e em libaneses como homens, como individualidades que a minha formação obriga a proteger da crueldade. E quando se trata disso, não se podem aplicar critérios matemáticos. Ter sido ao longo da história vítima da crueldade, não desculpa "mais" crueldade. Nenhuma vida humana é uma proporção.
PROPORÇÕES
Não me apetecia muito voltar à vaca fria. Acontece que o tema da "desproporcionalidade" merece duas ou três observações. Refiro-me, naturalmente, a Israel. Todos nós, no mundo, temos aparentemente uma "questão mal resolvida" com os judeus. E nós, portugueses, em particular. Agora somos muito "solidários" e piedosos com eles - à distância, naturalmente - mas, em devido tempo, com a desculpa religiosa, arrasámos literalmente a dita comunidade, queimando-a e expulsando-a sem hesitação ou melancolia. Quer na cultura, quer na "economia", este "progrom" foi devastador para o "desenvolvimento" e para a "qualificação" da pátria pelo que, para todo o sempre, pagaremos caro esse atrevimento. Por isso, e pela natureza das coisas e dos homens, tudo o que diz respeito aos judeus será sempre despropositado e desmesurado. Trata-se de um povo e de um Estado - Israel - que, por se sentirem permanentemente acossados e perseguidos, estão prontos, a todo o instante, para fazerem emergir o pior de si próprios. A insolência com que, sem olhar a meios, estão a arrasar o Líbano - e o Líbano não é o Hezbollah -, "condescendendo" em corredores humanitários, essa hipocrisia da "comunidade internacional" para lavar tranquilamente as suas mãozinhas, não parece impressionar as boas almas sempre dispostas a dobrar a espinha para o habitual pedido de perdão. Destruir o terrorismo e os seus sequazes não pode ser um pretexto cego para matar indiscriminadamente pessoas que não têm nada a ver com isso e para fazer uma nação regressar a um patamar pouco mais do que primitivo. Com esta atitude, Israel está pôr a tal "comunidade internacional", que tanto o apaparica, a jeito para um novo "9/11", numa altura em que a debilidade diplomática dos EUA está no estado em que está por causa desse estrondoso sucesso contra o "demónio" chamado Iraque. Ou seja, vejo por aí muita gente "preocupada" com Israel como se o Líbano fosse um "trivial pursuit" que não conta. Eu, no meu desprezo geral pelo mundo, ainda consigo pensar em israelitas e em libaneses como homens, como individualidades que a minha formação obriga a proteger da crueldade. E quando se trata disso, não se podem aplicar critérios matemáticos. Ter sido ao longo da história vítima da crueldade, não desculpa "mais" crueldade. Nenhuma vida humana é uma proporção.
STOP
Imaginem se agora os centros de saúde, os hospitais, as repartições de finanças, os governos civis, as câmaras e outros quaisquer serviços públicos desatassem a publicitar quase diariamente as suas actividades e o resultado das mesmas, como se de algo extravagante se tratasse. As chamadas forças de segurança, pelo contrário, cada vez que fazem uma exibição pública da sua "eficácia" - agora em "intervenções conjuntas" - têm direito a televisão e a estatísticas (muito gosta a GNR de estatísticas). É claro que mais não fazem do que cumprir a sua obrigação, a que resulta da lei, sem mais. Esta propaganda securitária, que envolve o congestionamento de auto-estradas para os senhores agentes das várias inspecções vasculharem tudo e mais alguma coisa, faz-me lembrar os telejornais da Guatemala e de El Salvador, quando lá estive há seis anos. Quase tudo diz respeito à actividade policial e criminosa, com destaque para raptos e sequestros. Ainda não chegámos lá. Mas continuamos imparáveis na nossa palonça "américo-latinização".
STOP
Imaginem se agora os centros de saúde, os hospitais, as repartições de finanças, os governos civis, as câmaras e outros quaisquer serviços públicos desatassem a publicitar quase diariamente as suas actividades e o resultado das mesmas, como se de algo extravagante se tratasse. As chamadas forças de segurança, pelo contrário, cada vez que fazem uma exibição pública da sua "eficácia" - agora em "intervenções conjuntas" - têm direito a televisão e a estatísticas (muito gosta a GNR de estatísticas). É claro que mais não fazem do que cumprir a sua obrigação, a que resulta da lei, sem mais. Esta propaganda securitária, que envolve o congestionamento de auto-estradas para os senhores agentes das várias inspecções vasculharem tudo e mais alguma coisa, faz-me lembrar os telejornais da Guatemala e de El Salvador, quando lá estive há seis anos. Quase tudo diz respeito à actividade policial e criminosa, com destaque para raptos e sequestros. Ainda não chegámos lá. Mas continuamos imparáveis na nossa palonça "américo-latinização".
22.7.06
TRAMADOS
Fazer de conta que o Líbano não existe, como população e como nação, apenas porque um bando de terroristas partilha o seu território, é uma monstruosidade sem nome. O "país do cedro" está em vias de ser metodicamente destruído pelos soldados sem rosto de Israel. Quinhentas mil pessoas em debandada, simulacros de lugares para viver por todo o lado e mais de trezentos mortos "civis" não chegam para redimir as criaturas de dois soldados israelitas, o pretexto mais ironista dos últimos tempos? Ao contrário de Pedro Lomba, não nutro nenhuma simpatia especial por Israel, não sendo propriamente de "esquerda" ou "amigo" de bandidagem política. Isto é, respeito o estado e a nação judaicas e o seu direito óbvio à existência, mas não nutro nenhum tipo de temor reverencial ou "ternura" pela "causa". Têm, eles e os palestinianos, o mesmo direito à terra, a uma terra. Neste contexto difuso, o melhor de Mário Soares veio, de novo ao de cima, com uma entrevista dada a um jornal espanhol. Ao fazer o que está a fazer - invadir e destruir uma nação independente e tudo o que apanha pela frente em nome do seu doentio niilismo umbiguista - Israel limita-se a acicatar o que os seus inimigos mais gostam, o puro terror e a pura destruição. Ao arrepio do que Bush, Blair e Israel supunham, a "cosmogonia" terrorista está viva e de boa saúde, desde o Médio Oriente ao Afeganistão, reforçada pela inconsciência destes zelosos "polícias" do nosso maravilhoso mundo ocidental. A Europa, como bem lembra Soares, navega dramaticamente à vista. Para não ser muito complacente com a situação criada na "comunidade internacional" - essa farsa alimentada pelas revistas da especialidade -, estamos, na verdade, todos bem tramados.
TRAMADOS
Fazer de conta que o Líbano não existe, como população e como nação, apenas porque um bando de terroristas partilha o seu território, é uma monstruosidade sem nome. O "país do cedro" está em vias de ser metodicamente destruído pelos soldados sem rosto de Israel. Quinhentas mil pessoas em debandada, simulacros de lugares para viver por todo o lado e mais de trezentos mortos "civis" não chegam para redimir as criaturas de dois soldados israelitas, o pretexto mais ironista dos últimos tempos? Ao contrário de Pedro Lomba, não nutro nenhuma simpatia especial por Israel, não sendo propriamente de "esquerda" ou "amigo" de bandidagem política. Isto é, respeito o estado e a nação judaicas e o seu direito óbvio à existência, mas não nutro nenhum tipo de temor reverencial ou "ternura" pela "causa". Têm, eles e os palestinianos, o mesmo direito à terra, a uma terra. Neste contexto difuso, o melhor de Mário Soares veio, de novo ao de cima, com uma entrevista dada a um jornal espanhol. Ao fazer o que está a fazer - invadir e destruir uma nação independente e tudo o que apanha pela frente em nome do seu doentio niilismo umbiguista - Israel limita-se a acicatar o que os seus inimigos mais gostam, o puro terror e a pura destruição. Ao arrepio do que Bush, Blair e Israel supunham, a "cosmogonia" terrorista está viva e de boa saúde, desde o Médio Oriente ao Afeganistão, reforçada pela inconsciência destes zelosos "polícias" do nosso maravilhoso mundo ocidental. A Europa, como bem lembra Soares, navega dramaticamente à vista. Para não ser muito complacente com a situação criada na "comunidade internacional" - essa farsa alimentada pelas revistas da especialidade -, estamos, na verdade, todos bem tramados.
21.7.06
PERDÃO
Parece que Portugal está interessado em mandar tropas para mais uma trapalhada da ONU no Médio Oriente. Mais vale estar quietinho para não atrapalhar ainda mais. Por outro lado, pode um dia pôr-se a seguinte questão (que os zelosos guardiões do templo "correcto" classificarão, sem hesitar, de "anti-semita") : quando é que chegará a vez de Israel pedir "perdão" à semelhança do que tudo quanto é chefe de Estado, de governo e de religião por esse mundo de Cristo tem feito em relação aos ditos cujos? Ou o "perdão", quando "nasce", é só para alguns?
O PACOTE DEMOCRÁTICO
O governo abriu um precedente interessante de seguir. José Magalhães - quem diria - proferiu um despacho sobre dois processos disciplinares a sindicalistas da PSP, reformando-os compulsivamente. Um teria querido mandar o primeiro-ministro para o Quénia e o outro disse que o então director da polícia nem para escuteiro servia. Também José Miguel Júdice foi "julgado" na Ordem dos Advogados e ficou a falar sozinho quando o respectivo conselho superior abandonou a sala. Pelo caminho ainda teve tempo de dizer que o relator do seu processo não servia sequer para julgar "uma manada". Palavra de honra. Estes jogos florais, do foro jurídico-político, colocam um problema. O ex-ministro Freitas do Amaral chamou-lhe "licenciosidade", outros poderão pensar em "liberdade de expressão" e, outros ainda, referir as liberdades "sindicais". Como se tem abundantemente salientado aqui, vivemos num regime imaturo quanto às liberdades. No verdadeiro sentido da palavra, este é o país menos liberal que conheço. Para além disso, sofre cronicamente de uma gravitas despropositada que não corresponde à qualidade das suas instituições. Os sindicalistas da PSP em causa são pouco mais que broncos. Basta ouvi-los. Não têm, todavia, culpa disso. Emanam de um país, o "de Abril", com que José Magalhães, hoje orgulhoso membro do PS e do governo, foi solidário anos a fio ao lado do PC. Júdice pertence - e até já dirigiu - uma corporação muito ciosa das suas coisinhas e da preservação da preeminência do "direito" na sociedade e na política portuguesas. Por outro lado, é um magnata do mesmo direito, como sócio de uma das maiores sociedades de advogados do país. Como lhe competia, saiu em ombros do "julgamento". O actual Bastonário, coitado, é, afinal, "apenas" o filho de um polícia. Não sei se é por andar a ler os "antigos", mas cada vez mais me sinto "deles" e nada, mesmo nada, "moderno". Além de pirosa, conservadora e mal formada, a nossa sociedade - toda - tem pretensões de ser levada a sério. Ignora, na sua inconsciência, que faz tudo parte do mesmo pacote, o da "democracia". E que, por isso, estão - não me canso de o repetir - muito bem uns para os outros.
PERDÃO
Parece que Portugal está interessado em mandar tropas para mais uma trapalhada da ONU no Médio Oriente. Mais vale estar quietinho para não atrapalhar ainda mais. Por outro lado, pode um dia pôr-se a seguinte questão (que os zelosos guardiões do templo "correcto" classificarão, sem hesitar, de "anti-semita") : quando é que chegará a vez de Israel pedir "perdão" à semelhança do que tudo quanto é chefe de Estado, de governo e de religião por esse mundo de Cristo tem feito em relação aos ditos cujos? Ou o "perdão", quando "nasce", é só para alguns?
O PACOTE DEMOCRÁTICO
O governo abriu um precedente interessante de seguir. José Magalhães - quem diria - proferiu um despacho sobre dois processos disciplinares a sindicalistas da PSP, reformando-os compulsivamente. Um teria querido mandar o primeiro-ministro para o Quénia e o outro disse que o então director da polícia nem para escuteiro servia. Também José Miguel Júdice foi "julgado" na Ordem dos Advogados e ficou a falar sozinho quando o respectivo conselho superior abandonou a sala. Pelo caminho ainda teve tempo de dizer que o relator do seu processo não servia sequer para julgar "uma manada". Palavra de honra. Estes jogos florais, do foro jurídico-político, colocam um problema. O ex-ministro Freitas do Amaral chamou-lhe "licenciosidade", outros poderão pensar em "liberdade de expressão" e, outros ainda, referir as liberdades "sindicais". Como se tem abundantemente salientado aqui, vivemos num regime imaturo quanto às liberdades. No verdadeiro sentido da palavra, este é o país menos liberal que conheço. Para além disso, sofre cronicamente de uma gravitas despropositada que não corresponde à qualidade das suas instituições. Os sindicalistas da PSP em causa são pouco mais que broncos. Basta ouvi-los. Não têm, todavia, culpa disso. Emanam de um país, o "de Abril", com que José Magalhães, hoje orgulhoso membro do PS e do governo, foi solidário anos a fio ao lado do PC. Júdice pertence - e até já dirigiu - uma corporação muito ciosa das suas coisinhas e da preservação da preeminência do "direito" na sociedade e na política portuguesas. Por outro lado, é um magnata do mesmo direito, como sócio de uma das maiores sociedades de advogados do país. Como lhe competia, saiu em ombros do "julgamento". O actual Bastonário, coitado, é, afinal, "apenas" o filho de um polícia. Não sei se é por andar a ler os "antigos", mas cada vez mais me sinto "deles" e nada, mesmo nada, "moderno". Além de pirosa, conservadora e mal formada, a nossa sociedade - toda - tem pretensões de ser levada a sério. Ignora, na sua inconsciência, que faz tudo parte do mesmo pacote, o da "democracia". E que, por isso, estão - não me canso de o repetir - muito bem uns para os outros.
LER
O artigo de Mario Vargas Llosa, editado no Diário de Notícias, sem link, no original aqui: "À sombra dos cedros", sobre o Líbano e outras "identidades".
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O artigo de Mario Vargas Llosa, editado no Diário de Notícias, sem link, no original aqui: "À sombra dos cedros", sobre o Líbano e outras "identidades".
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