31.3.06

UM LIVRO


Acentos, de Fernando Gil (Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 2005). Reúne textos de diversas proveniências e entrevistas, permitindo obter uma visão lata do pensamento de um dos nossos melhores filósofos contemporâneos, recentemente desaparecido.

UM LIVRO


Acentos, de Fernando Gil (Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 2005). Reúne textos de diversas proveniências e entrevistas, permitindo obter uma visão lata do pensamento de um dos nossos melhores filósofos contemporâneos, recentemente desaparecido.

COSTA & COSTA

A acreditar nos textos de alguns jornais, parece que existe uma luta em surdina entre os dois Costas do governo por causa da Judiciária. Acontece que Costa, António, é tão somente o "número dois" do executivo e uma espécie de predador ministerial. Dá ideia, aliás, que o epíteto de ministro de Estado significa poder mandar livremente, e por delegação directa de Sócrates, nos seus colegas. Isso tem como consequência óbvia mais poder político e mais visibilidade, quase um supra-Sócrates. O que é certo é que Costa, António, manda e que Costa, Alberto, não manda nada. Se mandasse, a direcção da PJ, independentemente da bondade das suas razões e das suas "ameaças", já teria sido sumariamente despedida. Nada pior para uma instituição com as prerrogativas da PJ do que manter por muito mais tempo esta instabilidade larvar propiciada pelos constrangimentos financeiros e pelas estratégias "políticas" de cada um dos "intervenientes". Esta disputa doméstica, entre a Justiça e a Administração Interna, não é politicamente saudável. Entre os dois Costas, é bom que Sócrates se decida rapidamente. É que há mais vida para além deles.

COSTA & COSTA

A acreditar nos textos de alguns jornais, parece que existe uma luta em surdina entre os dois Costas do governo por causa da Judiciária. Acontece que Costa, António, é tão somente o "número dois" do executivo e uma espécie de predador ministerial. Dá ideia, aliás, que o epíteto de ministro de Estado significa poder mandar livremente, e por delegação directa de Sócrates, nos seus colegas. Isso tem como consequência óbvia mais poder político e mais visibilidade, quase um supra-Sócrates. O que é certo é que Costa, António, manda e que Costa, Alberto, não manda nada. Se mandasse, a direcção da PJ, independentemente da bondade das suas razões e das suas "ameaças", já teria sido sumariamente despedida. Nada pior para uma instituição com as prerrogativas da PJ do que manter por muito mais tempo esta instabilidade larvar propiciada pelos constrangimentos financeiros e pelas estratégias "políticas" de cada um dos "intervenientes". Esta disputa doméstica, entre a Justiça e a Administração Interna, não é politicamente saudável. Entre os dois Costas, é bom que Sócrates se decida rapidamente. É que há mais vida para além deles.

ATÉ QUANDO?

Leio no Independente que Marco António Costa, cacique "laranja" do Porto, "desistiu" de se candidatar à liderança do PSD. Também Luís Filipe Menezes, uma eminência nortenha do partido, não está disponível para se travar de razões com o líder na escolha a efectuar nas "directas" de Maio. Quando pensamos num partido que já foi chefiado por pessoas como Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto ou Cavaco Silva, custa a engolir, a não ser a título trágico-cómico, que a estas pequenas figuras de proa da nomenclatura mais básica possa ter ocorrido a ideia de ocuparem o cargo de presidente do maior partido da oposição. É um sinal terrível do que espera o PSD Nos próximos anos. A coisa está de tal maneira que, por mera caridade cristã, é forçoso concluir-se que Marques Mendes ainda é o menos mau, ou seja, o melhor do que não presta. Quem é que, dentro do PSD, tem coragem para dizer que o estilo torrencial de boas novas anunciadas constantemente pelo primeiro-ministro - como se não governasse num país de penúria e de sombras -, é duvidoso, mas de sucesso garantido? Eu sei que não é fácil competir com um Sócrates perfeitamente social-democrata e grande especialista em marketing político, e do bom. De vez em quando Marques Mendes tenta regurgitar umas "propostas temáticas" a quem ninguém, muito justamente, liga. Até quando irá Mendes suportar este calvário, até quando?

ATÉ QUANDO?

Leio no Independente que Marco António Costa, cacique "laranja" do Porto, "desistiu" de se candidatar à liderança do PSD. Também Luís Filipe Menezes, uma eminência nortenha do partido, não está disponível para se travar de razões com o líder na escolha a efectuar nas "directas" de Maio. Quando pensamos num partido que já foi chefiado por pessoas como Francisco Sá Carneiro, Mota Pinto ou Cavaco Silva, custa a engolir, a não ser a título trágico-cómico, que a estas pequenas figuras de proa da nomenclatura mais básica possa ter ocorrido a ideia de ocuparem o cargo de presidente do maior partido da oposição. É um sinal terrível do que espera o PSD Nos próximos anos. A coisa está de tal maneira que, por mera caridade cristã, é forçoso concluir-se que Marques Mendes ainda é o menos mau, ou seja, o melhor do que não presta. Quem é que, dentro do PSD, tem coragem para dizer que o estilo torrencial de boas novas anunciadas constantemente pelo primeiro-ministro - como se não governasse num país de penúria e de sombras -, é duvidoso, mas de sucesso garantido? Eu sei que não é fácil competir com um Sócrates perfeitamente social-democrata e grande especialista em marketing político, e do bom. De vez em quando Marques Mendes tenta regurgitar umas "propostas temáticas" a quem ninguém, muito justamente, liga. Até quando irá Mendes suportar este calvário, até quando?

30.3.06

O PRACE


Ao primeiro-ministro sobra tempo para, entre outras coisas, sonhar em voz alta. Em apenas uma semana - pode ser que amanhã ainda ocorra alguma surpresa - tivemos o "Simplex" e, agora, o "PRACE", Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado. Convém lembrar a quem pense que há aqui muita originalidade e imaginação que este "PRACE" era um projecto iniciado sob a vigência da dra. Ferreira Leite e que este governo se limitou a concluir, pelo menos no plano das intenções e dos mapas. Até ao final de Junho, se bem percebi, as "reestruturações" terão que estar feitas. É claro que pago para ver, no duplo sentido do termo. Isto é, espero que se concretizem e, como contribuinte, pago-as efectivamente. Às vezes, mas deve ser defeito meu, fico com a sensação de que há por aí demasiada areia para algumas camionetas. Nalguns casos mais valia explicar direitinho que, mais do que "reestruturar", o que está fundamentalmente em causa é o défice. Parte do "Simplex", o "PRACE" e as regras de avaliação dos funcionários públicos, por exemplo, são instrumentos ao serviço do controlo do défice, mais do que propriamente grandes "reformas" estruturais do Estado "a que isto chegou". Como diria a minha padeira, oxalá tudo corra pelo melhor e saudinha é que é preciso.

O PRACE


Ao primeiro-ministro sobra tempo para, entre outras coisas, sonhar em voz alta. Em apenas uma semana - pode ser que amanhã ainda ocorra alguma surpresa - tivemos o "Simplex" e, agora, o "PRACE", Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado. Convém lembrar a quem pense que há aqui muita originalidade e imaginação que este "PRACE" era um projecto iniciado sob a vigência da dra. Ferreira Leite e que este governo se limitou a concluir, pelo menos no plano das intenções e dos mapas. Até ao final de Junho, se bem percebi, as "reestruturações" terão que estar feitas. É claro que pago para ver, no duplo sentido do termo. Isto é, espero que se concretizem e, como contribuinte, pago-as efectivamente. Às vezes, mas deve ser defeito meu, fico com a sensação de que há por aí demasiada areia para algumas camionetas. Nalguns casos mais valia explicar direitinho que, mais do que "reestruturar", o que está fundamentalmente em causa é o défice. Parte do "Simplex", o "PRACE" e as regras de avaliação dos funcionários públicos, por exemplo, são instrumentos ao serviço do controlo do défice, mais do que propriamente grandes "reformas" estruturais do Estado "a que isto chegou". Como diria a minha padeira, oxalá tudo corra pelo melhor e saudinha é que é preciso.

PARIDADE MISÓGINA

A lei da paridade vai hoje ser discutida. Este governo, de facto, tem-se revelado a materialização do charme político. Não há nada mais sublime que esta atitude vaporosa de magnificência moral no sentido do engano. Por via de uma lei, pretende-se que a mulher seja integrada na vida política, em massa, para que a igualdade dos sexos suba mais um degrau na escala da conquista e, nesse sentido, calculam-se as mulheres e a sua participação em percentagem. Nada mais laudatório de qualquer capacidade intelectual da criatura feminina. Devem ser interpretações da costela do homem, como Oscar Wilde as fez: My dear boy, no woman is a genious. Women are a decorative sex. They never have anything to say, but they say it charmingly.Women represent the triumph of matter over mind, just as men represent the triumph of mind over morals . Misóginas, e pouco dadas à paridade. Posso sugerir? Criaturas pensantes, chega.

PARIDADE MISÓGINA

A lei da paridade vai hoje ser discutida. Este governo, de facto, tem-se revelado a materialização do charme político. Não há nada mais sublime que esta atitude vaporosa de magnificência moral no sentido do engano. Por via de uma lei, pretende-se que a mulher seja integrada na vida política, em massa, para que a igualdade dos sexos suba mais um degrau na escala da conquista e, nesse sentido, calculam-se as mulheres e a sua participação em percentagem. Nada mais laudatório de qualquer capacidade intelectual da criatura feminina. Devem ser interpretações da costela do homem, como Oscar Wilde as fez: My dear boy, no woman is a genious. Women are a decorative sex. They never have anything to say, but they say it charmingly.Women represent the triumph of matter over mind, just as men represent the triumph of mind over morals . Misóginas, e pouco dadas à paridade. Posso sugerir? Criaturas pensantes, chega.

JOGO DA CABRA-CEGA

Eu não tenho nada contra as "reformas". Aliás, iniciei-me nas coisas públicas ao lado do Manifesto Reformador numa altura em que muitos dos actuais arautos da "modernidade" estavam caladinhos. Digo isto porque vejo os "liberais" e os militantes anti-Estado rebolarem-se de gozo cada vez que se anuncia uma machadada no status quo, sem sequer perceberem o alcance da maior parte dos anúncios. As fusões e as alterações que estão a ser preparadas na orgânica governamental, primeiro, e dos serviços tutelados, depois, não pode ser um mero jogo da cabra-cega. A falada "falência técnica" e financeira da Polícia Judiciária, por um lado, e a "disputa" pela sua tutela, por outro, só têm uma conclusão plausível, o seu progressivo enfraquecimento. É inaceitável que, por causa das vaidades políticas e da crónica falta de dinheiro, se ande a brincar perigosamente aos polícias. Depois não se queixem.

JOGO DA CABRA-CEGA

Eu não tenho nada contra as "reformas". Aliás, iniciei-me nas coisas públicas ao lado do Manifesto Reformador numa altura em que muitos dos actuais arautos da "modernidade" estavam caladinhos. Digo isto porque vejo os "liberais" e os militantes anti-Estado rebolarem-se de gozo cada vez que se anuncia uma machadada no status quo, sem sequer perceberem o alcance da maior parte dos anúncios. As fusões e as alterações que estão a ser preparadas na orgânica governamental, primeiro, e dos serviços tutelados, depois, não pode ser um mero jogo da cabra-cega. A falada "falência técnica" e financeira da Polícia Judiciária, por um lado, e a "disputa" pela sua tutela, por outro, só têm uma conclusão plausível, o seu progressivo enfraquecimento. É inaceitável que, por causa das vaidades políticas e da crónica falta de dinheiro, se ande a brincar perigosamente aos polícias. Depois não se queixem.

"VENHAM VIVER PARA A AMADORA"

De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro. "A retirada de serviços públicos e a sua concentração nos grandes meios populacionais tem a lógica de tornar Portugal num país de Cidades-Estado, mas sem Estado nacional digno desse nome , e certamente sem as suas funções."

"VENHAM VIVER PARA A AMADORA"

De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro. "A retirada de serviços públicos e a sua concentração nos grandes meios populacionais tem a lógica de tornar Portugal num país de Cidades-Estado, mas sem Estado nacional digno desse nome , e certamente sem as suas funções."

IMPRESSIONAR

Para sobreviver, qualquer povo precisa de ilusão e de um pouco de magia. De vez em quando há circo para o povo - a Expo, o Euro, o Mundial , por exemplo - e, quando não há nada para mostrar, anunciam-se grandes coisas como a OTA, o TGV ou a banda larga. Dia sim, dia não, o governo publicita "medidas" e "investimentos" para a legislatura. Depois da burocracia, foi a vez da ciência vir a ser bafejada com massa graúda, devidamente propalada pelo primeiro-ministro. Eu aplaudo o cuidado posto nestas matérias em vez do tradicional betão. Todavia interrogo-me por que é que simultaneamente a polícia de investigação criminal, a PJ, não consegue executar nem sequer 40% do seu orçamento, para além de outras questiúnculas de partilha de poderes com outras "autoridades". Tudo chegou aparentemente a um ponto em que a própria direcção nacional da PJ pondera demitir-se. Não devemos ter mais olhos que barriga. Se não conseguimos cuidar de assuntos mais comezinhos, como é que nos aventuramos em reluzentes façanhas financeiras que não param de nos impressionar? É só para isso, para impressionar?

IMPRESSIONAR

Para sobreviver, qualquer povo precisa de ilusão e de um pouco de magia. De vez em quando há circo para o povo - a Expo, o Euro, o Mundial , por exemplo - e, quando não há nada para mostrar, anunciam-se grandes coisas como a OTA, o TGV ou a banda larga. Dia sim, dia não, o governo publicita "medidas" e "investimentos" para a legislatura. Depois da burocracia, foi a vez da ciência vir a ser bafejada com massa graúda, devidamente propalada pelo primeiro-ministro. Eu aplaudo o cuidado posto nestas matérias em vez do tradicional betão. Todavia interrogo-me por que é que simultaneamente a polícia de investigação criminal, a PJ, não consegue executar nem sequer 40% do seu orçamento, para além de outras questiúnculas de partilha de poderes com outras "autoridades". Tudo chegou aparentemente a um ponto em que a própria direcção nacional da PJ pondera demitir-se. Não devemos ter mais olhos que barriga. Se não conseguimos cuidar de assuntos mais comezinhos, como é que nos aventuramos em reluzentes façanhas financeiras que não param de nos impressionar? É só para isso, para impressionar?

29.3.06

LER OS OUTROS

Sobre a queda na venda e na leitura de jornais, José António Barreiros resume o essencial: "Acho que as pessoas não lêem só por uma razão: preferem ver na TV. Ali há uma vantagem, a notícia passa mais depressa e vai-se embora num instante. Além disso, pode-se ir lavando a loiça, gritar com os miúdos ou cortar as unhas dos pés."

LER OS OUTROS

Sobre a queda na venda e na leitura de jornais, José António Barreiros resume o essencial: "Acho que as pessoas não lêem só por uma razão: preferem ver na TV. Ali há uma vantagem, a notícia passa mais depressa e vai-se embora num instante. Além disso, pode-se ir lavando a loiça, gritar com os miúdos ou cortar as unhas dos pés."

O SIMPLEX - 2


Anteontem perguntava-se aqui se os cérebros do "Simplex" estariam mesmo certos do país em que vivem. No suplemento de "economia" do Diário de Notícias vem a resposta. A iliteracia funcional, o envelhecimento e o baixo poder de compra são as principais ameaças ao sucesso do programa. Perto de 900 mil portugueses continuam analfabetos simples e a taxa de analfabetismo funcional atinge cerca 44% da população, o que dá a ideia do à vontade com que estas pessoas lêem e preenchem formulários, quanto mais em versão electrónica. Depois, cerca de 16% da população residente tem mais de 65 anos de idade, poder de compra diminuto e, logicamente, uma indiferença quase bestial à internet e aos computadores, cuja "linguagem" lhe é absolutamente desconhecida. Finalmente, até a percentagem de utilizadores pessoais de computadores com ligação à "net" a partir de casa é apenas da ordem dos 16% - basta atentar nos preços praticados para o acesso à famosa "banda larga" - apesar de 34% possuírem computador, segundo dados do Eurostat para 2004. Vale a pena dizer mais alguma coisa?

O SIMPLEX - 2


Anteontem perguntava-se aqui se os cérebros do "Simplex" estariam mesmo certos do país em que vivem. No suplemento de "economia" do Diário de Notícias vem a resposta. A iliteracia funcional, o envelhecimento e o baixo poder de compra são as principais ameaças ao sucesso do programa. Perto de 900 mil portugueses continuam analfabetos simples e a taxa de analfabetismo funcional atinge cerca 44% da população, o que dá a ideia do à vontade com que estas pessoas lêem e preenchem formulários, quanto mais em versão electrónica. Depois, cerca de 16% da população residente tem mais de 65 anos de idade, poder de compra diminuto e, logicamente, uma indiferença quase bestial à internet e aos computadores, cuja "linguagem" lhe é absolutamente desconhecida. Finalmente, até a percentagem de utilizadores pessoais de computadores com ligação à "net" a partir de casa é apenas da ordem dos 16% - basta atentar nos preços praticados para o acesso à famosa "banda larga" - apesar de 34% possuírem computador, segundo dados do Eurostat para 2004. Vale a pena dizer mais alguma coisa?

ISTO

Paris "arde". Aqui nunca "arde" nada. Somos uns songamongas. Fomos poupados a todas as guerras, a todo o sangue, a todo o suor. Até o 25/4 foi feito com... flores. Existimos pela graça da nossa etérea bovinidade. Não sabemos dizer "não" a nada, nem que seja só pelo prazer de o dizer. A "massa" só se dá a conhecer nos jogos da bola. Antes assim. Nada pior que matilhas tresmalhadas ou carneiros perdidos pela ruas. Um país de salazarentos, mais do que de Salazar propriamente dito, é uma herança civilizacional pesada na qual não se conhece a força do contraditório e do conflito. Somos apenas isto.

ISTO

Paris "arde". Aqui nunca "arde" nada. Somos uns songamongas. Fomos poupados a todas as guerras, a todo o sangue, a todo o suor. Até o 25/4 foi feito com... flores. Existimos pela graça da nossa etérea bovinidade. Não sabemos dizer "não" a nada, nem que seja só pelo prazer de o dizer. A "massa" só se dá a conhecer nos jogos da bola. Antes assim. Nada pior que matilhas tresmalhadas ou carneiros perdidos pela ruas. Um país de salazarentos, mais do que de Salazar propriamente dito, é uma herança civilizacional pesada na qual não se conhece a força do contraditório e do conflito. Somos apenas isto.

28.3.06

D. MARGARIDA

A sra. D. Margarida Rebelo Pinto, que usa o epíteto de "escritora", interpôs uma providência cautelar "com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto", de João Pedro George. Este livro resulta de uma série de posts editados no Esplanar nos quais se analisava, detalhada e criticamente, a "prosa" da senhora recolhida da sua "obra completa". É claro que não falamos de literatura quando falamos de Margarida Rebelo Pinto, mas há muito boa gente equivocada no meio do lixo. A senhora e a sua editora alegam que, depois dos textos de João Pedro George, "as vendas sofreram uma forte quebra" o que constitui manifestamente uma enorme perda para a humanidade, como se calcula. O editor foi mais longe e falou em "ofensas" que não são "próprias de um estado de direito". Vai daí, achou por bem recorrer ao velho esquema da censura por interposta providência cautelar, destinada não só a apreender todos os livros eventualmente já cá fora, como, e sobretudo, a evitar que cheguem a sair. O respeitinho é muito bonito e, para não fugir ao esprit du temps, a sra. D. Margarida também parece estar preocupada com a licenciosidade e com a pouca vergonha. E diz ela que é escritora. Porra.

D. MARGARIDA

A sra. D. Margarida Rebelo Pinto, que usa o epíteto de "escritora", interpôs uma providência cautelar "com a finalidade de impedir a distribuição e venda da obra Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto", de João Pedro George. Este livro resulta de uma série de posts editados no Esplanar nos quais se analisava, detalhada e criticamente, a "prosa" da senhora recolhida da sua "obra completa". É claro que não falamos de literatura quando falamos de Margarida Rebelo Pinto, mas há muito boa gente equivocada no meio do lixo. A senhora e a sua editora alegam que, depois dos textos de João Pedro George, "as vendas sofreram uma forte quebra" o que constitui manifestamente uma enorme perda para a humanidade, como se calcula. O editor foi mais longe e falou em "ofensas" que não são "próprias de um estado de direito". Vai daí, achou por bem recorrer ao velho esquema da censura por interposta providência cautelar, destinada não só a apreender todos os livros eventualmente já cá fora, como, e sobretudo, a evitar que cheguem a sair. O respeitinho é muito bonito e, para não fugir ao esprit du temps, a sra. D. Margarida também parece estar preocupada com a licenciosidade e com a pouca vergonha. E diz ela que é escritora. Porra.

LER OS OUTROS

No Blasfémias, a dissecação do "Simplex" com recurso à história. Por exemplo, já em 1997, nos tempos do bonzinho Guterres, se prometiam caixas de correio electrónico para todos bem como o Diário da República "à borla" online.Também no Bloguítica, "Prova dos Nove" e "Central de Comunicação".

LER OS OUTROS

No Blasfémias, a dissecação do "Simplex" com recurso à história. Por exemplo, já em 1997, nos tempos do bonzinho Guterres, se prometiam caixas de correio electrónico para todos bem como o Diário da República "à borla" online.Também no Bloguítica, "Prova dos Nove" e "Central de Comunicação".

I SMELL SEXY

Uma das almas penadas do "portismo", o dr. Pires de Lima, lembrou-se de dizer que o CDS tinha de ser um partido "sexy", supôe-se que em oposição à sexualidade "branca" imprimida pela linha oficial de Ribeiro e Castro. Acontece que ocorreu a Ribeiro e Castro dar-se a si próprio um arzinho "sexy" e "entalar" a banda resmungona do grupo parlamentar com um congresso extraordinário. E Paulo Portas, o cínico presente-ausente da SIC Notícias, também deu um contributo para a teoria "sexy" do CDS, exibindo não apenas uma retórica adequada ao habitual fatinho às riscas - devidamente secundada por uma subserviente Clara de Sousa -, como umas másculas patilhas à agricultor da CAP que muito devem ter impressionado os seus epígonos. A "direita" está de férias forçadas e isso permite-lhe asneirar à vontade. Cavaco e Sócrates, para já, agradecem.

I SMELL SEXY

Uma das almas penadas do "portismo", o dr. Pires de Lima, lembrou-se de dizer que o CDS tinha de ser um partido "sexy", supôe-se que em oposição à sexualidade "branca" imprimida pela linha oficial de Ribeiro e Castro. Acontece que ocorreu a Ribeiro e Castro dar-se a si próprio um arzinho "sexy" e "entalar" a banda resmungona do grupo parlamentar com um congresso extraordinário. E Paulo Portas, o cínico presente-ausente da SIC Notícias, também deu um contributo para a teoria "sexy" do CDS, exibindo não apenas uma retórica adequada ao habitual fatinho às riscas - devidamente secundada por uma subserviente Clara de Sousa -, como umas másculas patilhas à agricultor da CAP que muito devem ter impressionado os seus epígonos. A "direita" está de férias forçadas e isso permite-lhe asneirar à vontade. Cavaco e Sócrates, para já, agradecem.

27.3.06

LITERACIA

Li algures que foi aberto um concurso para as universidades e os institutos equiparados fornecerem cursos específicos para os dirigentes da administração pública. De acordo com o governo, aos referidos dirigentes faltar-lhes-á esta "formação" suplementar para aí, sim, poderem exercer as respectivas funções com suposta competência. Desde tempos imemoriais - que precedem a ditadura e a democracia - que o Estado abriga invariavelmente "chefes" de diversa proveniência, com carreira, sem carreira, com mérito pessoal e profissional ou sem ele, distintos "amigos" ou ilustres desconhecidos. Não é à falta de possuírem um curso suplementar que essas almas exercem melhor ou pior os seus cargos. Existe um problema prévio de perfil, para recorrer ao lugar-comum. É tão simples quanto isto. E não adianta enfiar-lhes cursinhos pela cabeça adentro. Convém, aliás, assegurarem-se primeiro de que alguns deles efectivamente a têm.

LITERACIA

Li algures que foi aberto um concurso para as universidades e os institutos equiparados fornecerem cursos específicos para os dirigentes da administração pública. De acordo com o governo, aos referidos dirigentes faltar-lhes-á esta "formação" suplementar para aí, sim, poderem exercer as respectivas funções com suposta competência. Desde tempos imemoriais - que precedem a ditadura e a democracia - que o Estado abriga invariavelmente "chefes" de diversa proveniência, com carreira, sem carreira, com mérito pessoal e profissional ou sem ele, distintos "amigos" ou ilustres desconhecidos. Não é à falta de possuírem um curso suplementar que essas almas exercem melhor ou pior os seus cargos. Existe um problema prévio de perfil, para recorrer ao lugar-comum. É tão simples quanto isto. E não adianta enfiar-lhes cursinhos pela cabeça adentro. Convém, aliás, assegurarem-se primeiro de que alguns deles efectivamente a têm.

QUANDO FOR POSSÍVEL

O programa “Simplex” do governo não é, de todo, má ideia. Como já tinha referido, os problemas são vastos no que respeita ao modo como se pretende poupar papel e o ambiente. O novo “dossier” de “regras” terá o garante que lhe compete de acordo com o grau de competência com que for empregue. Não vale a pena criar ilusões aos portugueses. Chegará, e ainda bem, mas a seu tempo. Quando a realidade burocrática dos espíritos deixar.

QUANDO FOR POSSÍVEL

O programa “Simplex” do governo não é, de todo, má ideia. Como já tinha referido, os problemas são vastos no que respeita ao modo como se pretende poupar papel e o ambiente. O novo “dossier” de “regras” terá o garante que lhe compete de acordo com o grau de competência com que for empregue. Não vale a pena criar ilusões aos portugueses. Chegará, e ainda bem, mas a seu tempo. Quando a realidade burocrática dos espíritos deixar.

O SIMPLEX


O primeiro-ministro apresentou o "Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa" que leva um nome parecido com o de um detergente para a loiça, "Simplex 2006". O "programa" é manifestamente louvável e, na sua generosa intenção, prevê um conjunto de medidas que, a ser posto em prática, deixa muito do Estado à porta dos cidadãos. Aliás, Sócrates socorreu-se de uma expressão feliz quando esclareceu que a "grande ambição deste programa" era "pôr fim à era do Estado desconfiado que fiscaliza todos os actos e que acredita existir uma solução burocrática para cada problema". É pena que este zelo verdadeiramente liberal do chefe do governo não seja prosseguido noutras coisas e que, em tantos aspectos das nossas vidas pessoais e profissionais, continuemos a ser tratados como perfeitos idiotas por quem exerce um qualquer módico, mesmo que miserável, de autoridade. Não é por causa destas 333 "medidas" que vamos deixar de olhar para o Estado sem desconfiança. Com a nossa maldita tradição, jamais o Estado poderá ser um "parceiro" confiável e estimável. Existe por detrás de tudo uma "máquina" alimentada por homens e mulheres que não estão dispostos a, do pé para a mão, abdicarem das suas pequeninas prerrogativas e dos seus pequeninos poderes. Nessa matéria, o "Simplex" é, seguramente, demasiado simples e porventura ingénuo. Sobretudo quando vê nos dados electrónicos e na Internet a varinha mágica para combater a burocracia. Será que os cérebros do "Simplex" estão mesmo certos do país em que vivem? Esperemos para ver, como dizia o cego.

O SIMPLEX


O primeiro-ministro apresentou o "Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa" que leva um nome parecido com o de um detergente para a loiça, "Simplex 2006". O "programa" é manifestamente louvável e, na sua generosa intenção, prevê um conjunto de medidas que, a ser posto em prática, deixa muito do Estado à porta dos cidadãos. Aliás, Sócrates socorreu-se de uma expressão feliz quando esclareceu que a "grande ambição deste programa" era "pôr fim à era do Estado desconfiado que fiscaliza todos os actos e que acredita existir uma solução burocrática para cada problema". É pena que este zelo verdadeiramente liberal do chefe do governo não seja prosseguido noutras coisas e que, em tantos aspectos das nossas vidas pessoais e profissionais, continuemos a ser tratados como perfeitos idiotas por quem exerce um qualquer módico, mesmo que miserável, de autoridade. Não é por causa destas 333 "medidas" que vamos deixar de olhar para o Estado sem desconfiança. Com a nossa maldita tradição, jamais o Estado poderá ser um "parceiro" confiável e estimável. Existe por detrás de tudo uma "máquina" alimentada por homens e mulheres que não estão dispostos a, do pé para a mão, abdicarem das suas pequeninas prerrogativas e dos seus pequeninos poderes. Nessa matéria, o "Simplex" é, seguramente, demasiado simples e porventura ingénuo. Sobretudo quando vê nos dados electrónicos e na Internet a varinha mágica para combater a burocracia. Será que os cérebros do "Simplex" estão mesmo certos do país em que vivem? Esperemos para ver, como dizia o cego.

A MECÂNICA DOS FLUIDOS

Este texto do Eduardo Pitta é de uma subtileza atroz. Pressenti a que é que se referia e hoje, lendo outra coisa noutro local, percebi que acertei. Se a "piadola soez" veio de onde eu penso que veio - e o que li hoje aparentemente confirma-o -, equivale a escarro. Todos os pequenos poderes deste mundo não valem que se atire a honorabilidade de ninguém aos cães, como uma vez disse Mitterrand. Muito menos pelos grotescos trejeitos de dois ou três mal educados. "Portugal não muda. É pena."

A MECÂNICA DOS FLUIDOS

Este texto do Eduardo Pitta é de uma subtileza atroz. Pressenti a que é que se referia e hoje, lendo outra coisa noutro local, percebi que acertei. Se a "piadola soez" veio de onde eu penso que veio - e o que li hoje aparentemente confirma-o -, equivale a escarro. Todos os pequenos poderes deste mundo não valem que se atire a honorabilidade de ninguém aos cães, como uma vez disse Mitterrand. Muito menos pelos grotescos trejeitos de dois ou três mal educados. "Portugal não muda. É pena."

OUTRORA vs O QUE VIRÁ

A agenda permite-nos variar e, nesse sentido, recordo a saúde com ligação rápida e instantânea para os negócios nela existentes. Quando se falou em atrasos públicos e colaborações “estratégicas” privadas ouviram-se logo as opiniões fortes da ala “pseudo-liberal-independente” constituída pela população empresária. Como lhes competiu, fizeram o favor de dizer que o argent estatal tinha a melhor utilidade no lado privado da saúde, para que todo o português conseguisse rapidamente operar a hérnia ou abortar sem morrer enquanto atura a morosidade especializada. Portanto, o queixume parou quando se teve oportunidade de deixar a mão encovada. Não tarda, quando o ministro da saúde deixar a sua indecisão sinuosa, e dependendo de como resolver a questão, estes senhores voltarão à baila. Por enquanto repousam na poltrona da sua mini-importância.

OUTRORA vs O QUE VIRÁ

A agenda permite-nos variar e, nesse sentido, recordo a saúde com ligação rápida e instantânea para os negócios nela existentes. Quando se falou em atrasos públicos e colaborações “estratégicas” privadas ouviram-se logo as opiniões fortes da ala “pseudo-liberal-independente” constituída pela população empresária. Como lhes competiu, fizeram o favor de dizer que o argent estatal tinha a melhor utilidade no lado privado da saúde, para que todo o português conseguisse rapidamente operar a hérnia ou abortar sem morrer enquanto atura a morosidade especializada. Portanto, o queixume parou quando se teve oportunidade de deixar a mão encovada. Não tarda, quando o ministro da saúde deixar a sua indecisão sinuosa, e dependendo de como resolver a questão, estes senhores voltarão à baila. Por enquanto repousam na poltrona da sua mini-importância.

LEITURA

"Um estado moderno com propriedades totalitárias..." No Canhoto, de Rui Pena Pires.

LEITURA

"Um estado moderno com propriedades totalitárias..." No Canhoto, de Rui Pena Pires.

26.3.06

A FRANÇA

O João Morgado Fernandes não me vai levar a mal por eu reproduzir aqui na íntegra este seu post. Finalmente alguém se pronuncia contra o desvario anti-francês que tomou conta de tanto "espírito" dito "liberal", neoconservador e modernaço que olha para o mundo com uns binóculos exclusivamente anglo-americanos. Eu estou à vontade porque gosto por igual de ambas as tradições, sendo certo que, tradições, tradições, só mesmo a França as tem já que, mal ou bem, possui uma "história". Chirac, aliás, é irrelevante nela.

"Na recente cimeira europeia, em Bruxelas, um senhor francês que falava em nome dos empresários europeus decidiu dirigir-se aos líderes dos 25 em inglês. Jacques Chirac perguntou-lhe porque, sendo ele francês e sendo o francês uma das línguas oficiais da UE, falava em inglês. Respondeu que o fazia porque o inglês é a língua dos negócios. Chirac saiu da reunião.A atitude de Chirac foi criticada um pouco por todo o lado [João Cândido da Silva, por exemplo, no Público].É curioso como tudo o que a França faz hoje em dia é visto numa perspectiva de cinismo, recorrendo a um pensamento pré-formatado, em que permanentemente se enaltece tudo o que não é europeu. Não teria Chirac razão? Não assistimos no passado a polémicas deste tipo, mas por razões inversas?Pacheco Pereira, na Sábado, escreveu um artigo chamado A França irreformável que é outro bom exemplo do que digo. A França está em declínio porque em todo o mundo se corre mais rapidamente para o liberalismo, indistintamente económico ou político. Mas porque será esse tal liberalismo mais saudável que o tal «modelo social europeu» de que a França será o exemplo? Quem o escreve não explica.Curioso, também, é que, ao mesmo tempo que se critica o imobilismo de França, critica-se igualmente as suas tentativas - patéticas, dizem - de fazer algo para travar o alegado declínio. Quando a França lidera uma quimérica tentativa de lançar uma CNN europeia, não deveríamos ficar todos satisfeitos? Ou será preferível a existência de uma televisão global única? Quando a França luta legalmente contra as estratégias monopolistas do iTunes, não deveríamos estar agradecidos? Não está a França a fazer o que os EUA fizeram antes com a Microsoft? Não ficaremos todos a ganhar se a Apple não prosseguir essas tendências monopolistas?O jargão anti-francês que domina certas correntes do pensamento não será, antes, uma rendição a uma visão simplista da realidade?"

A FRANÇA

O João Morgado Fernandes não me vai levar a mal por eu reproduzir aqui na íntegra este seu post. Finalmente alguém se pronuncia contra o desvario anti-francês que tomou conta de tanto "espírito" dito "liberal", neoconservador e modernaço que olha para o mundo com uns binóculos exclusivamente anglo-americanos. Eu estou à vontade porque gosto por igual de ambas as tradições, sendo certo que, tradições, tradições, só mesmo a França as tem já que, mal ou bem, possui uma "história". Chirac, aliás, é irrelevante nela.

"Na recente cimeira europeia, em Bruxelas, um senhor francês que falava em nome dos empresários europeus decidiu dirigir-se aos líderes dos 25 em inglês. Jacques Chirac perguntou-lhe porque, sendo ele francês e sendo o francês uma das línguas oficiais da UE, falava em inglês. Respondeu que o fazia porque o inglês é a língua dos negócios. Chirac saiu da reunião.A atitude de Chirac foi criticada um pouco por todo o lado [João Cândido da Silva, por exemplo, no Público].É curioso como tudo o que a França faz hoje em dia é visto numa perspectiva de cinismo, recorrendo a um pensamento pré-formatado, em que permanentemente se enaltece tudo o que não é europeu. Não teria Chirac razão? Não assistimos no passado a polémicas deste tipo, mas por razões inversas?Pacheco Pereira, na Sábado, escreveu um artigo chamado A França irreformável que é outro bom exemplo do que digo. A França está em declínio porque em todo o mundo se corre mais rapidamente para o liberalismo, indistintamente económico ou político. Mas porque será esse tal liberalismo mais saudável que o tal «modelo social europeu» de que a França será o exemplo? Quem o escreve não explica.Curioso, também, é que, ao mesmo tempo que se critica o imobilismo de França, critica-se igualmente as suas tentativas - patéticas, dizem - de fazer algo para travar o alegado declínio. Quando a França lidera uma quimérica tentativa de lançar uma CNN europeia, não deveríamos ficar todos satisfeitos? Ou será preferível a existência de uma televisão global única? Quando a França luta legalmente contra as estratégias monopolistas do iTunes, não deveríamos estar agradecidos? Não está a França a fazer o que os EUA fizeram antes com a Microsoft? Não ficaremos todos a ganhar se a Apple não prosseguir essas tendências monopolistas?O jargão anti-francês que domina certas correntes do pensamento não será, antes, uma rendição a uma visão simplista da realidade?"

A "PARIDADE"

Um dos temas mais imbecis que anda no ar é seguramente o da "paridade". O termo, por si só, já é irritante. Lembro-me de Manuel Alegre, na campanha presidencial, com a sua voz tonitruante, invocar a "paridade" contra Cavaco sob o olhar enlevado das mulheres "alegristas", muitas por sinal. Esta é manifestamente uma falsa questão que obriga a dar asas a outra ainda mais ridícula que é a das "quotas". A má consciência política e dos "costumes" produz destas aberrações. A qualidade e a quantidade de mulheres que participam na vida política activa jamais deviam estar dependentes de um critério sexista. Uma mulher - ou um homem - não são melhores "políticas" ou "políticos" por serem mulheres ou homens. Ou são ou não são, independentemente do número e do sexo. A ideia das "quotas" amesquinha as mulheres, embora se comprazam todos e todas nessa falácia. Não é por existirem mais mulheres na vida política activa que a "paridade" vale a pena. Até podia haver mais mulheres do que homens ou mesmo nenhuma, ou vice-versa. A maturidade cívica e política de um agente representativo não se mede nem pelo sexo nem pela "paridade". Não é preciso andar para aí a berrar a diferença e o consequente "direito" à igualdade. Para este peditório, estamos fartinhos de dar.

A "PARIDADE"

Um dos temas mais imbecis que anda no ar é seguramente o da "paridade". O termo, por si só, já é irritante. Lembro-me de Manuel Alegre, na campanha presidencial, com a sua voz tonitruante, invocar a "paridade" contra Cavaco sob o olhar enlevado das mulheres "alegristas", muitas por sinal. Esta é manifestamente uma falsa questão que obriga a dar asas a outra ainda mais ridícula que é a das "quotas". A má consciência política e dos "costumes" produz destas aberrações. A qualidade e a quantidade de mulheres que participam na vida política activa jamais deviam estar dependentes de um critério sexista. Uma mulher - ou um homem - não são melhores "políticas" ou "políticos" por serem mulheres ou homens. Ou são ou não são, independentemente do número e do sexo. A ideia das "quotas" amesquinha as mulheres, embora se comprazam todos e todas nessa falácia. Não é por existirem mais mulheres na vida política activa que a "paridade" vale a pena. Até podia haver mais mulheres do que homens ou mesmo nenhuma, ou vice-versa. A maturidade cívica e política de um agente representativo não se mede nem pelo sexo nem pela "paridade". Não é preciso andar para aí a berrar a diferença e o consequente "direito" à igualdade. Para este peditório, estamos fartinhos de dar.

EMINÊNCIAS

O dr. Mega Ferreira, uma eminência "cultural" do regime, deu uma entrevista ao Diário de Notícias. Nela derrama a sua "visão" sobre o Centro Cultural de Belém, que administra desde o dia imediato à derrota do seu candidato presidencial. Parece que se prepara um "hotel de luxo" para a parte não concluída da estrutura e que Mega aspira, como não podia deixar de ser, à "qualidade" dos produtos que o CCB, semi-falido e ultimamente desprovido de grande imaginação, deve apresentar. Na sua (i)modéstia, Mega diz estas coisas fantásticas: "Não atendo pedidos de socorro, não tenho vocação para bombeiro nem para político de carreira. Não aceitei ser ministro nem deputado... Sou de projectos. Gosto de pegar em coisas, imaginar, conceber e realizar. Quando a ministra me convidou só perguntei se tinha "carta branca para concluir o projecto CCB", construir os módulos 4 e 5. Ela respondeu "com certeza", e aceitei." Vêem como ele respira? Não aceitou ser ministro nem deputado, o que quer dizer que lhe passou pela cabeça e pela cabeça de alguém. Todavia, não tem "vocação para político de carreira". Salvo o devido respeito, e para além das indesmentíveis qualidades da criatura, Mega não tem feito outra coisa, desde que largou o jornalismo, senão uma carreira que representa escolhas políticas. Ou a ida para a Expo, por exemplo, foi fruto do acaso? Ou a presidência do CCB, agora? Ou o apoio tardio a Mário Soares, depois de Zenha em 86? O regime não passa sem figuras pardas como o dr. Mega, tal como durante anos a fio não passou sem o seu antecessor, Fraústo da Silva. Há mais por aí.

EMINÊNCIAS

O dr. Mega Ferreira, uma eminência "cultural" do regime, deu uma entrevista ao Diário de Notícias. Nela derrama a sua "visão" sobre o Centro Cultural de Belém, que administra desde o dia imediato à derrota do seu candidato presidencial. Parece que se prepara um "hotel de luxo" para a parte não concluída da estrutura e que Mega aspira, como não podia deixar de ser, à "qualidade" dos produtos que o CCB, semi-falido e ultimamente desprovido de grande imaginação, deve apresentar. Na sua (i)modéstia, Mega diz estas coisas fantásticas: "Não atendo pedidos de socorro, não tenho vocação para bombeiro nem para político de carreira. Não aceitei ser ministro nem deputado... Sou de projectos. Gosto de pegar em coisas, imaginar, conceber e realizar. Quando a ministra me convidou só perguntei se tinha "carta branca para concluir o projecto CCB", construir os módulos 4 e 5. Ela respondeu "com certeza", e aceitei." Vêem como ele respira? Não aceitou ser ministro nem deputado, o que quer dizer que lhe passou pela cabeça e pela cabeça de alguém. Todavia, não tem "vocação para político de carreira". Salvo o devido respeito, e para além das indesmentíveis qualidades da criatura, Mega não tem feito outra coisa, desde que largou o jornalismo, senão uma carreira que representa escolhas políticas. Ou a ida para a Expo, por exemplo, foi fruto do acaso? Ou a presidência do CCB, agora? Ou o apoio tardio a Mário Soares, depois de Zenha em 86? O regime não passa sem figuras pardas como o dr. Mega, tal como durante anos a fio não passou sem o seu antecessor, Fraústo da Silva. Há mais por aí.

25.3.06

EXPULSOS

O governo federal do Canadá decidiu expulsar os imigrantes em situação ilegal. No turbilhão foram "apanhados" centenas, se não milhares, de emigrantes portugueses que não trataram de legalizar a sua presença no Canadá, apesar de lá trabalharem há vários anos. Onde quer que estejamos, tendemos a levar connosco a nossa extrema badalhoquice. Neste caso, nada justifica que os portugueses, sobretudo os que têm família constituída, não tivessem providenciado para, em devido tempo, se legalizarem. Agora choram, fazem abaixo-assinados inúteis e, obviamente, as malas. Parece que há quem goste de passar vergonhas desnecessárias. Admiram-se de quê?

EXPULSOS

O governo federal do Canadá decidiu expulsar os imigrantes em situação ilegal. No turbilhão foram "apanhados" centenas, se não milhares, de emigrantes portugueses que não trataram de legalizar a sua presença no Canadá, apesar de lá trabalharem há vários anos. Onde quer que estejamos, tendemos a levar connosco a nossa extrema badalhoquice. Neste caso, nada justifica que os portugueses, sobretudo os que têm família constituída, não tivessem providenciado para, em devido tempo, se legalizarem. Agora choram, fazem abaixo-assinados inúteis e, obviamente, as malas. Parece que há quem goste de passar vergonhas desnecessárias. Admiram-se de quê?

HOUSE DOMÉSTICO

Quase três anos depois de ter começado esta aventura bloguística, decidi convidar dois amigos de diferentes gerações para "enriquecer" o Portugal dos Pequeninos. Este é um blogue livre e "liberal". Eles escreverão o que quiserem e como quiserem. Eu continuarei na mesma, uma espécie de House com uma pequena equipa. Pode ser que venham mais.

HOUSE DOMÉSTICO

Quase três anos depois de ter começado esta aventura bloguística, decidi convidar dois amigos de diferentes gerações para "enriquecer" o Portugal dos Pequeninos. Este é um blogue livre e "liberal". Eles escreverão o que quiserem e como quiserem. Eu continuarei na mesma, uma espécie de House com uma pequena equipa. Pode ser que venham mais.

HOUSE - 2


House não é só Gregory House/Hugh Laurie. Também existe este australiano, o dr. Chase/Jesse Spencer que, para além do bom aspecto, "dá luta" ao teimoso protagonista que parte sempre do princípio que somos todos mentirosos.

HOUSE - 2


House não é só Gregory House/Hugh Laurie. Também existe este australiano, o dr. Chase/Jesse Spencer que, para além do bom aspecto, "dá luta" ao teimoso protagonista que parte sempre do princípio que somos todos mentirosos.

24.3.06

A ALMA DO ESTADO

Esta semana falou-se mais de função pública e do Estado do que o costume. Desde logo porque parece que está pronto um relatório de uma comissão qualquer que ingenuamente pretende extinguir e fundir serviços públicos e, imagine-se, acabar com uma série de chefias, como se elas se deixassem “morrer” assim, friamente. Depois, num outro estudo, ficou a perceber-se “em teoria” o que já se sabia “na prática”: que os funcionários públicos portugueses foram os que mais poder de compra perderam na zona “euro” quando comparados com os congéneres próximos. Finalmente houve a percepção de que triplicaram os “pensionistas” do Estado com reformas superiores a quatro mil e muitos euros, destacando-se os provenientes da área da Justiça. Passa-se isto tudo no mesmo país das OPA’s e das contra-OPA’S multimilionárias que fazem o ministro que tutela a administração pública rejubilar de “confiança” na economia. Se, afinal, a “reforma” do Estado ficar vagamente pelo caminho, imolando as suas pequenas vítimas mais desprotegidas e menos reivindicativas, e as OPA’s, com a consequente especulação bolsista de resultados sempre duvidosos, também se perderem na bruma dos gabinetes dos banqueiros, então terá havido demasiado ruído por nada. Todavia o governo tem sempre uma consolação, o fantástico “cartão único” do dr. Costa. De uma assentada, o Estado apropria-se da nossa identidade como se se tratasse de um shampoo multiusos. Quatro ou cinco documentos de identificação pessoal são dissolvidos num “chip” que imediatamente nos pôe a nu perante a “autoridade”, qualquer autoridade. Num país de tradição intimidatória e inquisitorial, pouco dado a liberalismos, o democrático “cartão único” não podia vir mais a propósito. Se passar no Parlamento - já que ninguém, a não ser meia dúzia de lunáticos, parece incomodar-se com a sua emergência – tal significa que os nossos deputados não estão muito preocupados em se erguerem das cadeiras por causa das suas e das nossas liberdades. As “reformas” anunciadas no Estado, as contradições na administração pública. os namoros bancários e o cartãozinho mágico, são árvores que não deixam ver a floresta de enganos em que vivemos. Não é por muito se “imaginar” que a economia medra. E, às vezes, é por demasiada “criação” que a liberdade diminui. Venha o Diabo e escolha.

(publicado no Independente)

A ALMA DO ESTADO

Esta semana falou-se mais de função pública e do Estado do que o costume. Desde logo porque parece que está pronto um relatório de uma comissão qualquer que ingenuamente pretende extinguir e fundir serviços públicos e, imagine-se, acabar com uma série de chefias, como se elas se deixassem “morrer” assim, friamente. Depois, num outro estudo, ficou a perceber-se “em teoria” o que já se sabia “na prática”: que os funcionários públicos portugueses foram os que mais poder de compra perderam na zona “euro” quando comparados com os congéneres próximos. Finalmente houve a percepção de que triplicaram os “pensionistas” do Estado com reformas superiores a quatro mil e muitos euros, destacando-se os provenientes da área da Justiça. Passa-se isto tudo no mesmo país das OPA’s e das contra-OPA’S multimilionárias que fazem o ministro que tutela a administração pública rejubilar de “confiança” na economia. Se, afinal, a “reforma” do Estado ficar vagamente pelo caminho, imolando as suas pequenas vítimas mais desprotegidas e menos reivindicativas, e as OPA’s, com a consequente especulação bolsista de resultados sempre duvidosos, também se perderem na bruma dos gabinetes dos banqueiros, então terá havido demasiado ruído por nada. Todavia o governo tem sempre uma consolação, o fantástico “cartão único” do dr. Costa. De uma assentada, o Estado apropria-se da nossa identidade como se se tratasse de um shampoo multiusos. Quatro ou cinco documentos de identificação pessoal são dissolvidos num “chip” que imediatamente nos pôe a nu perante a “autoridade”, qualquer autoridade. Num país de tradição intimidatória e inquisitorial, pouco dado a liberalismos, o democrático “cartão único” não podia vir mais a propósito. Se passar no Parlamento - já que ninguém, a não ser meia dúzia de lunáticos, parece incomodar-se com a sua emergência – tal significa que os nossos deputados não estão muito preocupados em se erguerem das cadeiras por causa das suas e das nossas liberdades. As “reformas” anunciadas no Estado, as contradições na administração pública. os namoros bancários e o cartãozinho mágico, são árvores que não deixam ver a floresta de enganos em que vivemos. Não é por muito se “imaginar” que a economia medra. E, às vezes, é por demasiada “criação” que a liberdade diminui. Venha o Diabo e escolha.

(publicado no Independente)

GRAHAM GREENE


José António Barreiros não é apenas o advogado da Casa Pia ou do dr. Vale e Azevedo. Também "investiga" e escreve. Gosta de espionagem e das histórias da dita de outras eras, quando Portugal era um ninho para os agentes secretos deste mundo. Descobri aqui e aqui um interessante texto seu sobre Graham Greene. Quem diria.

GRAHAM GREENE


José António Barreiros não é apenas o advogado da Casa Pia ou do dr. Vale e Azevedo. Também "investiga" e escreve. Gosta de espionagem e das histórias da dita de outras eras, quando Portugal era um ninho para os agentes secretos deste mundo. Descobri aqui e aqui um interessante texto seu sobre Graham Greene. Quem diria.

PAÍS REAL

"Dois países da antiga Europa de Leste à nossa frente em riqueza por Habitante. Desde 1999, caímos de 14º para 18º lugar na Europa a 25."

in Público

PAÍS REAL

"Dois países da antiga Europa de Leste à nossa frente em riqueza por Habitante. Desde 1999, caímos de 14º para 18º lugar na Europa a 25."

in Público

NÃO

O PS, em matéria de regionalização, vai tentar meter pela janela o que não conseguiu fazer passar pela porta. De acordo com o dr. Junqueiro, uma notablidade do grupo parlamentar socialista, a dita regionalização deverá primeiro "avançar no terreno" - cinco regiões em vez das sete chumbadas em 1998 - e seguidamente referenda-se. Esta decisão original daria depois lugar à figura do "governador civil regional" em substituição dos actuais dezoito, a única ideia razoável desta história. O PS quer à viva força "desforrar-se" dos resultados dos dois únicos referendos realizados até hoje. Em Setembro propôe o do aborto e, pelos vistos, seguir-se-á um outro sobre uma regionalização entretanto posta em prática. O país é pouco mais do que uma pequena caixa de fósforos. Não precisa de mais "divisões" sustentadas por mais burocracia. Assim, para além dos caciques autárquicos, teríamos os suseranos regionais, coisa que só de pensar nela me dá arrepios. Esta ideia manhosa do "faz-se agora" e legitima-se depois é perigosa. Para o PS, naturalmente. Arrisca-se a ficar com o mesmo resultado de há oito anos.

NÃO

O PS, em matéria de regionalização, vai tentar meter pela janela o que não conseguiu fazer passar pela porta. De acordo com o dr. Junqueiro, uma notablidade do grupo parlamentar socialista, a dita regionalização deverá primeiro "avançar no terreno" - cinco regiões em vez das sete chumbadas em 1998 - e seguidamente referenda-se. Esta decisão original daria depois lugar à figura do "governador civil regional" em substituição dos actuais dezoito, a única ideia razoável desta história. O PS quer à viva força "desforrar-se" dos resultados dos dois únicos referendos realizados até hoje. Em Setembro propôe o do aborto e, pelos vistos, seguir-se-á um outro sobre uma regionalização entretanto posta em prática. O país é pouco mais do que uma pequena caixa de fósforos. Não precisa de mais "divisões" sustentadas por mais burocracia. Assim, para além dos caciques autárquicos, teríamos os suseranos regionais, coisa que só de pensar nela me dá arrepios. Esta ideia manhosa do "faz-se agora" e legitima-se depois é perigosa. Para o PS, naturalmente. Arrisca-se a ficar com o mesmo resultado de há oito anos.

23.3.06

SE CONDUZIR, NÃO TOME

O governo parece apostado em controlar todos os nossos passos. Depois do "cartão único", chega a "regulamentação" do Código da Estrada nazi. Entre outras "novidades", prevê-se "a introdução de testes rápidos na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas". Esses "testes rápidos" - realizados, presume-se, em plena estrada e ao ar livre - são realizados "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como uma grande maioria de portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos, entre outras coisas, para suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada do dr. Costa, agora "regulamentado", não evita o pior. Os condutores assassinos ou suicidas continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que me aprouver sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial não só de trânsito como de costumes. Mais vale proibirem-me de mexer no carro. Lá chegaremos.

SE CONDUZIR, NÃO TOME

O governo parece apostado em controlar todos os nossos passos. Depois do "cartão único", chega a "regulamentação" do Código da Estrada nazi. Entre outras "novidades", prevê-se "a introdução de testes rápidos na fiscalização de condutores sob efeito de substâncias psicotrópicas". Esses "testes rápidos" - realizados, presume-se, em plena estrada e ao ar livre - são realizados "numa amostra de urina, saliva ou suor e só no caso de ser positivo se submeterá o indivíduo a um exame de confirmação em amostra de sangue". Como uma grande maioria de portugueses consome relaxantes, tranquilizantes e anti-depressivos, entre outras coisas, para suportar a arrogância dos "agentes da autoridade" que adoram vasculhar as nossas viaturas e esconder-se atrás das moitas e das árvores, esta "inovação" promete. O Código da Estrada do dr. Costa, agora "regulamentado", não evita o pior. Os condutores assassinos ou suicidas continuarão impávidos e serenos a matar e a matar-se onde calhar. Eu apenas reclamo o meu direito a tomar os Prozac's ou os Lexotan's que me aprouver sem correr o risco de ser incomodado por uma qualquer brigada policial não só de trânsito como de costumes. Mais vale proibirem-me de mexer no carro. Lá chegaremos.

VIOLÊNCIA

Isto anda assim: aparentemente calmo mas pronto a disparar à primeira provocação. Este rapaz, por exemplo, tem um bar, uma família e serve café americano na maior tranquilidade. E em apenas hora e meia de filme é capaz de "despachar" dez almas sem pestanejar. É obra.

VIOLÊNCIA

Isto anda assim: aparentemente calmo mas pronto a disparar à primeira provocação. Este rapaz, por exemplo, tem um bar, uma família e serve café americano na maior tranquilidade. E em apenas hora e meia de filme é capaz de "despachar" dez almas sem pestanejar. É obra.

22.3.06

O "ESTADO DA ARTE"...

... do dr. Portas visto magnificamente por Fernanda Câncio. Aquilo não "cola" e, de facto, não é preciso dizer mais nada. "mas lá está, ninguém foge à sua natureza, e a de portas não é de grand seigneur, é de puto rebelde com manias. nenhum grande senhor cheio de serenidade e de desprezo pela politiquice seria apanhado a dizer "sei o peso que as minhas palavras têm". aliás, como é óbvio, ninguém cujas palavras tenham de facto peso sente necessidade de o afirmar".

O "ESTADO DA ARTE"...

... do dr. Portas visto magnificamente por Fernanda Câncio. Aquilo não "cola" e, de facto, não é preciso dizer mais nada. "mas lá está, ninguém foge à sua natureza, e a de portas não é de grand seigneur, é de puto rebelde com manias. nenhum grande senhor cheio de serenidade e de desprezo pela politiquice seria apanhado a dizer "sei o peso que as minhas palavras têm". aliás, como é óbvio, ninguém cujas palavras tenham de facto peso sente necessidade de o afirmar".

"MODERNIZAR O CASAMENTO"

O Bloco de Esquerda, que andava moribundo desde a justa sova que Francisco Louçã levou nas presidenciais, decidiu apresentar uma proposta legislativa que altera o divórcio. Segundo o distinto prof. Rosas, importa "modernizar o casamento" e, consequentemente, acabar com ele de uma forma mais expedita. Os bloquistas entendem que basta a "vontade" de um dos cônjuges para, em três meses e com duas conferências matrimoniais, pôr termo ao contrato. Trivialidades como o património comum ou os filhos são tratados em "processos paralelos". De uma forma sucinta, o prof. Rosas resumiu a lógica da coisa: "Uma pessoa casa-se. Chega à conclusão que foi um erro de casting. Pode requerer a dissolução do casamento. Conclui que se enganou, que não está bem, pede o divórcio". Eu não gosto de casamentos, seja com quem for, e julgo que não há maneira de os "modernizar". Todavia parece-me que fazer deles laboratórios para experiências a dois, como propôe o BE, só contribui para desacreditar ainda mais a provecta instituição. Dá ideia que alguém se casa a pensar de imediato em se divorciar quando lhe der na real gana. Mais vale estar quieto.

"MODERNIZAR O CASAMENTO"

O Bloco de Esquerda, que andava moribundo desde a justa sova que Francisco Louçã levou nas presidenciais, decidiu apresentar uma proposta legislativa que altera o divórcio. Segundo o distinto prof. Rosas, importa "modernizar o casamento" e, consequentemente, acabar com ele de uma forma mais expedita. Os bloquistas entendem que basta a "vontade" de um dos cônjuges para, em três meses e com duas conferências matrimoniais, pôr termo ao contrato. Trivialidades como o património comum ou os filhos são tratados em "processos paralelos". De uma forma sucinta, o prof. Rosas resumiu a lógica da coisa: "Uma pessoa casa-se. Chega à conclusão que foi um erro de casting. Pode requerer a dissolução do casamento. Conclui que se enganou, que não está bem, pede o divórcio". Eu não gosto de casamentos, seja com quem for, e julgo que não há maneira de os "modernizar". Todavia parece-me que fazer deles laboratórios para experiências a dois, como propôe o BE, só contribui para desacreditar ainda mais a provecta instituição. Dá ideia que alguém se casa a pensar de imediato em se divorciar quando lhe der na real gana. Mais vale estar quieto.