
Com certeza Marine Le Pen terminará o dia com um sorriso maior. Rirá sobretudo dos pobres de espírito que arruinam politicamente a Europa à conta das folhas Excel que uns esquadrinham e outros preenchem obedientemente. A metáfora paroquial dos "cofres cheios" apenas denota esta infelicidade generalizada. A Le Pen, como a outros em países onde as opiniões públicas são fortes e pouco timoratas, basta aproveitar as brechas que os burocratas da democracia cavam todos os dias. Os "centrões", mais à esquerda ou mais à direita, acharam que o hiperliberalismo retórico das "reformas" (repare-se que nunca ninguém menciona, em concreto, o que é que entende por "reformas") os salvava. Começou com o estúpido Blair e acabou na Merkel da contabilidade pública comunitária. Agora amanhem-se. Só temos o que merecemos.
9 comentários:
É preciso ver para além da raiva e do desdém, porque o que acaba de escrever é a incapacidade absoluta de perceber o fenómeno que pretende ironizar com o sentimento de culpa assim atirado para cima de outros.
Com certeza. Ilustre-me então.
O desdém pelas folhas de excel e pelas contas só demonstra a ignorância que o pessoal "de letras e humanidades" tem pela missão dos de ciência e matemática. Devem pensar que são intelectualmente superiores... Normalmente são meros assalariados ou funcionários e mexem-se mal na vida de hoje. Mas continuam a ter a arrogância da superioridade intelectual. Às vezes é ressabiamento. Devia haver consciência disso, e não há. Não há pachorra...
E eu que julgava que quem tinha arruínado a Europa tinham sido precisamente os que recusam olhar para as "folhas Excel" e gastaram o que sabiam que tinham, o que julgavam que iam ter mas que não podiam vir a ter (estava bem à vista nas "folhas Excel" que se recusavam a ver), o que julgavam que podiam vir a tirar aos contribuintes (como se os bolsos destes fossem um poço sem fundo) e ao que julgavam que lhes iam continuar a "emprestar" sem exigir nada em troca (como se os contribuintes e Governos dos outros países se chamassem todos "Carlos Santos Silva").
Não foi a "austeridade" que arruinou a Europa, da mesma forma que não é a quimioterapia que arruina a saúde dos doentes com cancro.
Sim, tivemos e temos o que merecemos. Vamos ver é se fazemos por merecer melhor do que tivemos nas últimas décadas. Começar a olhar com atenção para as "folhas Excel" é um começo, porque o dinheiro para pagar medicamentos, cirurgias, ordenados de médicos e professores e pensões tem que sair de algum "cofre". "Cofre" esse que, por isso, é sempre melhor estar cheio do que vazio.
O assunto não me parece que mereça um post.
Segundo o "jornal de referência", "A França vota hoje. Hollande pode ser o grande perdedor e Marine Le Pen a pequena vencedora" porque "As competências destes conselheiros são limitadas a assuntos como a proteção da infância e a atribuição de determinadas ajudas sociais, a gestão de algumas estradas, de equipamentos escolares, de certas bibliotecas e arquivos e parte da administração turística, entre outras."
Há coisas mais importantes, por exemplo o Barça-Madrid.
Isso. Bola e macaco Adriano. Força.
As preocupações que isto me levanta são as mesmas do Syriza na Grécia. Só me falta saber quem é que neste caso vai fazer os papéis do PASOK e de António Costa. Ou será que agora vão ser todos "democratas" e "fundadores" do estado social e da democracia portuguesa e o livre direito à escolha vai estar novamente condicionado como aconteceu na Áustria durante o governo da "picareta falante"?
Oh João, o povo é sereno... os fãs das 3 loiras (a alemã, a francesa e a portuguesa) ainda têm muito caminho para fazer - um dia percebem!
Era uma ironia, embora me tenha deliciado a ver o jogo.
Estou mortinho para ver as cambalhotas que os jornais amanhã vão fazer para apresentarem o Podemos como vencedor e La Pen como perdedora.
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