
«António Costa deu uma entrevista à televisão que veio confirmar o pior sobre a vacuidade e as fantasias do Partido Socialista (...). O que separa Costa de Passos Coelho é simplesmente a questão da política de desenvolvimento, em que as duas partes se iludem com o mesmo fervor e se perdem na mesma irrelevância. Tirando a má-fé, a que por situação e profissão em geral não escapam, acabam ambas num vácuo, que meia dúzia de tecnocratas se esforçam por disfarçar com uma conversa esotérica para iniciados. Ainda por cima, a “zona euro”, como já abundantemente se provou, favorece os fortes e conserva os fracos na usual miséria. Paul Krugman, de que a esquerda tanto gosta, ganhou um prémio Nobel por explicar essa evidência. Na Europa de hoje, Portugal, como o sul de Itália (o antiquíssimo Mezzogiorno), será perpetuamente uma região esfolada e desprezada, sem esperança de regeneração. Não admira por isso que, na ausência de uma clara concepção do Estado e do seu papel e de uma clara visão do estatuto e possibilidades de Portugal na Europa, António Costa reverta a ilusões, sem fundamento nem desculpa (...). Ainda julga que irá negociar o nosso desastroso estatuto. Mas ninguém irá negociar com ele. As coisas são o que são; e faz pena assistir ao naufrágio de um homem em quem os portugueses passageiramente confiaram.»
Vasco Pulido Valente, Público
Foto: Ephemera
1 comentário:
É ouvi-lo dizer que quer o Governador do BdP escrutinado para se saber das suas ideias sobre política monetária para se perceber logo que ao fim destes anos todos ainda não se apercebeu do esvaziamento de funções daquela instituição, a não ser que pense voltar ao escudo. Até o Seguro deve rebolar-se pelo chão, perdido de riso.
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