
As mais recentes decisões judiciais relativas ao inquérito que envolve o antigo primeiro-ministro José Sócrates implicam um imenso trabalho responsável de produção e de avaliação da prova. O Ministério Público tem, por assim dizer, a sua prova de fogo, entre outros certamente, com este processo. O arquivamento do inquérito ou a dedução de acusação não deixarão indiferente o sentimento jurídico colectivo. Nem tão pouco o político. Como escreveu Miguel Sousa Tavares, não é irrelevante para ninguém saber-se se fomos governados durante seis anos por culpado pelos crimes em que está indiciado ou por inocente que, entretanto, já terá "cumprido" na prática uma espécie de pré-pena de prisão. A qualidade de vida do nosso Estado de direito democrático também passa pela perícia do "Estado acusatório". Não desejamos que ele recue. Mas não aceitamos que ele falhe.
1 comentário:
"Não desejamos que ele recue. Mas não aceitamos que ele falhe." Conviria acrescentar que antes de mais devemos respeitá-lo, coisa que não tem acontecido. Independentemente de o defensor visível se lavar todos os dias, entraram desde inicio em atrito lubrificado nos meus parafusos algumas ideias base que parecem confirmar-se. Num primeiro momento Sócrates e advogados, secundados pela tropa que os rodeia apostaram em assustar tanto os agentes da justiça, como jornalistas e opinião pública. Depois instalar a confusão generalizada metendo os pés pelas mãos e misturando alhos com bugalhos claramente a querer fazer de nós parvos de fácil ceifa. Finalmente, em desespero crescente indisfarçável a queda total do verniz, mostrando sem decoro a verdadeira natureza pantomineira de tal gente sem escrúpulos a expor-se de forma imoralmente pornográfica.
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