
Cumpre-se um ano sobre o desaparecimento do José Medeiros Ferreira. Como disse na conferência que o homenageou o mês passado na Gulbenkian, é um interlocutor que me faz muita falta. Já na presente legislatura, uma vez, o Medeiros aludiu ao comportamento não ético e parcial do poder no sentido de uma "deficiência de ética comunitária". O contexto era o fiscal por causa do selectivo e "enorme aumento de impostos" do dr. Gaspar. Gostava de o ter hoje por perto para apreciarmos juntos, e porventura tão divertidos quanto sérios, as mais recentes peripécias decorrentes da putativa existência de uma "bolsa especial" de contribuintes que, para já, deu azo a uma imolação politicamente imperfeita. O que me leva a citar Kant que também agradaria ao Medeiros: as coisas ou têm um preço ou têm uma dignidade. Vamos falando por aqui.
2 comentários:
Bastou ver Passos Coelho indignado com facto de aparecerem nos jornais as suas fugas aos impostos (tal qual o 44, quando diz que as provas que o incriminam não podem ser utilizadas porque são ilegais - não importam os factos, mas a forma como são dados a conhecer) para ficarmos com uma certeza: ele e o Núncio decidiram que alguns figurões não podiam ser incomodados pela curiosidade da ralé. Achavam que era só quero-posso-mando e zás - passava a haver contribuintes vip !! O dr . Lima também achava que na Tap havia trabalhadores de primeira e de segunda. No mínimo, estes economistas de pacotilha faltaram às aulas de Direito. Estamos bem entregues...
Haverá algum nexo causal entre as revelações relativas aos incumprimentos do PM em matéria de segurança social e esta trapalhada do pacote VIP? A existir, seria espantoso de imoralidade - e de estupidez.
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