Nem uma palavra presidencial sobre a Europa em ano de eleições europeias - que não pára de crescer para o outro lado e que se mantém cativa do caprichismo alemão - ou sobre a vida das pessoas concretas. Um PR que tanto valoriza, na sua retórica, "a palavra", acabou por não ter nenhuma, elevada ou simbólica, já que da magistratura que exerce se deve esperar alguma grandeza e gestos simbólicos nem que seja a título de emulação. O Doutor Cavaco talvez tenha falado a pensar nos seus antigos alunos das pós-graduações ou dos MBA. Para quê insistir em "consensos" pastelões para a "qualquer coisa" que se segue ao "programa de ajustamento" quando sabe que são inverosímeis? Não prestou atenção à última entrevista do senhor PM, e seu companheiro de estrada desde Julho de 2013, salvo na questão das pensões que, talvez não por acaso pessoal, "salvou" sacudindo por segundos o pó do exemplar da Constituição que conserva em Belém? É que o senhor PM "dispensou" o PS das ponderações sobre o chamado "programa cautelar" que tenciona, pelos vistos, cozinhar e negociar sozinho com o dr. Portas e os notáveis "quadros" partidários deste sob o olhar austeritário e indiferente da Europa. A menos que "a palavra" se imponha, desta feita com sucesso, às desprezíveis "questões partidárias" que, afinal, não são "nacionais" (então os partidos, os que existem ou por existir, nossos e paridos por obra e graça dos 40 anos "de Abril" cuja comemoração não deixou de recordar, serão porventura obra de terceiros apátridas?). "A palavra", desta vez, recordou-me palavras de Fernando Pessoa. «As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja.» Ou como resume Medeiros Ferreira: «ontem não havia nada para acrescentar, a não ser nada em cima de nada. Se é assim que se prepara o pós-troika, estamos bem arranjados.» Se assim é, assim seja.
5 comentários:
Cavaco Silva sempre foi (e é) um homem de "palavras! Nunca foi um homem de "PALAVRA"! Daí estramos no "Estado a que chegamos":
João Gonçalves, não perca a ideia do circo, mas considere-se parte dele, você e Medeiros Ferreira, pois são quem contribuiu para estarmos onde estamos e agora, não arcando com a coragem de outras alternativas, resolveram ressabiar-se e ressentir-se de pessoas e atropelos que ajudaram a promover e a construir. O que nós precisamos é da mesma lucidez crítica que tiveram quando a crise se colou às soluções da Troika, não é de desdizerem o que disseram só porque Portas e Cavaco deixaram de ter a mesma simpatia. Todo o ressentimento cheira a demissão e toda a demissão se cheira a léguas. Junte ao circo outros seus companheiros da desgraça como Pacheco Pereira, Seguro, Marcelo, mais o de Fafe e o ex-pugilista, mais os nicolaus e os costas e manuelas e as fátimas e diga onde quer que cheguemos, mas deixe-se de pieguices... Cansei de o ler... Você desanima quem trabalha...
Esperar que um burro raciocine, ou que um chipanzé se torne poeta, é penoso: pode demorar centenas de milhar de anos! Não sendo nem burro nem símio, o Sua Excelência o Sr. Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, talvez demore um pouco menos, e com ele muitos de nós que não pensamos e a quem ele representa. Mas a espera não deixa de ser penosa. Felizmente há luar, e o sol continua a nascer e a pôr-se todos os dias. O que seria dos pobres astros se neles os homens mandassem, nas suas revoluções e translacções... O totalitarismo instalou-se implacável e silencioso. Poucos viram. Ao início também eram poucos os que perceberam as manobras totalitárias de Hitler. A banalidade do mal globalizou-se. Hoje quase todos trazemos dentro de nós um pequeno Echman, aguardando mensalmente a (justa?) remuneração. O que era pasa ser já é. E o que podia ter sido já era!
José Machado: assino por baixo, se o João Gonçalves não se importar.
1. Do atual PR não se espera nada, mesmo nada. Sem dinheiro para distribuír, o país tornou-se monótono. Qual compromisso, quando as comadres estão zangadas?!!
Há 6 meses ninguém quis saber o que se passou com o fanfarrão Portas, agora ninguém quer saber onde Seguro corta pois certo e sabido que não podemos viver com um Estado Social do tamanho atual. Seja Seguro seja Portas marimbam-se para o interesse nacional: aquele tem a clientela já com fome de retorno ao poder, Paulo Portas quer brincar aos palácios com outra dama.
2. Por isso, era essencial o 2º resgate. A soberania já foi perdida em Maastricht Paulinho, os "sinais" de retoma sejam quais forem valem pouco a não ser crescimento do PIB a 2, 75%...o resto é conversa.
3. 2º Resgate Presidente.
É que vem aí o retorno do fandango e do bailinho, retorno esse que de década em década dá ...falência. As clientelas partidárias do PS sequiosas estão, habituadas como foram. No PSD os anti-troika, ou que têm discurso similar, preparam-se, sejam os Rios ou os Mendes ou até Sebastião da Alma-Penada.
Ao menos com a troika não tínhamos os desmandos dos politicos tugas que cuidam do quer-coisinha do valoroso cidadão português. O tal cidadão que vota em gente que leva por três vezes em 40 anos o País à falência.
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