
«Como explicou Maggie Jackson no seu magnífico livro Distracted: The Erosion of Attention and the Coming Dark Age, a aceleração provoca a erosão da nossa capacidade de atenção, seja de concentração em algo, seja em relação às mudanças que ocorrem à nossa volta, seja ainda de adaptação a essas alterações. É a aceleração que multiplica simultânea e contraditoriamente todos os tipos de apelos de urgência, estropiando o tempo de reflexão indispensável à decisão esclarecida e eficaz nos domínios económico, social ou político. A aceleração dilui a percepção do tempo, condenando-nos a viver numa espécie de presente perpétuo que toma a forma de uma "actualidade" (os telejornais são um bom exemplo) em que os acontecimentos se multiplicam na razão inversa da compreensão do seu sentido. E em que a proliferação de pontos de vista tem como principal efeito o de privar o homem contemporâneo de qualquer perspectiva consistente sobre o que quer que seja. É por isso que a urgência e a inacção acabam por combinar tão bem! São elas que impõem em todas as vertentes da vida contemporânea o curto-termismo, que é o traço que melhor define a mutação radical que ocorreu na nossa relação com o tempo, obscurecendo qualquer horizonte onde se possam instalar verdadeiros projectos de vida, individuais ou colectivos, fragilizando todos os processos de deliberação fundamentada, bloqueando a atenção à complexidade das sociedades contemporâneas e impondo-lhes um registo de instantaneidade e de imediatismo de resultados decepcionantes.»
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