
Consta que alguns assessores de Hollande recomendaram que o presidente passasse a declarar-se celibatário. A avaliar pela cara do Papa quando o recebeu no Vaticano, Hollande ainda não adquiriu institucionalmente esse estatuto. Na sua vida privada, aquela com quem ninguém tem nada a ver, fê-lo hoje. Se seguir as pisadas do seu antecessor, porém, não tardará em levar a chochinha que frequenta de motorizada para o palácio presidencial. Hollande, à semelhança do nosso dr. Passos, apresentou-se com uma pessoa "normal" por contraponto à nervoseira convencida instalada antes dele. Insistiu, aliás, no termo nos debates com Sarkozy. Mas, como praticamente todas as indistintas "elites" político-partidárias que governam a Europa, do Cabo Espichel aos mais recentes aderentes da "causa" europeia, Hollande revelou-se não tanto uma personalidade "normal" quanto uma personalidade vulgar. Aparentemente ninguém o leva muito a sério em casa ou na chamada "Europa" que ele tanto jurou vir mudar. A França há muito que vinha perdendo o estatuto de "farol" intelectual e político que a distinguiu sobretudo a partir do fim do século XVIII. Mitterrand foi o último a preservar essa "herança" imaterial talvez porque a partir de certo momento, e pelos mais variados motivos, parecia intemporal e inatingível. Mais do que qualquer outra coisa, o famoso capacete de Hollande "oculta" algo que agora não existe e que De Gaulle designava por "uma ideia da França". A senhora Le Pen agradece.
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