9.1.14

Por que não?

Um dia destes, Vasco Pulido Valente resolveu escrever que o actual inquilino da Horta Seca tinha devolvido "dignidade" não sei a quê ou a quem - presumivelmente aos portugueses, venerandos e obrigados por tamanha honra - apenas com a sua magnífica presença no governo remodelado em Julho de 2013. O próprio articulista reconhecia que, apesar de não saber nada dos seus feitos em meio ano, só a citada "dignidade" justificava imediatamente a distinção. Teria ele em mente a aparição da pessoa em causa em algumas "revistas" televisivas de 2013 em que surgia a entrar num automóvel à porta do Caldas e dizer aos jornalistas que, sic, "tenho de ir vender umas cervejas"? Talvez inspirado por este egrégio elogio da "dignidade", e mesmo sem ter nada a ver com aquilo que em princípio o levou para o governo - a economia -, o dr. Lima veio agora afirmar que o "seu" dr. Portas daria um belo candidato a Belém. Não deixa de ter algum propósito. O presidente do CDS é uma espécie de Tutankamon das lideranças partidárias. É mais "velho" que Jerónimo de Sousa, por exemplo. É um reputado especialista, e bem sucedido, em metamoforses e mistificações. Tem tanto de insondável como de irrevogável. É adorado na tribo e sabe adiantar ou atrasar relógios conforme as suas necessidades políticas. Manda, por sinal, nas Necessidades onde se arrasta um fantasma que ele ignora. Possui uma legião de vassalos complacentes na comunicação social. Por que não?

4 comentários:

Inexequível dos Campos disse...

Insondável, irrevogável e inenarrável!

fado alexandrino disse...

Pode dar um candidato a Belém, tem tudo o que é necessário oficialmente.
Também tem tudo e até ultrapassa o necessário para ter uma estrondosa derrota.
Só se for vaidoso como o Soares é que se mete nessa trapalhada.

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, Portas-O-Paulo em Belém palacianamente rodeado de pastéis nativos é cenário que só se realizará com mesmo muito dinheiro "xenês"...

Carlos Vargas disse...

As sucessivas regeneraçōes de Paulo Portas mostram como é fácil tomar conta de um país aturdido. Numa sociedade moralmente exaurida e inerte acerca de questōes éticas, a única coisa que verdadeiramente conta é a arte de conservar o poder e dispor de porta-vozes atrevidos. O sucesso é garantido. Os últimos 6 meses puseram a nu uma evidência: é Paulo Portas quem de facto manda no país, desde 2011.