21.1.14

O exercício da "vingança"

Voltou à baila a ADSE. Francamente não consigo perceber o que é que o governo pretende: se acabar com ela por "desistência" dos beneficiários uma vez que a adesão é agora facultativa, ou acabar com ela "indirectamente", privatizando-a. De qualquer forma, o aumento da contribuição, nesta altura, é um acto de pura má-fé - juntamente com a subida da "contribuição extraordinária soviética" para as pensões -  destinado a "vingar" o "chumbo" do Tribunal Constitucional a um acto de gestão orçamental corriqueiro em nome da "consolidação" e da inexplicável teimosia com o défice indemne. Porque, ainda há meses, Paulo Macedo - e não um qualquer secretário de Estado armado em executor testamentário da referida "vingança" - afirmava que "a ADSE é um sistema em que as pessoas estão satisfeitas e é autossustentável" e que não queria acabar com ela". E, reafirmo, é o SNS que tem mais a ganhar aproximando-se de um sistema como a ADSE do que o contrário. Em suma, "o Estado poupava mais se o SNS adoptasse um regime tipo ADSE do que mantendo o "ideológico" SNS" ou inventando um "pseudo-liberalismo provinciano gemedor com o suposto "privilégio" da ADSE".

4 comentários:

fernando antolin disse...

Parece que é sina nivelarmos por baixo...

Justiniano disse...

Mas, caro J. Gonçalves, quem quer reformar este Estado!?? A quem desgosta este Estado!? Haverá algum mundo para além deste Estado!? Sempre me pareceu evidente que nenhuma alteração de substancia seria, ou poderia ser, efectuada à estrutura e serviços do Estado, especialmente naquilo que o caracteriza como serviço de bem estar que o mantenham como Estado de Direito Liberal e Social. Isso, simplesmente, daria vontade de morrer!! E como não nos compete inventar palavras novas, mas apenas novas maneiras de dizer as mesmas palavras, a coisa só poderia passar pela tesoura, a tal solução mais fácil!! Nada disto carece de grande explicação e a sua metafísica é elementar pois que até as criancinhas o compreendem!!
Mas que aqui o caro J. Gonçalves, atiçado por ferros quentes, num tempo em que este Governo é acossado como uma corja de liberalóides imberbes e alucinados (o que é verdade), desembraiado ultrapassa os desdenhosos e vem explicar que o tal SNS, o ideológico, aquele que se justifica assim, por si, por se entender mui justo e honrar a todos, sem quota, em momentos desvalidos, poderá, estão, medir-se de méritos com um outro serviço de natureza contratual, com quotas em dia, mais ou menos liberal na sua comutatividade!!

Romão disse...

Pois eu que não entendo nada do assunto, acho que essa coisa a que chamam " principio de igualdade" está metida num saco. Basta olhar para o regime de pensões - um para o Estado, outro para o sector privado. Não havendo um sistema de Segurança Social único o principio da igualdade torna-se numa palhaçada a ser usado quando dá jeito existindo desigualdade no tratamento de situações idênticas.
E essa desigualdade sinto na pele. Infelizmente tenho um cancro e tenho de fazer quimioterapia. Como o tempo é fundamental para o tratamento da doença, e porque felizmente, tenho recursos que o permitem, optei por fazer os tratamentos num hospital privado porque me garantiram " resposta imediata" sendo os custos suportados por mim e pelo meu seguro de saúde. No entanto, existem doentes que se apresentam com sistemas de saúde "do Estado" e que não pagam nem metade daquilo que eu pago para os mesmos tratamentos. Se eles são filhos-da-mãe e eu filho-da-puta é o que eu gostava de saber...

Rui disse...

Sr. Romão,

Lamento, sinceramente, que tenha um cancro. Qualquer um de nós vai ter algo assim ou parecido. Depois chegará a "niveladora".
Sobre igualdade há muita prosa e muito mais ruído.
O Sr tem um seguro de saúde. Bom proveito.
Está incomodado com os do Estado com ADSE?! Pois esses descontaram todos os meses do seu salário para poder ter esse beneficio. E olhe que nunca foi pouco.
Há 25 anos que desconto e ainda não tive benefício. Sei que vou precisar como mortal. Apenas espero que seja sempre tarde e de pouca monta.